Metodologias ativas como estratégia pedagógica no processo de ensino aprendizagem na percepção dos alunos do 9ᵒ ano do ensino fundamental em Rio Preto da Eva/Amazonas
Active methodologies as a pedagogical strategy in the teaching-learning process: from the perspective of 9th grade students in Rio Preto da Eva/Amazonas
Metodologías activas como estrategia pedagógica en el proceso de enseñanza-aprendizaje: desde la perspectiva de los estudiantes de noveno grado en Rio Preto da Eva/Amazonas
Conceição de Maria Siqueira Catarino[1]
RESUMO
O presente estudo pretende analisar o real papel das Metodologias Ativas como estratégia pedagógica no processo de ensino aprendizagem na percepção dos alunos do 9º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Raimundo Paz, município de Rio Preto da Eva/AM E buscar embasamento teórico para a compreensão das Metodologias Ativas como instrumento facilitador no processo de ensino aprendizagem. Os autores escolhidos são enfáticos em afirmar a importância do uso de Metodologias Ativas, que exige romper com o modelo tradicional, promovendo grandes desafios principalmente no ensino fundamental do 9º ano. Orientam que o uso de Metodologias Ativas no ensino como ferramenta mediadora no processo de ensino-aprendizagem, com a utilização de materiais pedagógicos adequados, como uma importante ferramenta na concepção significativa da consciência de uma aprendizagem cognitiva, permite uma transformação positiva no desenvolvimento escolar, objetivando a formação de alunos proativos e interessados pelos estudos e pela aquisição de conhecimentos. A metodologia adotada neste estudo foi a pesquisa descritiva acompanhada de uma pesquisa survey. A abordagem qualiquantitativa pautada na triangulação permitiu combinar as duas fontes de dados, o que facilitou a interpretação envolvendo o uso das Metodologias Ativas no processo de ensino aprendizagem dos alunos do 9º ano. Participaram da pesquisa 03 (três) professores e 60 (sessenta) alunos. Pela análise dos dados percebeu-se na fala dos participantes que para que as aulas se tornem mais interessantes e atrativas, é necessário despertar a curiosidade dos alunos. Nessa perspectiva, o aluno assume o papel de sujeito ativo na construção do saber, deixando de ser mero receptor de conteúdos, e adotando o papel de sujeito responsável por buscar os conhecimentos necessários à resolução de seus problemas, com o intuito de atingir os objetivos da aprendizagem.
Palavras-chave: Metodologias Ativas. Ensino Aprendizagem. Inovação Pedagógica.
ABSTRACT
This study aims to analyze the real role of active methodologies as a pedagogical strategy in the teaching-learning process from the perspective of 9th-grade students at the Raimundo Paz State School in Rio Preto da Eva/AM, and to seek a theoretical basis for understanding active methodologies as a facilitating instrument in the teaching-learning process. The chosen authors emphatically affirm the importance of using active methodologies, which requires breaking with the traditional model, promoting significant challenges, especially in 9th-grade elementary education. They suggest that the use of active methodologies in teaching, as a mediating tool in the teaching-learning process, with the use of appropriate pedagogical materials, as an important tool in the meaningful conception of awareness of cognitive learning, allows for a positive transformation in school development, aiming at the formation of proactive students interested in studies and the acquisition of knowledge. The methodology adopted in this study was descriptive research accompanied by a survey. The mixed-methods approach, based on triangulation, allowed for the combination of the two data sources, which facilitated the interpretation involving the use of Active Methodologies in the teaching-learning process of 9th-grade students. Three teachers and sixty students participated in the research. The data analysis revealed that, according to the participants, for classes to become more interesting and engaging, it is necessary to spark students' curiosity. From this perspective, the student assumes the role of an active subject in the construction of knowledge, ceasing to be a mere receiver of content and adopting the role of a subject responsible for seeking the knowledge necessary to solve their problems, with the aim of achieving learning objectives.
Keywords: Active Methodologies. Teaching and Learning. Pedagogical Innovation.
RESUMEN
El presente estudio pretende analizar el papel real de las metodologías activas como estrategia pedagógica en el proceso de enseñanza-aprendizaje en la percepción de los alumnos del 9º grado de la enseñanza fundamental de la Escuela Estadual Raimundo Paz, en el municipio de Rio Preto da Eva/ SOY. Y también buscar bases teóricas para la comprensión de las Metodologías Activas como instrumento facilitador en el proceso de enseñanza-aprendizaje. Los autores elegidos son enfáticos en afirmar la importancia del uso de Metodologías Activas, lo que exige romper con el modelo tradicional, promoviendo grandes desafíos principalmente en la educación básica 9°. Aconsejan que el uso de Metodologías Activas en la enseñanza como herramienta mediadora en el proceso de enseñanza-aprendizaje, con el uso de materiales pedagógicos adecuados, como herramienta importante en la concepción significativa de la conciencia de un aprendizaje cognitivo, permitiendo una transformación positiva en el desarrollo escolar, buscando formar estudiantes proactivos e interesados en estudiar y adquirir conocimientos. La metodología adoptada en este estudio fue la investigación descriptiva acompañada de una investigación de encuesta. El enfoque cuali-cuantitativo basado en la triangulación permitió combinar las dos fuentes de datos, lo que facilitó la interpretación involucrando el uso de Metodologías Activas en la enseñanza y aprendizaje. Participaron de la investigación 03 (tres) docentes y 60 (sesenta) alumnos. Al analizar los datos, se percibió en el discurso de los participantes que para que las clases se vuelvan más interesantes y atractivas, es necesario despertar la curiosidad de los alumnos. En esta perspectiva, el estudiante assume el rol de sujeto activo en la construcción del conocimiento, dejando de ser un mero receptor de contenidos, y adoptando el rol de sujeto responsable de buscar los conocimientos necesarios para resolver sus problemas, con la objetivo de lograr los objetivos del aprendizaje.
Palabras clave: Metodologías Activas. Enseñanza Aprendizaje. Innovación Pedagógica
Ao longo dos anos, a discussão em torno das Metodologias Ativas vem se intensificando com o surgimento de novas estratégias que podem favorecer a autonomia do educando no processo de aprendizagem, desde as mais simples àquelas que necessitam de uma readequação física e/ou tecnológica das instituições de ensino.
Etimologicamente, o termo Metodologia é uma palavra derivada de método, do Latim “methodus” cujo significado é “caminho ou a via para a realização de algo”. Método é o processo para se atingir um determinado fim ou para se chegar ao conhecimento, e a metodologia de ensino é a aplicação de diferentes métodos no processo ensino aprendizagem (SILVA, 2018; CUNHA et al., 2024). Para Masetto (2015), essas diferenças entre esses termos (método e metodologia) estão ligadas às estratégias e à técnica que o professor utiliza em sua metodologia e relaciona instrumentos para o alcance de determinados objetivos. Em face disso, pode-se afirmar que as metodologias ativas trazem com elas a abertura das possibilidades de práticas pedagógicas, adotadas atualmente em salas de aula, pois elas promovem atenção dos alunos ao mesmo tempo, em que os motivam a pensar, criticar e analisar toda a informação. No entanto, ressalta-se que as diversas metodologias utilizadas atualmente em sala de aula são caracterizadas como metodologias ativas.
As metodologias ativas e suas práticas estão ligadas com o objetivo de forma a oportunizar uma maior participação dos alunos no processo de aprendizagem, incentivando novas buscas, descobertas, compreensões e ressignificação do conhecimento, podendo ocorrer por recepção ou por descoberta. Dessa forma, metodologias ativas têm como premissa o desenvolvimento do processo de aprendizagem, usando experiências reais ou simuladas, visando às condições para resolver com sucesso os problemas das atividades essenciais da prática social em diferentes contextos (CUNHA et al., 2024). Mazur (2016) destaca que, o objetivo das metodologias ativas é proporcionar um caminho de aprendizado que promova teoria e prática, através de ações voltadas para a participação ativa dos alunos com o auxílio de ferramentas tecnológicas que tentam criar um motivador, estimulante e propício ao desenvolvimento de conhecimento, habilidades e aptidões em seus campos específicos.
A partir desse pensar, podemos entender que metodologia ativa está centrada na aprendizagem, cujas estratégias apresentam as seguintes características principais: o aluno deve ocupar o centro do processo de ensino; deve haver a promoção da autonomia do aluno; a posição do professor deve ser de mediador, ativador e facilitador dos processos de ensino e de aprendizagem; deve haver estímulo à problematização da realidade, à constante reflexão e ao trabalho em equipe., visto que elas têm como premissa o desenvolvimento do processo de aprendizagem, usando experiências reais ou simuladas, visando às condições para resolver com sucesso os problemas das atividades essenciais da prática social em diferentes contextos.
A prática pedagógica na educação básica requer mudanças e principalmente a quebra de paradigmas relacionados à autonomia do aluno e a mediação do professor. O conceito de metodologias ativas entende-se como um processo de análise e pesquisa de forma interativa, sendo elas individuais ou coletivas, principalmente para buscar soluções de problemas que estejam vinculados ao processo de aprendizagem do aluno. O método ativo tende a desenvolver um processo aprendizagem por meio de experiências e simulações que buscam desafios e os coloca em sala de aula em forma de atividades e práticas em diferentes contextos, onde o professor utiliza de diversos instrumentos didáticos tanto os escritos como os audiovisuais em suas aulas (CUNHA et al., 2024).
Assim, uma prática pedagógica se organiza intencionalmente para atender a determinadas educacionais solicitadas ou requeridas por uma dada realidade social (aspecto mais amplo) ou para um determinado grupo de alunos. As metodologias ativas são mecanismos utilizados pelos professores para desenvolver os processos de ensino e de aprendizagem, mediante a mediação, problematização, experiências do cotidiano, utilização de tecnologias. Pensar em metodologias que ativem o interesse dos alunos atualmente é um desafio para todos que fazem parte da educação mundial. É cada vez mais comum, alunos que não se identificam com a proposta pedagógica vigente em muitas escolas, e o professor é uma ferramenta de essencial importância para a mudança desse cenário. Diante do exposto, remete-se ao problema de pesquisa: Qual o real papel das metodologias ativas como estratégia pedagógica no processo de ensino aprendizagem na percepção dos alunos do 9º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Raimundo Paz, município de Rio Preto da Eva/AM?
Por meio de um aprofundamento teórico sobre o tema, todas as inquietações foram sintetizadas a partir dos seguintes questionamentos, colocados no presente trabalho como as questões norteadoras do estudo:
- Como as chamadas metodologias ativas podem contribuir para novos processos de ensinar e aprender no 9º do ensino fundamental?
- Quais são os subsídios que as metodologias mais ativas podem oferecer para atender as necessidades de aprendizagem dos alunos no 9º do ensino fundamental?
- Como os alunos do 9º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Raimundo Paz, município de Rio Preto da Eva/AM, reagem às metodologias ativas aplicadas pelo professor (a)?
- Analisar o real papel das metodologias ativas como estratégia pedagógica no processo de ensino aprendizagem na percepção dos alunos do 9º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Raimundo Paz, município de Rio Preto da Eva/AM.
- Listar os impactos da utilização das metodologias ativas em sala de aula, inclusive com relação ao desenvolvimento de conteúdo;
- Identificar a influência da metodologia ativa no desempenho dos alunos do 9º ano do
ensino fundamental da Escola Estadual Raimundo Paz;
- Evidenciar como os alunos do 9º ano do ensino fundamental da Escola Estadual Raimundo Paz percebem novas metodologias aplicadas em sala de aula.
3.1 OS PROCEDIMENTOS QUE CONDUZIRAM ESTA PESQUISA
Conforme Costa (2022), existem várias formas de classificar a investigação. No entanto, as formas clássicas de classificação são: quanto aos objetivos, à forma de abordagem, a natureza e os procedimentos adotados. Quanto aos objetivos, esta investigação pode ser classificada como exploratória, já que tem como objetivo desenvolver, esclarecer e explorar o tema escolhido. Para atingir os objetivos propostos trabalhou-se com o método qualiquantitativo a fim de se explorar o universo de 60 alunos do 9º ano do ensino fundamental e 3 professores das disciplinas: Ciências, História, Língua Portuguesa cujo intuito foi pesquisar e avaliar se o uso das metodologias ativas em sala de aula contribui no processo de ensino e aprendizagem dos alunos.
Assim, optou-se pela pesquisa descritiva acompanhada de uma pesquisa survey. De acordo com Costa (2022, p. 72), este tipo de pesquisa "[...] pretende primordialmente a descrição das características de determinada população ou fenômeno, ou então, o estabelecimento de relações entre variáveis". Quanto à abordagem, a presente pesquisa pode ser classificada como qualiquantitativa, ou melhor, uma pesquisa mista. Creswell (2015) apresenta esta tipologia em relação às disciplinas das Ciências Sociais, incluindo a pesquisa educativa. O autor classifica em quatro os esboços metodológicos possíveis, dentro da abordagem mista: triangulação, utilizado quando se objetiva comparar e contrastar dados estatísticos com achados qualitativos obtidos simultaneamente; embutido, onde um conjunto de dados (ex. quanti) serve de apoio para outro (exemplo: quali), ambos também obtidos simultaneamente; explanatório, com duas fases, onde os dados qualitativos ajudam a explicar ou embasar resultados quantitativos iniciais; e exploratório, também com duas fases, onde os resultados qualitativos de um primeiro método ajudam no desenvolvimento do subsequente método quantitativo.
A triangulação consiste em combinar dois ou mais pontos de vista, fontes de dados, abordagens teóricas ou métodos de coleta de dados em uma mesma pesquisa, para podermos obter como resultado um retrato mais fiel da realidade, ou uma compreensão mais completa do fenômeno a ser analisado. A maior diversidade e integração de métodos produz uma maior confiança nos resultados (CRESWELL, 2015).
Em complemento, Triviños (1987, p. 110) expõe que os estudos descritivos não permanecem simplesmente na coleta, ordenação e classificação de dados.
Eles podem estabelecer relações entre variáveis. Neste tipo de estudo, o investigador necessita conhecer o assunto, para assim analisar os resultados sem a interferência pessoal.
Portanto, conforme os pressupostos subjacentes às chamadas abordagens qualitativas, Fernandes (2020) apresenta algumas vantagens que parecem cruciais para o desenvolvimento da investigação. “Uma delas é a possibilidade de começar com as questões amplas, que são esclarecidas durante a investigação” (FERNANDES, 2020, p.139).
No caso específico desta pesquisa, esta possibilidade foi notável porque foi durante o próprio processo de investigação realizado através das leituras e as percepções que derivam dos dados coletados que as questões desta investigação se tornaram mais claras, objetivas e melhor definidas.
Outra das vantagens da pesquisa qualitativa está na possibilidade de enfatizar as diferentes vistas, ou melhor, tanto dos que pensam e/ou atuam da mesma maneira, como a formação de uma tendência, como dos que são diferentes, não se encaixando nela. A abordagem qualitativa permite que a singularidade e a diversidade surjam, podendo ser tratadas e consideradas e não descartadas, já que com frequência formam parte dos métodos estatísticos de abordagem quantitativa. Nesta pesquisa, este tipo de possibilidade permitiu a atenção aos detalhes cruciais para a compreensão de certos entendimentos e atuações dos sujeitos investigados e o enriquecimento das reflexões feitas na análise de dados.
Existem vários tipos de pesquisa que se podem associar com esta abordagem. Neste caso se trata de uma investigação não intervencionista, que se caracteriza em uma perspectiva das tendências, como de levantamento ou survey[2] (COSTA, 2022).
Pode-se entender a pesquisa survey, como sendo a obtenção de dados ou informações sobre as características, ações ou opiniões de um determinado grupo de pessoas, designado como representante de uma população-alvo, utilizando-se um instrumento, geralmente um questionário.
Dentro desta proposta, a preocupação não estava dirigida à busca de grandes generalizações e teorias explicativas da realidade, mas trata de compreender e compor uma imagem da realidade estudada, com a intenção de identificar a diversidade das práticas e os acordos, assim como as tendências nesta perspectiva.
3.2 A COLETA DE DADOS
A pesquisa junto aos sujeitos foi dividida em duas etapas, sendo a primeira correspondente aos procedimentos de levantamento de indivíduos e/ou grupos, e a segunda à coleta de informações junto a cada sujeito identificado. Cabe ressaltar que para os dados utilizou-se o relato verbal escrito (FERNANDES, 2020).
A segunda fase da pesquisa consistiu na coleta de informações mais específicas, ligadas às questões e objetivos desta investigação, por meio de um questionário misto, com questões abertas e fechadas para os alunos e para professores participantes utilizando-se da entrevista semiestruturada. Com o intuito de atender aos preceitos éticos da pesquisa, enviou-se a cada sujeito uma carta de apresentação, bem como um Termo de consentimento livre e esclarecido.
Com o intuito de atender aos preceitos éticos da pesquisa, enviou-se a cada sujeito uma carta de apresentação, bem como um Termo de consentimento livre e esclarecido.
3.3 PARTICIPANTES DA PESQUISA
A população deste estudo compreende um total de três (3) professores lotados na referida Escola e sessenta (60) alunos do 9º ano do ensino fundamental dos turnos matutino e vespertino.
3.4 O MUNICÍPIO DE RIO PRETO DA EVA
Rio Preto da Eva é um município brasileiro localizado na Região Metropolitana de Manaus, no estado do Amazonas. Está situado a 50 km da capital amazonense (Manaus) via terrestre e 37 km em linha reta.
A história do município de Rio Preto da Eva é fortemente ligada ao município de Manaus. Sede de capitania em 1791, perdendo este título em 1799 e recuperando definitivamente em 1808, atual capital do Estado foi elevada a cidade em 1856, quando contava com cerca de 4.000 habitantes.
Na última década do século passado e nas primeiras décadas do atual, a região conheceu notável surto de prosperidade, com a fase áurea da borracha. A urbanização da cidade ganhou características europeias, surgindo construções grandiosas, como o Teatro Amazonas, o Palácio da Justiça e outros prédios e lugares luxuosos.
Dando expressão política a essa realidade emergente, a Emenda Constitucional núm. 12, de 10 de dezembro de 1981, desmembrou de Manaus a então colônia do Rio Preto da Eva, que com territórios adjacentes de Itacoatiara e Silves, veio a constituir o Município Autônomo de Rio Preto da Eva.
O município está localizado no estado do Amazonas, na Mesorregião do Centro Amazonense, que engloba 31 municípios do estado distribuídos em seis microrregiões, sendo que a microrregião à qual o município pertence é a microrregião de mesmo nome que reúne dois municípios: Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva. Rio Preto da Eva está distante 79 km ao norte da capital do Amazonas. Seus municípios limítrofes são: Presidente Figueiredo ao norte; Manaus ao sul e oeste e Itacoatiara e Itapiranga ao leste e nordeste, conforme foto 01.
Foto 01: Município de Rio Preto da Eva/AM
Fonte: https://riopretodaeva.am.gov.br (Acesso em abril de 2023).
Foto 02: Escola Estadual Raimundo Paz
Fonte: Elaborado pelo próprio autor.
A pesquisa foi realizada na Escola Estadual Raimundo Paz, localizada na Rua Governador Gregório Azevedo, número 11, Centro, Rio Preto da Eva - Amazonas. A escola possui 614 alunos matriculados, 38 professores e 3 pedagogas
Na referida Escola (foto 02) funcionam ensino fundamental (anos finais) e ensino médio. Oferece à comunidade escolar toda a estrutura necessária para o conforto e desenvolvimento educacional dos seus alunos, como, por exemplo: Internet, Refeitório, Biblioteca, Quadra Esportiva Coberta, Pátio Coberto, Sala do Professor e Alimentação.
O tratamento das informações de dados foi realizado por meio da tabulação das respostas de todos os indivíduos. Os dados provenientes das questões fechadas relativas à caracterização dos indivíduos foram organizados e apresentados em gráficos e tabelas para facilitar sua visualização. As entrevistas semiestruturada foram analisadas à luz da análise de conteúdo
A análise quantitativa da frequência de alguns destes dados também foi realizada para a identificação de tendências e predominâncias provenientes todos de questões abertas, foram tratados pela técnica de agrupamento por semelhanças e diferenças (Costa, 2022) visando à construção de categorias.
5.1 Formação/Titulação dos Professores[3]
Quadro 01: Formação e Titulação dos Docentes Participantes da pesquisa
FORMAÇÃO/ TITULAÇÃO | ||||
|---|---|---|---|---|
PROFS | GRADUAÇÃO | ESPECIALIZAÇÃO | MESTRADO | DOUTORADO |
P1 | Biologia | Botânica | Mestranda | - |
P2 | História | História | - | - |
P3 | Língua Portuguesa | Linguística | Mestrando | - |
Fonte: Dados da Pesquisa.
No quadro acima percebe-se que todos os professores possuem especialização lato sensu, 02 professores são mestrandos e nem um com doutorado. O processo de formação do professor se constroi a partir de um trabalho crítico, reflexivo, através do diálogo, o que se opõe à racionalidade técnica que por muito tempo marcou o cotidiano e a formação de professores.
Para melhorar esse processo de formação, tornaram-se fundamentais medidas que se configuram como estratégias de superação da crise e formação de mão-de-obra qualificada para o mercado de trabalho.
Conforme defende Nóvoa:
A formação de professores deve ser concebida como um dos componentes da mudança, em conexão estreita com outros sectores e áreas de intervenção, e não como uma condição prévia de mudança. A formação não se faz antes da mudança, faz-se durante, produz-se nesse esforço de inovação e de procura de melhores percursos para a transformação da escola. É essa perspectiva ecológica de mudança interativa dos profissionais e dos contextos que dá um novo sentido às práticas de formação de professores centradas nas escolas (NÓVOA, 2009, p.28).
Assim, torna-se urgente discutir a profissionalidade e o profissionalismo no âmbito da profissão e de formação. A profissionalidade se constitui no desenvolvimento de competências para desempenhar as suas atividades e os seus saberes, dentro da profissão. Possui alguns componentes para o processo da aquisição do conhecimento da docência como profissão, como os saberes, a pesquisa, a reflexão, etc. A partir da profissionalidade é que são definidos os papeis sociais da profissão docente.
O profissionalismo refere-se ao compromisso, à pontualidade, ao interesse, ao comprometimento de como desenvolver a atividade profissional para fins da educação como serviço público, para o público e com o público. No profissionalismo vive-se a profissão e se evidencia a autonomia que o profissional possui. Algumas categorias valorizadas no profissionalismo são: a remuneração, status sociais, autonomia intelectual, serviços, dentre outros. (FERNANDES, 2018).
Quadro 02: Percurso profissional dos professores participantes
FALA DOS PROFESSORES SOBRE SEUS PERCURSOS PROFISSIONAIS | TEMPO DE PROFISSÃO | |
|---|---|---|
P1 | Tenho uns 15 anos que trabalho em escolas públicas no ensino fundamental II e já trabalhei em escolas particulares. | 15 anos |
P2 | Eu desenvolvi um projeto já dentro da faculdade que me levou ao despertar do ensino estou até hoje, fico as vezes meio desencantada, mas gosto de ensinar, gosto de biologia e ciências. | 07 anos |
P3 | Meu percurso profissional é meio atípico. Nem sempre fui professor. Eu comecei a trabalhar muito cedo: aos 15, 16 anos. E a carreira docente chegou um pouco tardia. Tinha um quadro em minha residência, minha mãe tinha um quadrozinho com giz, e todos os meus amigos iam lá para casa. A gente fazia um rodízio para eu ensinar pra eles, principalmente Matemática, fui pegando gosto e fiz história. | 12 anos |
Fonte: Dados da Pesquisa.
Na fala da Professora identificada com P2 verificou-se que embora não tenha apresentado, de início, interesse pelo magistério, mudou sua perspectiva em relação à docência ao passar um período no exercício da profissão.
Trazidas para o âmbito das reflexões aqui pretendidas, tais considerações, se por um lado, evidenciam a necessidade de se compreender que a experiência na profissão traz saberes, conhecimentos que hoje são necessários ao exercício do ofício de ensinar, por outro, nos remetem às implicações que isso tem para as discussões sobre a formação docente, em especial sobre o lugar que as experiências formativas iniciais ocupam ou deveriam ocupar no processo de aprendizagem profissional dos professores (CONTRERAS, 2016).
O Professor P3 deixa transparecer em sua fala que ainda que não tenha tido interesse pela docência como profissão inicialmente, depois que iniciou a caminhada foi impulsionado pela atividade docente.
Muito embora se saiba que a aprendizagem da profissão se dê como um processo contínuo e que esse transcende a experiência e contribuem para o desenvolvimento profissional do professor.
O processo de busca de uma identidade profissional para a docência como parte dos processos de profissionalização está relacionado com a autoimagem, a autobiografia e as representações que os professores fazem de si mesmos e dos outros no seu grupo profissional. As representações que eles têm sobre sua atividade profissional, sobre sua formação e sobre as condições do exercício da atividade profissional são componentes do conhecimento profissional. (FERNANDES,2018, p.87).
A identidade dos professores em relação à profissionalização produz questionamento de suas experiências, das práticas, das relações que se produzem na dialética das identidades, na procura de novas práticas docentes.
Como se pode observar no quadro acima todos os professores participantes já completaram mais de 05 anos de profissão com narrativas peculiares no seu percurso profissional, no entanto, todos os depoimentos enfatizam a paixão pelo ensinar, e nas entrelinhas de suas falas percebe-se que se sentem realizados na profissão docente.
Assim, entende-se que o professor é um profissional que ensina conteúdos com intuito de transformar as pessoas e viver no grupo social, norteia o processo ensino-aprendizagem dos alunos na sala de aula, cria e recria saberes, estabelece uma mediação entre a pessoa, a realidade e a cultura, tendo como profissão específica à docência.
5.3 O que é Ser Professor (a) na sua concepção e qual a implicação na formação?
Com a resposta, os professores:
{...} “Ser Professora ensinar Biologia, também exige tanto do professor como o aluno que lidem com uma série de termos complexos, de difícil compreensão. É necessário contextualizar os conteúdos com os conhecimentos prévios dos alunos uso isso como estratégia para tornar a aprendizagem da Biologia mais significativa” (P1).
{...}” O Professor de História antes de tudo deve reconhecer que os valores humanos estão presentes no aprendizado e deve ser aprendido mutuamente com as questões sociais e ambientais. Isso deve ser passado para os alunos, se quisermos formar cidadãos atuantes na sociedade” (P2).
{...} “Ser Professora de Língua Portuguesa é encantar os alunos. Não há dúvidas de que para encantar se deve elaborar desenvolver atividades práticas experimentais que trazem importantes contribuições ao ensino da língua e pode ser empregado com diferentes finalidades, através de diferentes abordagens. É importante que o professor conheça e compreenda essas possibilidades para utilizá-las de acordo com seus objetivos e suas necessidades, e com estratégias que favoreçam a aprendizagem de novos conteúdos, procedimentos e atitudes” (P3).
As declarações apontam para importância o papel que o professor (a) possui, para necessidade de conhecimentos que envolvem o cotidiano do aluno, suas demandas, e o desenvolvimento de ações que viabilizem a prática docente, que venham facilitar a compreensão dos conteúdos pelos alunos e a desenvoltura do professor em sala de aula. No caso da formação docente, se destacam quatro perspectivas se:
A perspectiva acadêmica, a perspectiva técnica, a perspectiva prática e a perspectiva de reconstrução social. A perspectiva acadêmica vê o docente como “um especialista nas diferentes disciplinas que compõem a cultura, e sua formação estará vinculada estreitamente ao domínio dessas disciplinas cujos conteúdos deve transmitir” (SACRISTÁN; GOMEZ, 2015 p.2).
Verifica-se, como isto, que o trabalho do professor é baseado em conteúdos e ele será o ressignificador dos saberes discutidos em sala de aula, onde os dois enfoques assumem distintas posições. O enfoque enciclopédico considera que o professor é um transmissor de conhecimentos, fazendo-se necessário o domínio das técnicas e a organização da aula de base expositiva dos conteúdos, avaliando com rigor seus alunos.
No enfoque compreensivo, o professor deve ter o conhecimento da disciplina, conhecendo a matéria em sua totalidade, representando os conteúdos essenciais que sejam significativos para a aquisição do conhecimento do aluno.
Na perspectiva técnica, o trabalho do professor tem uma base em sua instrumentalização, norteada por saberes docentes que segundo Tardif (2008, p.67), envolve saber num sentido abrangente que entrelaça os conhecimentos, as competências, as habilidades, as atitudes”, o que leva a perceber o saber fazer e o saber ser e principalmente por conhecimentos da disciplina ensinada, dirigindo-se à solução de problemas mediante a aplicação rigorosa de teorias e técnicas aprendidas para a definição dos procedimentos específicos do ensino aprendizagem.
A fala da professora P2, esclareceu que um dos desafios no ensino de Ciências no 9º ano é propiciar ao aluno a participação nos debates contemporâneos que exigem conhecimento biológico, para possibilitar ao aluno perceber a importância da biodiversidade e reconhecer como essa biodiversidade influencia a qualidade de vida humana.
Neste contexto, é necessário refletir sobre o ensino de Ciências e outras disciplinas no ensino fundamental das escolas públicas, a fim de delinear metodologias que favoreçam a formação de um indivíduo crítico frente às inovações científicas, o que cabe ao professor na escolha de sua profissão.
A profissão docente é revestida de características que lhe são peculiares, pois é uma atividade em que o professor investe parte da sua personalidade, enquanto está também é construída no fazer pedagógico.
Nessa perspectiva, pensa-se que a formação, para além da aprendizagem de técnicas e habilidades necessárias para o ensino, implica na construção de valores e de um saber- ser, na medida em que influencia na constituição da pessoa do professor em todas as suas dimensões: cognitivas, afetivas e sociais.
Isso nos remete à importância de voltar-se o olhar para a formação docente, no que diz respeito à ideia de que o professor se educa e se forma no decorrer de sua existência, estando, portanto, em processo permanente de (re)construção de si próprio (GARCIA, 2018).
Nesse viés, considera-se que o desenvolvimento pessoal não está dissociado do desenvolvimento profissional, ao contrário, numa relação de reciprocidade, constroem-se, conjunta e concomitantemente, ao longo do ciclo vital do sujeito, cujo eixo interseccional parece ser a relação com o outro, sendo que o professor se forma e transforma nas e pelas relações que estabelece em seu contexto, adquirindo contornos próprios, que singularizam sua maneira de agir, reagir e interagir com o mundo.
Sobre a contribuição das metodologias ativas os professores, assim se pronunciam:
{...}” Para o uso de novas metodologias dentro das metodologias ativas o professor precisa ter um olhar atento quanto aos conhecimentos prévios dos estudantes, tendo a possibilidade de refletir em como poderá optar pelo método mais adequado, para desenvolver os conteúdos curriculares necessários” (P1).
A professora P1 menciona, que ao planejar qualquer atividade com Metodologias Ativas os objetivos devem estar claros para o professor e para os alunos. O aluno tem que ter plena consciência do que se espera dele no final daquele momento de aprendizagem. Todos esses aspectos requerem um novo modelo de professor que precisa estar preparado para desempenhar as suas novas funções.
Na sua fala a professora explicou que as metodologias ativas, são consideradas potencialmente significativas, pois está relacionado à estrutura cognitiva do aprendiz. (AUSUBEL, 1968). Dessa forma, ao analisar o relato da entrevistada que o uso das metodologias ativas é capaz de tornar o conteúdo da disciplina significante para os alunos.
Essa resposta também lança luz sobre um importante fator que deve ser considerado ao pensar a aprendizagem significativa, a disponibilidade de substâncias na estrutura cognitiva. Nesse tipo de aprendizagem, cada aluno pode contribuir melhor com o desenvolvimento da atividade, como também aprender de modo significativo, haja vista que ele desenvolve a atividade partindo de saberes relevantes previamente existentes na sua estrutura cognitiva.
Já para a professora P2:
{...} “As Metodologias Ativas têm como finalidade propiciar o protagonismo do estudante, e para os professores do curso optam por formas de ensino diferenciadas da tradicional conteudista” (P2).
Nessa ótica, o grande desafio do professor é preparar o aluno para aprender a aprender, desenvolvendo competências para atuar em um mundo de constante transformação. Propor inovadoras metodologias de ensino-aprendizagem que visem às rupturas é o grande desafio das novas perspectivas educacionais. Nota-se que a influência da metodologia tradicional de ensino, centrado no professor e nos conteúdos curriculares, ainda é fortemente verificada no cotidiano da sala de aula, pois está enraizado na formação do professor, como herança das escolas jesuíticas. Berbel (2016) diz que:
A educação contemporânea deve pressupor um discente capaz de autogerenciar ou autogovernar seu processo de formação baseadas no desenvolvimento do processo de aprender, utilizando experiências reais ou simuladas, solucionado os desafios advindos das atividades essenciais da prática social, em diferentes contextos (BERBEL, 2016, p.67).
Nas palavras do autor, a metodologia ativa de aprendizagem deve estar alicerçada em um princípio teórico significativo, a autonomia. Com essa visão, as Metodologias Ativas têm como foco, o professor e a necessidade de propiciar um ambiente no qual, os estudantes sintam-se instigados à reflexão, aos questionamentos e ao gosto pelo saber. Para que os estudantes possam exercer um papel ativo e crítico durante o processo de aprendizagem e serem protagonistas de sua aprendizagem (MORAN, 2015).
A Professora P3 disse:
{...}” O professor deve escolher métodos e estratégias que possibilitem o papel ativo dos alunos, mas vai depender dele, saber organizar atividades para esta participação. É importante que o professor defina qual o objetivo que pretende alcançar” (P3).
A atividade pedagógica atualmente se defronta com novos desafios que estão postos, entre eles, a superação ou rompimento dos modelos de ensino tradicional fortemente arraigados nesta modalidade de ensino.
No entanto, na fala do professor P3, percebeu-se que esta demanda ascende fortemente à busca dos professores por métodos inovadores.
De acordo com Fernandes (2018), há uma grande necessidade de buscar a inovação na prática pedagógica do professor priorizando os métodos ativos de aprendizado, definindo a aprendizagem baseada em resultados e competências e enfatizando aquisição de habilidades e atitudes, bem como do conhecimento.
Araújo (2016) explica estes conceitos:
Os métodos e as técnicas significam um ordenamento do ensino, implicando recusa à improvisação. Metaforicamente, os métodos e as técnicas são bússolas a guiar, teórica e praticamente, o ensino e a aprendizagem. Tal como o seu mostrador, expresso pela agulha, que indica o norte magnético, os métodos e as técnicas de ensino pautam a direção a ser seguida, bem como o processo a ser desenvolvido (ARAÚJO, 2016, p. 26, 27).
O professor que deseja utilizá-las em sua prática pedagógica cotidiana, necessita ter o domínio das estratégias de ensino em toda a sua plenitude, pois sem a compreensão dos objetivos e de como alcançá-los ao utilizar estratégia inadequada. Moran (2015), enfatiza que, nas Metodologias Ativas de aprendizagem, o aprendizado se dá a partir de problemas e situações reais é que as Metodologias Ativas não se resumem a um conjunto de estratégias de ensino, têm embasamento teórico e filosófico que a sustentam como uma vertente pedagógica centrada no aluno e em seu aprendizado que estimula sua reflexão e criticidade diante das problemáticas que envolvem a área de formação por ele escolhida.
Assim sendo, a responsabilidade do professor ao optar pelas Metodologias Ativas deverá atender a proposta desta que almeja ser uma metodologia libertadora, que estimula a resolução de problemas por meio do pensamento crítico e reflexivo do aluno.
Percebeu-se na fala dos participantes que nas Metodologias Ativas, dentro das suas inúmeras técnicas, o aluno é levado a fazer uma análise de problemas e tomada de decisões, utilizando de casos reais, fictícios ou adaptados da realidade, possibilitando-os analisá-las em seus diferentes ângulos e assim inferir no processo de aprendizagem.
Berbel (2016) diz que:
Podemos entender que as Metodologias Ativas se baseiam em formas de desenvolver o processo de aprender, utilizando experiências reais ou simuladas, visando às condições de solucionar, com sucesso, desafios advindos das atividades essenciais da prática social, em diferentes contextos. (BERBEL, 2011, p.29).
Neste ponto, pode-se dizer que a aprendizagem ativa ocorre quando o aluno interage com o assunto em estudo, ensinando, sendo estimulado a construir o conhecimento em vez de recebê-lo de forma passiva do professor.
Assim, pode-se inferir que as Metodologias Ativas colocam o aluno no centro do processo ensino-aprendizagem, incitando que este empregue seus conhecimentos prévios para dar sentido aos novos conteúdos e para resolver problemas.
5.2.1 Caracterização dos Alunos Participantes
Os 60 alunos participantes possuem em média entre 13 e 14 anos de idade. Desses 60 alunos 47 são meninas, todos eles moram com os pais e são alunos sem reprovação do 8º para o 9º ano.
Quadro 01: Formação e Titulação dos Docentes Participantes da pesquisa.
Função da escola | Quantidade | Percentual |
|---|---|---|
Reproduzir conteúdos das diversas áreas do conhecimento e valores sociais; | 27 | 45% |
Propiciar o domínio dos conteúdos culturais e desenvolvimento de habilidades, valores e potencialidades físicas, cognitivas e afetivas; | 20 | 33,33% |
Não conheço a função da escola; | 13 | 21,67% |
TOTAL | 60 | 100% |
Fonte: Dados da Pesquisa.
Aqui, buscou-se saber dos alunos qual a função social da escola, embora essa indagação parece muito complicada para os alunos do 9º ano, mas ao aplicar o questionário a pesquisadora explicitou, representando, e a importância de o aluno conhecer a função social da escola e o seu papel para formação de todos os alunos, bem como o compromisso com conhecimento. Essa indagação, foi necessária para que eles pudessem perceber o papel das metodologias ativas no processo de ensino aprendizagem. Pode-se observar que 45% dos alunos afirmaram que a função da escola é de reproduzir conteúdo, e 33,33% dos alunos entenderam que a função da escola vai mais além, 21,67% não conhece. Neste sentido, é importante ressaltar que a função educativa da escola ultrapassa a função reprodutora de conteúdos, das diversas áreas do conhecimento e dos valores sociais, e deve primar na eliminação da reconstrução das pré-concepções acríticas, formadas pela pressão reprodutora do contexto social, por meio de mecanismos e meios de comunicação cada dia, mais poderosos e de influência mais sutil. Saviani (2010), enfatiza que a educação é atividade necessária para a existência humana, uma vez que as atividades práticas são mediadas por uma gama de conhecimentos produzidos pelas gerações anteriores. Diferentemente dos outros animais, que agem segundo determinações biológicas e se adaptam à natureza, o homem precisa modificar constantemente a natureza para garantir a própria subsistência. Assim, a escola, no desempenho de sua função social de formadora de sujeitos históricos, precisa ser um espaço de sociabilidade que possibilite a construção e a socialização do conhecimento produzido, tendo em vista que esse conhecimento não é dado a priori. Trata-se de conhecimento vivo e que se caracteriza como processo de construção.
Torna-se necessário explicar para o aluno qual a função social da escola, uma vez que esses cidadãos, ao saber a função da escola, exercem a sua cidadania no que se refere à educação como direito subjetivo de todo cidadão.
Isso quer dizer que, na prática, demanda-se da escola a necessidade de realmente preparar os alunos para a inserção crítica e conscienciosa na sociedade. Dessa forma, o professor deve traçar estratégias de ensino para facilitar o alcance dos seus objetivos educacionais pelo aluno.
Isto inclui a elaboração de um plano de ensino, no qual o professor descreva a sequência de suas ações, os seus objetivos, as suas expectativas, o material a ser utilizado para as atividades, entre outros, visto que tarefas do professor desenvolver no aluno habilidades que o mantenham sintonizado com as reais necessidades do processo de aprendizagem, aí entram novas técnicas e estratégias que se adentram pelas metodologias ativas.
5.2.3 Para você aluno, qual a importância dos métodos que professor (a) utiliza em suas aulas?
Quadro 02: Referente a importância dos métodos que o professor utiliza em sala de aula.
Importância dos métodos utilizados pelos professores | Quantidade | Percentual |
|---|---|---|
Importante | 59 | 99% |
Indiferente | - | - |
Desnecessária | 01 | 1% |
Não sei para que serve | - | - |
TOTAL | 60 | 100% |
Fonte: Dados da Pesquisa.
Aqui, nesse quesito, 99% dos alunos participantes, entendem como importante o método que o professor (a) usa em suas aulas e somente 1% a consideram desnecessário, num universo de 60 alunos.
Diante das respostas dos alunos questionados, a maioria deles que entendem como importante o método usado nas aulas, pode-se destacar que as metodologias ativas possuem alguns vieses de ensino, os quais têm como objetivo principal o desenvolvimento do aluno, a partir da sua autonomia na construção do saber, transformando-o no principal elemento do desenvolvimento de sua educação
Nesse entendimento, considera-se que as metodologias ativas permeiam o desenvolvimento dos alunos no processo de aprender a partir da problematização, como estratégia de ensino e aprendizagem, promovendo seu próprio desenvolvimento a partir das experiências vividas, rompendo definitivamente com o autoritarismo do método tradicional de ensino.
Assim, é notório que a metodologia utilizada pelo docente em sala de aula pode impulsionar o aluno em seu crescimento pessoal e educacional, pois é a partir do desenrolar das atividades que estes vão ganhando experiências para construírem os saberes necessários para sua vida adulta.
Observou-se que 55% dos alunos entrevistados responderam que nunca ouviram falar, e 45% responderam que já ouviram falar. No entanto, com a exigência dessa sociedade da informação, o cenário do processo de ensino/aprendizagem dos alunos do ensino médio tem se modificado. Embora muitos alunos na pesquisa afirmarem que nunca ouviram falar em Metodologias Ativas, a sala de aula hoje passou a ser o centro da aprendizagem, o que de certa forma é uma metodologia ativa, por gerar maior interação, autonomia na busca e construção do conhecimento, e permite que os alunos desenvolvam um pensamento crítico e reflexivo, bem como o trabalho em equipe.
As metodologias ativas devem ser capazes de permitir aos alunos aprender a pensar, a relacionar teoria e prática, a fim de buscar adequar as necessidades da sociedade e a resolver os problemas que emergem do cotidiano. (BERBEL,2016).
Há de se concordar com esse ponto de vista, uma vez que se deve buscar a motivação dos estudantes, para ativarem os conhecimentos prévios e, de forma crítica, atribuam um novo significado às suas descobertas, favorecendo a solução de problemas do cotidiano, bem como o desenvolvimento do aluno.
Nessa perspectiva, o aluno assume o papel de sujeito ativo na construção do saber, deixando de ser mero receptor de conteúdos, e adotando o papel de sujeito responsável
por buscar os conhecimentos necessários à resolução de seus problemas, com o intuito de atingir os objetivos da aprendizagem.
Em contrapartida, o docente deve adotar uma postura de coadjuvante, deixando de ser o centro do processo de aprendizagem e assumindo o papel de mediador entre o sujeito e o conhecimento.
Verificou-se que 52 alunos, isto é 86,67% responderam que as aulas são muito animadas e 06 alunos 10%, as aulas são paradas e 02 alunos, isto é 3,33% afirmaram que não percebem, como são as aulas, demonstrando com essa resposta total desinteresse pelos estudos.
Mas comparando com as respostas dos alunos quando perguntados se sabiam o que era Metodologias Ativas, percebeu-se que eles somente não a conhecem pelo nome, mas quando mencionam que as aulas são muito animadas estão falando de novas estratégias de ensino aprendizagem. Nessa ótica, a motivação é um fator determinante para o desencadeamento de muitas ações humanas. Muitos professores, na sua atividade, se encontram perante um impasse, os alunos, tem interesse naquilo que lhes pretendem ensinar ou que deveriam aprender. Numa palavra: não estão motivados. No ambiente escolar o aluno está motivado ou desmotivado, de acordo com seu interesse e condições dentro do ambiente escolar, ou seja, a escola deve proporcionar um ambiente com qualidade.
No contexto escolar, a motivação desempenha um papel crucial no envolvimento escolar dos alunos, através do sentido que os alunos vão atribuir às tarefas e aprendizagens, constituindo-se assim como um determinante do sucesso acadêmico.
Nesse caso, a escola contribui para a formação desse sujeito ativo, quando se transforma de um modelo de escola tradicional, focada no individualismo e na competição, para um modelo mais comunitário, permitindo que os sujeitos se inserem em atividades e práticas mais humanizadas.
Portanto, a utilização de modalidades e recursos didático- pedagógicas é de suma importância para haver uma aprendizagem significativa (KRASILCHIK, 2012). A aprendizagem significativa é que transforma uma aula inanimada em uma aula animada. A aprendizagem significativa também faz parte das metodologias ativas, como o uso dos jogos.
O jogo que podemos chamar de gamificação oferece o estímulo e o ambiente propícios que favorecem o desenvolvimento espontâneo e criativo dos alunos e permite ao professor ampliar seu conhecimento de técnicas ativas de ensino, desenvolver capacidades pessoais e profissionais para estimular nos alunos a capacidade de comunicação e expressão, mostrando-lhes uma nova maneira, lúdica, prazerosa e participativa de relacionar-se com o conteúdo escolar, levando a uma maior apropriação dos conhecimentos envolvidos.
Durante a pesquisa, foi possível entender a relevância da Metodologia Ativa no processo de aprendizagem do aluno. O presente estudo demonstrou que para alguns dos alunos participantes da pesquisa as aulas são paradas, o que significa que elas possuem um significado. Uma pequena porcentagem desses educandos afirmaram que nem percebem como são as aulas, o que demonstra desinteresse pelos estudos. Dessa forma, é necessário que a escola crie e promova um ambiente de troca de ideias, de intimidade e experiências que permitam estabelecer junções entre os estudos, comportamentos, vivências, habilidades humanas, além de desenvolver atitudes, valores e aspectos afetivo-emocionais.
Verificou-se que o uso de metodologias ativas como ferramenta pedagógica pode ao romper com a construção fragmentada de disciplinas através da interdisciplinaridade ao proporcionar ao aluno uma dinâmica diferente de aprendizagem.
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Os Professores participantes serão identificados na pesquisa como P1, P2, P3. ↑