Palavras-chave
Sífilis
Enfermagem
Infecções Sexualmente Transmissíveis
Saúde do Idoso

Revista FT | ISSN 1678-0817 | v. 30, n. 158, 2026 | DOI:
Atuação do enfermeiro frente às infecções sexualmente transmissíveis na terceira idade: um foco na sífilis.
The role of nurses in facing sexually transmitted infections in older adults: a focus on syphilis.
Amanda Diniz Mafra[1]
Elisabeth Pereira Lima[2]
Hiago Garcia de Santana[3]
Mayara de Souza Barros[4]
José Gabriel O. Carvalho[5]
RESUMO
O envelhecimento populacional no Brasil tem ocorrido de forma acelerada, trazendo novos desafios para a saúde pública, especialmente no que se refere à saúde sexual da pessoa idosa. Apesar disso, a sexualidade na terceira idade ainda é cercada por estigmas e preconceitos, contribuindo para o aumento das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), com destaque para a sífilis. O presente estudo teve como objetivo analisar a atuação do enfermeiro frente à sífilis em idosos no contexto da Estratégia Saúde da Família (ESF), identificando os principais desafios epidemiológicos, clínicos e socioculturais envolvidos na assistência. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada entre fevereiro e abril de 2026, por meio de buscas nas bases Google Acadêmico, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram selecionados 11 artigos publicados entre 2017 e 2024. Os resultados evidenciaram que a vulnerabilidade dos idosos às ISTs está relacionada à baixa escolaridade, resistência ao uso de preservativos, insuficiência de campanhas educativas direcionadas a essa população e persistência do mito da assexualidade na velhice. Observou-se ainda que o enfermeiro desempenha papel essencial na promoção da educação em saúde, acolhimento, aconselhamento e incentivo ao diagnóstico precoce por meio da realização de testes rápidos. Conclui-se que a assistência de enfermagem humanizada, associada à educação em saúde e ao fortalecimento do vínculo terapêutico, é fundamental para reduzir a subnotificação, interromper a cadeia de transmissão e promover qualidade de vida à população idosa.
Palavras-chave: Idoso; Sífilis; Enfermagem; Infecções Sexualmente Transmissíveis; Saúde do Idoso.
ABSTRACT
Population aging in Brazil has occurred at an accelerated pace, bringing new challenges to public health, especially regarding the sexual health of older adults. Despite this, sexuality in old age is still surrounded by stigmas and prejudices, contributing to the increase in sexually transmitted infections (STIs), with an emphasis on syphilis. The present study aimed to analyze the role of nurses facing syphilis in older adults within the context of the Family Health Strategy (FHS), identifying the main epidemiological, clinical, and sociocultural challenges involved in care. This is an integrative literature review, conducted between February and April 2026, through searches in the Google Scholar, SciELO, and Virtual Health Library (VHL) databases. Eleven articles published between 2017 and 2024 were selected. The results showed that the vulnerability of older adults to STIs is related to low education levels, resistance to condom use, insufficient educational campaigns targeted at this population, and the persistence of the myth of asexuality in old age. It was also observed that nurses play an essential role in promoting health education, welcoming, counseling, and encouraging early diagnosis through rapid testing. It is concluded that humanized nursing care, associated with health education and the strengthening of the therapeutic bond, is fundamental to reducing underreporting, interrupting the transmission chain, and promoting quality of life for the older population.
Keywords: Older Adult; Syphilis; Nursing; Sexually Transmitted Infections; Health of the Elderly.
INTRODUÇÃO
O Brasil vive um processo de transição demográfica acelerada, marcado pelo crescimento expressivo da população idosa. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022 o país já possuía mais de 22 milhões de pessoas com 65 anos ou mais, representando um importante desafio para o Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente no desenvolvimento de políticas voltadas ao envelhecimento saudável e à saúde sexual da pessoa idosa.
Apesar do aumento da expectativa de vida e da manutenção da atividade sexual na terceira idade, a sexualidade do idoso ainda é frequentemente invisibilizada pela sociedade e pelos serviços de saúde. O preconceito relacionado ao envelhecimento favorece a falsa ideia de que idosos não possuem vida sexual ativa, contribuindo para a negligência das ações preventivas e para o crescimento das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) nessa população.
Entre as ISTs, destaca-se a sífilis, infecção sistêmica causada pela bactéria Treponema pallidum, que pode evoluir em diferentes estágios clínicos e provocar complicações graves quando não diagnosticada e tratada precocemente. Em idosos, os sinais clínicos podem ser confundidos com alterações fisiológicas próprias do envelhecimento, dificultando o diagnóstico e favorecendo a progressão da doença.
Nesse contexto, a enfermagem possui papel estratégico na promoção do cuidado integral à pessoa idosa, atuando desde a educação em saúde até o acolhimento, aconselhamento, testagem e acompanhamento terapêutico. A atuação do enfermeiro na Estratégia Saúde da Família (ESF) torna-se fundamental para romper tabus relacionados à sexualidade na velhice e ampliar o acesso à prevenção e ao diagnóstico precoce.
Dessa forma, o presente artigo tem como objetivo analisar a assistência de enfermagem ao idoso com sífilis no âmbito da Estratégia Saúde da Família, identificando os desafios epidemiológicos e as barreiras socioculturais que dificultam o manejo clínico e a promoção da saúde sexual dessa população.
METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, desenvolvida entre os meses de fevereiro e abril de 2026. A pesquisa foi realizada nas bases de dados Google Acadêmico, Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS).
Para a busca dos artigos foram utilizados os descritores “Idoso”, “Sífilis” e “Enfermagem”, bem como seus correspondentes em inglês e espanhol, associados aos operadores booleanos AND e OR.
Os critérios de inclusão contemplaram artigos disponíveis gratuitamente na íntegra, publicados entre os anos de 2015 e 2025 e que abordassem diretamente a assistência de enfermagem frente à sífilis na população idosa. Foram excluídos estudos duplicados, artigos que não relacionavam a temática à prática de enfermagem e pesquisas que não contemplavam a população idosa.
Inicialmente foram encontrados 88 estudos. Após a leitura dos títulos e resumos, além da exclusão de duplicidades e trabalhos sem relação direta com o tema, restaram 11 artigos para compor a amostra final. Os estudos selecionados foram analisados de forma descritiva, permitindo a organização dos resultados em categorias temáticas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os estudos analisados evidenciaram um aumento significativo dos casos de sífilis na população idosa nos últimos anos, demonstrando que as ISTs deixaram de ser um problema restrito às populações jovens. O crescimento da infecção entre idosos está relacionado a fatores como baixa adesão ao uso de preservativos, desconhecimento sobre formas de prevenção, confiança excessiva em parceiros fixos e ausência de campanhas educativas voltadas especificamente para essa faixa etária.
Outro aspecto relevante identificado foi a permanência do tabu em torno da sexualidade na velhice.
Muitos idosos não se percebem vulneráveis às ISTs e, em diversos casos, os próprios profissionais de saúde evitam abordar questões relacionadas à vida sexual durante as consultas, dificultando o rastreio precoce e o aconselhamento preventivo.
Do ponto de vista clínico, a sífilis apresenta diferentes manifestações conforme o estágio da doença. Na fase primária ocorre o aparecimento do cancro duro; na secundária surgem lesões cutaneomucosas; e na terciária podem ocorrer complicações neurológicas e cardiovasculares graves. Em idosos, esses sinais podem ser confundidos com alterações próprias do envelhecimento, favorecendo diagnósticos tardios.
O diagnóstico laboratorial é realizado por meio da associação entre testes não treponêmicos, como o VDRL, utilizados para triagem e acompanhamento terapêutico, e testes treponêmicos confirmatórios, como FTA-ABS e TPHA. O tratamento padrão permanece sendo a penicilina G benzatina, administrada conforme o estágio clínico da infecção.
Os estudos também apontaram que a atuação da enfermagem vai além do tratamento medicamentoso, envolvendo acolhimento, escuta qualificada, educação em saúde e fortalecimento do vínculo terapêutico. O enfermeiro exerce papel fundamental na desconstrução do mito da assexualidade na terceira idade, favorecendo a abertura para discussões sobre prevenção, sexualidade e autocuidado.
Na Estratégia Saúde da Família, a consulta de enfermagem representa importante espaço para identificação de comportamentos de risco, realização de testes rápidos e orientação sobre medidas preventivas. O uso de linguagem acessível, livre de julgamentos, mostrou-se essencial para promover maior adesão dos idosos às ações de prevenção e tratamento.
Além disso, a educação em saúde foi destacada como ferramenta indispensável para o enfrentamento da sífilis na população idosa. Atividades educativas, grupos de orientação e campanhas específicas contribuem para ampliar o conhecimento sobre ISTs e reduzir barreiras culturais relacionadas à sexualidade.
Outro ponto observado foi a fragilidade das políticas públicas voltadas à saúde sexual da pessoa idosa. Embora existam políticas direcionadas ao envelhecimento saudável, ainda há pouca ênfase na prevenção das ISTs nesse público, evidenciando a necessidade de estratégias mais inclusivas e direcionadas.
Dessa forma, a assistência de enfermagem deve ser pautada em um cuidado integral e humanizado, considerando não apenas os aspectos biológicos da doença, mas também fatores sociais, culturais e emocionais envolvidos no envelhecimento.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O aumento dos casos de sífilis na população idosa evidencia a necessidade de ampliar o debate sobre saúde sexual na terceira idade e fortalecer as estratégias de prevenção e diagnóstico precoce.
A invisibilidade da sexualidade do idoso, associada à insuficiência de campanhas educativas e à persistência de tabus sociais, contribui diretamente para a vulnerabilidade dessa população às infecções sexualmente transmissíveis.
Nesse cenário, o enfermeiro assume papel essencial na promoção do cuidado integral, atuando por meio do acolhimento, da educação em saúde, da realização de testes rápidos e do incentivo à prevenção. A abordagem humanizada e livre de preconceitos favorece o fortalecimento do vínculo terapêutico e possibilita maior adesão ao tratamento e às medidas preventivas.
Conclui-se que o enfrentamento da sífilis na terceira idade exige ações interdisciplinares, políticas públicas mais inclusivas e capacitação permanente dos profissionais de saúde para abordar a sexualidade no envelhecimento de forma ética, acolhedora e resolutiva.
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Discente do Curso de Enfermagem da Universidade Anhembi Morumbi. ↑
Discente do Curso de Enfermagem da Universidade Anhembi Morumbi. ↑
Discente do Curso de Enfermagem da Universidade Anhembi Morumbi. ↑
Discente do Curso de Enfermagem da Universidade Anhembi Morumbi. ↑
Docente do Curso de Enfermagem da Universidade Anhembi Morumbi. ↑

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