A atuação da enfermagem na prevenção e manejo do delirium em pacientes críticos

The role of nursing in the prevention and management of delirium in critically ill patients

Nilza Maria de Oliveira Carvalho[1]

Drª. Diala Alves de Sousa[2]

RESUMO

O delirium é uma condição neurológica aguda frequente em pacientes críticos, caracterizada por alterações da consciência e cognição, flutuações do estado mental e desatenção, podendo comprometer a recuperação funcional, prolongar a internação e aumentar a mortalidade. Nesse contexto, a equipe de enfermagem desempenha papel central na detecção precoce, prevenção e manejo da síndrome. O objetivo deste estudo foi analisar a atuação da enfermagem na prevenção e manejo do delirium em pacientes críticos. Para tanto, realizou-se uma revisão integrativa da literatura, com busca sistemática de artigos nas bases Google Acadêmico, SciELO e PubMed, entre 2023 e 2025. Os resultados evidenciaram que a enfermagem exerce papel estratégico e contínuo na prevenção e manejo do delirium, destacando-se na monitorização neurológica, aplicação de escalas validadas (CAM-ICU, ICDSC, Nu-DESC, RASS) e implementação de intervenções não farmacológicas, como controle ambiental, mobilização precoce, estímulo cognitivo, manutenção do ciclo sono-vigília, reorientação temporal e espacial, manejo da dor e incentivo à presença familiar. O enfermeiro também coordena o cuidado interdisciplinar, assegurando a comunicação entre as equipes e a continuidade das práticas preventivas. A atuação qualificada da enfermagem impacta diretamente na segurança do paciente, na redução do tempo de internação e na prevenção de complicações cognitivas de longo prazo. Estudos reforçam a necessidade de capacitação contínua, protocolos institucionais consolidados, melhorias estruturais e fortalecimento do trabalho em equipe para otimizar os cuidados. Conclui-se que a enfermagem é o eixo central no enfrentamento do delirium em UTIs, assumindo responsabilidades desde a detecção precoce até a execução de intervenções complexas.

Palavras-chave: Delirium. Unidade de Terapia Intensiva. Prevenção. Enfermagem. Paciente Crítico.

ABSTRACT

Delirium is a frequent acute neurological condition in critically ill patients, characterized by altered consciousness and cognition, fluctuations in mental status, and inattention, which can compromise functional recovery, prolong hospitalization, and increase mortality. In this context, the nursing team plays a central role in the early detection, prevention, and management of the syndrome. The objective of this study was to analyze the role of nursing in the prevention and management of delirium in critically ill patients. To this end, an integrative literature review was conducted, with a systematic search of articles in the Google Scholar, SciELO, and PubMed databases, between 2023 and 2025. The results showed that nursing plays a strategic and continuous role in the prevention and management of delirium, standing out in neurological monitoring, application of validated scales (CAM-ICU, ICDSC, Nu-DESC, RASS), and implementation of non-pharmacological interventions, such as environmental control, early mobilization, cognitive stimulation, maintenance of the sleep-wake cycle, temporal and spatial reorientation, pain management, and encouragement of family presence. The nurse also coordinates interdisciplinary care, ensuring communication between teams and the continuity of preventive practices. Qualified nursing performance directly impacts patient safety, reduces length of stay, and prevents long-term cognitive complications. Studies reinforce the need for continuous training, consolidated institutional protocols, structural improvements, and strengthened teamwork to optimize care. It is concluded that nursing is central to addressing delirium in ICUs, assuming responsibilities from early detection to the execution of complex interventions.

Keywords: Delirium. Intensive Care Unit. Prevention. Nursing. Critically Ill Patient.

INTRODUÇÃO

O delirium é considerado uma emergência médica, cujo desfecho depende diretamente da identificação da causa e da rapidez no início do tratamento. O delirium é uma condição neurológica aguda caracterizada por alterações transitórias da consciência e da cognição, manifestando-se por flutuações do estado mental, desatenção e pensamento desorganizado, geralmente de curta duração. Essa condição acarreta comprometimento da recuperação funcional em longo prazo dos pacientes criticamente enfermos (OLIVEIRA et al., 2021 apud NÉRIO et al., 2020).

De acordo com a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), o delirium é definido por quatro critérios principais: (1) perturbação da consciência, com redução da percepção do ambiente e dificuldade em manter, focar ou alternar a atenção; (2) alterações cognitivas ou presença de distúrbios perceptivos não explicados por demência prévia; (3) início rápido do quadro, com variações ao longo do dia; e (4) existência de uma causa etiológica identificável (SCHERER et al., 2023 apud OLIVEIRA et al., 2021).

O delirium apresenta alta incidência em unidades de terapia intensiva (UTI). Estudos indicam que até 80% dos pacientes podem ser acometidos por essa condição, percentual que varia conforme a população estudada, sendo mais frequente entre aqueles em uso de ventilação mecânica. No entanto, estima-se que apenas cerca de 60% dos casos sejam corretamente diagnosticados (OLIVEIRA et al., 2021).

Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento do delirium em pacientes internados em UTI. Entre eles, destacam-se o uso de sedativos e medicamentos como haloperidol e benzodiazepínicos, especialmente em doses elevadas; a privação do sono, comum em ambientes hospitalares agitados e muito iluminados; o estresse e a sobrecarga sensorial; além da presença de dor, medo, ansiedade, ventilação mecânica e procedimentos invasivos (NÉRIO et al., 2020).

O diagnóstico do delirium é geralmente realizado à beira do leito, por meio de instrumentos validados, como o Confusion Assessment Method (CAM), amplamente utilizado por enfermeiros pela rapidez e confiabilidade na detecção do quadro. O tratamento requer uma abordagem multidisciplinar, combinando estratégias não farmacológicas, como mobilização precoce, presença familiar e manutenção do ciclo sono-vigília, com intervenções farmacológicas quando necessário, utilizando sedativos ou antipsicóticos. Quando as medidas não farmacológicas se mostram insuficientes, podem ser utilizados medicamentos como alternativa terapêutica, incluindo sedativos não benzodiazepínicos (como propofol, dexmedetomidina e clonidina) e antipsicóticos (como haloperidol e quetiapina). Contudo, as evidências sobre a eficácia dos medicamentos na redução da incidência de delirium ainda são limitadas (SCHERER et al., 2023 apud OLIVEIRA et al., 2021).

Apesar da alta incidência do delirium em pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI) e das graves consequências associadas a essa manifestação, a condição ainda recebe pouca atenção por parte da equipe intensivista, especialmente por não constituir a causa primária da internação. Outro aspecto preocupante nesse contexto é o elevado índice de subdiagnóstico. O não reconhecimento do quadro clínico impede a adoção de medidas terapêuticas adequadas, comprometendo a recuperação, a saúde e o prognóstico do paciente (OLIVEIRA et al., 2021).

Portanto, os profissionais de saúde, especialmente os enfermeiros, que mantêm contato direto e contínuo com os pacientes, devem estar atentos às alterações comportamentais e intervir de forma rápida e assertiva para favorecer um melhor prognóstico. O conhecimento dos fatores desencadeantes do delirium em pacientes internados em unidades de terapia intensiva é fundamental para a prevenção e o manejo adequados. Considerando que a enfermagem exerce papel essencial na redução da incidência do delirium, por meio da identificação precoce dos fatores de risco e das mudanças no nível de consciência, torna-se relevante compreender as estratégias empregadas pelos enfermeiros na prevenção dessa condição (SCHERER et al., 2023).

O delirium é uma condição neurológica aguda que ocorre com frequência na UTI e pode comprometer a recuperação funcional, prolongar o tempo de internação e aumentar a mortalidade. Apesar da sua relevância, ainda é subdiagnosticado, o que dificulta a adoção de intervenções preventivas e terapêuticas adequadas. Nesse contexto, a equipe de enfermagem desempenha papel essencial, permitindo a identificação precoce de alterações cognitivas e a implementação de estratégias eficazes de prevenção e manejo. Assim, este estudo tem como objetivo analisar a

atuação da equipe de enfermagem na prevenção e no manejo do delirium em pacientes críticos.

METODOLOGIA

O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, metodologia que possibilita uma abordagem abrangente sobre um tema específico. No contexto do delirium em pacientes internados em UTIs, essa abordagem permite consolidar informações relevantes sobre fatores de risco, estratégias preventivas, instrumentos de diagnóstico e intervenções de enfermagem voltadas para o manejo dessa condição.

A busca por estudos foi realizada de forma sistemática nas bases de dados Google Acadêmico, Scientific Electronic Library Online (SciELO) e PubMed, utilizando os descritores controlados em português (DeCS): Delirium, Unidade de Terapia Intensiva, Prevenção, Enfermagem, Paciente Crítico, bem como os correspondentes termos em inglês segundo o MeSH: Delirium, Intensive Care Unit, Prevention, Nursing, Critical Care Patient.

A coleta de dados ocorreu no período de outubro a dezembro de 2025. Inicialmente, realizou-se triagem de títulos e resumos para identificar estudos que abordassem delirium em UTIs e a atuação da enfermagem na prevenção e manejo da condição. Foram incluídos estudos de revisão integrativa, qualitativa, descritiva e exploratória, disponíveis gratuitamente em bases confiáveis, publicados entre 2023 e 2025, que abordassem delirium em pacientes críticos e destacassem o papel da enfermagem na prevenção e manejo da condição.

Foram excluídas duplicações em diferentes bases, estudos que tratassem de delirium fora do contexto da UTI, artigos puramente teóricos sem apresentação de resultados e materiais fora do período estipulado.

Com base na amostra final, foram extraídos e sistematizados dados como:

autores, ano de publicação, título do artigo, objetivo, tipo de estudo, principais achados e conclusões. Esses elementos permitiram identificar práticas de enfermagem eficazes na prevenção e no manejo do delirium em UTIs.

RESULTADOS

O fluxograma apresentado na Figura 1 descreve de forma sistemática o processo de seleção dos estudos utilizados nesta pesquisa. Ele ilustra as etapas sequenciais, desde a busca inicial na literatura até a inclusão final dos estudos relevantes.

Excluídos (n =34)

Duplicidade – aplicação do Rayyan.

Excluídos (n =20)

Leitura dos resumos, sendo os estudos

excluídos conforme

análise de pertinência e adequação ao tema proposto.

Excluídos (n =18)

Não atenderam aos

critérios de elegibilidade:

  1. Artigos fora do período estipulado;
  2. Artigos teóricos, sem resultados;
  3. Artigos que abordassem o delirium fora do contexto da UTI.

Estudos incluídos para análise e síntese (n = 8 artigos)

Fonte: (AUTORAS, 2025).

A Tabela 1 apresenta uma seleção dos artigos mais relevantes sobre o tema em questão, destacando os aspectos fundamentais de cada estudo. Para cada artigo, são apresentados o autor e ano de publicação, o título, o objetivo da pesquisa, a metodologia utilizada, os principais resultados obtidos e as conclusões tiradas pelos autores.

Tabela 1: Artigos selecionados sobre o tema,destacando os aspectos de cada estudo - autor e ano, título, objetivo, metodologia, resultados e conclusões.

Autores

Título

Objetivo

Metodologia

Resultados

Conclusão

CORTESE et al., (2024)

Assistência de enfermagem ao paciente

com delirium: revisão

sistemática da literatura

Identificar as ações da equipe de enfermagem

em pacientes adultos

internados em

UTI com quadros de

delirium, após uso de analgésicos.

Revisão sistemática da literatura

A equipe de enfermagem

desempenha papel na prevenção, sendo fundamental na

monitorização da sedação, na

identificação de efeitos adversos e na defesa

do uso de alternativas

mais seguras, como propofol e

dexmedetomidina.

Na prevenção, como regulação do ciclo sono-vigília,

manutenção de

óculos, aparelhos

auditivos, relógios e calendários,

estimulação cognitiva, mobilização precoce,

orientação temporal e espacial e incentivo à presença da família.

Portanto, o enfermeiro

influencia

diretamente no tempo de

internação e na prevenção de

comprometimentos cognitivos

duradouros. O

reconhecimento

precoce dos fatores

de risco permite à enfermagem

elaborar um plano de cuidados

individualizado, alinhado a

abordagens multifatoriais.

SCHERER et al., (2025)

Desafios na avaliação e

manejo não

farmacológico

do delirium por enfermeiros

em Unidade de Terapia

Intensiva

Identificar os desafios na

implementação

de estratégias não

farmacológicas na prevenção

do delirium em pacientes críticos

Pesquisa

qualitativa,

de natureza descritiva e exploratória

A enfermagem atua na mobilização precoce, promoção do sono

fisiológico, controle

ambiental (ruídos,

iluminação e estímulos sensoriais),

reorganização do

ambiente para facilitar

a orientação temporal e espacial, uso de

objetos familiares e

integração da família no cuidado.

A aplicação de escalas validadas pela

enfermagem como

CAM-ICU, ICDSC e

NuDESC, é essencial para o diagnóstico.

Assim, os enfermeiros são

responsáveis pela identificação

precoce e pela

implementação das intervenções não

farmacológicas.

Os achados reforçam a

necessidade de capacitação

contínua, melhorias estruturais e diretrizes institucionais.

MARQUES;

COSTA,

(2025)

A atuação da enfermagem

na prevenção

do delirium em pacientes críticos: estratégias não

farmacológicas na UTI

Analisar a atuação da

enfermagem na

prevenção do

delirium em pacientes

críticos, com ênfase na

aplicação de

estratégias não farmacológicas

Revisão integrativa da literatura

Através desse estudo verifica-se que a

enfermagem exerce papel central no

monitoramento

contínuo do paciente, aplicação sistemática de escalas validadas

como o CAM-ICU e a

implementação de estratégias não

Dessa forma, o enfermeiros é

protagonista, pois acompanha o

paciente de forma

contínua, identifica precocemente alterações

cognitivas e implementa intervenções

utilizadas em

Unidades de

Terapia

Intensiva.

farmacológicas como o controle ambiental,

mobilização precoce,

manutenção do ciclo sono-vigília,

orientação à realidade e incentivo à presença familiar.

baseadas em

evidências, sendo decisivo para

garantir segurança, qualidade da assistência.

MOREIRA et al., (2023)

Abordagem e intervenções ao paciente

com delirium em UTI

Identificar as intervenções e

abordagens em casos de

delirium em

unidade de

terapia intensiva a partir de

publicações nas bases de dados

Revisão integrativa da literatura

A prevenção e o manejo do delirium

dependem da equipe de enfermagem,

exerce papel central na identificação

precoce, na vigilância contínua e na aplicação das

principais intervenções não farmacológicas.

Promover hidratação e nutrição adequadas, estimular a

mobilização precoce, controlar a dor,

favorecer a qualidade do sono, reduzir

procedimentos

invasivos e ajustar o

ambiente para manter a orientação temporal e espacial do paciente.

Nesse contexto, o enfermeiro tem peça central, devido à sua

presença constante ao lado do paciente

e à capacidade de aplicar

intervenções imediatas e

baseadas em evidências.

Os achados também destacam

a necessidade de capacitação contínua,

protocolos institucionais.

FERNANDES et al., (2024)

Intervenção de enfermagem

para prevenir e controlar o

delirium em pacientes

críticos: uma revisão de escopo.

Mapear as intervenções de

enfermagem não

farmacológicas e farmacológicas destinadas à

prevenção e ao manejo do

delirium em

adultos/idosos

internados em UTIs.

Revisão integrativa da literatura, exploratória

O enfermeiro deve realizar avaliações

sistemáticas utilizando instrumentos

validados, como o CAM-ICU e o ICDSC, monitorar sinais vitais,

efeitos adversos de medicamentos e

coordenar o cuidado interdisciplinar.

Também o controle ambiental (luz e ruído), promoção da higiene do sono, mobilização

precoce, estímulo à respiração

espontânea, manejo adequado da dor,

reorientação cognitiva e envolvimento da família no cuidado.

Nessa situação, o enfermeiro se

destaca como

central, realiza

avaliação contínua.

Assume a responsabilidade de coordenar o

ambiente, favorecer a comunicação

interdisciplinar e

garantir que as práticas

preventivas sejam incorporadas à

rotina da unidade.

Assim, é evidente a importância da

capacitação dos enfermeiros.

SILVA et al., (2025)

Aspectos relevantes para

identificação

de delirium em pacientes críticos:

Elencar aspectos

relevantes para

identificação do

delirium em pacientes críticos na UTI

Revisão integrativa da literatura

Conforme os estudos, a enfermagem é

responsável pela

identificação precoce de alterações

cognitivas, pela aplicação regular de

Desse modo, o enfermeiro

permanece em contato direto

e, por sua posição

estratégica na linha de cuidado,

revisão integrativa

escalas validadas

como CAM-ICU,

ICDSC e RASS, e pela implementação de

intervenções não farmacológicas

fundamentais, como reorientação do

paciente, promoção do sono, controle da dor,

redução de estímulos ambientais,

mobilização precoce e incentivo ao contato familiar.

desempenha

função fundamental na adesão e

operacionalização dos protocolos,

garantindo que as intervenções

baseadas em

evidências sejam aplicadas de maneira

consistente e eficaz.

SOUSA et al., (2025)

Cuidados de enfermagem

na prevenção

de delirium em

unidades de terapia

intensiva:

revisão integrativa

Identificar evidências na literatura

científica sobre as estratégias

de enfermeiros para a

prevenção do delirium em

unidades de terapia intensiva.

Revisão integrativa da literatura

Os estudos analisados reforçam que a

enfermagem atua diretamente na

identificação precoce

dos sinais, aplicação de instrumentos

validados como CAM-

ICU e Nu-DESC, monitorização

contínua e

implementação de intervenções não

farmacológicas, como controle ambiental,

mobilização precoce, promoção do sono e incentivo à presença de acompanhantes.

A revisão evidencia que a atuação qualificada do enfermeiro, é

evidente, sendo

necessário a

capacitação

contínua,

incorporação de ferramentas de rastreamento e

fortalecimento do

trabalho em equipe, de modo a garantir

um cuidado mais seguro, humanizado.

SILVA et al., (2024)

Conhecimento dos

enfermeiros

intensivistas acerca do

deliriumnos pacientes

internos nas

Unidades de

Terapia

Intensiva: uma revisão integrativa

Compreender a conduta dos

enfermeiros para com os

pacientes

internados em uma UTI

diagnosticados com delirium

Revisão integrativa da

literatura, de caráter

qualitativo e exploratório

As intervenções de enfermagem

abrangem estratégias não farmacológicas,

como ambiente calmo, presença familiar,

mobilização precoce,

musicoterapia, retirada precoce de

dispositivos e prevenção de

contenção física,

métodos de avaliação

como o CAM-ICU.

Também envolve ações de estímulo

cognitivo, suporte emocional e colaboração

multiprofissional, compreendam a fisiopatologia e

recebam capacitação contínua.

Portanto, o conhecimento dos enfermeiros sobre a fisiologia da

síndrome. Assim, por estarem em contato direto e

constante com os pacientes, os

enfermeiros têm

papel decisivo na vigilância dos

fatores de risco e

na aplicação de intervenções

preventivas, e

garantir assistência

qualificada para lidar com

disfunções neurológicas.

Fonte: (AUTORAS, 2026).

DISCUSSÃO

A discussão dos estudos analisados evidenciam que a enfermagem ocupa posição central e estratégica na prevenção, identificação e manejo do delirium em pacientes críticos, desempenhando papel decisivo na qualidade do cuidado prestado nas UTIs. Verificou-se que a equipe de enfermagem é o núcleo responsável pela monitorização contínua, pela avaliação clínica sistemática, sobretudo com o uso de instrumentos validados como CAM-ICU, ICDSC, Nu-DESC e RASS, e pela implementação das principais intervenções não farmacológicas recomendadas pelas diretrizes internacionais.

A literatura demonstrou que as ações do enfermeiro são fundamentais na prevenção e no manejo do quadro, envolvendo o controle do ambiente (luz, ruído e estímulos sensoriais), promoção do sono fisiológico, orientação temporal e espacial, estímulo cognitivo, mobilização precoce, manejo adequado da dor, retirada de dispositivos invasivos, incentivo à presença da família e suporte emocional.

Os achados de Cortese et al., (2024), reforçaram que o enfermeiro desempenha papel crítico na monitorização da sedação e na identificação de efeitos adversos, impactando diretamente no tempo de internação e na prevenção de déficits cognitivos duradouros.

De forma convergente, Marques; Costa (2025); apud Scherer et al., (2025); apud Moreira et al., (2023), evidenciaram que o enfermeiro é protagonista na aplicação sistemática das escalas de rastreamento e na adoção de estratégias preventivas baseadas em evidências, que se mostram eficazes na redução de complicações, tempo de internação e custos hospitalares.

Fernandes et al., (2024), ampliaram essa perspectiva ao demonstrar que o enfermeiro também é responsável por coordenar o cuidado interdisciplinar, assegurar a comunicação entre as equipes e garantir a continuidade das práticas preventivas. Silva et al., (2025) apud Sousa et al., (2025), sustentaram que a capacitação contínua e o fortalecimento do trabalho em equipe são requisitos essenciais para consolidar práticas seguras, efetivas e humanizadas, dado que a enfermagem permanece em contato direto com o paciente e é a primeira a identificar alterações no estado mental.

Finalmente, Silva et al., (2024), apontaram que o manejo adequado requer não apenas habilidade técnica, mas também conhecimento aprofundado da fisiopatologia do delirium e domínio das ferramentas de avaliação, evidenciando a urgência de investimentos em formação permanente para que os enfermeiros conduzam intervenções precisas e fundamentadas.

Em síntese, a enfermagem é o eixo central no enfrentamento do delirium em pacientes críticos, assumindo responsabilidades desde a detecção precoce até a execução de intervenções complexas.

CONCLUSÃO

A análise sistemática dos estudos evidencia, que a enfermagem desempenha um papel indispensável na prevenção, identificação precoce e manejo do delirium em pacientes críticos, constituindo o principal eixo de atuação dentro das UTIs.

As pesquisas revisadas apontam que o enfermeiro é responsável por ações decisivas, como a monitorização contínua do estado neurológico, a aplicação regular de escalas validadas (CAM-ICU, ICDSC, Nu-DESC e RASS) e a implementação de intervenções não farmacológicas amplamente reconhecidas por sua eficácia.

O enfermeiro exerce influência determinante na segurança do paciente, na redução do tempo de internação e na prevenção de complicações cognitivas de longo prazo, consolidando-se como protagonista no cuidado integral ao paciente crítico. No entanto, os estudos também convergem para a necessidade de investimentos contínuos em capacitação profissional, fortalecimento de protocolos institucionais, melhorias estruturais e maior integração do cuidado interdisciplinar, fatores essenciais para garantir a efetividade das práticas recomendadas.

Dessa forma, conclui-se que o enfrentamento do delirium depende diretamente da qualificação, autonomia e atuação sistemática da enfermagem, imprescindível para o alcance de melhores desfechos clínicos e para a promoção de um cuidado seguro.

REFERÊNCIAS

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  1. Bacharel em Enfermagem, FAEMA; Especialista em Nefrologia, UNIFESP; Especialista em Saúde Pública com Ênfase em PSF, FAP; Especialista em Enfermagem Urgência e Emergência, FAFIT; Especialista em Enfermagem UTI Neonatal e Pediátrica, FAFIT.

  2. Enfermeira; Especialista em Terapia Intensiva, UVA-CE; Especialista em Docência do Ensino Superior, FAKCE; Especialista em Saúde da Família, UVA-CE; Especialista em Qualidade e Segurança no Cuidado ao Paciente, Instituto Sírio Libanês-SP, Mestre em Terapia Intensiva, IBRATI-SP; Doutora em Terapia Intensiva, SORRATI -SP; Docente da UNIFAMEC, CRATO – CE; Docente do Centro de Ensino em Saúde - SP.