Motivação dos estudantes: determinantes psicossociais, impacto na aprendizagem e correlação com a saúde mental.
Student motivation: psychosocial determinants, impact on learning and correlation with mental health.
Orientadora: Mariana Marcelino Silva[1]
Júlio César Lacerda Garcez[2]
Bianca Nunes Medeiros[3]
Tiara Shimano Feitoza[4]
Josafá Neto Pereira da Silva[5]
RESUMO
O objetivo deste estudo é analisar os fundamentos teóricos e empíricos que envolvem a motivação dos estudantes, identificando seus determinantes psicossociais, verificando sua influência estruturante no processo de aprendizagem e discutindo a correlação entre níveis motivacionais, engajamento acadêmico e indicadores de saúde mental. Trata-se de revisão integrativa da literatura, fundamentada em referenciais teóricos da psicologia educacional, da educação em saúde e da saúde coletiva, realizada nas bases Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Periódicos Eletrônicos em Psicologia (PePSIC), abrangendo publicações entre 2019 e 2026, além de obras clássicas que embasam o campo. Os resultados demonstram que a motivação não constitui um traço fixo, mas um processo dinâmico, mediado por necessidades psicológicas básicas, percepção de autoeficácia e fatores contextuais, e que sua ausência ou fragilização configura-se como preditora de baixo desempenho, desengajamento e adoecimento psíquico. Conclui-se que a promoção da motivação requer abordagem integrada, que articule princípios da teoria da autodeterminação, da aprendizagem significativa e das políticas de saúde na escola, visando ao desenvolvimento integral do estudante.
Palavras-chave: Motivação. Estudantes. Aprendizagem. Saúde Mental. Ambiente Educacional. Psicologia da Educação.
ABSTRACT
The objective of this study is to analyze the theoretical and empirical foundations involving student motivation, identifying its psychosocial determinants, verifying its structural influence on the learning process, and discussing the correlation between motivational levels, academic engagement, and mental health indicators. This is an integrative literature review grounded in theoretical frameworks of educational psychology, health education, and collective health. The search was conducted across the Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences (LILACS), Virtual Health Library (VHL), Scientific Electronic Library Online (SciELO), and Electronic Periodicals in Psychology (PePSIC) databases, covering publications between 2019 and 2026, in addition to classic works that support the field. The results demonstrate that motivation is not a fixed trait but a dynamic process mediated by basic psychological needs, perceptions of self-efficacy, and contextual factors; furthermore, its absence or weakening serves as a predictor of low performance, disengagement, and psychological distress. It is concluded that the promotion of motivation requires an integrated approach that articulates the principles of self-determination theory, meaningful learning, and school health policies, aiming at the student's integral development.
Keywords: Motivation; Students; Learning; Mental Health; Educational Environment; Educational Psychology.
1. Introdução
A motivação ocupa posição central no debate teórico e prático sobre o processo educativo, sendo compreendida, nas ciências da educação e da saúde, como o conjunto de processos psicológicos que conferem direção, intensidade e persistência ao comportamento humano (WEINER, 1992; BZUNECK, 2022). Mais do que um simples impulso ou disposição para estudar, ela configura-se como um constructo teórico complexo, que envolve crenças, valores, necessidades e representações que o indivíduo constrói em interação com o meio.
Historicamente, as teorias sobre motivação evoluíram de explicações focadas apenas em incentivos externos ou instintos, para modelos que compreendem o sujeito como agente ativo, capaz de regular seu próprio aprendizado. Autores como Ryan e Deci (2020), com a Teoria da Autodeterminação, e Bandura (1986), com a Teoria Social Cognitiva, consolidaram referenciais que permitem entender por que alguns estudantes engajam-se profundamente nos estudos, enquanto outros demonstram apatia, resistência ou desistência.
No contexto atual, marcado por transformações sociais, tecnológicas e pelos impactos da pandemia da COVID-19 sobre a educação e a saúde, a discussão sobre motivação ganha ainda mais relevância teórica e prática. Pesquisas recentes indicam que a queda nos índices de engajamento escolar não se restringe a questões pedagógicas, mas relaciona-se diretamente a condições de saúde mental, qualidade das relações educativas e percepção de sentido e valor atribuído à aprendizagem (BRASIL, 2025; OMS, 2023).
Nesse sentido, este estudo fundamenta-se na premissa teórica de que aprender é um ato motivado, e que não há desenvolvimento cognitivo significativo sem o envolvimento afetivo e volitivo do estudante. O objetivo é aprofundar os conceitos sobre motivação, analisar seus determinantes à luz das principais teorias da área, discutir sua função estruturante na aprendizagem e explicitar as bases teóricas que sustentam a correlação entre motivação e saúde mental, contribuindo para a consolidação de abordagens integradas na educação básica e superior.
2. Fundamentação Teórica e Metodologia
2.1 Referenciais teóricos centrais
O arcabouço teórico deste estudo apoia-se em quatro eixos conceituais fundamentais:
2.1.1. Teoria da Autodeterminação (Ryan; Deci, 2020): modelo que defende que a motivação depende da satisfação de três necessidades psicológicas básicas: autonomia (sentir-se agente do próprio comportamento), competência (perceber-se capaz de realizar as tarefas) e pertencimento (sentir-se conectado e aceito no meio). Quando essas necessidades são atendidas, desenvolve-se motivação de qualidade, principalmente a intrínseca; quando frustradas, surgem regulações externas ou a desmotivação.
2.1.2. Teoria Social Cognitiva e Autoeficácia (Bandura, 1986): compreende que a motivação é influenciada pela crença que o indivíduo tem sobre sua própria capacidade de alcançar resultados. A autoeficácia não é apenas uma crença, mas um mecanismo cognitivo que regula o esforço, a persistência e a escolha de atividades. Estudantes com alta autoeficácia interpretam dificuldades como desafios, enquanto os com baixa autoeficácia interpretam-nas como ameaças ou prova de incompetência.
2.1.3. Teorias da Metas de Realização (Nicholls, 1984; Dweck, 2006): distinguem dois tipos principais de orientação motivacional: orientação à aprendizagem (foca em compreender, evoluir e dominar o conteúdo) e orientação ao desempenho (foca em provar capacidade, obter notas ou evitar julgamentos). Teorias mais recentes, como a Teoria da Mentalidade (Dweck, 2006), acrescentam que a crença sobre a natureza da inteligência — se fixa ou mutável — determina como o estudante responde a sucessos e fracassos.
2.1.4. Abordagem Sociocultural e de Saúde Coletiva (Vygotsky, 1998; MINAYO, 2021): entende a motivação não como algo interno apenas, mas como construção social, mediada por relações, cultura e contexto. Para a educação em saúde, a motivação é também um recurso de saúde, pois influencia a adoção de hábitos, a adesão a orientações e a capacidade de enfrentamento de desafios.
Esses referenciais são complementares e formam o suporte teórico para compreender os determinantes, as relações e as possibilidades de intervenção discutidas ao longo do trabalho.
2.2 Metodologia
Trata-se de revisão integrativa da literatura, método que, conforme definido por Souza, Silva e Carvalho (2010), permite reunir, analisar e sintetizar conhecimento científico, além de aprofundar conceitos, identificar relações teóricas e mapear o estado da arte de determinado tema. Para Minayo (2021), na área da saúde coletiva, essa abordagem é essencial para construir bases teóricas que subsidiem intervenções e políticas públicas.
O percurso metodológico incluiu levantamento bibliográfico nas bases: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Periódicos Eletrônicos em Psicologia (PePSIC). Foram consultados também obras clássicas da psicologia educacional, documentos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Educação (MEC), abrangendo publicações entre 2019 e 2026, além de referências sem limite de data quando se tratava de fundamentos teóricos consolidados.
Adotaram-se como critérios de inclusão: estudos teóricos, revisões sistemáticas, artigos empíricos e documentos técnicos que abordassem conceitos, modelos teóricos, determinantes psicossociais, impacto na aprendizagem ou relação com saúde mental; materiais disponíveis em português, inglês ou espanhol; e trabalhos com aderência aos referenciais teóricos adotados. Foram excluídos relatos de caso, materiais duplicados, resumos expandidos e estudos que não articulassem a dimensão teórica com a prática educacional.
Os dados foram analisados qualitativamente, com base em análise de conteúdo, e organizados em categorias temáticas: conceitos e tipologias de motivação; determinantes psicológicos e sociais; relações teóricas entre motivação e aprendizagem; bases conceituais da correlação com a saúde mental; e fundamentos teóricos das estratégias de promoção.
3. Desenvolvimento
3.1 Conceito e tipologias de motivação: bases teóricas
Na literatura especializada, a motivação é definida como o conjunto de processos internos que ativam, direcionam e mantêm o comportamento (WEINER, 1992). A principal distinção teórica, consagrada por Ryan e Deci (2020), refere-se à origem da regulação comportamental, o que define três tipos centrais.
- Motivação intrínseca: ocorre quando o comportamento é realizado por interesse, curiosidade ou satisfação inerente à atividade. Teoricamente, é considerada a forma mais elevada e desejável de motivação, pois está associada a maior criatividade, compreensão profunda, persistência e bem-estar. Fundamenta-se na satisfação das necessidades de autonomia e competência.
- Motivação extrínseca: refere-se a ações realizadas não por interesse, mas por consequências externas — recompensas, reconhecimento, obrigações ou evitar punições. A teoria diferencia ainda quatro tipos de regulação extrínseca, numa escala de menor a maior autonomia: regulação externa, regulação por introjeção, regulação por identificação e regulação integrada. Quanto mais autônoma a regulação extrínseca, mais positivos são os resultados para a aprendizagem e a saúde.
- Desmotivação: corresponde à ausência de intenção ou razão para agir, resultante da percepção de incompetência, da falta de valor atribuído à atividade ou da sensação de que não há relação entre esforço e resultado. Teoricamente, representa o polo oposto à motivação e é considerada fator de risco para insucesso e adoecimento.
Além dessa classificação, as teorias de metas (DWECK, 2006) acrescentam que a motivação também varia conforme o objetivo perseguido: metas de domínio (aprender, evoluir) ou metas de desempenho (ser melhor que os outros, obter aprovação). Essas distinções teóricas são fundamentais, pois orientam o diagnóstico e a intervenção: não basta apenas haver motivação; é necessário que ela seja de qualidade, autônoma e ligada ao desenvolvimento.
3.2 Determinantes psicológicos e sociais: dimensões explicativas
Com base nos referenciais teóricos adotados, os fatores que determinam a motivação podem ser organizados em três dimensões interligadas:
3.2.1 Dimensão individual: crenças, necessidades e emoções
No plano individual, a motivação é mediada por constructos como autoeficácia (crença sobre a própria capacidade), valor da tarefa (importância atribuída ao conteúdo), metas pessoais e atribuições causais (explicações que o estudante dá para sucessos e fracassos — se acredita que depende de esforço ou de sorte/capacidade fixa).
Para Bandura (1986), a autoeficácia é o mecanismo cognitivo central: estudantes que acreditam ser capazes de aprender dedicam mais esforço, enfrentam dificuldades com persistência e interpretam erros como parte do processo. Já para Weiner (1992), a forma como o indivíduo explica seus resultados influencia diretamente suas emoções e expectativas futuras: atribuir o fracasso à falta de capacidade gera vergonha e desistência; atribuir à falta de esforço ou estratégia gera esperança e busca por melhoria.
As emoções acadêmicas — alegria, ansiedade, frustração, orgulho, tédio — também são centrais na teoria. Conforme Pekrun (2006), emoções positivas favorecem a motivação e a aprendizagem, enquanto emoções negativas desregulam o funcionamento cognitivo e reduzem o engajamento.
3.2.2 Dimensão relacional: vínculos e interações educativas
Na perspectiva sociocultural (VYGOTSKY, 1998), a motivação é construída na relação com o outro. A figura do professor exerce papel fundamental: a forma como ensina, como avalia, como acolhe e como comunica expectativas influencia diretamente a percepção de autonomia, competência e pertencimento do aluno.
Conforme a Teoria da Autodeterminação (RYAN; DECI, 2020), ambientes educacionais que oferecem suporte à autonomia, em vez de controle; que estruturam claramente as atividades; e que demonstram aceitação e vínculo, favorecem a motivação de qualidade. Já ambientes rígidos, controladores ou que fazem comparações sociais sistemáticas tendem a fragilizar o engajamento.
Além disso, a relação com os pares e a família também são determinantes teóricos: expectativas familiares, apoio emocional e clima de amizade na escola são preditores importantes de motivação.
3.2.3 Dimensão estrutural: clima escolar e contexto
O clima escolar — conjunto de normas, valores, práticas, estrutura física e organização pedagógica — configura-se como fator determinante na perspectiva da educação em saúde (BRASIL, 2025). Escolas que valorizam o estudante, que têm regras justas, que oferecem suporte e que conectam o conteúdo à realidade do aluno favorecem a construção de motivação. Já ambientes marcados por violência, exclusão ou desorganização atuam como desestimuladores.
Essa dimensão ganha força teórica ao se compreender a motivação não como propriedade do aluno, mas como resultado da interação entre o sujeito e o ambiente.
3.3 Motivação e aprendizagem: relações estruturantes
Do ponto de vista teórico, a relação entre motivação e aprendizagem é de natureza estruturante: não é possível haver aprendizagem significativa sem envolvimento motivacional.
Para Pozo (2002), a motivação determina o que, como e quanto o aluno aprende. Ela influencia:
- a seleção de atividades: o aluno escolhe o que considera valioso ou capaz de realizar;
- a qualidade do processamento cognitivo: estudantes motivados usam estratégias profundas de estudo (compreensão, relação de ideias), enquanto os desmotivados usam estratégias superficiais (memorização, cópia);
- a persistência diante da dificuldade: a motivação é o que sustenta o esforço quando a tarefa é complexa.
Essa relação explica por que estudantes com capacidade cognitiva semelhante podem apresentar resultados muito diferentes: a diferença reside, fundamentalmente, na motivação. Do ponto de vista teórico, o rendimento escolar é produto tanto da capacidade quanto da motivação.
Além disso, a motivação influencia a apropriação do conhecimento: o aluno motivado não apenas decora, mas compreende, incorpora e sabe aplicar o conteúdo, o que corresponde ao que a teoria define como aprendizagem significativa (AUSUBEL, 1968).
3.4 Correlação teórica entre motivação e saúde mental
A articulação teórica entre motivação e saúde mental apoia-se em dois eixos principais: a motivação como indicador de saúde e como recurso de saúde.
Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2023), saúde mental refere-se a estado de bem-estar em que o indivíduo percebe suas próprias capacidades, pode lidar com as tensões normais da vida, pode trabalhar produtivamente e contribuir com a comunidade. Nesse sentido, a capacidade de se motivar, engajar-se e persistir em atividades significativas é parte constitutiva da saúde mental.
Teoricamente, a correlação é recíproca:
- Saúde mental como antecedente: condições como ansiedade, depressão,
estresse ou baixa autoestima comprometem diretamente os mecanismos motivacionais. Transtornos emocionais elevados geram distração, reduzem a capacidade de concentração, alteram a percepção de valor das atividades e diminuem a crença em competência, elementos centrais para o engajamento acadêmico. Estudos consolidados na área da psicologia escolar demonstram que estudantes com sintomas depressivos apresentam níveis significativamente mais baixos de motivação intrínseca e maior probabilidade de desmotivação, uma vez que o sofrimento psíquico interfere na regulação do comportamento e na disposição para investir esforços (BZUNECK, 2022; RYAN; DECI, 2020).
- Motivação como determinante de saúde: por outro lado, a ausência ou fragilização da motivação constitui-se em fator de risco para o adoecimento mental. Quando o estudante não encontra sentido, valor ou reconhecimento nas atividades escolares, instala-se um ciclo de frustração, sensação de inutilidade e isolamento, que pode evoluir para quadros de ansiedade crônica, baixa autoestima e depressão. Nessa perspectiva teórica, a motivação não é apenas um construto pedagógico, mas um recurso de saúde, pois permite ao indivíduo manter atividades que promovem bem-estar, desenvolvimento e inserção social (OMS, 2023; MINAYO, 2021).
Essa correlação ganha ainda mais densidade ao ser analisada à luz da Teoria da Autodeterminação (RYAN; DECI, 2020), que defende que a satisfação das necessidades psicológicas básicas — autonomia, competência e pertencimento — é simultaneamente condição para a motivação de qualidade e para a saúde mental. Ambientes educacionais que frustram essas necessidades, ao impor controle excessivo, ao não oferecer suporte adequado ou ao gerar exclusão, atuam como agentes estressores, comprometendo tanto o engajamento quanto o equilíbrio emocional.
A abordagem da saúde coletiva complementa essa compreensão ao situar a relação motivação–saúde mental dentro de um contexto mais amplo, que inclui condições sociais, econômicas e culturais. Para Minayo (2021), não é possível compreender o comportamento e o estado emocional do estudante dissociado das condições de vida, do acesso a direitos e da qualidade das relações sociais. Assim, a baixa motivação pode ser também expressão de desigualdades, de falta de perspectiva de futuro ou de desvalorização social da educação, o que reforça a necessidade de análise multidisciplinar.
3.5 Fundamentos teóricos das estratégias de promoção
Com base nos referenciais adotados, as intervenções para fortalecer a motivação e promover saúde mental não podem ser fragmentadas ou focadas apenas em um dos lados da relação. Teoricamente, elas devem articular princípios de suporte à autonomia, estruturação clara das atividades e construção de vínculos de qualidade, conforme preconiza a Teoria da Autodeterminação (RYAN; DECI, 2020), além de estratégias que fortaleçam a autoeficácia e reestruturem crenças sobre inteligência e capacidade, como propõem Bandura (1986) e Dweck (2006).
Do ponto de vista conceitual, as ações devem ser organizadas em três eixos complementares:
1. Eixo pedagógico: compreende a reorganização das práticas de ensino e avaliação para torná-las mais significativas, participativas e conectadas à realidade dos estudantes. Envolve oferecer escolhas, explicar a utilidade dos conteúdos, valorizar o processo e o esforço mais que apenas o resultado, e propor desafios adequados ao nível de desenvolvimento. Fundamenta-se na ideia de que a aprendizagem só se torna motivadora quando faz sentido para quem aprende (AUSUBEL, 1968; POZO, 2002).
2. Eixo relacional: centra-se na qualidade das interações entre educadores, estudantes e famílias. Baseia-se na premissa teórica de que o vínculo seguro, o acolhimento e a confiança são alicerces para que o aluno se sinta pertencente e valorizado. Inclui formação de professores para escuta ativa, mediação de conflitos e reconhecimento das diferenças, além de ações que fortaleçam a participação das famílias no espaço escolar (VYGOTSKY, 1998; BRASIL, 2025).
3. Eixo de saúde e suporte psicossocial: articula ações de promoção de saúde mental, educação emocional e suporte especializado. Fundamenta-se na compreensão de que estar bem emocionalmente é condição para aprender e se motivar. Envolve espaços de escuta, trabalho com habilidades socioemocionais, identificação precoce de sinais de risco e articulação com serviços de saúde da rede pública (OMS, 2023; MINAYO, 2021).
Além disso, a perspectiva teórica aponta para a importância de transformações estruturais, como a melhoria do clima escolar, a valorização social da educação e a garantia de condições dignas de estudo, elementos que, embora não sejam diretamente pedagógicos, exercem influência decisiva sobre a motivação dos estudantes.
4. Considerações finais
A análise aprofundada dos referenciais teóricos e das evidências científicas permite afirmar que a motivação dos estudantes constitui-se em um constructo multidimensional, dinâmico e essencial para o desenvolvimento educacional, emocional e social. Longe de ser uma característica estática ou inata do indivíduo, ela é compreendida como resultado da interação entre características pessoais, relações interpessoais e condições do ambiente educacional e social.
Do ponto de vista teórico, ficou demonstrado que:
- a motivação não é homogênea, e sua qualidade — intrínseca, extrínseca autônoma ou controlada — determina seus efeitos sobre a aprendizagem e a saúde;
- os determinantes são multifatoriais, envolvendo crenças, necessidades psicológicas, vínculos, clima escolar e contexto mais amplo;
- a relação com a aprendizagem é estruturante: não há desenvolvimento cognitivo significativo sem envolvimento motivacional;
- a correlação com a saúde mental é recíproca e fundamental, sendo a motivação ao mesmo tempo indicador e recurso de saúde.
Essas compreensões teóricas rompem com visões simplistas que atribuem a falta de motivação apenas ao desinteresse ou à falta de capacidade do aluno, evidenciando a responsabilidade do sistema educacional, das práticas pedagógicas e das políticas públicas na promoção de condições favoráveis ao engajamento e ao bem-estar.
Diante dos desafios atuais — entre os quais os impactos da pandemia da COVID-19, as transformações sociais e as novas demandas educacionais — conclui-se que a abordagem integrada é a única capaz de responder à complexidade do fenômeno. É necessário que a educação assuma como princípio teórico e prático a formação integral, que articule conhecimento, afeto, motivação e saúde, reconhecendo que educar é também cuidar e promover condições para que cada estudante possa encontrar sentido, valor e prazer em aprender.
Recomenda-se que novas pesquisas avancem na construção de modelos teóricos que articulem ainda mais fortemente as dimensões educacional, psicológica e sanitária, bem como na avaliação de intervenções integradas, contribuindo para a consolidação de uma educação que seja, ao mesmo tempo, de qualidade e promotora de saúde.
Referências
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VYGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
WEINER, Bernard. Human motivation: metaphors, theories, and research. Nova York: SAGE Publications, 1992.
Mestrado em educação (ITS-Flórida USA-2018). Graduação em Letras ( CESB-2008). Licenciatura em Ciências Biológicas –(Única-2022).Professora Mestre no Centro Universitário de Desenvolvimento do Centro Oeste Unidesc-Luziânia-GO e Orientadora de Trabalhos acadêmicos no Iara Christian University. ↑
Médico UNICEPLAC- 2021 . Pós graduado em psiquiatria e medicina do trabalho. Pós graduando em psiquiatria da infância e adolescência e mestrando em ciências da saúde pela ICU. 2025. E-mail: jclgarcez@gmail.com ↑
Graduação: Bacharelado em Nutrição (Unidesc, Luziania - GO), em curso (início em 2026). E-mail: bianca.medeiros9107@sounidesc.com.br ↑
Profissão: Bióloga da Secretaria de Saúde de Barra do Garças - SUS. Graduação: Licenciaturas em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Mato Grosso UNEMAT ( 2008). Mestrado Acadêmico em Ciências da Saúde- Absolute Christian University/Iara Christian University- (USA - 2023). E-mail: tiarashimano2@gmail.com ↑
Graduação em Administração de Pequenas e Médias Empresas (Londrina/PA – 2008); Mestrado em Educação Absolute Cristian University/Iara Christian University- (Florida/USA – 2024); E-mail: josafa.silva1402@gmail.com ↑