Palavras-chave
Enfermagem
Prevenção
Prevenção da gravidez na adolescência: atribuições do enfermeiro na atenção básica
Prevention of teenage pregnancy: the roles of the nurse in primary care
Ana Beatriz do Rosário Silva[1]
Ivani Melo Oliveira[2]
Joseph Ranei Oliveira Pereira[3]
Larissa da Costa Rosário[4]
Nayane Paixão Costa de Brito[5]
Jamilly Karoliny da Silva Miranda[6]
Resumo
Introdução: A adolescência é um período marcado por diversas transformações fisiológicas, biológicas e emocionais, ficando mais vulneráveis e sensíveis, principalmente a vivências ligadas à sexualidade. O enfermeiro é peça fundamental para criar estratégias com o intuito de prevenir uma gravidez precoce, além de evitar todos os transtornos que uma gravidez proporciona. Objetivo: Identificar as intervenções do enfermeiro na prevenção da gravidez na adolescência, com o intuito de evitar complicações para mãe e filho. Metodologia: Pesquisa de revisão bibliográfica, com abordagem qualitativa, tendo como base de dados, BVS, LILACS e SCIELO, foram utilizadas publicações entre os anos de 2019 e 2025 para desenvolvimento do estudo. Resultados: As pesquisas apontam que uma gravidez precoce apresenta várias complicações para a jovem, que acabam impactando diretamente o seu convívio social e familiar. Neste cenário, o enfermeiro torna-se importante para atuar na prevenção da gravidez, sejam em consultas, palestras em escolas ou na comunidade. Conclusão: Torna-se necessário reconhecer os problemas, assim como as causas que contribuem para a gravidez precoce, analisar a eficácia e o impacto dos cuidados preventivos prestados pelos enfermeiros, a fim de desenvolver e implementar medidas mais eficazes para combater a gravidez na adolescência e seu impacto na vida dos adolescentes envolvidos.
Palavras-chave: Gravidez na adolescência; Enfermagem; Prevenção
Abstract
Introduction: Adolescence is a period marked by several physiological, biological, and emotional transformations, making adolescents more vulnerable and sensitive, especially to experiences related to sexuality. Nurses play a fundamental role in creating strategies to prevent early pregnancy, as well as avoiding all the problems that pregnancy brings. Objective: To identify the nurse's interventions in preventing teenage pregnancy, with the aim of avoiding complications for mother and child. Methodology: A bibliographic review study with a qualitative approach, using the databases BVS, LILACS, and SCIELO, with publications from 2019 to 2025, was used for the development of the study. Results: Research indicates that early pregnancy presents several complications for young women, which directly impact their social and family life. In this scenario, the nurse becomes important in acting in pregnancy prevention, whether through consultations, lectures in schools, or in the community. Conclusion: It is necessary to recognize the problems, as well as the causes that contribute to early pregnancy, and to analyze the effectiveness and impact of preventive care provided by nurses, in order to develop and implement more effective measures to combat teenage pregnancy and its impact on the lives of the adolescents involved.
Keywords: Teenage pregnancy; Nursing; Prevention
1 Introdução
A adolescência é uma fase da vida com suas próprias particularidades, marcada por mudanças físicas, sociais e psicológicas, como também, no campo da sexualidade, englobando a passagem da infância para a vida adulta, sendo que cada indivíduo experimenta essas mudanças da sua maneira, de acordo com o contexto que está inserido. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera adolescentes, indivíduos com idade entre 10 e 19 anos, nessa fase da vida existe maior necessidade de tratar da sexualidade, com o intuito de evitar uma gravidez precoce (Batista et al., 2021).
No entanto a gravidez na adolescência, especificamente, se caracteriza pelo baixo nível socioeconômico, baixa escolaridade e pelos problemas familiares. Em vista disso, esse assunto é um grave problema de saúde pública e risco social (Almeida et al., 2021).
Segundo dados do Governo Federal, a cada uma hora nascem 44 bebês de mães adolescentes no Brasil, sendo que dessas 44 mães, duas tem idade entre 10 e 14 anos. Esse mesmo dado aponta que, por dia, cerca de 1.043 adolescentes tornam-se mães no Brasil. As informações são do Sistema de Informações sobre nascidos vivos (Ferreira, 2025).
Entende-se que as consequências de uma gravidez precoce podem acometer profundamente a vida da gestante e a sua saúde, bem como a saúde do seu filho, envolvendo questões como parto prematuro, anemia materna, infecções, doença hipertensiva, aborto e, inclusive, risco de morte. A gravidez na adolescência pode interferir na continuidade dos estudos da gestante e no seu desenvolvimento pessoal e profissional, gerando grandes responsabilidades para as quais a adolescente pode não estar preparada (Santos et al., 2023).
Diante este cenário, o enfermeiro possui um papel relevante nesse processo, pois possui os conhecimentos necessários para serem utilizados na realização de busca ativa e identificação dos problemas enfrentados pelos adolescentes, corroborando para métodos de intervenção eficazes, pautados por meio de ações educativas de prevenção à gravidez precoce e métodos contraceptivos, tendo em vista que é nesta faixa etária que se retrata o início de vida sexual e, portanto, maior vulnerabilidade as infecções sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada (Almeida et al., 2021).
Justifica-se a escolha do tema mediante o número crescente de gravidez precoce, mesmo com todas as políticas públicas existentes que amparam as jovens durante esse ciclo. Ressalta-se ainda as inúmeras complicações que uma gravidez na adolescência pode trazer para mãe e filho, aspectos que ultrapassam o processo fisiológico, mas também sociais e culturais. Os inúmeros problemas identificados, requerem uma assistência humanizada e adequada dos profissionais Enfermeiros para tratar questões preventivas e educativas com o público adolescente e família.
Diante o exposto, o objetivo do estudo é identificar as intervenções realizadas por enfermeiros dentro da atenção básica na prevenção da gravidez na adolescência, contribuindo assim, para a redução das taxas de morbimortalidade materna e complicações para o binômio mãe-filho.
2 Revisão da Literatura
2.1 Gravidez na adolescência
Quando uma adolescente entra no período da gestação, resulta no ingresso precoce da vida adulta, sem nenhum preparo psicológico, modificando totalmente o seu estilo de vida. A falta de orientação sexual, a baixa escolaridade, baixas condições socioeconômicas, história materna de gestação na adolescência, a falta de diálogo com os pais, o não uso de métodos contraceptivos, e/ou uso inadequado dos métodos, são fatores predisponentes de uma gravidez não planejada (Souza e Fernandes, 2022).
Nota-se ainda a existência de outros fatores que também colaboram com o surgimento de uma gravidez precoce, como a influência dos meios de comunicação e da mídia, a existência de tabus na abordagem ao tema, principalmente no convívio familiar, a falta de diálogo sobre questões sexuais nas escolas, desestruturação familiar e a necessidade de autoafirmação social (Pereira, 2019).
Em alguns casos, a gravidez entre as jovens faz parte de um desejo inconsequente, mas na maioria das vezes, é uma surpresa inesperada, que gera uma série de conflitos emocionais, instabilidade no ambiente familiar, abandono da escola e afastamento do convívio social, uma série de consequências das quais os jovens não refletem quando decidem dar o primeiro passo para a vida sexual (Sousa, 2022).
Além disso, a gravidez na adolescência pode acarretar complicações tanto para a mãe quanto para o feto, relacionadas ao fato de que as adolescentes estão em fase de crescimento e desenvolvimento físico, emocional e social. Ainda assim, destaca-se que essas jovens podem passar por gestações saudáveis. No entanto, é fundamental que as adolescentes grávidas recebam cuidados pré-natais adequados, apoio emocional e educacional para minimizar riscos potenciais (Lucas et al., 2023).
Entretanto, entre as principais complicações associadas à gravidez na adolescência, destacam-se o aumento do risco de resultados adversos, como nascimento prematuro, baixo peso ao nascer, óbitos maternos e depressão pós-parto. Além disso, os fatores mais frequentemente relacionados à mortalidade durante a gestação, o parto e o pós-parto em adolescentes incluem hipertensão, hemorragias, infecções puerperais, abortos, anemia, desnutrição, eclampsia e desproporção céfalo-pélvica (Ferreira et al., 2025).
2.2 Impactos da gravidez na adolescência
A gravidez precoce tem repercussões em diversos aspectos na vida da adolescente, bebê e família. Nesta fase, a jovem não está preparada para encarar um desafio de tamanha proporção, como o de ser mãe, sendo que tal despreparo não é apenas psicológico e emocional, mas também fisiológico, pois o seu corpo não está plenamente formado, levando a uma gravidez de risco (Bezerra e Matos, 2022).
Além dos riscos físicos, a dimensão psicológica também merece atenção, pois a gestação precoce, especialmente quando não planejada, pode gerar sentimento de culpa e insegurança, levando ao isolamento e à negação da gravidez. Tais fatores, somados à imaturidade emocional característica da adolescência, aumentam o risco de transtornos mentais e dificultam a adesão ao pré-natal e aos cuidados com o bebê (Barbosa et al., 2025).
Logo, os impactos emocionais que se apresentam nesse período, deixam experiências negativas a jovem mãe, por desenvolverem sentimentos de medo, incerteza, angústia e ansiedade em relação ao futuro, ao mesmo tempo em que lida com as mudanças físicas e hormonais da gravidez (Costa et al., 2024).
No entanto, adolescentes grávidas também enfrentam estigmatização e isolamento social, além disso, podem ter dificuldades em acessar recursos e apoio adequados, o que é importante para garantir a saúde e o bem-estar tanto da mãe quanto da criança. Ademais, a identificação e o entendimento dos impactos físicos e emocionais associadas à gestação na adolescência são fundamentais para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes, programas de apoio e intervenções de educação em saúde que possam mitigar as consequências negativas para as adolescentes, suas famílias e a sociedade como um todo (Castilho, Mattos e Pedrosa, 2024).
Percebe-se ainda, que uma gravidez pode acabar repercutindo de várias formas negativas na vida das adolescentes, tornando mais difícil a continuidade dos estudos e consequentemente, o abandono. A evasão escolar muitas vezes não acontece somente pelo fato da adolescente estar grávida, mas por vergonha das mudanças que o corpo apresentará, preconceito dos colegas, e pela falta de apoio da família, dos amigos e da escola (Souza e Fernandes, 2022).
2.3 Prevenção da gravidez na adolescência
Almeida et al., (2021) relatam que, na fase da adolescência, as práticas sexuais tornam-se mais explícitas e a não utilização dos métodos contraceptivos ou de barreiras tornam essas pessoas mais propícias a desenvolverem uma gravidez indesejada e predispostas a doenças sexualmente transmissíveis. Quanto mais cedo for iniciado a prevenção e promoção de saúde para o não acontecimento desses problemas, menores serão os agravamentos trazidos a esses adolescentes.
Nesse contexto, Coimbra et al., (2022) afirmam que o enfermeiro desempenha um papel importante na atenção primária, onde juntamente com a equipe da atenção básica, realiza ações de educação em saúde sobre temas variados e dentre eles a sexualidade, engajando as famílias, escolas e comunidades, estimulando o interesse dos adolescentes em ampliar conhecimentos, desenvolver habilidades e atitudes. E dessa forma adquirindo conhecimento para uma vida sexual mais responsável, efetiva e segura.
Os adolescentes precisam compreender e saber como lidar com as mudanças que ocorrem durante a puberdade, a fim de se tornarem adultos sexuais saudáveis. Programas regulares de saúde escolar que abordam a puberdade na adolescência são estratégias positivas para discutir questões de saúde sexual e reprodutiva. Além disso, é importante levar em conta as restrições culturais e religiosas que dificultam a abordagem de certos conteúdos (Silva e Medeiros, 2023).
Em vista disso, o enfermeiro precisa desenvolver uma comunicação habilidosa com ações diferenciadas, de maneira que os jovens sejam capazes de reconhecer as mudanças da puberdade, a necessidade de se proteger em relação às infecções sexualmente transmissíveis e à gravidez não planejada. Desta forma, torna-se imprescindível a realização de palestras regulares nas escolas e a distribuição de cartilhas educativas e o ensinamento do uso dos métodos contraceptivos para obter uma vida sexual saudável (Souza e Fernandes, 2022).
Ademais, Silva e Bussinguer (2025) destacam que o enfermeiro desempenha papel central na elaboração e implementação de estratégias que envolvam tanto os adolescentes quanto a comunidade, com foco na promoção da saúde e na prevenção da gravidez precoce. Suas ações devem contemplar, além da orientação sobre métodos contraceptivos, a criação de espaços de escuta e acolhimento, o estímulo ao diálogo aberto e à reflexão sobre os impactos e responsabilidades da maternidade na adolescência. Nesse sentido, a articulação com o Programa Saúde na Escola (PSE) é enfatizada como ferramenta eficaz, integrando a educação sexual às ações de promoção da saúde, o que potencializa os efeitos das intervenções realizadas.
3 Metodologia
O presente estudo trata-se de uma revisão bibliográfica com abordagem qualitativa. De acordo com Cavalcante e Oliveira (2020) os estudos de revisão bibliográfica caracterizam-se pelo uso e análise de documentos de domínio científico, tais como livros, teses, dissertações e artigos científicos; sem recorrer diretamente aos fatos empíricos. Portanto esse tipo de pesquisa utiliza fontes secundárias.
A pesquisa qualitativa, no entanto, trata-se de uma abordagem fundamental na investigação científica, que se baseia na compreensão aprofundada e na interpretação dos fenômenos estudados. Os fundamentos da pesquisa qualitativa estão ancorados em princípios teóricos e metodológicos que orientam a coleta e a análise dos dados (Guerra et al., 2024).
Para a coleta de dados, foram utilizadas as seguintes plataformas: Biblioteca virtual em saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Latino-Americano e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). Os descritores utilizados foram: Gravidez na adolescência, Enfermagem e Prevenção, sendo combinados pelos operadores booleanos (AND) e (OR). Ao todo, foram selecionadas 21 obras para desenvolvimento da pesquisa.
Foram incluídos materiais com abordagem direta ao tema proposto, além de obras completas e na íntegra, assim como publicações disponíveis na língua portuguesa. O período temporal para seleção dos dados foi entre os anos de 2019 e 2025. Em contrapartida, foram excluídos todos os materiais que não estavam de acordo com as propostas delimitadas no estudo.
4 Resultados e Discussões
A gravidez na adolescência é um desafio complexo e preocupante que demanda a implementação de estratégias eficazes de prevenção. As políticas públicas desempenham um papel fundamental nesse processo, proporcionando diretrizes e abordagens voltadas para a promoção da saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes (Cruz; Favarini e Pereira, 2023).
No entanto, mesmo com o trabalho da equipe de saúde, as ações parecem ser poucas para a prevenção da gravidez precoce. Nesta fase, requer um olhar holístico dos profissionais de saúde, destacando-se a assistência de enfermagem capacitada para lidar com esse público. Os adolescentes não frequentam os serviços de saúde e geralmente não existe uma estrutura apropriada para atendê-los; faltam recursos capazes para preencher todas as demandas, impossibilitando todo o método de cuidado e das práticas educativas (Souza e Fernandes, 2022).
Em suma, a sexualidade na adolescência é de suma importância, e os profissionais da saúde devem estar habilitados a fim de respeitar e fortalecer a autonomia de livre escolha, oferecendo informações e acompanhamento adequado, garantindo-lhes assistência de qualidade. Importante ressaltar o fato de que a idade não deve constituir a restrição ao uso dos mais diversos métodos anticoncepcionais na adolescência depois da menarca (Almeida et al., 2021).
Assim a assistência de enfermagem na prevenção da gravidez na adolescência atua em diversos meios, como consulta de enfermagem, realiza atividades educativas no programa saúde na escola, com o intuito de promover informações sobre sexualidades, contracepções e planejamento familiar. Dessa forma, a participação dos profissionais da saúde e professores é essencial para o desenvolvimento de estratégias que possam reduzir a ocorrência de gestações precoce em adolescentes (Santos et al., 2025).
Os estudos de Lucas et al., (2023) destacam que o papel do enfermeiro na promoção da saúde sexual e reprodutiva no ambiente escolar é essencial, tendo em vista que desempenha funções que colaboram para o desenvolvimento físico, mental e emocional dos jovens, especialmente sobre temas sensíveis, tais como a gravidez na adolescência. O estudo destaca ainda, que a enfermagem pode atuar na promoção da saúde sexual ao fornecer informações precisas, por meio da promoção de comportamentos saudáveis, da cultura de respeito e consentimento, abordagem da saúde reprodutiva e contribui para a formação de cidadãos mais conscientes e responsáveis. No caso do ambiente escolar, sua atuação é fundamental para o bem-estar e o desenvolvimento dos alunos, sob um olhar holístico.
Ressalta-se ainda que a desinformação é um problema que demonstra a gravidade do assunto. O fato de estarem mal-informados pode gerar desdobramentos na vida dos adolescentes, pela não adesão aos métodos contraceptivos, o que aumenta o risco de uma concepção. Logo, existe a necessidade de que os jovens tenham conversas a respeito de sexualidade no contexto familiar. Outro ambiente relevante para que seja ensinado sobre educação sexual é a escola. Desse modo, o entendimento advindo da soma das informações dos ambientes familiar e educacional é decisivo para elevar o nível de conhecimento dos jovens e contribuir para a redução da incidência de gestações indesejadas (Bezerra e Matos, 2022).
Outro ponto relevante sobre a gravidez precoce, especialmente as adolescentes de classes socioeconomicamente desfavorecidas, são as situações de risco em diversos aspectos, resultando muitas vezes em famílias formadas sem o preparo e as condições adequadas, afetando negativamente a possibilidade de planejar uma vida estável e madura. Além disso, adolescentes em situação de vulnerabilidade estão mais expostos a riscos como infecções sexualmente transmissíveis, uso de drogas, acidentes e violência (Ferreira et al., 2025).
Mediante o exposto, Santos et al., (2020) fazem um alerta sobre os riscos para a saúde da jovem mãe e bebê, associados a gravidez precoce, pois estão ligados a maior probabilidade de parto pré-termo, maior probabilidade de mortalidade no parto e ainda, maior taxa de mortalidade de recém-nascidos. As principais intercorrências clínicas são as infecções urinárias, anemias, pré-eclâmpsia, parto pré-termo, baixo peso ao nascer, desproporção feto-pélvica, placenta prévia, sofrimento fetal agudo intraparto, complicações no parto e puerpério, desnutrição, hipertensão e depressão pós-parto.
5 Conclusão
Os estudos analisados neste trabalho evidenciam a atuação do enfermeiro na educação sexual e reprodutiva como uma estratégia relevante para a prevenção da gravidez na adolescência. As intervenções descritas apontam a importância das ações preventivas e educativas na promoção do conhecimento sobre saúde sexual, contribuindo para a formação crítica dos adolescentes frente às decisões relacionadas ao próprio corpo e à reprodução. Essa abordagem se mostra essencial, sobretudo considerando que a adolescência é um período de intensas transformações físicas, emocionais e psicossociais, coincidindo, frequentemente, com o início da vida sexual.
A literatura evidenciou ainda, que a principal forma de prevenção da gravidez precoce é o uso dos métodos contraceptivos ofertados pela atenção básica, como a camisinha masculina e feminina, que podem ser adquiridos de forma gratuita, independentemente da faixa etária. Além dessa prática, é evidente também a educação em saúde voltada aos adolescentes sobre as práticas sexuais seguras e a inserção desse público no trabalho voluntário em ações sociais.
Os achados da pesquisa, evidenciaram também que, a gravidez durante a adolescência não apenas impõe riscos médicos consideráveis para a mãe e o bebê, mas também acarreta consequências emocionais e psicossociais significativas. Uma vez que, o corpo ainda em desenvolvimento enfrenta riscos aumentados de intercorrências clínicas, como infecções do trato urinário, anemia e pré-eclâmpsia, além de complicações como partos prematuros e nascimento de bebês com baixo peso.
Outro ponto importante destacado no estudo é a participação principalmente de famílias e escolas para abordarem o tema sobre sexualidade com seus filhos, com a finalidade não de estimular a prática sexual, mas para gerar conhecimento dos jovens e conscientizar o uso dos métodos contraceptivos, evitando assim a gravidez precoce e o risco de exposição às (IST’S).
Dessa forma, para solucionar a problemática discutida no artigo, é necessário a participação da família, da equipe de saúde e do enfermeiro, trabalhar juntos, criar espaços para reflexões a respeito de relacionamentos e condutas sexuais, a fim de minimizar estatísticas de gravidez na adolescência.
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