The contribution of hospital psychopedagogy: a perspective focused on the education of hospitalized children and adolescents
Dayane Pires da Silva Soares[1] Estélio Silva Barbosa[2]
RESUMO: Este trabalho buscou o entendimento sobre a contribuição da psicopedagogia hospitalar: um olhar voltado para a educação da criança e do adolescente hospitalizados. Tem como objetivo geral ressignificar o ambiente de dor dos pacientes e, com isso, transformar o leito hospitalar em um espaço de resiliência e continuidade cognitiva. Como objetivos específicos: conceituar o campo da psicopedagogia hospitalar, apontar estratégias de ensino de forma a minimizar os prejuízos escolares durante o período de internação. Além disso, explicar como o psicopedagogo pode atuar neste ambiente, buscando assim refletir sobre o modo como a psicopedagogia é capaz de contribuir nesse contexto. Para tanto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica qualitativa, buscando então apresentar a psicopedagogia hospitalar como uma área de atuação abrangente e acolhedora, no sentido de mediar os aprendentes a melhor desenvolverem-se em período de internação, quando estão impossibilitados de frequentar o espaço escolar. A psicopedagogia hospitalar é sempre desenvolvida de forma interdisciplinar, a partir da participação de vários profissionais. A mediação psicopedagógica hospitalar ainda é um caminho a ser desbravado, pois poucos hospitais oferecem esse trabalho. Além disso, os que oferecem, em muitas situações, não apresentam condições adequadas para o desenvolvimento deste trabalho. Sendo assim, por meio de um olhar mais humanizado, o psicopedagogo pode ser capaz de entender, mediar e intervir, oferecendo ao aprendente hospitalizado melhores benefícios de saúde e, consequentemente, um reflexo positivo no seu processo de alta, resgate de autoestima, recuperação e retorno à rotina escolar.
Palavras-chave: Psicopedagogia hospitalar; Interdisciplinaridade; Humanização.
ABSTRACT: This work sought to understand the contribution of hospital psychopedagogy: a perspective focused on the education of hospitalized children and adolescents. Its general objective is to reframe the patients' pain environment and, thereby, transform the hospital bed into a space of resilience and cognitive continuity. As specific objectives: to conceptualize the field of hospital psychopedagogy, to identify teaching strategies in order to minimize school losses during the hospitalization period. Furthermore, to explain how the psychopedagogue can operate in this environment, thus reflecting on how psychopedagogy is capable of contributing in this context. To this end, a qualitative bibliographic research was conducted, aiming to present hospital psychopedagogy as a comprehensive and welcoming area of practice, in the sense of mediating learners to better develop during the hospitalization period, when they are unable to attend school. Hospital psychopedagogy is always developed in an interdisciplinary manner, with the participation of various professionals. Hospital psychopedagogical mediation is still a path to be explored, as few hospitals offer this service. Moreover, those that do offer it, in many situations, do not provide adequate conditions for the development of this work. Thus, thru a more humanized perspective, the psychopedagogue can be capable of understanding, mediating, and intervening, offering the hospitalized learner better health benefits and, consequently, a positive reflection in their discharge process, recovery of self-esteem, recovery, and return to the school routine.
Keywords: Hospital psychopedagogy; Interdisciplinarity; Humanization.
A hospitalização tanto da criança como do adolescente pode gerar impactos significativos em seu desenvolvimento emocional, social e educacional. O processo de afastamento da escola, de sua rotina, bem como do convívio social, pode acarretar prejuízos na construção de sua identidade. Diante disso, a psicopedagogia hospitalar surge como uma área de atuação que integra educação e saúde, buscando assim assegurar o direito à aprendizagem mesmo em quadro clínico de doença.
A psicopedagogia hospitalar atua de forma preventiva e interventiva, considerando o sujeito em sua totalidade, respeitando suas limitações físicas e emocionais. Sendo assim, este trabalho traz como tema central de discussão a contribuição da psicopedagogia hospitalar: um olhar voltado para a educação da criança e do adolescente hospitalizados. O problema está direcionado a estudar e aprofundar as questões relacionadas à contribuição do psicopedagogo no processo educativo da criança e do adolescente que estão hospitalizados.
O objetivo geral deste trabalho é ressignificar o ambiente de dor da criança e do adolescente e, com isso, transformar o leito hospitalar em um espaço de resiliência e continuidade cognitiva. Tem como objetivos específicos: conceituar o campo da psicopedagogia hospitalar, apontar estratégias de ensino de forma a minimizar os prejuízos escolares durante o período de internação e explicar como o psicopedagogo pode atuar neste ambiente.
Esta pesquisa caracteriza-se como um estudo de abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica, que busca compreender e analisar a atuação da psicopedagogia hospitalar no processo educativo da criança e do adolescente em contexto de internação hospitalar.
A contribuição deste estudo está direcionada para o esclarecimento de uma internação mais humanizada, em que os profissionais possam atuar com uma visão holística de forma humana, respeitosa e empática com pacientes e familiares, em busca de um tratamento adequado.
A psicopedagogia é um ramo da educação que proporciona à criança e ao adolescente hospitalizado uma recuperação mais aliviada por meio de atividades lúdicas, pedagógicas e recreativas e tem como objeto de estudo a aprendizagem.
Muitas crianças e adolescentes são acometidos de alguma enfermidade; algumas têm o privilégio de voltar para casa e outras não. A enfermidade, por sua vez, afeta a interação da criança com o ambiente, seja ele físico ou social.
Para Maluf (2007), a psicopedagogia hospitalar atua com avaliações e intervenções no contexto de saúde, considerando o processo de aprendizagem, o desenvolvimento e o uso de competências físicas, mentais e emocionais, e deve levar em conta atividades diferenciadas. Poderá então interagir com equipes multidisciplinares, colaborando assim com outros profissionais, elaborar diagnósticos das condições de aprendizagem dos sujeitos que estão internados, adaptando assim os recursos psicopedagógicos para o contexto da saúde. Também poderá elaborar programas terapêuticos que estejam voltados para o processo de ensino e aprendizagem para os que precisam, ou seja, por razões de saúde.
A Psicopedagogia é gestada pelo trabalho de profissionais de diversas áreas do conhecimento: educadores, médicos, psicólogos, sociólogos e linguistas, para ir em busca de compreender e mediar os processos de aprendizagem, seja ele no seu estado típico ou atípico. Portanto, é a peça-chave para a prática hospitalar, em que terá o acompanhamento educacional.
A psicopedagogia é um campo interdisciplinar que articula conhecimentos da psicologia, pedagogia, psicanálise e neurociência, com foco nos processos de aprendizagem (BOSSA, 2011). No cenário hospitalar, essa atuação é ampliada ao serem consideradas as particularidades do ambiente de saúde e o impacto do adoecimento no aprender.
Segundo Fonseca (2008), a aprendizagem está diretamente relacionada às experiências emocionais do sujeito. No hospital, sentimentos como medo, ansiedade e insegurança podem interferir de forma negativa no desempenho cognitivo do sujeito. Com isso, a psicopedagogia hospitalar busca criar estratégias lúdicas e pedagógicas que promovam a aprendizagem de forma significativa e humanizada.
Segundo as diretrizes da formação do psicopedagogo, faz-se necessário que este profissional esteja em constante aprimoramento, para que possa ter autoridade legítima para atuar e exercer com autonomia tal ofício. Devendo então atuar ao lado de uma equipe de apoio que seja multidisciplinar, o que deverá dar suporte aos pacientes e suas famílias e ajudar tanto no diagnóstico quanto na intervenção de crianças com dificuldades de aprendizagem, proporcionando assim o bem-estar da criança e do adolescente hospitalizados.
Por se tratar de um momento de vulnerabilidade emocional e privação do convívio escolar, é importante que o psicopedagogo busque estratégias diversas de acordo com a necessidade de cada sujeito e trabalhe os conteúdos com atividades lúdicas. A diversidade de materiais visa à necessidade de adequação do espaço da brincadeira, contribuindo assim para o desenvolvimento cognitivo, físico, emocional, social e moral, sem perder a característica da brincadeira como ação espontânea da criança. A criança vai crescendo e recebendo a influência das culturas: família, escola etc. É necessário, e não será prejudicada a sua escolarização. Segundo Friedmann (2012, p. 17):
As crianças crescem em universos “multiculturais’’ recebendo a influência das mais diversas culturas: a familiar (de pai, mãe ou outros adultos responsáveis por elas); a da comunidade, na qual estão inseridas; a praticada na escola e a cultura global (transmitida pela mídia). Todo esse “caldo” reflete-se nas brincadeiras, em que as crianças mesclam esse riquíssimo universo lúdico.
A brincadeira é o exercício físico mais completo de todos; é por meio do brincar que os conhecimentos vão sendo ampliados sobre si, sobre o mundo e sobre o meio em que se vive. Ao brincar, o sujeito exercita muitas habilidades que envolvem o raciocínio, a linguagem, a criatividade, a autoconfiança e a autoestima. Sendo assim, a atuação do psicopedagogo é fundamental para que o aprendente continue desenvolvendo competências e habilidades por meio de jogos e brincadeiras que estimulem sua evolução face às suas dificuldades, respeitando as particularidades de sua enfermidade, sem prejudicar o tratamento médico.
Desse modo, seria muito interessante um espaço para a prática psicopedagógica, como uma brinquedoteca no hospital, promovendo assim diversos estímulos, tanto para a criança como para o adolescente, que ajudará no seu desenvolvimento como aprendente no ambiente hospitalar.
De acordo com o autor Cunha (2001, p. 17):
A brinquedoteca é um espaço preparado para estimular a criança a brincar, possibilitando o acesso a uma grande variedade de brinquedos, dentro de um ambiente especialmente lúdico. É um lugar onde tudo convida a explorar, a sentir, a experimentar.
O ambiente hospitalar exige que o aprendizado seja ressignificado através do prazer. Sobre o papel do jogo nesse processo, Kishimoto (2010, p. 106), destaca:
O brinquedo coloca a criança em presença de reproduções de tudo o que existe no cotidiano, da natureza e da cultura, permitindo-lhe o acesso a esses domínios sob forma de atividades de manipulação e de jogo.
Essa manipulação mencionada pela autora é o que Torres (2022) define como o suporte necessário para que o paciente não perca seu vínculo com a realidade externa e com seu próprio desenvolvimento cognitivo durante a internação.
É sempre importante rever as práticas educativas, que muitas vezes limitam a criatividade, autonomia e participação da criança e do adolescente, que são fundamentais para o desenvolvimento deles. O psicopedagogo deve considerar as necessidades do seu aprendente, o seu conhecimento e sua vivência antes de estar no ambiente hospitalar. Isso é necessário para alcançar o objetivo, que é saber de fato qual a sua dificuldade e, com isso, elaborar um planejamento adaptado à criança ou ao adolescente.
Portanto, com a intervenção do psicopedagogo, oportunizando, sem tensões e em espaços positivos de aprendizagem, a criança ou o adolescente aprende adequadamente o conhecimento. Para isso, é preciso romper com os modelos estabelecidos e trabalhar de forma a manter a sua autoestima, fazendo-as esquecer a dor e o sofrimento da hospitalização.
Nesse contexto, é de suma importância trabalhar o lado afetivo do paciente com o intuito de romper com as barreiras do medo, da desconfiança e da insegurança. Vejamos o que diz o seguinte autor:
O atendimento pedagógico-hospitalar não deve ser visto apenas como uma reposição de conteúdos escolares, mas como um processo de humanização que visa a manutenção do desenvolvimento cognitivo e emocional, minimizando os efeitos traumáticos do isolamento social e da ruptura do cotidiano infantil (CASTRO, 2018, p. 52).
Tanto a criança como o adolescente que se encontram hospitalizados não seguem uma rotina que é comum na infância, como ir para a escola, brincar ou sair com os amigos. A realidade é bem diferente, pois, estando internados, recebem soros na veia, exames, curativos, remédios, cirurgias e assim por diante. Esses sofrimentos e essas emoções de sentimentos que são vivenciados por essas crianças nada mais são do que um processo de autodefesa às ameaças que vivem, pois a qualquer momento podem vir a óbito.
Para promover um aprendizado significativo, faz-se necessária a capacitação do psicopedagogo, aliada a uma equipe multidisciplinar, oferecendo estratégias pedagógicas condizentes com a singularidade de cada aluno. Sobre o pilar da inclusão, Acampora (2019) afirma:
A inclusão, sob a ótica da psicopedagogia hospitalar, define-se pelo compromisso de garantir que a condição de enfermidade não se torne uma barreira para o desenvolvimento cognitivo e social. Incluir, nesse cenário, significa adaptar estratégias para que o sujeito hospitalizado sinta-se pertencente a um processo de aprendizagem que respeita sua fragilidade, mas aposta em sua potência. (ACAMPORA, 2019, p. 42).
Sendo assim, é necessário ter alguns cuidados, bem como atender à necessidade particular de cada um, respeitando sempre o ritmo e as limitações do seu desenvolvimento e comprometimento físico. E, para que isso ocorra, é necessário ter o conhecimento das teorias aplicadas ao ambiente hospitalar, tornando assim a aprendizagem eficaz.
Para alguns especialistas da área, a percepção que o profissional deve ter em relação ao paciente é de vital importância para fortalecer a autoestima dele, pois a partir daí é possível um avanço no processo de tratamento do indivíduo. Observemos o que diz a autora abaixo:
O psicopedagogo no contexto hospitalar não atua apenas na remediação de conteúdos escolares, mas na mediação entre o sujeito e sua nova realidade de adoecimento. Através de intervenções lúdicas e da escuta clínica, busca-se a ressignificação do aprender, transformando o leito hospitalar em um espaço de vida, criatividade e continuidade do desenvolvimento cognitivo e emocional. (ACAMPORA, 2019, p. 58).
Como já foi mencionado, quem está hospitalizado passa por um processo de fragilização, insegurança, medo, desconforto e muita dor, tanto a emocional como também a dor física. Para que esses sentimentos sejam amenizados, é importante que os pacientes encontrem um ambiente humanizado, acolhedor e com a presença de um psicopedagogo para apoiá-lo no aspecto afetivo, gerando uma interação com o meio e com o outro.
2.2 HUMANIZAÇÃO: UM OLHAR PSICOPEDAGÓGICO NO AMBIENTE
A humanização no contexto hospitalar envolve reconhecer o paciente como sujeito de direitos, respeitando suas particularidades e necessidades biopsicossociais. De acordo com Buss et al. (2019), humanizar não se limita a ações técnicas, mas engloba interação afetiva, empatia, escuta ativa e respeito às particularidades de cada indivíduo.
No âmbito educacional, Piccinini e Teixeira (2020) destacam que a humanização permite que crianças e adolescentes mantenham a sua identidade e continuidade do desenvolvimento, mesmo em situações de vulnerabilidade, como a hospitalização. Portanto, o afastamento da rotina escolar e o sofrimento decorrente da doença podem afetar o aprendizado e a autoestima, tornando essencial o papel do psicopedagogo hospitalar.
A humanização não significa um olhar de piedade, mas sim um agir com sensibilidade e compreensão, promovendo o protagonismo do paciente (Leão et al., 2021). Sendo assim, faz se necessário reconhecer o outro em sua integralidade, considerando aspectos cognitivos, emocionais e sociais, implementando, então, práticas psicopedagógicas que favoreçam sua autonomia e resiliência.
Uma analogia sobre a essência do ser humano reforça a visão, a saber, mais do que componentes físicos, o humano em si possui memória, vontade própria, sabedoria, sentimentos e crenças culturais. Esses elementos são fundamentais para favorecer a construção da identidade e significados, evidenciando com isso que a humanização deve integrar relações, cuidado e educação (Fonseca e Silva, 2022). Destacam ainda que o psicopedagogo deve planejar estratégias adaptadas, respeitando a individualidade do paciente e promovendo a continuidade do aprendizado durante a internação.
Portanto, a humanização hospitalar, sob a perspectiva psicopedagógica, exige compromisso ético, sensibilidade, integração multiprofissional e práticas educativas centradas no aprendente, garantindo o desenvolvimento integral e o bem-estar da criança e do adolescente hospitalizados.
A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica, que tem como objetivo compreender e analisar a atuação da psicopedagogia hospitalar no processo educativo da criança e do adolescente em contexto de internação hospitalar.
Nesse sentido, tal abordagem mostra-se adequada para investigar as práticas psicopedagógicas no ambiente hospitalar, considerando então três dimensões: humanas, educacionais e emocionais. Esta busca compreender as experiências, percepções e práticas relacionadas à atuação da psicopedagogia no contexto hospitalar.
Para tanto, a abordagem qualitativa permite analisar fenômenos sociais e educacionais, considerando os significados atribuídos pelos sujeitos envolvidos no processo, favorecendo uma compreensão mais aprofundada da realidade estudada, conforme discutido por Favoretto (2023).
Esse tipo de investigação possibilita analisar as práticas educativas desenvolvidas com crianças e adolescentes hospitalizados, bem como compreender a importância do acompanhamento psicopedagógico durante o período de internação.
Conforme Gil (2019, p. 45), mostrou-se eficiente para compreender o estado da arte da área, permitindo identificar tendências, lacunas e perspectivas futuras. A literatura enfatiza que a formação específica dos psicopedagogos hospitalares é um ponto crítico, já que a atuação exige conhecimentos pedagógicos e clínicos integrados, além de habilidades para lidar com a vulnerabilidade emocional dos pacientes.
A pesquisa bibliográfica consiste no levantamento e análise de produções teóricas que já foram publicadas, como livros, artigos científicos, dissertações, teses e documentos oficiais, conforme define Gil (2019). Para o desenvolvimento deste estudo, foram selecionadas obras de autores consagrados na área da Psicopedagogia e da Educação Hospitalar. Entre eles estão Bossa (2000), Porto (2007), Fonseca (1995), Motta e Enumo (2004) e Ceccim (1997), que discutem sobre a aprendizagem no que se refere ao ambiente hospitalar.
Os critérios de seleção das obras incluíram: relevância teórica, contribuição para a compreensão da psicopedagogia hospitalar, atualidade das publicações e reconhecimento acadêmico dos autores. O material coletado foi analisado por meio de leitura exploratória, seletiva e interpretativa. Isso possibilitou a identificação de categorias temáticas relacionadas à atuação do psicopedagogo no ambiente hospitalar, às práticas pedagógicas que são desenvolvidas, bem como os impactos no processo de educação durante o período de hospitalização.
Partindo para os procedimentos desta pesquisa, a metodologia adotada permitiu uma reflexão crítica e fundamentada sobre a importância da Psicopedagogia Hospitalar como prática educativa e humanizadora no cuidado da criança e do adolescente hospitalizados.
Sendo assim, esta classifica-se como bibliográfica do tipo revisão integrativa de literatura e sistemática, que envolve um processo de análise crítica para a conclusão de um tema particular que inclui seis etapas: identificação do tema e seleção da questão de pesquisa, estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão de estudos e busca na literatura, categorização dos dados, avaliação dos estudos incluídos na revisão, interpretação dos resultados e apresentação da revisão/síntese do conhecimento.
A partir daí, deu-se a busca dos artigos nos seguintes portais:
filtros, foram obtidos 69 resultados de artigos para pesquisa. Com a aplicação de filtros, como o Brasil, foram encontrados 18 artigos em português, mas esse número caiu para 14. Após selecionar artigos de revisão, sobraram 13, mas, após a triagem e análise dos resumos, 68 foram excluídos, restando apenas 1 artigo. Ao pesquisar os termos “psicopedagogia” AND “hospital”, o resultado foi apenas 1 artigo, que foi mantido para a pesquisa.
e adolescentes no hospital, resultando em 11 achados. Com filtros ativos (português, texto completo=1), apenas 1 resultado foi selecionado para a pesquisa. Ainda no portal LILACS, ao pesquisar sobre hospital e lúdico, foram encontrados 81 resultados, com o filtro ativo de texto completo, em português, dos últimos 5 anos e relacionados à hospitalização, resultando em 2 selecionados. No total, foram 5 selecionados para a pesquisa:
Os critérios de inclusão dos artigos se deram da seguinte forma: psicopedagogia, criança e adolescente no hospital, lúdico. Já na exclusão foram considerados os artigos escritos, como língua portuguesa, e que também não se relacionassem à temática investigada. É importante salientar que não foram encontrados artigos de acordo com o tema: a contribuição da psicopedagogia hospitalar: um olhar voltado para a educação da criança e do adolescente hospitalizados.
A análise bibliográfica realizada revelou que a atuação da psicopedagogia hospitalar é essencial para garantir a continuidade do processo de aprendizagem e também para minimizar os impactos da hospitalização sobre crianças e adolescentes em idade escolar. Com base nos estudos analisados, observou-se que a produção científica sobre o tema ainda é limitada, evidenciando lacunas no desenvolvimento de métodos pedagógicos padronizados para ambientes hospitalares (FAVORETTO, 2023, p. 5).
Conforme destacam Borges da Costa e Barcelos Nascimento (2025), a atuação desse profissional vai além do suporte educativo, configurando-se como uma estratégia de manutenção do vínculo afetivo e cognitivo do indivíduo com a sua rotina escolar.
Os dados corroboram a perspectiva de que a flexibilização curricular e a adaptação de materiais são ferramentas essenciais para reduzir o abismo pedagógico causado pelo afastamento da sala de aula. Assim, a psicopedagogia hospitalar não apenas previne o atraso acadêmico, mas atua como um agente de humanização que resgata a identidade de "estudante" do sujeito, contrapondo-se à passividade da condição de "enfermo" e facilitando sua futura reintegração ao ensino regular.
A literatura enfatiza que a formação específica dos psicopedagogos hospitalares é um ponto crítico, já que a atuação exige conhecimentos pedagógicos e clínicos integrados, além de habilidades para lidar com a vulnerabilidade emocional dos pacientes.
A mediação psicopedagógica de fato é considerada uma ferramenta primordial para reabilitar crianças e adolescentes ao ambiente natural de aprendizagem, possibilitando assim a oferta de atividades que sejam capazes de direcionar suas energias e o desejo de aprender. Uma intermediação de excelente nível tem o poder para ajudar a desenvolver as capacidades cognitivas, além da autoestima, que, por motivos de infortúnios, dentre eles estar hospitalizado, faz com que ela seja reduzida, o que acarreta em complicações escolares e sociais.
A atividade que é praticada pela psicopedagogia hospitalar é de primordial importância e, pontualmente, um conjunto; não se realiza uma mediação de níveis satisfatórios sem a pujança de uma equipe de apoio, um trabalho que foi se adaptando às exigências interdisciplinares da atualidade.
A problemática do trabalho consiste em estudar e aprofundar as questões relacionadas à contribuição do psicopedagogo no processo educativo da criança e do adolescente que estão hospitalizados.
A análise dos estudos evidencia que a atuação psicopedagógica no hospital contribui significativamente para a manutenção do vínculo do aluno com o processo educacional. As intervenções dela auxiliam na redução do atraso escolar, promovem a autoestima e favorecem a expressão emocional do paciente. Além disso, os resultados indicam que o trabalho psicopedagógico no hospital não se limita ao conteúdo escolar, mas envolve o acolhimento, a escuta sensível e a adaptação das atividades às condições clínicas do aluno. Esta atuação contribui para a humanização do atendimento hospitalar, para a ressignificação da experiência de adoecimento. Diante do exposto, vejamos:
Recursos usados como a disponibilização de atividade complementar e assistência médica são utilizados através da psicopedagogia hospitalar, servindo de apoio psicopedagógico institucional, essa junção de medicina e psicopedagogia irá possibilitar o desenvolvimento de habilidades cognitivas e socioemocionais do paciente, além da melhora no quadro clínico, tendo um reflexo positivo na vida escolar e socioeducativa do sujeito (DOS REIS; EUGÊNIO, 2025, p. 4)
Em síntese, a combinação da análise qualitativa da literatura e das contribuições teóricas dos autores que foram estudados demonstra que a psicopedagogia hospitalar desempenha papel essencial na manutenção tanto da aprendizagem como na humanização do atendimento e no fortalecimento das estratégias educativas em hospitais. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de novas pesquisas.
A psicopedagogia hospitalar é essencial para garantir a continuidade do processo de aprendizagem de crianças e adolescentes internados, promovendo assim o desenvolvimento cognitivo e emocional durante o período de hospitalização. O acompanhamento psicopedagógico contribui para reduzir o impacto da ausência escolar, mantendo a rotina educativa e fortalecendo a autoestima e a motivação dos pacientes.
A atuação do psicopedagogo hospitalar deve ser planejada de forma individualizada, sempre levando em consideração as necessidades específicas de cada indivíduo, como suas condições de saúde, o contexto familiar e o social. Agindo então com destreza e respeito ao quadro em que o paciente se encontra, também é preciso considerar as condições em que esse paciente foi hospitalizado, qual foi o motivo da internação, entre outros aspectos.
A interdisciplinaridade é um elemento fundamental, pois permite integrar todas as ações com cuidados médicos e psicológicos, tornando o atendimento mais completo e eficaz. Além disso, observa-se que a psicopedagogia hospitalar exige planejamento, criatividade e adaptação contínua. As atividades educativas devem ser flexíveis e lúdicas, favorecendo a aprendizagem mesmo em condições de fragilidade, seja ela física ou emocional.
O trabalho do psicopedagogo nesse ambiente não se limita apenas à transmissão de conteúdos escolares, mas envolve o desenvolvimento de estratégias que promovam a autonomia, a participação e o interesse do aprendente.
A formação especializada e a capacitação contínua dos profissionais são essenciais para lidar com a complexidade do ambiente hospitalar. A integração com a equipe multiprofissional e o diálogo constante com familiares contribuem significativamente para o sucesso das intervenções pedagógicas, tornando assim o processo educativo mais humano, acolhedor e eficaz.
Em síntese, a psicopedagogia hospitalar desempenha um papel estratégico de estudo e
aprofundamento da contribuição do psicopedagogo no processo educativo, o que é de suma importância na educação inclusiva e na humanização do atendimento em hospitais. A continuidade das pesquisas e a implementação de práticas psicoeducacionais estruturadas são fundamentais para ampliar o alcance e a efetividade do trabalho psicopedagógico, garantindo que a hospitalização não interrompa o desenvolvimento educacional, ressignificando assim o ambiente de dor da criança e do adolescente, buscando transformar o leito hospitalar em um espaço de resiliência e continuidade cognitiva.
É importante ressaltar que a mediação psicopedagógica hospitalar ainda é um caminho a ser desbravado, pois poucos hospitais oferecem esse tipo de trabalho. Assim como muitas das profissões, a mesma tem as suas dificuldades em ter uma instituição hospitalar para trabalhar as práticas dos psicopedagogos e, mesmo tendo a instituição disponível, muitas encontram-se sem material ou até mesmo sem espaço adequado para o exercício da referida mediação.
Por isso, ressalta-se a importância de investimentos em políticas públicas, na formação de profissionais capacitados para essa área de atuação. Eles devem ter um olhar mais humanizado, sendo capazes de entender, mediar e intervir. Assim, oferecem à criança e ao adolescente hospitalizados melhores benefícios e resultados positivos.
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Graduada em pedagogia, acadêmica no Curso de Especialização em Psicopedagogia Clínica, Institucional e Hospitalar da Faculdade de Ensino Superior do Piauí – FAESPI. E-mail: dayms08@hotmail.com Currículo Lates: http://lattes.cnpq.br/6549656673223459 , Orcid: https://orcid.org/0009-0004-8521-8371 Contato - (86) 9 8858 – 3714. ↑
Mestre em Educação. Doutor em Educação. Doutor em Gestão. Doutor Honoris Causa. Pós doutor em Humanidade – Unilogos – Flórida- EUA. Professor da disciplina de Metodologia Científica e Orientador do Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, do Curso de Especialização em Psicopedagogia Clínica da
Faculdade de Ensino Superior do Piauí - FAESPI. esteliobarbosasilva@gmail.com / Contato- (86) 999747965 / Endereço do currículo lates no CNPQ: https://lattes.cnpq.br/9917115701695838 / https://orcid.org/0000-0002-3769-628. ↑