A eficácia dos exercícios fisioterapêuticos na reabilitação de pacientes pós-infarto agudo do miocárdio

The effectiveness of physiotherapy exercises in the rehabilitation of patients after acute myocardial infarction.

Emylle Rayra de Oliveira Cardoso

Heryka Wemely de Oliveira Santos

Luzimária Soares da Cruz

Maria Clara Silva Pontes

Mayzza Angélica Lima Ramos Bastos

Sérgio Ricardo da Cunha Silva Júnior

Wendel Franck Almeida Machado

Kathlleen Vitoria Vasconcelos Saturnino

RESUMO: O infarto agudo do miocárdio caracterizou-se como uma importante emergência cardiovascular, associada à elevada morbimortalidade e impacto na saúde pública. Objetivou-se avaliar a eficácia dos exercícios fisioterapêuticos na reabilitação de pacientes após esse evento, com foco na capacidade funcional, qualidade de vida e redução de complicações clínicas. Realizou-se uma revisão de literatura qualitativa, com abordagem descritiva e analítica, por meio de buscas em bases de dados científicas e aplicação do modelo PRISMA, resultando na inclusão de seis estudos. Os resultados evidenciaram melhora do consumo de oxigênio de pico, da capacidade cardiorrespiratória e da qualidade de vida, além da redução da mortalidade cardiovascular e das hospitalizações. Concluiu-se que os exercícios fisioterapêuticos apresentaram efeitos positivos na recuperação de pacientes pós-infarto, embora tenha sido necessária a realização de novos estudos para melhor compreensão dos efeitos a longo prazo.

Palavras-chave: infarto agudo do miocárdio; reabilitação cardíaca; fisioterapia; exercício físico.

ABSTRACT: Acute myocardial infarction is characterized as a major cardiovascular emergency, associated with high morbidity and mortality and a significant impact on public health. This study aimed to evaluate the effectiveness of physiotherapy exercises in the rehabilitation of patients after this event, focusing on functional capacity, quality of life, and reduction of clinical complications. A qualitative literature review, with a descriptive and analytical approach, was conducted through searches in scientific databases and application of the PRISMA model, resulting in the inclusion of six studies. The results showed improvements in peak oxygen consumption, cardiorespiratory capacity, and quality of life, as well as a reduction in cardiovascular mortality and hospitalizations. It was concluded that physiotherapy exercises had positive effects on the recovery of post-infarction patients, although further studies are needed for a better understanding of the long-term effects.

Keywords: acute myocardial infarction; cardiac rehabilitation; physiotherapy; physical exercise.

INTRODUÇÃO

O infarto agudo do miocárdio (IAM) configura-se como uma das principais emergências cardiovasculares, caracterizando-se pela necrose do tecido muscular cardíaco em decorrência da interrupção do fluxo sanguíneo coronariano. Essa interrupção, na maioria dos casos, ocorre devido à formação de trombos sobre placas ateroscleróticas instáveis, podendo também, em situações mais raras, estar associada a vasoespasmos ou êmbolos de origem intracardíaca. Clinicamente, o IAM manifesta-se, sobretudo, por dor ou desconforto na região torácica, frequentemente irradiando para membros superiores, dorso ou face, sendo comum a sensação de aperto ou peso no peito, geralmente de intensidade elevada e duração prolongada. Nesse sentido, “o principal sintoma do infarto é dor ou desconforto na região peitoral, podendo irradiar para as costas, rosto e membros superiores” (BUSSONS et al., 2022).

Considerado um grave problema de saúde pública, o IAM apresenta elevada taxa de morbimortalidade, sendo responsável por um expressivo número de internações e óbitos no Brasil. Estima-se a ocorrência de centenas de milhares de casos anuais no país, com significativa taxa de mortalidade, o que reforça sua relevância epidemiológica. Conquanto, trata-se de uma condição clínica grave que pode evoluir rapidamente para óbito, dependendo da extensão da lesão e do tempo até o início do tratamento. De acordo com Silva et al. (2020), o infarto está diretamente relacionado a diversos fatores de risco, que podem ser classificados em não modificáveis, como idade, sexo e histórico familiar, e modificáveis, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemias, obesidade, sedentarismo, tabagismo e estresse.

Do ponto de vista fisiopatológico, o IAM resulta de um processo isquêmico prolongado, geralmente associado à obstrução de uma artéria coronária por trombo formado sobre uma placa aterosclerótica vulnerável, levando à morte dos cardiomiócitos e comprometendo progressivamente a função cardíaca. Ademais, sua classificação clínica pode ser realizada por meio do eletrocardiograma, distinguindo-se entre infarto com supradesnível do segmento ST e sem supradesnível, o que orienta a conduta terapêutica. Observa-se ainda que, embora seja mais prevalente em indivíduos idosos, os fatores de risco para doenças cardiovasculares aumentam progressivamente com a idade, ampliando a suscetibilidade ao evento.

Nesse ínterim, a fisioterapia demonstra papel fundamental na reabilitação de pacientes pós-IAM, atuando desde a fase hospitalar até o acompanhamento ambulatorial. Conforme destaca Dos Santos (2024), a atuação fisioterapêutica é essencial para a recuperação funcional, contribuindo para a melhora da capacidade física, redução de complicações e aumento da qualidade de vida dos pacientes. Os exercícios fisioterapêuticos, quando adequadamente prescritos e monitorados, promovem benefícios significativos no processo de reabilitação cardiovascular, reduzindo o risco de novos eventos e favorecendo a reintegração do indivíduo às suas atividades cotidianas.

Diante disso, este estudo tem como objetivo avaliar a importância da eficácia dos exercícios fisioterapêuticos na reabilitação de pacientes após o infarto agudo do miocárdio, buscando compreender seus impactos na recuperação funcional e na qualidade de vida, bem como sua contribuição na redução da morbimortalidade associada à doença.

METODOLOGIA DA PESQUISA

O presente estudo constitui-se em uma revisão de literatura integrativa, com abordagem descritiva e analítica, que teve como objetivo avaliar a eficácia dos exercícios fisioterapêuticos na reabilitação de pacientes após infarto agudo do miocárdio (IAM).

A busca dos estudos foi realizada nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed, Google Acadêmico e Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), no período de março a abril de 2026. Para a seleção dos artigos, foram utilizados descritores em português e inglês, combinados por meio dos operadores booleanos “AND” e “OR”, sendo eles: “reabilitação cardíaca”, “infarto agudo do miocárdio”, “exercício físico”, “fisioterapia”, “cardiac rehabilitation”, “myocardial infarction” e “exercise therapy”.

Como critérios de inclusão, foram considerados estudos publicados em periódicos científicos, disponíveis na íntegra, que abordassem a reabilitação cardíaca baseada em exercício físico em pacientes pós-infarto. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas e meta-análises publicados nos últimos anos, sem restrição de idioma.

Como critérios de exclusão, foram descartados estudos duplicados, artigos que não apresentavam relação direta com o tema proposto, estudos com foco em outras patologias cardiovasculares sem distinção do IAM, bem como aqueles que não apresentavam dados relevantes sobre os efeitos dos exercícios fisioterapêuticos.

O processo de seleção dos estudos seguiu as etapas recomendadas pelo modelo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), compreendendo as fases de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão. O processo de seleção foi realizado por dois revisores independentes, sendo as divergências resolvidas por consenso. Inicialmente, foram identificados 300 estudos nas bases de dados consultadas. Após a remoção de duplicados, permaneceram 212 estudos para análise. Na etapa de triagem, realizada por meio da leitura de títulos e resumos, foram excluídos 158 estudos por não atenderem aos critérios de inclusão, restando 54 artigos para leitura na íntegra. Após a avaliação completa, 48 estudos foram excluídos por não atenderem aos critérios metodológicos estabelecidos. Dentre os principais motivos de exclusão, destacam-se: ausência de foco específico em pacientes pós-infarto agudo do miocárdio (n=18), utilização de intervenções não relacionadas ao exercício físico (n=10), inadequação do delineamento metodológico (n=12) e ausência de dados relevantes para os desfechos analisados (n=8). Esses critérios foram fundamentais para garantir a inclusão de estudos diretamente relacionados ao objetivo da pesquisa, aumentando a precisão e relevância dos resultados apresentados.

Além disso, foi realizada a avaliação da qualidade metodológica e do risco de viés dos estudos incluídos. Para os ensaios clínicos randomizados, utilizou-se a ferramenta Cochrane Risk of Bias, considerando domínios como geração da sequência aleatória, ocultação da alocação, cegamento, dados incompletos e relato seletivo. Para os estudos de natureza intervencionista, também foi aplicada a escala PEDro, amplamente utilizada na área da fisioterapia, permitindo a análise da qualidade metodológica com base em critérios como randomização, cegamento e análise por intenção de tratar.

Os estudos foram classificados quanto ao risco de viés baixo, moderado ou alto, sendo considerados na análise final apenas aqueles com qualidade metodológica satisfatória.

Embora o número final de estudos incluídos tenha sido reduzido (n=5), essa seleção rigorosa justifica-se pela aplicação criteriosa dos critérios de elegibilidade, priorizando estudos com maior nível de evidência científica, como ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas e meta-análises.

Dessa forma, buscou-se garantir maior confiabilidade e consistência dos achados, ainda que isso tenha resultado em uma amostra final mais restrita. Ressalta-se que a heterogeneidade metodológica e a escassez de estudos com delineamento robusto dentro do tema também contribuíram para a limitação do número de artigos incluídos.

Figura 1 – Fluxograma do processo de seleção dos estudos conforme o modelo PRISMA

Fonte: Dados da pesquisa, 2026.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Resultados

A análise da literatura científica apresenta diferentes delineamentos metodológicos, com predominância de ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas e meta-análises, permitindo a observação de resultados consistentes em relação aos efeitos do exercício sobre variáveis cardiovasculares e funcionais.

De modo geral, os protocolos de intervenção analisados envolvem programas estruturados de exercício aeróbico, treinamento resistido e abordagens combinadas, com frequência variando entre três e cinco sessões semanais e duração entre seis semanas e doze meses. A maior parte das intervenções foi conduzida em ambiente supervisionado, especialmente nas fases II e III da reabilitação cardíaca, embora alguns estudos também tenham avaliado programas domiciliares.

Os casos mais frequentemente investigados incluem consumo de oxigênio de pico (VO₂ pico), mortalidade cardiovascular, capacidade funcional, qualidade de vida e taxas de hospitalização. Adicionalmente, alguns estudos analisaram parâmetros fisiológicos secundários, como frequência cardíaca de repouso, pressão arterial e eficiência metabólica.

A Tabela 1 apresenta a caracterização detalhada dos principais estudos incluídos na análise:

Tabela 1 – Caracterização dos estudos referentes à reabilitação cardíaca pós-infarto agudo do miocárdio

Autor/Ano

Tipo de estudo

Amostra

Intervenção

Frequência e

Duração

Desfechos analisados

Principais resultados

Anderson et al., 2016.

Revisão sistemática (Cochrane)

63 ECRs (14.486 pacientes)

Exercício aeróbico e combinado

Programas supervisionados, 3-5x por semana, intensidade moderada a vigorosa, durante 6 semanas a 12 meses.

Mortalidade, hospitalização , qualidade de vida.

Redução da mortalidade cardiovascular (RR 0,74); redução de hospitalizações (RR 0,82); melhora significativa da qualidade de vida

Taylor et al, 2004.

Meta-análise

48 ECRs (8.940 pacientes)

Exercício supervisionado

Sessões de aproximadamente 3x por semana, com duração mínima de 8 semanas, intensidade

Mortalidade cardiovascular

Redução de aproximadamente

26% na mortalidade

progressiva

Lawler et al., 2011.

Revisão sistemática.

34 estudos

Exercício aeróbico

Protocolos com intensidade moderada predominante, com progressão gradual

VO₂ pico, capacidade funcional

Aumento de VO₂

pico entre 10% e

30%

Bourscheid et al., 2021.

Meta-análise

10 estudos (397 pacientes)

Exercício aeróbico

Frequência de 3-5 sessões/semana, duração de 8 a 24 semanas, intensidade moderada

VO₂ pico

Aumento médio

de 6,07 mL/kg/min

Martins et al., 2020.

Revisão sistemática

8 estudos

Treinamento HIIT vs exercício moderado

Sessões de 3-5x por semana, duração de 6 a 12 semanas, comparação entre intensidades

VO₂ pico, capacidade funcional

Melhora em ambos os grupos, com maior incremento no HIIT.

Fonte: Dados da pesquisa, 2026.

A partir dos estudos apresentados, observa-se que a reabilitação cardíaca baseada em exercício está associada a melhorias consistentes em múltiplos desfechos clínicos. Entre esses, destaca-se o consumo de oxigênio de pico (VO₂ pico), amplamente reconhecido como um dos principais indicadores da capacidade cardiorrespiratória e do prognóstico em pacientes com doença cardiovascular.

Os dados evidenciam aumento significativo do VO₂ pico após a implementação de programas de exercício. Bourscheid et al. (2021) identificaram incremento médio de 6,07 mL·kg⁻¹·min⁻¹, enquanto Lawler et al. (2011) observaram aumentos percentuais variando entre 10% e 30%. Esses resultados indicam melhora da eficiência do sistema cardiorrespiratório, refletindo maior capacidade de transporte e utilização de oxigênio durante o esforço físico.

Ademais, foram comparadas diferentes intensidades de exercício, demonstrando que tanto o treinamento contínuo de intensidade moderada quanto o treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT) são eficazes na promoção de ganhos na aptidão cardiorrespiratória. Martins et al. (2020) observaram aumento do VO₂ pico em ambos os protocolos, com tendência de maior magnitude nos programas de maior intensidade.

Essa evolução da capacidade cardiorrespiratória pode ser observada na figura a seguir:

Figura 1 – Efeitos da reabilitação cardíaca baseada em exercício.

  1. Consumo de oxigênio de pico (VO₂ pico) antes e após a intervenção.
  2. Risco relativo de mortalidade cardiovascular em pacientes submetidos à reabilitação cardíaca.

Fonte: Adaptado de Bourscheid et al (2021) e Anderson et al (2016).

Além dos efeitos sobre o VO₂ pico, os estudos também evidenciam impacto significativo na mortalidade cardiovascular. A revisão sistemática conduzida por Anderson et al. (2016), considerada uma das principais referências na área, identificou redução do risco relativo de mortalidade cardiovascular (RR 0,74), indicando diminuição de aproximadamente 26% nos eventos fatais entre pacientes que participaram de programas de reabilitação cardíaca.

Resultados semelhantes foram observados por Taylor et al. (2004), que também relataram redução significativa da mortalidade em pacientes submetidos a programas de exercício supervisionado. Diante disso, reforçam a consistência dos efeitos observados em diferentes populações e contextos clínicos.

Outro apontamento relevante refere-se às taxas de hospitalização. Anderson et al. (2016) identificaram redução de aproximadamente 18% nas readmissões hospitalares (RR 0,82), evidenciando impacto positivo dos programas de reabilitação na estabilidade clínica dos pacientes. Já em relação à qualidade de vida, os estudos demonstram melhora significativa em diferentes domínios, especialmente aqueles relacionados à capacidade funcional, limitação física e percepção de saúde geral. Esses resultados foram observados por meio de instrumentos padronizados, como o SF-36, amplamente utilizado na avaliação de qualidade de vida em pacientes cardiopatas.

Por fim, foram observadas melhorias em parâmetros fisiológicos secundários, incluindo redução da frequência cardíaca de repouso, melhor controle da pressão arterial e aumento da eficiência metabólica, embora esses desfechos não tenham sido uniformemente mensurados em todos os estudos incluídos.

Discussões

Os resultados apresentados evidenciam que a reabilitação cardíaca baseada em exercícios fisioterapêuticos promove benefícios consistentes em pacientes após infarto agudo do miocárdio (IAM), especialmente à melhora da capacidade funcional, aumento do consumo de oxigênio de pico (VO₂ pico) e redução da mortalidade cardiovascular. No entanto, a análise comparativa entre os estudos revela diferenças metodológicas relevantes que devem ser consideradas na interpretação destes.

A revisão sistemática da Cochrane conduzida por Anderson et al. (2016) apresenta diversas evidências, uma vez que inclui 63 ensaios clínicos randomizados e uma amostra expressiva de 14.486 pacientes. Essas amostras conferem robustez estatística aos resultados, especialmente em relação à redução da mortalidade cardiovascular e das hospitalizações. Em consonância com esses resultados, a meta-análise de Taylor et al. (2004) também demonstra redução significativa da mortalidade cardiovascular. Entretanto, observa-se que este estudo apresenta maior heterogeneidade em relação aos protocolos de exercício utilizados, incluindo variações na intensidade, frequência e duração das intervenções. Essa diversidade metodológica influencia a magnitude dos efeitos observados, dificultando a padronização dos resultados e a comparação direta com outros estudos.

No que se refere ao consumo de oxigênio de pico (VO₂ pico), os estudos de Bourscheid et al. (2021) e Lawler et al. (2011) são consistentes ao demonstrar melhora significativa da aptidão cardiorrespiratória após programas de exercício. Essa melhora pode ser explicada por adaptações fisiológicas centrais e periféricas decorrentes do treinamento físico. Do ponto de vista central, observa-se aumento do débito cardíaco, decorrente principalmente da elevação do volume sistólico, associado à melhora da contratilidade miocárdica e da eficiência do ventrículo esquerdo. Além disso, o exercício promove adaptações autonômicas, como a redução da atividade simpática e aumento do tônus parassimpático, contribuindo para maior eficiência cardiovascular.

No âmbito periférico, há aumento da capilarização muscular, maior densidade mitocondrial e melhora da capacidade oxidativa do músculo esquelético, favorecendo a extração e utilização de oxigênio pelos tecidos. Esses mecanismos estão diretamente relacionados ao aumento da diferença arteriovenosa de oxigênio, um dos principais determinantes do VO₂ pico. Dessa forma, as adaptações induzidas pelo exercício explicam, do ponto de vista fisiológico, os achados consistentes de melhora da aptidão cardiorrespiratória observados nos estudos analisados. Contudo, há divergência na forma de apresentação dos resultados, uma vez que Bourscheid et al. (2021) apresentam valores absolutos (diferença média em mL/kg/min), enquanto Lawler et al. (2011) utilizam variação percentual. Essa diferença metodológica limita a comparação direta entre os estudos, embora ambos apontem para a mesma direção de efeito.

Conquanto, a meta-análise de Bourscheid et al. (2021), apesar de apresentar resultados quantitativos claros, baseia-se em um número relativamente reduzido de estudos (n=10) e amostra menor quando comparada a revisões mais amplas, o que pode impactar a generalização dos estudos. Por outro lado, a revisão de Lawler et al. (2011), ao incluir maior número de estudos, amplia a abrangência dos resultados, porém incorpora maior heterogeneidade metodológica, o que pode influenciar a consistência interna da análise.

A comparação entre diferentes intensidades de exercício, abordada por Martins et al. (2020), evidencia que tanto o treinamento intervalado de alta intensidade quanto o exercício contínuo de intensidade moderada são eficazes na melhora do VO₂ pico. Essa resposta pode ser compreendida à luz das adaptações fisiológicas induzidas por diferentes intensidades de exercício. Enquanto o treinamento intervalado de alta intensidade tende a promover estímulos centrais mais expressivos, como aumento do débito cardíaco e da capacidade contrátil do miocárdio, o exercício contínuo de intensidade moderada está mais associado a adaptações periféricas progressivas, como aumento da eficiência metabólica muscular e da capilarização. No entanto, a ausência de consenso quanto à superioridade de um protocolo específico pode estar relacionada à variabilidade dos delineamentos experimentais e ao tamanho reduzido das amostras nos estudos incluídos. Ademais, a curta duração das intervenções em alguns estudos limita a avaliação dos efeitos a longo prazo.

Apesar dos resultados positivos, alguns estudos apresentam limitações como heterogeneidade dos protocolos de exercício, diferenças nos critérios de inclusão dos participantes e ausência de padronização na mensuração dos desfechos. Essas limitações dificultam a comparação direta entre os estudos e podem influenciar a interpretação dos resultados. Outro ponto relevante refere-se à variabilidade no acompanhamento dos pacientes. Enquanto alguns estudos avaliam apenas os efeitos imediatos das intervenções, outros incluem seguimento a longo prazo, o que também impacta os resultados observados, especialmente em relação à mortalidade e às hospitalizações. A ausência de uniformidade nesse aspecto representa uma limitação importante na análise comparativa.

Ainda, observa-se que muitos estudos concentram-se predominantemente em populações específicas, frequentemente compostas por pacientes do sexo masculino e com faixa etária mais elevada, o que pode limitar a generalização dos resultados para outros grupos populacionais.

Apesar dessas limitações, os estudos analisados apresentam convergência quanto aos efeitos positivos da reabilitação cardíaca baseada em exercício, especialmente sobre a melhora da capacidade funcional e a redução de resultados clínicos adversos. A consistência desses estudos, mesmo diante de diferentes metodologias, reforça a relevância da intervenção fisioterapêutica no contexto pós-infarto.

Dessa forma, a análise crítica da literatura evidencia que, embora existam limitações metodológicas e divergências entre os estudos, os benefícios da reabilitação cardíaca baseada em exercícios são amplamente sustentados por evidências científicas de qualidade, destacando-se como componente essencial na recuperação de pacientes após IAM.

CONCLUSÃO

Diante disso, o estudo evidenciou que os exercícios fisioterapêuticos desempenham papel relevante na reabilitação de pacientes após infarto agudo do miocárdio, promovendo melhorias significativas na capacidade cardiorrespiratória, no consumo de oxigênio de pico (VO₂ pico), na qualidade de vida e na redução da mortalidade cardiovascular e das taxas de hospitalização. De modo geral, os resultados foram consistentes entre os estudos analisados, indicando efeitos positivos associados à prática estruturada de exercícios no contexto da reabilitação cardíaca. Nesse sentido, tais evidências reforçam a importância da atuação do fisioterapeuta na prescrição e condução de programas de exercícios individualizados, com ajuste adequado de intensidade, frequência e progressão, visando maximizar os benefícios clínicos e garantir a segurança do paciente no período pós-infarto.

Apesar dos pontos favoráveis, observa-se a necessidade de novos estudos que apresentem maior padronização metodológica, especialmente quanto aos protocolos de intervenção, intensidade, duração e acompanhamento a longo prazo. Dessa forma, investigações futuras são fundamentais para aprofundar a compreensão dos efeitos dos exercícios fisioterapêuticos e contribuir para a otimização das estratégias de reabilitação em pacientes pós-infarto.

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