A zona de desenvolvimento proximal e as suas implicações pedagógicas no processo de ensino/aprendizagem


The zone of proximal development and its pedagogical implications in the teaching/learning process

António Augusto Miguel Paulo[1]

Resumo

A Zona de Desenvolvimento Proximal, é um tema muito estudado, mas pouco investigado com profundidade, mesmo sendo tão importante para o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos. Pois, o aluno aprende pela interação com o professor e outros colegas que o apoiam na sua aprendizagem por intermédio de andaimes, o conhecimento dos alunos pelos professores na sua proveniência sociocultural e muito mais. Desta forma, foi realizada uma investigação no Liceu Duque do Chiaze, em Cabinda, uma investigação que contou com uma amostra de 77 elementos. A mesma pesquisa teve como objetivo geral o de “analisar as implicações pedagógicas da Zona de Desenvolvimento Proximal no processo de ensino/aprendizagem no Liceu Duque do Chiaze/Cabinda. Para o efeito, fizemos recurso ao método dedutivo (quantitativo), na utilização de um questionário. Tendo desta forma conseguido os principais resultados, tais como: 98,7% dos que foram inqueridos nunca ouviram falar de Zona de Desenvolvimento Proximal; no que às implicações pedagógicas da ZDP diz respeito, 100% afirmaram que não conhecem; 100% dos inqueridos afirmaram que na escola não existe um supervisor pedagógico; 97,4% afirmou que as avaliações dos alunos não respeita a ZDP. Tendo desta forma, as seguintes conclusões: Os professores na sua maioria nunca ouviram falar de ZDP, o que dificulta aferir as implicações da ZDP.

Palavras-chave: Zona de Desenvolvimento Proximal; Zona de Desenvolvimento Potencial; Implicações Pedagógicas

ABSTRACT:

The Zone of Proximal Development is a much-studied topic, but little investigated in depth, even though it is so important for student development and learning. Students learn through interaction with the teacher and other peers who support their learning through scaffolding, the teachers' knowledge of students' sociocultural backgrounds, and much more. Therefore, a study was conducted at the Duque do Chiaze High School in Cabinda, with a sample of 77 participants. The same research had the general objective of "analyzing the pedagogical implications of the Zone of Proximal Development in the teaching/learning process at the Duque do Chiaze High School/Cabinda." To this end, we used the deductive (quantitative) method, employing a questionnaire. In this way, we obtained the following main results: 98.7% of those surveyed had never heard of the Zone of Proximal Development; regarding the pedagogical implications of the ZPD, 100% stated that they were unfamiliar with it; 100% of those surveyed stated that there is no pedagogical supervisor at the school; 97.4% stated that student assessments do not respect the ZPD. Thus, we reached the following conclusions: The majority of teachers have never heard of the ZPD, which makes it difficult to assess its implications.

Keywords: Zone of Proximal Development; Zone of Potential Development; Pedagogical Implications

INTRODUÇÃO

Uma das questões mais colocadas, atualmente e, penso que para todos os tempos é: Que tipo de ensino é mais produtivo para um certo aluno? Obviamente, que esta questão, de partida, se pode compreender por parte de qualquer professor comprometido, em qualquer instância educacional. Só que, à tal questão que parece tão simples, carece de respostas concretas, não somente na componente teórica, mas também na sua esfera prática no quotidiano do professor.

O objetivo geral desta pesquisa é o de “Analisar as implicações Pedagógicas da Zona de Desenvolvimento Proximal dos alunos no processo de ensino, aprendizagem e do desenvolvimento”.

Para além do objetivo geral, a respectiva pesquisa incorpora objetivos específicos, tais como:

Para tal, colocou-se a seguinte questão científica para sustentar a nossa investigação: Quais são as implicações da Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) dos estudantes nos processos de ensino, aprendizagem e desenvolvimento no Liceu Duque do Chiaze?

Na Psicologia, tanto a Geral, assim como a Educacional, aconselhamentos sobre esse problema prático, não nos faltam. Que tipos de respostas poderemos encontrar em torno da questão formulada? Essa simples questão suscita vários e sérios problemas. Questões normativas e políticas educacionais relacionadas com os objetivos do ensino e dos recursos disponíveis para concretizá-los devem ser resolvidas. É fundamental uma teoria da aprendizagem que possa explicar como se desenvolvem as capacidades intelectuais. Se o ensino não é visto como um fim em si mesmo, então uma teoria sobre a relação entre o ensino de um determinado conteúdo escolar e suas consequências para o desenvolvimento psicológico torna-se igualmente fundamental. Pois, esta última questão foi a principal razão que fez com que Vygotsky desenvolvesse o seu conhecido conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal, doravante (ZDP), o qual tem como foco a relação entre o ensino e o desenvolvimento, mas também se mostra imprescindível para muitos desses problemas.

A Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é um conceito desenvolvido por Lev Vygotsky, como já nos referimos e refere-se à área entre o que uma criança, para o nosso caso, aluno já sabe fazer sozinho (desenvolvimento real) e o que ele pode alcançar com ajuda de alguém (por exemplo, colega) mais experiente ou mesmo professor (desenvolvimento potencial), sendo imperativa uma aprendizagem mediada por adultos ou colegas mais experientes, onde o ensino atua como um catalisador para novas habilidades, transformando o potencial em real através da interação social e desafios adequados (Clara, 2017).

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

Começaremos por abordar sobre o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal.

2.1. Zona de Desenvolvimento Proximal

Segundo Corrêia (2016), Vygotsky defendia que a Psicologia deveria estar concentrada num estudo que seria capaz de explicar como as características específicas de um indivíduo, os processos psicológicos, são produzidos a partir das relações sociais, isto é, do convívio com outros seres humanos, capazes de elaborar cultura e fazer história. Ainda de acordo com mesmo autor, a psicologia sócio-histórica de Vygotsky entende que, o homem, ao transformar o meio físico e social em que se encontra inserido, também se transforma a si mesmo. Nesse contexto, Vygotsky acabou desenvolvendo particular interesse em investigar os processos de aprendizagem, construção do pensamento e desenvolvimento da linguagem. Percebendo diferenças na resolução de problemas por crianças que apresentavam o mesmo nível de desenvolvimento, Vygotsky constatou que a equivalência no quociente intelectual (QI) entre elas não produziam obrigatoriamente um mesmo resultado quando apresentadas a exercícios mais complexos, envolvendo a ajuda de adultos (Mira y Lopes, 2021).

Além disso, algumas pesquisas da época indicavam outro fator que suscita curiosidade: crianças com QI inicial alto perdiam pontos ao longo do período escolar, e crianças com QI inicial baixo tendiam a ganhar pontos durante o mesmo período, o que acabava por praticamente igualar suas ordens de classificação neste processo (Veer, Valsiner, 1996). Como é que este fenómeno se explica? Assim surgiu o conceito da Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), que pretendia entender o processo de aprendizagem nas crianças:

Desta forma, segundo Vygotsky (2007), a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) é a distância entre o nível de desenvolvimento real (aquilo que o aluno consegue realizar sozinho), que se costuma determinar por intermédio da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial (aquilo que o aluno só consegue realizar com ajuda do professor ou colega mais experiente).

Segundo Bock (2018), o estado do desenvolvimento mental do aluno só pode ser determinado tendo em conta a pelo menos dois níveis: o nível de desenvolvimento real ou efetivo e a zona de desenvolvimento potencial. Por outras palavras, o desenvolvimento efetivo, ou desenvolvimento real, são funções já amadurecidas ou até automatizadas no aluno, aquilo que ele já consegue resolver de forma independente, produto final do desenvolvimento. Já a zona de desenvolvimento potencial, compreende as funções que ainda estão em processo de maturação, e que necessitam de assistência de adultos para que sejam efetivamente desenvolvidas.

Ainda de acordo com Vygotsky (2007, p. 98), “o nível de desenvolvimento real caracteriza o desenvolvimento mental retrospectivamente, enquanto a zona de desenvolvimento potencial caracteriza o desenvolvimento mental prospectivamente”. Para Bock (2018), Vygotsky teria considerado três zonas de desenvolvimento: real (aquilo que o aluno faz sozinho), potencial (o que o aluno pode realizar com auxílio de pessoas mais experientes) e proximal (o que está em amadurecimento).

2.2. Componentes da Zona de Desenvolvimento Proximal

A Zona de Desenvolvimento Proximal é constituída por várias componentes, tais como as que veremos a seguir, segundo Bock (2018):

2.3. Processamento da Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP)

Para colocar em prática a Zona de Desenvolvimento Proximal é necessário obedecer a certos critérios, como mais adiante veremos:

Mediação: Um indivíduo mais experiente (mediador) em relação à criança, que para o nosso caso aluno, apoia, orienta e proporciona-lhe ferramentas (linguagem, estratégias) para o aluno resolver um problema ou realizar uma tarefa que ele não conseguiria resolver sozinho.

A mediação no processo de ensino-aprendizagem funciona como uma ponte entre o aluno e o conhecimento, onde o professor atua como facilitador, guia e incentivador, em vez de um mero transmissor de informações. Baseada na interação (e frequentemente na teoria de Vygotsky), o professor ajusta estímulos, provoca reflexões e usa o diálogo para ajudar o aluno a superar desafios cognitivos (Zona de Desenvolvimento Proximal), tornando o aluno como sujeito ativo e protagonista da sua própria aprendizagem. 

Papel do Professor: Atua como um mediador/facilitador, utilizando diálogo, troca de experiências e situações-problema para estimular o pensamento crítico.

O Aluno no Centro: A abordagem foca na construção de conhecimento pelo aluno, valorizando sua vivência e autonomia.

A sua implicação, enquanto Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP); é que o professor, enquanto mediador, atua na área entre o que o aluno consegue fazer sozinho e o que consegue com ajuda, guiando-o para alcançar novas competências.

Estratégias Práticas: Neste caso, o professor deve usar feedback constante, perguntas reflexivas, trabalhos colaborativos, metodologias ativas e, em casos específicos, o Plano Educacional Individualizado (PEI) (Lopes & Silva, 2011).

A mediação transforma o erro em oportunidade de aprendizagem e adapta o ensino às necessidades individuais, tornando a sala de aula mais humanizada e construtiva. Para que isso aconteça é necessário que se constituam turmas com um número determinado de alunos, com pelo menos 25-30 alunos por cada turma, para que os professores possam atender os alunos de acordo às necessidades e especificidades de aprendizagem, diferentemente com o que acontece com as turmas das nossas escolas em Angola com números excessivos de alunos.

Para Clara (2017), a mediação pedagógica é a atitude, o comportamento do professor que se coloca como facilitador, incentivador. 

Andaime (Scaffolding): O mediador proporciona apoio temporário, ajustando o aluno na sua progressão, até que ela consiga realizar o exercício de forma autónoma. Neste caso, os andaimes (scaffolding) no processo de ensino-aprendizagem referem-se ao suporte temporário fornecido pelo professor ou colega mais experiente, ajudando o aluno a realizar tarefas complexas que ainda não consegue fazer sozinho. Essa estratégia divide a aprendizagem em fazes, retirando o apoio à medida que o aluno vai consolidando a autonomia na construção dos seus conhecimentos. 

Esta estratégia tem como objetivo o de promover a independência e a confiança progressivas do aluno na sua aprendizagem, facilitando a construção de novos conhecimentos com base no que ele já sabe. Para tal, a consolidação do conhecimento basear-se-á sempre naquilo que o aluno já sabe e, o novo conhecimento vai agarrar-se ao conhecimento antigo. A sua origem está atrelada às ideias de Vygotsky sobre a zona de desenvolvimento proximal, onde a aprendizagem ocorre com mediação social.

Para a sua aplicação, há técnicas comuns que se consubstanciam em dividir tarefas grandes em partes menores, usar materiais manipulativos, dar exemplos, oferecer feedback constante e modelar comportamentos. Para tal, o professor deve fornecer um suporte intenso no início e, gradualmente, vai retirando essa ajuda conforme o aluno vai dominando a habilidade. 

O uso de andaimes aumenta a motivação ao tornar tarefas desafiadoras mais alcançáveis.

Infelizmente, na escola onde foi feita a respectiva investigação, não é possível levar a cabo o processo de andaime com os alunos, pelo facto de haver muitos alunos em cada turma para atender as peculiaridades de cada aluno, no que diz respeito ao nível de aprendizagem e até de desenvolvimento cognitivo. Um desafio que o governo angolano tem de abraçar na construção de mais escolas, sobretudo do vista do aproveitamento dos terrenos de forma vertical e não só de forma horizontal. 

Interacção Social: Na Zona de Desenvolvimento Proximal diz-se que, a aprendizagem é um processo social e cultural, onde a colaboração e a troca de conhecimentos são fundamentais para que a aprendizagem ocorra de maneira significativa.

Neste processo, o professor tem um papel relevante. Pois, na teoria de Vigotsky, a aprendizagem não ocorre de forma isolada, mas é mediado por interações sociais.

O objetivo principal do professor é ajudar os alunos a avançarem em sua Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), que como temos vindo a afirmar, é a distância entre o que a criança, que para o nosso caso, aluno, pode fazer sozinho e o que pode realizar com ajuda de alguém. O professor mediador utiliza a mediação intencional para tornar a aprendizagem mais acessível e significativa.

Ele oferece o suporte necessário para que o aluno consiga progredir, mas gradualmente, respeitando o processo, retira esse suporte conforme o aluno vai ganhando autonomia na construção dos seus conhecimentos. Esse processo, como afirmámos atrás, é conhecido como scaffolding, ou andaimes, que são montados temporariamente até que o aluno seja capaz de construir sozinho o seu próprio conhecimento.

A interação professor-aluno é crucial para o sucesso da aprendizagem, baseando-se no diálogo, respeito mútuo e na construção conjunta do conhecimento, indo além da simples transmissão dos conteúdos. Uma relação positiva, afetiva e ativa, com escuta ativa e diálogo, estimula o pensamento crítico, motiva os alunos e fortalece o desenvolvimento sócio-emocional. 

A interação é uma troca significativa, onde tanto professores quanto alunos aprendem e evoluem em conjunto, sendo a base do processo de ensino-aprendizagem. 

Para que a mediação da aprendizagem seja eficaz, é essencial que o professor empregue estratégias adequadas que estimulem o desenvolvimento cognitivo dos alunos. Algumas das principais estratégias baseadas na teoria de Vygotsky incluem:

Segundo Lopes e Silva (2012), os grupos de estudo (ou aprendizagem colaborativa) devem estar constituídos, pelo menos por 4 (quatro) alunos, para que a aprendizagem cooperativa seja mais produtiva e significativa, salvo em grupos de aprendizagem da leitura que os grupos devem chegar até 8 alunos.

Essas estratégias são baseadas na premissa de que o conhecimento é construído de forma colaborativa, e não apenas transmitido de professor para o aluno. A interação social é, portanto, um dos pilares da mediação na sala de aula.

A mediação da aprendizagem, segundo Vygotsky, vai além de simplesmente ensinar novos conteúdos.

O papel do professor na interação e mediação é ajudar o aluno a desenvolver suas capacidades cognitivas, permitindo que ele se aproprie do conhecimento de maneira ativa e crítica.

A interação está intimamente ligada à ideia de que o aluno deve ser um agente ativo no processo de aprendizagem, e o professor deve agir como facilitador, criando oportunidades para que o aluno resolva problemas e desenvolva novas habilidades.

Outro aspecto importante da interação é o uso da linguagem como ferramenta da aprendizagem. Vygotsky acreditava que a linguagem desempenha um papel central no desenvolvimento cognitivo, pois é por meio dela que os alunos expressam seus pensamentos, comunicam-se com os outros e organizam suas ideias.

Ao usar a linguagem como ferramenta interativa, o professor ajuda os alunos a clarificar seus pensamentos e a resolverem problemas de forma mais eficiente. Desta forma, o professor estará a promover o protagonismo do aluno no progresso de aprendizagem, que é uma das características essenciais do professor mediador.

Em vez de ser um agente passivo que recebe as informações de maneira unilateral, o aluno deve participar ativamente da aprendizagem, tomando decisões e solucionando desafios por conta própria, com o suporte do professor.

O professor, nesse caso, atua como um facilitador, criando um ambiente de aprendizagem que encoraje a curiosidade e o pensamento crítico.

Ao oferecer desafios adequados ao nível de desenvolvimento de cada aluno, o professor estimula o crescimento cognitivo e garante que a aprendizagem seja significativa.

Ao valorizar o protagonismo do aluno, o professor mediador estará a proporcionar o desenvolvimento de competências importantes para a vida, como a autonomia, a resolução de problemas e a capacidade de trabalhar em equipa.

A aplicação da interação na aprendizagem pode ser desafiadora na sala de aulas, mas existem estratégias eficazes que podem ser adoptadas por professores para criar um ambiente de aprendizagem interativo, tais como:

Ao utilizar essas estratégias, o professor cria um ambiente propício para que os alunos avancem de forma progressiva em suas ZDPs, construindo o conhecimento de maneira sólida e autónoma.

Progressão: O objetivo é mover as funções do desenvolvimento potencial (aquilo que o aluno só conseguia fazer com ajuda do professor ou colega mais experiente) para o real (quando o aluno consegue sozinho resolver uma atividade qualquer). Uma vez dominada com ajuda, a habilidade é potencial. Mas pode se tornar parte do desenvolvimento real quando o mesmo consegue realizar a atividade sozinho, abrindo uma nova Zona Desenvolvimento Proximal para desafios futuros.

A progressão da aprendizagem na sala de aula envolve o monitoramento contínuo e o desenvolvimento espiral de competências, ancorando novos conhecimentos em saberes prévios (Zona de Desenvolvimento Proximal).

As estratégias para proporcionar progressão aos alunos incluem metodologias activas, feedback constante, avaliação formativa e, muitas vezes, organização por ciclos (progressão continuada) em vez de aprovação anual. 

Aqui estão os pontos principais sobre a progressão dos alunos:

A progressão não é apenas sobre o avanço de classe ou de nível, mas sobre a consolidação real das habilidades cognitivas do aluno. 

A avaliação formativa é uma abordagem pedagógica focada no desenvolvimento contínuo dos alunos. Ela busca examinar o progresso dos alunos ao longo do ano, em vez de resultados objetivos ao final de um ciclo, ajudando a identificar dificuldades e a aprimorar as habilidades das crianças e dos adolescentes (alunos).

Essa estratégia pode ser usada para melhorar a aprendizagem, personalizar o ensino, promover o engajamento e estimular a autonomia dos alunos.

Para melhor entendimento é preciso dizer que, a avaliação formativa é um tipo de avaliação contínua que acompanha o processo de aprendizagem dos alunos. Diferente da avaliação somativa, que ocorre ao final de um ciclo e considera resultados objetivos, como o desempenho em uma prova, a formativa permite intervenções ao longo do percurso do processo de ensino/aprendizagem, ajudando professores a identificar lacunas e ajustar o ensino de forma individualizada, tendo em consideração à especificidade de cada aluno.

Na prática, essa abordagem envolve uma série de atividades e reflexões durante o processo de ensino – como uma forma de aprender ao longo do tempo e não somente estudar antes de uma prova. Ela pode ser realizada por meio de feedbacks periódicos, observações de progresso ou exercícios aplicados de maneira mais informal.

A implementação da avaliação formativa nas escolas traz uma série de vantagens para o progresso de aprendizagem e o desenvolvimento integral dos alunos. Entre os principais benefícios destacam os seguintes:

A avaliação formativa, portanto, tendo em conta com a perspectiva construtivista sociointeracionista, pois esta considera o aluno como uma peça fundamental no processo de ensino-aprendizagem e coloca em primeiro lugar a construção do conhecimento (Primo, 2006). Para Perrenoud (citado por Hadji, 2001), a avaliação é formativa quando auxilia o aluno a aprender e a desenvolver-se, ou seja, colabora para a regulação. Para que uma avaliação tenha utilidade pedagógica, isto é, seja mais um momento do processo de ensino-aprendizagem, Hadji (2001) afirma que ela deve situar-se no centro da ação de formação porque “sua função principal é contribuir para uma boa regulação da atividade de ensino” (p.19).

A fim de tornar mais clara a ideia de avaliação formativa, é útil contrapô-la aos modelos de avaliação tradicionais, mais disseminados, os quais se alinham com a visão empirista do conhecimento. Vale lembrar que dentro do campo epistemológico que sustenta as teorias de aprendizagem, o empirismo e o sociointeracionismo travam o embate mais relevante.

Outro aspecto a ser destacado na avaliação formativa, dentro da perspectiva sociointeracionista, é o seu carácter dialógico. Um dos principais pressupostos do dialogismo é que a linguagem humana e os produtos culturais engendrados por ela pressupõem uma intensa troca e negociação de sentido entre os sujeitos envolvidos (Dias e Silva, 2005).

O dialogismo, do mesmo modo, privilegia a dimensão do diálogo entendido como “o momento em que os humanos se encontram para refletir sobre sua realidade tal como a fazem e refazem” (Shor e Freire citados por Hoffmann, 1994, p. 56) dentro de um determinado contexto sócio-histórico. Nessa concepção, Hoffmann (1994) propõe que a avaliação seja concebida como uma relação dialógica, na qual tanto o professor assim como o aluno constroem o conhecimento, ou seja, se apropriam de novos conhecimentos, dando outro sentido aos anteriores e avançando em novas direções sem perder de vista seus contextos socio-históricos. Em outras palavras, a avaliação formativa e dialógica considera o conhecimento como produto da ação-reflexão-ação. Para desta forma se dê, bem como defende Hoffmann (1994)

(...) em direção a um saber aprimorado, enriquecido, carregado de significados, de compreensão. Dessa forma, a avaliação passa a exigir do professor uma relação epistemológica com o aluno – uma conexão entendida como reflexão aprofundada a respeito das formas como se dá a compreensão do educando sobre o objeto do conhecimento (p.56).

Este tipo de avaliações tem como características como se segue:

Para que a avaliação formativa seja bem-sucedida, é importante que ela apresente algumas características centrais, quatros tipos de avaliação, como:

Diferente das avaliações tradicionais, que medem o desempenho em um único momento, a avaliação formativa é orientada pelo processo, buscando melhorar o entendimento dos alunos sobre o que estão aprendendo.

O feedback dado na avaliação formativa é frequente e focado no desenvolvimento do aluno. Não é apenas uma correção, mas uma orientação específica para o aluno saber como melhorar. Esse retorno permite que os alunos compreendam seus pontos fortes e fracos, incentivando-os a ajustar suas estratégias de estudo.

O aluno assume um papel protagonista em seu processo de aprendizagem. Ele é incentivado a refletir sobre suas próprias conquistas e dificuldades, participando de autoavaliações (individuais) e coavaliações (com a ajuda de colegas ou professores). Esse processo traz um senso de responsabilidade do aluno com o seu desenvolvimento.

A avaliação formativa não é rígida e permite o uso de diferentes técnicas e atividades, como questionários rápidos, discussões em grupo e projetos práticos, como o Project Based Learning (o que significa em português, “Aprendizagem Baseada em Projetos). Essa flexibilidade torna o processo mais adaptado aos variados estilos de aprendizagem dos alunos, garantindo que todos tenham a oportunidade de se expressar e se desenvolver.

Feedback Constante e Construtivo: Fornecer retornos imediatos ajuda os alunos a compreenderem seus erros como oportunidades de aprendizagem e a se sentirem mais motivados e responsáveis pelo próprio progresso.

Ancoragem em Conhecimentos Prévios: A aprendizagem é mais eficaz quando novos conteúdos são conectados ao que o aluno já sabe (subsunsores), respeitando a Zona de Desenvolvimento Proximal — o espaço entre o que o aluno faz sozinho e o que consegue realizar com ajuda.

Uso de Tecnologias Educativas: Plataformas digitais fornecem relatórios de desempenho que permitem aos professores mapear lacunas de aprendizagem e personalizar o ensino com base em dados concretos.

Metodologias Ativas: Estratégias como a aprendizagem baseada em problemas e a gamificação (que é o uso de mecânicas e dinâmicas de jogos, como pontos, regras, desafios e recompensas) em contextos reais fora dos jogos, como educação, saúde e empresas. O objetivo é aumentar o engajamento, a motivação e a participação das pessoas, tornando tarefas monótonas mais lúdicas e interativas) incentivam o engajamento e a autonomia, colocando o aluno no centro do processo. 

As metodologias ativas surgem como uma resposta importantíssima às mudanças sociais e tecnológicas das últimas décadas. Elas revolucionam o processo de ensino ao posicionar os alunos no núcleo do processo de ensino-aprendizagem, fomentando um ambiente onde eles se tornam participantes ativos e críticos na formação de seu saber. O professor desempenha a função de mediador ou facilitador, proporcionando aos alunos a oportunidade de explorar, questionar e interagir com o conteúdo de maneira autónoma e coletiva. Este ambiente receptivo e participativo estimula o interesse dos alunos, resultando num envolvimento mais aprofundado e no aprimoramento do rendimento escolar.

Existem diversas metodologias ativas disponíveis, incluindo a Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP), a Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL), o Ensino Híbrido, o Design Thinking, entre outras. Cada uma dessas práticas tem suas particularidades e usos, porém, todas visam ao mesmo propósito central, que é tornar a aprendizagem mais pertinente e contextual para os alunos. Essas abordagens instigam os alunos a aplicarem conceitos teóricos em situações concretas, tornando a aprendizagem mais relevante.

Segundo Mira y Lopes (2021): As metodologias ativas auxiliam o trabalho dos alunos de apenas serem receptores passivos para transformarem-se como partícipes do processo de ensino/aprendizagem. As metodologias ativas motivam os alunos para a aprendizagem prática, na q ual os alunos participam diretamente com problemas e projetos, aplicando conhecimentos de Tecnologias de Informação (doravante TI) de maneira interativa e colaborativa. Esse método é importante, de forma particular na integração curricular de TI, já que, possibilita uma melhor compreensão de conceitos complicados e técnicos através de atividades práticas de maneira contextualizadas.

Fica bem claro o posicionamento de Mira y Lopes (2021) em relação às metodologias ativas, que devem promover uma mudança significativa na atuação dos alunos, passando de meros receptores de informação para colaboradores engajados e atuantes. Essas abordagens favorecem a aprendizagem prática, permitindo que os alunos lidem diretamente com desafios e projetos, utilizando conhecimentos em tecnologia da informação de maneira interativa e em conjunto. Esse tipo de ensino é especialmente valioso para a integração de currículos em TI, pois proporciona uma compreensão mais aprofundada de conceitos técnicos e complexos por meio de atividades práticas e contextualizadas, que vão ser duradouras e precisas para a aprendizagem dos alunos.

Uma das principais vantagens das metodologias ativas é que incentivam o aprimoramento de competências cruciais para o século XXI, tais como o raciocínio crítico, a criatividade, a cooperação e a habilidade em tecnologias digitais. Atualmente, não é suficiente que os alunos obtenham conhecimentos específicos, mas que sejam capazes de aplicá-los de maneira crítica e inovadora em situações do seu dia a dia e em futuros cenários profissionais. Além disso, as metodologias ativas estão alinhadas com a era digital, utilizando tecnologias educacionais que oferecem novas formas de interação com o saber, permitindo que o conteúdo seja acessado de maneira mais adaptável e ajustada às realidades e aos ritmos de aprendizagem individuais dos alunos. A avaliação contínua e a possibilidade de autoavaliação, inerentes às dinâmicas das metodologias ativas, estabelecem um ciclo de autoconhecimento, envolvimento e independência. Isso, consequentemente, estimula o aluno a avançar de maneira cada vez mais sólida em sua trajetória educacional.

Portanto, as metodologias ativas enfatizam a participação ativa do aluno, integrando-o a experiências que espelham o mundo ao seu redor. Através dessas práticas, os alunos não só assimilam informações, mas também aprendem a pensar de forma crítica, a colaborar com seus colegas e a lidar com desafios com criatividade e responsabilidade. É precisamente essa alteração de visão que faz da escola um ambiente vibrante de aprendizagem e constante descoberta. Assim, as metodologias ativas são fundamentais para capacitar pessoas não apenas para se tornarem profissionais competentes, mas também para se tornarem seres humanos conscientes e atuantes na sociedade em que vivem.

Para o caso das nossas escolas em Cabinda e, por Angola adentro, nem sempre é fácil a implementação das metodologias ativas, por conta de algumas situações pontuais, fundamentalmente organizacionais, que se prendem com a estruturação das turmas, que acabam chegando até 50 ou mais, para o caso em estudo chegam até 40 alunos por turma. Um número bastante grande para o professor poder interagir com os alunos de forma direta e individualizada, o que torna mais difícil ainda, para os professores poderem atender as dificuldades dos alunos, atendendo à especificidade de cada qual. Acresce-se, ainda, a exiguidade dos meios informáticos nas escolas e, a escola onde foi feita a pesquisa não é uma exceção. Entretanto, nas políticas educativas teóricas do governo está plasmado de que cada escola teria uma sala de informática para pode facilitar a investigação dos professores e dos alunos. Não podemos esquecer neste rol de dificuldades a situação da falta de supervisores pedagógicos, pois, os professores encontram tremendas dificuldades no exercício das suas profissões. Pois, enquanto supervisor pedagógico, assistimos essas situações de forma recorrente nas instituições educativas por onde temos passado.

Lev Vygotsky descreve dois níveis de desenvolvimento, denominados Nível de Desenvolvimento Real e Nível de Desenvolvimento Potencial.

a) O Nível de desenvolvimento real compreende o conjunto de conhecimentos consolidados, ou seja, aquilo que o aluno é capaz de resolver utilizando seu conhecimento de forma autônoma. Dito de outro modo, é quando o aluno se sente à vontade quando lhe dão um exercício para resolver.

b) O Nível de desenvolvimento potencial é o conjunto de atividades que o aluno não consegue realizar sozinho mas que, com a ajuda de alguém que lhe dê algumas orientações adequadas (um adulto ou outra criança mais experiente), ela consegue resolver.

A distância entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial, caracteriza o que Vygotsky denominou de Zona de Desenvolvimento Proximal, como já temos vindo a frisar.

2.4. Implicações Pedagógicas da Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP)

Um meio de aprendizagem rico em possibilidades de consulta a materiais significativos e diversificados é igualmente favorecedor no trabalho da ZDP.

Questiona-se, se qual é a implicação pedagógica da Zona de Desenvolvimento Proximal? Segundo Coutinho e Moreira (2005, p. 157), “uma boa pedagogia (implicação pedagógica) é aquela que adianta e que puxa o desenvolvimento para frente e não aquela que depende ou caminha a reboque do desenvolvimento”. O professor, nessa situação, desempenha a função de mediador, possibilitando ao aluno avançar do seu estágio de desenvolvimento real ao seu estágio de desenvolvimento potencial, que caracteriza o desenvolvimento humano. Na escola, a intervenção é o processo pedagógico mais importante. Essa intervenção pode ser feita tanto pelos professores quanto pelos colegas mais experientes.

Contudo, a intervenção do professor deve ser planeada, visando alcançar um estágio de desenvolvimento mais complexo. Vygotsky não propõe uma pedagogia diretiva e autoritária. Ao contrário, sua ideia de intervenção privilegia a importância do meio cultural e das relações entre os indivíduos (Bock (2018). Na perspectiva do autor, do lado do aluno, a ideia de receptor passivo é literalmente negada. O indivíduo, dentro do referencial sociointeracionista, é o agente na reconstrução e reelaboração daquilo que lhe é transmitido pela cultura (incluindo a escola).

Em linhas gerais, uma atuação pedagógica a partir da noção da Zona de Desenvolvimento Proximal deve considerar:

a) as características atuais do aluno e seus conhecimentos prévios, a partir dos quais deverão ser construídas as aprendizagens;

Para o caso de Angola isto nem sempre é possível, pelo facto de haver muitos alunos nas salas de aulas; pois, interagir pressupõe estar em contato com o sujeito, que neste caso, o aluno. E, sendo um universo de 40 alunos por turma, não é possível estar em contato de forma individualizada ou personalizada com os respectivos alunos.

b) a importância do enriquecimento dos ambientes de aprendizagem como condição para as interações do aluno com os objetos do conhecimento e para a sua aprendizagem; o que igualmente contrariamos para a nossa realidade, pois, quanto mais e diversificados forem os materiais de aprendizagem para os alunos melhor será a aprendizagem. Mas, infelizmente, os alunos da escola onde foi feito a investigação nem bibliotecas têm, nem tão pouco manuais de todas as disciplinas se possuem o que complica mais ainda a aprendizagem dos alunos.

c) o processo de aprendizagem e não os produtos previamente definidos;

d) a importância da aprendizagem na construção da inteligência ou estruturas cognitivas;

e) a existência de diferenças individuais no processo de desenvolvimento e considerá-las em relação ao processo de ensino-aprendizagem. Isto só se torna possível quando nas turmas houverem um número adequado por formas a que os professores possam atender convenientemente as diferenças individuais dos alunos, para que desta forma pudessem colmatar as dificuldades dos alunos.

A Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) ao apoiar-se nestas bases torna-se uma prática socioculturalmente localizada que assume a visão de que o ser humano (aluno) é agente da sua própria aprendizagem que, por sua vez, depende das interações que ele estabelece e, também por isto, existem diferenças individuais que devem ser consideradas no processo de aprendizagem.

Para o caso de Angola, as implicações pedagógicas são várias, tais como:

2.5. A Zona de Desenvolvimento Iminente

A Zona de Desenvolvimento Iminente (ZDI) muitas vezes é tomada como um dos níveis de desenvolvimento, porém, trata-se precisamente do campo intermediário do processo (Coutinho e Moreira, 2005).

Sendo o desenvolvimento potencial uma incógnita, já que não foi ainda atingido, Vygotsky postula sua identificação através do entendimento da ZDI (Bock, 2018). Tomando como premissa o desenvolvimento real como aquilo que o sujeito consolidou de forma autônoma, o potencial pode ser inferido com base no que o indivíduo consegue resolver com ajuda. Assim, a zona proximal fornece os indícios do potencial, permitindo que os processos educativos atuem de forma sistemática e individualizada.

METODOLOGIA

Para Lakatos e Marconi (2017), metodologia é o estudo da organização, dos caminhos a serem percorridos, para a realização de uma pesquisa, ou para se fazer ciência. A pesquisa se apresenta também como quantitativa. Pois, de acordo com Gil, (2014), a pesquisa quantitativa pressupõe a utilização de um questionário, tendo como pressuposto uma amostra representativa. O presente artigo privilegia a metodologia quantitativa, já que apoiamo-nos do questionário que foi preenchido prontamente pelos professores, respondendo questões relacionadas com a Zona do Desenvolvimento Proximal (ZDP). A referida pesquisa incorporou, também a pesquisa bibliográfica, visto que é com base à revisão bibliográfica que conseguimos construir a fundamentação teórica, uma componente muito importante para sustentar este artigo.

Caracterização do Contexto da Pesquisa

O Liceu 304, Duque do Chiaze, situa-se no Município de Cabinda em Cabinda. O mesmo foi criado no âmbito do Decreto Executivo Conjunto nº 1999/19, datada de 31 de Júlio de 2019, que cria o referido colégio, uma instituição escolar com 20 salas de aulas, 3 turnos e 60 turmas.

Por muito tempo este liceu esteve acoplado ao terreno da Escola de Formação de Professores (EFP). Mas, em função do redimensionamento institucional, o mesmo Liceu passou na zona do Chiweca, um dos bairros suburbanos da cidade de Cabinda e dos mais populosos da cidade, chegando mesmo a albergar um universo populacional de mais de 67 000 (sessenta e sete mil) habitantes.

Em função das novas condições infra-estruturais, o Liceu Duque do Chiaze conta hoje com 19 salas de aulas, 57 turmas a funcionarem em 3 (três) turnos, albergando um universo estudantil de 2327 alunos, dos quais 1337 são do género feminino, suportados por 125 professores, dos quais 43 são do género feminino. Com este número de alunos, pode-se verificar que cada turma alberga um total de 40 alunos. Um número aceitável, para a nossa realidade, mas que ainda é muito para a qualidade de ensino que se pretende. Pois, segundo as normas da UNESCO (2020), não se define um número único e universal por turma, recomendando-se flexibilidade baseada no contexto educativo, qualidade de ensino e necessidades dos alunos. No entanto, há estudos que sugerem turmas menores para proporcionar melhor aprendizagem aos alunos. Sendo este um dos maiores obstáculos a ultrapassar. Pois se não qualidade na aprendizagem dos alunos, não haverá indubitavelmente qualidade de ensino que tanto almejamos atingir. Azevedo (2012), por exemplo, aponta para 20 ou 25 alunos por turma. Apesar de que isto pode variar conforme à realidade de cada país no que se refere aos seus recursos económicos postos à disposição da educação. No caso de Angola, estes recursos não ultrapassam os 7% do OGE. Quando a UNESCO recomenda para cifras que se situam nos 20%.

No que diz respeito ao quesito qualidade, turmas com 20 – 25 alunos facilitam o acompanhamento personalizado, a interação e a aprendizagem ativa.

Em contexto real, a realidade da maioria dos países e, o nosso não é uma exceção acabam extrapolando essa recomendação, devido a limitações logísticas e financeiras, com turmas atingindo 40 ou mais alunos em escolas públicas. Um problema que poderia ser evitado se os governos aproveitassem os espaços territoriais disponíveis de forma vertical e não apenas de forma horizontal. Por exemplo, neste espaço onde se encontra esta instituição, se fosse bem aproveitado teria pelo menos 114 salas de aulas em vez de 57 apenas.

O limite exato é geralmente regulamentado pelas leis de cada país. Por exemplo, para o caso de Angola, segundo o Decreto Presidencial nº 162/23 de 1 de agosto, regulamenta que em cada turma deva conter cerca de 36 a 45 alunos, dependendo de cada região do país. 

RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

A respectiva pesquisa contou com 77 elementos como amostra, sendo, 63,6% do género masculino e 36,4% do género feminino.

Quanto à categoria profissional, 44,2% eram professores do 3º Grau; 15,6% eram do 4º Grau; 23,4% do 5º Grau; 10,4% do 6º Grau; 2,6% do 7º Grau; 2,6% do 8º Grau; 1,2% do 9º Grau.

A referida pesquisa contou com professores de todas as cadeiras leccionadas no Liceu Duque do Chiaze, nomeadamente: Química, Física, Língua Portuguesa, Língua Estrangeira, História, Geografia, Educação Física, Informática, Geografia, Matemática, Filosofia, Empreendedorismo, Biologia, Sociologia, Introdução ao Direito, Psicologia, Introdução à Economia.

98,7% dos que foram inqueridos nunca ouviram falar de Zona de Desenvolvimento Proximal.

No que às implicações da ZDP, 100% dos inqueridos não sabiam das suas implicações.

Quanto à questão se proporciona feedback aos alunos, as respostas ficaram distribuídas como se segue: 5,2% afirmaram que nunca deram feedback aos seus alunos; 1,2% de dão feedback aos seus alunos raramente; 29,9% afirmaram o fazem algumas vezes; 16, 9%; 46,8 afirmaram que sempre deram feedback aos seus alunos.

No que refere à questão segundo à qual, há grupos de alunos bem estruturados nas turmas por onde passa, as respostas ficaram divididas de seguinte forma: 53,2%% afirmou que “Não”; e 46,8% afirmou que “Sim”. Pois, o facto de as turmas estarem constituídas com o número que excede os 40 alunos dificulta a que os professores constituíssem os grupos como deve ser, ou melhor de 4-5 alunos por grupo.

Na questão segundo à qual, o processo de andaime funciona nas turmas por onde passa, as respostas ficaram divididas de seguinte forma: 11,7% afirmou que nunca; 10,4% afirmou “Raramente”; 25,9% afirmou “Às vezes”; 20,7% afirmou “Regularmente”; 31,3% afirmou “Sempre”.

Quanto à questão segundo a qual a interacção entre os professores e os alunos flui convenientemente nas salas de aulas, as respostas ficaram divididas de seguinte forma: 7,8% afirmou “Nunca”; 9,1% afirmou que “Raramente”; 42,9% afirmou que “Às vezes”; 27,3% afirmou que “Regularmente”; 12,9% afirmou que “Sempre”:

No que diz respeito à questão segundo à qual, “a diversidade em termos de diferenças individuais é tida em conta pelos professores nas salas de aulas”, as respostas ficaram divididas de seguinte forma: 7,8% afirmou que “Nunca”; 15,6% afirmou que raramente; 48,1% afirmou que “Às vezes”; 20,8% afirmou que “Regularmente”; 7,8% afirmou que “Sempre”.

No que diz respeito à questão segundo a qual, “conhece a proveniência de todos os alunos”, as respostas ficaram divididas como se segue: 84,4% afirmaram que não conhecem a proveniência de todos os alunos; 2,6% afirmou que “Sim”; 13% afirmou que “Talvez”.

Quanto à questão segundo a qual “Na escola existe um supervisor pedagógico”, as respostas ficaram distribuídas de seguinte forma: 100% dos inqueridos afirmaram que na escola não existe um supervisor pedagógico.

Quanto à questão segundo a qual, “As avaliações formativas são feitas tendo em conta a ZDP dos alunos”, as respostas ficaram distribuídas de seguinte forma; 97,4% afirmou que “Não”; e apenas 2,6% afirmou que “Sim”.

Quanto à questão segundo a qual “Aplica-se as metodologias ativas nas salas de aulas”, as respostas ficaram distribuídas de seguinte forma: 41,6% afirmou que “Sempre” aplicam as metodologias ativas na sala de aulas; 38,9% afirmou que “Às vezes” aplicam as metodologias na sala de aulas; 19,5% afirmou que “Nunca” aplicam as metodologias ativas nas salas de aulas.

Quanto à questão segundo à qual, “Os alunos são considerados como um ator principal da sua aprendizagem”, as respostas ficaram distribuídas de seguinte forma: 2,6% afirmou que “Nunca”; 31,2% afirmou que “Raramente” trata os alunos como ator principal da sua aprendizagem; 64,9% afirmou que “Algumas vezes” trata os alunos como ator principal da sua aprendizagem.

CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

Retomando a questão colocada para nortear a nossa investigação, “O que os professores sabem da Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) dos estudantes nos processos de ensino, aprendizagem e desenvolvimento no Liceu Duque do Chiaze em Cabinda/Angola?” É caso para se dizer que os professores na sua maioria nunca ouviram falar de ZDP, o que dificulta aferir as implicações da ZDP. Pois, 100% dos inqueridos não sabem quais são as implicações da ZDP. Sendo que, a ZDP é a distância que existe entre aquilo que o aluno consegue realizar sozinho (Zona do Desenvolvimento Real) e aquilo que o mesmo aluno consegue realizar com ajuda de alguém (Zona de Desenvolvimento Potencial), torna-se imprescindível o professor conhecer isto para possa construir andaimes na ajuda a conferir aos alunos. Para tal, seria importante que a escola se dispusesse de um supervisor pedagógico, de formas a superar as dificuldades dos professores. Mas infelizmente, a escola não possui esta importante figura, conforme apontam os 100% dos professores inqueridos. 97,4% afirmou que as avaliações não são feitas tendo em conta a ZDP, o que seria importante, pois, as avaliações devem obedecer a ZDP

Tendo em conta às conclusões produzidas depois da realização do estudo de campo aliado à pesquisa bibliográfica efetuada com base à literatura disponível, apraz-nos recomendar o seguinte:

REFERÊNCIAS

AZEVEDO, F. J. F. Metodologia da Língua Portuguesa. Porto: Porto Editora, 2012.

BOCK, Ana Mercês Bahia. Psicologia da aprendizagem. In: BOCK, Ana Mercês Bahia; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi; Furtado, Odair (Org.). Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 15 ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018.

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LEGISLAÇÃO CONSULTADA

ANGOLA: Decreto Executivo Conjunto nº 1999/19 de 31 de julho que cria o Liceu Duque de Chiaze em Cabinda, 1999.

ANGOLA: Decreto Presidencial nº 162/23 de 1 de agosto, 2023.

UNESCO: Relatório Global de Monitoramento da Educação 2020: Inclusão e Educação: Todos, 2020 Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000373718, acessado em 13 de abril de 2026

  1. Docente do Curso Superior de Gestão Comercial e Marketing do Instituto Superior Universitário Nimi Ya Lukeni no Soyo/Zaire/Angola, e-mail: antonioaugustomiguelpaulo@gmail.com