Redução de erros e comunicação efetiva na equipe multiprofissional: estratégias de acolhimento à familiares em situações críticas
Error reduction and effective communication in the multiprofessional team: strategies for supporting families in critical situations

Rafael Teixeira Coelho

Vitório Augusto Miranda de Amorim

Adélia Dalva da Silva Oliveira

RESUMO

A segurança do paciente constitui um dos principais pilares da qualidade da assistência em saúde, especialmente em ambientes hospitalares de alta complexidade, como as Unidades de Terapia Intensiva. Nesse contexto, a comunicação efetiva entre os profissionais da equipe multiprofissional desempenha um papel fundamental na prevenção de eventos adversos e na promoção de um cuidado seguro e humanizado. O presente estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão sistemática da literatura, a importância da comunicação multiprofissional e das estratégias institucionais voltadas à segurança do paciente em ambientes hospitalares, com ênfase nas unidades de terapia intensiva. A pesquisa foi realizada em bases de dados científicas nacionais e internacionais, incluindo PubMed (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online), SciELO (Biblioteca Científica Eletrônica Online), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), Scopus e Web of Science, considerando publicações entre os anos de 2014 e 2024. A seleção dos estudos seguiu as etapas recomendadas pelo protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), contemplando os processos de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos artigos. Ao final da análise, foram incluídos 21 estudos que abordaram aspectos relacionados à comunicação entre profissionais de saúde, cultura de segurança, ocorrência de eventos adversos e estratégias de melhoria da assistência. Os resultados evidenciaram que falhas na comunicação estão entre os principais fatores associados a erros assistenciais, destacando a necessidade de fortalecer práticas de comunicação estruturada, capacitação profissional e implementação de protocolos de segurança. Conclui-se que o fortalecimento da cultura de segurança e da comunicação multiprofissional contribui significativamente para a melhoria da qualidade da assistência e para a redução de riscos ao paciente no ambiente hospitalar.

Palavras-chave: Segurança Do Paciente; Comunicação Multiprofissional; Terapia Intensiva; Qualidade Da Assistência.

ABSTRACT

Patient safety is one of the main pillars of quality in healthcare, especially in high-complexity hospital environments such as Intensive Care Units. In this context, effective communication among professionals within the multiprofessional team plays a fundamental role in preventing adverse events and promoting safe and humanized care. This study aimed to analyze, through a systematic literature review, the importance of multiprofessional communication and institutional strategies related to patient safety in hospital settings, with emphasis on intensive care units. The search was conducted in national and international scientific databases, including PubMed, SciELO, LILACS, Scopus and Web of Science, considering publications from 2014 to 2024. The selection of studies followed the stages recommended by the PRISMA protocol, including identification, screening, eligibility and inclusion processes. At the end of the analysis, 21 studies were included addressing aspects related to communication among health professionals, safety culture, occurrence of adverse events and strategies to improve healthcare quality. The results showed that communication failures are among the main factors associated with healthcare errors, highlighting the need to strengthen structured communication practices, professional training and the implementation of safety protocols. It is concluded that strengthening the safety culture and multiprofessional communication significantly contributes to improving healthcare quality and reducing patient risks in hospital environments.

Keywords: Patient Safety; Multiprofessional Communication; Intensive Care Unit; Healthcare Quality.

INTRODUÇÃO

A assistência em saúde, especialmente em contextos hospitalares e de alta complexidade, é marcada por desafios que envolvem não apenas a dimensão técnica, mas também aspectos relacionais e organizacionais. Situações críticas, como emergências, internações em unidades de terapia intensiva (UTI) e atendimentos de urgência, exigem da equipe multiprofissional agilidade, precisão e uma comunicação eficaz para garantir a segurança do paciente (Erdmann, 2024).

A ocorrência de erros no ambiente hospitalar é uma preocupação global. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), milhões de pacientes sofrem danos decorrentes de falhas assistenciais anualmente, sendo muitos deles evitáveis. A redução de erros é, portanto, uma meta estratégica em todos os sistemas de saúde, uma vez que impacta diretamente na qualidade e na credibilidade do cuidado prestado (Campos et al., 2020).

Nesse sentido, a comunicação entre os membros da equipe multiprofissional torna-se um elemento essencial. A fragmentação da informação ou falhas na transmissão de condutas podem comprometer o tratamento, prolongar a hospitalização e, em casos extremos, colocar a vida do paciente em risco. Assim, estratégias que favoreçam a clareza, a objetividade e a padronização na comunicação são indispensáveis (Pereira et al., 2023).

Além da segurança e da comunicação entre profissionais, é necessário considerar o papel da família em situações críticas. O acolhimento adequado dos familiares é um aspecto ético, humano e social que contribui para a redução do sofrimento, favorece a adesão às condutas médicas e fortalece a confiança no sistema de saúde (Aléssio et al., 2024).

Em muitos cenários, observa-se que familiares de pacientes em estado grave enfrentam barreiras na obtenção de informações e no apoio emocional. Essa lacuna pode aumentar o sofrimento psicológico e gerar conflitos na relação equipe-família, reforçando a importância de protocolos de acolhimento (Oliveira et al., 2024).

A integração entre segurança do paciente, comunicação multiprofissional e acolhimento humanizado é indispensável para o alcance de um cuidado integral e de qualidade. Esses três eixos interdependentes contribuem para reduzir falhas, fortalecer vínculos e garantir um atendimento mais resolutivo (Celich et al., 2021).

A literatura mostra que instituições de saúde que investem em treinamento da equipe, implementação de protocolos de comunicação e programas de acolhimento familiar apresentam resultados mais satisfatórios, tanto em indicadores clínicos quanto em satisfação do paciente e da família (Araújo et al., 2023).

Portanto, discutir a redução de erros, a comunicação efetiva e o acolhimento em situações críticas não é apenas um compromisso acadêmico, mas também um compromisso social, que reflete a busca por um sistema de saúde mais seguro, eficiente e humanizado (Santos, 2022).

Esse projeto, assim, propõe uma reflexão aprofundada sobre esses aspectos, destacando sua relevância para a prática profissional e para o fortalecimento das políticas de segurança e humanização no atendimento em saúde.

A escolha do tema justifica-se pela necessidade urgente de aprimorar a qualidade da assistência em saúde, reduzindo erros que possam comprometer a vida e o bem-estar dos pacientes. Erros assistenciais representam custos elevados para o sistema e sofrimento para os envolvidos, tornando sua redução uma prioridade.

A comunicação efetiva é reconhecida como ferramenta indispensável na prática multiprofissional, pois permite integrar diferentes saberes e alinhar condutas. Em situações críticas, em que decisões precisam ser rápidas, falhas comunicacionais podem ter consequências irreparáveis.

Além disso, é necessário reconhecer que a família, enquanto rede de apoio do paciente, também precisa de acolhimento e suporte. O atendimento em saúde deve ultrapassar a esfera técnica e abraçar dimensões emocionais e sociais que influenciam diretamente no processo de cuidado.

Projetos que investigam a integração entre segurança, comunicação e acolhimento ampliam a perspectiva sobre a assistência em saúde, incentivando práticas mais humanas e seguras. Isso contribui não apenas para o paciente, mas também para o bem-estar da equipe profissional e para a imagem institucional.

Outro aspecto que reforça a justificativa é a carência de estudos que tratem de forma articulada esses três elementos. Muitas pesquisas focam apenas na segurança ou apenas no acolhimento, sem destacar como a integração dessas práticas pode gerar um cuidado mais efetivo.

A análise crítica sobre esses fatores também fortalece a formação acadêmica e profissional, incentivando práticas baseadas em evidências, protocolos institucionais e princípios éticos que orientem o cuidado.

Portanto, este projeto busca colaborar para o avanço da literatura e para a implementação de estratégias que promovam a segurança do paciente, a efetividade da comunicação multiprofissional e o acolhimento familiar em situações críticas.

O objetivo principal do trabalho é analisar estratégias que favoreçam a redução de erros e a comunicação efetiva da equipe multiprofissional no acolhimento de familiares em situações críticas. E como específicos: identificar práticas que contribuam para a redução de erros assistenciais em situações críticas; avaliar a importância da comunicação efetiva entre os membros da equipe multiprofissional para a segurança do paciente e investigar estratégias de acolhimento voltadas para familiares de pacientes em situações críticas.

2 METODOLOGIA

Este estudo foi conduzido como uma revisão integrativa da literatura, seguindo as orientações metodológicas propostas pelo Manual do TCC, que recomenda a descrição clara das etapas da pesquisa, bem como a definição dos métodos adotados para coleta, seleção e análise dos dados. Para garantir rigor e padronização científica, o estudo seguiu integralmente o protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), amplamente reconhecido como referência para revisões de alta qualidade.

A pesquisa bibliográfica foi realizada em bases de dados nacionais e internacionais, incluindo incluindo PubMed (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online), SciELO (Biblioteca Científica Eletrônica Online), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), Scopus e Web of Science, buscando estudos publicados entre 2014 e 2024. Estas bases foram escolhidas devido à sua relevância científica e à ampla abrangência de produções relacionadas à segurança do paciente, comunicação multiprofissional e acolhimento familiar em situações críticas. Para a busca sistematizada, foram utilizados descritores controlados e não controlados em inglês e português, combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR. Entre os termos empregados, estiveram: patient safety, medical errors, multiprofessional communication, family-centered care e critical care.

Os critérios de inclusão contemplaram estudos originais, revisões sistemáticas, meta-análises e pesquisas de intervenção que investigaram estratégias, resultados ou práticas voltadas à redução de erros assistenciais, à comunicação entre equipes multiprofissionais e ao acolhimento de familiares em contextos de cuidado crítico. Foram incluídos artigos disponíveis na íntegra, publicados em português, inglês ou espanhol, dentro do período estabelecido. Como critérios de exclusão, foram desconsiderados editoriais, resenhas, cartas ao editor, estudos de caso isolados, textos incompletos, duplicados. Em seguida, foi realizada a leitura de títulos e resumos, a fim de excluir produções sem relação com a pergunta de pesquisa.

A seleção dos estudos seguiu as quatro etapas estabelecidas pelo fluxograma PRISMA: identificação, triagem, elegibilidade e inclusão. Inicialmente, todos os artigos encontrados foram importados para uma planilha de controle e tiveram as duplicidades removidas. Os estudos considerados potenciais foram lidos na íntegra para confirmar sua aderência temática.

Fluxograma Prisma

Identificação

Registros identificados nas bases de dados:
PubMed (n = 82)
SciELO (n = 54)
LILACS (n = 49)
Scopus (n = 63)
Web of Science (n = 38)

Total de registros identificados: n = 286

Registros duplicados removidos: n = 42

Registros após remoção de duplicados: n = 244

Triagem

Registros selecionados para leitura de títulos e resumos: n = 244

Registros excluídos após leitura de títulos e resumos: n = 173

Registros selecionados para leitura na íntegra: n = 71

Elegibilidade

Artigos avaliados na íntegra para elegibilidade: n = 71

Artigos excluídos após leitura completa: n = 50

Motivos de exclusão:

Inclusão

Estudos incluídos na revisão sistemática: n = 21

Fonte: Fluxograma PRISMA (2026, adaptado).

3 RESULTADOS

A busca inicial nas bases de dados PubMed, SciELO, LILACS, Scopus e Web of Science resultou em 286 estudos potencialmente relevantes. Após a etapa de identificação e organização das referências em planilha, 42 registros duplicados foram removidos, permanecendo 244 estudos para a fase de triagem.

Na etapa de triagem, realizou-se a leitura dos títulos e resumos, sendo excluídos 173 artigos por não apresentarem relação direta com a temática da segurança do paciente, comunicação multiprofissional ou acolhimento familiar em contextos de cuidado crítico. Dessa forma, 71 estudos foram considerados potencialmente elegíveis e avançaram para a fase de leitura na íntegra.

Quadro 1 – Artigos utilizados para o estudo, segundo Autores/2026, objeto do estudo, conclusão. Teresina 2026.

Autor/Ano

Objetivo do estudo

Conclusão

Sousa et al., (2020).

Analisar a comunicação efetiva como ferramenta de qualidade na promoção da segurança do paciente.

O estudo evidenciou que a comunicação clara e estruturada entre profissionais de saúde reduz falhas assistenciais e contribui diretamente para a segurança do paciente.

Villar, Duarte e Martins, (2020).

Avaliar a segurança do paciente no cuidado hospitalar a partir da perspectiva do próprio paciente.

Constatou-se que a participação do paciente e a transparência na comunicação com a equipe de saúde fortalecem práticas seguras no ambiente hospitalar.

Albanez et al., (2022).

Investigar a cultura de segurança do paciente percebida por profissionais que atuam em Unidades de Terapia Intensiva.

Os resultados demonstraram que a percepção positiva da cultura de segurança está associada ao trabalho colaborativo e à comunicação eficiente entre as equipes.

Barbosa et al., (2022).

Revisar a literatura acerca das práticas relacionadas à segurança do paciente nos serviços de saúde.

A pesquisa destacou a necessidade de estratégias institucionais voltadas à prevenção de erros e fortalecimento da cultura de segurança.

Barbosa et al., (2021).

Identificar os principais eventos adversos ocorridos em Unidades de Terapia Intensiva.

Concluiu-se que eventos adversos estão frequentemente relacionados à sobrecarga de trabalho e falhas na comunicação entre profissionais.

Bendinelli e Hangai, (2024).

Identificar estratégias para promoção da segurança do paciente em UTI pediátrica.

O estudo apontou que protocolos assistenciais, treinamento da equipe e comunicação padronizada são fundamentais para reduzir riscos ao paciente.

Correia et al., (2024).

Analisar o uso do método ISBAR na comunicação durante a transição de cuidados em UTI.

O método ISBAR demonstrou potencial para padronizar a comunicação clínica e melhorar a continuidade do cuidado.

Hang et al., (2023).

Compreender os desafios relacionados à segurança do paciente no contexto da terapia intensiva.

Os achados evidenciaram que fatores organizacionais e falhas de comunicação representam desafios significativos para a segurança assistencial.

Lima et al., (2021).

Avaliar a cultura de segurança da equipe multiprofissional em um centro de terapia intensiva.

O estudo revelou a importância do engajamento institucional e da participação da equipe na promoção de práticas seguras.

Makiuchi e Martinho, (2023).

Discutir a comunicação como competência essencial para a promoção da segurança do paciente.

Concluiu-se que o desenvolvimento de habilidades comunicativas deve ser estimulado durante a formação e prática profissional.

Melo et al., (2022).

Analisar a comunicação da equipe de enfermagem com foco na segurança do paciente.

O estudo indicou que a comunicação efetiva entre profissionais de enfermagem contribui para a redução de erros assistenciais.

Oliveira et al., (2021).

Investigar estratégias de promoção da segurança do paciente considerando o papel do farmacêutico na equipe multiprofissional.

A atuação integrada do farmacêutico na equipe contribui para maior controle de medicamentos e prevenção de eventos adversos.

Paula et al., (2021).

Analisar a ocorrência de eventos adversos em UTI a partir da percepção da equipe multiprofissional.

Identificou-se que a notificação e análise de eventos adversos são importantes para aprimorar os processos assistenciais.

Prates et al., (2021).

Investigar a cultura de segurança do paciente na percepção de profissionais de saúde.

A cultura de segurança mostrou-se relacionada à comunicação aberta e ao apoio institucional.

Saito et al., 2023).

Identificar estratégias de comunicação eficaz em UTI neonatal e pediátrica.

Protocolos de comunicação estruturados favorecem a segurança e a continuidade do cuidado.

Santos e Takashi, (2023).

Analisar a implantação de protocolos de segurança do paciente em unidades de terapia intensiva.

A adoção de protocolos assistenciais contribui para padronizar condutas e reduzir eventos adversos.

Santos et al., (2021).

Investigar a comunicação e segurança do paciente na perspectiva da equipe multiprofissional em UTI.

Concluiu-se que a comunicação eficaz fortalece a tomada de decisão clínica e melhora os resultados assistenciais.

Santos et al., (2024).

Avaliar a influência da comunicação efetiva nos desfechos do paciente hospitalizado.

A comunicação adequada entre profissionais está associada à melhoria dos desfechos clínicos e à redução de erros.

Santos et al., (2021b).

Analisar a comunicação multiprofissional na promoção da segurança do paciente em ambiente hospitalar.

A integração entre diferentes profissionais favorece práticas assistenciais mais seguras.

Silva et al., (2022).

Identificar medidas de segurança do paciente aplicadas em unidades de terapia intensiva.

Estratégias como checklists, protocolos e capacitação da equipe contribuem para maior segurança assistencial.

Silva, Morais e Batista, (2024).

Discutir a humanização no cuidado ao paciente e à família em UTI.

A humanização e o acolhimento familiar fortalecem o cuidado centrado no paciente e contribuem para a qualidade da assistência.

Durante a etapa de elegibilidade, após a análise completa dos textos, 50 artigos foram excluídos por não atenderem integralmente aos critérios de inclusão estabelecidos, seja por não abordarem diretamente a temática proposta, por apresentarem metodologia incompatível com o escopo da revisão ou por não estarem disponíveis na íntegra. Ao final do processo de seleção, 21 artigos foram incluídos na revisão sistemática, compondo a amostra final analisada neste estudo.

4 DISCUSSÃO

A discussão dos achados evidencia que a comunicação efetiva se consolida como um dos principais pilares para a redução de erros assistenciais e fortalecimento da segurança do paciente, especialmente em contextos críticos como as Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Estudos como o de Sousa et al. (2020) e Melo et al. (2022) demonstram que a comunicação clara, objetiva e estruturada entre profissionais reduz significativamente falhas no cuidado, favorecendo a continuidade assistencial. Corroborando esses achados, Makiuchi e Martinho (2023) destacam que a comunicação deve ser compreendida como uma competência essencial, a ser desenvolvida tanto na formação quanto na prática profissional, contribuindo diretamente para a tomada de decisões clínicas mais seguras.

Nesse contexto, a padronização da comunicação surge como estratégia fundamental para minimizar erros, especialmente durante a transição de cuidados. O uso de ferramentas como o método ISBAR, conforme evidenciado por Correia et al. (2024), permite organizar as informações clínicas de forma sistemática, reduzindo ambiguidades e promovendo maior segurança na transmissão de dados. Da mesma forma, Saito et al. (2023) e Bendinelli e Hangai (2024) reforçam que protocolos assistenciais e estratégias estruturadas de comunicação são essenciais para garantir a continuidade do cuidado e diminuir riscos, sobretudo em ambientes pediátricos e neonatais, onde a complexidade assistencial é ainda mais elevada.

Além disso, a cultura de segurança institucional está diretamente relacionada à qualidade da comunicação e ao trabalho colaborativo entre as equipes. Albanez et al. (2022) e Prates et al. (2021) evidenciam que ambientes com comunicação aberta e apoio institucional apresentam melhores indicadores de segurança. Lima et al. (2021) também destaca que o engajamento da equipe multiprofissional é determinante para a implementação de práticas seguras. Em contrapartida, estudos como o de Barbosa et al. (2021) e Hang et al. (2023) apontam que falhas comunicacionais, associadas à sobrecarga de trabalho e a fragilidades organizacionais, estão entre os principais fatores relacionados à ocorrência de eventos adversos em UTI.

No que se refere à participação do paciente e de seus familiares, observa-se que o acolhimento e a comunicação transparente são elementos fundamentais para a promoção de um cuidado seguro e humanizado. Villar, Duarte e Martins (2020) evidenciam que a inclusão do paciente no processo de cuidado fortalece práticas seguras e melhora a percepção da assistência. Complementarmente, Silva, Morais e Batista (2024) destacam que a humanização do cuidado, com ênfase no acolhimento familiar, contribui para a redução da ansiedade, melhora da comunicação e fortalecimento do vínculo entre equipe e familiares, especialmente em situações críticas.

A atuação multiprofissional integrada também se mostra essencial na prevenção de erros e na qualificação da assistência. Estudos como o de Santos et al. (2021) e Santos et al. (2021b) reforçam que a comunicação eficaz entre diferentes categorias profissionais favorece a tomada de decisão clínica e reduz inconsistências no cuidado. Oliveira et al. (2021) amplia essa discussão ao destacar o papel do farmacêutico na equipe, contribuindo para o controle de medicamentos e prevenção de eventos adversos, o que evidencia a importância da interdisciplinaridade na segurança do paciente.

Ademais, estratégias institucionais como a implementação de protocolos, uso de checklists e incentivo à notificação de eventos adversos são fundamentais para a melhoria contínua dos processos assistenciais. Barbosa et al. (2022) e Silva et al. (2022) ressaltam que tais medidas contribuem para a padronização das práticas e redução de erros. Paula et al. (2021) complementa ao destacar que a análise sistemática dos eventos adversos permite identificar falhas e propor intervenções eficazes. Santos e Takashi (2023) e Santos et al. (2024) reforçam que a adoção dessas estratégias está diretamente associada à melhoria dos desfechos clínicos e à qualidade da assistência.

Dessa forma, a integração entre comunicação efetiva, cultura de segurança e estratégias de acolhimento aos familiares configura-se como um eixo central na redução de erros em ambientes críticos. A literatura evidencia que práticas comunicacionais estruturadas, aliadas à humanização do cuidado e ao trabalho multiprofissional colaborativo, não apenas reduzem eventos adversos, mas também promovem um cuidado mais seguro, qualificado e centrado no paciente e sua família.

5 CONCLUSÃO

A análise dos estudos incluídos nesta revisão integrativa evidenciou que a segurança do paciente constitui um dos pilares fundamentais da qualidade da assistência em saúde, especialmente em ambientes hospitalares de alta complexidade, como as Unidades de Terapia Intensiva. Os resultados demonstraram que falhas na comunicação entre os profissionais de saúde representam um dos principais fatores associados à ocorrência de eventos adversos, reforçando a necessidade de estratégias que fortaleçam a troca clara, objetiva e padronizada de informações entre os membros da equipe multiprofissional. Nesse sentido, a comunicação efetiva mostrou-se um elemento essencial para a redução de erros assistenciais e para a melhoria da continuidade do cuidado.

Além disso, os estudos analisados destacaram a importância do fortalecimento da cultura de segurança nas instituições de saúde, incentivando práticas baseadas na cooperação, na transparência e no aprendizado organizacional. A implementação de protocolos assistenciais, programas de educação permanente e estratégias de gestão voltadas à segurança do paciente contribuem significativamente para a prevenção de incidentes e para a melhoria da qualidade da assistência prestada. Dessa forma, o desenvolvimento de ambientes institucionais que valorizem a segurança e o trabalho colaborativo torna-se fundamental para a consolidação de práticas assistenciais mais seguras.

Por fim, conclui-se que a promoção da segurança do paciente depende da atuação integrada de toda a equipe multiprofissional, bem como da adoção de políticas institucionais que priorizem a comunicação eficaz, a qualificação contínua dos profissionais e a humanização do cuidado. A participação da família no processo assistencial também se mostrou um fator relevante para o fortalecimento do cuidado centrado no paciente. Assim, investir em estratégias que promovam a cultura de segurança e aprimorem os processos de comunicação no ambiente hospitalar representa um caminho essencial para a redução de eventos adversos e para a construção de uma assistência em saúde mais segura, eficiente e humanizada.

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