A intervenção psicopedagógica na dificuldade da aprendizagem

Psychopedagogical intervention in learning difficulties

Maria Cristiane Moraes de Sousa[1]

Estélio Silva Barbosa[2]

RESUMO:

O artigo aborda as dificuldades de aprendizagem no contexto educacional, enfatizando a relevância da intervenção psicopedagógica como suporte ao processo de ensino e aprendizagem. A temática é discutida a partir da necessidade de compreender os fatores que interferem no desempenho escolar dos estudantes. O objetivo geral do estudo é analisar a contribuição da intervenção psicopedagógica no enfrentamento das dificuldades de aprendizagem, destacando seu papel na identificação, prevenção e superação desses obstáculos no ambiente escolar. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico e exploratório, fundamentada em produções científicas que discutem a atuação psicopedagógica e suas estratégias interventivas. Os resultados e discussões indicam que a intervenção psicopedagógica contribui significativamente para a compreensão das dificuldades de aprendizagem, possibilitando práticas pedagógicas mais inclusivas e adequadas às necessidades dos alunos. Conclui-se que a atuação psicopedagógica é essencial para promover uma aprendizagem significativa, fortalecer o trabalho docente e favorecer o desenvolvimento integral do estudante.

Palavras-chave: intervenção psicopedagógica; dificuldades de aprendizagem; processo de ensino-aprendizagem; inclusão educacional.

ABSTRACT:

This article addresses learning difficulties in the educational context, emphasizing the relevance of psychopedagogical intervention as support for the teaching and learning process. The topic is discussed from the perspective of the need to understand the factors that interfere with students' academic performance. The overall objective of the study is to analyze the contribution of psychopedagogical intervention in addressing learning difficulties, highlighting its role in identifying, preventing, and overcoming these obstacles in the school environment. Methodologically, this is a qualitative, bibliographic, and exploratory research study, based on scientific publications that discuss psychopedagogical practice and its intervention strategies. The results and discussions indicate that psychopedagogical intervention contributes significantly to the understanding of learning difficulties, enabling more inclusive and appropriate pedagogical practices to meet the needs of students. It is concluded that psychopedagogical intervention is essential to promote meaningful learning, strengthen teaching work, and foster the student's integral development.

Keywords: psychopedagogical intervention; learning difficulties; teaching-learning process; educational inclusion.

INTRODUÇÃO

A intervenção psicopedagógica exerce um papel fundamental na identificação e compreensão das dificuldades de aprendizagem, uma vez que busca analisar o estudante em sua totalidade, considerando aspectos cognitivos, emocionais, sociais e pedagógicos que influenciam seu processo de aprendizagem. Por meio de avaliações, observações e instrumentos específicos, o psicopedagogo investiga as causas das dificuldades, diferenciando se elas decorrem de fatores internos, como questões neurológicas ou emocionais, ou externos, como práticas pedagógicas inadequadas e contextos familiares desfavoráveis. Essa análise permite traçar um plano de intervenção que considere a singularidade do sujeito, promovendo maior consciência sobre suas potencialidades e fragilidades.

Segundo Bossa (2023), a psicopedagogia busca compreender o sujeito em seu modo singular de aprender, considerando aspectos internos e externos que influenciam esse percurso. Essa perspectiva reforça a importância de investigações que permitam identificar obstáculos, promover estratégias específicas e favorecer o desenvolvimento de competências essenciais ao processo de aprendizagem. Diante disso, a intervenção psicopedagógica assume papel indispensável ao oferecer uma mediação qualificada entre sujeito, conhecimento e ambiente educativo.

Para Scoz (2013), a intervenção psicopedagógica é fundamental para compreender e intervir nas dificuldades de aprendizagem, pois considera o estudante em sua totalidade, observando fatores cognitivos, emocionais e sociais que influenciam seu modo de aprender. Por meio de avaliações e estratégias específicas, o psicopedagogo identifica os obstáculos e propõe caminhos que favorecem a construção de uma aprendizagem mais significativa.

Além de contribuir para a identificação das causas das dificuldades, a intervenção psicopedagógica atua no desenvolvimento de estratégias individualizadas que fortalecem a autonomia e o vínculo do aprendiz com o conhecimento. Conforme Weiss (2020), a intervenção psicopedagógica propicia condições para que o sujeito ressignifique sua relação com a aprendizagem, reconstruindo caminhos possíveis para o saber.

Nesse contexto, emerge a seguinte pergunta problema: de que maneira a intervenção psicopedagógica contribui para a compreensão e superação das dificuldades de aprendizagem? Seguindo esse pensamento, o objetivo geral deste estudo consiste em analisar a atuação da intervenção psicopedagógica no enfrentamento das dificuldades de aprendizagem, considerando seus métodos, contribuições e impactos no processo educativo. Para enriquecimento deste artigo, ainda contamos com os seguintes objetivos específicos: identificar os principais fatores cognitivos, emocionais e pedagógicos associados às dificuldades de aprendizagem apresentadas pelos estudantes, analisar as estratégias de psicopedagógica utilizadas no processo de superação das dificuldades de aprendizagem no contexto escolar; e avaliar os efeitos da intervenção psicopedagógica no desenvolvimento do desempenho escolar e na autonomia do estudante.

A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza qualitativa, com enfoque bibliográfico e exploratório. Optou-se por essa abordagem por possibilitar a compreensão aprofundada de fenômenos complexos relacionados à intervenção psicopedagógica no enfrentamento das dificuldades de aprendizagem, respeitando a multiplicidade de fatores cognitivos, emocionais, sociais e pedagógicos envolvidos nesse processo. A pesquisa bibliográfica fundamenta-se na análise de livros, artigos científicos, legislações e produções acadêmicas pertinentes à psicopedagogia, à educação inclusiva e às dificuldades de aprendizagem, permitindo a construção de uma base teórica consistente para a discussão sobre as contribuições e impactos da intervenção psicopedagógica no contexto educacional.

A realização deste trabalho se justifica pela crescente demanda por práticas educativas eficazes e humanizadas, capazes de responder aos desafios contemporâneos da educação e de promover o desenvolvimento integral dos estudantes que enfrentam barreiras em seu percurso de aprendizagem.

REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 PSICOPEDAGOGIA: CONCEITOS, FUNDAMENTOS E CAMPO DE ATUAÇÃO

A Psicopedagogia é um campo de conhecimento interdisciplinar que se dedica ao estudo do processo de aprendizagem humana, considerando os aspectos cognitivos, afetivos, sociais e pedagógicos envolvidos nesse percurso. Seu foco está na compreensão de como o sujeito aprende, de que maneira constrói o conhecimento e quais fatores podem interferir nesse processo. Dessa forma, a Psicopedagogia amplia o olhar sobre as dificuldades de aprendizagem, superando explicações simplistas e reconhecendo a complexidade do fenômeno educativo.

Nesse contexto, Bossa (2011) define a Psicopedagogia como a área responsável por investigar o aprender e o não aprender, analisando a relação do sujeito com o conhecimento e com os diferentes ambientes em que está inserido. Para a autora, compreender a aprendizagem exige considerar a história de vida do indivíduo, seus vínculos afetivos e as condições institucionais que podem favorecer ou dificultar o processo educativo.

A origem da Psicopedagogia está relacionada à necessidade de compreender problemas de aprendizagem que não eram explicados apenas por fatores pedagógicos ou biológicos. Ao longo do século XX, especialmente a partir do diálogo entre a Psicologia, a Pedagogia, a Psicanálise e a Neurologia, consolidou-se uma abordagem mais ampla e integrada sobre as dificuldades de aprendizagem. Esse movimento histórico contribuiu para a construção da Psicopedagogia como área de estudo e atuação profissional.

De acordo com Weiss (2014), a Psicopedagogia surgiu inicialmente na Europa e na América Latina, sendo incorporada ao contexto brasileiro a partir da década de 1970. A autora destaca que sua evolução histórica foi marcada pela superação de modelos medicalizantes, passando a considerar fatores emocionais, sociais e institucionais como elementos fundamentais para a compreensão das dificuldades de aprendizagem.

Os fundamentos da Psicopedagogia estão ancorados em uma perspectiva interdisciplinar que integra conhecimentos da Pedagogia, Psicologia, Psicanálise, Neurociência e Sociologia, permitindo uma compreensão ampla e contextualizada do processo de aprendizagem. Essa área fundamenta-se na ideia de que o aprender não se restringe à aquisição de conteúdos escolares, mas envolve aspectos cognitivos, afetivos, sociais e culturais que influenciam diretamente o desenvolvimento do sujeito.

Assim, a Psicopedagogia busca compreender a aprendizagem como um fenômeno complexo, dinâmico e singular, respeitando as particularidades de cada indivíduo e de seu contexto educacional.

Nesse sentido, Bossa (2011) destaca que a Psicopedagogia se estrutura a partir da articulação entre diferentes campos do saber, possibilitando uma leitura global das dificuldades de aprendizagem. Para a autora, os fundamentos psicopedagógicos consideram que o não aprender não é resultado de um único fator, mas da interação entre aspectos emocionais, cognitivos e pedagógicos. De modo semelhante, Fernández (2001) afirma que a aprendizagem está diretamente relacionada ao vínculo estabelecido entre o sujeito e o conhecimento, reforçando a importância de uma atuação fundamentada na compreensão do sentido que o aprender assume para cada aprendiz.

No que se refere ao campo de atuação, a Psicopedagogia organiza-se, principalmente, nas modalidades clínica e institucional. A Psicopedagogia clínica atua no atendimento individualizado, buscando identificar as causas das dificuldades de aprendizagem e promover intervenções que auxiliem o sujeito a reconstruir sua relação com o saber. Já a Psicopedagogia institucional desenvolve ações preventivas e interventivas no contexto escolar, visando contribuir para a melhoria das práticas pedagógicas e para a construção de ambientes educacionais mais inclusivos.

Segundo Fernández (2001), a atuação clínica do psicopedagogo tem como objetivo ressignificar o aprender, auxiliando o sujeito a reconhecer suas potencialidades e limites. Em complemento, Bossa (2011) aponta que a Psicopedagogia institucional possibilita intervir nas relações escolares, orientando professores e gestores e promovendo mudanças que minimizem fatores institucionais geradores de dificuldades de aprendizagem.

O papel do psicopedagogo no processo de aprendizagem consiste em atuar como mediador entre o sujeito e o conhecimento, favorecendo a construção de estratégias que possibilitem a superação das dificuldades e o desenvolvimento da autonomia. Esse profissional atua de forma preventiva e interventiva, considerando o aluno em sua totalidade e respeitando suas singularidades, contribuindo para o fortalecimento da autoestima e do prazer em aprender.

Para Pain (1992), o psicopedagogo deve compreender o significado que o aprender assume para o sujeito, uma vez que as dificuldades de aprendizagem não se limitam ao desempenho escolar, mas refletem relações emocionais e simbólicas com o conhecimento. Assim, a intervenção psicopedagógica torna-se fundamental para promover mudanças significativas no processo de aprendizagem e no desenvolvimento integral do aprendiz.

2.2 DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: CONCEPÇÕES E FATORES

ASSOCIADOS

As dificuldades de aprendizagem referem-se aos obstáculos que o estudante encontra no processo de aquisição e consolidação dos conhecimentos escolares, manifestando-se, sobretudo, no desempenho acadêmico abaixo do esperado para sua faixa etária e nível de escolarização. Essas dificuldades não indicam, necessariamente, incapacidade intelectual, mas revelam entraves no modo como o sujeito se relaciona com o conhecimento. Assim, compreender as dificuldades de aprendizagem exige uma análise que considere o aluno em sua totalidade, levando em conta aspectos individuais e contextuais.

Nesse sentido, Smith e Strick (2012) definem as dificuldades de aprendizagem como problemas que interferem na capacidade de aprender de forma eficiente, afetando habilidades como leitura, escrita, raciocínio matemático e organização do pensamento. As autoras ressaltam que tais dificuldades podem ser temporárias ou persistentes, dependendo das condições emocionais, pedagógicas e ambientais às quais o aluno está exposto.

É fundamental estabelecer a diferença entre dificuldades de aprendizagem e transtornos de aprendizagem, pois a confusão entre esses conceitos pode resultar em diagnósticos equivocados e intervenções inadequadas. As dificuldades de aprendizagem costumam estar relacionadas a fatores externos ou circunstanciais, como metodologias inadequadas, defasagens pedagógicas ou questões emocionais. Já os transtornos de aprendizagem possuem base neurobiológica e caracterizam-se por alterações específicas e persistentes no funcionamento cognitivo.

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5 (APA, 2014), os transtornos específicos de aprendizagem envolvem prejuízos duradouros em habilidades acadêmicas fundamentais, como leitura, escrita e matemática, mesmo diante de intervenções pedagógicas adequadas. Nessa perspectiva, Capellini, Germano e Cunha (2010) destacam que a identificação correta entre dificuldades e transtornos é essencial para garantir encaminhamentos e estratégias de intervenção coerentes com as necessidades do aluno.

Diversos fatores podem estar associados às dificuldades de aprendizagem, entre eles os cognitivos, emocionais, sociais e pedagógicos. No âmbito cognitivo, aspectos como dificuldades de atenção, memória, percepção e organização do pensamento podem comprometer o desempenho escolar. Já os fatores emocionais, como ansiedade, insegurança, baixa autoestima e desmotivação, influenciam diretamente a relação do aluno com o aprender, podendo gerar bloqueios e resistências ao processo educativo.

Para Pain (1992), o não aprender deve ser compreendido como um sintoma que expressa conflitos internos e dificuldades na relação do sujeito com o conhecimento. A autora enfatiza que a aprendizagem não é um ato puramente intelectual, mas envolve dimensões afetivas e simbólicas que interferem na construção do saber. Complementando essa visão, Fernández (2001) afirma que o aprender está vinculado ao desejo e ao vínculo estabelecido com o conhecimento, sendo esses elementos fundamentais para o sucesso do processo educativo.

Os fatores sociais e pedagógicos também exercem influência significativa nas dificuldades de aprendizagem. Condições socioeconômicas desfavoráveis, falta de estímulos adequados e experiências escolares negativas podem intensificar os obstáculos enfrentados pelo aluno. Além disso, práticas pedagógicas descontextualizadas, metodologias pouco inclusivas e ausência de mediação adequada contribuem para o surgimento e a manutenção das dificuldades no processo de ensino-aprendizagem.

Segundo Libâneo (2013), a qualidade das práticas pedagógicas é determinante para o desenvolvimento da aprendizagem, sendo responsabilidade da escola criar condições favoráveis para que todos os alunos tenham acesso ao conhecimento. Bossa (2011) reforça que muitas dificuldades de aprendizagem estão relacionadas ao contexto escolar, destacando a importância de intervenções psicopedagógicas que considerem as dinâmicas institucionais e as relações estabelecidas no ambiente educativo.

O contexto escolar e familiar exerce papel central no desenvolvimento da aprendizagem, podendo funcionar como fator de proteção ou de risco. Um ambiente escolar acolhedor, que valoriza a diversidade e promove práticas inclusivas, contribui para o engajamento do aluno. Da mesma forma, a família exerce influência significativa ao oferecer apoio emocional, acompanhamento das atividades escolares e estímulo ao processo educativo.

De acordo com Weiss (2014), a parceria entre escola e família é fundamental para a superação das dificuldades de aprendizagem, pois ambas compartilham a responsabilidade pelo desenvolvimento do estudante. Vygotsky (1998) destaca que a aprendizagem ocorre nas interações sociais, sendo o meio familiar e escolar espaços privilegiados para a construção do conhecimento. Assim, compreender as dificuldades de aprendizagem implica reconhecer a importância desses contextos e das relações que neles se estabelecem.

2.3 PRINCIPAIS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM NO CONTEXTO ESCOLAR

As dificuldades de aprendizagem no contexto escolar manifestam-se de diferentes formas e comprometem o desempenho acadêmico dos estudantes ao longo da escolarização. Essas dificuldades não se apresentam de maneira isolada, mas inter-relacionam-se com fatores cognitivos, emocionais, pedagógicos e sociais. No cotidiano escolar, é comum observar alunos que demonstram dificuldades persistentes na leitura, escrita, matemática, atenção e organização, o que impacta diretamente sua participação e rendimento nas atividades escolares.

Segundo Bossa (2011), as dificuldades de aprendizagem são construídas nas relações que o sujeito estabelece com o conhecimento, com a escola e com os mediadores do processo educativo. A autora enfatiza que tais dificuldades não devem ser atribuídas exclusivamente ao aluno, mas compreendidas dentro de um contexto mais amplo, que inclui práticas pedagógicas, vínculos afetivos e condições institucionais.

Entre as principais dificuldades observadas no ambiente escolar, destacam-se aquelas relacionadas à leitura e à escrita. Essas dificuldades podem envolver problemas na decodificação, compreensão leitora, ortografia, produção textual e organização das ideias. Alunos com dificuldades nessa área costumam apresentar lentidão na leitura, trocas de letras, dificuldades na interpretação de textos e resistências às atividades de escrita, o que compromete seu desempenho em diversas disciplinas.

De acordo com Capellini e Smythe (2014), as dificuldades na leitura e escrita estão frequentemente associadas a falhas no processamento fonológico, na consciência fonêmica e na automatização da leitura. As autoras ressaltam que, quando não identificadas precocemente, essas dificuldades tendem a se agravar, gerando prejuízos acadêmicos e emocionais ao longo da trajetória escolar.

As dificuldades na aprendizagem da matemática também são recorrentes no contexto escolar e envolvem problemas na compreensão de conceitos numéricos, raciocínio lógico, resolução de problemas e operações matemáticas básicas. Muitos alunos apresentam dificuldade em estabelecer relações entre números, compreender símbolos matemáticos e aplicar estratégias adequadas para a resolução de situações problema, o que gera insegurança e aversão à disciplina.

Segundo Lorenzato (2011), a aprendizagem da matemática exige a construção de significados, e não apenas a memorização de procedimentos. O autor destaca que práticas pedagógicas descontextualizadas e excessivamente abstratas podem intensificar as dificuldades matemáticas, reforçando a necessidade de metodologias que valorizem a experimentação, o uso de materiais concretos e a mediação docente.

Outra dificuldade amplamente observada no contexto escolar está relacionada aos processos de atenção, memória e organização. Alunos que apresentam dificuldades nessas funções cognitivas tendem a ter problemas para manter o foco nas atividades, organizar materiais, planejar tarefas e reter informações. Essas dificuldades impactam diretamente o desempenho acadêmico e a autonomia do estudante, interferindo na realização das atividades escolares.

Para Fonseca (2014), a atenção e a memória são funções cognitivas fundamentais para a aprendizagem, pois permitem a seleção, o armazenamento e a recuperação das informações. O autor ressalta que falhas nesses processos podem comprometer o aprendizado de conteúdos escolares, especialmente quando não há estratégias pedagógicas que auxiliem o aluno a organizar e estruturar o conhecimento.

Além dos aspectos cognitivos, os fatores emocionais e motivacionais exercem influência significativa no processo de aprendizagem. Sentimentos como medo, ansiedade, frustração, baixa autoestima e desmotivação podem gerar bloqueios que dificultam o envolvimento do aluno com as atividades escolares. Muitas vezes, essas emoções estão associadas a experiências de fracasso escolar, reprovações e cobranças excessivas.

Segundo Fernández (2001), a aprendizagem está diretamente relacionada ao desejo de aprender e ao vínculo que o sujeito estabelece com o conhecimento. A autora afirma que, quando o aluno associa o aprender a experiências negativas, ocorre um afastamento do saber, resultando em desinteresse e resistência às atividades escolares. Nesse sentido, compreender os aspectos emocionais é fundamental para a superação das dificuldades de aprendizagem.

Dessa forma, as principais dificuldades de aprendizagem no contexto escolar devem ser compreendidas de maneira integrada, considerando os aspectos cognitivos, emocionais e pedagógicos envolvidos. A identificação dessas dificuldades possibilita a elaboração de estratégias de intervenção mais eficazes, contribuindo para a promoção de uma aprendizagem significativa e inclusiva.

Conforme Weiss (2014), a atuação conjunta entre escola, família e profissionais especializados é essencial para enfrentar as dificuldades de aprendizagem. A autora destaca que intervenções precoces e contextualizadas favorecem o desenvolvimento das potencialidades do aluno, promovendo não apenas avanços acadêmicos, mas também o fortalecimento da autoestima e da motivação para aprender.

2.4 AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA COMO BASE NA INTERVENÇÃO

A avaliação psicopedagógica constitui uma etapa fundamental no processo de intervenção, pois possibilita a compreensão aprofundada das dificuldades de aprendizagem apresentadas pelo sujeito. Esse processo não se limita à identificação de déficits, mas busca compreender como o aluno aprende, quais estratégias utiliza e quais fatores interferem em seu desempenho escolar. Assim, a avaliação psicopedagógica orienta a construção de intervenções mais eficazes, respeitando as singularidades do aprendiz e seu contexto sociocultural.

Segundo Weiss (2014), a avaliação psicopedagógica deve ser entendida como um processo investigativo contínuo, cujo objetivo é compreender o funcionamento da aprendizagem e não apenas classificar ou rotular o aluno. A autora destaca que um diagnóstico bem fundamentado permite identificar as causas das dificuldades de aprendizagem e orientar práticas interventivas coerentes, evitando encaminhamentos inadequados ou precipitados.

A importância do diagnóstico psicopedagógico está relacionada à possibilidade de identificar os fatores cognitivos, emocionais, pedagógicos e sociais que interferem no processo de aprendizagem. Esse diagnóstico oferece subsídios para a elaboração de um plano de intervenção individualizado, possibilitando a superação das dificuldades e a ressignificação do aprender. Além disso, contribui para orientar professores e familiares quanto às melhores estratégias de apoio ao aluno.

Para Bossa (2011), o diagnóstico psicopedagógico não se resume à constatação da dificuldade, mas envolve a compreensão do significado que o aprender assume para o sujeito. A autora ressalta que esse processo deve considerar a história escolar, os vínculos afetivos e as condições institucionais, de modo a favorecer uma intervenção que promova mudanças reais no percurso educacional do aprendiz.

No que se refere aos instrumentos e técnicas de avaliação, a Psicopedagogia utiliza recursos variados que permitem analisar diferentes dimensões da aprendizagem. Entre esses instrumentos destacam-se testes pedagógicos, atividades lúdicas, provas operatórias, jogos, produções escritas e situações-problema. A escolha dos instrumentos deve considerar a idade, a escolaridade e as necessidades específicas do aluno, garantindo uma avaliação ética e contextualizada.

De acordo com Fernández (2001), os instrumentos psicopedagógicos devem ser utilizados como mediadores do processo avaliativo, e não como fins em si mesmos. A autora enfatiza que a avaliação deve possibilitar a expressão do sujeito, permitindo que ele revele seus modos de aprender, suas dificuldades e potencialidades, o que contribui para a construção de intervenções mais significativas.

A observação, as entrevistas e a análise do histórico escolar são procedimentos essenciais na avaliação psicopedagógica, pois fornecem informações relevantes sobre o percurso educacional e as experiências vivenciadas pelo aluno. A observação permite analisar comportamentos, atitudes e estratégias utilizadas durante as atividades. As entrevistas com o aluno, a família e a escola possibilitam compreender as relações estabelecidas e as expectativas em torno do processo de aprendizagem, enquanto o histórico escolar oferece dados sobre o desempenho ao longo do tempo.

Segundo Pain (1992), a escuta atenta e a observação cuidadosa são fundamentais para compreender o sintoma da dificuldade de aprendizagem. A autora destaca que o histórico escolar revela marcas importantes do percurso do aluno, permitindo identificar situações de fracasso, repetência ou rupturas que podem impactar o vínculo com o aprender.

A avaliação interdisciplinar representa um aspecto relevante da avaliação psicopedagógica, especialmente em casos mais complexos. Essa abordagem envolve o diálogo entre diferentes profissionais, como psicólogos, fonoaudiólogos, pedagogos e neurologistas, possibilitando uma compreensão mais ampla das dificuldades de aprendizagem. A articulação entre as áreas contribui para diagnósticos mais precisos e intervenções integradas.

Conforme Capellini, Germano e Cunha (2010), a avaliação interdisciplinar é fundamental para diferenciar dificuldades de aprendizagem de transtornos específicos, evitando equívocos diagnósticos. Os autores ressaltam que o trabalho em equipe favorece a elaboração de estratégias mais eficazes, respeitando os limites e as potencialidades do aluno, além de fortalecer o processo de inclusão escolar.

2.5 INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA NAS DIFICULDADES DE

APRENDIZAGEM

A intervenção psicopedagógica constitui um conjunto de ações planejadas que visam favorecer a superação das dificuldades de aprendizagem, considerando o sujeito em sua integralidade. Essa intervenção fundamenta-se na compreensão de que o aprender é um processo complexo, influenciado por fatores cognitivos, emocionais, sociais e pedagógicos. Assim, a atuação psicopedagógica não se limita à correção de dificuldades, mas busca promover o desenvolvimento das potencialidades do aprendiz e fortalecer sua relação com o conhecimento.

De acordo com Rubinstein (2006), a intervenção psicopedagógica deve ser compreendida como um processo contínuo, que envolve diagnóstico, planejamento, execução e reavaliação das estratégias adotadas. A autora destaca que o objetivo principal da intervenção é possibilitar ao sujeito compreender seus modos de aprender, ressignificando experiências de fracasso escolar e construindo novas formas de relação com o saber.

2.5.1 Intervenção psicopedagógica preventiva

A intervenção psicopedagógica preventiva ocorre, principalmente, no contexto escolar, com foco na promoção de práticas educativas que minimizem o surgimento de dificuldades de aprendizagem. Essa atuação envolve ações junto à instituição escolar, buscando identificar fatores que possam comprometer o processo de ensino-aprendizagem e propor estratégias que favoreçam o desenvolvimento dos alunos desde os primeiros anos de escolarização.

Segundo Oliveira (2012), a Psicopedagogia preventiva atua na organização do ambiente escolar, contribuindo para a criação de práticas pedagógicas mais significativas e acessíveis. A autora ressalta que a prevenção é um dos pilares da atuação psicopedagógica, pois possibilita intervir antes que as dificuldades se consolidem, promovendo melhores condições para o aprender.

A promoção de práticas inclusivas constitui um aspecto central da intervenção preventiva, uma vez que reconhece a diversidade de ritmos, estilos e modos de aprendizagem presentes no ambiente escolar. A Psicopedagogia contribui para a construção de práticas pedagógicas que respeitem as singularidades dos alunos, favorecendo a participação ativa e o desenvolvimento de todos no processo educativo.

Nesse sentido, Mantoan (2015) destaca que a educação inclusiva exige práticas pedagógicas flexíveis e mediadoras, capazes de atender às necessidades educacionais dos alunos. A autora enfatiza que a atuação psicopedagógica no contexto escolar contribui para a construção de uma cultura inclusiva, rompendo com práticas excludentes e homogêneas.

A orientação a professores e familiares também integra a intervenção psicopedagógica preventiva, fortalecendo a parceria entre escola e família. Por meio de orientações, reuniões e ações formativas, o psicopedagogo auxilia na compreensão das dificuldades de aprendizagem e na adoção de estratégias adequadas de acompanhamento ao aluno.

Segundo Alarcão (2011), o trabalho colaborativo entre profissionais da educação e a família é essencial para o sucesso das intervenções educativas. A autora destaca que a orientação psicopedagógica contribui para alinhar expectativas, favorecer práticas coerentes e fortalecer o processo de aprendizagem do aluno em diferentes contextos.

2.5.2 Intervenção psicopedagógica clínica

A intervenção psicopedagógica clínica caracteriza-se pelo atendimento individualizado, centrado nas necessidades específicas do sujeito que apresenta dificuldades de aprendizagem. Esse atendimento busca compreender os fatores que interferem no aprendizado e promover estratégias que auxiliem o aluno a reconstruir sua trajetória escolar, respeitando seu ritmo e suas potencialidades.

De acordo com Visca (2010), a Psicopedagogia Clínica atua na compreensão do sintoma da dificuldade de aprendizagem, analisando sua origem e seu significado para o sujeito. O autor destaca que o atendimento individual possibilita intervenções mais direcionadas, favorecendo mudanças significativas no modo de aprender.

Um dos objetivos centrais da intervenção clínica é a ressignificação do aprender, permitindo que o aluno reconstrua sua relação com o conhecimento e supere experiências de fracasso escolar. Por meio de atividades mediadas, o psicopedagogo estimula o desenvolvimento da autonomia, da autoestima e da confiança do aprendiz.

Segundo Scoz (2013), a ressignificação do aprender é um processo fundamental na intervenção psicopedagógica, pois possibilita ao sujeito atribuir novos sentidos às suas experiências escolares. A autora afirma que, ao compreender suas dificuldades e potencialidades, o aluno passa a se posicionar de forma mais ativa e positiva diante do processo de aprendizagem.

A mediação psicopedagógica constitui um elemento essencial da intervenção clínica, pois envolve a atuação direta do psicopedagogo como facilitador do processo de aprendizagem. Essa mediação busca criar situações desafiadoras e significativas, estimulando o desenvolvimento cognitivo e emocional do aluno.

Para Feuerstein et al. (2014), a mediação é um fator determinante para o desenvolvimento das funções cognitivas, pois possibilita a construção de aprendizagens mais complexas. Os autores destacam que a intervenção mediada favorece a modificabilidade cognitiva, ampliando as possibilidades de aprendizagem do sujeito.

2.5.3 Estratégias e técnicas psicopedagógicas

As estratégias e técnicas psicopedagógicas são recursos fundamentais na intervenção, pois possibilitam a adaptação das atividades às necessidades do aluno. Entre essas estratégias, destacam-se as atividades lúdicas e os jogos pedagógicos, que favorecem a aprendizagem de forma prazerosa e significativa, estimulando o interesse e a participação ativa do aluno.

Segundo Kishimoto (2011), o uso do lúdico no processo educativo contribui para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional da criança. A autora ressalta que os jogos pedagógicos favorecem a construção do conhecimento, pois estimulam a criatividade, a resolução de problemas e a interação social.

O estímulo às funções cognitivas, como atenção, memória e percepção, também integra as estratégias psicopedagógicas. Por meio de atividades específicas, o psicopedagogo busca fortalecer essas funções, que são fundamentais para o processo de aprendizagem e para o desempenho escolar.

De acordo com Cosenza e Guerra (2011), o desenvolvimento das funções cognitivas está diretamente relacionado à aprendizagem eficaz. Os autores destacam que intervenções planejadas e sistemáticas contribuem para o fortalecimento da atenção e da memória, favorecendo a consolidação dos conhecimentos escolares.

O uso de recursos concretos e multissensoriais constitui outra estratégia relevante na intervenção psicopedagógica, pois possibilita ao aluno vivenciar o

aprendizado de forma mais significativa. Esses recursos favorecem a compreensão dos conteúdos ao envolver diferentes canais sensoriais no processo de aprendizagem.

Segundo Antunes (2014), a aprendizagem torna-se mais eficaz quando envolve estímulos variados, pois o uso de recursos concretos e multissensoriais facilita a assimilação e a retenção das informações. O autor ressalta que essas estratégias são especialmente eficazes para alunos com dificuldades de aprendizagem.

As intervenções baseadas na neuroeducação também têm ganhado destaque na Psicopedagogia, ao integrar conhecimentos da neurociência ao processo educativo. Essas intervenções consideram o funcionamento do cérebro e os processos cognitivos envolvidos na aprendizagem, contribuindo para práticas mais eficazes e fundamentadas cientificamente.

De acordo com Tokuhama-Espinosa (2014), a neuroeducação oferece subsídios importantes para a compreensão de como o cérebro aprende, auxiliando educadores e psicopedagogos na elaboração de estratégias pedagógicas mais alinhadas aos processos neurocognitivos. A autora destaca que essa abordagem favorece intervenções mais eficazes e respeitosas às singularidades do aprendiz.

2.6 CONTRIBUIÇÕES DA INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA PARA A

SUPERAÇÃO DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM

A intervenção psicopedagógica constitui um elemento essencial no enfrentamento das dificuldades de aprendizagem, pois atua de forma integrada sobre os aspectos cognitivos, emocionais e contextuais que interferem no aprendizado. Ao considerar o sujeito em sua totalidade, a psicopedagogia promove condições para que o estudante desenvolva maior autonomia, melhore seu desempenho escolar, fortaleça sua autoestima e participe de maneira mais efetiva dos processos de inclusão escolar. Assim, a intervenção não se limita à correção de dificuldades pontuais, mas busca a construção de um aprender mais significativo e funcional.

Nesse sentido, Bossa (2011) destaca que a intervenção psicopedagógica possibilita ao aprendiz compreender seu próprio modo de aprender, favorecendo a superação de bloqueios e dificuldades que comprometem o desempenho escolar. Para a autora, o trabalho psicopedagógico contribui para o desenvolvimento de estratégias cognitivas mais eficientes e para o fortalecimento da relação do sujeito com o conhecimento, tornando-o mais ativo e responsável por seu processo de aprendizagem.

No que se refere ao desenvolvimento da autonomia do aprendiz, a intervenção psicopedagógica estimula a capacidade de reflexão, organização e autorregulação da aprendizagem. Por meio de atividades planejadas e mediadas, o estudante passa a reconhecer suas potencialidades e limites, aprendendo a lidar com desafios de forma mais independente. Essa autonomia é fundamental para a construção de uma postura crítica e participativa diante das demandas escolares.

De acordo com Fernández (2001), a psicopedagogia contribui significativamente para a autonomia do sujeito ao ressignificar o ato de aprender, permitindo que o aluno se reconheça como autor do próprio conhecimento. A autora afirma que, quando o aprender deixa de ser uma fonte de sofrimento e passa a ser compreendido como uma possibilidade de crescimento, o estudante desenvolve maior confiança e iniciativa no processo educativo.

Outro aspecto relevante da intervenção psicopedagógica é a melhoria do desempenho escolar. Ao identificar as causas das dificuldades de aprendizagem e intervir de maneira direcionada, o psicopedagogo favorece a construção de competências acadêmicas mais sólidas. A utilização de estratégias adequadas às necessidades do aluno contribui para avanços no rendimento escolar, refletindo-se positivamente na leitura, escrita, raciocínio lógico e demais habilidades escolares.

Segundo Weiss (2014), a intervenção psicopedagógica, quando fundamentada em uma avaliação criteriosa, promove melhorias significativas no desempenho escolar, pois possibilita intervenções personalizadas e coerentes com o perfil do aprendiz. A autora ressalta que o acompanhamento psicopedagógico favorece não apenas o

progresso acadêmico, mas também a reorganização das funções cognitivas envolvidas na aprendizagem.

Além do desempenho acadêmico, a intervenção psicopedagógica exerce papel fundamental no fortalecimento da autoestima e da motivação do estudante.

Dificuldades persistentes de aprendizagem podem gerar sentimentos de incapacidade, frustração e desinteresse pela escola. Nesse contexto, a atuação psicopedagógica busca reconstruir a relação do sujeito com o aprender, valorizando suas conquistas e promovendo experiências de sucesso.

Para Pain (1992), a intervenção psicopedagógica atua diretamente sobre os aspectos emocionais ligados à aprendizagem, contribuindo para a superação de sentimentos de fracasso e desvalorização. A autora enfatiza que o fortalecimento da autoestima é condição indispensável para que o sujeito se engaje de forma ativa e motivada no processo educativo, possibilitando avanços significativos em sua trajetória escolar.

No âmbito da inclusão escolar, a intervenção psicopedagógica apresenta impactos relevantes ao promover práticas que respeitam as diferenças e atendem às necessidades educacionais específicas dos estudantes. A atuação articulada com professores, família e outros profissionais favorece a construção de ambientes escolares mais inclusivos, nos quais o aluno é reconhecido em sua singularidade e tem garantido o direito à aprendizagem.

De acordo com Mantoan (2015), a psicopedagogia contribui para a efetivação da inclusão escolar ao propor intervenções que rompem com práticas excludentes e padronizadas. A autora defende que a atuação psicopedagógica fortalece o trabalho colaborativo na escola, possibilitando estratégias pedagógicas que valorizam a diversidade e promovem a participação de todos os alunos no processo educativo.

Dessa forma, as contribuições da intervenção psicopedagógica para a superação das dificuldades de aprendizagem evidenciam-se na promoção da autonomia, na melhoria do desempenho escolar, no fortalecimento da autoestima e da motivação, bem como na consolidação de práticas inclusivas. Trata-se de uma atuação que transcende a remediação de dificuldades, assumindo um papel transformador no processo de ensino e aprendizagem.

METODOLOGIA

A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza qualitativa, com enfoque bibliográfico e exploratório. Optou-se por essa abordagem por possibilitar a compreensão aprofundada de fenômenos complexos relacionados à intervenção psicopedagógica no enfrentamento das dificuldades de aprendizagem, respeitando a multiplicidade de fatores cognitivos, emocionais, sociais e pedagógicos envolvidos nesse processo. A pesquisa bibliográfica fundamenta-se na análise de livros, artigos científicos, legislações e produções acadêmicas pertinentes à psicopedagogia, à educação inclusiva e às dificuldades de aprendizagem, permitindo a construção de uma base teórica consistente para a discussão sobre as contribuições e impactos da intervenção psicopedagógica no contexto educacional.

A escolha por uma abordagem qualitativa se justifica pela natureza interpretativa da pesquisa, visa captar nuances e complexidades que não seriam acessadas por meio de métodos positivistas (Minayo, 2024).

A opção pela pesquisa bibliográfica é igualmente coerente com os objetivos propostos, já que visa reunir e analisar produções teóricas e empíricas publicadas sobre o tema. Gil (2017) afirma que a pesquisa bibliográfica é essencial para a construção do referencial teórico e para o mapeamento do estado da arte sobre determinado campo de investigação.

A pesquisa exploratória visa proporcionar maior familiaridade com um problema, tornando-o mais explícito ou construindo hipóteses para estudos futuros. Caracteriza-se por métodos qualitativos flexíveis, como levantamento bibliográfico e entrevistas, sendo ideal para temas pouco explorados. Exemplos comuns incluem pesquisa documental, bibliográfica e estudo de caso (Marconi; Lakatos, 2017).

No processo de seleção das obras, foram priorizados livros e artigos científicos indexados em bases acadêmicas reconhecidas, como SciELO, CAPES Periódicos e Google Acadêmico. Os critérios de escolha incluíram a atualidade, a relevância teórica e a contribuição específica para os campos da intervenção psicopedagógica na dificuldade da aprendizagem. Autores como Antunes (2014), Bossa (2023), Fernández (2001), Weiss (2020), entre outros, foram utilizados como referência central por sua autoridade consolidada na área.

A análise do material bibliográfico foi conduzida por meio da leitura crítica e interpretativa. Essas categorias foram organizadas de forma a estruturar a fundamentação teórica e orientar as discussões em torno dos objetivos do artigo. A análise não seguiu um protocolo estatístico, mas sim um olhar hermenêutico que valoriza os sentidos emergentes das produções científicas.

O estudo metodológico permitiu uma abordagem ampla e consistente da temática, respeitando os limites de uma pesquisa teórica, mas também apontando caminhos para futuras investigações empíricas.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

A análise dos estudos selecionados evidencia que a intervenção psicopedagógica desempenha papel central na compreensão e no enfrentamento das dificuldades de aprendizagem, sobretudo quando estas são concebidas para além de uma perspectiva meramente individual ou patológica do aluno. Os resultados apontam que as dificuldades de aprendizagem são fenômenos multifatoriais, resultantes da interação entre aspectos cognitivos, emocionais, pedagógicos, sociais e familiares, conforme defendem Bossa (2023) e Fernández (2001). Nessa direção, a intervenção psicopedagógica revela-se eficaz quando fundamentada em uma avaliação diagnóstica ampla, capaz de identificar não apenas os sintomas do fracasso escolar, mas também os vínculos do sujeito com o aprender, suas modalidades de aprendizagem e os obstáculos presentes no contexto escolar. Os autores analisados convergem ao afirmar que intervenções centradas exclusivamente na remediação de conteúdos tendem a apresentar resultados limitados, ao passo que práticas que consideram o sujeito em sua totalidade promovem avanços mais significativos no processo de aprendizagem (Weiss, 2020; Scoz, 2013).

Os resultados também demonstram que a atuação psicopedagógica no ambiente escolar contribui de forma significativa para a ressignificação das práticas pedagógicas e para a construção de estratégias inclusivas. Segundo os estudos de Pain (1992) e de Antunes (2014), a dificuldade de aprendizagem não deve ser compreendida como incapacidade do aluno, mas como um sinal de que algo no processo educativo não está favorecendo a apropriação do conhecimento. Nesse sentido, a intervenção psicopedagógica institucional destaca-se por promover ações colaborativas junto aos professores, orientando-os quanto à adaptação metodológica, à diversificação de estratégias didáticas e à criação de ambientes de aprendizagem mais significativos. Os autores dialogam ao enfatizar que a formação continuada dos docentes, mediada pelo psicopedagogo, potencializa práticas mais sensíveis às diferenças individuais, reduzindo a medicalização e a rotulação dos estudantes com dificuldades de aprendizagem (Bossa, 2023; Fernández, 2001).

Outro aspecto relevante identificado nos estudos refere-se à importância da dimensão emocional no processo de aprendizagem e no sucesso das intervenções psicopedagógicas. Os resultados indicam que dificuldades persistentes estão frequentemente associadas a sentimentos de fracasso, baixa autoestima e desmotivação, o que reforça a necessidade de intervenções que considerem os aspectos afetivos do aprender. Fernández (2001) destaca que aprender é um ato relacional e que o bloqueio da aprendizagem muitas vezes está ligado a experiências escolares negativas. Nesse sentido, as intervenções psicopedagógicas que utilizam recursos lúdicos, jogos, narrativas e atividades simbólicas mostram-se eficazes na reconstrução do desejo de aprender, favorecendo a autonomia e a confiança do sujeito. Tais achados corroboram as contribuições de Weiss (2012), ao afirmar que a aprendizagem ocorre de forma mais significativa quando o aluno se percebe capaz e acolhido em suas singularidades.

Esses resultados analisados, apontam que a intervenção psicopedagógica, quando realizada de forma contínua e articulada com a família e a escola, apresenta impactos positivos não apenas no desempenho acadêmico, mas também no desenvolvimento global do estudante. A literatura evidencia que o envolvimento da família no processo interventivo contribui para a compreensão das dificuldades e para o fortalecimento do suporte emocional e pedagógico fora do ambiente escolar (Scoz, 2013). Dessa forma, a discussão dos resultados permite afirmar que a intervenção psicopedagógica se configura como uma prática essencial no enfrentamento das dificuldades de aprendizagem, promovendo uma abordagem preventiva, inclusiva e humanizada. Os autores analisados convergem na defesa de uma psicopedagogia comprometida com a transformação das práticas educativas e com a garantia do direito à aprendizagem, reafirmando seu papel estratégico na promoção do sucesso escolar e na superação do fracasso educacional.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente artigo teve como objetivo analisar a importância da intervenção psicopedagógica no enfrentamento das dificuldades de aprendizagem, destacando suas contribuições para a compreensão do processo de aprendizagem e para a promoção de práticas educativas mais inclusivas. A partir da revisão bibliográfica realizada, foi possível compreender que as dificuldades de aprendizagem não podem ser reduzidas a fatores exclusivamente individuais ou cognitivos, mas devem ser entendidas como fenômenos complexos e multifatoriais, que envolvem aspectos emocionais, pedagógicos, sociais e institucionais. Nesse sentido, a psicopedagogia assume um papel fundamental ao propor intervenções que consideram o sujeito em sua totalidade, respeitando suas singularidades e trajetórias escolares.

As análises evidenciaram que a intervenção psicopedagógica, tanto em âmbito clínico quanto institucional, contribui de maneira significativa para a superação das dificuldades de aprendizagem, ao possibilitar a identificação precoce dos obstáculos ao aprender e a elaboração de estratégias interventivas adequadas à realidade de cada estudante. Destaca-se, ainda, a relevância do trabalho colaborativo entre psicopedagogo, professores e família, uma vez que essa articulação favorece a construção de um ambiente educacional mais acolhedor, capaz de minimizar práticas excludentes, rótulos e processos de medicalização indevida do fracasso escolar. Assim, a psicopedagogia se consolida como um campo de atuação essencial para o fortalecimento de práticas pedagógicas sensíveis às diferenças e promotoras do direito à aprendizagem.

Conclui-se que a intervenção psicopedagógica representa uma estratégia indispensável para a promoção do sucesso escolar e do desenvolvimento integral dos estudantes, ao atuar de forma preventiva, interventiva e orientadora no contexto educacional. Ressalta-se a necessidade de ampliação de políticas públicas que assegurem a presença do psicopedagogo nas instituições de ensino, bem como de investimentos na formação continuada dos profissionais da educação, visando ao aprimoramento das práticas de ensino e aprendizagem. Espera-se que este estudo contribua para o aprofundamento das discussões acerca da atuação psicopedagógica e incentive novas pesquisas que explorem, de forma empírica, os impactos dessas intervenções no contexto da educação básica.

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  1. Licenciada em Pedagogia pela Faculdade de Ensino Superior do Piauí - FAESPI. E-Mail: mariacristiane2111@gmail.com.

  2. Mestre em Educação. Doutor em Educação. Doutor em Gestão. Doutor Honoris Causa. Pós doutor em Humanidade – Unilogos – Flórida- EUA. Professor da disciplina de Metodologia Científica e Orientador do Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, do Curso de Especialização em Psicopedagogia Clínica da Faculdade de Ensino Superior do Piauí - FAESPI. esteliobarbosasilva@gmail.com / Contato- (86) 99974-7965/Endereço do currículo lattes no CNPQ: https://lattes.cnpq.br/9917115701695838 https://orcid.org/0000-0002-3769-6289