Aplicabilidade das metodologias ativas na trajetória formativa em enfermagem: revisão de literatura

Applicability of active methodologies in the educational trajectory of nursing: a literature review

Werley Sebastião Lima de Albuquerque¹

Aline de Souza Oliveira²

Andreyna Camilo de Mendonça³

Glaucia Railane de Oliveira da Penha Conceição⁴

Debora Leonidia Sevilha da Silva Felgas⁵

Sabrina Sarah Magalhães⁶

Thaynara Ketreen Silva de Mello⁷

Tuiane de Oliveira e Silva⁸



Resumo

O presente estudo teve como objetivo analisar a aplicabilidade das metodologias ativas na trajetória formativa de acadêmicos de enfermagem, com ênfase em suas contribuições para o ensino, a aprendizagem e o desenvolvimento do pensamento crítico-reflexivo ao longo da graduação. Trata-se de uma revisão de literatura realizada nas bases de dados SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde, LILACS e BDENF, FGV, a partir de publicações relacionadas ao emprego de estratégias ativas no ensino em enfermagem, com delimitação temporal entre 2020 e 2025. A análise dos estudos evidenciou que abordagens como aprendizagem baseada em problemas, sala de aula invertida, simulação clínica e estudo de casos favorecem o protagonismo discente, a autonomia intelectual, a consolidação do raciocínio clínico e a articulação entre teoria e prática. Além disso, a inserção dessas estratégias ao longo da formação fortalece competências investigativas, científicas e assistenciais indispensáveis ao enfermeiro contemporâneo. Conclui-se que a utilização das metodologias ativas constitui recurso pedagógico relevante e transformador na educação em enfermagem, ao proporcionar aprendizagem significativa, postura crítica e melhor preparo frente às demandas da prática profissional.

Descritores: Metodologias ativas; Educação em enfermagem; Formação acadêmica; Aprendizagem; Ensino superior.


Abstract

The present study aimed to analyze the applicability of active methodologies in the educational trajectory of nursing students, with emphasis on their contributions to teaching, learning, and the development of critical-reflective thinking throughout undergraduate education. This is a literature review conducted in the SciELO, Virtual Health Library, LILACS, and BDENF databases, based on publications related to the use of active strategies in nursing education, with a temporal delimitation between 2020 and 2025. The analysis of the studies showed that approaches such as problem-based learning, flipped classroom, clinical simulation, and case studies favor student protagonism, intellectual autonomy, the consolidation of clinical reasoning, and the articulation between theory and practice. In addition, the inclusion of these strategies throughout academic training strengthens investigative, scientific, and care-related competencies that are essential for the contemporary nurse. It is concluded that the use of active methodologies constitutes a relevant and transformative pedagogical resource in nursing education, as it promotes meaningful learning, a critical attitude, and better preparation to meet the demands of professional practice.

Descriptors: Active methodologies; Nursing education; Learning; Academic training; Higher education

1 Introdução

A formação em enfermagem tem vivenciado importantes transformações pedagógicas, impulsionadas pela necessidade de preparar profissionais aptos a atuar de forma crítica, reflexiva e resolutiva diante das complexidades do cuidado em saúde. Nesse cenário, as metodologias ativas consolidam-se como estratégias educacionais centradas no estudante, favorecendo a participação ativa na construção do conhecimento e estimulando a autonomia intelectual, a problematização e a tomada de decisão. Tais pressupostos dialogam com os princípios teóricos das metodologias ativas, que valorizam o protagonismo discente e a aprendizagem significativa como elementos essenciais ao processo formativo (Diesel, Baldez e Martins, 2017).

No âmbito da educação em saúde, especialmente na graduação em enfermagem, a utilização de abordagens como aprendizagem baseada em problemas, simulação clínica, estudo de casos e sala de aula invertida tem ampliado as possibilidades de articulação entre teoria e prática. Essas estratégias favorecem o desenvolvimento do raciocínio clínico, do pensamento científico e da capacidade investigativa, competências indispensáveis ao enfermeiro contemporâneo. Além disso, a perspectiva dialógica e emancipatória presente nas metodologias ativas encontra respaldo no legado freireano, ao promover práticas educativas que valorizam a criticidade, a autonomia e a construção coletiva do saber (Lopes e Gomes, 2022).

Sob essa ótica, as metodologias ativas aproximam-se dos princípios da educação popular em saúde, ao possibilitar encontros entre saberes, experiências e contextos diversos, fortalecendo a formação de profissionais mais sensíveis às demandas sociais e assistenciais. Estudos apontam que tais estratégias repercutem positivamente no processo de ensino-aprendizagem, sobretudo por estimularem a reflexão, a participação e o compromisso do estudante com sua própria trajetória formativa (Simon et al., 2014).

Apesar dos avanços descritos na literatura, ainda persistem lacunas relacionadas à aplicabilidade dessas metodologias ao longo de toda a graduação em enfermagem, especialmente quanto à sua inserção longitudinal nos componentes curriculares e aos impactos na formação acadêmica.

Diante dessa problemática, emerge a seguinte questão norteadora: como as metodologias ativas têm sido aplicadas na trajetória formativa de acadêmicos de enfermagem e quais repercussões produzem no processo de ensino-aprendizagem?

Assim, o presente estudo teve como objetivo analisar a aplicabilidade das metodologias ativas na trajetória formativa em enfermagem, à luz das evidências disponíveis na literatura científica.

2 Revisão da Literatura

As metodologias ativas têm sido reconhecidas como estratégias pedagógicas capazes de promover aprendizagem significativa no ensino de enfermagem, especialmente por favorecerem o protagonismo discente e a construção autônoma do conhecimento. Ao estimular participação, reflexão e resolução de problemas, essas abordagens fortalecem competências cognitivas e críticas essenciais à formação acadêmica e profissional do enfermeiro (Barbosa et al., 2021).

No âmbito da educação continuada e do ensino a distância, as metodologias ativas ampliam a interação entre estudante, conteúdo e prática profissional, tornando o processo formativo mais dinâmico e adaptado às novas demandas educacionais. Essa aplicabilidade demonstra a flexibilidade dessas estratégias em diferentes modalidades de ensino, sem perder a centralidade na aprendizagem do discente (Cavichioli et al., 2021).

A aplicação de metodologias ativas no processo de ensino em enfermagem tem mostrado impacto positivo na consolidação do raciocínio clínico e na articulação entre teoria e prática. A revisão integrativa da literatura demonstra que essas estratégias favorecem o desenvolvimento do pensamento analítico e da tomada de decisão, competências indispensáveis ao cuidado seguro e qualificado (Dias e Jesus, 2021).

Nos estágios supervisionados, a adoção de estratégias ativas representa importante inovação pedagógica, sobretudo na atenção primária à saúde. A inserção do estudante em cenários reais de cuidado, aliada à reflexão crítica sobre as experiências vivenciadas, fortalece a identidade profissional e aproxima a formação das necessidades concretas do sistema de saúde (De Alencar Veiga et al., 2020).

A percepção dos estudantes sobre as metodologias utilizadas no ensino de enfermagem revela preferência por abordagens que favoreçam participação ativa, troca de experiências e maior aproximação com situações práticas. Essa perspectiva reforça a necessidade de currículos mais dinâmicos e centrados no estudante como sujeito ativo do próprio aprendizado (Fontana, Wachekowski e Barbosa, 2020).

Sob a ótica dos graduandos, o uso de metodologias ativas contribui significativamente para a motivação acadêmica, autonomia intelectual e compreensão aprofundada dos conteúdos. A participação ativa no processo formativo favorece maior segurança para o desenvolvimento das práticas assistenciais e para a tomada de decisão clínica (Colares e De Oliveira, 2020).

A experiência da monitoria em enfermagem mediada por metodologias ativas evidencia a relevância dessas estratégias no fortalecimento do aprendizado colaborativo e da construção coletiva do conhecimento. A interação entre pares potencializa a troca de saberes e contribui para o amadurecimento científico e pedagógico dos estudantes (Chaves et al., 2020).

A formação do enfermeiro mediada por metodologias ativas repercute diretamente no exercício profissional, sobretudo por favorecer competências relacionadas à criticidade, autonomia e resolução de problemas. Tais elementos se mostram fundamentais para a atuação em cenários complexos e em constante transformação no campo da saúde (Palheta et al., 2020).

No contexto da atenção primária, a preceptoria em enfermagem associada às metodologias ativas fortalece a integração entre ensino e serviço, promovendo experiências formativas pautadas na problematização da realidade e na construção reflexiva do cuidado. Essa perspectiva contribui para maior preparo do acadêmico diante das demandas territoriais e comunitárias (Magalhães, De Sousa e Azevedo, 2020).

Estudos comparativos entre metodologia ativa e ensino tradicional apontam superioridade das estratégias participativas no desempenho acadêmico, na retenção do conhecimento e na capacidade de aplicação prática dos conteúdos. Esses achados reforçam a relevância da transição de modelos centrados na transmissão para abordagens centradas na aprendizagem (Silva e Camacho, 2023).

A percepção docente sobre o uso das metodologias ativas revela reconhecimento de seu potencial transformador, embora persistam desafios relacionados à capacitação pedagógica e reorganização curricular. Ainda assim, os docentes apontam benefícios expressivos no desenvolvimento da autonomia e no engajamento discente (Batista e Da Silva Alves, 2021).

A simulação realística destaca-se como importante recurso ativo no desenvolvimento de habilidades e competências em estudantes de enfermagem, sobretudo no aperfeiçoamento do raciocínio clínico, da comunicação e da tomada de decisão em situações complexas. Essa estratégia aproxima o estudante de vivências seguras e altamente formativas (De Santana et al., 2023).

A validação de instrumentos voltados à avaliação de metodologias ativas, como a sala de aula invertida, reforça a necessidade de mensurar a efetividade dessas estratégias no processo educacional. A utilização de ferramentas avaliativas contribui para aprimorar práticas pedagógicas e consolidar evidências sobre sua aplicabilidade no ensino em saúde (Guarda et al., 2023).

A extensão universitária associada às metodologias ativas amplia a formação do estudante para além dos muros institucionais, favorecendo inserção comunitária, sensibilidade social e construção do conhecimento contextualizado. Essa aproximação entre universidade e território fortalece competências humanísticas e assistenciais essenciais à enfermagem (Vieira e Dos Santos, 2020).

3 Metodologia

Trata-se de uma revisão de literatura, de caráter descritivo, desenvolvida com o propósito de reunir e analisar evidências científicas acerca da aplicabilidade das metodologias ativas na trajetória formativa em enfermagem. Esse tipo de investigação possibilita a organização crítica do conhecimento produzido, favorecendo a compreensão ampliada das contribuições dessas estratégias pedagógicas para o processo ensino-aprendizagem no ensino superior (MÜLLER et al., 2017).

O percurso metodológico foi conduzido de forma sistematizada, iniciando-se pela delimitação do tema e formulação da questão norteadora. Em seguida, estabeleceram-se os critérios de elegibilidade dos estudos, que orientaram a busca nas bases de dados selecionadas. Após a identificação das publicações, realizou-se a triagem dos materiais encontrados, seguida de leitura analítica e aprofundada dos artigos incluídos, permitindo a extração das informações relevantes ao objetivo proposto.

A busca bibliográfica foi realizada nas bases Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Base de Dados de Enfermagem (BDENF) e Biblioteca Digital da Fundação Getulio Vargas (FGV), contemplando publicações no período de 2020 a 2025. Para o refinamento dos resultados, utilizaram-se os descritores “metodologias ativas” OR “aprendizagem ativa” AND “formação em enfermagem”, combinados entre si por meio dos operadores booleanos OR e AND.

A primeira etapa da revisão da literatura foi composta pela identificação dos estudos nas bases de dados selecionadas, a partir dos descritores definidos para a temática e combinados por operadores booleanos. A busca inicial resultou em 210 registros científicos, distribuídos entre as bases SciELO (2,38%), BVS (15,24%), LILACS (14,76%), BDENF (9,05%) e FGV (58,57%).

Observou-se maior concentração de estudos na Biblioteca Digital da Fundação Getulio Vargas (FGV), seguida pela BVS e LILACS, evidenciando a relevância dessas bases na produção científica relacionada à educação, ensino superior e formação em enfermagem.

Na segunda fase, procedeu-se ao refinamento dos resultados por meio da aplicação de filtros específicos, contemplando, na BVS, LILACS e BDENF, os descritores relacionados à educação em enfermagem, estudantes de enfermagem e educação em saúde, além do idioma português. Após essa etapa, permaneceram 4 estudos na BVS, correspondendo a 12,5% do quantitativo inicial da base; 4 na LILACS, equivalente a 12,9%; e 3 na BDENF, representando 15,8% dos estudos inicialmente localizados.

Na SciELO, a estratégia de busca empregou a combinação booleana (metodologia ativa) AND (aprendizagem ativa) AND (formação em enfermagem), seguida da aplicação dos filtros referentes à coleção Brasil, idioma português, publicações entre 2021, 2022 e 2025, além da área temática enfermagem, resultando em 2 estudos, o que corresponde a 40% dos registros inicialmente encontrados nessa base.

Na Biblioteca Digital da FGV, foram inicialmente identificados 123 estudos, dos quais, após a aplicação dos filtros de recorte temporal entre 2020 e 2025, disponibilidade online, idioma português e assuntos relacionados à enfermagem, ensino e aprendizagem ativa, permaneceram 5 publicações, correspondendo a 4,07% dos achados iniciais da base.

A utilização desses filtros possibilitou uma redução expressiva do número de publicações, favorecendo a seleção de estudos mais alinhados ao objetivo da pesquisa e garantindo maior rigor metodológico para as etapas posteriores de leitura dos títulos, resumos e elegibilidade final.

4 Resultados e Discussão


AUTOR/ ANO/ BASE DE DADOS

TÍTULO DO ARTIGO

OBJETIVO

RESULTADOS/CONCLUSÃO

LOPES (2020)

Estratégias de ensino-aprendizagem para o cuidado profissional de enfermagem: consequências da COVID-19

identificar estratégias de ensino-aprendizagem para o cuidado profissional de Enfermagem por causa das consequências da COVID-19.

as estratégias de ensino e aprendizagem mais relevantes foram as metodologias ativas e o trabalho colaborativo. A adaptabilidade de alunos e professores é o mais importante a destacar, potencializando o desenvolvimento de competências por meio da ligação entre teoria e prática.

MACHADO e SAMPAIO (2021)

Treinamento em transtornos mentais comuns na enfermaria: uso de metodologias ativas na construção do cuidado

analisar a percepção de enfermeiras atuantes em leitos psiquiátricos de um hospital geral sobre a realização de um treinamento em saúde mental com a utilização de metodologias ativas.

Os enfermeiros consideraram o treinamento positivo e desenvolveram habilidades como abordagem terapêutica, escuta ativa e mudança de comportamento.

ROJAS-ESPINOZA et al. (2024)

Simulação clínica no ensino da lesão renal aguda

A estratégia de ensino foi avaliada por meio de um questionário de conhecimento aplicado em três tempos: pré-teste, pós-teste e teste de retenção, da aplicação da escala Student Satisfaction and Self-Confidence in Learning e da escala de Design da Simulação.

As estratégias de simulação clínica de alta fidelidade (Controle) e com o paciente estandardizado (Experimental) não apresentaram diferenças estatisticamente significantes nos aspectos conhecimento e satisfação. Por outro lado, o cenário de simulação com paciente estandardizado demonstrou maior porcentagem de acertos na comparação crescente da avaliação temporal e proporcionou aos alunos maior grau de autoconfiança.

PINTO et al. (2020)

Percepções de estudantes de enfermagem sobre a utilização do portfólio reflexivo

Analisar as percepções de estudantes de graduação em Enfermagem sobre a utilização do portfólio reflexivo como método de ensino, aprendizagem e avaliação.

O sucesso do uso do portfólio como metodologia ativa e método de avaliação depende da participação e interesse dos estudantes e professores.

PASCON et al. (2022)

Aprendizagem baseada em projetos no ensino a distância para estudantes de enfermagem

Relatar a experiência de utilização da metodologia de Aprendizagem Baseada em Projetos, no ensino remoto emergencial, com estudantes de graduação em enfermagem.

A metodologia adotada e o uso de tecnologias digitais permitiram alcançar os objetivos propostos, manter a motivação e a autonomia dos alunos ao longo do processo de ensino remoto e desenvolver competências para a elaboração de projetos em educação em saúde para a formação em enfermagem.

GHEZZI et al. (2021)

Estratégias para metodologias de aprendizagem ativa no ensino de enfermagem: uma revisão integrativa da literatura.

Analisar as evidências científicas sobre as estratégias de metodologias de aprendizagem ativa utilizadas na formação de enfermeiros, bem como suas contribuições e obstáculos na formação.

Dentre as estratégias, destacaram-se a simulação, a aprendizagem baseada em problemas e a sala de aula invertida. A busca ativa, a integração da teoria e da prática e o trabalho em grupo foram exemplos de contribuições para a formação de enfermeiros. Contudo, a falta de preparo dos atores e a falta de apoio estrutural contribuem para a insatisfação dos estudantes.

SOBRAL et al. (2020)


Metodologias ativas na formação crítica de mestres em enfermagem

O objetivo deste trabalho foi relatar a experiência na utilização de metodologias ativas na formação de mestres em enfermagem.

Com a utilização da dinâmica da margarida e a paródia musical como subsídio para discutir o conteúdo, vemos-se uma maior atenção por parte do público-alvo, bem como uma maior participação para a construção do conhecimento.

MORAIS et al. (2020)

Painéis simulados como metodologia de ensino ativa na formação de médicos de enfermagem.

Analisar a experiência de doutorandos na utilização de painéis simulados como metodologia ativa de ensino na pós-graduação em Enfermagem.

Os painéis simulados contribuíram para o doutorado dos enfermeiros e possibilitaram que os alunos assumissem o papel de protagonistas no processo de ensino-aprendizagem, por meio do pensamento crítico e da autonomia estudantil.

SOUZA et al. (2024)

Ensino-aprendizagem da análise da implantação: um relato de experiência

O artigo investiga abordagens pedagógicas inovadoras para processos avaliativos, com foco na análise da implementação.

Essas atividades promoveram um aprendizado engajado e participativo, estimulando o pensamento crítico e a reflexão. Apesar de limitações como dificuldades de acesso a recursos tecnológicos e a falta de artigos específicos, as metodologias ativas se mostraram eficazes.

YAMASHITA et al. (s.d.)

Parceria entre academia e serviço: Desafios das pactuações

analisar a construção da parceria ensino-serviço na Atenção Primária à Saúde em um município do Estado de São Paulo nos currículos de Enfermagem e Medicina na percepção dos gestores, preceptores e docentes.

parcerias-se que a parceria ensino-serviço é essencial no currículo integrado na matriz dialógica de competência e há necessidade de pactuações entre os parceiros. Há desafios na construção das pactuações para que ocorra a formação e a participação dos profissionais como preceptores. Proposto o fortalecimento e consolidação da parceria por meio de documentos, gestão participativa, retomada de reuniões periódicas e Educação Permanente em Saúde entre a academia e o serviço.

Fonte: Elaborado pelos autores, 2026.


A análise dos 10 estudos selecionados permitiu compreender que as metodologias ativas têm sido amplamente incorporadas à formação em enfermagem como estratégia para fortalecer a aprendizagem significativa, a autonomia discente e o desenvolvimento do pensamento crítico. De forma convergente, os estudos apontaram que tais metodologias favorecem a ruptura com o modelo tradicional de ensino, centrado na transmissão vertical do conhecimento, ao promover a participação ativa do estudante na construção do saber.

Ao comparar os achados, observou-se forte consenso entre Ghezzi et al. (2021), Pascon et al. (2022) e Pinto et al. (2020) ao destacarem que a aprendizagem ativa potencializa a articulação entre teoria e prática, além de estimular competências relacionadas à resolução de problemas, reflexão crítica e protagonismo estudantil. Enquanto Ghezzi et al. enfatizam a diversidade de estratégias utilizadas na formação de enfermeiros, como aprendizagem baseada em problemas, simulação e sala de aula invertida, Pascon et al. ampliam essa discussão ao demonstrar que a aprendizagem baseada em projetos, associada ao uso de tecnologias digitais, fortalece a autonomia e a motivação discente mesmo em contextos de ensino remoto.

Em consonância, Pinto et al. (2020) reforçam a dimensão reflexiva do processo ao evidenciar que o portfólio reflexivo contribui para a autorregulação da aprendizagem, favorecendo a análise crítica das experiências vivenciadas pelo estudante. Sob essa perspectiva, nota-se complementaridade entre os autores, uma vez que todos reconhecem a centralidade do estudante no processo formativo, embora enfatizem estratégias distintas para alcançar esse protagonismo.

No eixo das metodologias experienciais, os estudos de Lopes (2020), Morais et al. (2020) e Rojas-Espinoza et al. (2024) convergem ao demonstrar que a simulação clínica, os painéis simulados e o uso de pacientes estandardizados favorecem o desenvolvimento do raciocínio clínico, da autoconfiança e da segurança na tomada de decisão. Entretanto, há nuances importantes entre os achados. Lopes destaca a equivalência entre diferentes modalidades de simulação quanto ao conhecimento e satisfação, enquanto Rojas-Espinoza et al. identificam superioridade do paciente estandardizado no aumento da autoconfiança e na progressão do desempenho temporal.

Essa diferença não representa contradição, mas amplia a compreensão de que a efetividade da simulação pode variar conforme o objetivo educacional, o desenho metodológico e o tipo de competência avaliada. Assim, os estudos se complementam ao demonstrar que diferentes formas de simulação podem ser igualmente relevantes, desde que alinhadas à intencionalidade pedagógica.

No que se refere ao ensino remoto e às adaptações pós-pandemia, os achados de Rojas-Espinoza et al. (2024) e Souza et al. (2024) reforçam a capacidade adaptativa das metodologias ativas frente aos desafios impostos pela COVID-19. Ambos os estudos reconhecem que a incorporação de recursos digitais, atividades colaborativas e propostas participativas possibilitou a continuidade do processo formativo sem prejuízo do desenvolvimento de competências essenciais. Tal convergência fortalece a compreensão de que as metodologias ativas não se restringem ao espaço físico da sala de aula, podendo ser ressignificadas em ambientes híbridos e virtuais.

Por outro lado, Yamashita et al. e Ghezzi et al. (2021) ampliam a discussão ao apontarem que a implementação dessas metodologias depende diretamente do contexto institucional. Ambos os estudos sinalizam desafios relacionados ao preparo docente, ao suporte estrutural e à articulação entre academia e serviços de saúde. Enquanto Yamashita et al. enfatizam a necessidade de pactuações ensino-serviço para fortalecer a formação contextualizada, Ghezzi et al. evidenciam que a ausência de apoio institucional e capacitação pedagógica pode gerar insatisfação discente e limitar o potencial transformador dessas práticas.

A partir do confronto entre os autores, evidencia-se que, embora exista consenso quanto aos benefícios das metodologias ativas, persistem lacunas relacionadas à padronização de sua implementação, avaliação longitudinal dos resultados e preparo pedagógico dos docentes. Essa lacuna revela importante campo para futuras investigações, sobretudo no que se refere ao impacto dessas metodologias na prática profissional do enfermeiro após a formação.

Dessa forma, os resultados desta revisão reafirmam que as metodologias ativas representam não apenas inovação didática, mas um reposicionamento epistemológico da educação em enfermagem, no qual o estudante assume papel ativo, reflexivo e crítico, tornando-se capaz de responder com maior competência às complexidades do cuidado em saúde.



5 Considerações Finais


A presente revisão da literatura possibilitou reunir, sintetizar e analisar criticamente evidências científicas acerca da aplicabilidade das metodologias ativas na trajetória formativa em enfermagem, respondendo de forma consistente ao objetivo proposto ao demonstrar que essas estratégias pedagógicas contribuem significativamente para a qualificação do processo ensino-aprendizagem no ensino superior. A análise dos 10 estudos selecionados evidenciou que as metodologias ativas favorecem o protagonismo estudantil, a autonomia, o pensamento crítico, o raciocínio clínico e a articulação entre teoria e prática, elementos indispensáveis para a formação do enfermeiro contemporâneo e para o fortalecimento de competências técnicas, científicas, éticas e relacionais. Entre as estratégias mais recorrentes identificadas destacaram-se a simulação clínica, os pacientes estandardizados, o portfólio reflexivo, a aprendizagem baseada em projetos, os painéis simulados e a integração ensino-serviço, todas reconhecidas como ferramentas eficazes na promoção de uma aprendizagem significativa, crítica, reflexiva e centrada no estudante, com aplicabilidade ampla e adaptável aos diferentes contextos educacionais, incluindo graduação, pós-graduação, ensino remoto e cenários assistenciais. Ademais, embora os benefícios sejam amplamente evidenciados, a revisão também permitiu identificar desafios persistentes relacionados à capacitação pedagógica docente, infraestrutura tecnológica, apoio institucional e fortalecimento das pactuações entre academia e serviços de saúde, fatores que interferem diretamente na consolidação dessas estratégias no ensino superior. Dessa forma, conclui-se que as metodologias ativas representam importante recurso pedagógico e epistemológico para a formação em enfermagem, contribuindo para o desenvolvimento de profissionais mais críticos, reflexivos, seguros, autônomos e preparados para responder com competência às complexidades do cuidado em saúde.

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