Palavras-chave
Saúde Mental
Segurança Pública
Saúde mental dos policiais militares do Estado do Pará: exigências profissionais, condições de risco e estratégias institucionais de cuidado
Mental health of military police officers in the State of Pará: professional demands, risk conditions, and institutional care strategies
Juvenildo Bastos da Silva[1]
Francisco Nerivan Ferreira Almeida[2]
Rosane Machado Almeida[3]
José Reginaldo Lameira Costa[4]
RESUMO
A saúde mental dos agentes de segurança pública tem assumido importância significativa nos debates científicos, profissionais e sociais, particularmente frente à ampliação de situações de adoecimento mental que envolve os policiais militares em diferentes regiões do país. O trabalho policial militar consiste em altas escalas de demandas física e emocional, vulnerabilidade contínua à violência, exigências organizacionais, trabalho excessivo e vivência contínua com ambientes perigosos, questões que provocam o comprometimento de maneira complexa à saúde mental destes profissionais. Frente a essa realidade, o estudo intenciona responder à seguinte questão-problema: quais exigências profissionais e institucionais repercutem no sofrimento psicológico dos policiais militares do Estado do Pará e quais mecanismos podem colaborar para a melhoria da saúde mental desses agentes? A investigação apresenta como objetivo geral analisar quais exigências profissionais e institucionais repercutem no sofrimento psicológico dos policiais militares da PMPA, bem como debater mecanismos de prevenção implementados no ambiente da corporação. E, como metodologia, trata-se de uma pesquisa de natureza qualitativa, alicerçada na pesquisa bibliográfica. Os resultados confirmaram que os policiais militares da PMPA estão vulneráveis a questões como violência, rotina exaustiva e pressão institucional, que repercutem fortemente no cuidado emocional. Do mesmo modo, foram observados progressos na corporação, como ações do CIAP, palestras de cunho preventivo e atividades direcionadas à saúde psíquica e reconhecimento profissional. Conclui-se que a saúde psicológica dos policiais militares deve ser entendida como uma demanda institucional e essencial para a segurança pública. O estudo evidenciou ainda o impulsionamento das ações de suporte psicológico e prevenção do sofrimento emocional, sendo indispensável melhorar o bem-estar e a atuação profissional do efetivo da PMPA.
Palavras-Chave: Polícia Militar do Pará; Saúde Mental; Segurança Pública.
ABSTRACT
The mental health of public security agents has assumed significant importance in scientific, professional, and social debates, particularly in light of the increasing number of mental health issues affecting military police officers in different regions of the country. Military police work involves high levels of physical and emotional demands, continuous vulnerability to violence, organizational requirements, excessive workload, and constant exposure to dangerous environments—issues that significantly compromise the mental health of these professionals. Given this reality, this study aims to answer the following research question: what professional and institutional demands impact the psychological suffering of military police officers in the state of Pará, and what mechanisms can contribute to improving the mental health of these agents? The general objective of this research is to analyze which professional and institutional demands impact the psychological suffering of military police officers in the PMPA (Military Police of Pará), as well as to discuss prevention mechanisms implemented within the corporation. The methodology employed is qualitative research based on bibliographic research. The results showed that military police officers in the PMPA (Military Police of Pará) are vulnerable to issues such as violence, exhausting routines, and institutional pressure, which strongly impact their emotional well-being. Similarly, progress was observed within the corporation, including actions by the CIAP (Center for Psychological and Professional Development), preventative lectures, and activities focused on mental health and professional recognition. It is concluded that the psychological health of military police officers should be understood as an institutional demand and essential for public safety. The study also highlighted the need to boost psychological support and emotional distress prevention actions, making it indispensable to improve the well-being and professional performance of the PMPA's personnel.
Keywords: Military Police of Pará; Mental Health; Public Security.
1 Introdução
A saúde mental dos agentes de segurança pública tem assumido importância significativa nos debates científicos, profissionais e sociais, particularmente frente à ampliação de situações de adoecimento mental que envolve os policiais militares em diferentes regiões do país. O trabalho policial militar consiste em altas escalas de demandas física e emocional, vulnerabilidade contínua à violência, exigências organizacionais, trabalho excessivo e vivência contínua com ambientes perigosos, questões que comprometem de maneira complexa a saúde mental destes profissionais.
No cenário da Polícia Militar do Estado do Pará (PMPA), esse panorama expressa nuances ainda mais profundas em virtude das particularidades territoriais amazônicas, das fragilidades estruturais, da grande dimensão geoespacial do estado e das constantes obrigações da atividade policial experimentadas pelos policiais militares. Ademais, questões, como carência de pessoal, excesso de trabalho, rotinas desgastantes, precariedade diversas colaboram para a ampliação do dos agravos à saúde mental no ambiente organizacional.
Os estudos de Gomes (2021) retratam que policiais militares expressam grande fragilidade em relação ao desenvolvimento de doenças mentais, entre as quais podemos elencar: ansiedade, depressão, síndrome de Burnout, transtorno de estresse pós-traumático e ideação suicida. Considerado este quadro, a saúde mental começou a ser vista não somente como aspecto individual, todavia como desafio institucional e de saúde pública, demandando mecanismos de prevenção, suporte emocional e melhoria na qualidade de vida dos profissionais da segurança pública.
Frente a essa realidade, o estudo intenciona responder à seguinte questão-problema: quais exigências profissionais e institucionais repercutem no sofrimento psicológico dos policiais militares do Estado do Pará e quais mecanismos podem colaborar para a melhoria da saúde mental desses agentes? A investigação apresenta como objetivo geral analisar quais exigências profissionais e institucionais repercutem no sofrimento psicológico dos policiais militares da PMPA, bem como debater mecanismos de prevenção implementadas no ambiente da corporação.
Como objetivos específicos, espera-se identificar os principais elementos de risco ligados ao comprometimento da saúde mental dos policiais militares; analisar as ações da instituição e programas de atenção psicossocial presentes na PMPA; e debater a respeito das ações potenciais de ampliação das ações de bem-estar da saúde mental na segurança pública.
A relevância desta pesquisa justifica-se pela demanda em expandir a discussão acadêmica relacionada à saúde mental na segurança pública, particularmente no contexto amazônico, no qual os policiais militares encaram dificuldades funcionais e institucionais particulares. Somando-se a isso, a pesquisa colabora sob o ponto de vista social para o reconhecimento profissional e para a elaboração de ações governamentais direcionadas à promoção da saúde e do equilíbrio emocional dos profissionais da segurança pública, considerando o aspecto institucional; têm indícios de oferecer referenciais teóricos para o debate relacionado à implantação de mecanismos contínuos de suporte emocional, cuidado preventivo em saúde mental e impulsionamento das medidas de apoio psicossocial na PMPA.
Quanto aos procedimentos metodológicos, a investigação configura-se como bibliográfica e documental, de abordagem qualitativa, com caráter exploratório e descritivo. A pesquisa foi organizada através da análise de livros, artigos científicos, legislações, documentos institucionais e estudos voltados à saúde mental, segurança pública e atividade policial militar. A análise das informações aconteceu de maneira interpretativa, procurando abranger os principais condicionantes relacionados ao sofrimento psíquico dos policiais militares e os mecanismos institucionais direcionados ao desenvolvimento do bem-estar emocional no cenário da PMPA.
2 SAÚDE MENTAL E RECONHECIMENTO PROFISSIONAL NA POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO PARÁ
2.1 O trabalho policial militar e os impactos na saúde mental
A atividade policial militar consiste em uma atividade assinalada por grande volume de exigências físicas, psicológicas e táticas, compreendendo exposição sucessiva à violência, contextos perigosos e estado permanente de alerta. Nesse cenário, a atividade policial passou a ser considerada como uma das atividades profissionais mais vulneráveis ao prejuízo da saúde mental, em função das diferentes questões emocionais e sociais existentes no dia a dia institucional.
Nos estudos de Gomes (2021), o trabalho policial militar é atravessado por diversos agentes de tensão que repercutem fortemente na estabilização psicológica dos policiais militares, sobretudo em função do enfrentamento diário de práticas criminosas e perigo constante à vida. Evidencia-se que essas questões podem colaborar para o crescimento do adoecimento mental, ansiedade, estresse ocupacional e comprometimento psíquico que envolve os policiais militares. De acordo com Santos et al. (2024), a atividade policial militar provoca repercussão psicossocial profunda, ligada sobretudo à pressão institucional, jornadas exaustivas e falta de apoio psicológico constante. Tais situações oportunizam aparecimento de agravos à saúde mental, como depressão, síndrome de Burnout, transtorno de estresse pós-traumático e vulnerabilidade emocional.
A vivência laboral estrutura o cotidiano, estabelece ritmos e rotinas, confere sentido à existência e possibilita a construção de projetos pessoais e profissionais. Nessa perspectiva, o trabalho contribui para a satisfação das necessidades humanas, desde as mais básicas até as de reconhecimento social e realização pessoal (Brito, 2026, p. 3).
No panorama da segurança pública brasileira, o adoecimento mental dos policiais militares não pode ser analisado somente a partir de aspectos individuais, todavia como efeito dos fatores estruturais, organizacionais e táticos aos quais tais agentes estão expostos. Nesse aspecto, Minayo e Adorno (2020) afirmam que as consequências à saúde mental dos policiais têm efeito na influência que envolve questões profissionais, institucionais e espaciais, contudo, apesar das demandas e responsabilidades relativas à profissão. A PMPA desenvolve atuação essencial na conservação da ordem pública e salvaguarda à sociedade. Os agentes de segurança desempenham atividades indispensáveis à segurança da população, operando em variados quadros sociais, urbanos e regionais, particularmente em áreas assinadas pela fragilidade social e pela violência.
No Estado do Pará, o papel da PMPA admite essencialidade ainda mais profunda em função das particularidades amazônicas, da amplitude territorial e das fragilidades logísticas existentes em diferentes regiões do estado. Portanto, embora haja muitas fragilidades operacionais vivenciadas cotidianamente, os policiais militares paraenses exercem papel fundamental para a garantia da segurança pública e da ordem social.
2.2 Fatores psicossociais, adoecimento mental e vulnerabilidades na atividade policial
A literatura científica tem demonstrado que os policiais militares apresentam elevada suscetibilidade ao desenvolvimento de transtornos mentais relacionados às condições de trabalho e às pressões institucionais presentes na atividade policial. Entre os principais fatores psicossociais associados ao adoecimento mental, destacam-se a exposição constante à violência, o excesso de demandas profissionais, a insuficiência de efetivo, as jornadas exaustivas e a escassez de recursos institucionais.
Fernandes et al. (2025) afirmam que a atividade policial militar no Estado do Pará apresenta elevada exposição a fatores estressores, como violência, risco permanente, sobrecarga de trabalho e pressão organizacional, elementos que impactam diretamente o equilíbrio psicológico dos policiais militares. Os autores destacam ainda que as desigualdades regionais e as limitações estruturais presentes no território amazônico ampliam os riscos psicossociais enfrentados pelos agentes de segurança pública paraenses.
Além dos fatores operacionais, o ambiente organizacional militarizado também influencia significativamente na saúde mental dos policiais. A cultura institucional baseada na rigidez hierárquica, na disciplina e na resistência emocional frequentemente dificulta o reconhecimento do sofrimento psicológico, contribuindo para a invisibilização dos transtornos mentais dentro das corporações.
Santos et al. (2024) ressaltam que muitos policiais militares deixam de buscar apoio psicológico por receio de estigmatização ou de prejuízos profissionais, reforçando o silêncio institucional em torno do sofrimento psíquico. Esse cenário favorece o agravamento de sintomas relacionados à ansiedade, depressão, insônia, irritabilidade e esgotamento emocional.
Outro aspecto preocupante refere-se aos índices de suicídio entre policiais militares no Brasil. Conforme Silva e Souza (2025), os casos de suicídio apresentam relação direta com fatores organizacionais, estresse ocupacional prolongado, desgaste emocional e ausência de políticas permanentes de prevenção em saúde mental. Os autores apontam que policiais em atividade operacional e submetidos à intensa pressão institucional demonstram maior vulnerabilidade ao sofrimento psicológico.
Apesar desse cenário desafiador, é importante destacar que a atividade policial militar exige elevado comprometimento profissional, preparo emocional e dedicação ao serviço público. Nesse sentido, o reconhecimento institucional e a valorização profissional tornam-se fundamentais para o fortalecimento da saúde mental dos policiais militares e para a melhoria das condições de trabalho nas corporações.
2.3 Estratégias institucionais de cuidado psicológico e valorização da saúde mental na PMPA
Nas últimas décadas, a saúde mental dos profissionais da segurança pública passou a receber maior atenção por parte das instituições policiais e das políticas públicas voltadas ao cuidado psicossocial. No âmbito da Polícia Militar do Estado do Pará, observa-se o desenvolvimento de iniciativas institucionais direcionadas ao acompanhamento psicológico, à assistência social e à promoção do bem-estar emocional dos policiais militares.
Leopoldino e Vale (2023) destacam que a criação do Centro Integrado de Atenção Psicossocial (CIAP) da PMPA representa importante avanço institucional na consolidação das ações de assistência psicossocial dentro da corporação. Segundo as autoras, o trabalho desenvolvido pelos profissionais da psicologia e do serviço social ao longo de três décadas contribuiu significativamente para o fortalecimento das estratégias de cuidado em saúde mental no ambiente policial militar.
As ações desenvolvidas pela PMPA incluem acompanhamento psicológico, assistência social, orientação familiar, atendimentos psicossociais e encaminhamentos especializados, evidenciando o compromisso institucional com a promoção da saúde mental e da qualidade de vida dos policiais militares. Além disso, iniciativas como programas de escuta ativa, acolhimento emocional e acompanhamento funcional têm contribuído para ampliar o debate sobre saúde mental dentro da corporação.
Fernandes et al. (2025) ressaltam que, embora ainda existam desafios relacionados à continuidade das políticas institucionais e à descentralização dos serviços especializados, a Polícia Militar do Pará tem avançado no reconhecimento da saúde mental como pauta estratégica para o fortalecimento institucional e para a valorização profissional dos militares estaduais.
De maneira semelhante, Silva et al. (2024) afirmam que políticas permanentes de promoção da saúde mental e acompanhamento psicológico são fundamentais para a prevenção do sofrimento psicológico e para o fortalecimento das corporações militares. Dessa forma, compreender as estratégias institucionais desenvolvidas pela PMPA torna-se essencial para evidenciar os avanços promovidos pela corporação no cuidado psicossocial de seus profissionais. Mais do que reconhecer os desafios existentes, é necessário valorizar os esforços institucionais voltados à promoção da saúde mental, ao fortalecimento do apoio psicológico e à melhoria das condições de trabalho dos policiais militares paraenses.
3 Discussão dos Resultados
As evidências encontradas na presente investigação demonstram que a saúde mental dos policiais militares se estabelece como um assunto cada vez mais importante no cenário da segurança pública brasileira, particularmente frente às demandas práticas, afetivas e institucionais que atravessam a atividade policial militar. As investigações produzidas expressam que questões como o contato frequente com a violência, longas jornadas de trabalho e desgaste funcional cooperam profundamente para o prejuízo à condição psicológica dos agentes de segurança pública.
Contudo, no âmbito da PMPA, notou-se a vivência de grandes progressos institucionais direcionados ao cuidado psicossocial e à saúde mental dos policiais militares. Ao contrário de momentos passados, quando o adoecimento psicológico era repetidamente negligenciado no ambiente militar, nota-se recentemente um grande compromisso institucional com o respeito à dignidade humana e à assistência ao efetivo.
Nesse panorama, evidencia-se a atuação do Centro Integrado de Atenção Psicossocial (CIAP), setor encarregado pelo desenvolvimento das atividades de apoio psicológico e assistência psicossocial no âmbito da PMPA. A partir dos estudos de Leopoldino e Vale (2023), o movimento histórico da psicologia na corporação expressa a consolidação crescente dos mecanismos institucionais de suporte emocional, consolidando espaços de escuta sensível aos militares estaduais.
As informações atuais demonstram que a PMPA tem fortalecido profundamente as atividades de prevenção voltadas à saúde mental dos policiais militares. Como exemplificação, evidencia-se a palestra proferida pelo Batalhão de Policiamento Escolar (BPOE), conduzida pela psicóloga e 1º Tenente Nathalia, integrante do CIAP, tratando temáticas ligadas ao janeiro Branco, saúde mental, resiliência emocional e acompanhamento psicológico na carreira policial militar. A ação confirma a responsabilidade institucional de promover ambientes laborais mais equilibrados e humanizados aos policiais militares.
Ao longo do encontro, observou-se que o acompanhamento emocional dos policiais militares expressa elemento central não somente para a qualidade de vida dos profissionais, todavia para a qualidade da segurança pública proporcionada à sociedade. Nota-se que o acolhimento psicológico passou a ser entendido como mecanismo fundamental para a consolidação técnico e profissional da PMPA
Outro elemento significativo observado na investigação está relacionado à aprovação, pela Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), do Projeto de Lei nº 163/2024, que estabelece a Política Estadual de Saúde Mental para os profissionais da segurança pública. A proposição expressa um ponto profundo para o reconhecimento destes profissionais e para o impulsionamento das ações governamentais ligadas à atenção integral aos agentes de segurança pública.
A recente política estabelece medidas voltadas à prevenção do sofrimento mental, incluindo campanhas de sensibilização, programas para a população sobre o suicídio, suporte psicológico completo e a criação de ações contínuas que promovam a qualidade de vida no ambiente de trabalho. Essa iniciativa reflete a compreensão por parte do governo estadual da importância de aprimorar os recursos de cuidado emocional e apoio psicológico para os profissionais da segurança pública.
Os dados também mostram que a PMPA está empenhada em integrar a inovação tecnológica com o bem-estar mental. Dentro desse cenário, merece destaque o projeto “Ajuda+”, criado por policiais militares do Pará e que chegou à etapa final do concurso nacional “Hackathon, Tecnologias Disruptivas para Segurança Pública”, organizado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O aplicativo oferece recursos voltados para o monitoramento do bem-estar emocional dos integrantes da segurança pública, que incluem um diário de emoções, avaliações psicológicas regulares, formação em inteligência emocional e um acesso simplificado a especialistas em saúde mental. Essa iniciativa destaca o papel de liderança da PMPA na elaboração de abordagens inovadoras visando ao aprimoramento da saúde mental dos profissionais de segurança pública em todo o país.
Adicionalmente, a proposta paraense obteve a maior nota entre todas na etapa inicial do concurso, destacando a capacidade técnica, científica e humana dos policiais militares do Estado do Pará na criação de estratégias focadas na valorização da profissão e no apoio psicossocial.
Nesse contexto, os resultados examinados indicam que, apesar dos obstáculos referentes às condições de operação e às pressões institucionais que caracterizam a função da polícia militar, a PMPA tem implementado iniciativas significativas para aprimorar as políticas de saúde mental. Isso evidencia uma preocupação crescente com o bem-estar emocional, com a valorização dos profissionais e com a qualidade de vida dos seus integrantes.
Assim, nota-se que a atenção à saúde mental assumiu papel estratégico na corporação, auxiliando tanto na prevenção do sofrimento psicológico quanto no fortalecimento institucional da Polícia Militar do Estado do Pará. Isso reafirma seu compromisso com a proteção da sociedade e a valorização de seus profissionais.
4 Metodologia
Este estudo caracteriza-se como uma investigação de natureza qualitativa, com um enfoque exploratório e descritivo, realizada por meio de levantamento bibliográfico e análise de documentos. A opção pela abordagem qualitativa justifica-se pela necessidade de elucidar, interpretar e examinar os aspectos associados à saúde mental dos policiais militares no Estado do Pará, levando em conta as particularidades institucionais, operacionais e psicossociais que permeiam o trabalho policial militar.
Conforme Gil (2008), a pesquisa bibliográfica é construída a partir de fontes previamente publicadas, como livros, artigos acadêmicos, dissertações, teses, normativas e documentos oficiais, permitindo ao pesquisador maior aprofundamento teórico sobre o tópico em questão. Assim, a investigação foi realizada com foco na análise de trabalhos científicos que abordam saúde mental, segurança pública, sofrimento psicológico, atuação da polícia militar e políticas institucionais de apoio psicossocial.
A abordagem metodológica incluiu a pesquisa documental, que consistiu na análise de leis, documentos de instituições, matérias oficiais, iniciativas governamentais e dados fornecidos pela Polícia Militar do Estado do Pará (PMPA), Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SEGUP) e outros órgãos vinculados ao assunto em questão.
A pesquisa realizada revisitou autores e investigações que analisam os efeitos psicossociais da atividade policial militar, os elementos de risco associados ao surgimento de problemas mentais e as iniciativas institucionais que visam à promoção do bem-estar mental dos profissionais de segurança pública. Dentre os principais referenciais considerados, merecem destaque Gomes (2021), Minayo e Adorno (2020), Santos et al. (2024), Fernandes et al. (2025), Leopoldino e Vale (2023), além de outros estudiosos que tratam da saúde mental no contexto da segurança pública no Brasil.
Em relação aos seus propósitos, o estudo é classificado como exploratório, pois visa expandir as conversações acadêmicas sobre a saúde mental dos policiais militares no Pará, um assunto que ainda é pouco abordado na região amazônica. Também possui caráter descritivo, pois busca identificar e descrever os principais elementos associados ao sofrimento psicológico, às condições laborais e às estratégias institucionais de cuidado psicossocial presentes na PMPA.
A interpretação dos dados foi realizada de forma interpretativa, com base na análise crítica dos materiais selecionados, visando entender as conexões entre as demandas profissionais da atividade policial militar e os efeitos na saúde mental dos agentes de segurança pública. Ademais, foram examinadas as iniciativas institucionais implementadas pela PMPA com o objetivo de promover a saúde mental, valorizar os profissionais e reforçar o suporte psicossocial aos policiais militares.
Assim, a metodologia empregada permitiu a compreensão dos obstáculos enfrentados pelos policiais militares do Estado do Pará, além de identificar progressos institucionais no que diz respeito à promoção da saúde mental e à criação de estratégias de cuidado emocional dentro da corporação.
5 Considerações Finais
O estudo realizado permitiu entender que a atividade policial militar abrange uma série de demandas profissionais, emocionais e institucionais, que têm impacto direto na saúde mental dos policiais militares do Estado do Pará. O sofrimento psicológico, o desgaste emocional e os danos à saúde mental desses profissionais são significativamente influenciados pela exposição constante à violência, a situações de risco, à pressão organizacional, a jornadas de trabalho exaustivas e a limitações estruturais.
Os resultados mostraram que a deterioração da saúde mental dos policiais militares não pode ser vista apenas como uma questão individual, mas também como um efeito das condições institucionais, operacionais e psicossociais que existem no âmbito da segurança pública. Nesse contexto, constatou-se que aspectos como excesso de trabalho, falta de pessoal, rigidez hierárquica e falta de suporte emocional adequado agrava a fragilidade psicológica dos profissionais de segurança pública.
No entanto, o estudo também revelou progressos significativos feitos pela Polícia Militar do Estado do Pará no fortalecimento das políticas institucionais destinadas a melhorar a saúde mental. A atuação do Centro Integrado de Atenção Psicossocial (CIAP), a promoção de palestras preventivas, campanhas de conscientização, iniciativas de acolhimento emocional e o estímulo ao acompanhamento psicológico demonstram o compromisso cada vez maior da corporação com a valorização humana e profissional de seus membros.
Além disso, iniciativas recentes, como a implementação da Política Estadual de Saúde Mental direcionada aos profissionais de segurança pública e o lançamento do aplicativo “Ajuda+”, por policiais militares no Pará, ressaltam a importância da PMPA na criação de estratégias inovadoras voltadas para o bem-estar emocional dos agentes de segurança. Essas iniciativas mostram que a empresa está tentando equilibrar a modernização institucional, o desenvolvimento profissional e o bem-estar biopsicossocial.
Assim, é evidente que o fortalecimento das políticas públicas e institucionais de saúde mental é fundamental para melhorar a qualidade de vida, o equilíbrio emocional e as condições de trabalho dos policiais militares. Cuidar da saúde mental não é apenas uma necessidade organizacional, mas também uma ferramenta estratégica para reforço da segurança pública e reconhecimento dos profissionais encarregados de proteger a sociedade.
Em conclusão, espera-se que este estudo contribua para o aprofundamento das discussões acadêmicas sobre a saúde mental na segurança pública amazônica. Além disso, busca-se incentivar novas pesquisas científicas e o desenvolvimento de ações institucionais contínuas voltadas ao acolhimento psicológico, à prevenção do sofrimento psíquico e à melhoria da qualidade de vida dos policiais militares no Estado do Pará.
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Policial Militar do Estado do Pará, Especialista em direito ambiental, Santarém, PA, Brasil.
ORCID: https://orcid.org/ 0009-0002-7304-6408 ↑Policial Militar do Estado do Pará, Graduado em Gestão Ambiental, Santarém, PA, Brasil.
ORCID: https://orcid.org/0009-0003-4454-5686 ↑Policial Militar do Estado do Pará, Graduada em Serviço Social, Santarém, PA, Brasil.
ORCID: https://orcid.org/0009-0003-9139-4024 ↑Policial Militar do Estado do Pará, Especialista no Ensino de Língua Portuguesa, Santarém, PA, Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-0001-3822-2261 ↑

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