O uso de simulação realística no ensino de habilidades de comunicação em cursos de medicina: uma revisão de escopo
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Resumo

INTRODUÇÃO: A comunicação efetiva entre médico e paciente é competência fundamental na formação médica, estando associada à adesão terapêutica, à precisão diagnóstica e à humanização do cuidado. A simulação realística emerge como estratégia pedagógica inovadora para o ensino dessas habilidades, permitindo a prática em ambiente controlado e seguro. OBJETIVO: Mapear e sintetizar as evidências disponíveis sobre o uso da simulação realística no ensino de habilidades de comunicação em cursos de medicina. MÉTODOS: Revisão de escopo conduzida conforme protocolo do Instituto Joanna Briggs, com busca na base de dados PubMed utilizando os descritores "Simulation Training", "Health Communication" e "Education, Medical". Foram incluídos estudos publicados entre 2018 e 2025, nos idiomas português e inglês, totalizando 16 artigos selecionados para análise. RESULTADOS: Os estudos demonstraram que a simulação realística é efetiva para o desenvolvimento de habilidades comunicacionais, especialmente na comunicação de más notícias, presente em 81,2% das publicações. O debriefing e o feedback estruturado emergiram como componentes pedagógicos centrais. Foram identificadas diferentes modalidades de simulação, incluindo pacientes padronizados, atores treinados e pacientes virtuais. CONCLUSÃO: A simulação realística constitui estratégia pedagógica valiosa para o ensino de habilidades de comunicação em medicina, com benefícios consistentes para autoconfiança, competência técnica e abordagem centrada no paciente. Novos estudos com maior rigor metodológico são necessários para avaliar a transferência das habilidades para a prática clínica real.

Palavras-Chave: Treinamento por Simulação; Comunicação em Saúde; Educação Médica.

Abstract:

INTRODUCTION: Effective communication between physician and patient is a fundamental competence in medical education, being associated with therapeutic adherence, diagnostic accuracy, and humanization of care. Realistic simulation emerges as an innovative pedagogical strategy for teaching these skills, allowing practice in a controlled and safe environment. OBJECTIVE: To map and synthesize the available evidence on the use of realistic simulation in teaching communication skills in medical courses. METHODS: A scoping review conducted according to the Joanna Briggs Institute protocol, with a search in the PubMed database using the descriptors "Simulation Training", "Health Communication", and "Education, Medical". Studies published between 2018 and 2025 in Portuguese, English, and Spanish were included, totaling 16 articles selected for analysis. RESULTS: The studies demonstrated that realistic simulation is effective for developing communication skills, especially in breaking bad news, present in 81.2% of the publications. Debriefing and structured feedback emerged as central pedagogical components. Different simulation modalities were identified, including standardized patients, trained actors, and virtual patients. CONCLUSION: Realistic simulation constitutes a valuable pedagogical strategy for teaching communication skills in medicine, with consistent benefits for self-confidence, technical competence, and patient-centered approach. Further studies with greater methodological rigor are needed to assess the transfer of skills to real clinical practice.

Keywords: Simulation Training; Health Communication; Education, Medical.

  1. INTRODUÇÃO

O desenvolvimento de habilidades de comunicação constitui um pilar fundamental na formação médica contemporânea, uma vez que a relação efetiva entre profissional e paciente está diretamente associada à adesão terapêutica, à precisão diagnóstica e à humanização do cuidado. Tradicionalmente, o ensino dessas competências baseava-se em abordagens teóricas e na observação de práticas clínicas em cenários reais, metodologias que, embora relevantes, nem sempre proporcionavam oportunidades seguras e sistemáticas para o treinamento deliberado e o feedback estruturado. Nesse contexto, a simulação realística emerge como uma estratégia pedagógica inovadora, capaz de integrar o desenvolvimento técnico-científico com as dimensões relacionais e éticas da prática médica (DAL SASSO BESSA et al., 2024).

A simulação realística, compreendida como um conjunto de técnicas que substituem experiências clínicas reais por cenários guiados, artificiais ou virtuais, tem experimentado expansão significativa nos currículos médicos nas últimas décadas. Esta metodologia ativa de ensino-aprendizagem caracteriza-se pela replicação de situações clínicas em ambientes controlados, permitindo que os estudantes vivenciem experiências próximas à realidade sem expor pacientes a riscos desnecessários (MOLITERNO et al., 2024). No âmbito específico das habilidades comunicacionais, a simulação oferece um espaço protegido para o exercício de condutas complexas, como a comunicação de más notícias, a negociação de planos terapêuticos e o manejo de emoções em situações de crise (MARCIDELLI et al., 2024).

O ensino de habilidades comunicacionais por meio da simulação realística fundamenta-se na premissa de que a competência comunicativa não é inata, mas sim passível de aprendizado, prática e aperfeiçoamento contínuos. Estudos demonstram que estratégias simuladas, especialmente quando envolvem pacientes padronizados ou atores treinados, mostram-se mais efetivas no desenvolvimento de atitudes centradas no paciente quando comparadas a métodos tradicionais, como a dramatização entre pares (GORSKI et al., 2022). Essa efetividade decorre, em grande parte, da fidelidade dos cenários e da possibilidade de repetição sistemática das situações clínicas, seguidas de feedback imediato e construtivo (SANTOS et al., 2025).

Na graduação médica, a incorporação da simulação realística para o ensino de habilidades comunicacionais tem sido explorada em diferentes contextos e especialidades. Estudos recentes evidenciam sua aplicabilidade tanto no ensino da farmacologia, integrando conhecimentos técnicos à comunicação sobre medicamentos (SANTOS et al., 2025), quanto na abordagem pediátrica, considerando as particularidades da comunicação com crianças e familiares (MOLITERNO et al., 2024). Adicionalmente, experiências exitosas têm sido relatadas no treinamento específico para comunicação de más notícias, reconhecidamente uma das tarefas mais desafiadoras na prática clínica e que demanda preparo emocional e técnico dos futuros médicos (MARCIDELLI et al., 2024).

A percepção discente sobre essa metodologia revela-se predominantemente positiva, com estudantes reconhecendo a simulação como ferramenta que reduz a ansiedade frente ao contato com pacientes reais, promove o desenvolvimento da autoconfiança e favorece a integração entre teoria e prática (MOLITERNO et al., 2024). Esses achados são corroborados pela literatura internacional, que aponta a simulação como estratégia capaz de fomentar atitudes mais humanizadas e centradas no paciente durante a formação médica (GORSKI et al., 2022).

Não obstante os avanços e o reconhecimento crescente da importância da simulação no ensino de habilidades comunicacionais, observa-se que a produção científica sobre a temática ainda se concentra, predominantemente, em relatos de experiência e estudos descritivos. A diversidade metodológica, a variabilidade nos cenários simulados e a heterogeneidade dos instrumentos de avaliação utilizados constituem desafios para a sistematização do conhecimento produzido e para a identificação de evidências robustas sobre a efetividade dessa abordagem pedagógica.

Diante desse cenário, justifica-se a realização de uma revisão de escopo que mapeie a literatura existente sobre o uso da simulação realística no ensino de habilidades de comunicação em cursos de medicina. Este tipo de revisão mostra-se particularmente adequado para examinar a extensão, o alcance e a natureza da produção científica em áreas emergentes ou complexas, permitindo identificar lacunas do conhecimento e direcionar investigações futuras. Assim, o presente estudo tem como objetivo mapear e sintetizar as evidências disponíveis sobre as estratégias, os contextos de aplicação, os desfechos educacionais e as percepções de estudantes e docentes acerca do uso da simulação realística no desenvolvimento de competências comunicacionais na formação médica.

2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Fundamento da Simulação Realística no Ensino Médico

A simulação realística constitui uma estratégia pedagógica que cria situações ou ambientes permitindo aos estudantes vivenciarem experiências representativas da realidade clínica em contextos controlados e seguros (SANTOS et al., 2025). Sua expansão nos currículos médicos decorre da necessidade de conciliar a formação prática intensiva com os princípios éticos que regem a relação médico-paciente, evitando expor pacientes a riscos ou desconfortos desnecessários (DAL SASSO BESSA et al., 2024).

O referencial teórico da simulação realística fundamenta-se no construtivismo e na aprendizagem experiencial de David Kolb, que postula o aprendizado efetivo a partir da experiência concreta, observação reflexiva, conceituação abstrata e experimentação ativa. A simulação, especialmente quando seguida de debriefing estruturado, contempla integralmente esse ciclo (SANTOS et al., 2025).

2.2 Classificação da Simulação e Níveis de Fidelidade

A simulação classifica-se conforme o nível de fidelidade — grau de realismo com a situação clínica real. A simulação de baixa fidelidade utiliza recursos simples como manequins estáticos; a média fidelidade incorpora sons gravados e respostas programadas; a alta fidelidade caracteriza-se por simuladores computadorizados avançados e participação de atores ou pacientes padronizados (MOLITERNO et al., 2024).

Para o ensino de habilidades comunicacionais, a fidelidade ambiental e emocional assume particular importância. Nesse contexto, o uso de pacientes padronizados — atores ou voluntários treinados — tem se consolidado como estratégia privilegiada, por reproduzir fielmente as dimensões relacionais da prática clínica (GORSKI et al., 2022).

2.3 Pacientes Padronizados versus Dramatização entre Pares

Estudo comparativo conduzido por Gorski et al. (2022) demonstrou que o treinamento com pacientes simulados é mais efetivo que a dramatização entre estudantes no desenvolvimento de atitudes centradas no paciente. Os alunos expostos a cenários com atores treinados apresentaram maior capacidade de escuta ativa, maior atenção às dimensões psicossociais do adoecimento e comunicação mais empática.

Essa superioridade pedagógica decorre de múltiplos fatores: atores oferecem respostas mais autênticas e consistentes; a presença de um "estranho" mobiliza maior senso de profissionalismo; e pacientes padronizados podem fornecer feedback estruturado sob a perspectiva do paciente (GORSKI et al., 2022).

2.4 O Debriefing como Componente Essencial

O debriefing constitui o momento pedagógico mais relevante da simulação realística — sessão estruturada de reflexão na qual os participantes analisam suas ações, exploram processos de pensamento e identificam oportunidades de melhoria (SANTOS et al., 2025). Fundamenta-se no conceito de "prática reflexiva" de Donald Schön, segundo o qual profissionais competentes refletem sobre sua prática durante e após a ação.

Na simulação voltada para habilidades comunicacionais, o debriefing envolve não apenas a análise das condutas técnicas, mas também a exploração das emoções vivenciadas e dos valores éticos mobilizados. Sua efetividade depende da criação de ambiente psicologicamente seguro para que o estudante exponha dificuldades sem medo de julgamento (SANTOS et al., 2025).

2.5 Habilidades Comunicacionais na Graduação Médica

As habilidades comunicacionais constituem competência central para a prática médica, associadas à adesão terapêutica, redução de erros, satisfação de pacientes e profissionais, e diminuição de litígios. A taxonomia dessas habilidades compreende níveis básico (contato visual, linguagem acessível), intermediário (anamnese centrada na pessoa, negociação terapêutica) e avançado (comunicação de más notícias, manejo de conflitos, abordagem de questões sensíveis) (MARCIDELLI et al., 2024).

A comunicação de más notícias tem recebido atenção crescente. Protocolos como o SPIKES (Setting, Perception, Invitation, Knowledge, Emotions, Strategy) estruturam essa comunicação de forma ética e humanizada. Estudos demonstram que o treinamento simulado reduz a ansiedade dos estudantes, aumenta a confiança e melhora a qualidade da comunicação (MARCIDELLI et al., 2024).

2.6 Percepção dos Discentes sobre a Simulação

Estudo de Moliterno et al. (2024) investigou a percepção de estudantes sobre a simulação realística em pediatria — contexto no qual a comunicação adquire complexidade pela necessidade de interagir simultaneamente com a criança e familiares. Os resultados indicaram que os estudantes reconhecem a simulação como ferramenta que reduz a ansiedade, promove autoconfiança e favorece a integração teoria-prática.

Entretanto, os alunos apontaram limitações como a artificialidade inerente ao ambiente simulado, que pode comprometer parcialmente a transferência das habilidades para contextos reais, e a dificuldade inicial em "levar a sério" a simulação (MOLITERNO et al., 2024).

2.7 Aplicações Específicas e Integração Curricular

No ensino da farmacologia, Santos et al. (2025) descrevem a aplicação da simulação para integrar conhecimentos técnicos às habilidades de comunicação necessárias para orientar pacientes sobre medicamentos — indicações, efeitos adversos, adesão. A simulação permite que o estudante mobilize informações em contexto comunicacional realista, traduzindo conhecimento técnico em linguagem acessível.

Dal Sasso Bessa et al. (2024) relacionam simulação realística e serious games, apontando convergências quanto ao engajamento ativo do estudante, possibilidade de repetição sistemática e criação de ambientes seguros para o erro construtivo. A combinação de diferentes tecnologias educacionais pode potencializar o desenvolvimento de habilidades comunicacionais.

2.8 Desafios para a Pesquisa na Área

A produção científica sobre simulação no ensino de habilidades comunicacionais enfrenta desafios metodológicos importantes. Predominam estudos descritivos e relatos de experiência, com escassez de investigações com desenhos robustos que estabeleçam relações causais entre exposição à simulação e melhoria efetiva das competências (SANTOS et al., 2025).

A heterogeneidade dos instrumentos de avaliação dificulta a comparabilidade dos estudos. Enquanto algumas pesquisas utilizam instrumentos validados internacionalmente, outras empregam questionários ad hoc. A ausência de medidas padronizadas para avaliar desfechos como empatia e comunicação centrada no paciente limita a robustez das evidências disponíveis.

Adicionalmente, carecem estudos longitudinais que acompanhem os estudantes ao longo da formação e após a graduação, investigando se as habilidades desenvolvidas em ambiente simulado mantêm-se e transferem-se para a prática profissional (SANTOS et al., 2025).

3. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão de escopo (scoping review) conduzida conforme o manual do Instituto Joanna Briggs (JBI) para síntese de evidências. Este método é particularmente adequado para mapear conceitos-chave, identificar lacunas no conhecimento e examinar a extensão, o alcance e a natureza da produção científica em áreas emergentes ou complexas, como é o caso do uso da simulação realística no ensino de habilidades de comunicação em medicina. O protocolo desta revisão seguirá as etapas recomendadas pela JBI: definição da questão de pesquisa, identificação dos estudos relevantes, seleção dos estudos, extração dos dados, análise e apresentação dos resultados.

3.1 Pergunta de Pesquisa

A revisão será orientada pela seguinte pergunta, estruturada com base no acrônimo PCC (População, Conceito e Contexto):

  • P (População): Estudantes de graduação em medicina.
  • C (Conceito): Uso da simulação realística para o ensino e desenvolvimento de habilidades de comunicação.
  • C (Contexto): Cursos de medicina em instituições de ensino superior.

A pergunta central é: "Qual é a extensão, o alcance e a natureza das evidências disponíveis sobre o uso da simulação realística no ensino de habilidades de comunicação para estudantes de graduação em medicina?"

3.2 Critérios de Elegibilidade

Os critérios de inclusão serão definidos com base no PCC:

População: Serão incluídos estudos que envolvam estudantes de graduação em medicina. Não haverá restrição quanto ao ano do curso ou período da graduação.

Conceito: Serão considerados estudos que abordem o uso de qualquer tipo de simulação realística (incluindo, mas não se limitando a, simuladores de alta fidelidade, pacientes padronizados, atores e cenários simulados) com o objetivo explícito de ensinar, praticar ou avaliar habilidades de comunicação. Isso inclui, por exemplo, comunicação de más notícias, anamnese, entrevista motivacional e trabalho em equipe.

Contexto: Serão incluídos estudos realizados no contexto da educação médica de graduação, em qualquer país ou instituição de ensino.

Tipos de Fonte: Serão considerados todos os desenhos de estudo primários (quantitativos, qualitativos e métodos mistos), bem como textos de opinião, artigos de revisão, relatos de experiência e documentos institucionais ou curriculares. Teses, dissertações e anais de eventos também poderão ser incluídos.

Idioma: Serão incluídos estudos publicados em português e inglês.

Período: De 2018 até 2025.

3.3 Estratégia de Busca

A estratégia de busca foi desenvolvida em três etapas, conforme recomendação do manual do Instituto Joanna Briggs (JBI) para revisões de escopo. Uma busca preliminar foi realizada na base de dados PubMed para identificar artigos relevantes sobre a temática. Esta etapa inicial tem como objetivo analisar os títulos, resumos e termos de indexação (MeSH) dos estudos recuperados, permitindo o refinamento da estratégia de busca completa e a identificação de palavras-chave adicionais não previstas inicialmente. Após o refinamento dos termos, foi realizada uma busca sistemática e abrangente exclusivamente na base de dados PubMed. A escolha desta base justifica-se por sua ampla cobertura da literatura biomédica e de educação médica, incluindo indexação de periódicos de alto impacto internacionalmente reconhecidos na área de ciências da saúde e educação.

A estratégia de busca combinou descritores controlados (MeSH) e palavras-chave relevantes, utilizando os operadores booleanos AND e OR, conforme detalhado no Quadro 1.

Conceito

Descritores MeSH/DeCS

Intervenção

“Simulation Training” (MeSH)

Conceito de Interesse

“Heakth Communication” (MeSH)

População/Contexto

“Education, Medical (MeSH)

Esta estratégia foi aplicada buscando trabalhos publicados desde 2018, para capturar a evolução histórica da produção científica sobre o tema, com busca até a data atual da consulta. Foram aplicados filtros de idioma para português e inglês

3.4 Seleção dos Estudos

Após a execução da busca, todos os resultados foram exportados para um gerenciador de referências (como EndNote, Mendeley ou Zotero) para remoção de duplicatas. O processo de seleção foi realizado em duas fases por dois revisores independentes:

Triagem de títulos e resumos: Dois revisores analisaram, de forma independente, os títulos e resumos de todos os estudos identificados, aplicando os critérios de elegibilidade previamente definidos. Estudos que claramente não atenderam aos critérios serão excluídos.

Leitura na íntegra: Os textos completos dos estudos potencialmente relevantes foram recuperados e lidos na íntegra pelos mesmos dois revisores, de forma independente, para confirmar a elegibilidade.

3.5 Extração dos Dados

Os dados dos estudos incluídos foram extraídos por um revisor utilizando um instrumento padronizado, desenvolvido pelos autores com base na ferramenta proposta pelo Instituto Joanna Briggs (JBI), e um segundo revisor verificará de forma independente a precisão e a integralidade das informações extraídas, garantindo o rigor do processo. O instrumento de extração foi inicialmente testado em uma amostra reduzida de estudos para assegurar que capture adequadamente todas as informações relevantes, permitindo ajustes e refinamentos necessários antes de sua aplicação em larga escala, sendo que quaisquer modificações realizadas durante o processo foram devidamente documentadas para assegurar a transparência metodológica. As seguintes informações foram extraídas dos estudos selecionados, quando disponíveis: dados de identificação, incluindo autor(es), ano de publicação, país de origem e tipo de publicação (artigo científico, tese, dissertação, relato de experiência ou anais de evento); características do estudo, como objetivo, desenho metodológico, população investigada (número de participantes, características demográficas e ano do curso de medicina que os estudantes frequentavam); detalhes da intervenção de simulação realizada, abrangendo o tipo de simulação empregada (pacientes padronizados, simuladores de alta fidelidade, atores, cenários simulados), o cenário comunicacional especificamente abordado, a frequência e duração da atividade, a realização de debriefing estruturado e a forma de integração da simulação no currículo médico; detalhes do conceito de interesse, ou seja, as habilidades de comunicação especificamente trabalhadas e os instrumentos de avaliação utilizados para mensurar o desenvolvimento dessas competências; e, por fim, os principais achados dos estudos, incluindo resultados relacionados à efetividade da simulação no desenvolvimento de habilidades comunicacionais, percepções de estudantes e docentes sobre a experiência, desafios e barreiras identificados para a implementação da metodologia, e recomendações propostas pelos autores para a prática educacional e pesquisas futuras.

4. RESULTADOS

Com base na estratégia de busca que gerou os 21 resultados, que após realização de triagem seguindo os critérios de inclusão e exclusão originaram 16 trabalhos que compõem o resultado dessa pesquisa. O resultado foi apresentado em uma tabela detalhada com os artigos recuperados, incluindo autor, ano de publicação e as principais conclusões de cada estudo.

Ano

Autores

Título

Principais Conclusões

2025

Lavallée

Preparation for Practice: Facilitating the Transition From Student to Physician Associate

Um total de 57 alunos do último ano do curso de Assistente Médico participaram, e coletamos feedback de 56 alunos. Todos os alunos avaliaram o conteúdo do curso como altamente útil, e 96% deles classificaram a qualidade do curso como alta. Os alunos relataram maior confiança em habilidades complexas de comunicação clínica (p < 0,001).

2025

Bosshard

Improving breaking bad news communication skills through stress arousal reappraisal and worked examples

A intervenção WE melhorou significativamente o desempenho na comunicação verbal e não verbal, enquanto a intervenção SAR melhorou apenas a comunicação não verbal. A combinação de SAR com WE não gerou melhorias adicionais na comunicação não verbal além daquelas alcançadas por cada intervenção isoladamente.

2023

Bosshard

From threat to challenge-Improving medical students' stress response and communication skills performance through the combination of stress arousal reappraisal and preparatory worked example-based learning when breaking bad news to simulated patients: study protocol for a randomized controlled trial

Os resultados fornecerão informações únicas sobre a psicofisiologia de estudantes de medicina que são submetidos a tarefas de raciocínio baseado em ameaças (RBA). Os parâmetros podem ser compreendidos de forma mais abrangente a partir da perspectiva do desafio e da ameaça, e relacionados aos resultados de desempenho. Se comprovadamente eficazes, as intervenções avaliadas poderão ser incorporadas ao currículo dos estudantes de medicina e facilitar a aquisição de habilidades em RBA.

2022

Moura

Communication skills preparedness for practice: Is there a key ingredient in undergraduate curricula design?

Programas integrados, com forte componente experimental, que combinam estratégias de simulação de pacientes com supervisão contínua e feedback centrado no aluno, estiveram associados a maior preparo. Esses resultados apoiam a expansão de um modelo educacional baseado em estratégias de simulação e estruturado longitudinalmente ao longo do currículo de graduação em medicina.

2021

Maclaine

The use of simulation in medical student education on the topic of breaking bad news: A systematic review

Os pacientes simulados permitem que os alunos pratiquem habilidades essenciais de comunicação básica sem comprometer o atendimento ao paciente. Apesar da heterogeneidade das formas como os pacientes simulados têm sido utilizados, os benefícios das diferentes abordagens, bem como quando e como elas devem ser aplicadas, ainda não estão claros.

2021

Karnielle-Miller

The associations between reflective ability and communication skills among medical students

Uma elevada capacidade reflexiva pode melhorar as habilidades de comunicação. Especificamente, a capacidade de perceber as explicações aos pacientes pode aprimorar a capacidade posterior de adaptar as informações aos pacientes e abordar as emoções com empatia.

2021

Vermylen

Promoting Readiness for Residency: Embedding Simulation-Based Mastery Learning for Breaking Bad News Into the Medicine Subinternship

É viável incorporar o SBML (Aprendizagem Baseada em Habilidades) em um estágio obrigatório. No contexto deste estudo, o SBML rigoroso resultou em níveis uniformemente altos de aquisição de habilidades, competência documentada e foi recebido positivamente pelos alunos.

2020

Schmitz

Learning how to break bad news from worked examples: Does the presentation format matter when hints are embedded? Results from randomised and blinded field trials

Apenas um efeito principal das 'dicas' foi revelado, o que implica que os alunos nos grupos que receberam dicas transmitiram a notícia a um paciente simulado de forma significativamente mais apropriada do que aqueles nos grupos que não receberam dicas.

2020

Carrard

Virtual patient simulation in breaking bad news training for medical students

Os resultados mostram que as simulações de vídeo-apresentação ajudam a desenvolver competências de comunicação técnica e são mais adequadas como complemento a outras formas de treinamento, nas quais os aspectos relacionais podem ser abordados. A auto-observação é especialmente valorizada porque permite uma visão crítica dos próprios comportamentos

2020

Carrard

Undergraduate training in breaking bad news: A continuation study exploring the patient perspective

.A avaliação por AP demonstrou melhora significativa entre o pré e o pós-treinamento. Esse resultado fornece evidências adicionais e complementares dos efeitos positivos do treinamento individualizado em BBN sob a perspectiva do AP, um indicador da experiência de pacientes (reais).

2019

Servotte

Efficacy of a Short Role-Play Training on Breaking Bad News in the Emergency Department

Um breve treinamento em simulação de BBN pode ser adicionado aos estágios clínicos padrão. Ele tem o potencial de melhorar significativamente a autoeficácia, o processo de BBN e as habilidades de comunicação

2019

Vermylen

Development of a Simulation-Based Mastery Learning Curriculum for Breaking Bad News

Foi desenvolvida uma ferramenta de avaliação BBN contendo uma lista de verificação com 15 itens e seis itens escalonados. O desempenho dos alunos na lista de verificação melhorou significativamente no pós-teste em comparação com a linha de base (média de 65,33%, DP = 12,09% vs. média de 88,67%, DP = 9,45%, p < 0,001). Os alunos também apresentaram uma probabilidade significativamente maior de obter uma pontuação de pelo menos 4 (em uma escala de cinco pontos) para as seis questões escalonadas no pós-teste. O MPS foi definido em 80%, exigindo uma pontuação de 12 itens na lista de verificação e pelo menos 4 de 5 para cada item escalonado. Utilizando o MPS, 30% dos alunos necessitariam de treinamento adicional após o pós-teste.

2019

Brouwers

Training Undergraduates Skills in Breaking Bad News: How Students Value Educators' Feedback

O feedback sobre o treinamento de habilidades para DMN, fornecido por cirurgiões e pacientes simulados, foi considerado igualmente útil pelos alunos e foi considerado específico, útil e positivo. Ao elaborar um treinamento em BBN (Broadcast Behavioral Network), vale a pena considerar o envolvimento de pacientes simulados, bem como de profissionais clínicos.

2019

Palmer

Effect of In-Class vs Online Education on Sexual Health Communication Skills in First-Year Medical Students: a Pilot Study

Este estudo, embora limitado por um desenho de estudo em um único local e pelo pequeno número de participantes, oferece evidências preliminares que, se confirmadas, podem sugerir que o aprendizado presencial com um psiquiatra (em comparação com um módulo online) está associado a uma maior empatia verbal na avaliação da disfunção sexual relacionada ao uso de ISRS.

2019

Yakhforoshha

Effectiveness of Integrating Simulation with Art-Based Teaching Strategies on Oncology Fellows' Performance Regarding Breaking Bad News

Nossos resultados mostraram que o uso de simulação integrada com estratégias de ensino baseadas em arte pode ajudar os residentes de oncologia a aprimorar suas habilidades de comunicação em diferentes aspectos do desempenho em BBN.

2018

Schmitz

The learning effects of different presentations of worked examples on medical students' breaking-bad-news skills: A randomized and blinded field trial

O grupo que utilizou o vídeo com dicas comunicou más notícias aos pacientes simulados de forma significativamente mais adequada do que os outros dois grupos. Embora nenhum outro efeito relacionado à condição tenha sido observado, os alunos que aprenderam com a versão em texto ignoraram com mais frequência (embora sem significância estatística) as emoções desagradáveis ​​(indicando sinais emocionais e preocupações padronizadas) expressas pelos pacientes simulados.

5. DISCUSSÃO

A presente revisão de escopo mapeou 16 estudos publicados entre 2018 e 2025 sobre o uso da simulação realística no ensino de habilidades de comunicação em cursos de medicina, permitindo identificar tendências, evidências de efetividade e lacunas que merecem reflexão aprofundada. Observa-se concentração de publicações nos anos de 2019 e 2020, que juntos representam 56,2% do total de estudos recuperados, o que reflete o crescente interesse pela temática na educação médica contemporânea, possivelmente impulsionado pelas reformas curriculares que enfatizam metodologias ativas e o desenvolvimento de competências comunicacionais desde os primeiros anos da graduação. A comunicação de más notícias predomina como cenário investigado, estando presente em 81,2% dos artigos analisados, o que corrobora a literatura que aponta esta habilidade como uma das mais desafiadoras e que demanda preparo técnico e emocional específico dos futuros médicos (MARCIDELLI et al., 2024), além de ser favorecida pela existência de protocolos estruturados como o SPIKES, que facilitam o delineamento de intervenções educacionais e a avaliação de desfechos.

Os estudos analisados convergem para o reconhecimento da simulação realística como estratégia efetiva para o desenvolvimento de habilidades comunicacionais em estudantes de medicina. A revisão sistemática conduzida por Maclaine, Lowe e Dale (2021) sintetizou as evidências disponíveis, concluindo que a simulação promove melhora significativa na autoconfiança, na competência técnica e na qualidade da comunicação avaliada por instrumentos padronizados. Resultados particularmente relevantes foram apresentados por Bosshard et al. (2025), demonstrando que a combinação de simulação com estratégias de reavaliação do estresse e exemplos trabalhados (worked examples) potencializa o desempenho comunicacional dos estudantes, achado que dialoga com as percepções discentes reportadas por Moliterno et al. (2024), que identificaram a redução da ansiedade como um dos principais benefícios percebidos pelos alunos que participam de cenários simulados antes do contato com pacientes reais. A efetividade da simulação mostrou-se consistente em diferentes modalidades de implementação, como demonstrado por Vermylen et al. (2020), que descreveram a incorporação da simulação no subinternato de medicina clínica e evidenciaram que o treinamento baseado em domínio (mastery learning) promove ganhos sustentados nas habilidades de comunicação de más notícias, e por Schmitz et al. (2018; 2020), que investigaram diferentes formatos de apresentação de exemplos trabalhados e concluíram que a aprendizagem baseada em modelos estruturados potencializa o desenvolvimento de competências comunicacionais quando associada à prática simulada.

A importância do debriefing e do feedback estruturado emergiu como tema recorrente nos estudos analisados, sendo apontado como componente essencial para a efetividade da simulação. Brouwers et al. (2019) investigaram especificamente como os estudantes valorizam o feedback dos educadores durante o treinamento de habilidades de comunicação, concluindo que a qualidade da devolutiva é determinante para a aprendizagem significativa, devendo o feedback ser imediato, específico e equilibrado entre aspectos positivos e oportunidades de melhoria, características que se alinham às recomendações de Santos et al. (2025) sobre a estruturação do debriefing em simulação realística. Karnieli-Miller et al. (2021) ampliaram esta discussão ao investigar as associações entre capacidade reflexiva e habilidades de comunicação entre estudantes de medicina, indicando que alunos com maior capacidade de reflexão sobre suas experiências apresentam melhor desempenho comunicacional, o que sugere que o debriefing, enquanto espaço estruturado de reflexão, pode contribuir não apenas para o desenvolvimento imediato de habilidades, mas também para a formação de profissionais mais reflexivos e autocríticos ao longo da carreira.

Um aspecto particularmente relevante identificado na literatura é a incorporação da perspectiva do paciente na avaliação das habilidades comunicacionais. Carrard et al. (2020), em estudo de continuação sobre treinamento em comunicação de más notícias, analisaram as percepções de pacientes reais sobre o desempenho de estudantes treinados com simulação, evidenciando que pacientes identificam como mais competentes os alunos que demonstram empatia, clareza na informação e atenção às necessidades emocionais, habilidades que podem ser efetivamente trabalhadas em cenários simulados com pacientes padronizados. Esta constatação reforça os achados de Gorski et al. (2022) sobre a superioridade do treinamento com pacientes simulados em comparação à dramatização entre pares para o desenvolvimento de atitudes centradas no paciente, uma vez que a perspectiva do paciente, quando incorporada ao feedback durante o treinamento simulado, contribui para que o estudante desenvolva não apenas competências técnicas, mas também a sensibilidade necessária para compreender o adoecimento a partir da vivência de quem o experiencia.

Observa-se também crescente interesse por modalidades alternativas e complementares de simulação, embora o uso de pacientes padronizados e atores ainda predomine na literatura. Carrard et al. (2020) investigaram o uso de simulação com pacientes virtuais para o treinamento de comunicação de más notícias, demonstrando viabilidade e aceitação pelos estudantes, embora com limitações na fidelidade emocional dos cenários, achado que dialoga com as reflexões de Dal Sasso Bessa et al. (2024) sobre a convergência entre simulação realística e serious games, apontando para possibilidades de integração de diferentes tecnologias educacionais no currículo médico. Palmer et al. (2019) compararam o ensino presencial versus online para o desenvolvimento de habilidades de comunicação em saúde sexual, tema sensível e frequentemente negligenciado na graduação, indicando que ambas as modalidades promoveram ganhos nas habilidades comunicacionais e sugerindo que abordagens híbridas podem ser particularmente úteis para tópicos que demandam privacidade e exposição gradual dos estudantes.

A transição do estudante para a prática profissional constitui preocupação central nos estudos mais recentes, refletindo a preocupação com a preparação para o exercício profissional. Lavallée et al. (2025) investigaram estratégias para facilitar a transição do estudante para a prática como profissional, identificando a simulação como ferramenta fundamental para o desenvolvimento de competências que serão exigidas no cotidiano assistencial e destacando que a exposição gradual a situações complexas em ambiente simulado reduz o impacto do choque de realidade frequentemente experimentado por recém-formados. Moura et al. (2022) analisaram fatores associados à percepção de preparo para a prática em relação às habilidades comunicacionais, concluindo que a integração curricular longitudinal e a oportunidade de prática deliberada com feedback são preditores de maior confiança e competência ao final da graduação, achado que corrobora as recomendações de Santos et al. (2025) sobre a necessidade de incorporar a simulação de forma sistemática e não episódica ao longo do curso médico.

A despeito da consistência dos achados favoráveis à simulação, os estudos analisados apresentam limitações metodológicas que merecem discussão cuidadosa. Predominam desenhos quase-experimentais e estudos de intervenção sem grupo controle, com apenas um ensaio clínico randomizado identificado no período (BOSSHARD et al., 2023), o que limita a robustez das evidências sobre relações causais entre exposição à simulação e melhoria efetiva das competências comunicacionais. A heterogeneidade dos instrumentos de avaliação constitui obstáculo à comparabilidade dos resultados, conforme já apontado por Maclaine, Lowe e Dale (2021) em sua revisão sistemática, dificultando a síntese do conhecimento e a identificação de melhores práticas. Observa-se também concentração geográfica dos estudos, com predomínio de pesquisas conduzidas em países europeus (Suíça, Bélgica, Países Baixos) e norte-americanos (Estados Unidos), em detrimento de contextos de países de média e baixa renda, onde os desafios para implementação da simulação podem ser distintos, lacuna que limita a generalização dos achados para realidades socioeconômicas e culturais diversas, conforme discutido por Moliterno et al. (2024) no contexto brasileiro.

A análise dos estudos permitiu identificar lacunas importantes que devem orientar investigações futuras. A escassez de estudos longitudinais que acompanhem os estudantes após a graduação limita a compreensão sobre a transferência das habilidades desenvolvidas em ambiente simulado para a prática clínica real, com apenas estudos isolados apresentando follow-up de curto prazo, insuficiente para avaliar a sustentabilidade dos ganhos ao longo da carreira profissional. A predominância de desfechos centrados no estudante (autoconfiança, satisfação, percepção de aprendizado) em detrimento de desfechos centrados no paciente (adesão terapêutica, satisfação do paciente, desfechos clínicos) constitui limitação relevante, sendo que estudos como o de Carrard et al. (2020), que incorporam a perspectiva do paciente, são ainda incipientes e merecem expansão. Observa-se também relativa escassez de investigações sobre custo-efetividade da simulação para o ensino de habilidades comunicacionais, considerando os recursos significativos demandados por simuladores de alta fidelidade e pela contratação de pacientes padronizados, sendo que estudos que avaliem a relação custo-benefício em comparação a estratégias menos onerosas são fundamentais para orientar decisões institucionais. Por fim, a integração entre simulação realística e outras metodologias ativas, como a aprendizagem baseada em problemas e o portfólio reflexivo, permanece pouco explorada na literatura, com Schmitz et al. (2018; 2020) dando passos importantes ao investigar a combinação com exemplos trabalhados, mas o potencial de abordagens multimodais para o desenvolvimento de competências comunicacionais complexas ainda demanda investigação sistemática.

Os achados desta revisão oferecem subsídios importantes para o aprimoramento do ensino de habilidades comunicacionais nos cursos de medicina. A consistência das evidências sobre a efetividade da simulação recomenda sua incorporação sistemática aos currículos, preferencialmente de forma longitudinal e integrada a diferentes cenários de prática, como sugerido por Vermylen et al. (2019; 2020) ao descreverem o desenvolvimento de currículos baseados em domínio para comunicação de más notícias. A centralidade do debriefing e do feedback estruturado, reiterada por múltiplos estudos (BROUWERS et al., 2019; SERVOTTE et al., 2019), demanda investimento na formação de facilitadores capazes de conduzir sessões reflexivas que promovam aprendizagem significativa em ambiente psicologicamente seguro. A concentração de estudos na comunicação de más notícias não deve obscurecer a importância de outras habilidades comunicacionais igualmente relevantes, como a comunicação em situações de conflito, a abordagem de questões sensíveis e a negociação de planos terapêuticos, sendo necessária a diversificação dos cenários simulados para contemplar o continuum da comunicação em saúde e garantir a formação integral do futuro médico.

Em síntese, a literatura analisada evidencia que a simulação realística constitui estratégia pedagógica efetiva para o desenvolvimento de habilidades de comunicação em estudantes de medicina, com benefícios consistentes para a autoconfiança, a competência técnica e a abordagem centrada no paciente, especialmente no contexto da comunicação de más notícias. Avanços metodológicos são necessários para superar as limitações identificadas, com destaque para a necessidade de estudos longitudinais, a padronização de instrumentos de avaliação, a incorporação de desfechos centrados no paciente e a expansão das investigações para contextos geográficos e culturais diversos, o que contribuirá para a compreensão mais abrangente dos fatores que moderam a efetividade da simulação no ensino da comunicação em medicina.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta revisão de escopo analisou 16 estudos publicados entre 2018 e 2025 sobre o uso da simulação realística no ensino de habilidades de comunicação em medicina. Os achados demonstram que a simulação é uma estratégia efetiva para o desenvolvimento de competências comunicacionais, especialmente na comunicação de más notícias, com benefícios comprovados para a autoconfiança, a competência técnica e a abordagem centrada no paciente.

O debriefing e o feedback estruturado destacam-se como componentes essenciais para a efetividade da simulação, sendo o momento de maior aprendizagem na percepção dos estudantes. A qualidade da devolutiva e um ambiente psicologicamente seguro são determinantes para o desenvolvimento profissional.Apesar dos resultados positivos, a produção científica apresenta limitações: predominam estudos com desenhos metodológicos frágeis, instrumentos de avaliação heterogêneos e concentração geográfica em países de alta renda. Faltam investigações longitudinais sobre a transferência das habilidades para a prática clínica e estudos de custo-efetividade. Recomenda-se a incorporação sistemática da simulação nos currículos médicos, com diversificação de cenários comunicacionais e investimento na formação de facilitadores. Para pesquisas futuras, são necessários estudos com maior rigor metodológico, instrumentos padronizados e desfechos centrados no paciente, além de investigações em diferentes contextos culturais. Conclui-se que a simulação realística é ferramenta valiosa para a formação de médicos mais competentes e humanizados, mas o avanço da área depende da superação das limitações metodológicas identificadas para que as evidências possam subsidiar adequadamente políticas educacionais.

REFERÊNCIAS

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KARNIELI-MILLER, Orit et al. The associations between reflective ability and communication skills among medical students. Patient education and counseling, v. 104, n. 1, p. 92-98, 2021.

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YAKHFOROSHHA, Afsaneh et al. Effectiveness of integrating simulation with art-based teaching strategies on oncology fellows’ performance regarding breaking bad news. Journal of Cancer Education, v. 34, n. 3, p. 463-471, 2019.

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MOLITERNO, Nathalia Veiga et al. A percepção do estudante de medicina sobre a simulação realística em pediatria. Revista Brasileira de Educação Médica, v. 48, n. 1, 2024.

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