A música como instrumento lúdico no processo de ensino-aprendizagem.

Music as a playful tool in the teaching–learning process

Irene Maria dos Santos

RESUMO

O presente trabalho realiza um debate bibliográfico objetivando fomentar a importância da temática para o ensino na atualidade; fazendo parte de uma documentação indireta. Em relação ao método utilizado, empregou-se o indutivo onde parte-se do que já existem publicados a respeito do tema sobre a música como instrumento lúdico no processo de ensino-aprendizagem no período compreendido de fevereiro a outubro do corrente ano. Os artigos científicos foram pesquisados na internet no Google Acadêmico e nas bases de dados Scielo e Bireme. As músicas auxiliam nas constantes interações entre os seres humanos e em se tratando do ensino escolar, deveriam ser inseridas desde as primeiras etapas, visto que é benéfica para o desenvolvimento pedagógico, social, intelectual, podendo agir como suportes para trabalhar a autoconfiança, autoestima de crianças e jovens que na atualidade tem enfrentado muitas crises sejam elas, problemas relacionados à baixa autoestima, ansiedades, depressões e tantas adversidades cotidianas. Concluso dizer que favorece os indivíduos nos relacionamentos como um todo, assim como autonomias, expressas por meio da liberdade de expressão, protagonismos e criatividades.

Palavras-chave: Música. Instrumento lúdico. Ensino-aprendizagem.

ABSTRACT

The present study develops a bibliographic discussion aimed at highlighting the importance of this theme for contemporary education, constituting a form of indirect documentation. Regarding the methodological approach, an inductive method was employed, based on previously published studies on the topic of music as a playful tool in the teaching–learning process, covering the period from February to October of the current year. Scientific articles were retrieved from online sources, including Google Scholar, as well as the SciELO and BIREME databases. Music facilitates ongoing interactions among human beings and, in the context of formal education, should be incorporated from the earliest stages, given its benefits for pedagogical, social, and intellectual development. It may also serve as a supportive resource for fostering self-confidence and self-esteem among children and adolescents, who currently face numerous challenges, including low self-esteem, anxiety, depression, and various everyday adversities. It is concluded that music contributes positively to interpersonal relationships as a whole, as well as to the development of autonomy, expressed through freedom of expression, protagonism, and creativity.

Keywords: Music. Playful tool. Teaching–learning.

INTRODUÇÃO

O presente trabalho teve como finalidade refletir e argumentar ideias a respeito de músicas na escola como instrumento lúdico no processo de ensino-aprendizagem. A música estimula e influencia os seres humanos, corroborando de forma visível com a interação, auxiliando na socialização e desenvolvimento intelectual, a cognição, dentre vários benefícios. Por isso, Segundo Teca Brito (2003, p.17):

A música perfaz uma linguagem universal. Os sons que nos rodeiam são expressões da vida, da energia, do universo em movimento e indicam situações, ambientes, paisagens sonoras: o ser humano, a natureza, os animais traduzem sua presença, integrando-se aos elementos orgânicos e vivos do nosso planeta.

A música é importante para a integração dos seres humanos na vida escolar e pode-se dizer que estimula um harmonioso convívio social, ampliação da fala, respiração, autoestima e do próprio desenvolvimento cognitivo das pessoas envolvidas como um todo.

Portanto, o alicerce da pesquisa tem sua fomentação em perceber a música como algo prazeroso, na qual auxilia na ludicidade, como no desempenho dos discentes, ajudando a construir e produzir conhecimentos de forma mais agradável, permitindo com isso, contribuir de forma multidisciplinar, interdisciplinar no processo de ensino e aprendizagens.

Tendo como base os princípios apresentados, o objetivo desse estudo foi refletir e entender a importância da música como fato que motiva, envolve e desenvolve todos os aspectos dos seres humanos, seus contextos sociais, contribuindo assim para amplitude de vocabulários, socializações, explorarem as diversas e diferentes esferas dos alunos, bem como, melhorar entonações, dicções, facilitando o relaxamento psicológico, expressões corporais, promoções de gostos estéticos, percepções auditivas, dentre inúmeros benefícios que as músicas podem propiciar. Desse modo, a música inserida nos processos de ensino e aprendizagem vem para somar, propiciando bem-estar, raciocínio e concentração.

DESENVOLVIMENTO

A música por ser uma forma de linguagem abrangente, está presente na vida dos seres humanos desde o início das primeiras civilizações. Conforme registros históricos, na Grécia Clássica havia evidências de que orquestras e o ensino de música era uma exigência. Portanto, Segundo (PENNA, 1990):

existem diversas definições para música. Mas, de modo geral, ela é considerada ciência e arte, na medida em que as relações entre os elementos musicais são relações matemáticas e físicas; a arte manifesta-se pela escolha dos arranjos e combinações. (PENNA, 1990, p. 22):

A musicalização é uma ferramenta indispensável no desenvolvimento de toda e qualquer criança, pois influencia na coordenação motora, agilidade de raciocínio, concentração, o próprio respeito de si e dos demais, audição, comunicação e socialização, autodomínio emocional, dentre inúmeros benefícios que contribuem para a construção e constituição de cada ser. Por isso, a musicalização se destina a todos, porque auxilia no processo de ensino e aprendizagem de forma lúdica e prazerosa, além de favorecer nas diversas e divergentes habilidades. De acordo com (PENNA, 1990)

Musicalizar é ainda desenvolver os instrumentos de percepção necessários para que o indivíduo possa ser sensível a música, apreendê-la, recebendo o material sonoro/musical, como significativo. (PENNA, 1990).

As linguagens musicais são imensuráveis, sabe-se que tais conhecimentos, estão presentes antes mesmo do nascimento de uma pessoa. O universo sonoro é iniciado na barriga da mãe, nos constantes estímulos de sons produzidos pela voz da mamãe. Segundo Brito (2003):

Ao nascer à criança é cercada de sons e linguagem musical é favorável ao desenvolvimento das percepções sensório-motoras, dessa forma a sua aprendizagem se dá inicialmente através dos seus próprios sons (choro, grito, risada), sons de objetos e da natureza (chuva, vento), o que possibilita a criança descobrir que ela faz parte de um mundo cheio de vibrações sonoras. (BRITO, 2003)

Portanto, podemos dizer que o constante contato da criança com a música é inevitável, visto que é iniciado muito cedo.

De acordo com Brito (2003) as cantigas de ninar, as canções de roda, as lendas e todo tipo de jogo musical tem grande importância, pois é por meio das interações que se estabelecem os repertórios que permitirá as crianças comunicarem pelos sons. O RCNEI (Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil) afirma que a música é uma das formas importantes de expressão humana, o que por si justifica sua presença no contexto da educação. (BRASIL, 1998, p. 45).

Refletir a música no âmbito escolar é algo que deve ser pensado nos contextos para engajar os estudantes no recriar, como ferramenta facilitadora no processo de ensino e aprendizagem, fazendo com que traga um sentido maior para construção de um sujeito mais construtor, capaz de sair do abstrato para o concreto, compromissado com o impulsionar das ações. Uma pessoa motivada nessa multiplicidade de contextos multifacetados é capaz de transformar suas diversas realidades e ao mesmo tempo em que é moldado, vai aperfeiçoando as demais ações nos meios em que convivem. Nesse sentido, a “música é uma linguagem que possibilita ao ser humano a criar, expressar-se, conhecer e até mesmo transformar a realidade” (TAVARES, 2008).

Diante do exposto, se sabe que os discentes irão escolher músicas para ouvir de acordo com seus gêneros, gostos, no entanto, por existir uma grande variedade musical, devemos respeitar as particularidades levando em consideração a construção histórica e os contextos culturais. Para Snyders (1997, p. 62):

as variações do gosto não anulam as obras primas, mas fazem com que elas sejam ouvidas diferentemente segundo a época – é por isso que elas vivem: seu sentido permanece aberto, jamais está acabado, não se esgota jamais. (SNYDERS, 1997, p. 62).

Desse modo, compreende-se que os docentes devem ofertar diante de um acervo gigante de músicas, oportunidades de experimentar outras variedades de melodias de acordo com os objetivos almejados, pois sabemos que não se pode gostar do que não é conhecido, isso é um processo longo e constante. Por isso, o autor comenta que é possível ao professor ultrapassar sua vida cotidiana sem desprezá-la nem desaprová-lo. (SNYDERS, 1997, p. 211.)

A inserção de músicas em aulas diversas ou no âmbito escolar não objetiva formar músicos profissionais, para as educadoras musicais Hentschke e Del Ben (2003) as funções da música no contexto escolar são:

[…] auxiliar crianças, adolescentes e jovens no processo de apropriação, transmissão e criação de práticas músico-culturais como parte da construção de sua cidadania. O objetivo primeiro da educação musical é facilitar o acesso à multiplicidade de manifestações musicais da nossa cultura, bem como possibilitar a compreensão de manifestações musicais de culturas mais distantes. Além disso, o trabalho com música envolve a construção de identidades culturais de nossas crianças, adolescentes e jovens e o desenvolvimento de habilidades interpessoais. 

E nessa concepção de debates entre universos múltiplos e por vezes antagônicos que as expressões musicais inseridas no ambiente escolar devem ser dialogadas. Quando a criança chega à escola já traz ritmos, sons etc., que devem ser considerados no processo educativo. “As crianças devem ser dada a oportunidade de viver a Música” (PENNA, 1990, p. 105). E o autor continua a frisar que a música é um instrumento facilitador no processo de aprendizagem, pois o aluno aprende a ouvir de maneira ativa e refletida, já que quando for o exercício de sensibilidade para os sons, maior será a capacidade para o aluno desenvolver sua atenção e memória. (PENNA, 1990, p. 107).

Por isso, a importância da música como instrumento de desafios, diante dos mútuos e constantes aperfeiçoamentos que vem acontecendo na vida das pessoas e sociedade em geral, aprendizados que vá além dos muros da escola, que possam ser utilizados na vida, contribuindo para um local mais alegre, saudável dentro dessa dimensão pedagógica. O esforço e engajamento de todos são primordiais. As escolas devem caminhar de mãos dadas com as famílias reciprocamente.

A família é um elemento facilitador da educação musical, oportunizando as crianças situações em que elas possam ouvir música, como algo belo e gostoso. Entretanto, é na escola que geralmente a criança tem oportunidade de iniciar-se nessa atividade, de forma sistemática baseada num trabalho de criatividade. (JOLY, 2003).

De acordo com Tourinho (1996, p. 105):

Resta-nos pensar em formas de integrar, aproveitar e extrapolar as experiências musicais dos alunos seja elas vividas dentro ou fora das escolas. Todas estas experiências indicam capacidades, interesses e atitude que a escola, inevitavelmente abriga, mesmo que apenas para reconhecer o que faz ou o que pode fazer.

É conhecendo os hábitos musicais dos alunos, através da interação e exploração das experiências vivenciadas por eles, dentro ou fora da escola, é que se podem trabalhar as potencialidades de cada indivíduo, buscando o aperfeiçoamento e a maturidade musical (TOURINHO, 1996).

A afeição da música, bem como instruções e alfabetizações musicais, abrange não só o aprender música, mas as situações envolvidas, o corpo, emoções, experiências, o auditivo e toda apreciação e gostos por musicalidades ilimitados.

Segundo Bastian (2009) se compreende de uma vez por todas que uma educação musical expandida é uma garantia segura na profilaxia e metafilaxia da violência e da agressão entre crianças e jovens.

A música favorece melhores relacionamentos grupais, assim também contribui para auxiliar nas beneficências de tolerâncias, visto que convivemos em ambientes escolares de alunos extremamente agressivos e as violências têm trazido bastantes prejuízos para aproveitamentos escolares. Por isso ainda, se faz necessário cada vez mais atenção e sensibilidade a um desenvolvimento de pessoas com influências positivas, transformando sujeitos mais autônomos, seguros e capazes de expressar vontades próprias.

Todo o universo auditivo poderia se resumir que entre o ruído e o silêncio nasce o ritmo, pois ele está presente no mundo inorgânico e na vida. Indica uma espécie de ordenação, ainda que aleatória, do universo. O ritmo é o elemento mais essencial da música, determina seu movimento e sua participação e representa em última análise, o contraste entre o som e o silêncio. (JEANDOT, 1993)

Não se esquecendo do ritmo musical, que é uma atividade que favorece a respiração, a fala e coordenação do corpo. Por isso, constitui harmonia, movimentos que relaxam e consequentemente mesclados aos elementos sensoriais, afetivos, fisiológicos, trazem ao sujeito a noção de limites e contornos.

Conforme Vieira (2000): O som é uma onda invisível, que através da percepção toma-se esse invisível, respeitando a medida do tempo no tempo da medida e de suas direções. Sendo um fenômeno sonoro, a música só pode ser pensada, construída, descoberta, manipulada, refletida e representada com sons, pois é a presença concreta e assim se realiza.

Para cantar se faz necessário o saber ouvir, algo tão essencial e que está sendo cotidianamente um desafio em todas as escolas, pois o estudante do presente é um sujeito que por vezes falta o domínio desses aspectos: o ouvir e o falar, o sentir e expressar.

A música faz parte de uma educação e no Brasil foi aprovada a Lei nº 11.769/2008, que traz a obrigatoriedade da música na escola, que tanto contribui para o convívio social e a aprendizagem das crianças.

De acordo com Bastian (2009, p. 51):

quem iria duvidar de que a música é um guia competente nos diversos acessos ao terceiro milênio, em que muita coisa se abre, mas apenas uma está clara, e é mais provável que o improvável aconteça do que o provável. Se dá, pois, uma oportunidade à música, para que se possa também ter uma oportunidade, pois a música está no fim? Não, no fim, está a música!. (Bastian, 2009, p. 51)

O RCNEI (Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil) afirma que a música é: uma das formas importantes de expressão humana, o que por si só justifica sua presença no contexto da educação, de um modo geral. (BRASIL, 1998, p. 45).

Para (FREIRE, 1979, p. 87): “A Escola precisa se comprometer com a cidadania, formando seres humanos plenos e pensantes, que certamente terão maiores oportunidades na vida dos tempos modernos”.

Podemos pensar ainda que mesmo a música estando relacionada em sua maioria das vezes ao entretenimento, na escola ela deve objetivar assumir novas formas de conhecimentos, aproveitando o trabalho de ampliação do multidisciplinar e interdisciplinar. Não deve ser apenas vivenciada em atividades da disciplina de artes, Conforme (TOURINHO, 1996, p. 107) “A música não substitui o restante da educação, ela tem como função atingir o ser humano em sua totalidade”.

Não podemos pensar a educação de forma reducionista com a visão do ler e escrever apenas. Precisa-se de uma educação comprometida com uma vida de oportunidades em meio aos convívios tão desiguais. Formar cidadãos conscientes e comprometidos com os demais.

Muitas pesquisas atestam que manter o contato com músicas, estimulam os cérebros para aspirações de informações de forma mais eficazes.

CONCLUSÃO

A música é capaz de transformar pessoas a expressar sentimentos, desejos. Mostrar potencialidades que através das mesmas, somos capazes de descortinar o novo, externar sentimentos e emoções.

Pode-se assegurar que através das músicas as diversas e diferentes áreas dos conhecimentos podem ser motivadas, facilitando as relações consigo mesmo e com o mundo ao redor.

Enfim, compreende-se que, a música inserida no âmbito escolar, não só torna as aulas lúdicas e prazerosas, como potencializa um aprendizado mais eficiente e capaz de desenvolver no sujeito novas formas de compreender os diversos e diferentes mundos nos quais estão inseridos, fazendo com que possam ser mais bem aprimorados conhecimentos.

REFERÊNCIAS:

BASTIAN, H. G. Música na Escola: a contribuição do ensino da música no aprendizado e no convívio social da criança. São Paulo: Paulinas, 2009.

BRASIL. Lei n.º 11.769, de 18 de agosto de 2008, que Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, para dispor sobre a obrigatoriedade do ensino da música na educação básica.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação infantil: Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC – SEF, 1998. v.3.

BRASIL. Parâmetros curriculares nacionais- Arte: Ensino da quinta a oitava séries. Brasília, DF, 1998 a.

BRITO, Teca Alencar de. Música na educação infantil: proposta para a formação integral da criança. 2. ed. São Paulo: Petrópolis, 2003.

BRITO Teca Alencar de Almeida. Música na Educação Infantil. Editora Peirópolis, 2004.

FREIRE, Paulo. Educação e mudança. 28. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1975. ___________ Pedagogia social. 28. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. ___________ Pedagogia do Oprimido. 42. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

HENTSCHKE, Liane; DEL-BEN, Luciana. Aula de Música: Do planejamento e avaliação à prática Educativa. In: HENTSCHKE, Liane; DEL-BEN, Luciana (Org.). Ensino de música: propostas para agir e pensar. São Paulo: Moderna, 2003. p. 176 -189.

JEANDOT, Nicole. Explorando o universo da música. São Paulo, 1993.

JOLY, Ilza, Zenker, Leme, (2003). Educação e educação musical: conhecimentos para compreender a criança e suas relações com a música. In:____. HENTSCHKE, L; DEL BEN, L. Ensino de música: propostas para pensar e agir em sala de aula. São Paulo: Ed. Moderna.

PENNA, Maura. Reavaliações e buscas em musicalização. São Paulo: Loyola, 1990.

SNYDERS, Georges. A escola pode ensinar as alegrias da música? 3. ed. São Paulo: Cortez, 1997.

TAVARES, Isis Moura e CIT, Simone. Linguagem da música. Curitiba: Ibpex, 2008.

TOURINHO, I. Música: pesquisa e conhecimento. 2 ed. Porto Alegre: UFRGS, 1996.

VIEIRA, S. R. Cor, Som e Movimento: a expressão dramática no cotidiano da criança. Porto Alegre: Loyola, 2000.