A prática docente concernente ao uso das tecnologias da informação e comunicação no ensino fundamental II
The teaching practice concerning the use of information and communication technologies in lower secondary education
Pâmela Bonkevitch[1]
Resumo
Este artigo analisa a prática docente relacionada ao uso das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no ensino fundamental II, com foco na realidade de uma escola pública estadual localizada em Novo Horizonte, Santa Catarina. O estudo parte do reconhecimento de que a inserção das tecnologias no cotidiano escolar não depende apenas da disponibilidade de equipamentos, mas também da formação continuada dos professores, da infraestrutura institucional e do apoio da gestão escolar. Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como descritiva, exploratória, de campo, com abordagem qualitativa e quantitativa, utilizando observação das práticas pedagógicas e aplicação de questionários a docentes. Os resultados evidenciam que a maioria dos professores recebe algum tipo de capacitação, mas isso não se converte, automaticamente, em uso pedagógico consistente das TIC em sala de aula. Entre os principais entraves identificados estão a insuficiência de formação específica, a precariedade dos equipamentos, a baixa qualidade da internet e o reduzido incentivo institucional ao desenvolvimento de projetos com tecnologias educacionais. Conclui-se que a efetiva integração das TIC ao processo de ensino-aprendizagem exige políticas de valorização docente, formação continuada articulada ao currículo, investimento em infraestrutura e uma atuação gestora comprometida com inovação pedagógica significativa.
Palavras-chave: tecnologias da informação e comunicação; prática docente; formação continuada; infraestrutura escolar; ensino fundamental II.
Abstract
This article analyzes teaching practice related to the use of Information and Communication Technologies (ICT) in lower secondary education, focusing on the reality of a public state school located in Novo Horizonte, Santa Catarina, Brazil. The study is based on the understanding that the integration of technologies into school life depends not only on the availability of devices, but also on teachers’ continuing education, institutional infrastructure, and school management support. Methodologically, the research is descriptive, exploratory, and field-based, combining qualitative and quantitative approaches through classroom observation and questionnaires administered to teachers. The results show that most teachers receive some kind of training; however, this does not automatically translate into consistent pedagogical use of ICT in the classroom. The main obstacles identified include insufficient specific training, outdated equipment, poor internet quality, and limited institutional support for projects involving educational technologies. The study concludes that the effective integration of ICT into the teaching-learning process requires teacher valorization policies, continuing education aligned with the curriculum, investment in infrastructure, and school leadership committed to meaningful pedagogical innovation.
Keywords: information and communication technologies; teaching practice; continuing education; school infrastructure; lower secondary education.
As transformações tecnológicas das últimas décadas alteraram profundamente as formas de comunicação, produção do conhecimento e acesso à informação. No campo educacional, esse movimento passou a exigir da escola e do professor novas competências para mediar aprendizagens em um contexto marcado pela conectividade, pela circulação acelerada de conteúdos e pela presença constante de dispositivos digitais no cotidiano dos estudantes. Nesse cenário, discutir o lugar das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) no ensino fundamental II tornou-se indispensável para compreender os desafios contemporâneos da prática docente.
O estudo que dá origem a este artigo foi desenvolvido a partir da realidade da Escola de Educação Básica Santa Lúcia, situada no município de Novo Horizonte, em Santa Catarina. O trabalho parte da problemática de como a prática docente pode contribuir para a educação de alunos do ensino fundamental quanto ao uso das TIC e se os professores, bem como a própria escola, estão efetivamente preparados para integrar tais recursos ao processo de ensino-aprendizagem. O texto original destaca que a pandemia de Covid-19 intensificou esse debate ao evidenciar desigualdades de acesso, lacunas formativas e a urgência de reorganização das metodologias de ensino.
Mais do que incorporar equipamentos ao espaço escolar, a integração das tecnologias exige mudança pedagógica, planejamento, intencionalidade didática e reflexão crítica. Por isso, este artigo sustenta que a presença das TIC só se torna relevante quando articulada a objetivos educacionais claros e acompanhada de condições institucionais que favoreçam seu uso. O objetivo geral consiste em analisar a prática docente referente ao uso das tecnologias da informação e comunicação no ensino fundamental II, considerando a formação dos professores, a infraestrutura da escola e as repercussões desse cenário na aprendizagem dos estudantes.
A relevância do estudo reside, portanto, em oferecer um diagnóstico do contexto investigado e, ao mesmo tempo, contribuir para o debate sobre formação docente, gestão escolar e inovação pedagógica em escolas públicas. Ao reorganizar a dissertação em formato de artigo científico, preservam-se as ideias centrais da autora, agora dispostas segundo a estrutura exigida em textos acadêmicos submetidos a periódicos.
O debate sobre tecnologias na educação envolve, inicialmente, o reconhecimento de que a sociedade contemporânea é marcada pela centralidade da informação e do conhecimento. Nessa perspectiva, as TIC deixam de ser apenas recursos acessórios e passam a influenciar modos de ensinar, aprender, interagir e produzir sentidos. O texto-base da pesquisa retoma autores como Lévy, Moran, Prensky, Perrenoud, Belloni e Kenski para sustentar que a cultura digital exige novas mediações pedagógicas e novas habilidades por parte dos professores.
Ao considerar a escola como espaço de formação humana, não basta disponibilizar computadores, tablets, projetores ou acesso à internet. É necessário compreender que o uso pedagógico das tecnologias depende de mediação crítica. O professor continua sendo elemento central do processo educativo, não como transmissor exclusivo de informações, mas como mediador que seleciona fontes, orienta percursos, problematiza conteúdos e transforma o acesso à informação em aprendizagem significativa. Nessa linha, a literatura mobilizada no estudo destaca que a tecnologia não substitui o docente; ao contrário, amplia a necessidade de sua atuação reflexiva e planejada.
Outro ponto recorrente no referencial é a discussão sobre formação continuada. O texto evidencia que muitos professores reconhecem a importância das tecnologias, mas enfrentam dificuldades para associar conteúdos curriculares a instrumentos digitais. Isso reforça a compreensão de que a atualização profissional precisa ser permanente, articulada às demandas reais da sala de aula e apoiada por políticas institucionais. Autores citados na dissertação também indicam que a competência necessária para o uso das TIC não é apenas técnica, mas lógica, epistemológica e didática, o que amplia a complexidade do trabalho docente diante da cultura digital.
O estudo também aproxima essa discussão das diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), sobretudo das competências gerais que tratam do uso crítico, significativo, reflexivo e ético das tecnologias digitais. Dessa forma, a presença das TIC no currículo não deve ser compreendida como modismo ou mera adaptação instrumental, mas como parte do direito dos estudantes de desenvolver competências compatíveis com o século XXI. No entanto, para que isso se concretize, a escola precisa superar barreiras como exclusão digital, carência de infraestrutura, fragilidade da gestão e manutenção de práticas estritamente tradicionais.
A pesquisa caracteriza-se como descritiva e exploratória, com abordagem qualitativa e quantitativa, e foi desenvolvida por meio de estudo de campo, pesquisa bibliográfica e análise documental. Segundo o texto original, a investigação utilizou como instrumentos de coleta de dados a observação das práticas pedagógicas e a aplicação de questionários com perguntas abertas, organizados em formulários digitais e enviados aos participantes por meio de grupo institucional de WhatsApp.
Os sujeitos da pesquisa foram professoras e professores do ensino fundamental de uma escola pública estadual do estado de Santa Catarina. O estudo considerou a participação de 22 docentes e tomou como referência o universo de 202 estudantes do ensino fundamental II, distribuídos entre turmas do 6º ao 9º ano, nos turnos matutino e vespertino. A investigação concentrou-se no contexto da Escola de Educação Básica Santa Lúcia, espaço em que a autora também atua, o que favoreceu aproximação com a rotina institucional e observação mais detalhada das práticas docentes.
O período de realização correspondeu a um trimestre letivo. Conforme o planejamento descrito na dissertação, houve observação semanal de aulas, seguida da proposição de práticas pedagógicas com TIC e posterior análise das experiências desenvolvidas. Entre os aspectos observados estiveram idade e formação dos docentes, conhecimento sobre tecnologias digitais, interesse em utilizá-las em sala de aula, acesso a recursos tecnológicos e existência de projetos escolares voltados ao uso pedagógico dessas ferramentas.
Os dados foram analisados de forma interpretativa, articulando os resultados empíricos com o referencial teórico. Tal procedimento permitiu compreender não apenas a frequência de determinadas respostas, mas também os significados atribuídos pelos docentes às dificuldades de implementação das tecnologias em seu cotidiano escolar.
Os resultados revelam um quadro contraditório. Por um lado, a maioria dos professores declarou receber algum tipo de formação ou capacitação para utilizar recursos tecnológicos em sala de aula. O texto-base informa que 83% dos docentes responderam positivamente a essa questão, enquanto 7% afirmaram não receber formação e 10% indicaram acesso eventual ou insuficiente às ações formativas. Esses dados sugerem que a oferta de capacitação existe, mas não se converte, necessariamente, em apropriação pedagógica efetiva das tecnologias.
Quando se observa o uso concreto das TIC nas práticas de ensino, o cenário torna-se mais restritivo. A dissertação registra que, embora os professores reconheçam a importância das tecnologias e utilizem recursos digitais em tarefas pessoais e profissionais, a maior parte ainda não as incorpora de modo consistente como recurso didático em sala de aula. Essa distância entre formação ofertada e prática pedagógica efetiva indica que a mera existência de cursos não garante mudança metodológica, sobretudo quando faltam condições estruturais, acompanhamento e segurança profissional para experimentação pedagógica.
Entre os principais fatores apontados pelos docentes para explicar a baixa utilização das tecnologias estão: falta de formação específica na área, carência de recursos tecnológicos acessíveis em sala de aula, ausência de manutenção dos equipamentos já existentes, internet de baixa qualidade e insuficiência de apoio ou incentivo por parte da gestão escolar. Tais elementos mostram que a dificuldade não pode ser atribuída exclusivamente ao professor. O processo de integração das TIC é sistêmico e depende de articulação entre formação, infraestrutura, suporte técnico e gestão.
Outro dado expressivo do estudo refere-se à formação específica em tecnologias educacionais. Segundo os resultados descritos no trabalho original, 73% dos docentes declararam não possuir formação específica nessa área, enquanto 27% afirmaram ter cursos específicos e buscar aperfeiçoamento contínuo. Esse achado reforça a tese de que a formação continuada ofertada precisa ser mais aprofundada, contextualizada e permanente, para que o professor se sinta apto a transformar os recursos digitais em estratégias pedagógicas significativas.
No que se refere à gestão escolar, a pesquisa indica que há fragilidade no estímulo a projetos que envolvam tecnologias educacionais. A autora registra que os professores percebem pouco apoio institucional para desenvolver propostas pedagógicas com uso de TIC, seja por restrições de tempo, seja por dificuldades de organização administrativa e material. Tal constatação é relevante porque evidencia que a inovação escolar não depende somente da iniciativa individual do docente; ela requer cultura institucional favorável, planejamento coletivo e incorporação das tecnologias ao projeto político-pedagógico da escola.
A discussão dos resultados permite afirmar que a escola investigada apresenta um contexto bimodal: existe reconhecimento da importância das tecnologias e há alguma movimentação formativa, mas persistem barreiras concretas que mantêm o predomínio de práticas tradicionais. Nesse sentido, a pesquisa confirma a literatura mobilizada no referencial teórico ao mostrar que o uso das TIC demanda muito mais do que disponibilidade de equipamentos. Exige reorganização do currículo, valorização docente, condições de trabalho e compreensão pedagógica do potencial desses recursos para motivar, diversificar linguagens e ampliar a aprendizagem.
A reorganização da dissertação em formato de artigo evidencia que a integração das Tecnologias da Informação e Comunicação ao ensino fundamental II é um processo complexo, que depende da articulação entre formação docente, infraestrutura escolar e gestão pedagógica. A pesquisa demonstra que os professores reconhecem a relevância das tecnologias e, em grande parte, têm acesso a ações de capacitação. Contudo, a ausência de formação específica, a precariedade dos equipamentos, a limitação da internet e o apoio institucional insuficiente dificultam a transformação desse reconhecimento em prática pedagógica efetiva.
Conclui-se que a presença das TIC no espaço escolar só produz impacto significativo quando acompanhada de intencionalidade educativa, condições materiais adequadas e políticas de valorização profissional. A tecnologia, por si só, não modifica o ensino. Ela precisa ser apropriada criticamente pelo professor e integrada ao currículo de forma coerente com os objetivos de aprendizagem e com a realidade dos estudantes.
Assim, o estudo aponta para a necessidade de investimentos contínuos em formação docente contextualizada, melhoria da infraestrutura das escolas públicas, fortalecimento da gestão escolar e incentivo à elaboração de projetos pedagógicos que ultrapassem o uso pontual ou meramente instrumental das tecnologias. Ao mesmo tempo, reafirma o papel insubstituível do professor como mediador do conhecimento em uma sociedade digital marcada pela abundância de informações e pela necessidade de critérios para analisá-las.
Como contribuição, o artigo oferece uma leitura sistematizada de uma experiência concreta de escola pública e reforça que a inovação educacional exige tanto recursos materiais quanto transformação cultural e pedagógica. Em síntese, a efetiva inserção das TIC no ensino fundamental II depende de compreender a tecnologia como meio para qualificar o processo educativo, e não como fim em si mesma.
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Universidad Internacional Iberoamericana (UNINI) - Mestrado em Educação, Especialização em Novas Tecnologias, São Lourenço do Oeste - SC - Brasil, E-mail: pamslo@hotmail.com ↑