O impacto da higienização das mãos na prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS).

The impact of hand hygiene on the prevention of healthcare-associated infections (HAIs).

Neuza Borges dos Reis[1]

Sara Borges dos Reis[2]

Sarah Guimarães de Souza Lessa[3]

Cibele Ramaldes Nacif de Oliveira[4]

Débora Aparecida Costa Roza[5]

Erlaine Imaculada Domingues Silva[6]

Sandra de Fátima de Macedo[7]

Sulamita Vasconcelos de Matos Lima[8]

RESUMO

As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) constituem um dos principais desafios contemporâneos para a segurança do paciente e a sustentabilidade dos sistemas de saúde (BRASIL, 2021; WHO, 2022). A higienização das mãos (HM) é reconhecida como a medida isolada de maior impacto e menor custo para interromper a cadeia de transmissão de patógenos (PITTET et al., 2021). Este artigo analisa a relevância epidemiológica da HM, os fatores que influenciam a adesão dos profissionais e as estratégias de monitoramento e educação necessárias para a redução da morbimortalidade hospitalar.

Palavras-chave: Higienização das mãos. IRAS. Segurança do paciente. Controle de infecção.

ABSTRACT

Healthcare-Associated Infections (HAIs) constitute one of the primary contemporary challenges for patient safety and the sustainability of healthcare systems (BRASIL, 2021; WHO, 2022). Hand hygiene (HH) is recognized as the single most impactful and cost-effective measure to interrupt the chain of pathogen transmission (PITTET et al., 2021). This article analyzes the epidemiological relevance of HH, the factors influencing professional compliance, and the monitoring and educational strategies necessary for reducing hospital morbidity and mortality.

Keywords: Hand hygiene. HAIs. Patient safety. Infection control.

1 INTRODUÇÃO

A segurança do paciente tornou-se o eixo central da gestão hospitalar moderna, visando a mitigação de eventos adversos evitáveis (WHO, 2022). Dentre esses eventos, as IRAS destacam-se pela alta prevalência (OLIVEIRA; PAULA, 2022).

A higienização das mãos (HM) é amplamente reconhecida como a principal estratégia de prevenção dessas infecções, sendo considerada o padrão-ouro no controle da disseminação de microrganismos no ambiente assistencial. No entanto, a lacuna entre o conhecimento teórico e a prática cotidiana ainda representa um desafio relevante.

Nesse sentido, destaca-se que a higienização das mãos não deve ser compreendida apenas como um procedimento técnico isolado, mas como uma prática estruturante da cultura de segurança em saúde. Sua efetividade está diretamente relacionada ao comportamento dos profissionais, à organização dos serviços e ao compromisso institucional com a qualidade assistencial. Assim, reforça-se a necessidade de integrar ações educativas, monitoramento contínuo e políticas de incentivo à adesão.

1.1 JUSTIFICATIVA

As IRAS permanecem como problema relevante, mesmo sendo preveníveis (BRASIL, 2021).

A justificativa deste estudo também se fundamenta na necessidade de fortalecer práticas simples, seguras e economicamente viáveis dentro das instituições de saúde. Embora a higienização das mãos seja amplamente divulgada, sua realização de forma correta e nos momentos indicados ainda depende de fatores humanos, estruturais e organizacionais. A rotina intensa dos serviços, a sobrecarga de trabalho, a falta de insumos próximos ao ponto de assistência e a percepção reduzida do risco podem interferir negativamente na adesão dos profissionais. Dessa forma, discutir a temática torna-se relevante para ampliar a compreensão sobre a responsabilidade individual e coletiva na prevenção das infecções relacionadas à assistência à saúde.

Do ponto de vista acadêmico e social, o tema apresenta elevada importância, pois contribui para a reflexão sobre a qualidade da assistência, a segurança do paciente e a redução de danos evitáveis. As IRAS podem prolongar o tempo de internação, elevar custos hospitalares, aumentar o uso de antimicrobianos e favorecer a disseminação de microrganismos resistentes. Nesse contexto, a higienização das mãos deve ser entendida como uma barreira essencial de proteção, capaz de beneficiar pacientes, profissionais, familiares e toda a comunidade assistida. Assim, a abordagem do assunto fortalece a educação em saúde e estimula a construção de uma cultura institucional preventiva.

1.2 OBJETIVOS

Objetivo Geral: Analisar o impacto da higienização das mãos na prevenção das IRAS.

Objetivos específicos: descrever a importância da higienização das mãos como medida preventiva; identificar fatores que dificultam a adesão dos profissionais de saúde; discutir estratégias educativas e institucionais que favorecem a prática correta; e relacionar o monitoramento contínuo com a melhoria da segurança do paciente.

2 RELEVÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA

A HM reduz a transmissão de microrganismos (ALLEGRANZI et al., 2021).

A relevância epidemiológica da higienização das mãos está diretamente associada à interrupção da cadeia de transmissão cruzada de microrganismos. Durante a assistência, às mãos dos profissionais entram em contato com pacientes, superfícies, equipamentos, secreções e dispositivos invasivos. Quando não ocorre higienização adequada, esses contatos podem favorecer a transferência de agentes infecciosos entre diferentes ambientes e indivíduos. Por isso, a prática deve ser realizada antes e após o contato com o paciente, antes de procedimentos assépticos, após risco de exposição a fluidos corporais e após contato com áreas próximas ao paciente, conforme os princípios internacionalmente reconhecidos para a prevenção das IRAS.

Além da transmissão direta, a higienização das mãos possui impacto na redução da contaminação ambiental e na prevenção de surtos dentro dos serviços de saúde. Unidades de terapia intensiva, centros cirúrgicos, unidades de internação e setores de emergência apresentam maior vulnerabilidade, pois concentram pacientes com condições clínicas graves, uso de dispositivos invasivos e maior exposição a antimicrobianos. Nesses cenários, pequenas falhas de adesão podem gerar consequências significativas. Portanto, a HM deve ser incorporada como prática permanente e não apenas como uma ação pontual em situações de risco evidente.

3 ADESÃO E MONITORAMENTO

A adesão ainda é insuficiente (MOURA et al., 2023), sendo necessário monitoramento contínuo (FERREIRA et al., 2024).

A adesão dos profissionais à higienização das mãos é influenciada por múltiplos fatores. Entre eles, destacam-se a disponibilidade de preparação alcoólica e lavatórios, o tempo necessário para a execução correta da técnica, a capacitação recebida, o exemplo das lideranças e a existência de uma cultura institucional voltada para a segurança. Quando a instituição oferece condições adequadas, supervisiona as práticas e valoriza a participação das equipes, a HM tende a ser reconhecida como parte essencial do cuidado. Por outro lado, ambientes com falhas estruturais e ausência de acompanhamento contínuo podem enfraquecer a prática e naturalizar comportamentos inseguros.

O monitoramento deve ser realizado de forma sistemática, educativa e não punitiva, permitindo identificar fragilidades e propor melhorias. Indicadores de adesão, observação direta, consumo de preparação alcoólica, auditorias internas e devolutivas às equipes são estratégias que podem auxiliar na avaliação da prática. Contudo, o monitoramento somente produz resultados consistentes quando está associado ao diálogo, à educação permanente e ao compromisso das lideranças. Assim, medir a adesão não deve ser compreendido apenas como controle, mas como instrumento de aprendizagem e aprimoramento da assistência.

4 ESTRATÉGIAS EDUCATIVAS

A educação permanente melhora a adesão (SOUZA et al., 2024).

As estratégias educativas precisam ser contínuas, participativas e adequadas à realidade de cada serviço. Treinamentos isolados, embora importantes, podem não ser suficientes para modificar comportamentos de forma duradoura. Por isso, recomenda-se a utilização de metodologias ativas, simulações práticas, campanhas visuais, rodas de conversa, feedback individual e coletivo, além da participação de profissionais de diferentes categorias. A educação permanente permite que a equipe compreenda não apenas a técnica, mas também o sentido ético e assistencial da higienização das mãos.

Outro aspecto importante é o fortalecimento da corresponsabilidade. A prevenção das IRAS não depende exclusivamente de um setor ou de uma categoria profissional, mas envolve todos os trabalhadores que participam do cuidado. Enfermeiros, técnicos, médicos, fisioterapeutas, profissionais de apoio, gestores e estudantes devem reconhecer a higienização das mãos como compromisso diário com a vida e com a segurança do paciente. A comunicação clara, o acesso a insumos e a valorização de boas práticas contribuem para transformar a HM em hábito incorporado à rotina institucional.

5 CONCLUSÃO

A higienização das mãos é essencial para a segurança do paciente e redução das IRAS.

Conclui-se, portanto, que a higienização das mãos representa uma medida indispensável para a prevenção das infecções relacionadas à assistência à saúde, pois atua diretamente na redução da transmissão de microrganismos e na proteção dos pacientes. Apesar de sua simplicidade, a prática exige compromisso institucional, disponibilidade de recursos, educação permanente e acompanhamento sistemático. A efetividade da HM depende da integração entre conhecimento técnico, atitude profissional e cultura de segurança.

Dessa maneira, investir na higienização das mãos significa fortalecer a qualidade da assistência e reduzir riscos evitáveis nos serviços de saúde. A ampliação da adesão deve ser tratada como prioridade permanente, especialmente em ambientes de maior vulnerabilidade. Ao reconhecer a HM como prática ética, preventiva e coletiva, as instituições avançam na construção de um cuidado mais seguro, humanizado e responsável, contribuindo para a redução das IRAS e para a proteção da saúde pública.

REFERÊNCIAS

BRASIL. ANVISA. Programa Nacional de Prevenção de IRAS 2021–2025. 2021.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global report on infection prevention. 2022.

PITTET, D. et al. The Lancet, 2021.

ALLEGRANZI, B. et al. Lancet Infectious Diseases, 2021.

MOURA, M. et al. Rev. Bras. Enfermagem, 2023.

FERREIRA, A. et al. Rev. SOBECC, 2024.

SOUZA, L. et al. Rev. Enfermagem, 2024.

OLIVEIRA, A.; PAULA, A. Ciência & Saúde Coletiva, 2022.

  1. Especialista em Saúde Pública.

  2. Emergencista.

  3. Especialista em Saúde pública.

  4. Especialista em Saúde Pública.

  5. Especialista em Saúde Pública.

  6. Especialista em CME e Bloco Cirúrgico.

  7. Metodologia em Geografia e História.

  8. Especialista em Saúde Pública.