Estratégias de enfermagem no apoio ao cuidador familiar do idoso com doença de Alzheimer

Nursing strategies to support family caregivers of older adults with Alzheimer’s disease

Andressa de Castro Holthausen [1]

Bruna Rodrigues Frois 1

Carolaine Teixeira da Silva 1

Deise Aparecida de Souza Ferreira1

Tamires Roberta da Silva1

Thaize Lima de Souza1

Everson da Silva Souza[2]

Resumo

A Doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa progressiva que compromete funções cognitivas, comportamentais e funcionais do idoso, gerando elevada dependência e impacto significativo sobre o cuidador familiar. Nesse contexto, a atuação da enfermagem torna-se fundamental no suporte físico, emocional e educativo ao cuidador. O presente estudo teve como objetivo analisar, na literatura científica, as estratégias de enfermagem utilizadas no apoio ao cuidador familiar do idoso com Doença de Alzheimer. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases de dados SciELO e Google Acadêmico, com artigos publicados em língua portuguesa no período de 2020 a 2026. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 17 estudos para análise. Os resultados evidenciaram que as principais estratégias de enfermagem envolvem ações educativas, orientação para o manejo comportamental do idoso, apoio emocional, promoção de grupos de apoio, visitas domiciliares e fortalecimento da rede de suporte social, contribuindo para a redução da sobrecarga e melhoria da qualidade de vida do cuidador. Observou-se que a sobrecarga do cuidador está associada ao estresse físico e emocional, especialmente na ausência de suporte adequado, evidenciando a importância de uma assistência contínua, humanizada e multiprofissional. Conclui-se que a enfermagem desempenha papel essencial no cuidado integral, sendo necessária a ampliação de estratégias sistematizadas e políticas de apoio ao cuidador, visando minimizar os impactos do processo de cuidar.

Palavras-chave: Doença de Alzheimer; Enfermagem; Cuidador Familiar; Sobrecarga; Estratégias de Apoio.

Abstract

Alzheimer’s disease is a progressive neurodegenerative condition that impairs cognitive, behavioral, and functional abilities in older adults, leading to high levels of dependence and a significant impact on family caregivers. In this context, nursing plays a fundamental role in providing physical, emotional, and educational support to caregivers. This study aimed to analyze, in the scientific literature, the nursing strategies used to support family caregivers of older adults with Alzheimer’s disease. This is an integrative literature review conducted using the SciELO and Google Scholar databases, including articles published in Portuguese between 2020 and 2026. After applying the inclusion and exclusion criteria, 17 studies were selected for analysis. The results showed that the main nursing strategies include health education, guidance on behavioral management of older adults, emotional support, promotion of support groups, home visits, and strengthening of the social support network, contributing to reduced caregiver burden and improved quality of life. It was observed that caregiver burden is associated with physical and emotional stress, especially in the absence of adequate support, highlighting the importance of continuous, humanized, and multidisciplinary care. It is concluded that nursing plays an essential role in comprehensive care, and the expansion of systematized strategies and support policies for caregivers is necessary to minimize the impacts of the caregiving process.

Keywords: Alzheimer's Disease; Nursing; Family Caregiver; Burden; Support Strategies.

INTRODUÇÃO

A Doença de Alzheimer é uma enfermidade de caráter neurodegenerativo que provoca alterações progressivas na memória e em outras funções cognitivas. Com a evolução da doença, ocorre um declínio funcional significativo, comprometendo gradualmente a autonomia do indivíduo e podendo levar, nos estágios mais avançados, à dependência total de cuidados (Marques et al., 2022).

O diagnóstico da Doença de Alzheimer envolve uma abordagem multidisciplinar, considerando diversos aspectos clínicos, neurológicos e laboratoriais. Inicialmente, o médico realiza uma avaliação minuciosa da história clínica do paciente, incluindo a análise dos sintomas relatados pelo próprio indivíduo e por seus familiares. Testes cognitivos são frequentemente utilizados para avaliar funções como memória, linguagem, habilidades visuoespaciais e funções executivas. Além disso, exames neurológicos podem ser realizados com o objetivo de identificar possíveis alterações motoras, sensoriais ou reflexas (Marques et al., 2022).

Para a confirmação diagnóstica, exames de imagem, como a ressonância magnética (RM) e a tomografia por emissão de pósitrons (PET), são empregados para avaliar a estrutura cerebral e identificar alterações características da doença, como a atrofia cerebral, o acúmulo de placas de beta-amiloide e os emaranhados de proteína tau (Marinho et al., 2024).

Nesse contexto, destaca-se também a importância dos biomarcadores neurogenéticos no diagnóstico precoce da doença e no desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais direcionadas. Ao compreender a contribuição da genética na patogênese da Doença de Alzheimer, torna-se possível vislumbrar um cenário clínico em que a identificação precoce, por meio desses biomarcadores, possibilite intervenções mais eficazes e personalizadas (Vasconcelos et al., 2024).

Apesar dos avanços, a etiologia ainda não é completamente compreendida, estando relacionada a fatores de risco como idade avançada, histórico familiar, baixa escolaridade, traumatismo craniano e depressão. Na prática clínica, a investigação do quadro envolve a análise da história clínica do paciente, aliada à aplicação de testes cognitivos e exames complementares, com destaque para o uso crescente de biomarcadores, que têm contribuído para maior precisão. Entretanto, a identificação precoce ainda representa um desafio, sendo fundamental para possibilitar intervenções que auxiliem na desaceleração da progressão da doença e na melhoria da qualidade de vida do paciente (Silva et al., 2024).

O aumento da população idosa é um fenômeno observado mundialmente, com projeções demográficas que indicam crescimento contínuo desse grupo etário. Esse cenário configura uma nova realidade social e sanitária, exigindo maior preparo dos sistemas de saúde para atender às demandas atuais e futuras relacionadas ao envelhecimento populacional (Silva et al., 2023).

Com o crescimento da população idosa, observa-se um aumento significativo na prevalência de doenças crônicas, entre elas a Doença de Alzheimer. No contexto brasileiro, dados indicam que aproximadamente 8,5% dos idosos vivem com essa enfermidade, o que corresponde a cerca de 2,7 milhões de pessoas com 60 anos ou mais (Mesquita et al., 2025).

A Doença de Alzheimer exige cuidados contínuos, sendo a família responsável pelo acompanhamento do idoso desde o diagnóstico até o fim da vida, o que torna essencial também o cuidado com o cuidador, devido ao impacto direto em seu bem-estar psicológico (Salazar; Pinheiro, 2025).

Diante dessa realidade, o cuidador exerce um papel fundamental na assistência à pessoa com Alzheimer; entretanto, o ato de cuidar pode gerar limitações às suas próprias necessidades pessoais. A falta de preparo, o desconhecimento sobre a doença, as exigências relacionadas à segurança do paciente e a progressão da demência podem interferir no vínculo familiar e na qualidade dos cuidados prestados. Dessa forma, os profissionais de saúde desempenham um papel essencial na assistência, contribuindo para que o processo de cuidar não seja uma experiência insatisfatória (Silva et al., 2023).

A progressão da Doença de Alzheimer afeta significativamente a dimensão emocional dos familiares e cuidadores, que passam a vivenciar o chamado “luto antecipatório”, processo descrito por Lindemann (1944) como a antecipação emocional da perda de um ente querido. Esse luto simbólico ocorre à medida que a família presencia a perda gradual da identidade e da autonomia do paciente (Neves; Moreira, 2025).

A realidade imposta ao cuidador pode acarretar sobrecarga mental e física. A falta de tempo para o lazer e o autocuidado afeta diretamente sua qualidade de vida e autoestima, implicando negativamente no cuidado prestado à pessoa idosa. Tais circunstâncias podem gerar um estado de estresse prolongado, levando o cuidador a negligenciar suas próprias necessidades, o que pode resultar em adoecimento e até mesmo em óbito precoce. Além disso, a sobrecarga pode ocasionar prejuízos na assistência ao idoso (Lin et al., 2023).

O estresse é considerado um importante fator associado a sintomas psicossociais, como ansiedade, mal-estar difuso, cansaço e sensação de solidão. Ademais, a sobrecarga emocional e física caracteriza um quadro de estresse crônico no cuidador familiar, aumentando, inclusive, o risco de declínio cognitivo. Esse impacto emocional está relacionado, entre outros fatores, à disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, que favorece o desequilíbrio entre fatores neurotóxicos e neuroprotetores, podendo acarretar prejuízos cognitivos no cuidador e comprometer a qualidade da assistência prestada ao paciente (Ferreira et al., 2022).

Tem estudos que avaliam o nível de sobrecarga em cuidadores de indivíduos com Alzheimer apontou que grande parte apresenta sobrecarga moderada a severa, relacionada principalmente à rotina intensa de cuidados, às condições socioeconômicas e à falta de suporte social adequado. Esses fatores podem comprometer o bem-estar do cuidador e interferir na qualidade do cuidado prestado ao idoso (Uchôa et al., 2025).

Diante desse cenário é fundamental a atuação do enfermeiro na assistência ao paciente com Doença de Alzheimer é fundamental para a promoção da qualidade de vida, uma vez que envolve não apenas a execução de técnicas, mas também a oferta de orientações e apoio à família, contribuindo de forma significativa para o cuidado integral do paciente (Silva et al., 2020).

Nesse contexto, é essencial que a equipe de enfermagem estabeleça uma relação de confiança com o paciente, fornecendo suporte emocional, orientações para lidar com as alterações de humor e promovendo um ambiente seguro e acolhedor. Destaca-se que o paciente com Alzheimer pode apresentar desorientação e confusão, necessitando de uma abordagem pautada na compreensão, paciência e gentileza por parte dos profissionais de saúde (Franco; Lima; Passos, 2023).

Entende-se que o termo cuidador pode ser aplicado a um membro da família ou não, responsável por prestar assistência a idosos, enfermos ou indivíduos dependentes em suas atividades diárias, incluindo alimentação, higiene pessoal, administração de medicamentos e acompanhamento em consultas médicas (Costa; Ferreira; Ramos, 2024).

O processo de cuidar, pode tornar-se uma tarefa solitária e estressante, influenciada por fatores como o desconhecimento da doença, a complexidade das necessidades da pessoa com Doença de Alzheimer e a sobrecarga decorrente das demandas contínuas de cuidado. Além disso, o cuidador frequentemente vivencia abdicações pessoais, deixando em segundo plano suas próprias necessidades e passando a viver em função do paciente, o que impacta negativamente sua qualidade de vida (Lelis et al., 2025).

A enfermagem desempenha papel central no manejo da Doença de Alzheimer, estando diretamente relacionada aos cuidados diários, à avaliação contínua das necessidades do paciente e à implementação de intervenções que visem à minimização dos impactos da doença. Essas intervenções abrangem desde a prevenção de quedas e o manejo dos sintomas até o suporte emocional e a adaptação às limitações decorrentes do declínio cognitivo. Além disso, a atuação do enfermeiro também se estende ao cuidador familiar, por meio da orientação quanto aos cuidados, educação em saúde e apoio emocional, contribuindo para a melhoria da qualidade da assistência prestada e para a redução da sobrecarga associada ao cuidado (Leite; Cintra, 2026).

Nessa perspectiva, diversos desafios estão presentes no exercício do cuidado de enfermagem à pessoa idosa com Doença de Alzheimer, incluindo a promoção da segurança, a manutenção da higiene e do autocuidado, o auxílio nas atividades de vida diária e o reconhecimento das necessidades psicossociais. Destaca-se a importância do preparo do cuidador familiar, uma vez que a falta de conhecimento e suporte pode impactar negativamente tanto o bem-estar do cuidador quanto a qualidade do cuidado oferecido ao idoso (Pinto et al., 2023).

Considerando os impactos da Doença de Alzheimer na vida do idoso e de seus familiares, destaca-se a relevância da atuação da enfermagem no suporte ao cuidador familiar, por meio de ações educativas, orientações relacionadas aos cuidados diários e apoio emocional. Assim, o estudo justifica-se pela necessidade de aprofundar o conhecimento acerca das estratégias de enfermagem direcionadas ao cuidador familiar do idoso com Doença de Alzheimer.

A assistência de enfermagem contribui para a melhoria da qualidade de vida tanto do idoso quanto do cuidador, reduzindo a sobrecarga física e psicológica associada ao cuidado. Nesse contexto, torna-se relevante compreender as práticas adotadas pelos profissionais de enfermagem no suporte a esses cuidadores. Assim, surge a seguinte questão norteadora: quais estratégias de enfermagem são descritas na literatura para apoiar o cuidador familiar do idoso com Doença de Alzheimer? Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo analisar as estratégias de enfermagem descritas na literatura para apoiar o cuidador familiar do idoso com Doença de Alzheimer.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo de revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, que tem como objetivo reunir e sintetizar os conhecimentos científicos acerca das estratégias de enfermagem no apoio ao cuidador familiar do idoso com Doença de Alzheimer.

A coleta de dados foi realizada por meio de busca nas bases de dados: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Base de Dados em Enfermagem (BDENF) e Scientific Electronic Library Online (SciELO).

Para a busca dos artigos, foram utilizados os seguintes descritores: “Doença de Alzheimer”, “Enfermagem”, “Cuidador familiar” e “Assistência de enfermagem”, combinados entre si por meio do operador booleano AND.

Foram estabelecidos como critérios de inclusão: artigos científicos disponíveis na íntegra, publicados nos últimos cinco anos (2020 a 2026), em língua portuguesa que abordassem a temática proposta. Como critérios de exclusão, consideraram-se artigos duplicados, teses, dissertações, resumos, bem como estudos que não se relacionassem diretamente com o objetivo da pesquisa.

A análise dos dados foi realizada de forma descritiva, a partir da leitura e interpretação dos estudos selecionados, permitindo a identificação das principais estratégias de enfermagem voltadas ao apoio do cuidador familiar do idoso com Doença de Alzheimer.

Foram identificados inicialmente 70 artigos, sendo 15 provenientes da Scientific Electronic Library Online (SciELO) e 55 por meio de busca em periódicos científicos disponíveis em plataformas eletrônicas, com auxílio do Google Acadêmico. Após a remoção dos estudos duplicados, permaneceram 60 artigos para a etapa de triagem, realizada por meio da leitura dos títulos e resumos. Desses, 25 foram excluídos por não atenderem aos critérios de inclusão, restando 35 estudos para leitura na íntegra. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, 18 artigos foram excluídos. Ao final do processo, 17 estudos compuseram a amostra final da revisão integrativa.

A distribuição temporal dos artigos selecionados foi a seguinte: 1 artigo publicado em 2020, 2 artigos em 2022, 3 artigos em 2023 , 5 artigos em 2024, 5 artigos em 2025 e 1 artigo em 2026.

A sequência do processo de identificação, triagem, seleção e inclusão dos estudos está apresentada abaixo, conforme o modelo PRISMA de identificação de estudos através das bases de dados.

Figura 1 – Fluxograma PRISMA – Identificação de Estudos Através da Base de Dados

Etapa

Descrição

Contagem (n)

Identificação

Registros identificados através de bases de dados

SciELO (n=15)

Google Acadêmico (n=55)

Total: n=70

Triagem

Registros para triagem

n=60

Registros excluídos após triagem por título, resumo e período

n=25

Registros para leitura na íntegra

n=35

Elegibilidade

Registros para leitura na íntegra (artigos em texto completo avaliados para elegibilidade)

n=35

Registros excluídos após aplicação dos critérios de elegibilidade

n=18

Inclusão Estudos incluídos na revisão n=17

Fonte: elaborado pelas autoras (2026).

Conforme observado, após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 17 estudos que compuseram a amostra final da revisão. As informações extraídas desses estudos estão apresentadas na próxima seção deste estudo.

RESULTADOS

Diante da pesquisa aplicada e triagem conforme critérios de inclusão e exclusão, obteve-se 17 estudos na amostra final da revisão. Para analisar esses estudos selecionados, a tabela a seguir apresenta suas principais informações, sendo elas autores, ano, metodologia e principais resultados.

Quadro 1 - Caracterização da produção científica analisada

Autor / Ano de Publicação

Título

Método / Objetivo(s)

Principais resultados / Conclusões

Marques et al. (2022).

Estratégias de enfermagem no apoio ao cuidador familiar do idoso com doença de Alzheimer.

Revisão de literatura.

Evidenciou-se que a enfermagem atua por meio de orientações, educação em saúde, suporte emocional e acompanhamento contínuo, contribuindo para a redução da sobrecarga do cuidador e melhoria na qualidade do cuidado prestado.

Marinho et al. (2024).

Doença de Alzheimer: uma análise dos principais sintomas que impactam a qualidade de vida dos pacientes.

Revisão de literatura.

A Doença de Alzheimer provoca declínio cognitivo progressivo, comprometendo a autonomia e a qualidade de vida, reforçando a importância do diagnóstico precoce e manejo adequado.

Vasconcelos et al. (2024).

Google Acadêmico.

O papel do enfermeiro na humanização do parto normal.

Este artigo buscou discutir sobre a humanização do parto e seus métodos de funcionamento, tendo como objetivo descrever o papel do enfermeiro na assistência humanizada prestada durante o trabalho de parto normal.

Silva et al. (2023).

Doença de

Alzheimer: estratégias de

cuidado diante das dificuldades ao portador e cuidador.

Revisão de literatura.

Destaca-se a importância da capacitação dos cuidadores, apoio psicológico e atuação multiprofissional, sendo a enfermagem essencial no processo de orientação e suporte.

Leite e Cintra (2026).

O cuidado de enfermagem à

pessoa portadora de Alzheimer.

Revisão de literatura.

Os resultados evidenciaram que a enfermagem é essencial no cuidado ao paciente com Alzheimer, atuando na segurança, no manejo dos sintomas e no apoio ao cuidador, contribuindo para a redução da sobrecarga.

Salazar e Pinheiro (2025).

Alzheimer e os desafios dos cuidados de

enfermagem ao idoso e ao seu cuidador familiar.

Revisão de literatura.

Evidenciou-se que os cuidadores enfrentam sobrecarga física e emocional, sendo fundamental a atuação da enfermagem na orientação, acolhimento e apoio contínuo.

Silva et al. (2024).

Doença de

Alzheimer: uma revisão bibliográfica.

Revisão de literatura.

O estudo reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo, destacando o papel da enfermagem no suporte ao paciente e cuidador.

Mesquita et al. (2025).

A Doença de

Alzheimer e seus desafios.

Revisão de literatura.

Os resultados evidenciaram que a Doença de Alzheimer compromete memória, cognição e autonomia, destacando a importância do

diagnóstico precoce, cuidado contínuo e apoio aos cuidadores.

Neves e Moreira (2025).

O impacto da

Doença de

Alzheimer na saúde física e mental do cuidador.

Revisão de literatura.

Os resultados evidenciaram que o cuidado ao paciente com Alzheimer gera sobrecarga no cuidador, impactando sua qualidade de vida, destacando a importância de apoio e capacitação.

Lin et al. (2024).

Qualidade de vida, estresse,

enfrentamento e sobrecarga de cuidadores de

pessoas idosas com Alzheimer.

Estudo quantitativo.

Os resultados evidenciaram que maior sobrecarga do cuidador está associada a pior qualidade de vida e mais estresse, reforçando a necessidade de apoio para reduzir os impactos do cuidado.

Costa, Ferreira e Ramos (2024).

Condição física, mental e social do

cuidador familiar relacionado à

sobrecarga: uma

revisão integrativa da literatura.

Revisão integrativa.

Os resultados evidenciaram que cuidadores familiares apresentam sobrecarga com impactos físicos, mentais e sociais, destacando a necessidade de apoio para melhorar a qualidade de vida.

Lelis et al. (2025).

Ser cuidadora familiar de pessoa com Doença de

Alzheimer: cuidado desigual.

Estudo quantitativo.

Os resultados evidenciaram que o cuidado é majoritariamente realizado por mulheres, associado à sobrecarga física e emocional, destacando a necessidade de apoio e políticas públicas.

Ferreira (2022).

Impacto emocional da Doença de

Alzheimer para familiares do doente e como o

diagnóstico afeta as atividades diárias.

Revisão integrativa.

Os resultados evidenciaram que a Doença de Alzheimer gera impactos emocionais nos familiares, como estresse e sobrecarga, destacando a importância do suporte psicológico e social.

Silva et al. (2020).

Assistência de enfermagem aos

pacientes portadores de Doença de Alzheimer.

Revisão integrativa.

Os resultados evidenciaram que a assistência de enfermagem é essencial no cuidado ao paciente com Alzheimer, destacando o manejo dos sintomas, a prevenção de complicações e o suporte à família.

Franco, Lima e Passos (2023).

Cuidados de

Enfermagem com o idoso portador de

Doença de

Alzheimer.

Estudo de revisão

Os resultados evidenciaram que o cuidado de enfermagem deve ser contínuo e humanizado, incluindo assistência diária, prevenção de complicações e orientação à família, destacando o papel do enfermeiro na qualidade de vida do idoso.

Pinto et al. (2023).

Cuidado de enfermagem ao

idoso com doença de Alzheimer.

Revisão integrativa.

Destacou a importância do cuidado de enfermagem na qualidade de vida do idoso, com foco no manejo dos sintomas, apoio ao cuidador e promoção da autonomia.

Uchôa et al. (2025).

Sobrecarga em cuidadores de

pessoas com doença de Alzheimer.

Estudo original

Evidenciou elevada sobrecarga física, emocional e psicológica em cuidadores de pessoas com Doença de Alzheimer, associada ao estresse, desgaste e impacto na qualidade de vida.

Fonte: elaborado pelas autoras, 2026.


Os estudos analisados evidenciam que a enfermagem desempenha papel fundamental no apoio ao cuidador familiar do idoso com Doença de Alzheimer, por meio da realização de orientações sistematizadas, ações de educação em saúde e oferta de suporte emocional. Destaca-se ainda a atuação do enfermeiro na identificação das necessidades do cuidador e na implementação de estratégias que visem à redução da sobrecarga física e psicológica associada ao cuidado. Dessa forma, reforça-se a importância da assistência de enfermagem contínua e humanizada, sendo esses achados discutidos na seção seguinte.

DISCUSSÃO

A Doença de Alzheimer caracteriza-se como uma enfermidade neurodegenerativa progressiva que compromete a memória, cognição e autonomia do indivíduo, gerando impactos significativos não apenas ao paciente, mas também ao cuidador familiar (Marinho et al., 2024; Mesquita et al., 2025). Nesse contexto, um dos principais achados da literatura analisada refere-se à sobrecarga física, emocional e psicológica enfrentada pelos cuidadores, evidenciando a necessidade de suporte contínuo por parte dos profissionais de saúde (Costa; Ferreira; Ramos, 2024; Neves; Moreira, 2025; Uchôa et al., 2025). Estudos indicam que essa sobrecarga está diretamente associada ao estresse, desgaste e piora da qualidade de vida, especialmente quando não há suporte adequado (Ferreira et al., 2022; Lin et al., 2024).

Diante desse cenário, observa-se que a atuação da enfermagem se configura como elemento central no cuidado, especialmente no apoio ao cuidador. A literatura evidencia que a enfermagem desenvolve estratégias fundamentais como educação em saúde, orientação contínua e suporte emocional, contribuindo para a redução da sobrecarga e melhoria da qualidade do cuidado prestado (Marques et al., 2022; Silva et al., 2023; Silva et al., 2024). Além disso, destaca-se que o cuidado de enfermagem deve ser contínuo, humanizado e centrado nas necessidades do paciente e do cuidador (Franco et al., 2023; Silva et al., 2020).

Entre as principais estratégias identificadas nos estudos analisados, destacam se a capacitação dos cuidadores para o manejo das atividades de vida diária, incluindo higiene, alimentação e prevenção de complicações, bem como o manejo de sintomas comportamentais e cognitivos, como agitação, desorientação e alterações de humor (Pinto et al., 2023; Silva et al., 2023). Essas intervenções contribuem para maior segurança no cuidado e redução da ansiedade do cuidador.

Outro aspecto amplamente discutido refere-se ao suporte emocional e psicológico ao cuidador, considerado essencial para minimizar os impactos do cuidado prolongado. Estratégias como escuta qualificada, acolhimento, incentivo ao autocuidado e encaminhamento para acompanhamento psicológico são fundamentais para prevenir o adoecimento do cuidador (Cintra, 2026; Ferreira et al., 2022; Leite; Salazar; Pinheiro, 2025). Além disso, estudos apontam que o cuidado é exercido majoritariamente por mulheres, o que reforça a necessidade de políticas públicas e redes de apoio mais estruturadas (Lelis et al., 2025).

A literatura também evidencia a importância da capacitação contínua e do suporte educativo, demonstrando que cuidadores orientados apresentam melhor enfrentamento das demandas da doença, menor sobrecarga e melhor qualidade de vida (Costa, Ferreira; Ramos, 2024; Lin et al., 2024). Nesse sentido, a enfermagem atua como facilitadora do processo educativo, promovendo autonomia e segurança ao cuidador.

Outro ponto relevante refere-se à necessidade de uma assistência integral, contínua e multiprofissional, sendo a enfermagem responsável pela articulação do cuidado e pelo acompanhamento longitudinal. Estratégias como a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), visitas domiciliares e acompanhamento na atenção básica permitem a identificação precoce de complicações e o planejamento de intervenções individualizadas (Franco et al., 2023; Pinto et al., 2023).

Além disso, o diagnóstico precoce é apontado como estratégia essencial para o manejo adequado da doença. Estudos evidenciam que a identificação precoce possibilita o início de intervenções que retardam a progressão dos sintomas e favorecem o preparo do cuidador e da família (Mesquita et al., 2025; Silva et al., 2024). Nesse contexto, avanços como o uso de biomarcadores neurogenéticos demonstram potencial para aprimorar o diagnóstico, embora ainda apresentem desafios quanto à sua aplicação clínica (Vasconcelos et al., 2024).

Dessa forma, evidencia-se que o cuidado ao paciente com Doença de Alzheimer deve ser compreendido de forma ampliada, incluindo o cuidador como parte essencial da assistência. As estratégias de enfermagem baseadas em educação, suporte emocional, capacitação, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo mostram-se fundamentais para a redução da sobrecarga e para a promoção da qualidade de vida do paciente e do cuidador.

Como limitações do estudo, destaca-se a predominância de artigos de revisão na amostra, o que pode limitar a análise de evidências com maior nível de robustez científica. Além disso, observa-se a heterogeneidade metodológica dos estudos incluídos, com diferentes abordagens e objetivos, o que pode dificultar a comparação dos resultados. Ressalta-se ainda que parte dos estudos apresenta caráter predominantemente teórico, com menor enfoque na aplicação prática das intervenções de enfermagem no contexto assistencial. Apesar dessas limitações, os artigos analisados possibilitaram uma compreensão abrangente das estratégias de enfermagem no cuidado à pessoa com Doença de Alzheimer e ao seu cuidador.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados analisados demonstram que os desafios relacionados ao cuidado do idoso com Doença de Alzheimer são multifatoriais, envolvendo aspectos físicos, emocionais e sociais. A sobrecarga do cuidador, intensificada pela progressão da doença, evidencia a necessidade de estratégias eficazes de intervenção, com destaque para ações voltadas ao suporte contínuo e à qualificação do cuidado.

A presente revisão integrativa da literatura permitiu compreender as principais estratégias de enfermagem utilizadas no apoio ao cuidador familiar, destacando-se: educação em saúde sobre a doença e sua evolução; capacitação para o manejo das atividades de vida diária; orientações quanto ao manejo de alterações comportamentais; escuta qualificada; suporte emocional; incentivo ao autocuidado do cuidador; realização de visitas domiciliares; e encaminhamento para grupos de apoio e rede de suporte social.

Os achados evidenciaram que o cuidador familiar vivencia importantes repercussões físicas, emocionais e sociais, decorrentes das demandas progressivas impostas pela Doença de Alzheimer. Nesse contexto, a atuação da enfermagem destaca-se na promoção de um cuidado integral, que considera não apenas o paciente, mas também o cuidador como parte essencial do processo assistencial.

Além disso, intervenções como o fortalecimento da rede de apoio, o acompanhamento longitudinal e a atuação multiprofissional mostraram-se relevantes no enfrentamento das dificuldades associadas ao cuidado, proporcionando maior acolhimento, preparo e qualidade de vida ao cuidador.

Destaca-se, ainda, a Sistematização da Assistência de Enfermagem como importante instrumento para a organização do cuidado, uma vez que possibilita a identificação das necessidades do paciente e do cuidador, além de favorecer o planejamento de intervenções individualizadas, contínuas e eficazes.

Conclui-se que a enfermagem desempenha papel fundamental no suporte ao cuidador familiar e na assistência ao paciente com Doença de Alzheimer, sendo essencial a implementação de práticas humanizadas, educativas e integradas. O fortalecimento dessas estratégias, aliado à capacitação dos profissionais e à ampliação das políticas públicas de apoio ao cuidador, constitui elemento indispensável para a redução da sobrecarga e para a promoção de um cuidado mais seguro, integral e de qualidade.

REFERÊNCIAS

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  1. Acadêmicos do curso Enfermagem da Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL. E-mail:

    holthausen.andressa22@gmail.com. Artigo apresentado como requisito parcial para a conclusão do curso de Graduação em Enfermagem da Universidade do Sul de Santa Catarina. 2026.

  2. Mestre. Professor orientador do curso de Graduação em Enfermagem da Universidade do Sul de Santa Catarina.