Mortalidade materna no estado do Tocantins: uma abordagem baseada em dados epidemiológicos
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.

Palavras-chave

Mortalidade materna
Pré-natal
Saúde pública
Tocantins

Mortalidade materna no estado do Tocantins: uma abordagem baseada em dados epidemiológicos


Maternal mortality in the state of Tocantins: an approach based on epidemiological data

Beatriz Saraiva de Araújo[1]

Maria Luiza Benício dos Santos ¹

Giovanna Edwirges Caetano de Andrade¹

Grazielly Mendes de Souza[2]

RESUMO: A mortalidade materna permanece como importante problema de saúde pública, especialmente em regiões marcadas por desigualdades sociais e limitações no acesso à assistência obstétrica. Objetivo: analisar o perfil epidemiológico da mortalidade materna no estado do Tocantins no período de 2015 a 2024. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional, descritivo, retrospectivo e de abordagem quantitativa, realizado por meio da análise de dados secundários provenientes do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) e do Observatório Obstétrico Brasileiro (OOBr). Foram incluídos óbitos maternos de mulheres entre 10 e 49 anos, classificados segundo os códigos O00 a O99 da Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Resultados e Discussão: No período analisado, registraram-se 192 óbitos maternos, com maior ocorrência em 2021 (22,4%). Houve predominância de mulheres entre 20 e 29 anos (42,7%), pardas (75,5%), com baixa escolaridade e majoritariamente solteiras (43,2%). A maior parte dos óbitos ocorreu em ambiente hospitalar (92,7%) e durante o puerpério até 42 dias após o parto (71,4%). Observou-se elevada frequência de assistência pré-natal inadequada (56,8%). As principais causas de morte foram síndromes hipertensivas (31,8%), hemorragias obstétricas (24,0%) e infecções (12,5%), evidenciando predominância de causas obstétricas diretas potencialmente evitáveis. Considerações finais: Conclui-se que a mortalidade materna no Tocantins permanece associada a fatores sociais e assistenciais, reforçando a necessidade de fortalecimento do pré-natal, da assistência obstétrica e do acompanhamento puerperal, com foco na redução de desigualdades e prevenção de óbitos evitáveis.

Palavras-chave: Mortalidade materna. Pré-natal. Saúde pública. Tocantins.

ABSTRACT: Maternal mortality remains an important public health issue, especially in regions marked by social inequalities and limitations in access to obstetric care. Objective: to analyze the epidemiological profile of maternal mortality in the state of Tocantins from 2015 to 2024. Methodology: This is an observational, descriptive, retrospective study with a quantitative approach, conducted through the analysis of secondary data obtained from the Department of Informatics of the Brazilian Unified Health System (DATASUS) and the Brazilian Obstetric Observatory (OOBr). Maternal deaths among women aged 10 to 49 years were included and classified according to codes O00 to O99 of the International Classification of Diseases (ICD-10). Results and Discussion: During the analyzed period, 192 maternal deaths were recorded, with the highest occurrence in 2021 (22.4%). There was a predominance of women aged 20 to 29 years (42.7%), of mixed race/ethnicity (pardo) (75.5%), with low educational attainment and predominantly single (43.2%). Most deaths occurred in hospital settings (92.7%) and during the puerperium up to 42 days after childbirth (71.4%). A high frequency of inadequate prenatal care was observed (56.8%). The main causes of death were hypertensive syndromes (31.8%), obstetric hemorrhages (24.0%), and infections (12.5%), highlighting the predominance of potentially preventable direct obstetric causes. Final considerations: It is concluded that maternal mortality in Tocantins remains associated with social and healthcare-related factors, reinforcing the need to strengthen prenatal care, obstetric assistance, and postpartum follow-up, with a focus on reducing inequalities and preventing avoidable deaths.

Keywords: Maternal mortality. Prenatal care. Public health. Tocantins.

1 INTRODUÇÃO

A mortalidade materna permanece como um importante problema de saúde pública, sendo considerada um dos principais indicadores da qualidade da assistência prestada à saúde da mulher durante o ciclo gravídico-puerperal. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a morte materna é definida como o óbito ocorrido durante a gestação ou até 42 dias após o término da gravidez, independentemente da duração ou localização da gestação, decorrente de causas relacionadas ou agravadas pela gravidez ou por medidas adotadas em seu manejo, excluindo-se causas acidentais ou incidentais (World Health Organization, 2023). Embora muitos avanços tenham sido alcançados nas últimas décadas no cuidado obstétrico e no acesso aos serviços de saúde, a persistência de elevados índices de mortalidade materna ainda evidencia fragilidades assistenciais e desigualdades no cuidado à saúde da mulher.

Nesse contexto, a mortalidade materna ultrapassa a dimensão de um simples indicador epidemiológico, refletindo diretamente condições socioeconômicas, acesso aos serviços de saúde, qualidade da assistência pré-natal e obstétrica e efetividade das políticas públicas voltadas à saúde materna. Estudos recentes demonstram que grande parte dos óbitos maternos ocorre por causas evitáveis, sobretudo decorrentes de complicações obstétricas diretas, como síndromes hipertensivas, hemorragias e infecções puerperais, situações que poderiam ser minimizadas mediante diagnóstico precoce, acompanhamento adequado e assistência qualificada durante a gestação, parto e puerpério (Sousa et al., 2024; Fernandes et al., 2019).

No Brasil, apesar da redução observada em determinados períodos históricos, a mortalidade materna ainda apresenta importantes desigualdades regionais e sociais, permanecendo acima das metas estabelecidas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Além disso, os impactos ocasionados pela pandemia da COVID-19 contribuíram para o aumento da Razão de Mortalidade Materna (RMM), agravando dificuldades relacionadas ao acesso aos serviços de saúde e ampliando vulnerabilidades já existentes, especialmente entre populações socialmente desfavorecidas (Guimarães; Moreira, 2024; Souza et al., 2025). Esse cenário demonstra que a redução da mortalidade materna exige não apenas ampliação da cobertura assistencial, mas também melhorias na qualidade do cuidado ofertado às gestantes.

No estado do Tocantins, a mortalidade materna permanece como um desafio relevante para a saúde pública, apresentando associação com fatores sociodemográficos e assistenciais que intensificam situações de vulnerabilidade. Pesquisas realizadas no estado evidenciam maior frequência de óbitos entre mulheres pardas, solteiras, com menor escolaridade e predominância de mortes ocorridas durante o puerpério, sobretudo por causas obstétricas diretas, como eclâmpsia, síndromes hipertensivas da gestação e hemorragias pós-parto (Alencar et al., 2021; Pacheco; Mangueira, 2024). Além disso, observa-se que limitações no acesso aos serviços especializados, fragilidades no acompanhamento pré-natal e falhas na assistência ao parto ainda representam fatores importantes relacionados à ocorrência desses óbitos.

Diante desse panorama, justifica-se a realização deste estudo pela necessidade de compreender de forma mais aprofundada o comportamento epidemiológico da mortalidade materna no estado do Tocantins, considerando a persistência de óbitos potencialmente evitáveis e os desafios relacionados à organização da assistência à saúde da mulher. A análise dessas informações pode contribuir para o fortalecimento das estratégias de vigilância, qualificação do cuidado obstétrico e formulação de políticas públicas mais efetivas voltadas à redução dos óbitos maternos, especialmente em regiões marcadas por desigualdades sociais e assistenciais.

Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar o perfil epidemiológico da mortalidade materna no estado do Tocantins no período de 2015 a 2024, buscando identificar características sociodemográficas, aspectos assistenciais e principais causas relacionadas aos óbitos maternos.

2 METODOLOGIA

Trata-se de um estudo descritivo, exploratório, com abordagem quantitativa e caráter retrospectivo, realizado por meio da análise de dados secundários. Os dados foram obtidos a partir de bases públicas, incluindo o DATASUS e o Observatório Obstétrico Brasileiro, sendo complementados por estudos epidemiológicos regionais e relatórios oficiais, com o objetivo de garantir maior consistência e representatividade dos achados, abrangendo o período de 2015 a 2024.

A população do estudo foi composta por mulheres de 10 a 49 anos residentes no estado do Tocantins que evoluíram a óbito por causas maternas. Foram incluídos óbitos classificados segundo a CID-10 (O00 a O99). Foram excluídos registros fora do período ou sem definição de causa materna.

As variáveis analisadas incluíram faixa etária, raça/cor, escolaridade, causas de óbito e assistência pré-natal. Após a coleta de dados, os mesmos foram organizados e tabulados em uma planilha do Microsoft Excel 2010. Foram analisados por meio de estatística descritiva, utilizando frequência absoluta (n), frequência relativa (%), média, desvio padrão, mínimo e máximo. Em todas as análises o nível de significância que será adotado é de 5% (p < 0,05). Os resultados estão apresentados em gráficos e tabelas e fundamentados com outros estudos.

Por se tratar de dados de domínio público, o estudo não necessitou de aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa.

3 RESULTADOS

A análise evidenciou que entre os anos de 2015 e 2024, foram registrados 192 óbitos maternos no estado do Tocantins, evidenciando a persistência da mortalidade materna. A distribuição temporal dos casos demonstrou comportamento oscilatório ao longo da série histórica, com períodos de redução e aumento expressivo, sugerindo influência de fatores assistenciais, epidemiológicos e contextuais, especialmente no período pandêmico.

A análise da distribuição anual dos óbitos maternos (Tabela 1) revelou variações entre os anos avaliados. Observou-se maior frequência de registros em 2021, correspondendo a 43 casos (22,4%), seguido pelos anos de 2017 (10,9%), 2022 (10,4%) e 2015 (9,9%). Em contrapartida, 2018 apresentou o menor quantitativo da série, com 8 casos (4,2%).

Tabela 1- Distribuição anual dos casos notificados de óbitos materno nos anos de 2015 a 2024 no estado do Tocantins.

Ano

Casos (n)

% do total

2015

19

9,9

2016

18

9,4

2017

21

10,9

2018

8

4,2

2019

15

7,8

2020

18

9,4

2021

43

22,4

2022

20

10,4

2023

14

7,3

2024

16

8,3

Fonte: DATASUS; Observatório Obstétrico Brasileiro; elaboração própria (2026).

Quanto ao perfil sociodemográfico das mulheres que evoluíram para óbito materno no Tocantins (Tabela 2), observou-se predominância de mulheres entre 20 e 29 anos (42,7%), seguidas pela faixa de 30 a 39 anos (34,9%), concentrando juntas 77,6% dos casos. Mulheres adolescentes (10-19 anos) representaram 12,5% dos óbitos, enquanto aquelas entre 40 e 49 anos corresponderam a 9,9%.

Em relação à raça/cor, verificou-se predominância expressiva de mulheres pardas (75,5%), seguidas por mulheres brancas (14,6%), pretas (8,3%) e indígenas (1,6%). No que se refere à escolaridade, observou-se maior frequência entre mulheres com ensino fundamental (37,0%), seguido por ensino médio incompleto (28,1%), evidenciando maior ocorrência entre indivíduos com menor nível de instrução formal.

No estado civil, predominou a condição de solteira (43,2%), seguida por mulheres casadas (29,7%), enquanto os registros classificados como “outro” corresponderam a 17,7% dos casos.

Tabela 2 – Perfil sociodemográfico (faixa etária, raça, escolaridade e estado civil) dos casos de óbitos materno notificados no Tocantins entre o período de 2015–2024.

Variável

n

%

Faixa etária

10-19 anos

24

12,5

20-29 anos

82

42,7

30-39 anos

67

34,9

40-49 anos

19

9,9

Raça/cor

Parda

145

75,5

Branca

28

14,6

Preta

16

8,3

Indígena

3

1,6

Escolaridade

Ensino fundamental

71

37,0

Ensino médio incompleto

54

28,1

Ensino médio completo

38

19,8

Ensino superior

9

4,7

Ignorado/branco

20

10,4

Estado civil

Solteiro

83

43,2

Casada

57

29,7

Viúva

1

0,5

Separada judicialmente

3

1,6

Outro

34

17,7

Ignorado

14

7,3

Fonte: DATASUS; Observatório Obstétrico Brasileiro; elaboração própria (2026).

No que se refere às causas dos óbitos maternos, observou-se predominância das síndromes hipertensivas (31,8%), seguidas pelas hemorragias obstétricas (24,0%), outras causas obstétricas (20,8%), infecções (12,5%) e doenças cardiovasculares agravadas pela gestação (10,9%), conforme apresentado na Tabela 3.

Tabela 3- Distribuição das principais causas de óbitos materno entre os anos de 2015 a 2024 no estado do Tocantins.

Causas

n (%)

%

Síndromes hipertensivas

61

31,8

Hemorragias

46

24,0

Infecções

24

12,5

Doenças cardiovasculares agravadas pela gestação

21

10,9

Outras causas obstétricas

40

20,8

Fonte: DATASUS; Observatório Obstétrico Brasileiro; elaboração própria (2026).

Em relação ao local de ocorrência, verificou-se predomínio expressivo de óbitos em ambiente hospitalar (92,7%), seguido por registros em outros estabelecimentos de saúde (2,1%), enquanto óbitos em domicílio e via pública representaram 1,0% cada. Quanto ao momento do óbito, observou-se maior frequência durante o puerpério até 42 dias após o parto (71,4%), seguido pelos casos ocorridos durante a gravidez, parto ou aborto (26,0%). Os registros de puerpério tardio (43 dias a menos de 1 ano) foram pouco frequentes (1,0%). No tocante à assistência pré-natal, observou-se predominância de acompanhamento considerado inadequado (56,8%), enquanto apenas 32,8% dos casos apresentaram assistência classificada como adequada. Os dados estão apresentados na tabela 4.

Tabela 4- Distribuição sobre o local de ocorrência, momento do óbito e a assistência pré-natal entre os óbitos materno entre os anos de 2015 a 2024 no estado do Tocantins.

Causas

n

%

Local do óbito

Hospital

178

92,7

Outro estabelecimento de saúde

4

2,1

Domicílio

2

1,0

Via pública

2

1,0

Outros

6

3,1

Momento do óbito

Durante gravidez, parto ou aborto

50

26,0

Puerpério até 42 dias

137

71,4

Puerpério tardio

2

1,0

Não na gravidez/puerpério

2

1,0

Ignorado

1

0,5

Assistência pré natal

Adequado

63

32,8

Inadequado

109

56,8

Ignorado

20

10,4

Fonte: DATASUS; Observatório Obstétrico Brasileiro; elaboração própria (2026).

4 DISCUSSÃO

A distribuição temporal dos óbitos maternos no Tocantins demonstrou comportamento oscilatório ao longo da série histórica, com aumento expressivo em 2021. Esse achado coincide com o período mais crítico da pandemia da COVID-19 e acompanha o cenário nacional descrito por Guimarães e Moreira (2024), que identificaram aumento significativo da mortalidade materna durante esse período, associado tanto às complicações da infecção quanto às dificuldades no acesso e continuidade da assistência obstétrica. Da mesma forma, Souza et al. (2025) observaram elevação importante da Razão de Mortalidade Materna no Brasil entre 2020 e 2021, indicando impacto relevante da pandemia sobre a saúde materna.

Embora tenha ocorrido redução nos anos subsequentes, a persistência de casos demonstra que a mortalidade materna permanece como desafio importante no estado. Pacheco e Mangueira (2024), ao investigarem a mortalidade materna no Tocantins, também observaram instabilidade dos indicadores ao longo dos anos, sugerindo influência de limitações estruturais da rede assistencial e desigualdades de acesso aos serviços especializados.

Quanto ao perfil etário, houve predominância de mulheres entre 20 e 39 anos, faixa correspondente ao período de maior fecundidade. Resultado semelhante foi descrito por Martins et al. (2024) em estudo nacional e por Amorim e Bussinguer (2026), no Maranhão. Embora essas idades sejam consideradas biologicamente favoráveis à gestação, os dados sugerem persistência de fatores de risco assistenciais e sociais capazes de influenciar negativamente os desfechos maternos.

Em relação à raça/cor, observou-se predominância de mulheres pardas entre os óbitos maternos, achado também identificado em estudos nacionais e regionais (Martins et al., 2024; Pacheco; Mangueira, 2024). Esse padrão reforça a influência das desigualdades sociais e raciais na saúde materna, especialmente em contextos de menor acesso aos serviços especializados e maior vulnerabilidade socioeconômica.

A predominância de mulheres com menor escolaridade evidencia a importância dos determinantes sociais da saúde na mortalidade materna. Simão et al. (2020) destacam que baixos níveis de instrução podem comprometer o acesso à informação, dificultar o reconhecimento precoce de sinais de gravidade e reduzir a adesão ao acompanhamento pré-natal. De maneira semelhante, Amorim e Bussinguer (2026) encontraram maior frequência de óbitos maternos entre mulheres com menor tempo de escolarização.

O predomínio de mulheres solteiras também foi identificado em outros estudos epidemiológicos sobre mortalidade materna (Martins et al., 2024). Embora o estado civil não determine isoladamente maior risco de morte materna, essa condição pode refletir contextos de maior vulnerabilidade social, menor suporte familiar e dificuldades relacionadas à continuidade do cuidado durante o período gravídico-puerperal.

Outro achado relevante refere-se ao local de ocorrência do óbito, uma vez que a maioria das mortes ocorreu em ambiente hospitalar. Esse resultado sugere que o acesso ao serviço de saúde ocorreu, porém nem sempre foi suficiente para evitar a evolução desfavorável do quadro clínico. Estudos realizados no Tocantins e em outros estados brasileiros também identificaram predominância de óbitos em hospitais, apontando possíveis fragilidades relacionadas à resolutividade da assistência obstétrica e ao manejo oportuno das complicações graves (Alencar et al., 2021; Amorim; Bussinguer, 2026).

O predomínio de mortes durante o puerpério até 42 dias após o parto reforça a importância do acompanhamento pós-parto, período frequentemente negligenciado pelos serviços de saúde. Pacheco e Mangueira (2024) encontraram achados semelhantes no Tocantins, destacando que complicações hipertensivas, hemorrágicas e infecciosas permanecem frequentes nesse período. Dessa forma, os resultados reforçam a necessidade de fortalecimento do cuidado puerperal, sobretudo em mulheres classificadas como de maior risco obstétrico.

A inadequação da assistência pré-natal observada entre a maioria dos casos sugere relação importante entre falhas no acompanhamento gestacional e mortalidade materna. Nunes et al. (2025) ressaltam que o pré-natal qualificado é fundamental para identificação precoce de fatores de risco e encaminhamento oportuno das gestantes. Silva et al. (2025) também destacam que assistência insuficiente ou tardia permanece associada à persistência de mortes evitáveis no contexto brasileiro.

Quanto às causas dos óbitos, observou-se predominância das síndromes hipertensivas, seguidas por hemorragias obstétricas e infecções, padrão semelhante ao encontrado em estudos nacionais (Fernandes et al., 2019; Sousa et al., 2024). Tais condições são classificadas como causas obstétricas diretas e, em grande parte, potencialmente evitáveis mediante assistência qualificada e intervenção precoce.

No Tocantins, Bakalarczyk et al. (2025) identificaram importante participação da pré-eclâmpsia e eclâmpsia nos óbitos maternos, corroborando os resultados encontrados neste estudo. Além disso, Figueira et al. (2023), no estado do Pará, ressaltaram a relevância das hemorragias obstétricas como causa importante de morte materna, reforçando a necessidade de protocolos assistenciais mais resolutivos.

Diante desse cenário, os resultados evidenciam que a mortalidade materna no Tocantins permanece associada a fatores evitáveis, relacionados tanto às condições sociais quanto às fragilidades da assistência à saúde da mulher. O fortalecimento do pré-natal, da vigilância puerperal e da qualificação da assistência obstétrica mostra-se fundamental para redução dos óbitos maternos no estado.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo permitiu compreender o perfil epidemiológico da mortalidade materna no estado do Tocantins entre os anos de 2015 e 2024, evidenciando que os óbitos maternos permanecem como importante desafio para a saúde pública estadual. Observou-se predominância de mortes entre mulheres jovens e adultas, pardas, com menor escolaridade e majoritariamente solteiras, indicando forte influência dos determinantes sociais sobre os desfechos maternos. Além disso, verificou-se maior frequência de óbitos durante o puerpério e em ambiente hospitalar, o que sugere fragilidades não apenas no acesso aos serviços, mas também na qualidade, continuidade e resolutividade da assistência obstétrica.

As síndromes hipertensivas, hemorragias obstétricas e infecções destacaram-se como principais causas de morte materna, sendo, em sua maioria, condições potencialmente evitáveis mediante identificação precoce, acompanhamento pré-natal adequado e manejo clínico oportuno. O elevado percentual de assistência pré-natal classificada como inadequada reforça a necessidade de fortalecimento das estratégias de rastreamento, monitoramento e acompanhamento contínuo das gestantes, especialmente entre populações em maior situação de vulnerabilidade.

O aumento expressivo dos óbitos em 2021 sugere influência importante do contexto pandêmico sobre a saúde materna no estado, demonstrando como crises sanitárias podem intensificar fragilidades já existentes na rede assistencial. Apesar da redução observada nos anos subsequentes, os achados indicam que a mortalidade materna no Tocantins ainda exige atenção prioritária por parte dos gestores e profissionais de saúde.

Dessa forma, torna-se fundamental fortalecer as políticas públicas voltadas à saúde da mulher, ampliar o acesso ao pré-natal de qualidade, qualificar a assistência ao parto e ao puerpério e investir em ações de vigilância materna capazes de identificar precocemente situações de risco. Espera-se que os resultados deste estudo contribuam para subsidiar estratégias de prevenção e aperfeiçoamento da assistência materna no estado, colaborando para redução dos óbitos evitáveis e melhoria dos indicadores de saúde materna no Tocantins.

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  1. Acadêmicas do Curso de Medicina – Afya Faculdade Porto Nacional

  2. Docente Mestre do Curso de Medicina – Afya Faculdade Porto Nacional (Orientadora)

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