Integração das TDICS no ensino de leitura e produção de gêneros textuais.
Integration of TDICS in teaching reading and production of textual genres.
Deivison José de Oliveira Santos
RESUMO: A prática da leitura, tanto em contextos escolares quanto fora deles, é fundamental para a formação adequada dos estudantes, uma vez que por meio dela se cria a possibilidade de cultivar cidadãos que sejam críticos e reflexivos. Essa habilidade é essencial para o exercício efetivo da cidadania, pois capacita o indivíduo a transcender o mero senso comum e a tomar consciência do papel que ocupa na sociedade. Entretanto, apesar de sua importância, essa prática ainda avança de maneira lenta no ambiente escolar atual, pois, lamentavelmente, é frequentemente imposta de forma obrigatória. Um número significativo de educadores continua a desconsiderar a relevância e a necessidade de promover uma prática de leitura que seja cada vez mais frequente. A chegada da tecnologia introduziu novas maneiras de oferecer aos alunos experiências pedagógicas que respondam às suas necessidades, inserindo-os em um contexto contemporâneo, ao mesmo tempo que se distanciam das metodologias tradicionais, o que facilita o processo de ensino-aprendizagem nas aulas de Língua Portuguesa. Diante dessa realidade, é viável trabalhar conteúdos relacionados às linguagens, utilizando as novas tecnologias com objetivos pedagógicos. Assim, este artigo discute a relevância de desenvolver atividades focadas na leitura e na escrita de gêneros textuais, tanto no ambiente escolar quanto fora dele, através do uso do aplicativo de mensagens WhatsApp.
Palavras-chave: Escola; Leitura; Gêneros textuais; Tecnologias.
ABSTRACT: The practice of reading, whether in the classroom or outside, is indispensable in the proper training of students, because it is through this that they have the opportunity to train critical and reflective citizens, a necessary condition for the exercise of citizenship, since instead it makes the individual capable of going beyond common sense, becoming aware of the role that he plays before society. Although relevant, such a practice in the current school is still going slowly, since, unfortunately, it is verified that it is made compulsory. Many teachers persist in ignoring the importance and necessity of making this practice more and more constant. The advent of technology has brought with it a new way of providing students with pedagogical practices that meet the aspirations of each one of them, since it inserts them in the context in which they are inserted, detaching themselves from traditional methodologies and thus facilitating the process of teaching and learning in Portuguese language classes. In the face of reality, it is understood that it is possible to work on language content, with new technologies for pedagogical purposes. In this sense, this article discusses the importance of the development of a work centered on the reading and writing of textual genres in and out of school, through the messaging application, WhatsApp.
Keywords: School; Reading; Textual genres; Technologies.
INTRODUÇÃO
A sociedade contemporânea é profundamente marcada pela presença das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs). No campo educacional, essas tecnologias emergem como ferramentas que podem potencializar a prática pedagógica, especialmente no ensino da leitura e análise de gêneros textuais.
Segundo Rojo (2013), o ambiente digital transforma não apenas o acesso à informação, mas também as práticas de leitura e escrita:"A leitura e a escrita no meio digital não apenas multiplicam as formas de acessar e produzir informações, mas também transformam os próprios modos de construir sentido." (ROJO, 2013, p. 27).
A contemporaneidade é marcada por um intenso avanço tecnológico e, nesse contexto, a escola, como um espaço social, não está isenta dessa realidade, o que a obriga a adotar novas posturas diante dos desafios e oportunidades atuais na educação. Um dos principais desafios consiste em compreender como lidar com as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs), que anteriormente influenciam de forma significativa as interações sociais.
Nesse sentido, Bacich e Moran (2018) enfatizam que A ampla disseminação do uso das tecnologias, manifestada por meio de variados dispositivos móveis ligados à internet sem fio, empregados em distintos ambientes, tempos e contextos, verificada na segunda metade da década de 2020, ocasionou e continua a ocasionar transformações sociais que levam à eliminação de barreiras entre o espaço virtual e o espaço físico, resultando na formação de um espaço híbrido de interconexões. (BACICH e MORAN., 2018, p. IX)
A educação formal nas instituições de ensino, como um elemento fundamental da sociedade, não deve ser desconsiderada na busca por utilizações racionais e pedagógicas dessas ferramentas. A Educação Básica deve assegurar "o pleno desenvolvimento do educando" (BRASIL, 1996). A interconexão de informações não é uma novidade, visto que essa convergência cultural se manifesta em diferentes momentos de interação social, nos quais os indivíduos trocam ideias e valores, assim construindo suas perspectivas e contribuições sobre "algo", promovendo transformações e compartilhando-as em redes sociais, sejam estas virtuais ou não.
Essa forma, (JENKINS, 2010, p. 27) considera o uso das TDICs extremamente relevante no contexto hodierno, haja vista que permeia a circulação de informações por meio das diversas plataformas de mídia, a colaboração entre variados mercados de comunicação e os padrões de migração dos públicos dos meios, que se deslocam em direção a diferentes locais na busca por experiências de entretenimento desejadas.
Dessa forma, as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) surgem como um desafio inédito a ser enfrentado dentro do contexto das salas de aula. Esse desafio requer a superação por meio da adoção de novos paradigmas pedagógicos que integrem as TDICs com a educação formal, especialmente nas escolas públicas.
Ao refletir sobre as mudanças que as inovações tecnológicas introduzem no campo educacional, é imperativo indagar sobre a função do educador nesse ambiente digital. Compreende-se, todavia, que sua posição essencial não é diminuída, mas sim enriquecida por novas oportunidades de ensino. Tais oportunidades são proporcionadas pelas tecnologias no cenário escolar. Logo, é fundamental refletir sobre como integrar essas tecnologias ao contexto escolar para promover aprendizagens significativas e críticas.
Considerando a realidade atual e a relevância do assunto em questão, reconhece-se que é viável abordar conteúdos de Linguagens utilizando novas tecnologias para fins educacionais. Em virtude disso, o presente artigo tem como objetivo oferecer uma alternativa que proporcione ao aluno uma experiência de leitura que seja agradável, eficaz e contínua, explorando diferentes gêneros textuais através de aplicativos de mensagens, como WhatsApp, Instagram, Messenger, entre outros. Essa abordagem visa também a contribuir para o aprimoramento de habilidades como a reflexão, a criticidade e o desenvolvimento da opinião dos estudantes.
AS TDICS NO CONTEXTO ESCOLAR
As TDICs oferecem novos modos de produzir, acessar e compartilhar informações. No ambiente escolar, seu uso não deve se limitar à mera digitalização dos conteúdos, mas sim estimular práticas de construção ativa do conhecimento (PRETTO; SILVEIRA, 2010). De acordo com Kenski (2012, p. 89): "Não basta ter acesso às tecnologias; é necessário saber utilizá-las de modo a construir saberes e competências relevantes para o mundo contemporâneo."
Considerando Levando em conta a relevância da leitura para a formação da consciência crítica e reflexiva de cada indivíduo, assim como o papel das Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação (TDIC) como um instrumento inovador que favorece uma interação social ampliada conforme a perspectiva sociointeracionista da linguagem, este artigo fundamenta-se em ambos os pilares. Isso possibilita uma aprendizagem que esteja alinhada com a realidade social contemporânea, considerando a significância dos aspectos mencionados na formação cognitiva dos estudantes.
Para Moura e Oliveira (2015), a revolução provocada pela informática trouxe repercussões significativas em diversas esferas da sociedade, sendo a educação uma das áreas que experienciou essa mudança. Atualmente, a presença da tecnologia nas instituições de ensino se torna cada vez mais proeminente, apoiando o trabalho dos educadores, facilitando a implementação de projetos e ajudando no processo de aprendizagem dos alunos.
Esse fenômeno pode ser evidenciado na rotina dos estudantes, dado que a maioria das instituições de ensino dispõe de laboratórios de informática, projetores e outros equipamentos fundamentais para integrar os indivíduos no contexto tecnológico. Nesse sentido, Ribeiro, Nunes e Nobre (2012, p. 49) destacam que:
“A tecnologia está presente em todas as ações cotidianas dos seres humanos e, por isso, tornou-se indispensável. Ela se apresenta de maneira singela, por meio de infinitos produtos que precisaram passar por máquinas para chegar às nossas mãos, como roupas, sapatos, alimentos, livros entre outros, assim como ela pode executar um papel indispensável à vida das pessoas”.
Ao refletir sobre o avanço tecnológico na educação, Neto (1982, p. 2) destaca que o suporte tecnológico em sala:
“...é fundamental (...) e se concretiza em princípios e processos de ação educativa, gerando produtos educativos, todos resultantes da aplicação do conhecimento científico e organizado à solução ou encaminhamento de problemas e processos educacionais”.
Ao defenderem o uso das tecnologias no ambiente escolar, Moura e Oliveira (2015, p. 4) evidenciam que:
“as TIC possibilitam a adequação do contexto e as situações do processo de aprendizagem às diversidades em sala de aula. As tecnologias fornecem recursos didáticos adequados às diferenças e necessidades de cada aluno. As possibilidades constatadas no uso das TIC são variadas, oportunizando que o professor apresente de forma diferenciada as informações. Por meio das TIC, disponibilizamos da informação no momento em que precisamos, de acordo com nosso interesse”.
Nesse sentido, o educador, ao lecionar, deve considerar que sua função se transforma em decorrência dessa nova realidade. Ao incorporar as tecnologias contemporâneas em sua prática pedagógica, o docente assume o papel de facilitador na criação de experiências de aprendizado. De igual maneira, a função do aluno sofre uma modificação substancial, visto que ele deixa de ser um receptor passivo de informações e torna-se um criador ativo desse conhecimento. Para que essa transição ocorra de maneira eficaz, é essencial que os professores considerem as condições socioculturais dos seus estudantes.
As TDICs emergem de novas dinâmicas de interação verbal no contexto da vida social, as quais se consolidam dentro dessas esferas (BAKHTIN, 2000) e podem promover a pluralidade de letramentos, apresentando-se como desafios para as práticas educacionais em busca de uma aproximação com as práticas sociais disponíveis aos alunos (ROJO, 2012).
É fundamental ressaltar a aplicação de tecnologias emergentes para propósitos pedagógicos como um auxílio no processo de ensino-aprendizagem, uma vez que o laço afetivo, a comunicação e as interações humanas permanecem como componentes eficazes e insubstituíveis na construção do conhecimento. A incorporação dessa nova ferramenta nas salas de aula significa incentivar os alunos e promover um envolvimento ativo em sua educação, permitindo-lhes realizar atividades em grupos, o que resulta na criação de debates sobre os temas que estão sendo discutidos.
Consequentemente, as tecnologias de comunicação não eliminam o papel do educador, mas alteram determinadas de suas atribuições. Isso indica que o professor assume agora o papel de incentivador da curiosidade dos estudantes, que, por meio da pesquisa, buscam informações mais significativas. Assim, as tecnologias propiciam uma nova magia no ambiente escolar, ao permitir a interação e a investigação entre alunos de diversas partes do país ou do exterior, respeitando o ritmo individual de cada um.
A mesma dinâmica se aplica aos educadores. Os trabalhos de pesquisa podem ser disponibilizados para outros alunos e divulgados rapidamente na rede, acessível a todos que tenham interesse. Essas práticas ampliam as possibilidades de desenvolvimento de letramentos múltiplos e críticos.
AS TECNOLOGIAS COMO SUPORTE PARA LEITURA E ESTUDO DOS GÊNEROS TEXTUAIS
A tecnologia durante a era da informação e comunicação é marcada pela ampla adoção de computadores, smartphones e tablets, além do acesso à internet e às redes sociais. Com a disseminação da internet, houve transformações significativas nas práticas de leitura e escrita, refletindo também nas maneiras como as pessoas interagem entre si.
É inegável que as tecnologias que emergiram, como os aparelhos de DVD, televisores, videocassetes e jornais, impactaram de maneira diferenciada a educação ao longo de sua evolução, variando em intensidade de influência. Cada nova tecnologia tem o objetivo de satisfazer as necessidades de um público-alvo específico.
Diante das mudanças tecnológicas, surge a necessidade de reavaliar um novo método de ensino da Língua Portuguesa, considerando o perfil do aluno do século XXI: jovens que cresceram em um ambiente repleto de tecnologia e que se mostram ativos, curiosos e mais socialmente conectados.
O professor, atuando como mediador do conhecimento, deve buscar alternativas para transformar a realidade de alunos cada vez mais desmotivados para a leitura. O educador precisa incentivar os jovens a apreciarem textos que não se limitem apenas ao livro adotado pela turma, investigando outras plataformas que favoreçam a motivação para a compreensão e interpretação textual. Rojo (2013) alerta que: "sem a mediação crítica do professor, o uso das tecnologias pode reforçar práticas tradicionais e superficiais de ensino." (ROJO, 2013, p. 34).
Neste contexto, a abordagem dos gêneros textuais, associada ao uso de tecnologias no ambiente escolar, emerge como uma alternativa para recuperar o prazer pela leitura, que tem sido prejudicado pela aplicação de metodologias tradicionais ainda vigentes em muitas salas de aula. É reconhecido que existe uma ampla gama de gêneros textuais na sociedade, tais como romances, contos, artigos de opinião, receitas, crônicas e relatórios científicos, todos desempenhando um papel fundamental no auxílio ao professor na execução das práticas pedagógicas.
O ensino de gêneros textuais é essencial para o desenvolvimento das competências comunicativas, pois cada gênero textual responde a necessidades sociais específicas (BAKHTIN, 2011). A utilização pedagógica das tecnologias digitais favorece o contato com diferentes formas de comunicação textual e multimodal.
Segundo Moran (2015, p. 47): "A educação mediada por tecnologias estimula a autonomia, o protagonismo e a autoria dos estudantes." Assim, é possível trabalhar a leitura crítica e a produção de diversos gêneros em ambientes digitais. Para BARBOSA (2000, p.158,159):
“Os gêneros do discurso nos permitem concretizar um pouco mais a que forma de dizer em circulação social estamos nos referindo, permitindo que o aluno tenha parâmetros mais claros para compreender ou produzir textos, além de possibilitar que o professor possa ter critérios mais claros para intervir eficazmente no processo de compreensão e produção de seus alunos”. BARBOSA (2000, p.158,159).
A utilização de gêneros textuais no ambiente escolar representa uma abordagem significativa e eficaz, conforme estabelecido pelos PCN’s (Parâmetros Curriculares Nacionais), pois visa promover a efetividade da comunicação verbal, ao abordar a Língua em suas múltiplas aplicações diárias. Segundo Marcuschi (2002), os gêneros textuais são eventos históricos, intimamente conectados à vida cultural e social, contribuindo para a definição e o equilíbrio das competências comunicativas cotidianas. Eles emergem em resposta às demandas sociais e históricas de cada local, sendo empregados de acordo com as diversas situações de comunicação. BAKHTIN (2000: 301-302), destaca que:
“Esses gêneros do discurso nos são dados quase como nos é dada a língua materna, que dominamos com facilidade antes mesmo que lhe estudemos a gramática [...] Aprender a falar é aprender a estruturar enunciados [...] Os gêneros do discurso organizam nossa fala da mesma maneira que a organizam as formas gramaticais. [...] Se não existissem os gêneros do discurso e se não os dominássemos, se tivéssemos de construir cada um de nossos enunciados, a comunicação verbal seria quase impossível”.
Frente a esses fundamentos teóricos, é viável concluir que a abordagem dos gêneros discursivos no ambiente escolar transcende a simples decodificação de palavras ou a interpretação de maneira aleatória ou superficial (como ainda ocorre em muitas instituições de ensino), comportando-se, na verdade, como um meio para incentivar o aluno a desenvolver um pensamento crítico, a refletir sobre a leitura feita, culminando em uma verdadeira compreensão do texto.
O USO DA FERRAMENTA WHATSAPP NO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM
Ainda nesse contexto das tecnologias da informação e comunicação como um suporte para inserir os gêneros textuais em sala, o gênero chat, por meio do aplicativo WhatsApp, constitui-se como importante aliado no contexto do ensino-aprendizagem, pois além da popularidade que ele possui entre os usuários de smartphones, pode ser utilizado como um espaço de troca de informação entre professor e aluno, tendo sempre o educador como mediador das discussões propostas.
O WhatsApp é um aplicativo que permite aos usuários a troca de mensagens, vídeos, áudios e documentos de forma instantânea. MARCUSCHI (2004, p. 28) salienta que esse gênero permite “inúmeras pessoas interagindo simultaneamente em relação síncrona e no mesmo ambiente”.
O aplicativo, enquanto ferramenta de comunicação instantânea, tem se destacado no contexto educacional. Originalmente empregado para comunicação entre indivíduos, o aplicativo demonstrou ser igualmente eficaz na interação entre estudantes e professores, proporcionando uma plataforma prática e de fácil acesso que complementa as aulas presenciais. Conforme indicado por Kenski (2012), às Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs), quando aplicadas de maneira adequada, têm o potencial de transformar o processo educativo, favorecendo a construção colaborativa do conhecimento. O WhatsApp, sendo uma das tecnologias mais amplamente utilizadas globalmente, tem se revelado um aliado significativo na educação, especialmente no cenário de ensino híbrido ou virtual.
Neste cenário, a utilização dessa tecnologia tem como objetivo expandir as oportunidades de ensino, tornando-o mais dinâmico e acessível. Por intermédio da criação de grupos de discussão, envio de materiais, resolução de dúvidas em tempo real e compartilhamento de experiências, o WhatsApp ultrapassa os limites da sala de aula convencional, facilitando uma aprendizagem contínua e colaborativa.
Fundamentando-se na definição de MARCUSCHI (2004, p. 33), o qual enfatiza que “[...] o gênero digital possibilita o trabalho da oralidade e da escrita, assim como os gêneros textuais tradicionais utilizados na escola, pois se apresentam como uma evolução desses”, pode-se justificar o uso dessa ferramenta na abordagem dos gêneros aqui retratados, considerando o fato de ser um espaço para compartilhar informações multimídia, textos, vídeos, áudios, notícias de revistas, jornais, televisão, entre outros gêneros digitais. Tal prática objetiva contribuir para atender às necessidades do aluno, resultando assim num satisfatório e prazeroso processo de ensino-aprendizagem.
WHATSAPP E A EDUCAÇÃO: POTENCIALIDADES E APLICAÇÕES
O WhatsApp apresenta variações de funcionalidades que podem ser extremamente vantajosas para o contexto educacional. A criação de grupos de estudo, por exemplo, possibilita a distribuição de materiais pedagógicos, links para artigos, vídeos instrutivos, entre outros recursos. Adicionalmente, a capacidade de enviar mensagens de texto, áudio e vídeo permite que o docente monitore de maneira mais próxima o progresso dos alunos, solucionando dúvidas e fomentando discussões de forma mais interativa e individualizada.
Moran (2015) ressalta que as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) apresentam novos modos de interação entre educadores e estudantes, favorecendo uma aprendizagem mais envolvente. Especificamente, a característica de comunicação em tempo real da ferramenta facilita que os estudantes obtenham respostas rapidamente e continuem seus estudos fora do espaço escolar. A possibilidade de enviar áudios e vídeos diversifica a aprendizagem, permitindo que os conteúdos sejam explorados de formas variadas, de acordo com as demandas dos alunos.
Outrossim, o aplicativo estabelece um canal de comunicação direto e informal, onde os alunos podem se sentir mais confortáveis para esclarecer dúvidas e interagir com os colegas, sem a rigidez de um ambiente acadêmico. Castells (2003) enfatiza que as tecnologias móveis, como o WhatsApp, favorecem a formação de uma sociedade de comunicação fluida, na qual o conhecimento pode ser compartilhado de maneira ágil e eficiente.
DESAFIOS E LIMITAÇÕES DO USO DO WHATSAPP NA EDUCAÇÃO
Embora a utilização do WhatsApp ofereça diversas facilidades, existem também desafios e limitações que precisam ser levados em consideração. O primeiro ponto a destacar é a potencial distração que a plataforma pode causar. Sendo o WhatsApp uma ferramenta de comunicação frequentemente utilizada para fins pessoais, é comum que os alunos se deixem levar por mensagens que não estão relacionadas ao conteúdo educacional, o que pode prejudicar sua concentração e envolvimento nas atividades propostas.
Outro aspecto desafiador diz respeito à privacidade e segurança das informações. Ao formar grupos no WhatsApp, é fundamental assegurar que a privacidade dos membros seja preservada, evitando tanto a divulgação de dados pessoais quanto a propagação de conteúdos inadequados. Conforme afirmado por Lévy (1999), a privacidade constitui um fator crucial na era digital e deve ser considerada nas práticas pedagógicas que envolvem o uso de tecnologias como o WhatsApp.
Ademais, a natureza informal da plataforma pode levar a uma certa confusão, visto que a comunicação via WhatsApp tende a ser menos organizada em comparação a outros métodos de ensino, como as plataformas de e-learning. De acordo com Nunes (2017), é essencial que os educadores definam regras claras sobre o uso da plataforma, a fim de assegurar que a utilização do WhatsApp seja eficaz e orientada para o aprendizado.
PROCESSO METODOLÓGICO
O processo metodológico deste presente trabalho caracterizou-se por uma pesquisa bibliográfica. Para tanto, tornou-se necessário, fundamentá-lo baseado nas colaborações de teóricos como: Marcuschi (2002); BARBOSA (2000); BAKHTIN (2000); ROJO (2012); MOURA e OLIVEIRA (2015), entre outros.
Cabe destacar que a escolha do tipo de pesquisa surgiu pela relevância do tema no contexto escolar. Gil (2010, p. 24) destaca que: “Consiste em pesquisa bibliográfica porque se baseou em materiais já publicados, compostos especialmente por livros, revistas, artigos científicos, tese e por informações especializadas em sites.”
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Diante das transformações pelas quais a sociedade contemporânea vivencia, discutir sobre esse contexto propicia reflexões importantes acerca do papel dos profissionais de educação frente aos métodos didáticos visem o aluno como um “ser pensante, reflexivo”, e não um mero decodificador.
Infere-se, pois, que se faz necessária a construção de uma nova postura educacional, visto que o ensino qualificado cria condições para o aluno ler, escrever e, mais importante, compreender e interpretar textos dos mais variados gêneros. O aluno, então, deixa a condição de um mero decodificador de ideias, e se torna um agente de transformação social, de sua própria história.
Cientes disso, escola e professor devem unir-se em prol do êxito do processo de ensino-aprendizagem. COSTA e SOUZA (2017, p.8) defendem que
“é importante que o professor reconheça que a sociedade atual vem cada vez mais exigindo do professor um conhecimento mais holístico acerca das TICs, sendo indispensável que sua formação inicial e continuada lhe proporcione um domínio significativo destes novos instrumentos pedagógicos e que reconheçam às modificações que as novas tecnologias provocam nos processos de aprendizagem”.
Pensando na resistência de alguns docentes ao uso das ferramentas tecnológicas, LIMA (2006, p. 4) evidencia que:
“A introdução das novas tecnologias e sua aplicação no ensino em nada diminuiu o papel do professor. Modificou-o profundamente. O professor deixou de ser o único detentor do saber e passou a ser um gestor das aprendizagens e um parceiro de um saber coletivo”. (LIMA, 2006, p. 4).
Imprescindível levar à discussão sobre o papel da escola no tocante ao trabalho do professor, pois é necessário proporcionar ao docente uma formação adequada, bem como recursos para o desenvolvimento de um trabalho sólido e que gere resultados satisfatórios quanto à aprendizagem dos alunos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após a investigação dos temas tratados neste estudo, chega-se à conclusão de que ainda há um extenso percurso a ser percorrido para que a leitura se estabeleça como uma prática regular e agradável no ambiente escolar. Nesse contexto, é essencial e primordial fomentar a formação de leitores, capacitando-os a desenvolver competências críticas, reflexivas e avaliativas.
“No cenário educacional, as TICs são recursos que precisam estar inseridas no cotidiano escolar, sua utilização como ferramenta de ensino e como instrumento de apoio às matérias e aos conteúdos lecionados torna-se indispensável, pois desperta o interesse nos alunos e estimulam o desenvolvimento dos processos de ensino aprendizagem, deixando mais atrativo, dinâmico, interativo e adequado a realidade no qual estamos inseridos”. COSTA e SOUZA (2017, p.12).
As Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação(TDICs), quando incorporadas de forma estratégica e reflexiva, constituem um recurso significativo para o desenvolvimento da leitura e da análise dos gêneros textuais no ambiente educacional. Elas ampliam a variedade das abordagens didáticas e fomentam a formação de leitores e redatores críticos. Contudo, a implementação eficaz dessas tecnologias exige um comprometimento com a capacitação contínua, a disponibilização de uma infraestrutura apropriada e a elaboração de propostas pedagógicas que incentivem a autoria e estimulem o pensamento crítico.
O desafio é considerável, especialmente pelo fato de que a escola deve disponibilizar mecanismos que incentivem os alunos a desenvolverem o apreço pela prática da leitura. O docente, atuando como um modelo de leitura para seus alunos, frequentemente reconhece o quanto o atual paradigma de leitura se torna desgastante, principalmente devido à falta de recursos adequados que poderiam potencializar a execução dessa atividade.
Dessa forma, o projeto em questão tem o objetivo de mitigar essa problemática ao propor a utilização de ferramentas tecnológicas contemporâneas, amplamente adotadas pelos alunos, na promoção do ensino da Língua Portuguesa, em sinergia com o ensino do gênero textual crônica. O educador, portanto, deve estar constantemente preparado para criar estratégias que transformem o aluno em um indivíduo crítico, autônomo e capacitado, reconhecendo a leitura como uma prática social que possibilita sua inserção na sociedade letrada.
Para que seu uso seja eficaz, é essencial que os educadores planejem cuidadosamente a utilização da plataforma, estabelecendo regras claras de comunicação e garantindo a segurança e a privacidade dos participantes. O papel do professor é fundamental na mediação da plataforma, orientando os alunos sobre como utilizá-la de forma adequada e produtiva. Com o acesso controlado e consciente, o WhatsApp pode ser uma ferramenta poderosa para potencializar o aprendizado e tornar a educação mais interativa, colaborativa e acessível.
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