Palavras-chave
Aprendizagem
Crianças com dificuldades
Perspectiva pedagógica
Espaços sociais e a aprendizagem de crianças com dificuldades: uma perspectiva psicopedagógica
Social spaces and learning in children with learning difficulties: a psychopedagogical perspective
Luzenilda Leite Vieira Valadão[1]
Estélio Silva Barbosa[2]
RESUMO: A psicopedagogia, assim como a construção de espaço social, forma um meio amplamente reconhecido e eficaz de apoiar as necessidades educacionais e a experiência emocional disponível para os indivíduos nesses locais é, portanto, uma área de grande interesse. A justificativa para a temática em questão parte do ponto que acreditamos que esses espaços sociais, como espaços de convivência, entre esses a escola, dentro e fora da sala de aula, bem como também ambientes não formais são contextos para o engajamento e aplicação de estratégias psicopedagógicas que apoiam a aprendizagem lúdica e deliberada. Tem-se como questionamento: Como acontece a aprendizagem de crianças com dificuldades de aprendizagem nesses espaços sociais, tais como fora do ambiente escolar? Sendo abordada, através de uma perspectiva psicopedagógica. Tem como objetivo geral: Identificar a contribuição do psicopedagogo para a estruturação desses ambientes, garantindo que eles cumpram sua função de mediadores do conhecimento e do afeto; e objetivos específicos: identificar os fundamentos teóricos da psicopedagogia que sustentam a criação de ambientes de convivência, como espaços que facilitem a mediação da aprendizagem e socialização; descrever o papel do psicopedagogo institucional na articulação entre escola, família e comunidade para a viabilização desses espaços; e propor diretrizes práticas para a atuação multidisciplinar em espaços de convivência, enfatizando a escuta ativa e a afetividade como ferramentas de intervenção; além é claro de analisar como acontece a aprendizagem nesses ambientes. A investigação adotou uma abordagem de pesquisa de natureza qualitativa, com caráter exploratório e descritivo, na qual utilizou-se a pesquisa bibliográfica, configurada como uma revisão integrativa da literatura. Como resultados pode-se estabelecer uma atmosfera na qual cada criança desfruta do máximo benefício e da melhor forma de aprendizagem e desenvolvimento também em troca.
Palavras-chave: Espaços sociais; Aprendizagem; Crianças com dificuldades; Perspectiva pedagógica.
ABSTRACT: Psychopedagogy, as well as the construction of social space, forms a widely recognized and effective means of supporting the educational needs and emotional experience available to individuals in these places is therefore an area of great interest. The justification for the theme in question is based on the point that we believe that these social spaces, as spaces for coexistence, between them the school, inside and outside the classroom, as well as non formal environments are contexts for the engagement and application of psychopedagogical strategies that support playful and deliberate learning. The following question is: How does the learning of children with learning difficulties take place in these social spaces, such as outside the school environment? Its general objective is: To identify the contribution of the psychopedagogue to the structuring of these environments, ensuring that they fulfill their function as mediators of knowledge and affection; and specific objectives: to identify the theoretical foundations of psychopedagogy that support the creation of living environments, as spaces that facilitate the mediation of learning and socialization; describe the role of the institutional psychopedagogue in the articulation between school, family and community for the viability of these spaces; and to propose practical guidelines for multidisciplinary action in living spaces, emphasizing active listening and affectivity as intervention tools; In addition, of course, to analyzing how learning happens in these environments. The investigation adopted a qualitative research approach, with an exploratory and descriptive character, in which bibliographic research was used, configured as an integrative literature review. As a result, an atmosphere can be established in which each child enjoys the maximum benefit and the best form of learning and development in return.
Keywords: Social spaces; Learning; Children with difficulties; Pedagogical perspective.
1 INTRODUÇÃO
Como a infância é uma fase extremamente importante para o desenvolvimento humano e para o estabelecimento das bases de como o comportamento humano e a aprendizagem se desenvolvem. Mas é difícil para um conjunto treinado de indivíduos compreender exatamente o que acontece e como tudo funciona. A psicopedagogia, como um campo educacional que combina a expertise de especialistas em psicologia e pedagogia e os especialistas nos campos da teoria e prática.
É particularmente relevante nesse processo porque precisamos ver as diferenças e promover um modelo integrativo de aprendizagem para ser um sistema que desenvolve crianças como seres humanos, como seres integrados. Mais recentemente, há uma necessidade de desenvolver ambientes sociais onde crianças com dificuldades de aprendizagem pertençam e sejam ajudadas.
A justificativa para a temática em questão parte do ponto que acreditamos que esses espaços sociais, como espaços de convivência, entre esses a escola, dentro e fora da sala de aula é um contexto para o engajamento e aplicação de estratégias psicopedagógicas que apoiam a aprendizagem lúdica e deliberada. A psicopedagogia, assim como a construção de espaço social, forma um meio amplamente reconhecido e eficaz de apoiar as necessidades educacionais e a experiência emocional disponível para os indivíduos nesses locais é, portanto, uma área de grande interesse.
As dificuldades de aprendizagem representam um desafio complexo e multifacetado no cenário educacional contemporâneo. Muitas vezes, o fracasso escolar é interpretado de forma isolada, recaindo sobre a criança a responsabilidade por não atingir os padrões esperados de desempenho. No entanto, a psicopedagogia propõe um olhar sistêmico, compreendendo que a aprendizagem ocorre na intersecção entre o biológico, o psíquico, o social e o pedagógico.
Nesse contexto, tem-se como questionamento: Como acontece a aprendizagem de crianças com dificuldades de aprendizagem nesses espaços sociais, tais como fora do ambiente escolar? Sendo abordada, através de uma perspectiva psicopedagógica. O fato da implantação de espaços de convivência como uma estratégia vital, não se limita a áreas físicas, mas configuram-se como territórios de subjetivação e interação, onde a criança pode expressar suas dificuldades sem o peso do estigma.
Para responder tais questionamentos, este artigo tem como objetivo geral: Identificar a contribuição do psicopedagogo para a estruturação desses ambientes, garantindo que eles cumpram sua função de mediadores do conhecimento e do afeto; e objetivos específicos: identificar os fundamentos teóricos da psicopedagogia que sustentam a criação de ambientes de convivência, como espaços que facilitem a mediação da aprendizagem e socialização; descrever o papel do psicopedagogo institucional na articulação entre escola, família e comunidade para a viabilização desses espaços; e propor diretrizes práticas para a atuação multidisciplinar em espaços de convivência, enfatizando a escuta ativa e a afetividade como ferramentas de intervenção; além é claro de analisar como acontece a aprendizagem nesses ambientes já citados.
Examinaremos então as maneiras pelas quais a psicopedagogia, o design e a função do espaço social se encontram, e como isso beneficia o desenvolvimento infantil, como eles funcionam profissionalmente como praticantes, pais/responsáveis em sua função, bem como equipe. Estamos muito confiantes de que integrando este trabalho, podemos estabelecer uma atmosfera na qual cada criança desfruta do máximo benefício e da melhor forma de aprendizagem e desenvolvimento também em troca.
2 A PSICOPEDAGOGIA E O OLHAR SOBRE O APRENDER
A psicopedagogia consolidou-se como uma área que investiga os processos de aprendizagem humana e suas vicissitudes. Segundo Bossa (2011), o psicopedagogo busca compreender como o sujeito aprende e por que alguns encontram obstáculos neste percurso. A atuação pode ser dividida em duas vertentes principais:
- Psicopedagogia Clínica: Focada no atendimento individualizado, buscando diagnosticar e intervir nas causas específicas do bloqueio na aprendizagem.
- Psicopedagogia Institucional: Atua na prevenção e na melhoria dos processos educativos dentro de escolas, empresas ou hospitais, analisando a dinâmica do grupo e da instituição.
A convivência, por sua vez, é o alicerce da aprendizagem social. Para Vygotsky (2019), o desenvolvimento cognitivo é mediado pelas interações sociais. Portanto, um espaço que favoreça a convivência ética e solidária é, por natureza, um espaço promotor de aprendizagem.
2.1 Espaços sociais: Crianças com dificuldades de aprendizagem aprendem melhor onde?
Estes espaços são espécies de segurança que podem ser o palco para essa interação e essa aprendizagem comunitária ali. Esses espaços precisam ser capazes de fazer algo a respeito. O psicopedagogo desempenha um papel de liderança técnica e humana na criação desses espaços. Sua contribuição, de acordo com Bossa (2011, p. 47), “manifesta-se em diversas frentes, antes da implantação física, o profissional realiza uma escuta sensível da comunidade escolar.” Ele identifica quais são as principais queixas de aprendizagem e como o ambiente atual pode estar contribuindo para a exclusão.
Os fatores de sucesso necessários nesses lugares, de acordo com Nogaro (2014, p.16), “a construção de espaços seguros e ambientes inclusivos, respeitosos e inclusivos, o espaço de atividade social deve incentivar o respeito e o apoio a todas as crianças.” É assim que seu sistema físico deve ser, não apenas para crianças, mas para crianças que são deficientes ou têm algumas necessidades especiais, tais como mobiliário, ou áreas de relaxamento, ou espaço de grupo estabelecem um clima favorável e aconchegante. Além disso, “uma combinação de múltiplos recursos de aprendizagem pode envolver os alunos de várias maneiras” (Nogaro, 2014).
O psicopedagogo atua como um mediador essencial na identificação e intervenção das dificuldades de aprendizagem, considerando o equilíbrio físico, emocional e social da criança. A abordagem psicopedagógica defende que “todas as crianças, independentemente de suas dificuldades, têm o direito de aprender, e que a aprendizagem é um processo ativo, interno e interpessoal” (Da Silva, 2024).
No contexto dos espaços sociais, a psicopedagogia institucional, por exemplo, foca na análise das relações interpessoais no ambiente escolar e em como elas podem favorecer ou dificultar o aprendizado. “O objetivo é transformar a escola em um lugar de acolhimento e mediação eficaz, onde as interações sociais sejam construtivas e promovam o desenvolvimento integral da criança” (Nogaro, 2014).
Espaços sociais bem estruturados e inclusivos podem reduzir o estigma associado às dificuldades de aprendizagem, promovendo a participação ativa e o sentimento de pertencimento. Para Da Silva (2024, p. 23), o convívio com pares e a mediação de adultos em contextos sociais “estimulam não apenas o desenvolvimento cognitivo, mas também habilidades socioemocionais, como a empatia, a colaboração e a autoconfiança, que são fundamentais para a aprendizagem e para a vida.”
2.2 Espaços sociais: análise e possibilidades de intervenção psicopedagógica
A seguir, detalhamos os espaços sociais com foco nas ações que se pode desenvolver como psicopedagogo:
- Espaço Escolar: Além da sala de aula, espaços como biblioteca, pátios, laboratórios e áreas de arte são ambientes estratégicos. Silva (2024, p. 25) destaca que a adaptação desses locais deve considerar:
a) Materiais multissensoriais: Utilizar recursos que envolvam vista, audição, tato e movimento para facilitar a compreensão e a retenção de conteúdos.
b) Organização flexível: Criar cantinhos temáticos e permitir grupos de trabalho variáveis, de acordo com as necessidades de cada criança.
c) Integração de tecnologias: Usar aplicativos educacionais, jogos digitais e recursos audiovisuais que potencializam o engajamento.
d) Atividades para você praticar durante a formação: Elaborar projetos de adaptação de espaços escolares, realizar observações sistemáticas em diferentes ambientes da escola e propor planos de intervenção que integrem diversos espaços.
- Espaço Familiar: É o primeiro contexto de aprendizagem e deve ser considerado como parceiro fundamental no processo. Carvalho (2023, p. 3), sugere ações como:
a) Orientações aos pais: Ensinar a criar rotinas de estudo acolhedoras, sem pressão excessiva, e a utilizar atividades cotidianas (compras, preparo de alimentos, listas) como oportunidades de aprendizagem.
b) Desenvolvimento de materiais familiares: Propor a criação de álbuns de histórias, cadernos de registros e jogos caseiros que fortaleçam habilidades cognitivas e emocionais. c) Apoio à comunicação: Auxiliar famílias a estabelecerem diálogos claros e positivos sobre o processo de aprendizagem da criança.
d) Desafio profissional: Aprender a lidar com diferentes realidades familiares, respeitando costumes e limitações, e a transformar dificuldades do ambiente doméstico em oportunidades de crescimento.
- Espaço Comunitário: Mercados, parques, centros culturais, bibliotecas públicas e instituições de ensino não formal oferecem conexões entre o conhecimento escolar e a vida real. Lopes (2022, p. 47) ressalta que:
a) Esses espaços permitem a prática de habilidades em contextos significativos, fortalecendo a motivação da criança.
b) São locais ideais para o desenvolvimento de projetos interdisciplinares e de trabalho colaborativo.
c) Facilitam a inclusão social da criança com DA, promovendo relacionamentos com pares e com a comunidade.
d) Sugestão de atividade acadêmica: Mapear espaços comunitários em sua região e elaborar planos de intervenção que integrem esses locais ao processo educativo da criança.
3 METODOLOGIA
A presente investigação adotou uma abordagem de pesquisa de natureza qualitativa, com caráter exploratório e descritivo. A escolha da metodologia qualitativa justifica-se pela necessidade de aprofundar a compreensão sobre os fenômenos complexos e multifacetados que envolvem os espaços sociais e a aprendizagem de crianças com dificuldades, sob uma ótica psicopedagógica. Este tipo de abordagem permite explorar as subjetividades, as interações e os significados atribuídos pelos sujeitos aos seus processos de aprendizagem, indo além da quantificação de dados (De Paiva; De Oliveira; Hillesheim, 2021).
Como procedimento técnico, foi utilizada a pesquisa bibliográfica, configurada como uma revisão integrativa da literatura. Este método possibilita a síntese de resultados de estudos anteriores, proporcionando uma visão abrangente sobre o tema e identificando lacunas de pesquisa. A pesquisa bibliográfica, conforme Vale; Ferreira (2025, p. 4), é fundamental para construir um arcabouço teórico robusto, a partir de materiais já publicados, como livros, artigos científicos e teses, que abordam a relação entre espaços sociais, dificuldades de aprendizagem e intervenção psicopedagógica.
O processo de levantamento e análise bibliográfica será estruturado nas seguintes etapas:
1 Definição dos Descritores e Bases de Dados: Serão utilizados descritores como "Psicopedagogia", "Dificuldades de Aprendizagem", "Espaços Sociais", "Ambiente de Aprendizagem", "Mediação Pedagógica" e "Inclusão Educacional". As bases de dados consultadas incluíram Google Acadêmico, SciELO (Scientific Electronic Library Online), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e o Portal de Periódicos da CAPES, visando uma abrangência nacional e internacional da produção científica.
2 Critérios de Inclusão e Exclusão: Serão incluídos artigos científicos, livros e capítulos de livros publicados nos últimos 5 anos, que abordem diretamente a influência dos espaços sociais na aprendizagem de crianças com dificuldades, com foco na perspectiva psicopedagógica. Serão priorizados a literatura que apresente discussões teóricas e/ou resultados de pesquisas empíricas. Serão excluídos trabalhos que não se alinhem com o tema central, resenhas, editoriais ou aqueles que não apresentavam rigor metodológico e fundamentação teórica consistente.
3 Análise e Síntese do Material: O material selecionado será submetido a uma análise de conteúdo temática, conforme Vale; Ferreira (2025, p. 6), para identificar as principais categorias de análise, conceitos-chave e as contribuições dos autores para a compreensão da dinâmica entre espaços sociais e o processo de aprendizagem em crianças com dificuldades. A síntese dos dados permitirá a construção de um panorama teórico que embasa a discussão sobre a intervenção psicopedagógica.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Quadro 1: Resumo dos estudos amostra.
Título | Autor | Revista e ano de publicação | Objetivos do estudo | Resultados |
|---|
Influência do espaço ambiente escolar no processo de inclusão da criança com transtorno do espectro autista. | DA ROSA, Marta Fermina Souza; TRUCCOLO, Adriana Barni | REVISTA DELOS, v. 18, n. 66, p. e4613- e4613, 2025. | Investigar a influência da organização do espaço-ambiente escolar para que a criança com transtorno do espectro autista sinta-se incluída. | Os resultados indicaram que A verdadeira inclusão da criança com TEA ocorre quando tem suas dificuldades analisadas respeitando-se o seu tempo e promovendo o desenvolvimento de suas potencialidades, quando há o reconhecimento e a valorização da diversidade. |
|---|---|---|---|---|
A organização dos espaços na educação infantil: contribuições de um estado do conhecimento. | DE CASTRO, Sandra Maria Pinto; MACHADO, Edneia Maria Azevedo. | Cuadernos de Educación y Desarrollo QUALIS A4, v. 17, n. 2, p. e7465- e7465, 2025. | Compreender como os professores organizam os espaços e como essa organização é integrada ao planejamento docente, para promover o protagonismo das crianças. | A pesquisa aponta para a necessidade de compreender a organização do espaço como uma proposta educativa, alinhada às concepções contemporâneas da Educação Infantil e atenta aos desejos e percepções das crianças sobre o ambiente escolar. |
Proposições, desafios e perspectivas sobre as Dificuldades de Aprendizagem no ambiente escolar. | DA SILVA, Adriano Rosa. | Revista JRG de Estudos Acadêmicos, v. 8, n. 18, p. e082150- e082150, 2025. | Investigar, por meio de revisão bibliográfica e abordagem descritiva qualitativa, aspectos considerados relevantes acerca da temática proposta, enfatizando o campo educacional como espaço interventivo e concebendo as dificuldades de aprendizagem como fenômeno causado por múltiplos fatores. | Assim, o estudo buscou mostrar como a aprendizagem pode ser potencializada por meio de um ambiente propício e de práticas intencionais direcionadas. Cabe destacar também que foram levantados apontamentos no sentido de caracterizar quatro distúrbios de aprendizagem, mais recorrentemente encontrados na literatura. |
Impacto das dificuldades de aprendizagem no desenvolvimento socioemocional. | FILIPE, Vania Trosdtorf. | Revista SL Educacional, v. 5, n. 12, p. 164, 2023. | Explorar a interconexão entre as dificuldades de aprendizagem e o desenvolvimento socioemocional, lançando luz sobre os complexos efeitos que essas dificuldades podem exercer sobre a vida dos indivíduos afetados. | A análise aprofundada dessas manifestações destaca o impacto nas relações sociais, a autoestima prejudicada devido a fracassos acadêmicos e a desregulação emocional, contribuindo para um cenário socioemocional complexo. |
O psicopedagogo e as intervenções nas dificuldades de aprendizagem. | SILVA, Rafael Soares; DA SILVA, Fabio José Antonio. | Experiência. Revista Científica de Extensão, v. 8, n. 2, p. 01- 11, 2022. | Diagnosticar os fatores maléficos que interferem na aprendizagem, avaliando o enfoque psicopedagógico da dificuldade de aprendizagem, os processos de desenvolvimento e os caminhos da aprendizagem no contexto escolar, familiar e no aspecto afetivo, cognitivo e biológico. | Surge no espaço pedagógico a reflexão de que a escola tem a tarefa primordial de “reconstruir” o papel e a figura do aluno, proporcionando lhe serem criador e protagonista do seu conhecimento. |
Aulas Remotas Durante a Pandemia: dificuldades e estratégias utilizadas por pais. | LUNARDI, Nataly Moretzsohn Silveira Simões | Educação & Realidade, v. 46, n. 2, p. e106662, 2021. | Compreender as representações sociais de pais sobre suas dificuldades e estratégias utilizadas nas aulas remotas oferecidas aos seus filhos. | Os resultados apontaram dificuldades com: internet, administração do tempo, concentração e conciliação do estudo/trabalho. |
Os desafios das crianças com autismo à Educação Inclusiva. | SILVEIRA, Núbia Maria Gomes; SANTOS, Laissa Karen Faustino; STASCXAK, Francinalda Machado. | Ensino em Perspectivas, v. 2, n. 4, p. 1-12, 2021. | Refletir sobre os desafios das crianças com autismo no contexto da educação inclusiva. | Os processos de aprendizagens dos alunos com autismo são mais suscetíveis ao sucesso quando estes recebem estímulos pautados em atividades lúdicas, favorecendo assim, a interação entre todas as crianças inseridas na Educação Básica. |
As contribuições do AEE para o desenvolvimento das crianças com dificuldades de aprendizagem. | DA SILVA, Izabel Rodrigues. | Revista Missioneira| Santo Angelo| v, v. 23, n. 2, p. 23-38, 2021. | Entender a relação da sala de AEE com a sala de aula regular; perceber a contribuição do atendimento educacional especializado para o desenvolvimento das crianças com NEE; identificar estratégias utilizadas no atendimento educacional especializado que contribuem para o desenvolvimento das crianças. | Os resultados desses estudos nos permitiram entender que ainda falta muito para a inclusão realmente acontecer, mas que a escola se esforça na medida do possível para atender a todo tipo de necessidades, adquirindo recursos de acordo com a especificidade de cada um, para que possa ter um atendimento completo e suficiente para desenvolver suas habilidades. |
Fonte: autoral, 2026.
Mediante a questão norteadora, que nos levou ao desenvolvimento deste, que se trata de como acontece a aprendizagem de crianças com dificuldades de aprendizagem nos ambientes já mencionados do decorrer do trabalho, ancorados nos objetivos propostos para a realização do estudo, encontrou-se a literatura acima apresentada, que selecionamos para amostra e discussões, embasada nos autores, que concordam a respeito da aprendizagem, apontam que o espaço de autoria e o meio social no qual se aprende, pois, "a análise das dificuldades de aprendizagem sob uma perspectiva psicopedagógica exige a compreensão de que o aprender não é um processo isolado, mas ocorre na intersecção entre o sujeito e os diversos espaços sociais que ele habita,” descrito por (Da Rosa; Truccolo, 2025).
A partir da análise realizada ao longo deste trabalho, torna-se evidente que a aprendizagem da criança não pode ser compreendida apenas dentro dos limites da sala de aula ou sob a ótica exclusiva do desempenho escolar. A forma como a criança aprende, se relaciona com o conhecimento e expressa suas dificuldades está diretamente ligada aos diferentes espaços sociais que compõem sua experiência de vida, como a família, a escola, a comunidade e o contexto sociocultural mais amplo.
A escola, como um dos principais espaços de socialização e construção do conhecimento, assume papel central nessa discussão. Quando se organiza de forma inclusiva, com práticas pedagógicas flexíveis, respeito ao ritmo de cada aluno, valorização das diferenças e diálogo com a família, ela se torna um ambiente de possibilidade e transformação. Entretanto, quando prevalecem metodologias rígidas, avaliações punitivas, falta de acolhimento e preconceitos em relação aos alunos com dificuldades, a instituição escolar pode reforçar processos de exclusão, humilhação e desinvestimento do aprender (Silva; Da Silva, 2022).
A psicopedagogia, enquanto campo de saber e de intervenção que articula psicologia, pedagogia e outras áreas afins, mostra-se fundamental para compreender esse processo de maneira integrada. Ao invés de reduzir a dificuldade de aprendizagem a um rótulo, diagnóstico ou “defeito” individual, a perspectiva psicopedagógica convida a enxergar a criança como sujeito de desejo, de história e de vínculos, que aprende em interação constante com o outro e com o meio em que vive. Assim, o fracasso escolar deixa de ser visto como responsabilidade exclusiva do aluno e passa a ser entendido como um fenômeno multifatorial, atravessado por aspectos afetivos, cognitivos, familiares, institucionais e sociais (Lunardi, 2021).
Segundo Silva; Da Silva (2022), “para que a aprendizagem se concretize, é necessário que o meio ofereça um 'espaço de autoria’”, onde a criança não apenas repita informações, mas consiga transformar o objeto de conhecimento em algo próprio. Nesse sentido, quando os espaços sociais, sejam eles a sala de aula ou o ambiente familiar, apresentam-se rígidos,
punitivos ou excessivamente normatizados, o sintoma da dificuldade de aprendizagem pode surgir como uma resposta a um ambiente que não valida a singularidade do aprendiz. Assim, a intervenção psicopedagógica nesses espaços deve visar a restauração do prazer de conhecer, transformando ambientes de exclusão em territórios de mediação, onde o erro é visto como parte do processo construtivo e não como um fracasso inerente ao sujeito.
Em relação às discussões sobre espaços de aprendizagem não formais em Psicopedagogia, sabe-se que esta é uma área que se dedica ao estudo dos processos de aprendizagem e das dificuldades que podem surgir nesse contexto. Um dos aspectos mais relevantes dessa disciplina é a análise dos espaços de aprendizagem, que não se restringem apenas ao ambiente escolar formal. Neste sentido a importância dos espaços de aprendizagem não formais e como eles podem ser utilizados na prática psicopedagógica, pois nesses ambientes a aprendizagem ocorre de maneira mais flexível e menos estruturada do que nas instituições educacionais tradicionais (Lunardi, 2021).
Os espaços de aprendizagem não formais desempenham um papel crucial no desenvolvimento integral do indivíduo. Silveira; Santos; Stascxak, (2021), apresentam algumas das suas principais contribuições, que incluem: “estímulo à autonomia,” esses ambientes permitem que os aprendizes explorem seus interesses de forma mais livre, promovendo a autonomia e a autoeficácia. A liberdade de escolha é um fator motivador que pode levar a um aprendizado mais significativo.
Outro ponto que merece destaque e de consenso entre a literatura amostra da pesquisa está relacionado à “aprendizagem experiencial,” apontando que a aprendizagem não formal frequentemente envolve experiências práticas e interativas, que são fundamentais para a construção do conhecimento. Através da vivência, os aprendizes podem relacionar teoria e prática de maneira mais eficaz, conforme, (Filipe, 2023).
Todos os autores concordam da participação de atividades em grupo, quanto ao desenvolvimento de habilidades sociais, pois em espaços não formais ajuda a desenvolver habilidades sociais, como trabalho em equipe, comunicação e empatia. Essas competências são essenciais para a convivência em sociedade, (De Castro; Machado, 2025). A importância de inclusão e diversidade é um ponto importante, tendo em vista que os espaços de aprendizagem não formais tendem a ser mais inclusivos, permitindo que pessoas de diferentes idades, origens e habilidades aprendam juntas. Isso enriquece a experiência de aprendizagem e promove a diversidade (Filipe, 2023).
A interseção entre psicopedagogia e espaços não formais pode se beneficiar enormemente da integração de espaços de aprendizagem não formais em suas práticas, incluindo diagnóstico e intervenção, desenvolvidos por psicopedagogos, que podem utilizar esses ambientes para realizar diagnósticos mais abrangentes, observando o comportamento e as interações dos aprendizes em contextos diversos, elaborando programas de intervenção. Desenvolver programas que utilizem espaços não formais pode ser uma estratégia eficaz para atender às necessidades de aprendizagem de indivíduos com dificuldades. Por exemplo, oficinas em museus podem ser adaptadas para trabalhar habilidades específicas.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir da análise realizada ao longo deste trabalho, torna-se evidente que a aprendizagem da criança não pode ser compreendida apenas dentro dos limites da sala de aula ou sob a ótica exclusiva do desempenho escolar. A forma como a criança aprende, se relaciona com o conhecimento e expressa suas dificuldades está diretamente ligada aos diferentes espaços sociais que compõem sua experiência de vida, como a família, a escola, a comunidade e o contexto sociocultural mais amplo.
Este estudo evidenciou que os espaços sociais podem tanto potencializar quanto limitar a aprendizagem. Em famílias que oferecem afeto, escuta, limites e incentivo ao estudo, a criança tende a encontrar um ambiente emocional mais seguro para arriscar, errar, tentar de novo e construir autonomia. Por outro lado, em contextos marcados por violência, negligência, desorganização ou extrema vulnerabilidade social, é comum que as dificuldades de aprendizagem sejam intensificadas, não apenas por falta de recursos materiais, mas também por ausência de suporte emocional e simbólico.
Os espaços de aprendizagem não formais são fundamentais para a construção de um processo educativo mais dinâmico e inclusivo. A psicopedagogia, ao integrar esses ambientes em sua prática, pode ampliar suas abordagens e oferecer um suporte mais eficaz aos aprendizes.
A valorização desses espaços é um passo importante para a promoção de uma educação que respeite a diversidade e as singularidades de cada indivíduo.
Como implicação prática, este trabalho aponta para a necessidade de políticas e ações que valorizem a formação continuada dos educadores, o fortalecimento do vínculo escola– família, a ampliação de redes de apoio psicossocial e a garantia de acesso a serviços psicopedagógicos, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade. Ressalta também a importância de combater rótulos e estigmas dirigidos às crianças com dificuldades de aprendizagem, substituindo discursos de possíveis causas por uma visão mais solidária, crítica e comprometida com o direito de todos à educação de qualidade.
Em síntese, conclui-se que compreender os espaços sociais e sua influência na aprendizagem das crianças com dificuldades, sob uma perspectiva psicopedagógica, significa reconhecer que ninguém aprende sozinho, nem em vazio social. Toda aprendizagem é atravessada por relações, histórias e condições concretas de vida. Ao iluminar essas dimensões, a psicopedagogia contribui para que a escola, a família e a sociedade se tornem, de fato, espaços promotores de desenvolvimento, inclusão e dignidade para as crianças que enfrentam desafios em seu percurso escolar.
REFERÊNCIAS
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Graduada em pedagogia, acadêmica no Curso de Especialização em Psicopedagogia Clínica, Institucional e Hospitalar da Faculdade de Ensino Superior do Piauí–FAESPI. E-mail: luzenildaleitevieiravaladao@gmail.com
Currículo Lattes: Orcid: ↑
Mestre em Educação. Doutor em Educação. Doutor em Gestão. Doutor Honoris Causa. Pós doutor em Humanidade – Unilogos – Flórida- EUA. Professor da disciplina de Metodologia Científica e Orientador do Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, do Curso de Especialização em Psicopedagogia Clínica, Institucional e Hospitalar da Faculdade de Ensino Superior do Piauí - FAESPI. esteliobarbosasilva@gmail.com / Contato- (86) 99974-7965/Endereço do currículo lattes no CNPQ: ↑

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