Saberes de idosos de comunidades ribeirinhas acerca das infecções sexualmente transmissíveis e seus métodos preventivos: revisão integrativa da literatura
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.

Palavras-chave

Infecções sexualmente transmissíveis
Idosos
População ribeirinha
Prevenção de doenças
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Saberes de idosos de comunidades ribeirinhas acerca das infecções sexualmente transmissíveis e seus métodos preventivos: revisão integrativa da literatura

Knowledge of elderly people from riverside communities about Sexually Transmitted Infections and their preventive methods: an integrative literature review

Alessandra de Jesus Serrão de Melo[1]
Ivaneide Soares Cardoso[2]

Valdo Pereira Lopes[3]

Flávia Savana Ribeiro de Sales[4]

Resumo

O presente estudo busca analisar os saberes de idosos de comunidades ribeirinhas acerca das Infecções Sexualmente Transmissíveis e seus métodos preventivos. Como problemática, buscou-se responder o seguinte questionamento: qual o conhecimento de idosos que residem em comunidades ribeirinhas acerca das infecções sexualmente transmissíveis e seus métodos de prevenção? Para tanto, como objetivo geral, buscou-se identificar o nível de conhecimento dos idosos que residem em comunidades ribeirinhas acerca das Infecções Sexualmente Transmissíveis e de seus métodos de prevenção. Já como objetivos específicos, pretendeu-se avaliar o grau de conhecimento dos idosos sobre as principais formas de prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis; identificar os fatores que dificultam o acesso dos idosos que residem em comunidades ribeirinhas acerca das informações sobre as infecções sexualmente transmissíveis e medidas preventivas; analisar a percepção dos idosos sobre a relevância da prevenção às infecções sexualmente transmissíveis no envelhecimento; e propor estratégias que possam facilitar a disseminação de informações sobre infecções sexualmente transmissíveis para a população idosa. Como metodologia, foi adotada uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL). Como resultado, encontrou-se 9 (nove) artigos que compuseram a amostra final. Concluiu-se que os idosos residentes em comunidades ribeirinhas ainda apresentam conhecimentos limitados acerca das ISTs e de seus métodos preventivos, o que os torna mais vulneráveis à exposição e ao adoecimento. Além disso, embora parte dessa população reconheça algumas ISTs, ainda persistem lacunas importantes relacionadas às formas de transmissão, ao uso correto dos preservativos e à percepção de risco durante a terceira idade.

Palavras-chave: Infecções sexualmente transmissíveis; Idosos; População ribeirinha; Prevenção de doenças.

Abstract

This study aims to analyze the knowledge of elderly people in riverside communities regarding Sexually Transmitted Infections (STIs) and their preventive methods. The research question addressed was: what is the knowledge of elderly people living in riverside communities about STIs and their prevention methods? The general objective was to identify the level of knowledge of elderly people living in riverside communities about STIs and their prevention methods. Specific objectives included: evaluating the degree of knowledge of the elderly about the main forms of prevention of STIs; identifying the factors that hinder access to information about STIs and preventive measures for elderly people living in riverside communities; analyzing the elderly's perception of the relevance of STI prevention in aging; and proposing strategies to facilitate the dissemination of information about STIs to the elderly population. An Integrative Literature Review (ILR) was adopted as the methodology. As a result, 9 (nine) articles were found that comprised the final sample. It was concluded that elderly residents in riverside communities still have limited knowledge about STIs and their preventive methods, which makes them more vulnerable to exposure and illness. Furthermore, although part of this population recognizes some STIs, important gaps still persist regarding the modes of transmission, the correct use of condoms, and risk perception during old age.

Keywords: Sexually transmitted infections. Elderly people. Riverside populations. Disease prevention.

1 Introdução

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) constituem um grupo de doenças causadas por diversos agentes etiológicos, como bactérias, vírus e parasitas, representando um grave problema de saúde pública em virtude do elevado número de notificações e das altas taxas de infecção. De acordo com Ferreira et al. (2021), as ISTs são adquiridas, principalmente, por meio de relações sexuais desprotegidas com indivíduos infectados, o que favorece a troca de fluidos corporais e, consequentemente, a transmissão dos agentes infecciosos (Fascina et al., 2022).

De acordo com Barros et al. (2023), apesar do declínio fisiológico natural e das mudanças nos padrões de atividade sexual que ocorrem ao longo do envelhecimento, um número expressivo de homens idosos mantém uma vida sexual ativa, apresentando necessidades específicas e vulnerabilidades que requerem atenção especializada por parte da Atenção Primária à Saúde (APS) e dos demais serviços de saúde.

Além disso, Gomes et al. (2018) e Moura et al. (2020) ressaltam que a sexualidade na terceira idade ainda é permeada por tabus e estigmas sociais, o que dificulta a abordagem do tema nos serviços de saúde e limita o diálogo entre profissionais e pacientes. Essa barreira cultural contribui para a manutenção de comportamentos de risco e reforça a necessidade de ações intersetoriais e contínuas voltadas à saúde sexual da pessoa idosa. Silva et al. (2021), argumentam que muitos homens idosos não se percebem como vulneráveis às ISTs, o que reforça a importância de estratégias educativas e de sensibilização voltadas a essa população.

A sexualidade constitui um aspecto essencial da condição humana, estando presente e se manifestando de diferentes formas ao longo de todo o ciclo vital, inclusive na terceira idade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2015), a saúde sexual deve ser compreendida como um direito humano fundamental, integrando o bem-estar físico, emocional e social, e não se restringindo apenas à ausência de doenças ou disfunções. Nesse sentido, a vivência da sexualidade é um componente importante da qualidade de vida em qualquer idade, devendo ser reconhecida e valorizada como parte do envelhecimento saudável.

Essa falta de reconhecimento repercute diretamente na atenção à saúde sexual da pessoa idosa, gerando lacunas nas ações preventivas e subnotificação de casos relacionados às ISTs. De acordo com Barros et al. (2023) e Gomes et al. (2018), tal invisibilidade reflete não apenas estigmas socioculturais associados ao envelhecimento, mas também a falta de preparo dos profissionais de saúde para abordar a sexualidade na terceira idade, o que dificulta o diálogo, a prevenção e o acompanhamento adequado.

No Brasil, o processo de envelhecimento populacional torna essa preocupação ainda mais relevante: segundo dados do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), a população com 60 anos ou mais atingiu 32.113.490 pessoas (15,6% da população), e o contingente com 65 anos ou mais cresceu para 10,9% do total, evidenciando um aumento expressivo na parcela idosa da população brasileira nas últimas décadas. Esse envelhecimento demográfico amplia a importância de estudos que investiguem a saúde integral dos idosos, incluindo a saúde sexual e a prevenção de ISTs (IBGE, 2022).

Diante desse cenário de rápido crescimento da população idosa, torna-se imprescindível direcionar o olhar para grupos que, embora vulneráveis são historicamente invisibilizados nas políticas e ações de saúde. Entre esses grupos, destacam-se os idosos ribeirinhos, cujas condições socioculturais, geográficas e de acesso aos serviços de saúde potencializam riscos relacionados ao desconhecimento e à limitada abordagem sobre sexualidade na terceira idade. (Parmejiani et al., 2021).

Os referidos autores, ainda acrescentam que essa população é caracterizada por modos de vida tradicionais, baseados em atividades como a agricultura, o extrativismo e a pesca, o que reflete uma relação estreita com o ambiente natural e um cotidiano marcado por desafios geográficos e sociais.

Nesse contexto, Ferreira et al (p.179, 2021), contribui confirmando que a população idosa ribeirinha enfrenta vulnerabilidades adicionais, tais como: barreiras de acesso à informação; inacessibilidade aos serviços de saúde, e consequentemente menor adesão às práticas de prevenção e diagnóstico precoce das infecções sexualmente transmissíveis.

Nesta vertente, é pertinente salientar que a população idosa ribeirinha pode enfrentar barreiras relacionadas ao constrangimento para dialogar sobre sexualidade; à baixa escolaridade, às desigualdades estruturais e à ausência de campanhas voltadas especificamente para essa faixa etária (Ferreira et al, 2021).

Esses elementos contribuem para a perpetuação de mitos, práticas inseguras e desconhecimento sobre sinais, formas de transmissão e medidas preventivas de ISTs, incluindo o HIV. Tal realidade evidencia uma lacuna significativa no campo da promoção da saúde e reforça a urgência de investigar como esses indivíduos compreendem sua própria vulnerabilidade e de que forma se apropriam ou não das estratégias disponíveis para proteção (Parmejiani et al., 2021).

Este estudo teve como objetivo geral: identificar o nível de conhecimento dos idosos que residem em comunidades ribeirinhas acerca das Infecções Sexualmente Transmissíveis e de seus métodos de prevenção, e específicos: avaliar o grau de conhecimento dos idosos sobre as principais formas de prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis; identificar os fatores que dificultam o acesso dos idosos que residem em comunidades ribeirinhas acerca das informações sobre as infecções sexualmente transmissíveis e medidas preventivas; analisar a percepção dos idosos sobre a relevância da prevenção as Infecções sexualmente transmissíveis no envelhecimento; e propor estratégias que possam facilitar a disseminação de informações sobre infecções sexualmente transmissíveis para a população idosa.

Diante desse panorama, torna-se fundamental compreender o nível de conhecimento que idosos ribeirinhos possuem sobre ISTs e seus métodos de prevenção, reconhecendo que esse entendimento é o ponto de partida para o planejamento de intervenções eficazes e sensíveis ao contexto local. Assim, emergiu a seguinte pergunta de pesquisa, que orienta o presente estudo: qual o conhecimento de idosos que residem em comunidades ribeirinhas acerca das infecções sexualmente transmissíveis e seus métodos de prevenção?

2 Revisão da Literatura

2.1. Ser idoso

Ser idoso é uma condição associada à idade em que um indivíduo chega à etapa mais avançada da vida. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa é considerada idosa quando atinge a idade de 60 anos ou mais. Para Azevedo, Nascimento e Costa (2019, p. 2), o envelhecimento “pode ser definido como um processo acelerado que ocorrem modificações funcionais, biológicas e psicológicas, que com o passar dos anos o indivíduo não apresenta a mesma adaptação ao ambiente em que vive, tornando uma pessoa idosa”.

Além disso, Costa et al. (2020) enfatizam que o processo natural de envelhecimento acarreta diversas alterações fisiológicas no corpo dos idosos. O sistema musculoesquelético sofre alterações, levando à redução da massa muscular e da densidade óssea, o que eleva o risco de quedas e fraturas. As articulações perdem flexibilidade, o que pode resultar em dificuldades de mobilidade e artrite. No sistema cardiovascular, há uma redução na elasticidade dos vasos sanguíneos e o acúmulo de placas de colesterol, elevando o risco de hipertensão e doenças cardíacas. Com isso, sinaliza-se que:

O processo de envelhecimento pode ocasionar algumas limitações advindas do surgimento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTS), perdas cognitivas e funcionais, e da dependência, resultando em cuidados domiciliares e mudanças no cotidiano de muitas famílias. Tendo destaque especial para a incapacidade funcional do idoso, aparato este que se relaciona com a qualidade de vida. Dentre os agravos mais importantes da população idosa encontra-se a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e o Diabetes Mellitus (DM) são as mais prevalentes e que mais causam complicações (Costa et al., 2020, p. 2).

Além das mudanças fisiológicas, Medeiros et al. (2018) ressaltam que os idosos estão mais propensos a desenvolver várias doenças. Com o avançar da idade, é mais comum o surgimento de doenças crônicas como diabetes, hipertensão, doenças cardíacas e câncer. Condições neurológicas, como Alzheimer e demência, também se tornam mais comuns. Ademais, os idosos podem sofrer de distúrbios sensoriais, como perda de audição e visão; doenças renais e gastrointestinais; e problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, que frequentemente não são diagnosticados. Assim, Costa et al. (2020) enfatiza que as mudanças fisiológicas e as patologias associadas ao envelhecimento exigem uma abordagem holística e cuidadosa, incluindo acompanhamento médico regular, estilo de vida saudável e apoio emocional, para garantir uma qualidade de vida adequada para os idosos.

2.2. Infecções Sexualmente Transmissíveis

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) são consideradas um problema de saúde pública em escala global, com aproximadamente 500 milhões de novos casos registrados anualmente em todo o mundo (Brasil, 2020). Nesse cenário, as ISTs representam um problema relevante de saúde pública, uma vez que a falta de informações precisas e os obstáculos no acesso aos serviços de saúde elevam a vulnerabilidade das pessoas a infecções.

As ISTs são provocadas por microrganismos que se espalham principalmente por meio de relações sexuais. O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), bem como sífilis, gonorreia e clamídia são exemplos disso. É importante destacar que esses microrganismos podem ser transmitidos por meio de relações sexuais desprotegidas, e essa condição tem impactado milhões de pessoas em todo o mundo atualmente. As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) representam um desafio significativo para a saúde pública, e para evitar sua disseminação, são necessárias estratégias de prevenção e tratamento eficazes (OMS, 2021).

Além da transmissão sexual, as ISTs também podem ser contraídas por outras vias, como o compartilhamento de seringas, agulhas e demais instrumentos perfurocortantes. Nesses casos, o contato direto com sangue contaminado facilita a entrada de vírus e bactérias, como HIV, na corrente sanguínea de uma pessoa saudável. Outra forma de transmissão é a via vertical, que ocorre da mãe infectada para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação (Brasil, 2015).

Dentre as diversas ISTs que acometem a população, destacam-se a gonorreia (Neisseria gonorrhoeae), a sífilis (Treponema pallidum), o herpes genital (Herpes simplex vírus), o HTLV (Human T-cell Lymphotropic Virus) e o HIV (Brasil, 2018). Essas infecções apresentam elevados índices de incidência e prevalência no contexto brasileiro, configurando um importante problema de saúde pública (Brasil, 2021). Tal cenário afeta, especialmente, indivíduos com pouco conhecimento sobre o uso de preservativos, incluindo jovens, adultos e, de forma crescente, idosos.

3 Metodologia

Este estudo trata-se de uma Revisão Integrativa da Literatura (RIL) que consiste em um método de investigação o qual permite buscar, selecionar, avaliar e sintetizar estudos. Esse tipo de revisão possibilita a síntese de resultados de pesquisas já existentes sobre o tema em questão, promovendo a integração de achados científicos em relação a diferentes estudos para aprofundar o conhecimento e auxiliar na prática clínica (Souza, Silva e Carvalho, 2010).

O estudo de Souza, Silva e Carvalho (2010), evidência que a revisão integrativa deve seguir seis etapas, sendo elas: 1) Elaboração da pergunta norteadora; 2) Determinação das estratégias de busca e amostragem; 3) Consultas as bases de dados e coletas de dados; 4) Organização e análise e crítica dos estudos incluídos; 5) Discussão dos resultados e 6) Apresentação da revisão.

No presente estudo a pergunta norteadora definida foi elaborada através do acrônimo PICo, sendo P de população (Pessoa idosa); I de interesse (Conhecimento sobre IST’s e métodos de prevenção) e Co de contexto (Comunidades ribeirinhas). Assim, a pergunta de pesquisa definida para este trabalho foi: Qual o conhecimento de idosos que residem em comunidades ribeirinhas acerca das infecções sexualmente transmissíveis e seus métodos de prevenção?

Na segunda etapa, corresponde a coleta de dados, foram realizadas buscas na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) nas seguintes bases de dados: Medical Literature Analysis and Retrievel System Online (MEDLINE); Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Base de Dados em Enfermagem (BDENF).

Os descritores foram selecionados mediante pesquisa nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Na equação de busca foram empregadas os seguintes descritores em português “Infecções sexualmente transmissíveis”, “idosos”, “população ribeirinha”, “prevenção de doenças”. Para a fase da busca de dados será construída uma equação de busca avançada na qual utilizaram-se os operadores booleanos AND e OR para o cruzamento dos descritores.

Abaixo, apresenta-se a tabela contendo a base de dados, a plataforma e as estratégias de busca que foram utilizadas.

Tabela 1 – Bases de dados, plataforma e estratégia de busca

BASE DE DADOS

ESTRATÉGIA DE BUSCA

MEDLINE/LILACS/BDENF

“Infecções sexualmente transmissíveis” AND “Idosos” OR “Pessoa Idosa’’ OR ‘’Idoso’’ AND ‘’Prevenção de doenças’’ OR ‘’Prevenção’’

Fonte: Autoral, 2026.

Para a seleção dos estudos foi utilizado avaliação crítica dos artigos incluídos realizando-se a leitura de títulos, resumos e textos completos para garantir que os estudos abordem a temática central. Serão selecionados artigos publicados entre os anos 2021 e 2025, disponíveis na íntegra, em português, com foco no conhecimento dos idosos sobre doenças sexualmente transmissíveis. E, serão excluídos da amostra: literatura cinzenta, artigos duplicados.

Na terceira etapa, procedeu-se à extração e à sistematização das informações relevantes. Os estudos elegíveis foram registrados em um instrumento de coleta de dados adaptado de Ursi. O referido instrumento contempla os seguintes itens: 1) autor(es); 2) ano de publicação; 3) título do artigo; 4) objetivo do estudo; 5) metodologia utilizada; 6) amostra/participantes; 7) resultados esperados; e 8) conclusão.

Tal instrumento subsidiará a elaboração do quadro de síntese, possibilitando a visualização comparativa das características e dos achados de cada estudo incluído na amostra final desta pesquisa.

Na quarta etapa realizou-se uma leitura exploratória e seletiva destinada a identificar informações pertinentes ao tema abordado, esse processo possibilitou uma análise criteriosa dos estudos selecionados, assegurando a coerência e o alinhamento com os objetivos propostos nesta pesquisa. Essa abordagem permitiu avaliar a robustez metodológica de cada estudo, bem como seu potencial contributivo para a construção da síntese final.

Na quinta etapa discussão dos resultados organizada a partir de uma tabela que inclui variáveis como ator(res), títulos objetivos, temas identificados na análise, relacionando com literaturas científicas e suas implicações para a prática e para futuras pesquisas. A sexta etapa será a síntese dos futuros resultados.

A partir das estratégias de busca, verificou-se que a busca inicial resultou em 348 artigos, sendo LILACS (160), MEDLINE (135) e BDENF (46). Abaixo, o fluxograma apresenta os estudos selecionados e que compuseram a amostra final.

Figura 1 – Fluxograma dos estudos selecionados

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

Diante disso, verificou-se que após aplicar os filtros de texto completo, em português e últimos 5 anos restaram: 29 artigos. Desses 29 foi eliminado 1 estudo, pois constatou-se que tinha 1 artigo duplicado, restando, assim, 28 estudos. Após a leitura do título foram eliminados 17 estudos, restando 11, dos dias 2 foram eliminados após a leitura do resumo, restando, assim, 9 estudos para a leitura na integra e que compuseram a amostra final.



4 Resultados e Discussão

Mediante aos critérios estabelecidos, encontrou-se 9 (nove) artigos que compuseram a amostra final, nos quais estão apresentados no quadro 1.

Quadro 1 – estudos selecionados

BASE DE DADOS

AUTOR, ANO

TÍTULO

OBJETIVO

METODOLOGIA

PRINCIPAL DESFECHO

1

BDENF/LILACS

Gomes et al., 2024.

Conhecimento de idosas acerca das Infecções Sexualmente Transmissíveis

Compreender o conhecimento de idosas acerca das Infecções Sexualmente Transmissíveis.

Pesquisa qualitativa.

Observou-se conhecimento das participantes sobre as Infecções Sexualmente Transmissíveis, principalmente o HIV, a sífilis e a gonorreia. Percebeu-se uma lacuna no conhecimento acerca da distinção entre a infecção por HIV e a doença AIDS. O déficit de informações em relação à sexualidade de forma ativa constitui-se barreira que interfere na prática sexual segura.

2

LILACS

Junior et al., 2024.

Prevalência de sorologia positiva para infecções sexualmente transmissíveis entre idosos.

Averiguar o perfil sorológico de reatividade para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) em amostra de idosos residentes em comunidade.

Estudo observacional transversal e foi realizada por meio de um inquérito epidemiológico.

Indica que são necessárias adequações nos serviços de geriatria a fim de que considerem o rastreio para infecções sexualmente transmissíveis como parte integrante da rotina clínica de assistência a pessoas idosas.

3

BDENF/LILACS

Pantoja et al., 2024.

Percepção da pessoa idosa sobre sexualidade e vulnerabilidade a infecções sexualmente transmissíveis

Desvelar a percepção do idoso sobre sua sexualidade e a vulnerabilidade de infecções sexualmente transmissíveis.

Pesquisa descritiva-qualitativa.

A percepção dos idosos sobre sexualidade e vulnerabilidade a ISTs variam conforme as vivências da sexualidade na velhice.

4

BDENF

Nascimento et al., 2023.

Vulnerabilidades em saúde às Infecções Sexualmente Transmissíveis pela pessoa idosa.

Identificar as vulnerabilidades em saúde da pessoa idosa às Infecções Sexualmente Transmissíveis.

Pesquisa quantitativa, descritiva, exploratória.

Os idosos demonstraram ter lacunas de conhecimento acerca da temática e têm práticas sexuais vulneráveis às infecções sexualmente transmissíveis. Faz-se necessário ações programáticas de educação em saúde para melhora do conhecimento de idosos que residem em áreas de fronteira amazônica.

5

LILACS

Ibrahim et al., 2022.

A percepção da pessoa idosa sobre a sexualidade e a saúde sexual no envelhecimento.

Conhecer a percepção dos idosos sobre sexualidade e saúde sexual no processo de envelhecimento.

Pesquisa exploratória, descritiva, explicativa, de campo, com caráter qualitativo.

Observou-se baixa escolaridade na maioria dos idosos e desconhecimento quanto a distinção entre sexualidade e o ato sexual, além do risco de contaminação por infecções sexualmente transmissíveis, pela não utilização de preservativo nas relações sexuais.

6

BDENF/LILACS

Mahmud et al., 2021.

O desafio do HIV em idosos: uma análise qualitativa da atuação de médicos da atenção primária à saúde em Porto Alegre/RS.

Descrever a atuação dos médicos da Atenção Básica na prevenção primária e secundária em relação à infecção pelo HIV na população idosa atendida pela Atenção Primária à Saúde (APS).

Estudo transversal, misto.

Evidenciou-se que a temática da sexualidade, infecções sexualmente transmissíveis, situações e grupos de risco e tratamento para o HIV são temas de menos conhecimento. Os médicos da rede básica de saúde não realizam prevenção primária e secundária para a infecção pelo HIV em idosos de forma rotineira.

7

BDENF/LILACS

Oliveira et al., 2021.

Sexualidade de idosos participantes de um centro de convivência.

Analisar o comportamento sexual de idosos participantes de um centro de convivência.

Estudo transversal.

Os idosos apresentam dificuldades no ato sexual, não usam preservativos, porém, têm desejo sexual. Há necessidade de implementar intervenções para promoção da saúde sexual na velhice.

8

LILACS

Quintino e Ducatti, 2021.

Infecções Sexualmente Transmissíveis Em Idosos: Revisão Integrativa

Compreender a relação de idosos com sua sexualidade e IST.

Revisão integrativa.

Conclui-se que os estigmas frente à sexualidade da pessoa idosa corroboram a ineficácia da produção de campanhas de prevenção.

9

BDENF/LILACS

Vieira et al., 2021.

Tendência de infecções por HIV/Aids: aspectos da ocorrência em idosos entre 2008 e 2018.

Analisar o perfil sociodemográfico, clínico e epidemiológico dos casos de HIV/Aids em idosos no estado do Piauí.

Estudo descritivo, com coleta retrospectiva.

Verificou-se tendência de crescimento dos casos de HIV/Aids em idosos, no estado do Piauí, ao longo dos últimos 10 anos. Os resultados deste estudo contribuem para o conhecimento da dinâmica epidemiológica desse agravo no estado e a elaboração de estratégias de prevenção e controle da infecção.

Fonte: Elaborado pelos autores (2026).

Evidenciou-se que em relação aos anos de publicação dos 9 (nove) estudos selecionados, os mesmos corresponderam a 2021 (4), 2022 (1), 2023 (1) e 2024 (3).

Entre os principais objetivos, destacou-se: compreender o conhecimento de idosas acerca das Infecções Sexualmente Transmissíveis; desvelar a percepção do idoso sobre sua sexualidade e a vulnerabilidade de ISTs; identificar as vulnerabilidades em saúde da pessoa idosa às ISTs; conhecer a percepção dos idosos sobre sexualidade e saúde sexual no processo de envelhecimento; compreender a relação de idosos com sua sexualidade e IST, entre outros.

A partir disso, evidencia-se que em relação aos saberes dos idosos sobre ISTs é verificado que no estudo 1 que “identificou-se que as idosas possuíam um conhecimento superficial/limitado em relação às ISTs. Quanto às ISTs que foram majoritariamente citadas pelas participantes desta pesquisa, destacaram-se HIV/AIDS, sífilis e gonorreia” (p. 6).

Paralelamente, no estudo 8 evidencia-se que os dados coletados indicaram que, embora muitos estudos sobre o envelhecimento abordem uma variedade de aspectos do envelhecer, principalmente cognitivos e físicos, há pouca pesquisa sobre a sexualidade dessas pessoas, especialmente no que se refere às informações sobre prevenção e conhecimento acerca das ISTs. Esses parâmetros podem estar ligados à forma como a sociedade percebe esse grupo, rotulando-os como assexuados e incapazes de receber e dar prazer.

Adicionalmente no estudo 2 é evidenciado que os resultados do estudo indicaram que a população idosa estudada esteve especialmente vulnerável aos danos à saúde que a sífilis pode causar, devido à falta de conhecimento adequado sobre essa ISTs. Essa concepção evidencia a necessidade de capacitar tecnicamente e socialmente os serviços geriátricos para que possam identificar ISTs, especialmente a sífilis, e lidar com as consequências dos comportamentos sexuais da população em envelhecimento.

Corroborando com esses achados, no estudo 3 é relatado que “Os idosos participantes do estudo demonstraram pouco entendimento sobre como as ISTs podem sem contraídas. Ainda é perceptível a necessidade de esclarecimento acerca das informações do ponto de vista científico” (p. 12). Além disso, verificou-se que os profissionais de saúde não fornecem orientações sobre sexualidade aos idosos durante as consultas, pois o foco está no tratamento de doenças comuns nessa faixa etária, e não há a prática de questionar esse grupo sobre sexualidade.

Em contribuição, no estudo 4 é enfatizado que a fragilidade individual dos idosos está inserida na própria faixa etária do grupo em questão, no qual se constata que, quanto mais avançada a idade deles, menor é o acesso à informação e a compreensão dos conhecimentos sobre as infecções sexualmente transmissíveis. Nesse contexto, a falta de informações sobre as ISTs faz parte de um contexto mais amplo de vulnerabilidade entre os idosos, uma vez que a idade, o tipo de informação que a pessoa possui e a forma como a utiliza se destacam como as principais vulnerabilidades presentes neste segmento populacional.

Além disso, no mesmo estudo é ressaltado que em relação às vulnerabilidades individuais identificadas, nas quais os idosos mais velhos demonstraram menor conhecimento sobre as ISTs, constata-se que isso difere do panorama epidemiológico observado em outros estados brasileiros. Nesse contexto, uma pesquisa conduzida na Bahia revelou uma maior incidência de ISTs em idosos mais jovens, na faixa etária de 60 a 65 anos, em comparação com idosos mais velhos. Há uma demanda evidente por uma investigação mais aprofundada sobre a prevalência de IST/HIV entre os habitantes desta área de fronteira, verificando, assim, as incidências e seus conhecimentos acerca das ISTs.

Paralelamente no estudo 5 é inferido que “Grande parte da população possui conhecimentos insuficientes sobre a sexualidade e os seus conceitos, podendo ter relação com distanciamento e as dificuldades para discutir e abordar o assunto no meio social” (p. 915). Dessa maneira, verifica-se que a falta de entendimento acerca da sexualidade pode levar ao desinteresse em praticá-la, tornando essencial esclarecer seus benefícios para a vida das pessoas. Além disso, por conta dos conhecimentos insuficientes acerca das ISTs, constatou-se que a maioria dos idosos resiste ao uso de preservativos na prática sexual, evidenciando o quanto estão expostos ou vulneráveis à aquisição dessas infecções.

Agregando a esses achados, no estudo 7 é observado que os tipos de ISTs citados pelos idosos também foram identificados em outros estudos e que significativa parte da população idosa adquire conhecimentos acerca das ISTs nos meios televisivos. Assim sendo, como a maioria dos idosos participantes deste estudo são aposentados, é possível que eles utilizem esse tempo assistindo televisão, o que explicaria a obtenção de informações por meio desse meio de comunicação; nesse sentido, como a televisão alcança uma grande parte da população, é fundamental usá-la para disseminar informações sobre saúde. Além da mídia, os idosos relataram obter informações de profissionais da área da saúde.

Já em relação as questões de métodos de prevenção, no estudo 1 é evidenciado que em relação às estratégias de prevenção das ISTs, as idosas participantes destacavam principalmente o uso do preservativo. No entanto, há relatos de que não há necessidade de seu uso, pois não está em período fértil, ou seja, não há risco de gravidez, e por ter um parceiro fixo. Ademais, algumas mulheres idosas abrem mão do uso do preservativo para agradar o parceiro que não quer usar. Nesse sentido, o uso de preservativos é a principal estratégia de prevenção em qualquer tipo de relação sexual.

Em contribuição, o estudo 3 indica que muitas pessoas mais velhas afirmam saber da importância do preservativo na prevenção das ISTs. No entanto, fatores como vergonha ao comprá-los em estabelecimentos, apreensão quanto ao conforto durante a relação, falta de informação sobre seu uso, receio de iniciar um novo relacionamento e crença de que o preservativo pode diminuir o prazer sexual contribuem para comportamentos de risco. Dessa maneira, o medo do constrangimento e a ideia de que não é mais adequado usar preservativos na terceira idade impactam negativamente a busca por sexo seguro.

Nesse sentido, pode ser evidenciado no estudo 3 que o uso de preservativo na prevenção de ISTs é significativamente necessário, “todavia não é um hábito comum entre os idosos, seja porque mantêm um parceiro fixo por muito tempo, o que os levam a considerar o uso do preservativo desnecessário, devido à confiança no parceiro, seja por que o parceiro recusa” (p. 10).

Colaborando com esses achados, no estudo 5 é sinalizado que “No que diz respeito à prática segura e o uso de preservativo no ato sexual, foi observado que quase a totalidade dos idosos nunca usaram camisinha” (p. 918). Dessa forma, o principal fator que leva à contração de ISTs em idosos é a prática de atividade sexual desprotegida, no qual com o avanço da idade, os idosos tendem a diminuir os cuidados necessários nesse aspecto.

Além disso, no mesmo estudo é evidenciado que é fundamental reconhecer o idoso como um ser sexuado e membro ativo da sociedade, pois a percepção social equivocada de que há pouca ou nenhuma atividade sexual na terceira idade leva à equívocos, inclusive nas ações dos profissionais de saúde. Nesse contexto, a abordagem desse tema nas diversas consultas é de grande importância, pois esclarece sua relevância para o ser humano e os cuidados necessários em relação às ISTs. Assim, para evitar a propagação de ISTs, é fundamental fornecer orientações e informações adequadas, com a participação ativa dos serviços de saúde, especialmente da atenção primária e grupos sociais.

Adicionalmente, no estudo 6 é enfatizado que a sexualidade do idoso é considerada um tabu e um preconceito por toda a equipe de saúde. Nesse sentido, foi levantada a questão de que, de modo geral, há pouco incentivo a programas de educação sexual e prevenção de ISTs nessa faixa etária. Deste modo, no estudo é relatado que 11 entrevistados (29%) expressaram preocupação com a ausência de solicitação e disponibilidade da sorologia do HIV e dos Testes Rápidos para esse grupo, apontando que essa é uma justificativa a ser considerada para o diagnóstico tardio do HIV em pacientes com mais de 60 anos.

Além disso, no mesmo estudo é sinalizado que a pesquisa “Perfil dos idosos do Rio Grande do Sul” revelou que, entre os 7.315 idosos gaúchos entrevistados, 35% afirmaram ter relações sexuais. No entanto, apenas 3,9% disseram usar preservativo sempre, 3% ocasionalmente, enquanto 25,5% afirmaram não utilizá-lo por considerá-lo prejudicial, desnecessário ou por falta de preferência do(a) parceiro(a).

Nesta senda, no estudo 7 se verifica que “Analisando aspectos sobre as IST, os idosos referiram o preservativo como medida de prevenção dessas doenças, ainda que nem sempre o utilizam, resultados semelhantes também em outros estudos” (p. 1079). Entretanto, verificou-se que as camisinhas masculina e feminina são reconhecidas como o método mais eficaz para a prevenção de ISTs. Uma pesquisa conduzida em Pernambuco indicou que, apesar de os idosos possuírem um conhecimento adequado sobre as IST em alguns aspectos, ainda há uma carência de informações sobre o risco de contrair essas doenças.

Contribuindo com as assertivas anteriores, no estudo 8 é relatado que ao relacionar envelhecimento e ISTs, é fundamental vincular isso à sexualidade. Assim, ignorar esse aspecto da pessoa idosa contribui não só para o aumento significativo dos casos notificados, mas também para a falta de interesse na realização de estudos sobre o tema. Ademais, evidencia a falta de adesão às campanhas de prevenção e conscientização já existentes, uma vez que os indivíduos não se veem como suscetíveis a contrair alguma IST. Assim, é fundamental que os profissionais de saúde participem das conversas com os idosos, seus familiares e cuidadores para quebrar os estigmas preconceituosos sobre a sexualidade na terceira idade.

Em contribuição, no estudo 9 é enfatizado que “a vulnerabilidade dos idosos às infecções sexualmente transmissíveis pode ter influência de vários fatores, desde o comportamento de risco até as lacunas no manejo correto dos profissionais da saúde à questão” (p. 7). Assim, investir na formação de profissionais para lidar corretamente com a percepção de risco dos idosos e a importância de adotar comportamentos seguros pode ter efeitos positivos na redução das taxas de ISTs.

Ademais, é necessário implementar medidas para prevenir as ISTs na velhice, como promover o envelhecimento ativo e incentivar a vivência da sexualidade de forma saudável, além de aumentar a conscientização dos idosos sobre o tema, a fim de contribuir para a adoção de comportamentos preventivos.


5 Conclusão (ou Considerações Finais)

Diante das evidências apresentadas, conclui-se que os idosos residentes em comunidades ribeirinhas ainda apresentam conhecimentos limitados acerca das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e de seus métodos preventivos, o que os torna mais vulneráveis à exposição e ao adoecimento. A problemática que norteou este estudo permitiu compreender que, embora parte dessa população reconheça algumas ISTs, como HIV/AIDS, sífilis e gonorreia, ainda persistem lacunas importantes relacionadas às formas de transmissão, ao uso correto dos preservativos e à percepção de risco durante a terceira idade.

Os resultados encontrados demonstraram que diversos fatores contribuem para essa fragilidade no conhecimento, dentre eles a baixa escolaridade, o difícil acesso aos serviços de saúde, a ausência de campanhas educativas direcionadas aos idosos, além dos tabus sociais que ainda envolvem a sexualidade na velhice. Observou-se também que muitos idosos não se reconhecem como sujeitos vulneráveis às ISTs, principalmente por acreditarem que o uso do preservativo está relacionado apenas à prevenção da gravidez ou por manterem relações estáveis e de longa duração. Dessa forma, percebe-se que a invisibilidade da sexualidade da pessoa idosa ainda interfere diretamente na prevenção, no diagnóstico precoce e no cuidado integral dessa população.

Em relação ao objetivo geral proposto, considera-se que ele foi alcançado, uma vez que o estudo possibilitou identificar o nível de conhecimento dos idosos ribeirinhos sobre as ISTs e seus métodos preventivos, além de compreender os principais obstáculos enfrentados por esse grupo no acesso às informações e aos cuidados em saúde sexual. Os objetivos específicos também foram contemplados, pois foi possível analisar as vulnerabilidades existentes, reconhecer as dificuldades enfrentadas pelos idosos no diálogo sobre sexualidade e refletir sobre a necessidade de estratégias educativas mais acessíveis e humanizadas.

Além disso, esta pesquisa contribui significativamente para o campo da enfermagem e da saúde pública, especialmente por trazer visibilidade a uma temática ainda pouco discutida entre a população idosa ribeirinha. O estudo reforça a importância de reconhecer o idoso como sujeito ativo, sexuado e detentor de direitos relacionados à saúde sexual e reprodutiva. Nesse contexto, destaca-se o papel fundamental dos profissionais da Atenção Primária à Saúde, sobretudo da enfermagem, na promoção de ações educativas, acolhimento, escuta qualificada e desenvolvimento de estratégias preventivas voltadas às especificidades culturais e sociais dessas comunidades.

Como contribuição prática, evidencia-se a necessidade de fortalecimento das políticas públicas e das ações de educação em saúde direcionadas à população idosa, considerando suas particularidades socioculturais e geográficas. Campanhas educativas mais inclusivas, utilização de linguagem acessível, rodas de conversa, atividades comunitárias e ações itinerantes nas comunidades ribeirinhas podem favorecer a disseminação de informações e a redução das vulnerabilidades relacionadas às ISTs.

Por fim, sugere-se que novas pesquisas sejam desenvolvidas com abordagem de campo junto às comunidades ribeirinhas, permitindo conhecer mais profundamente as experiências, percepções e dificuldades vivenciadas pelos idosos em relação à sexualidade e às ISTs. Recomenda-se ainda a realização de estudos que avaliem a efetividade de intervenções educativas voltadas para esse público, contribuindo para o fortalecimento das práticas preventivas e para a promoção de um envelhecimento saudável, digno e com qualidade de vida.


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  1. Faculdade de Educação e Tecnologia da Amazônia (FAM) – Abaetetuba – Pará – Brasil.

    ORCID: https://orcid.org/0009-0002-2179-2150

  2. Faculdade de Educação e Tecnologia da Amazônia (FAM) – Abaetetuba – Pará – Brasil.

    ORCID: https://orcid.org/0009-0008-4511-7647

  3. Faculdade de Educação e Tecnologia da Amazônia (FAM) – Abaetetuba – Pará – Brasil.

    ORCID: https://orcid.org/0009-0005-7685-4832

  4. Faculdade de Educação e Tecnologia da Amazônia (FAM) – Abaetetuba – Pará – Brasil.

    ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2409-9503

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