Teoria ecossocial x determinação social de saúde.
Ecosocial theory vs. social determination of health.
Paula Reis Oliveira[1]
Alex Sander Dias Machado
RESUMO
Este artigo tem por objetivo realizar um estudo comparativo entre as teorias Ecossocial e Determinação social de saúde por meio de autores Nogueira (2018), Arouca (1975) e Krieger (2001). Como metodologia utilizamos a análise da aula virtual no Classroom a fala do professor e os textos indicados. Como resultados, assumimos a determinação social de saúde como teoria suficiente para a atuação na área da saúde, principalmente na Medicina nos dias atuais.
Palavras chave: Determinação social de saúde; Medicina Promotiva; Teoria Ecossocial; Sistemas complexos.
ABSTRACT
Objective: This article aims to conduct a comparative study between the Ecosocial theory and the Social Determination of Health through the works of authors Nogueira (2018), Arouca (1975), and Krieger (2001). Methodology: As a methodology, we utilized an analysis of the virtual classroom on Google Classroom, the professor's lectures, and the assigned readings. Results: Our findings support the Social Determination of Health as a sufficient theory for practice in the healthcare field, particularly in Medicine today.
Keywords: Social determination of health; Promotive medicine; Ecosocial theory; Complex systems.
1. INTRODUÇÃO
Este artigo visa trazer reflexões acerca de uma comparação entre teorias Ecossocial e Determinação Social de Saúde, a partir da aula do professor Alex Sander Dias Machado em diálogo com o texto da Krieger (2001). Para o alcance do objetivo aqui proposto faremos um exercício de acompanhar o raciocínio do professor Alex ao longo da aula. Dessa forma, traremos um breve histórico da medicina curativa, preventiva e promotora (trazendo fragmentos das diretrizes para a formação médica) com o objetivo específico de alocar o que entendemos por uma “escolha” pela medicina promotiva e como esta dialoga com os as diretrizes para a formação médica e com a perspectiva de medicina que aparece nos documentos da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri; a partir deste posicionamento, apresentaremos os conceitos de saúde pública e saúde coletiva a partir da fala do professor. Por fim, traremos os três fundamentos teóricos da Abordagem Ecossocial e nossa posição argumentativa sobre essa teoria. Para esta produção assumimos, após ter assistido a aula e lido o artigo, entre outros materiais citados, que:
2. BREVE HISTÓRICO
As Diretrizes Curriculares Nacionais - DCNs exigem que as IES adaptem seus projetos pedagógicos às novas diretrizes, visando um cuidado centrado no paciente e na comunidade. Ao buscar sustentação no Projeto Pedagógico do curso de Medicina da UFVJM, alertando para o fato de que o projeto foi reestruturado em 2024 e as DNCNs são de 2025, encontramos, em grande medida, um posicionamento que podemos reconhecer mais próximo aos conceitos de promoção da saúde. Traremos a seguir o conceito de medicina curativa, preventiva e promotiva em um sentido lato, apresentado pelo professor em aula no ambiente Classroom.
Durante séculos a medicina curativa foi o modelo predominante, sua característica principal é se centrar no tratamento da doença já instalada e privilegia o paradigma biomédico da dimensão biológica e individual. A partir do século XX há um deslocamento do enfoque para a identificação de fatores de risco e para a antecipação do adoecimento. Já a medicina promotiva expande a compreensão para a renda, condições vida, de moradia, trabalho etc.
Para ampliar os termos acima, buscamos em Nogueira (2018), que ao revisitar a tese de Arouca, apresenta:
(...) em um primeiro momento, faz a crítica da medicina curativa, para, em um segundo momento, defender seu próprio projeto. A medicina curativa era uma prática médica que se esgotava no diagnóstico e na intervenção terapêutica, privilegiando a doença; a prevenção e a reabilitação eram secundárias. Ou seja, tratou de demonstrar a ineficiência dessa prática, devido ao enfoque médico predominantemente biológico, da especialização crescente da medicina e da desvinculação dos reais problemas de saúde da população (Nogueira, 2018, p. 993).
E, ainda:
Conforme Arouca, o campo teórico das conceituações a respeito da medicina preventiva definiu, pelas regularidades discursivas, três principais premissas da nova conduta: 1) enfoque no indivíduo e na família; 2) incorporação na prática diária do médico, independentemente de sua especialidade; e 3) nova atitude por parte do profissional médico (Nogueira, 2018, p. 993).
Sobre a medicina promotiva
A promoção da saúde deveria, então, dar conta de um conjunto de valores: solidariedade, equidade, democracia, cidadania, desenvolvimento, participação e ação conjunta. Daí decorrem as principais estratégias: políticas públicas saudáveis; ambientes favoráveis à saúde; reorientação dos serviços de saúde; reforço da ação comunitária; e desenvolvimento de habilidades pessoais. Além de seus conceitos estratégicos: os determinantes sociais da saúde, os fatores de risco e o empowerment (Nogueira, 2018, p. 998).
Embora não haja um marco rígido (espaço-temporal) entre esses três termos, podemos afirmar que ainda, mesmo representando um avanço, não podemos afirmar que há dentro da medicina promotiva ou de prevenção da saúde uma integração entre sistemas sociais e ecológicos. Dessa forma, há um diálogo entre a medicina promotora da saúde com as DCNs, com os documentos institucionais da UFVJM, mas o que se vê ainda são professores apresentando e alertando para práticas médicas mais consistentes e ecossistêmicas. Continuamos nosso percurso a fim de chegar ao cerne desse trabalho que é uma comparação entre teorias Ecossocial e Determinação Social de Saúde trazendo os termos saúde pública e saúde coletiva. (Professor Alex, videoaula, Classroom)
Por saúde pública entendemos que “é uma parte da sociedade que organiza para pensar o processo de saúde e doença coletiva, “todo o SUS” e, por saúde coletiva “é uma parte da sociedade e envolve todo o processo entre saúde, alimentação, escola, emprego e tem a ver com os determinantes sociais (...)”, “ tudo que for saúde e não for o SUS” (Professor Alex, videoaula, Classroom), que conclui, “a saúde coletiva extrapola a saúde pública”.
Para chegar em teoria ecossocial o professor propôs um percurso analítico chamando a atenção para um questionamento e cita Rita Barata (2012): “ Quais são as estratégias disponíveis para entendermos as desigualdades sociais em saúde?” (videoaula Professor Alex, Classroom, 37:46)
O professor refletiu, na videoaula, a partir de um fragmento da Minayo (2021) sobre o risco de não levarmos em consideração o poder da natureza, a criatividade e a autonomia do indivíduo e ainda alertou sobre a importância considerar as forças comunitárias, sociais e auto-organizadoras que interagem para a preservação do ambiente e da saúde dos indivíduos e da coletividade.
Daí, entramos no pensamento do sistema socioecológico, que segundo o professor são agrupamentos hierárquicos em múltiplas escalas que, obrigatoriamente, devem ser espaciais e temporais, que tendem a se organizar em círculos de retro-alimentação sociais e ecológicos e são complexos e adaptáveis e tem um contexto e uma fronteira espacial.(Professor Alex, videoaula, Classroom).
2.1 Comparação entre as Teorias Determinação Social de Saúde e Teorias Ecossocial
A teoria da Determinação Social da Saúde sustenta que o processo saúde-doença é determinado pelas estruturas sociais, especialmente pelas relações de produção, pelas desigualdades de classe, raça e gênero e pelas formas históricas de organização do trabalho.
Krieger (2001) apresenta três fundamentos teóricos para a abordagem ecossistêmica de saúde: psicossocial, produção social da doença/economia política da saúde e estruturas ecossociais emergentes e outras estruturas multiníveis. O primeiro fundamento teórico, estrutura psicossocial, “direciona a atenção para as respostas biológicas endógenas às interações humanas. Seu foco está nas respostas ao 'estresse' e nas pessoas estressadas que precisam de recursos psicossociais.” (Krieger, 2001). O segundo fundamento, produção social da doença/economia política da saúde, ‘dentro dessa tendência, as análises conceituais e empíricas iniciais concentram-se principalmente nas desigualdades de classe em saúde dentro e entre países.” E o terceiro, estruturas ecossociais emergentes e outras estruturas multiníveis, cujo objetivo não é uma teoria totalizante para explicar tudo (e, portanto, nada), mas sim gerar um conjunto de princípios integrais (e testáveis) úteis para orientar a investigação e a ação específicas(...)”
A nosso ver, a teoria ecossocial é uma abordagem que articula múltiplos níveis e amplia e integra sociedade, ambiente e corpo. Assim, nos apoiamos nesse contexto para defendê-la em detrimento da teoria da dimensão social de saúde. Sem querer diminuir a importância crítica, histórica e política da segunda teoria. Nossa argumentação em prol da teoria ecossocial se dá por reconhecê-la como uma visão biologizante, mas que entende que há uma incorporação das condições sociais e ecológicas, reconhecendo sua condição constitutiva e não apenas contextual ao compreender a saúde como processo histórico, social, ecológico e corporal simultaneamente. (Krieger 2001, videoaula do professor Alex Sander.
3. REFERÊNCIAS
Arouca SAS. O dilema preventivista: contribuição para a compreensão e crítica da medicina preventiva [tese]. Campinas: Universidade Estadual de Campinas; 1975. 261 p. 261.
Barata, Rita
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CES nº 3, de 20 de junho de 2014. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e dá outras providências. Brasília: MEC, 2014. Disponível em: portal.mec.gov.br. Acesso em: 26 de fev 2026.
KRIEGER N. A Glossary for social epidemiology. J. Epidemiology Community Health, n. 55, p. 693-700, 2001.
NOGUEIRA, Roberto Passos. Do dilema preventivista ao dilema promocionista: retomando a contribuição de Sérgio Arouca. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 42, n. 119, p. 524-536, out./dez. 2018. Disponível em: https://saudeemdebate.org.br/sed/article/view/543. Acesso em: 25 de fev 2026.
Minayo
UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI-UFVJM. Projeto Pedagógico do curso de Medicina. Diamantina. 2024. Disponível em: https://site.ufvjm.edu.br/famed/files/2021/08/Projeto-Pedag%C3%B3gico-do-Curso-PPC2024.pdf Acesso em: 25 de fev 2026.
Acadêmica de Medicina UFVJM. ↑