Beach Soccer: comparação da média de gols após a alteração da regra 12.
Beach Soccer: comparison of average goals after changing rule 12.
Rogério Vilela de Abreu Pereira
Coorientador: Profº Ms. Marcos Aurélio Ayres da Silva
Orientadores: Profº Dr. Mauro César Gurgel de Alencar Carvalho
Marcos Ayres
RESUMO
O Beach Soccer é um esporte de grande popularidade, praticado em muitos países. A mudança da regra 12 em 2014 levou os goleiros a participarem mais efetivamente com os pés das partidas, antes da mudança da regra era permitido aos goleiros sair e voltar da área com a bola quantas vezes eles desejassem, é atualmente permitido aos goleiros sair da área com a bola dominada e ao retornar com a mesma os goleiros não podem tocar na bola com nenhuma parte do corpo. O objetivo deste estudo foi analisar se a alteração da regra 12 teve alguma influência na média de gols marcados por partida no Beach Soccer, baseada nos números das Copas Mundiais de Beach Soccer. Os resultados do estudo apontaram que a média de gols não sofreu alterações significativas após a mudança da Regra 12.
Palavras-chave: Beach Soccer, Regras, gols.
ABSTRACT
.
Beach Soccer is a very popular sport, practiced in many countries. The change in rule 12 in 2014 led goalkeepers to participate more effectively with their feet in matches, before the rule change, goalkeepers were allowed to leave and return to the area with the ball as many times as they wanted, currently goalkeepers are allowed to leave the area with the ball controlled and when returning with the same, the goalkeepers cannot touch the ball with any part of the body. The objective of this study was to analyze whether the change in rule 12 had any influence on the average of goals scored per game in Beach Soccer, based on the numbers of the Beach Soccer World Cups. The results of the study showed that the average of goals did not change significantly after the change of Rule 12.
Keywords: Beach Soccer, Rules and Goals.
1. INTRODUÇÃO
O Beach Soccer foi fortemente influenciado pelo Futebol de Praia originado no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, em especial no Bairro de Copacabana (??, ??). A primeira Liga Oficial de Futebol de Praia foi fundada em 1957, pelo major Torres. Em seguida, na década de 1960, foi fundada a Federação de Futebol de Praia, que viria implantar regras mais consistentes da modalidade e bem parecidas com a do Futebol de Campo (??, ??).
Em 1993 Jean Carlo Signorini, levou jogadores brasileiros para participar de partidas de exibição de Futebol de Praia em Miami – Estados Unidos, porém de forma adaptada, isto é, em um campo com dimensões menores e menos jogadores. Um destes jogadores era Júnior que percebeu que a modalidade poderia atrair um grande número de adeptos (??, ??). Júnior relatou que os principais jogadores que participaram do primeiro evento em Miami além dele mesmo, foram João Paulo (ponta esquerda), Brigatti (goleiro), Gerson Caçapa, Maldini e Zenga. Assim, nasce o Beach Soccer(??, ??), onde foram analisadas por meio de questionário aplicado a especialistas da modalidade no Mundo, a interferência dos goleiros no jogo com em relação ao novo modelo aplicado por equipes do mundo inteiro.
Especialistas do mundo inteiro em percentual de 75% afirmam que a mudança da Regra 12 aumentou significamente a participação dos goleiros jogando com os pés. Além de 77% dos especialistas afirnarem que usariam o modelo de jogo com os goleiros jogando com os pés. Ainda 91,1% acreditam que em função da mudança da Regra e maior utilização dos goleiros jogando com os pés aumentou a técnica dos mesmos(??, ??) .
Portanto, o Beach Soccer é uma modalidade relativamente nova em relação ao Futebol de Campo e ao Futsal. Em 1993 o esporte dava seus primeiros passos na forma de jogos de exibição e em 1994 iniciam-se as primeiras competições oficiais e em 2005 a FIFA que tem como sua representante na organização BSWW (??, ??), assume o controle do esporte definitivamente (??, ??). Hoje no Brasil o esporte está legalmente sob o controle da CBF e
desde 2005 a FIFA realiza mundiais da modalidade.
Durante os últimos 27 anos o esporte mudou nos aspectos táticos, físicos e técnicos (??, ??). No Brasil foram publicados 4 livros e dois e-books, Beach Soccer da Iniciação à competição, Ed Sprint (??, ??), PEREIRA, Rogério Vilela de Abreu. Beach Soccer de A à Z. Clube dos Autores, 2015. Disponível em: amazon.com.br. Acesso em: 12 jul. 2015 (??, ??), PEREIRA, Rogerio Vilela de Abreu; SILVA, Andrey Valério. Beach Soccer para todos os níveis em ação. Rio de Janeiro: Multifoco, v. 1, (??, ??) (também no formato e-book), (??, ??). Métodos e Técnicas da Iniciação ao Alto Rendimento. 1. ed. São Paulo: Páginas do Brasil, 2007 e SILVA, Andrey Valério. Futebol de Areia para todos os níveis, RN, 2006. 1. ed. Rio Grande do Norte: Independente, 2006.
Em função do estudo de PEREIRA (??), ter sido pautado na Regra 12 em 2014 e a consequente maior participação dos goleiros jogando com os pés, foi objeto de pesquisa também encontrar estudos da participação de goleiros atuando com os pés não no Beach Soccer como em outras modalidades futebolísticas. Foi encontrado um estudo que traça um comparativo entre goleiros de Futsal e Beach Soccer (??, ??). Outro estudo realizado foi dos diferentes tipos de gols em partidas da Liga Europeia de Beach Soccer, e que também foram observados gols de goleiros (??, ??). Estudos sobre identificação do humor dos atletas durante o campeonato brasileiro de seleções de (??, ??). Outro estudo interessante foi o comparativo
entre o Beach Soccer e o Futsal na forma de jogar, realizado por (??, ??).
Antes da existência das Copas do Mundo FIFA em 2005, foram realizados desde 1995 até 2004 os Campeonatos Mundiais sem a chancela da FIFA e que não são foco de discussão do estudo em questão (??, ??). no entanto, o foco deste estudo é analisar se a alteração da regra 12 tem influência na média de gols no Beach Soccer.
H0: a alteração da regra 12 tem influência na média de gols no Beach Soccer.
H1: a alteração da regra 12 não tem influência na média de gols no Beach Soccer.
O Futebol de Praia é praticado há várias décadas na cidade do Rio de Janeiro, em especial no bairro de Copacabana. Inicialmente, era praticado na beira da praia e as regras eram as mais variadas possíveis, de esquina para esquina. A primeira Liga Oficial de Futebol de Praia foi fundada em 1957, pelo major Torres. Em seguida, na década de 1960, foi fundada a Federação de Futebol de Praia, que viria implantar regras mais consistentes da modalidade e bem parecidas com a do Futebol de Campo. Outra modalidade desportiva muito praticada nas praias cariocas, que apresenta alguns fundamentos técnicos utilizados no Beach Soccer, como as linhas de passes pelo alto (tabelinhas) com os pés, peito e cabeça é o Futvôlei. Criado por volta de 1963, na praia de Copacabana, inicialmente por craques consagrados como Otávio do Botafogo nos anos 1940, e Almir Pernambuquinho nos anos 1960 (Flamengo e Santos dos tempos de Pelé), o Futvôlei é caracterizado principalmente por ser jogado em quadra de voleibol, entretanto, as mãos não podem ser utilizadas ((??, ??).
No Brasil, alguns jogadores de futebol de grande categoria foram oriundos do Futebol de Praia, dentre eles, o mais famoso, Júnior, grande craque do Flamengo e da Seleção Brasileira, que foi um dos maiores responsáveis pelo surgimento do Beach Soccer no cenário mundial. Em 1993, o senhor Jean Carlo Signorini, amigo do craque Júnior, convidou-o para participar de partidas de exibição de Futebol de Praia em Miami – Estados Unidos, porém de forma adaptada, isto é, em um campo com dimensões menores e menos jogadores. Nessa mesma época, o craque percebeu que a modalidade poderia atrair um grande número de adeptos. Os principais jogadores que participaram desse primeiro evento em Miami foram Junior, João Paulo (Ponta esquerda), Brigatti (goleiro), Gerson Caçapa, Maldini e Zenga (??, ??)(??, ??). Através de parceria, entre a Kock Tavares e a Rede Globo de Televisão, foi criada uma modalidade mais dinâmica e plástica e, acreditava-se que esta despertaria mais interesse ao público em geral, assim surgiu o Beach Soccer. Diversos campeonatos nacionais e internacionais já foram realizados e, com grande sucesso em vários estados do Brasil. São várias as federações estaduais existentes em todo o país.
A organização dos eventos realizados pela Koch Tavares, International Beach Soccer Association (IBSA) e Confederação Brasileira de Beach Soccer é comparável ao nível das melhores competições internacionais. Sonhou-se com a inclusão do Beach Soccer nas Olimpíadas de 2004, entretanto, esse sonho foi impossível de ser concretizado, devido às inúmeras exigências do Comitê Olímpico Internacional (COI). Foi tentada também a inclusão nos Jogos Pan-americanos de 2007 no Brasil, no entanto não foi possível, assim como na Olimpíada no Rio de Janeiro. As primeiras competições organizadas pela International Beach Soccer Association (IBSA), foram realizadas no Rio de Janeiro, no ano de 1994 (I Mundialito) e o Brasil sagrou-se campeão(??, ??) .
Em 1995, no Rio de Janeiro, em Copacabana, foi realizado o primeiro Mundial e o Brasil novamente foi o campeão, tendo os Estados Unidos conquistado o vice-campeonato. Estes campeonatos não eram organizados pela FIFA. O Brasil conquistou nove títulos mundiais, tendo perdido uma única vez para a Seleção de Portugal, no ano de 2001. Tal derrota, talvez tenha sido o grande estopim para a iniciação do processo de renovação da equipe brasileira e para a mudança dos Sistemas de Jogo adotados pela Seleção Brasileira. Foi um fracasso inesperado para muitos naquele momento, nem os mais pessimistas imaginavam que aquela equipe pudesse ser batida de forma tão vexatória, o Brasil terminaria a competição em quarto lugar, atrás da Argentina. No ano de 2000, a seleção portuguesa conquistou a Copa Latina, inclusive vencendo o selecionado brasileiro, prenúncio de que as coisas seriam difíceis. Na época, o comentário era que o Brasil, dirigido por Júnior, que acumulava funções dentro e fora da quadra, havia levado um nó tático do selecionado português, além, aparentemente, ter apresentado uma baixa condição física.
O professor de educação física, técnico de Futsal e da Seleção do Rio Grande do Norte de Beach Soccer, Andrey Valério, depois da derrota, foi convidado a assumir o comando da Seleção Brasileira de Beach Soccer e, aos poucos, implantou, de forma adaptada, seus conhecimentos sobre os sistemas de jogo do Futsal na equipe. Não tínhamos mais a plástica dos veteranos, Júnior, Zico, Edinho, Paulo Sérgio e Cláudio Adão e tampouco Magal,
apontado por Júnior diversas vezes como o jogador mais brilhante que as praias já viram atuar. Gostaria de fazer referência ao técnico da Seleção do Espírito Santo, Jorge Ferreira, conhecido como Índio, oriundo do Futsal, que mesmo não contando com craques do quilate das Seleções do Rio de Janeiro e de São Paulo, foi o técnico que mais levou uma seleção à final do campeonato brasileiro (seis vezes) e conquistou duas vezes o título. Este foi o primeiro treinador a conseguir, com sucesso, implantar sistemas de jogo do Futsal no Beach Soccer. No entanto, Jorginho, Júnior Negão, Buru, Pierre, Juninho, Robertinho, Benjamim e Neném, entre outros, não menos talentosos nas areias, não eram mais meros coadjuvantes, e com condições físicas mais privilegiadas devido à média de idade menor, bem como uma dedicação aos
treinamentos diários nas praias de Copacabana, trazendo toda experiência absorvida nos anos
de convivência com os craques citados anteriormente (??, ??) .
A realidade é que no ano seguinte o Brasil recuperou seu título de forma incontestável e, com uma visível mudança na postura físico-tática-psicológica dos novatos, que até então eram meros coadjuvantes do espetáculo e que hoje são ídolos da modalidade em diversos países. Em maio de 2005, foi realizado o primeiro Campeonato Mundial sob a chancela da FIFA, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Desta feita, o franco favorito selecionado brasileiro
não conquistou o título, que foi para a Seleção da França, que também foi a campeã do Circuito Europeu. O Brasil foi derrotado na semifinal mais uma vez pelo selecionado português e nos pênaltis. Esta conquista demonstrou o desenvolvimento da modalidade em outros países. A França e a Ucrânia, por exemplo, investiram alguns milhões de Euros para a
construção de seus respectivos Centros de Treinamento (CT).
Os eventos de Beach Soccer organizados por Eric Cantona na França foram um sucesso em termos de público, organização e a liga Europeia de Beach Soccer é muito bem organizada. Alexandre Soares, que era assistente técnico de Jorge Ferreira, no segundo Campeonato Mundial organizado pela FIFA (2006) assumiu o comando técnico da equipe, e o Brasil reconquistou a condição de melhor do mundo, em uma partida contra o selecionado Uruguaio, quando venceu por 4 x 1, mesmo sob forte pressão da empresa e do público, já que não contou com craques consagrados como Robertinho, Juninho, Nenem e especialmente Jorginho, apontado por muitos como o maior jogador da modalidade. Sob o comando de Alexandre Soares o Brasil conquistou 4 Copas Mundiais consecutivas. Os Russos quebraram a hegemonia do Brasil e conquistaram o Bi-Campeonato Mundial, onde investiram em uma estrutura administrativa de grande porte, calendário anual consistente, migração de técnicos do Futsal para a modalidade, bons salários, intercâmbio de atletas e treinadores em seus campeonatos Regionais e Nacionais, enfim tudo que não temos no Brasil, onde o esporte nasceu e não deu seguimento a essa evolução estruturada.
Há uma grande tendência para o crescimento do intercâmbio de jogadores e
profissionais do treinamento do Beach Soccer, pois hoje nas Ligas Italianas, russa, israelita, espanhola, iraniana, japonesa entre outras, apresentam-se muitos jogadores e treinadores
brasileiros e de outras nacionalidades.
Em 2011 após a derrota para os Russos no Mundial a Confederação Brasileira de Beach
Soccer anunciou o técnico Guga Zloccowick, onde a proposta era um projeto de renovação de jogadores e conceitos de jogo, e apesar de estatisticamente o jovem treinador ter números positivos, o na época presidente Marcos Fábio Spironelli o demitiu e para muitos de forma injustificável, tendo em vista que em 35 partidas disputadas entre 2011 e 2012, o ex-treinador levou o Brasil à vitória em 31 oportunidades. No mesmo ano foi anunciado Júnior Negão como novo comandante da Seleção, e sob seu comando o Brasil fracassou em duas Copas seguidas. Atualmente o Brasil é comandado por Gilberto Costa que em seu primeiro Mundial como comandante resgatou o título Mundial. Já no segundo Mundial infelizmente as coisas não saíram como esperado e os Portugueses venceram mais uma vez o Mundial que marcou a despedida do craque Madjer com Chave de Ouro. Dificilmente deixaremos de ser um dos favoritos nas competições em qualquer nível, mesmo com todos os problemas que
enfrentamos. No entanto, a base precisa urgentemente ser bem trabalhada, não é tão simples encontrar e/ou formar jogadores do quilate de Benjamin, Neném e Jorginho, e esta qualidade é que faz e sempre fará a diferença quando os níveis técnicos, táticos, físicos e psicológicos estiverem equiparados.
As primeiras competições organizadas pela International Beach Soccer Association (IBSA), foram realizadas no Rio de Janeiro, no ano de 1994 (I Mundialito) e o Brasil sagrou-se campeão. Em 1995, no Rio de Janeiro, em Copacabana, foi realizado o primeiro Mundial e o Brasil novamente foi o campeão, tendo os Estados Unidos conquistado o vice-campeonato. Estes campeonatos não eram organizados pela FIFA (??, ??); (??, ??). O Brasil conquistou nove títulos mundiais, tendo perdido uma única vez para a Seleção de Portugal, no ano de 2001.
Tal derrota, talvez tenha sido o grande estopim para a iniciação do processo de renovação da equipe brasileira e para a mudança dos Sistemas de Jogo adotados pela Seleção Brasileira. Foi um fracasso inesperado para muitos naquele momento, nem os mais pessimistas imaginavam que aquela equipe pudesse ser batida de forma tão vexatória, o Brasil terminaria a competição em quarto lugar, atrás da Argentina.
No ano de 2000, a seleção portuguesa conquistou a Copa Latina, inclusive vencendo o selecionado brasileiro, prenúncio de que as coisas seriam difíceis. Na época, o comentário era que o Brasil, dirigido por Júnior, que acumulava funções dentro e fora da quadra, havia levado um nó tático do selecionado português, além, aparentemente, ter apresentado uma baixa condição física. O professor de Educação Física, técnico de Futsal e da Seleção do Rio Grande do Norte de Beach Soccer, Andrey Valério, depois da derrota, foi convidado a assumir o comando da Seleção Brasileira de Beach Soccer e, aos poucos, implantou, de forma adaptada,
seus conhecimentos sobre os sistemas de jogo do Futsal na equipe.
Não tínhamos mais a plástica dos veteranos, Júnior, Zico, Edinho, Paulo Sérgio e Cláudio Adão e tampouco Magal, apontado por Júnior diversas vezes como o jogador mais brilhante que as praias já viram atuar. Gostaria de fazer referência ao técnico da Seleção do Espírito Santo, Jorge Ferreira, conhecido como Índio, oriundo do Futsal, que mesmo não contando com craques do quilate das Seleções do Rio de Janeiro e de São Paulo, foi o técnico que mais levou uma seleção à final do campeonato brasileiro (seis vezes) e conquistou duas vezes o título. Este foi o primeiro treinador a conseguir, com sucesso, implantar sistemas de jogo do Futsal no Beach Soccer.
No entanto, Jorginho, Júnior Negão, Buru, Pierre, Juninho, Robertinho, Benjamim e Neném, entre outros, não menos talentosos nas areias, não eram mais meros coadjuvantes, e com condições físicas mais privilegiadas devido à média de idade menor, bem como uma dedicação aos treinamentos diários nas praias de Copacabana, trazendo toda experiência absorvida nos anos de convivência com os craques citados anteriormente. No ano seguinte o Brasil recuperou seu título de forma incontestável e, com uma visível mudança na postura físico-tática-psicológica dos novatos, que até então eram meros coadjuvantes do espetáculo e que hoje são ídolos da modalidade em diversos países.
Em maio de 2005, foi realizado o primeiro Campeonato Mundial sob a chancela da FIFA, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Desta feita, o franco favorito selecionado brasileiro não conquistou o título, que foi para a Seleção da França, que também foi a campeã do Circuito Europeu. O Brasil foi derrotado na semifinal mais uma vez pelo selecionado português e nos pênaltis. Esta conquista demonstrou o desenvolvimento da modalidade em outros países. A França e a Ucrânia, por exemplo, investiram alguns milhões de Euros para a construção de seus respectivos Centros de Treinamento (CT).
Os eventos de Beach Soccer organizados por Eric Cantona na França foram um sucesso em termos de público, organização e a liga Europeia de Beach Soccer é muito bem organizada. Alexandre Soares, que era assistente técnico de Jorge Ferreira, no segundo Campeonato Mundial organizado pela FIFA (2006) assumiu o comando técnico da equipe, e o Brasil reconquistou a condição de melhor do mundo, em uma partida contra o selecionado Uruguaio, quando venceu por 4 x 1, mesmo sob forte pressão da empresa e do público, já que não contou com craques consagrados como Robertinho, Juninho, Nenem e especialmente Jorginho, apontado por muitos como o maior jogador da modalidade. Sob o comando de Alexandre Soares o Brasil conquistou 4 Copas Mundiais consecutivas.
Os Russos quebraram a hegemonia do Brasil e conquistaram o Bi-Campeonato Mundial, onde investiram em uma estrutura administrativa de grande porte, calendário anual consistente, migração de técnicos do Futsal para a modalidade, bons salários, intercâmbio de atletas e treinadores em seus campeonatos Regionais e Nacionais, enfim tudo que não temos no Brasil, onde o esporte nasceu e não deu seguimento a essa evolução estruturada. Há uma grande tendência para o crescimento do intercâmbio de jogadores e profissionais do treinamento do Beach Soccer, pois hoje nas Ligas Italianas, russa, israelita, espanhola, iraniana, japonesa entre outras, apresentam-se muitos jogadores e treinadores brasileiros e de
outras nacionalidades.
Em 2011 após a derrota para os Russos no Mundial a Confederação Brasileira de Beach Soccer anunciou o técnico Guga Zloccowick, onde a proposta era um projeto de renovação de jogadores e conceitos de jogo, e apesar de estatisticamente o jovem treinador ter números positivos, o na época presidente Marcos Fábio Spironelli o demitiu e para muitos de forma injustificável, tendo em vista que em 35 partidas disputadas entre 2011 e 2012, o ex-treinador levou o Brasil à vitória em 31 oportunidades.
No mesmo ano foi anunciado Júnior Negão como novo comandante da Seleção, e sob seu comando o Brasil fracassou em duas Copas seguidas. Gilberto Costa foi o último comandante da Seleção em Copas, em seu primeiro Mundial como comandante e resgatou o título Mundial em 2017. Já no segundo Mundial em 2019 infelizmente as coisas não saíram como esperado e os Portugueses venceram mais uma vez o Mundial que marcou a despedida do craque Madjer com Chave de Ouro.
Em 2021 Gilberto Costa novamente foi o comandante da Seleção Brasileira e mais uma vez o Brasil teve uma pífia campanha e os Russos novamente levantaram o caneco. Infelizmente sob o comando da gestão atual o Brasil das últimas 6 Copas FIFA saiu derrotado 5 vezes. Mesmo depois de 28 anos as Categorias de Base são inexistentes em todo país, muitas gerações ficam no meio do caminho por total descaso das Federações e principalmente da CBSB (Confederação de Beach Soccer do Brasil) presidida pelo Sr, Rodrigo Royo, o Esporte sobrevive ainda da eventualidade e sem a menor estruturação em todo país.
Tática é definida como: Estratégias previamente elaboradas, aplicadas de acordo com os adversários e as condições que envolvem a partida. A tática esportiva pode ser dívida em geral ou específica. A primeira refere-se às regras gerais comuns às diversas modalidades esportivas; já as táticas específicas, referem-se às regras específicas de uma modalidade esportiva e deve ser adequadamente treinada (DENICOLI, 2001). Os componentes da
movimentação tática são baseados na capacidade cognitiva do atleta ou do grupo; capacidade técnica adquirida; capacidade psicofísica; e deve ser direcionada para um comportamento ideal em competições, mobilizando todo o potencial individual (??, ??), (??, ??) e (??, ??).
A Instrução Tática divide-se em “Teórica e Prática”, sendo a primeira a transmissão das informações de forma verbal, e para isso o treinador deve apresentar boa capacidade de comunicação. Já a segunda consiste na aquisição da movimentação tática e de um novo
comportamento. Além disso (??, ??), cita que ¨a base da aptidão tático-desportiva seja qual for a maneira por que ela se revele, está interligada através dos conhecimentos táticos; aptidões táticas; qualidades táticas e qualidade de raciocínio tático.
Observando o Beach Soccer desde sua origem e a Seleção Brasileira em particular – quando o elenco apresentava como base ex-craques do futebol de campo, com a média de idade acima dos 40 anos – notava-se que a mesma jogava muito em função da qualidade técnica dos seus jogadores. A idade média dos demais selecionados como Itália; França; Uruguai; Argentina; Peru, entre outros, também era avançada e a qualidade técnica destas equipes comparativamente era inferior à do selecionado brasileiro, pois entre outros fatores, para muitos países, tratava-se de uma modalidade recente e os mesmos apresentavam pouca ou nenhuma experiência prática. Inicialmente, a Seleção Brasileira de Beach Soccer utilizava uma formação básica no sistema de jogo em (2 x 2), muito utilizada no antigo Futebol de Salão (??, ??); (??, ??); (??, ??), no qual se preconizava a armação de dois atletas de defesa e
dois atacantes.
Este sistema era utilizado por equipes que não possuíam atletas em condições físicas de executar frequentemente as funções de ataque e defesa. Em nossas análises através de vídeos, este sistema foi utilizado durante muitos anos, isto é, de 1994 até 2001 e com grande eficiência, até a derrota no Mundial de 2001 para os portugueses, que surpreenderam com uma equipe em condições físicas e técnicas de excelente nível. O ex-treinador da Seleção Brasileira, Jorge Ferreira (Índio), treinador da Seleção do Espírito Santo, auxiliado pelo professor Alexandre Soares que também é especialista em Futsal, deram continuidade ao trabalho implantado por Andrey Valério semelhante ao realizado por Índio, durante vários anos no comando da Seleção Capixaba. Têm sido utilizados o sistema (3 x 1) e o Sistema de Rodízio de Quatro(??, ??) .
No sistema (3 x 1), a equipe ataca com três atletas e defende com três atletas, havendo maior necessidade de condicionamento físico dos jogadores e, quando tem a posse de bola, joga com a referência de um pivô na quadra adversária. No Sistema de Rodízio de Quatro, os quatro atletas devem apresentar grande habilidade; senso de cobertura, noção de deslocamento muito apurado, e um condicionamento físico maior que nos sistemas anteriores, isto significa um alto nível de compreensão e capacidade tática (??, ??). Os tipos básicos de marcação apresentadas no Beach Soccer são:
A Marcação por Zona, que é caracterizada por um desgaste físico menor e por utilizar os contra-ataques como arma. É pouco utilizada pelo selecionado brasileiro que prefere uma marcação mais direcionada a pressionar seus adversários. Os oponentes utilizam tal sistema aguardando os erros da Seleção Brasileira. A Marcação Meia-Quadra é outro sistema muito utilizado pelos adversários do Brasil e pouco utilizado pela seleção. Este sistema consiste em ter três atletas na sua meia-quadra e um mais adiantado, fazendo com que os mesmos jamais
fiquem em linha de três e a partir do seu meio de quadra a marcação torna-se individual.
A Marcação Meia Pressão e a Marcação Individual de Quadra Inteira, são as mais utilizadas por nosso selecionado. A primeira consiste na diminuição da distância do homem que conduz a bola enquanto o ala oposto fecha o meio da quadra. Já a segunda caracteriza-se por não deixar o adversário sair jogando, obrigando o goleiro a arremessar a bola, no entanto, esta depende de altíssimo nível de condicionamento físico, pois o desgaste é inevitável, sem contar que falhas de execução podem aumentar o número de faltas e, caso o goleiro adversário
tenha boa reposição de bola poderá proporcionar jogadas de contra-ataque.
Nas competições realizadas no Brasil, entre seleções regionais ou estaduais, todos os sistemas apresentados anteriormente são utilizados, pois o nível das equipes além de forte é equivalente. Principalmente em relação aos Selecionados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, quando se enfrentam em competições nacionais. Nas competições em nível estadual, principalmente nas categorias de base, e até mesmo nas equipes adultas, pode ser observada pouca consistência tática nas equipes que se apresentam. Muitas vezes, essas equipes são formadas às pressas e jogam em função de suas boas condições físicas. É possível que um dos principais fatores da menor consistência tática seja em função da deficiente formação dos atletas nas categorias de base, observe abaixo alguns dos principais Modelos de Marcação. A - Marcação Meia Pressão Centralizada , B -Marcação Meia Pressão pela Ala, C Marcação Meia Quadra e D - Marcação Pressão Individual.
Figura 1 – Modelos de Marcação
Fonte: autor (2022)
Pode ser observado que diversas equipes são orientadas por líderes comunitários que de modo geral, não estão preparados para tal tarefa. Muitas vezes em razão de serem ex-jogadores, quase sempre de pouca expressão, motivados por necessidades financeiras ou mesmo por serem apaixonados pela modalidade e/ou gozarem de respeito no seio de suas comunidades, no entanto, sem formação acadêmica específica para transmitir de forma adequada os conhecimentos necessários para formação e orientação dos atletas de Beach Soccer. Diante deste quadro, acreditamos que o Beach Soccer possa ser um mercado de trabalho promissor para os profissionais de Educação Física, que apresentem bom conhecimento nas disciplinas como a Fisiologia do Exercício; Treinamento Desportivo; Futebol; Psicologia do Esporte; entre outras, para a realização de um trabalho adequado, desde a formação dos atletas até a direção das equipes de alto nível da modalidade em questão.
A seguir, observaremos os quadros de algumas das variações dos Sistemas de Jogo, e nestes iremos deparar com o passado, presente e futuro. Sistemas como 4 x 0 ainda são utilizados de forma rara por poucos times e seleções devido aos problemas já mencionados e, mesmo o 3 x 1 caminha a passos lentos e funcionando de forma muito básica, já os Sistemas. Já o G x 4 que é nosso objeto de pesquisa, pois, esta cada vez mais sendo utilizado em times e seleções do mundo inteiro e há poucas limitações sobre o assunto, o que torna um interessante objeto de pesquisa. (??, ??), Em estudo das tendências da forma de jogar das equipes cita como uma das principais características das Seleções Internacionais foi a utilização dos goleiros participando
efetivamente com os pés durante grande parte da partida.
Importante inserir estes modelos de jogo inclusive nas Categorias de Base, onde atletas jovens ao chegar na categoria adulta estejam devidamente familiarizados com as rotinas de movimentação básicas necessárias para o Alto Rendimento (??, ??). No Brasil, ainda é muito difícil estabelecer essas rotinas de ensinamento, em função de ainda não haver uma organização federativa nas Categorias de Base, infelizmente crianças e jovens saem diretamente de Escolinhas para o Alto Rendimento adulto, sem informação e formação adequada e aprendem em idade avançada o processo comparado por exemplo aos atletas de Futsal, onde uma organização federativa desde as Categorias de Base.
Abaixo alguns exemplos dos principais Modelos Táticos de Jogo de utilizados no jogo:
Figura 2 – Sistema 2x2
Fonte: PEREIRA (2021)
Figura 3 – Sistema 3x1
Fonte: PEREIRA (2021)
Figura 4 – Sistema 4x0
Fonte: PEREIRA (2021)
Figura 5 – Sistema Gx4
Fonte: PEREIRA (2021)
Em todas as Copas do Mundo de Beach Soccer e nas Copas Intercontinentais a coleta de dados dos números e médias de gols, tempo dos gols, período dos gols, cartões amarelos. vermelhos entre outros dados sempre foram expostos no Site da FIFA, seja no Futsal, Futebol de Campo, Beach Soccer nas categorias Masculina e Feminina. No entanto, poucos estudos baseados nestas coletas de dados são encontrados na literatura nacional e internacional, em geral são apresentados os dados brutos e análises de pouco contexto científico(??, ??); (??, ??).
O estudo proposto nesta Tese de coletar o total de gols e média de gols das Copas do Mundo FIFA do Beach Soccer e relacionar com a mudança da Regra em 2014, onde a proposta é demonstrar se houve uma interferência na média de gols significativa antes e depois da mudança da Regraem 2014, e desta forma entender uma possível mudança dos modelos de jogo propostos, a forma de treinar com e sem a bola e a preparação física.
Analisou-se todos os jogos de Beach Soccer (BS) realizados nas Copas do Mundo
organizadas pela Fédération Internationale de Football Association (FIFA). E ainda, os jogos de BS das Copas do Mundo da FIFA entre 2006 e 2021, com exceção do torneio de 2005 por não apresentar a mesma quantidade de equipes dos outros anos avaliados, mesmo assim foram consideradas 319 partidas. Os dados sobre o número de gols e o número de partidas realizadas nas Copas do Mundo da FIFA foram obtidos do site da FIFA (www.fifa.com), utilizando-se os resumos oficiais dos jogos.
A partida é disputada por duas equipes. Cada equipe conter 5 jogadores no máximo, sendo um deles o goleiro.
Para o estudo, foi utilizada a seguinte variável: média de gols por ano obtidos por mundial. Para esta variável, analisou-se jogos disputados em dez mundiais de Beach Soccer; entre os anos de 2006 e 2021. A regra 12 sofreu alteração em 2014, então, entre 2006 e 2013 foi aplicado a regra 12 com um formato e entre 2015 e 2021 outro formato e foram
considerados apenas os gols marcados durante o tempo regular do jogo.
Os dados coletados foram divididos em 2 grupos, sendo um grupo Antes da Alteração
da Regra 12 (GAAR12) e outro grupo Depois da Alteração da Regra 12 (GDAR12). O GAAR12 correspondente aos mundiais dos anos de 2006, 2007, 2008, 2009, 2011, 2013 e
2015 (Tab. tab:r2wqtMf). E o GDAR12 AOS mundiais dos anos 2015, 2017, 2019 e 2021 (Tab. tab:CpBl1NX). Neste estudo, observou-se a média de gols no GAAR12 e no GDAR12, como também observou-se a média entre os grupos.
Concede-se tiro livre direto à equipe adversária, a ser cobrado do ponto imaginário na metade da linha de meio de campo, se:
Antes da alteração a regra funcionava da seguinte forma para o goleiro:
Os goleiros saiam e voltavam inúmeras vezes das sua área de jogo, tentando atrair o jogador adversário para lhes tomar a bola e quando isso acontecia pegavam a bola com as mãos
e lançavam a bola aos companheiros em busca da vantagem numérica.
Agora, depois da alteração, a regra funciona desse jeito para o goleiro:
Os goleiros ao saírem da sua área de jogo se retornassem a mesma passaram a não poder tocar a bola com nenhuma parte do seu corpo, e desta forma passaram a jogar mais com os pés em busca de uma vantagem numérica.
A análise não paramétrica do teste T foi utilizada para determinar as diferenças
estatisticamente significativas e o nível de significância foi estabelecido em p vvvv 0,05.
Ao analisar as 319 partidas correspondentes aos Mundiais FIFA de Beach Soccer permitiu analisar 2.713 gols (Tab. 1 ). A quantidade de gols marcados por mundial
dividido pela quantidade de partidas mostra a média de gols marcados por torneio.
Tabela 1 – Levantamento dos Dados para Análise
Fonte: autor (2022)
Os dados coletados foram divididos em 2 grupos, sendo GAAR12 correspondentes aos anos de 2006, 2007, 2008, 2009, 2011 e 2013 (Tab. 2 ). E o GDAR12 para os mundiais dos anos 2015, 2017, 2019 e 2021 (Tab. 3). No GAAR12 são os mundiais realizados antes da alteração na regra 12 e o G_DAR12 são os mundiais que foram realizados depois da alteração da regra
12.
Tabela 2 – Grupo Mundiais entre 2006 e 2013
Fonte: autor (2022)
Tabela 3 – Grupo Mundiais entre 2015 e 2021
Fonte: autor (2022)
O teste T para analisar a média dos gols em mundiais de Beach Soccer não apresentou
interação entre os grupos (GAAR12 e GDAR12) [p=0,4062, poder = 83,30] (Gráfico 1 ).
Gráfico 1– Total dos Gols por Mundial FIFA
Fonte: autor (2022)
No teste T de análise de variância assumidas como iguais também não apresentou interação entre o G_AAR12 e o G_DAR12 [p = 0,3288, poder = 52,14]. E, de fato, o teste de Shapiro-Wilk mostra evidências que a amostra dos grupos tem uma distribuição normal. Como
resultados temos que W = 0.93118 e p = 0,4596. Ou seja, p xxx 0,05.
Figura 6 – Distribuição da Média dos Gols
Fonte: autor (2022)
Observa-se no G_AAR12 que houve uma redução em números absolutos na média de gols dos mundiais ao longo do tempo (Gráf. 2), mas não houve diferença estatisticamente
significativa.
Gráfico 2– Redução em Números Absolutos na Média dos Gols dos Mundiais entre 2006
e 2013
Fonte: autor (2022)
No G_DAR12 houve um aumento em números absolutos da média dos gols nos
mundiais, mas não houve diferença estatisticamente significativa (Graf. 3 ).
Gráfico 3– Ampliação em Números Absolutos na Média dos Gols dos Mundiais entre
2015 e 2021
Fonte: autor (2022)
O presente estudo apresenta evidência que o número e média de gols não sofreu mudança significativa a partir dos Mundiais FIFA de Beach Soccer de 2015, que coincide
com a mudança da Regra 12 em 2014.
Antes da mudança da regra em 2014, era permitido que os goleiros entrassem e saíssem da área quantas vezes fossem necessárias. No entanto, o Goleiro Marcelo Salgueiro da Seleção Argentina em 2009 passou adotar a estratégia de sair e entrar na área inúmeras vezes até que um jogador da equipe adversária apertasse a marcação sobre ele, e assim ele retornava à bola para dentro da área a pegava com as mãos e arremessava rapidamente a frente para obter vantagem numérica. Antes do goleiro Argentina usar desse artifício era permitido e ninguém havia feito, a partir deste momento goleiros de outras equipes passaram a adotar a mesma situação, principalmente equipes menos dotadas de capacidade técnica, física e tática! A mudança da Regra em 2014 despertou outra faceta em relação à participação dos goleiros durante o jogo, jogar com os pés que sempre foi permitido mas não era realizado. A mudança da Regra provavelmente teve relação direta com a intenção de diminuir a cera, o tempo de bola
rolando e assim manter o jogo atrativo principalmente para mídia televisiva.
Apesar da mudança da regra e da característica da forma de jogar, a média de gols não sofreu mudanças significativas, pois as equipes se adaptaram rapidamente. O jogo do goleiro com os pés já não era incomum no Futsal e curiosamente já há alguns anos muitos treinadores de origem do Futsal passaram atuar no BS de alto rendimento, o que talvez tenha contribuído na adaptação rápida dos times em marcar essa forma de jogar.
Os resultados do estudo apontam que a média de gols não sofreu alterações significativas
após a mudança da Regra 12 em 2014, onde os goleiros ao sair da área com a bola dominada, ao voltar para o interior da mesma não podem mais tocar na bola com nenhuma parte do corpo e em 2021 foi acrescida a situação de ficar somente 4 segundos e não mais 5 segundos com a posse de bola no campo de defesa após sair da área. Esperava-se que a mudança da regra em 2014 fosse impactar na média dos gols no mundial de beach soccer. Este estudo constatou que não houve diferença estatisticamente significativa. Mas observou-se que houve uma redução em números absolutos antes da alteração da regra durante os mundiais de 2006 até 2013 e que houve um aumento em números absolutos na média dos gols nos mundiais de 2015 até 2021.
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