Cuidados paliativos: atuação da enfermagem na promoção da qualidade de vida
Palliative care: nursing performance in promoting quality of life
Josiane Gryszewski Godoy[1]
Os cuidados paliativos constituem uma abordagem fundamental na assistência à saúde, especialmente voltada a pacientes com doenças crônicas, progressivas e ameaçadoras da vida. Este estudo tem como objetivo analisar a atuação da enfermagem na promoção da qualidade de vida no contexto dos cuidados paliativos. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, fundamentada em diretrizes nacionais e internacionais e em produções científicas recentes. Evidencia-se que o enfermeiro exerce papel central na avaliação e controle de sintomas, na comunicação terapêutica, no suporte emocional e na promoção da dignidade do paciente. A atuação da enfermagem contribui diretamente para a humanização da assistência, redução do sofrimento e fortalecimento do cuidado integral. Conclui-se que a enfermagem é essencial na efetivação dos cuidados paliativos, sendo necessário ampliar a capacitação profissional e fortalecer a inserção dessa abordagem nos serviços de saúde.
Palavras-Chave: Cuidados paliativos; Enfermagem; Qualidade de vida; Humanização.
Abstract
Palliative care is a fundamental approach in healthcare, especially for patients with chronic, progressive, and life-threatening diseases. This study aims to analyze the role of nursing in promoting quality of life within the context of palliative care. This is a narrative literature review based on national and international guidelines and recent scientific publications. Evidence shows that nurses play a central role in symptom assessment and management, therapeutic communication, emotional support, and the promotion of patient dignity. Nursing practice directly contributes to the humanization of care, reduction of suffering, and strengthening of comprehensive care. It is concluded that nursing is essential in the implementation of palliative care, and there is a need to expand professional training and strengthen its integration into healthcare services.
1 Introdução
Os cuidados paliativos vêm se consolidando como uma estratégia essencial na assistência à saúde, especialmente diante do aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis e do envelhecimento populacional. Essa abordagem tem como foco principal a promoção da qualidade de vida de pacientes e seus familiares, por meio da prevenção e alívio do sofrimento em suas diversas dimensões. A Organização Mundial da Saúde define os cuidados paliativos como uma assistência que busca melhorar a qualidade de vida por meio da identificação precoce, avaliação e tratamento da dor e de outros problemas físicos, psicossociais e espirituais (WHO, 2020). Nesse contexto, a enfermagem assume papel de destaque, uma vez que atua diretamente no cuidado contínuo e na proximidade com o paciente.Diante disso, este estudo tem como objetivo analisar a atuação da enfermagem na promoção da qualidade de vida no contexto dos cuidados paliativos, evidenciando sua importância na assistência integral e humanizada.
2 Revisão da Literatura
2.1 Cuidados paliativos e qualidade de vida
A qualidade de vida é um dos principais objetivos dos cuidados paliativos e envolve aspectos físicos, emocionais, sociais e espirituais. O cuidado paliativo não se limita ao controle da dor, mas abrange uma abordagem ampla, centrada na pessoa e em suas necessidades individuais (ANCP, 2012). Estudos indicam que a implementação precoce dos cuidados paliativos está associada à melhoria da qualidade de vida, redução do sofrimento e maior satisfação dos pacientes e familiares. Além disso, contribui para a redução de internações hospitalares e intervenções desnecessárias (KNAUL et al., 2018).
2.2 A atuação da enfermagem no cuidado paliativo
A enfermagem desempenha papel fundamental na promoção da qualidade de vida em cuidados paliativos. Entre suas principais atribuições, destacam-se: Avaliação contínua e sistematizada dos sintomas; Controle da dor e de outros desconfortos; Planejamento e execução do cuidado individualizado; Promoção do conforto e bem-estar; Apoio emocional e psicológico; Educação em saúde para pacientes e familiares. A atuação do enfermeiro permite identificar necessidades específicas e promover intervenções que minimizam o sofrimento e melhoram a experiência do paciente (FERRELL; TWYCROSS, 2019).
2.3 Comunicação terapêutica e humanização
A comunicação é um dos pilares dos cuidados paliativos, sendo essencial para o estabelecimento de vínculo entre profissional, paciente e família. A comunicação eficaz contribui para a compreensão do processo de adoecimento, tomada de decisões compartilhadas e respeito à autonomia do paciente (GOMES; OTHERO, 2016). A humanização do cuidado, por sua vez, está diretamente relacionada à postura ética e empática do enfermeiro, que deve considerar o paciente em sua totalidade, respeitando suas crenças, valores e preferências.
2.4 Dimensão emocional e suporte familiar
O processo de adoecimento impacta não apenas o paciente, mas também seus familiares. Nesse contexto, a enfermagem atua como suporte emocional, auxiliando no enfrentamento da doença e no processo de luto. A inclusão da família no cuidado é fundamental para a promoção da qualidade de vida e para a construção de uma assistência mais acolhedora e eficaz (BRASIL, 2018).
2.5 Desafios na prática da enfermagem em cuidados paliativos
Apesar da relevância dos cuidados paliativos, ainda existem desafios importantes, como: Falta de formação específica na área; Barreiras culturais relacionadas à morte; Comunicação inadequada; Limitações estruturais dos serviços de saúde. Esses desafios evidenciam a necessidade de investimentos em educação permanente e na ampliação do acesso aos cuidados paliativos (RADBRUCH et al., 2020).
3 Metodologia
Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, com abordagem qualitativa, baseada na análise de artigos científicos, diretrizes e publicações relevantes sobre cuidados paliativos e enfermagem. Foram incluídos estudos publicados entre 2012 e 2024, considerando critérios de relevância e atualidade.
4 Resultados e Discussão
A análise da literatura demonstra que a atuação da enfermagem é determinante para a promoção da qualidade de vida em cuidados paliativos. O controle eficaz da dor e de outros sintomas, aliado ao suporte emocional e à comunicação terapêutica, contribui significativamente para a redução do sofrimento. Além disso, a presença contínua do enfermeiro permite a construção de vínculo com o paciente e sua família, favorecendo um cuidado mais humanizado e centrado na pessoa. Os estudos também apontam que a atuação da enfermagem está associada à melhoria da experiência do paciente, redução de intervenções invasivas e maior adesão ao cuidado paliativo (KNAUL et al., 2018). Adicionalmente, evidências apontam que a integração precoce dos cuidados paliativos pode impactar positivamente na qualidade de vida e na organização do cuidado em saúde (FERRELL; TWYCROSS, 2019). No entanto, a necessidade de capacitação específica ainda é um desafio, reforçando a importância da inclusão dos cuidados paliativos na formação dos profissionais de saúde.
5 Conclusão
Os cuidados paliativos são essenciais para a promoção da qualidade de vida de pacientes com doenças ameaçadoras da vida. A enfermagem desempenha papel central nesse contexto, atuando de forma técnica, ética e humanizada. A valorização da atuação do enfermeiro e o investimento em capacitação profissional são fundamentais para a qualificação da assistência. Além disso, é necessário fortalecer políticas públicas que ampliem o acesso aos cuidados paliativos. Conclui-se que a enfermagem é protagonista na promoção da qualidade de vida e na humanização do cuidado, sendo indispensável na efetivação dos cuidados paliativos.
Referências
ACADEMIA NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS (ANCP). Manual de cuidados paliativos. 2. ed. São Paulo: ANCP, 2012.
BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para cuidados paliativos no SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Palliative care. Geneva: WHO, 2020.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Cuidados paliativos oncológicos. Rio de Janeiro: INCA, 2022.
RADBRUCH, L. et al. Redefining palliative care. The Lancet Oncology, 2020.
KNAUL, F. M. et al. Alleviating the access abyss in palliative care. The Lancet, 2018.
FERRELL, B. R.; TWYCROSS, R. Oxford Textbook of Palliative Nursing. Oxford, 2019.
GOMES, A. L. Z.; OTHERO, M. B. Cuidados paliativos. Estudos Avançados, 2016.
Profissional independente – Porto Alegre – Rio Grande do Sul – Brasil.
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1705-0453 ↑