A influência da inteligência artificial nas funções administrativas nas organizações contemporâneas.
The influence of artificial intelligence on administrative functions in contemporary organizations.
Gabriel Menezes Sá Barreto[1]
Eduardo Antônio Gonçalves Felix dos Santos[2]
João Victor Barroso Costa[3]
Thiago Arnaud de Melo[4]
RESUMO
Neste artigo, o conteúdo tem como objetivo analisar a influência da Inteligência Artificial na gestão empresarial, com foco na sua relação com as funções administrativas e na busca por eficiência organizacional. Inicialmente, aborda-se a evolução da Administração, destacando modelos como o taylorismo, o fordismo e o toyotismo, bem como sua contribuição para a construção da vantagem competitiva. Em seguida, são apresentadas as funções administrativas (PODC) e sua importância no contexto organizacional. Posteriormente, discute-se a aplicação da Inteligência Artificial nas empresas, especialmente na tomada de decisão e na eficiência dos processos. A pesquisa caracteriza-se como bibliográfica, de natureza qualitativa, baseada em obras clássicas e estudos recentes. Por fim, conclui-se que a Inteligência Artificial tem desempenhado um papel estratégico nas organizações, contribuindo para a otimização da gestão, embora também apresente desafios relacionados à sua implementação.
Palavras-chave: Gestão Empresarial. Vantagem Competitiva. PODC
ABSTRACT
In this article, the content aims to analyze the influence of Artificial Intelligence on business management, focusing on its relationship with administrative functions and the pursuit of organizational efficiency. Initially, it addresses the evolution of Management, highlighting models such as Taylorism, Fordism, and Toyotism, as well as their contribution to building competitive advantage. Next, the administrative functions (PODC) and their importance in the organizational context are presented. Subsequently, the application of Artificial Intelligence in companies is discussed, especially in decision-making and process efficiency. The research is characterized as bibliographic, qualitative in nature, based on classic works and recent studies. Finally, it is concluded that Artificial Intelligence has played a strategic role in organizations, contributing to management optimization, although it also presents challenges related to its implementation.
Keywords: Business Management. Competitive Advantage. PODC.
1 INTRODUÇÃO
Desde o surgimento das primeiras teorias administrativas, a gestão tem como principal objetivo organizar o trabalho e melhorar o desempenho das organizações (CHIAVENATO, 2014). Ao longo da evolução da Administração, as organizações têm buscado formas de aumentar a sua eficiência e promover inovações, visando melhorar processos e alcançar vantagem competitiva em relação aos concorrentes (MAXIMIANO, 2017). Durante muito tempo, os modelos administrativos foram baseados em estruturas rígidas, divisão clara de tarefas e forte hierarquia. Ainda assim, destacaram-se marcos históricos na Administração Científica, que contribuíram significativamente para o aumento da produtividade por meio da padronização e da divisão do trabalho, associados às ideias de Taylor e Ford (ROBBINS, 2010). Posteriormente, o sistema Toyota de produção, desenvolvido por Taiichi Ohno, introduziu conceitos como produção enxuta e melhoria contínua (SLACK, 2013).
Nesse cenário de constante evolução, pode-se perceber que a busca por vantagem competitiva tem se modificado ao longo do tempo, acompanhando e adaptando-se às transformações tecnológicas e organizacionais (BARNEY; HESTERLY, 2021). Atualmente, o ambiente organizacional é caracterizado por rápidas mudanças tecnológicas, digitalização de processos e crescente uso de ferramentas baseadas em dados, tornando essencial a adaptação das empresas para manter sua competitividade (VERHOEF, 2021).
Diante disso, destaca-se a Inteligência Artificial como um instrumento relevante para auxiliar na tomada de decisões estratégicas, além de contribuir para a automação e otimização de processos organizacionais (PEREIRA; FREITAS, 2021). Entretanto, sua implementação também levanta questões relacionadas à forma como as decisões são tomadas e como o trabalho é estruturado nas organizações (FREITAS et al., 2024). Analisando essas transformações, este artigo busca refletir sobre o impacto da IA na aplicação das funções administrativas convencionais no contexto organizacional contemporâneo.
2 REVISÃO DA LITERATURA
A Administração Científica, desenvolvida por Frederik Taylor, representa um dos primeiros marcos na busca por eficiência organizacional. Esse modelo fundamentou-se na ideia de racionalização do trabalho, por meio da análise dos métodos produtivos, da padronização das tarefas e da divisão do trabalho, com o objetivo de aumentar a produtividade nas organizações (CHIAVENATO, 2014). Nesse sentido, estudos contemporâneos destacam que os princípios de eficiência e otimização dos processos continuam presentes nas práticas organizacionais modernas, sendo potencializados pelo uso de tecnologias e novas abordagens de gestão (VERHOEF, 2021).
Posteriormente, o modelo desenvolvido para Henry Ford (o fordismo), ampliou os princípios da eficiência produtiva com a introdução da linha de montagem e com a implementação da produção em massa. Esse sistema permitiu a padronização dos produtos e a redução dos custos operacionais, viabilizando a produção em larga escala (Robbins, 2010). Atualmente, a busca por eficiência em larga escala continua sendo um fator relevante, sendo complementada por estratégias modernas que integram tecnologia e inovação para manter a competitividade organizacional (BARNEY; HESTERLY, 2021).
Após quatro décadas, surge o Toyotismo, desenvolvido por Taiichi Ohno. O sistema Toyota de produção trouxe uma nova abordagem para os sistemas produtivos ao priorizar a flexibilidade e a qualidade. Esse modelo é baseado na produção enxuta, com foco na eliminação de desperdícios e na melhoria contínua dos processos, contribuindo para maior eficiência organizacional (SLACK, 2013).
A vantagem competitiva nas organizações contemporâneas está cada vez mais associada à capacidade de adaptação tecnológica e à inovação contínua, especialmente no contexto da transformação digital (VERHOEF, 2021). Além disso, o uso estratégico de recursos e competências organizacionais continua sendo um fator determinante para o desempenho superior e sustentável das empresas (BARNEY; HESTERLY, 2021).
O planejamento é a função administrativa responsável pela definição de objetivos e pela elaboração de estratégias para alcançá-los, orientando as ações organizacionais de forma estruturada e racional (CHIAVENATO, 2014). Além disso, permite a antecipação de cenários e a redução de incertezas no ambiente organizacional, contribuindo para uma tomada de decisão mais eficiente (MAXIMIANO, 2017). Em contextos mais recentes, o planejamento tem sido impactado pelas mudanças tecnológicas, exigindo maior flexibilidade e adaptação no ambiente organizacional (NOGUEIRA, 2024).
A função organização está relacionada à estruturação dos recursos e à distribuição das atividades dentro da organização, garantindo o funcionamento eficiente dos processos e o alcance dos objetivos estabelecidos (CHIAVENATO, 2014). Esse processo envolve a definição de responsabilidades, hierarquias e fluxos de trabalho, possibilitando maior coordenação das atividades organizacionais (MAXIMIANO, 2017). No cenário atual, observa-se a adoção de estruturas mais flexíveis e descentralizadas, impulsionadas pelas transformações do ambiente competitivo (BARNEY; HESTERLY, 2021).
A direção refere-se à condução das pessoas dentro das organizações, envolvendo liderança, motivação e comunicação, com o objetivo de alinhar os esforços individuais às metas organizacionais (CHIAVENATO, 2014). Essa função é essencial para garantir o engajamento dos colaboradores e o desempenho eficiente das atividades (MAXIMIANO, 2017). Além disso, o ambiente contemporâneo exige que os gestores desenvolvam competências relacionadas à adaptação às mudanças tecnológicas e à gestão de equipes em contextos dinâmicos (FÉLIX, 2024).
O controle consiste no monitoramento e na avaliação dos resultados organizacionais, permitindo a identificação de desvios e a implementação de ações corretivas para assegurar o cumprimento dos objetivos estabelecidos (CHIAVENATO, 2014). Essa função está diretamente relacionada à eficiência dos processos e à melhoria contínua das atividades organizacionais (MAXIMIANO, 2017). Com o avanço das tecnologias e dos sistemas de informação, o controle passou a ser realizado de forma mais precisa e em tempo real, ampliando a capacidade de análise nas organizações (LAUDON; LAUDON, 2020).
A Inteligência Artificial tem sido incorporada nas organizações como ferramenta essencial para otimizar processos e apoiar o desenvolvimento empresarial, sendo aplicada por meio de tecnologias como big data, computação em nuvem e internet das coisas (PEREIRA; FREITAS, 2021). Além disso, sua utilização está associada à automação de atividades e à melhoria da eficiência operacional, contribuindo para o desempenho organizacional em diferentes setores (FREITAS, 2024). Nesse contexto, a IA tem se consolidado como elemento estratégico na transformação digital das empresas, promovendo inovação e adaptação ao ambiente competitivo.
A aplicação da Inteligência Artificial na gestão empresarial possibilita maior precisão na tomada de decisão, por meio da análise de grandes volumes de dados e da utilização de técnicas como aprendizado de máquina e análise preditiva (PEREIRA; FREITAS, 2021). Esse processo contribui para a identificação de padrões e oportunidades, permitindo decisões mais estratégicas e fundamentadas (FREITAS 2024). Além disso, a IA auxilia na previsão de cenários e na detecção de riscos, aumentando a capacidade das organizações de responder rapidamente às mudanças do mercado.
A utilização da Inteligência Artificial contribui diretamente para o aumento da eficiência organizacional, ao automatizar tarefas repetitivas, reduzir custos e melhorar a alocação de recursos (FREITAS., 2024). Os estudos apontam que empresas que adotam essa tecnologia apresentam ganhos em produtividade, agilidade e qualidade na execução de suas atividades. Além disso, a IA permite maior controle dos processos organizacionais e melhoria contínua, tornando-se um fator relevante para a competitividade empresarial no cenário atual.
3 METODOLOGIA
Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa, com abordagem exploratória, tendo como objetivo analisar a influência da Inteligência Artificial na gestão empresarial e na esfera organizacional. Para seu desenvolvimento, foram analisadas obras clássicas da administração, como os estudos de Idalberto Chiavenato, Antonio Cesar Amaru Maximiano e Stephen Robbins, além de materiais que discutem a relação entre tecnologia, inovação e gestão organizacional.
A pesquisa foi desenvolvida por meio de revisão de literatura, com base em artigos científicos e estudos tanto clássicos quanto recentes, buscando demonstrar as ideias tradicionais, de tal forma que fosse preservado a consistência teórica e a atualidade das informações analisadas. A análise dos dados foi realizada de forma descritiva, com o objetivo de compreender como os conceitos tradicionais da administração podem ser interpretados e aplicados no contexto tecnológico contemporâneo, especialmente diante do avanço da Inteligência Artificial nas organizações.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Pode-se observar que a crescente utilização da Inteligência Artificial no mundo organizacional tem promovido transformações significativas na forma como os processos administrativos são conduzidos. Nesse contexto, a tecnologia deixa de rodar em segundo plano, saindo de uma posição de suporte operacional e passa a atuar como elemento estratégico na gestão empresarial, contribuindo para a inovação e competitividade organizacional (PEREIRA; FREITAS, 2021).
Quando analisamos a relação da IA com as funções administrativas, percebemos que seu impacto é evidente no planejamento, ao possibilitar previsões mais precisas e baseadas em dados, reduzindo incertezas no processo decisório (FREITAS, 2024). Da mesma forma, na organização, a tecnologia contribui para a otimização dos processos e melhor alocação de recursos, enquanto na direção influencia a forma como as decisões são tomadas. Já no controle, permite maior monitoramento das atividades em tempo real, aumentando a eficiência das operações organizacionais (PEREIRA; FREITAS, 2021).
Além disso, o manuseio da Inteligência Artificial contribui diretamente para o aumento da eficiência organizacional, ao reduzir erros, automatizar tarefas e agilizar processos. Dessa forma, as empresas que adotam essas tecnologias tendem a apresentar melhor desempenho e maior competitividade no mercado (FREITAS, 2024).
No entanto, apesar dos benefícios, a implementação da IA também apresenta desafios, como a necessidade de adaptação das organizações, a capacitação dos colaboradores e questões relacionadas à dependência tecnológica. Assim, torna-se essencial que as empresas utilizem a tecnologia de forma estratégica, de modo a potencializar seus benefícios e minimizar seus impactos negativos (ESTRELA, 2024).
5 CONCLUSÃO
Conforme as informações apresentadas, é possível concluir que a evolução da Administração sempre esteve diretamente relacionada à busca por maior eficiência e vantagem competitiva. Desde os modelos clássicos até as abordagens mais recentes, podemos observar uma luta para constante adaptação das organizações às mudanças do ambiente externo.
Nesse contexto, a Inteligência Artificial surge como um elemento relevante na gestão empresarial contemporânea, contribuindo para a otimização de processos, melhoria da tomada de decisão e aumento da eficiência organizacional. Sua aplicação nas funções administrativas evidência que a tecnologia não substitui a gestão, mas a potencializa, tornando-a mais estratégica e orientada por dados.
No entanto, apesar dos benefícios identificados, a implementação da IA também exige atenção por parte das organizações, especialmente no que se refere à capacitação dos colaboradores e ao uso equilibrado da tecnologia. Assim, conclui-se que a Inteligência Artificial representa uma importante ferramenta para o desenvolvimento organizacional, desde que utilizada de forma consciente e alinhada aos objetivos estratégicos das empresas.
REFERÊNCIAS
BARNEY, Jay B.; HESTERLY, William S. Strategic management and competitive advantage. 6. ed. New York: Pearson, 2021.
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.
DECENZO, David; ROBBINS, Stephen; WOLTER, Robert. A Nova Administração. São Paulo: Saraiva, 2020.
ESTRELA, Thamyres Duarte Colatino et al. Inteligência artificial aplicada à gestão do conhecimento empresarial: revisão sistemática da literatura. GETEC, v. 20, p. 127-143, 2024.
FÉLIX, João. O uso da inteligência artificial na gestão organizacional. Revista de Gestão Organizacional, 2024.
FREITAS, Claudia Regina de; LUCHE, José Roberto Dale; FREITAS, Luiz Henrique Oliveira de. Revolução na gestão organizacional com IA: planejamento, processos e desempenho. Revista Gestão e Conhecimento, v. 18, n. 2, p. 1-20, 2024.
LAUDON, Kenneth C.; LAUDON, Jane P. Management information systems: managing the digital firm. 16. ed. Harlow: Pearson, 2020.
MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Teoria Geral da Administração. São Paulo: Atlas, 2000.
MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Teoria geral da administração: da revolução urbana à revolução digital. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
NOGUEIRA, Ana. Administração 4.0: impactos da transformação digital nas organizações. Revista FT, 2024.
PEREIRA, Keith Anny Borges; FREITAS, Carlos Alberto Oliveira de. Um estudo sobre o uso da inteligência artificial nas empresas. Itacoatiara: Universidade Federal do Amazonas, 2021.
ROBBINS, Stephen; JUDGE, Timothy; SOBRAL, Filipe. Comportamento Organizacional. São Paulo: Pearson, 2010.
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VERHOEF, Peter C. Digital transformation: a multidisciplinary reflection. Journal of Business Research, v. 122, p. 889–901, 2021.
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