Análise das ações dos goleiros de beach soccer com os pés e sua interferência no modelo tático do jogo.
Analysis of the actions of beach soccer goalkeepers with their feet and their interference in the tactical model of the game.
Rogério Vilela de Abreu Pereira
Orientador: Prof. Dr. Hélio Sales Rios
Nos últimos 25 anos as ações táticas dos goleiros de Beach Soccer mudaram de forma contundente. O objetivo deste estudo foi analisar os fatores que causaram as frequentes ações dos goleiros com os pés em partidas Beach Soccer. A análise dos dados concluiu que o aumento das ações táticas do goleiro com os pés está relacionada principalmente com a mudança da Regra 12 em 2014 e a evolução técnica dos goleiros com os pés.
Palavras-chave: Goleiro,Tática e Pés.
Over the past 25 years the tactical actions of Beach Soccer goalkeepers have changed dramatically. The aim of this study was to analyze the factors that caused the frequent actions of goalkeepers with their feet in Beach Soccer matches. Data analysis concluded that the increase in the tactical actions of the goalkeeper with the feet is mainly related to the change of Rule 12 in 2014 and the technical evolution of the goalkeepers with the feet.
Keywords: Goalkeeper, Tactic and feet.
A primeira Liga Oficial de Futebol de Praia foi fundada em 1957, pelo major
Torres. Em seguida, na década de 1960, foi fundada a Federação de Futebol de Praia, que viria implantar regras mais consistentes da modalidade e bem parecidas com a do Futebol de Campo (PEREIRA e SILVA, 2020).
Em 1993 Jean Carlo Signorini, levou jogadores brasileiros para participar de partidas de exibição de Futebol de Praia em Miami – Estados Unidos, porém de forma adaptada, isto é, em um campo com dimensões menores e menos jogadores. Um destes jogadores era Júnior que percebeu que a modalidade poderia atrair um grande número de adeptos (PEREIRA e SILVA, 2020).
Júnior relatou que os principais jogadores que participaram do primeiro evento em Miami além dele mesmo, foram João Paulo (Ponta esquerda), Brigatti (goleiro), Gerson Caçapa, Maldini e Zenga.e assim surgia o Beach Soccer (GAMA JUNIOR, 2018).
O Beach Soccer é uma modalidade relativamente nova em relação ao Futebol de Campo e ao Futsal. Em 1993 o esporte dava seus primeiros passos na forma de jogos de exibição e em 1994 iniciam-se as primeiras competições oficiais e em 2005 a FIFA que tem como sua representante na organização BSWW (Beach Soccer Worldwide), assume o controle do Esporte definitivamente (PEREIRA e SILVA, 2020).
Durante os últimos 20 anos o esporte mudou nos aspectos táticos, físicos e técnicos (PEREIRA, 2015). No Brasil foram publicados 4 livros e dois e-books, BARBOSA, Marco Octávio Simões. Beach Soccer da iniciação à competição. 1. ed. Rio de Janeiro: Sprint, 1998, PEREIRA, Rogério Vilela de Abreu. Beach Soccer de A à Z. Clube dos Autores, 2015. Disponível em: amazon.com.br. Acesso em: 12 jul. 2015, PEREIRA, Rogerio Vilela de Abreu; SILVA, Andrey Valério. Beach Soccer para todos os níveis em ação. Rio de Janeiro: Multifoco, v. 1, 2020 (também no formato e-book), PEREIRA, Rogerio Vilela de Abreu; SOARES, Alexandre José; AZEVEDO, Raimundo Nonato. Métodos e Técnicas da Iniciação ao Alto Rendimento. 1. ed. São Paulo: Páginas do Brasil, 2007 e SILVA, Andrey Valério. Futebol de Areia para todos os níveis, RN, 2006. 1. ed. Rio Grande do Norte: Independente, 2006.
Em relação aos goleiros foi encontrado um estudo que traça um comparativo entre goleiros de Futsal e Beach Soccer (ZHIWEI, 2012). Outro estudo realizado foi dos diferentes tipos de gols em partidas da Liga Europeia de Beach Soccer, e que também foram observados gols de goleiros (LASTELLA, 2000). Estudos sobre identificação do Humor dos atletas durante o campeonato brasileiro de seleções de 2010 (ESCOBAR e LACERDA, 2010). Outro estudo interessante foi o comparativo entre o Beach Soccer e o Futsal na forma de jogar, realizado por (LEITE e BARREIRA, 2014).
Na Copa do Mundo de Beach Soccer realizada em 2017 nas Bahamas no relatório técnico oficial do (Site da BSSW/FIFA, 2017). O goleiro é uma figura absolutamente instrumental no jogo nos dias de hoje e há vários fatores que vale a pena destacar neste quesito:
Não apenas a quantidade, mas também os tipos de intervenções de goleiro necessárias continuam a proliferar. Esta é uma consequência lógica do fato de que não é mais suficiente para os goleiros entregar a bola entre as traves; eles são agora cada vez mais chamados a vir e ajudar seus companheiros de equipe a impedir uma série de investidas de oposição, especialmente aquelas envolvendo sobrecargas numéricas ou espaciais.
Suíça, Rússia e os respectivos números dos Emirados Árabes Unidos e do Brasil 12 todos fizeram contribuições impressionantes de ataque com os pés, assim como o nº 1, o vencedor do Golden Glove da ADIDAS, enriquecendo assim a caixa de ferramentas táticas de suas respectivas equipes. Com o seu conforto com a bola e capacidade de passe, não só proporcionaram uma presença calma e tranquilizadora aos seus companheiros, mas também foram capazes de criar uma série de situações promissoras para a sua equipa, contornando os adversários que procuravam pressioná-los.
Através de análises de jogos, vídeos e conversas com especialistas, parece que a participação dos goleiros durante jogo com os pés está cada vez maior, e não foi encontrado estudo a respeito dos motivos desta crescente participação dos goleiros os pés, desta forma parece ser relevante entender que fatores influenciaram essa participação é de que forma influenciam na forma de jogar das equipes seja no Brasil ou no exterior.
Analisar os fatores causaram o aumento das frequentes ações dos goleiros com os pés durante as partidas de Beach Soccer.
Parece que a mudança da Regra 12 tem influência na inclusão do modelo de jogo com os goleiros jogando com os pés.
Para realização deste estudo foi elaborado um questionário com 11 perguntas abertas e fechadas. Este instrumento foi validado por júri de especialistas e após seus ajustes foi encaminhado via Forms App para 100 profissionais atuantes na modalidade (atletas homens e mulheres), ex-atletas, treinadores, preparadores físicos, preparadores de goleiros, jornalistas e dirigentes).
Para análise dos dados foi utilizado a estatística descritiva por meio de percentuais.
Tem formação acadêmica em Educação Física?
Na pesquisa foi constatado que 38 % dos entrevistados eram Formados em Educação Física.
Figura 1 — Gráfico 1
Fonte: O autor (2021)
Qual sua função na Modalidade?
Foram entrevistados neste processo treinadores, atletas, dirigentes e comentaristas esportivos.
A quanto tempo trabalha na Modalidade?
O tempo variou entre 10 e 24 anos de atuação na modalidade.
Quais Funções exerceu na Modalidade?
As Funções variaram entre jogador, treinador, dirigente e comentaristas.
Em que categorias trabalhou na modalidade?
Os entrevistados se apresentaram desde as Categorias de Base até as mais altas esferas da Modalidade.
Em quais praças trabalhou na modalidade?
Em relação às praças de trabalho, as mesmas variaram desde a esfera municipal até as praças internacionais na América do Sul, América do Norte, América Central, Continente Africano, Continente Asiático e Europa.
Em quais equipes trabalhou na modalidade?
Os entrevistados trabalharam em várias equipes nacionais e internacionais e podemos citar aqui por exemplo, Vasco, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Santos, Seleção da Geórgia, Pisa da Itália, Lokomotiv Moscou, Barcelona da Espanha, Rosh Haayin de Israel e inúmeras outras.
Você acredita que a mudança na Regra 12 em 2014 (após sair da área o goleiro não pode retornar a mesma e tocar na bola), influenciou a forma de jogar Beach Soccer?
A maioria esmagadora, 96 % acreditam que a mudança da Regra 12 influenciou na forma de jogar o Beach SOCCER.
Figura 2 — Gráfico 2
Fonte: O autor (2021)
Você acredita que o frequente uso do Goleiro Linha aumentou após a mudança da Regra 12?
Quanto a influência na mudança da Regra 12 no aumento da utilização do goleiro linha 75 % dos entrevistados acreditam ser afirmativo.
Figura 3 — Gráfico 3
Fonte: O autor (2021)
Você acredita que a Evolução Técnica dos goleiros com os pés aumentou a utilização do Sistema G x 4 (Goleiro Linha)?
Em relação a Evolução Técnica dos goleiros com pés 52,5 % atribuem que é quase verdadeiro este contexto e 38 % acreditam ser geralmente verdadeiros.
Figura 4 — Gráfico 4
Fonte: O autor (2021)
Você como treinador usa ou usaria o Gol Linha?
Um grande percentual dos especialistas, 77% admitem que fariam uso do modelo de jogo do Gol Linha (Gx4).
Figura 5 — Gráfico 5
Fonte: O autor (2021)
2.3 DISCUSSÃO
O presente estudo apresenta evidência inédita sobre as causas da utilização frequente dos goleiros com os pés nas partidas de Beach Soccer. A alteração da Regra 12, a evolução técnica dos goleiros e ampla utilização do sistema GX4.
2.4 LIMITAÇÃO DO ESTUDO
Não foram encontrados estudos referentes aos motivos que levaram os goleiros a aumentar suas ações com os pés durante as partidas de Beach Soccer e a consequente influência na mudança do Modelo de Jogo.
2.5 HISTÓRICO DA MODALIDADE
O Futebol de Praia é praticado há várias décadas na cidade do Rio de Janeiro, em especial no bairro de Copacabana. Inicialmente, era praticado na beira da praia e as regras eram as mais variadas possíveis, de esquina para esquina.
A primeira Liga Oficial de Futebol de Praia foi fundada em 1957, pelo major Torres. Em seguida, na década de 1960, foi fundada a Federação de Futebol de Praia, que viria implantar regras mais consistentes da modalidade e bem parecidas com a do Futebol de Campo.
Outra modalidade esportiva muito praticada nas praias cariocas, que apresenta alguns fundamentos técnicos utilizados no Beach Soccer, como as linhas de passes pelo alto (tabelinhas) com os pés, peito e cabeça é o Futvôlei. Criado por volta de 1963, na praia de Copacabana, inicialmente por craques consagrados como Octávio do Botafogo nos anos 1940, e Almir Pernambuquinho nos anos 1960 (Flamengo e Santos dos tempos de Pelé), o Futevôlei é caracterizado principalmente por ser jogado em quadra de voleibol, entretanto, as mãos não podem ser utilizadas.
No Brasil, alguns jogadores de futebol de grande categoria foram oriundos do
Futebol de Praia, dentre eles, o mais famoso, Júnior, grande craque do Flamengo e da Seleção Brasileira, que foi um dos maiores responsáveis pelo surgimento do Beach Soccer no cenário mundial.
Em 1993, o senhor Jean Carlo Signorini, amigo do craque Júnior, convidou-o para participar de partidas de exibição de Futebol de Praia em Miami – Estados Unidos, porém de forma adaptada, isto é, em um campo com dimensões menores e
menos jogadores. Nessa mesma época, o craque percebeu que a modalidade poderia atrair um grande número de adeptos. Os principais jogadores que participaram desse primeiro evento em Miami foram Junior, João Paulo (Ponta esquerda), Brigatti (goleiro), Gérson Caçapa, Maldini e Zenga (GAMA JUNIOR, 2018).
Através de parceria, entre a Kock Tavares e a Rede Globo de Televisão, foi criada uma modalidade mais dinâmica e plástica e, acreditava-se que esta despertava mais interesse ao público em geral, assim surgiu o Beach Soccer.
Diversos campeonatos nacionais e internacionais já foram realizados e, com grande sucesso em vários estados do Brasil. São várias as federações estaduais existentes em todo o país. A organização dos eventos realizados pela Koch Tavares, International Beach Soccer Association (IBSA) e Confederação Brasileira de Beach Soccer é comparável ao nível das melhores competições internacionais.
Sonhou-se com a inclusão do Beach Soccer nas Olimpíadas de 2004, entretanto, esse sonho foi impossível de ser concretizado, devido às inúmeras exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI). Foi tentada também a inclusão nos Jogos Pan-americanos de 2007 no Brasil, no entanto não foi possível, assim como na Olimpíada no Rio de Janeiro.
As primeiras competições organizadas pela International Beach Soccer Association (IBSA), foram realizadas no Rio de Janeiro, no ano de 1994 (I Mundialito) e o Brasil sagrou-se campeão. Em 1995, no Rio de Janeiro, em Copacabana, foi realizado o primeiro Mundial e o Brasil novamente foi o campeão, tendo os Estados Unidos conquistado o vice-campeonato. Estes campeonatos não eram organizados pela FIFA.
O Brasil conquistou nove títulos mundiais, tendo perdido uma única vez para a Seleção de Portugal, no ano de 2001. Tal derrota, talvez tenha sido o grande estopim para a iniciação do processo de renovação da equipe brasileira e para a mudança dos Sistemas de Jogo adotados pela Seleção Brasileira. Foi um fracasso inesperado para muitos naquele momento, nem os mais pessimistas imaginavam que aquela equipe pudesse ser batida de forma tão vexatória, o Brasil terminaria a competição em quarto lugar, atrás da Argentina. No ano de 2000, a seleção portuguesa conquistou a Copa Latina, inclusive vencendo o selecionado brasileiro, prenúncio de que as coisas seriam difíceis. Na época, o comentário era que o Brasil, dirigido por Júnior, que acumulava funções dentro e fora da quadra, havia levado um nó tático do selecionado português, além, aparentemente, ter apresentado uma baixa condição física.
O professor de educação física, técnico de Futsal e da Seleção do Rio Grande do Norte de Beach Soccer, Andrey Valério, depois da derrota, foi convidado a assumir o comando da Seleção Brasileira de Beach Soccer e, aos poucos, implantou, de forma adaptada, seus conhecimentos sobre os sistemas de jogo do
Futsal na equipe. Não tínhamos mais a plástica dos veteranos, Júnior, Zico, Edinho, Paulo Sérgio e Cláudio Adão e tampouco Magal, apontado por Junior diversas vezes como o jogador mais brilhante que as praias já viram atuar.
Gostaria de fazer referência ao técnico da Seleção do Espírito Santo, Jorge Ferreira, conhecido como Índio, oriundo do Futsal, que mesmo não contando com craques do quilate das Seleções do Rio de Janeiro e de São Paulo, foi o técnico que mais levou uma seleção à final do campeonato brasileiro (seis vezes) e conquistou duas vezes o título. Este foi o primeiro treinador a conseguir, com sucesso, implantar sistemas de jogo do Futsal no Beach Soccer.
No entanto, Jorginho, Júnior Negão, Buru, Pierre, Juninho, Robertinho, Benjamim e Neném, entre outros, não menos talentosos nas areias, não eram mais meros coadjuvantes, e com condições físicas mais privilegiadas devido à média de idade menor, bem como uma dedicação aos treinamentos diários nas praias de Copacabana, trazendo toda experiência absorvida nos anos de convivência com os craques citados anteriormente.
A realidade é que no ano seguinte o Brasil recuperou seu título de forma incontestável e, com uma visível mudança na postura físico-tática-psicológica dos novatos, que até então eram meros coadjuvantes do espetáculo e que hoje são ídolos da modalidade em diversos países.
Em maio de 2005, foi realizado o primeiro Campeonato Mundial sob a chancela da FIFA, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Desta feita, o franco favorito selecionado brasileiro não conquistou o título, que foi para a Seleção da França, que também foi a campeã do Circuito Europeu. O Brasil foi derrotado na semifinal mais uma vez pelo selecionado português e nos pênaltis.
Esta conquista demonstrou o desenvolvimento da modalidade em outros países. A França e a Ucrânia, por exemplo, investiram alguns milhões de Euros para a construção de seus respectivos Centros de Treinamento (CT). Os eventos de Beach Soccer organizados por Eric Cantona na França foram um sucesso em termos de público, organização e a liga Europeia de Beach Soccer é muito bem organizada.
Alexandre Soares, que era assistente técnico de Jorge Ferreira, no segundo Campeonato Mundial organizado pela FIFA (2006) assumiu o comando técnico da equipe, e o Brasil conquistou a condição de melhor do mundo, em uma partida contra o selecionado Uruguaio, quando venceu por 4 x 1, mesmo sob forte pressão da empresa e do público, já que não contou com craques consagrados como Robertinho, Juninho, Nenê e especialmente Jorginho, apontado por muitos como o maior jogador da modalidade. Sob o comando de Alexandre Soares o Brasil conquistou 4 Copas Mundiais consecutivas.
Os Russos quebraram a hegemonia do Brasil e conquistaram o Bi-Campeonato Mundial, onde investiram em uma estrutura administrativa de grande porte, calendário anual consistente, migração de técnicos do Futsal para a modalidade, bons salários, intercâmbio de atletas e treinadores em seus campeonatos Regionais e Nacionais, enfim tudo que não temos no Brasil, onde o esporte nasceu e não deu seguimento a essa evolução estruturada.
Há uma grande tendência para o crescimento do intercâmbio de jogadores e profissionais do treinamento do Beach Soccer, pois hoje nas Ligas Italianas, russa, israelita, espanhola, iraniana, japonesa entre outras, apresentam-se muitos jogadores e treinadores brasileiros e de outras nacionalidades.
Em 2011 após a derrota para os Russos no Mundial a Confederação
Brasileira de Beach Soccer anunciou o técnico Guga Zloccowick, onde a proposta era um projeto de renovação de jogadores e conceitos de jogo, e apesar de estatisticamente o jovem treinador ter números positivos, o na época presidente Marcos Fábio Spironelli o demitiu e para muitos de forma injustificável, tendo em vista que em 35 partidas disputadas entre 2011 e 2012, o ex-treinador levou o Brasil à vitória em 31 oportunidades.
No mesmo ano foi anunciado Júnior Negão como novo comandante da Seleção, e sob seu comando o Brasil fracassou em duas Copas seguidas.
Atualmente o Brasil é comandado por Gilberto Costa que em seu primeiro Mundial como comandante resgatou o título Mundial. Já no segundo Mundial infelizmente as coisas não saíram como esperado e os Portugueses venceram mais uma vez o Mundial que marcou a despedida do craque Madjer com Chave de Ouro.
Dificilmente deixaremos de ser um dos favoritos nas competições em qualquer nível, mesmo com todos os problemas que enfrentamos. No entanto, a base precisa urgentemente ser bem trabalhada, não é tão simples encontrar e/ou formar jogadores do quilate de Benjamin, Neném e Jorginho, e esta qualidade é que faz e sempre fará a diferença quando os níveis técnicos, táticos, físicos e psicológicos estiverem equiparados.
2.6 DESENVOLVIMENTO TÁTICO DO BEACH SOCCER E SEUS SISTEMAS BÁSICOS DE JOGO (PASSADO, PRESENTE E FUTURO)
Existem várias definições de diversos autores quanto aos conceitos de tática, portanto vejamos uma delas:
A tática é definida como: Estratégias previamente elaboradas, aplicadas de acordo com os adversários e as condições que envolvem a partida. A tática esportiva pode ser divida em geral ou específica. A primeira refere-se às regras gerais comuns às diversas modalidades esportivas; já as táticas específicas, referem-se às regras específicas de uma modalidade esportiva e deve ser adequadamente treinada (DENICOLI, 2001).
Os componentes da movimentação tática são baseados na capacidade cognitiva do atleta ou do grupo; capacidade técnica adquirida; capacidade psicofísica; e deve ser direcionada para um comportamento ideal em competições, mobilizando todo o potencial individual (WEINECK, 1999 e MATVEEV, 1997).
A Instrução Tática divide-se em ―Teórica e Prática‖, sendo a primeira a transmissão das informações de forma verbal, e para isso o treinador deve apresentar boa capacidade de comunicação. Já a segunda consiste na aquisição da movimentação tática e de um novo comportamento. Além disso Matveev (1986 p. 149), cita que ¨a base da aptidão tático-desportiva seja qual for a maneira por que ela se revele, está interligada através dos conhecimentos táticos; aptidões táticas; qualidades táticas e qualidade de raciocínio tático¨.
Observando o Beach Soccer desde sua origem e a Seleção Brasileira em particular – quando o elenco apresentava como base ex-craques do futebol de campo, com a média de idade acima dos 40 anos – notava-se que a mesma jogava muito em função da qualidade técnica dos seus jogadores. A idade média dos demais selecionados como Itália; França; Uruguai; Argentina; Peru, entre outros, também era avançada e a qualidade técnica destas equipes comparativamente era inferior à do selecionado brasileiro, pois entre outros fatores, para muitos países, tratava-se de uma modalidade recente e os mesmos apresentavam pouca ou nenhuma experiência prática.
Inicialmente, a Seleção Brasileira de Beach Soccer utilizava uma formação básica no sistema de jogo em (2x2), muito utilizada no antigo Futebol de Salão (FERNANDES, 1978; MUSSALEM, 1978; CORSINI, 1987), no qual se preconizava a armação de dois atletas de defesa e dois atacantes. Este sistema era utilizado por equipes que não possuíam atletas em condições físicas de executar frequentemente as funções de ataque e defesa. Em nossas análises através de vídeos, este sistema foi utilizado durante muitos anos, isto é, de 1994 até 2001 e com grande eficiência, até a derrota no Mundial de 2001 para os portugueses, que surpreenderam com uma equipe em condições físicas e técnicas de excelente nível.
O ex-treinador da Seleção Brasileira, Jorge Ferreira (Índio), treinador da Seleção do Espírito Santo, auxiliado pelo professor Alexandre Soares que também é especialista em Futsal, deram continuidade ao trabalho implantado por Andrey Valério semelhante ao realizado por Índio, durante vários anos no comando da
Seleção Capixaba. Têm sido utilizados o sistema (3 x 1) e o Sistema de Rodízio de Quatro. No sistema (3 x 1), a equipe ataca com três atletas e defende com três atletas, havendo maior necessidade de condicionamento físico dos jogadores e, quando tem a posse de bola, joga com a referência de um pivô na quadra adversária. No Sistema de Rodízio de Quatro, os quatro atletas devem apresentar grande habilidade; senso de cobertura, noção de deslocamento muito apurado, e um condicionamento físico maior que nos sistemas anteriores, isto significa um alto nível de compreensão e capacidade tática (PEREIRA, 2020).
2.7 A MARCAÇÃO POR ZONA
Os tipos básicos de marcação apresentadas no Beach Soccer são: que é caracterizada por um desgaste físico menor e por utilizar os contra-ataques como arma. É pouco utilizada pelo selecionado brasileiro que prefere uma marcação mais direcionada a pressionar seus adversários. Os oponentes utilizam tal sistema aguardando os erros da Seleção Brasileira.
2.8 A MARCAÇÃO MEIA-QUADRA
É outro sistema muito utilizado pelos adversários do Brasil e pouco utilizado pela seleção. Este sistema consiste em ter três atletas na sua meia-quadra e um mais adiantado, fazendo com que os mesmos jamais fiquem em linha de três e a partir do seu meio de quadra a marcação torna-se individual.
2.9 A MARCAÇÃO MEIA PRESSÃO E A MARCAÇÃO INDIVIDUAL DE QUADRA INTEIRA
São as mais utilizadas por nosso selecionado. A primeira consiste na diminuição da distância do homem que conduz a bola enquanto o ala oposto fecha o meio da quadra. Já a segunda caracteriza-se por não deixar o adversário sair jogando, obrigando o goleiro a arremessar a bola, no entanto, esta depende de altíssimo nível de condicionamento físico, pois o desgaste é inevitável, sem contar que falhas de execução podem aumentar o número de faltas e, caso o goleiro adversário tenha boa reposição de bola poderá proporcionar jogadas de contra-ataque.
Nas competições realizadas no Brasil, entre seleções regionais ou estaduais, todos os sistemas apresentados anteriormente são utilizados, pois o nível das equipes além de fortes é equivalente. Principalmente em relação aos Selecionados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, quando se enfrentam em competições nacionais.
Nas competições em nível estadual, principalmente nas categorias de base, e até mesmo nas equipes adultas, pode ser observada pouca consistência tática das equipes que se apresentam. Muitas vezes, essas equipes são formadas às pressas e jogam em função de suas boas condições físicas. É possível que um dos principais fatores da menor consistência tática seja em função da deficiente formação dos atletas nas categorias de base. Pode ser observado que diversas equipes são orientadas por líderes comentários, que, de modo geral, não estão preparados para tal tarefa. Muitas vezes em razão de serem ex-jogadores, quase sempre de pouca expressão, motivados por necessidades financeiras ou mesmo por serem apaixonados pela modalidade e/ou gozarem de respeito no seio de suas comunidades, no entanto, sem formação acadêmica específica para transmitir de forma adequada os conhecimentos necessários para formação e orientação dos atletas de Beach Soccer.
Diante deste quadro, acreditamos que o Beach Soccer possa ser um mercado de trabalho promissor para os profissionais de Educação Física, que apresentem bom conhecimento nas disciplinas como a Fisiologia do Exercício; Treinamento Desportivo; Futebol; Psicologia do Esporte; entre outras, para a realização de um trabalho adequado, desde a formação dos atletas até a direção das equipes de alto nível da modalidade em questão.
A seguir, observamos os quadros de algumas das variações dos Sistemas de Jogo, e nestes iremos deparar com o passado, presente e futuro.
Sistemas como 4 x 0 ainda são utilizados de forma rara por poucos times e seleções devido aos problemas já mencionados e, mesmo o 3 x 1 caminha a passos lentos e funcionando de forma muito básica, já os Sistemas. Já o G x 4 que é nosso objeto de pesquisa, pois, está cada vez mais sendo utilizado em times e seleções do mundo inteiro e há poucas limitações citações sobre o assunto, o que torna um interessante objeto de pesquisa.
Abaixo alguns exemplos dos principais Modelos Táticos utilizados no jogo:
Figura 6 — Modelo 2x2
Fonte: Pereira (2020)
Figura 7 — Modelo 3x1
Fonte: Pereira (2020)
Figura 8 — Modelo 4x0
Fonte: Pereira (2020)
Figura 9 — Modelo Gx4
Fonte: Pereira (2020)
2.10 TREINAMENTO DE GOLEIROS NO BEACH SOCCER
O Beach Soccer, uma modalidade esportiva relativamente nova, vem tornando-se cada vez mais popular, no entanto, carece de bibliografias específicas capazes de instrumentar os profissionais nos aspectos técnicos, físicos, psicológicos e táticos na preparação dos seus atletas.
Uma das principais dificuldades encontradas em função dos aspectos acima, já foi citada anteriormente: a falta de profissionais de Educação Física especializados na modalidade, capacitados para desenvolver tanto no atleta jovem, como nos de alta performance as qualidades já mencionadas.
Com relação aos goleiros, o conteúdo aqui apresentado contribuirá para o preenchimento desta lacuna. Sabemos o quanto a vida dos goleiros é difícil, a dos de Beach Soccer nem se fala, pois além das dificuldades normais da posição, ainda existe o fato de o terreno ser constantemente desnivelado, que muitas vezes os trai de forma inapelável.
2.11 FUNDAMENTOS TÉCNICOS BÁSICOS DO GOLEIRO DE BEACH SOCCER
O goleiro deverá posicionar-se sempre um pouco mais à frente da linha do gol para tentar antecipar o quique da bola.
O posicionamento é um dos fundamentos mais importantes para os goleiros de Beach Soccer, pois facilita em muito a defesa para os chutes dos adversários.
O posicionamento do goleiro deve ser: com pés afastados na linha dos ombros, joelhos ligeiramente flexionados, mãos um pouco abaixo da linha da cintura (posição de expectativa).
2.12 TÉCNICAS DE DEFESAS E REPOSIÇÃO DE GOLEIROS NO BEACH SOCCER
2.13 POSIÇÃO DE EXPECTATIVA FRONTAL
Fotografia 1 — Posição de Expectativa
Fonte: Pereira (2007)
2.14 POSICIONAMENTO PARA O CHUTE LATERAL DESLOCAMENTO
Partindo da posição de expectativa, o goleiro desloca-se lateralmente sem cruzar os pés e sem tocar um pé no outro. É importante mencionar que a impulsão para o deslocamento é realizada com a perna oposta do deslocamento.
2.15 PEGADAS
Estas são divididas em três:
A Pegada é realizada quando a bola é apanhada acima da linha do peito, a bola deverá ser recebida com dedos voltados para cima e os braços de forma triangular.
Após a realização da defesa, a bola deverá ser levada junto ao peito para a prevenção de possível escapada. Um dos pés, após a defesa, deve preferencialmente ir à frente, aumentando a base de equilíbrio.
2.16 PEGADA ALTA
Fotografia 2 — pegada alta
Fonte: Pereira (2007)
2.17 PEGADA ALTA: FINALIZAÇÃO
Fotografia 3 — Finalização da Pegada Alta
Fonte: Pereira (2007)
2.18 PEGADA MÉDIA
Os braços são flexionados junto ao corpo e as mãos posicionam-se na linha da cintura, em forma de concha, com a palma da mão voltada para cima.
Após a defesa, a bola deverá ser aproximada do abdome para evitar o escape. Uma das pernas deverá ir para trás ou para a frente, aumentando o equilíbrio do corpo.
Fotografia 4 — Pegada Média
Fonte: Pereira (2007)
2.19 PEGADA BAIXA
É uma das mais traiçoeiras defesas para o goleiro de Beach Soccer pois, como já mencionado, o terreno, de modo geral, é irregular. Então, é importante que o goleiro antever o quique da bola, diminuindo a dificuldade de um possível desvio em função do terreno.
O goleiro na pegada baixa deverá flexionar os joelhos encostando-o ao pé da outra perna para receber a bola.
As mãos devem estar em forma de concha para realizar a defesa, o tronco ligeiramente flexionado e uma das pernas deve ficar atrás das mãos para evitar que a bola escape da pegada.
Fotografia 5 — Pegada Baixa
Fonte: Pereira (2007)
2.20 QUEDA:
As defesas laterais podem ser altas ou baixas. São realizadas com o desequilíbrio lateral do corpo em direção à bola, flexionando os joelhos ao lado da queda, juntamente com a impulsão da perna contrária. O contato com o solo deve ser feito com a parte lateral da coxa e pelo tronco. Deverá ser evitado o choque das articulações como joelhos, quadril e cotovelos contra o solo.
Fotografia 6 — Preparação para Defesa Lateral
Fonte: Pereira (2007)
2.21 REPOSIÇÃO DE BOLA
Na reposição de bola (lançamento) a mesma deve ser mantida na linha do ombro, ao mesmo tempo em que realiza a ação, auxiliado por uma ligeira flexão dos joelhos. Ao lançar a bola, o goleiro, deve estender o cotovelo e procurar lançar a bola de forma que não haja quique no terreno, para que a mesma não desvie do jogador que irá dominá-la. É de grande importância a utilização da flexão e extensão dos punhos, pois permitirá que os goleiros façam as fintas no momento do lançamento, dificultando a ação defensiva.
Fotografia 7 — Reposição Frontal Baixa
Fonte: Pereira (2007)
Fotografia 8 — Reposição Lateral
Fonte: Pereira (2007)
2.22 SAÍDA DE GOL NO ALTO
A saída de gol, em situação de ataque dentro da área, deverá ser realizada rapidamente e sem hesitação, objetivando diminuir o ângulo de finalização do atacante adversário. Portanto, o goleiro deve aumentar o seu tamanho, utilizando os segmentos dos braços e das pernas.
As saídas de cruzamento também devem ser realizadas sem hesitação, estas podem ocorrer de forma frontal e/ou lateralmente do campo de visão do goleiro, os joelhos devem ser semiflexionados para aumentar o grau de impulsão dos goleiros; os cotovelos estendidos, podendo utilizar os recursos do soco que, de preferência, nunca deverá ser realizado para a frente da área ou a pegada com as duas mãos.
Muitas vezes os goleiros utilizam os pés para jogar, ou seja, tornam-se mais um atacante. Recomendamos que os treinadores, sempre que possível, façam com que os mesmos treinem como jogadores de linha e também realizem os treinamentos básicos de passe, condução e arremate para gol.
Fotografia 9 — Saída de Gol no Alto
Fonte: Pereira (2007)
2.23 SAÍDA NO CHÃO
O goleiro mergulha lateralmente visando somente o contato direto com a bola e evitando o primeiro contato com o adversário para não haver penalidade.
Fotografia 10 — Saída de Gol no Chão
Fonte: Pereira (2007)
2.24 AÇÕES DOS GOLEIROS DE BEACH SOCCER COM OS PÉS
Fotografia 11 — Passe no alto com a parte interna dos pés
Fonte: O autor (2021)
Fotografia 12 — cavadinha para levantar a bola
Fonte: O autor (2021)
Fotografia 13 — Preparação para Domínio e Condução com a Coxa
Fonte: O autor (2021)
Fotografia 14 — Condução com a Coxa
Fonte: O autor (2021)
2.25 VALÊNCIAS FÍSICAS NECESSÁRIAS AOS GOLEIROS DE BEACH SOCCER
As qualidades físicas provavelmente mais necessárias para os goleiros de Beach Soccer são: Força/Potência; RML; Flexibilidade; Coordenação; Agilidade; Velocidade.
2.26 FORÇA RÁPIDA
Em relação aos goleiros, trata-se da mais importante dentre os tipos de força existentes. São aplicadas na aceleração (= força dinâmica positiva = força concêntrica) e frenagem (= força dinâmica negativa) que devem ser consideradas no treinamento (WEINECK, 2000).
2.27 RESISTÊNCIA DE FORÇA
Esta valência física auxilia a musculatura a suportar o tempo do jogo. Os métodos usados para o desenvolvimento da mesma objetivam as melhorias das condições das Fibras musculares tipo I, ao contrário da Força Rápida, que prioriza o desenvolvimento das fibras musculares do tipo II (WEINECK, 2000).
2.28 VELOCIDADE
É uma capacidade múltipla, à qual pertencem não somente a reação e a ação rápidas; a saída e a corrida rápidas; como também o reconhecimento e a utilização rápida de certa situação. Dentre os tipos de velocidades podemos destacar a Velocidade de Antecipação, que é a capacidade de o esportista perceber a evolução e o resultado da ação, assim como o momento e a frequência dos acontecimentos, de forma correta e em tempo hábil para programar as ações com o objetivo correspondente.
A outra é a Velocidade de Decisão que nada mais é que decidir sobre a formação de um objetivo e a decisão de levar a efeito plenamente determinadas ações e, finalmente, a Velocidade de Reação que representa um fator auxiliar decisivo para a performance do goleiro de Beach Soccer, que colabora com o início do movimento o mais cedo possível antes da chegada da bola, a fim de fazer coincidir o movimento de resposta com a bola, o local e o momento correto. Além da trajetória da bola que deverá ser observada, proporcionando um tempo mínimo de visão (PEREIRA E SILVA, 2020).
2.29 FLEXIBILIDADE
Qualidade física responsável pela execução voluntária de um movimento de amplitude angular máxima, por uma articulação ou conjunto de articulações, dentro dos limites morfológicos, sem o risco de provocar lesão. A mesma pode ser desenvolvida através dos métodos estáticos; balístico; dinâmico; Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) ou Scientific Stretching for Sport (3s) (DANTAS, 1989).
Os goleiros, de um modo geral, devem treinar a flexibilidade de uma forma global, na qual o volume e a intensidade dos exercícios deverão ser controlados pelo profissional responsável pela preparação física (PEREIRA E SILVA, 2021).
2.30 COORDENAÇÃO:
Trata-se de uma valência física que deriva da ação neuromotora, na qual o movimento é executado com melhor ritmo e lucidez, aparentando ser de fácil realização possibilitando uma ação mais eficaz dos diversos grupos musculares na realização de movimentos sequenciais, proporcionando eficiência mecânica e economia de energia. Existem ainda fatores neuromotores que determinam a capacidade de coordenação, que é relacionada à percepção plena e à análise dos próprios movimentos, à existência de certas imagens de posições e aos movimentos, no tempo e no espaço do próprio corpo e suas partes (VERKHOSHANSKI, 2001).
2.31 AGILIDADE
É a capacidade de mudar de direção dentro do menor tempo possível, portanto é fundamental para o goleiro de Beach Soccer, devido às constantes mudanças de posição do seu corpo durante a partida e, esta tem relação direta com a velocidade (PEREIRA E SILVA, 2020).
2.32 A AÇÃO COM OS PÉS DOS GOLEIROS DE FUTEBOL DE CAMPO E FUTSAL
O Futebol de Campo e o FUTSAL hoje também contam de forma mais intensa com a participação dos goleiros jogando com os pés. A velocidade e a dinâmica do Futebol moderno, a mudança nas regras, tiveram grande influência na mudança dos Modelos Táticos de jogo e desta forma os goleiros passaram a ter um papel mais participativo jogando com os pés (ROSSI, 2018).
Não obstante o goleiro tinha um papel apenas de defender as investidas dos adversários em sua área de jogo. A posição de goleiro é a mais específica do futebol, e a função de usar as mãos foi criada em 1871 (LEAL, 2000).
A posição de goleiro demanda uma exaustiva e diversificada rotina de exercícios ou treinamentos, uma disciplina acima da média, controle emocional imenso. Por muitas vezes os goleiros são primeiros a entrar no campo e os últimos a sair. Desta forma, o goleiro passou a ser o jogador com mais atribuições dentro de uma partida, realizando ações tanto com as mãos bem como com os pés.
Através de estudos que tomam como base informações recolhidas dos scouts realizados por profissionais membros das comissões técnicas do futebol é realizada uma análise quantitativa das ações do goleiro em um jogo de futebol. (BERTO e MAGALHÃES, 2017) conseguiram identificar e quantificar as principais ações e intervenções dos goleiros em partidas oficiais. Foram coletadas informações de 20 jogos oficiais em partidas de jogadores sub 15. A coleta de dados foi realizada em tempo real e foram observados os seguintes resultados: Defesas 16,06%; saída de gol 17,34%; reposição de bola 36,19%, goleiro linha 30,41%. Desta forma chegaram à conclusão que as ações dos goleiros variam de acordo com as exigências das partidas. A estatística apontou um número de defesas inferior em todo o campeonato e desta forma o resultado permite concluir que os goleiros cada vez mais terão a exigência de serem completos.
Foi realizado um estudo preliminar das ações técnicas do goleiro de futebol, este estudo teve como objetivo caracterizar as ações técnicas de goleiros profissionais de futebol e verificar a influência do mando de campo nas ações técnicas ofensivas e defensivas. Foi realizada a análise de um goleiro de futebol durante 20 jogos do Campeonato Paulista de 2011. Identificaram 650 ações com média de 32,5 por jogo. Houve maior incidência de técnicas ofensivas (59,1%) do que defensivas (40,9%). As ações técnicas defensivas mais presentes foram as antecipações, defesas de cruzamentos, defesas diretas baixas, defesas centrais baixas. Quanto às ações técnicas ofensivas, uma predominante relação com as reposições e passes realizados com os pés. Não foi detectado efeito do mando de campo em relação a essas ações (SOARES, 2018).
Outro estudo encontrado tinha como objetivo analisar quais equipes utilizaram a estratégia de Gol Linha na Liga Nacional 2018. Foram analisadas 16 equipes em 39 partidas. Os resultados foram avassaladores, das 16 equipes 15 utilizaram o Gol Linha em 33% da partida pelo menos; 13 equipes utilizaram 67% e 6 equipes utilizaram 100% das partidas. Sendo assim, somente uma equipe não utilizou o Gol Linha, algo inimaginável no FUTSAL até os anos 90 (CARVALHO, 2018) .
3 CONCLUSÃO
Os resultados do estudo apontaram que para os especialistas a principal causa na mudança do modelo de jogo, e o consequente aumento da participação dos goleiros utilizando os pés para armar as jogadas e finalizar para o gol oponente, se deu após a mudança da Regra em 2014 que passou não permitir que os goleiros ao sair da área não poderiam retornar a mesma e tocar a bola com qualquer parte do corpo, atrelada a evolução técnica dos goleiros com os pés, seguindo uma tendência apresentada tanto no Futsal como no Futebol de Campo. Importante ressaltar que a maioria dos especialistas aprovam o modelo de jogo (G x 4) e como os treinadores fariam uso do mesmo.
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