Palavras-chave
Transtornos Globais do Desenvolvimento Infantil
Sistema Único de Saúde
Assistência do enfermeiro à criança autista na atenção primária à saúde: revisão integrativa
Nursing care for autistic children in primary health care: an integrative review
Cuidados de enfermería para niños autistas en atención primaria de salud: una revisión integradora
José Elivaldo Mendes Correia[1]; Andressa Gabrielly Martins Brito[2]; Agesilau Coelho de Carvalho[3]; José Fortunato Branco Bandeira Filho[4]; Fernando Pinheiro Costa Junior[5]; Fernanda de Jesus Lopes de Melo[6]; Nielson Valério Ribeiro Pinto[7]; Diessika Helena Costa Halvantzis[8]; Francisca Bruna Arruda Aragão[9]
RESUMO
O presente trabalho tem como tema a assistência do enfermeiro à criança autista na atenção primária à saúde, no qual foi proposto discutir acerca da importância da enfermagem no que concerne às crianças com TEA. Objetivou-se analisar a assistência de Enfermagem na atenção primária à criança autista. Trata-se de uma revisão integrativa, realizada nas bases de dados, a saber: SciELO, LILACS, BDENF e MEDLINE, utilizando os respectivos descritores: Atenção primária à saúde AND Enfermagem AND Transtorno do Espectro Autista, entre os anos de 2013 a 2023. A seleção dos artigos obedeceu aos seguintes critérios de inclusão: estudos disponíveis na íntegra de forma gratuita na língua portuguesa, que foram publicados nos últimos cinco anos, cujo resultados cumprem com os objetivos deste estudo. Foram excluídos os artigos duplicados e que após a leitura na íntegra observou-se que os mesmos não contemplavam os objetivos propostos pela pesquisa. Observou-se que esse tipo de transtorno pode ser designado como alterações no neurodesenvolvimento, podendo ser manifestadas através de déficit na comunicação, desenvolvimento atípico, convívio intra e extrafamiliar deficiente, padrões repetitivos e manifestações comportamentais. Dessa forma, a enfermagem tem papel de grande importância com pais e filhos, dando suporte necessário e de maneira correta a essa família, auxiliando-os nos cuidados com a criança e no reforço do autocuidado dela, fornecendo assim informações importantes para um melhor entendimento sobre o transtorno e dando encorajamento aos pais no cuidado.
Palavras-chave: Transtorno do Espectro Autista. Transtornos Globais do Desenvolvimento Infantil. Sistema Único de Saúde.
ABSTRACT
The theme of this study is nursing care for autistic children in primary health care, in which it was proposed to discuss the importance of nursing with regard to children with ASD. The aim was to analyze nursing care in primary care for autistic children. This is an integrative review, carried out on the following databases: SciELO, LILACS, BDENF and MEDLINE, using the respective descriptors: Primary health care AND Nursing AND Autism Spectrum Disorder, between the years 2013 to 2023. The articles were selected according to the following inclusion criteria: studies available in full and free of charge in Portuguese, published in the last five years and whose results met the objectives of this study. Duplicate articles were excluded, and after reading them in full, it was found that they did not meet the objectives proposed by the research. It was observed that this type of disorder can be designated as alterations in neurodevelopment, which can be manifested through communication deficits, atypical development, poor intra- and extra-family interaction, repetitive patterns and behavioral manifestations. In this way, nursing plays a very important role with parents and children, providing the necessary and correct support to this family, helping them to care for the child and reinforcing their self-care, thus providing important information for a better understanding of the disorder and encouraging parents in their care.
Keywords: Autistic Spectrum Disorder. Global Child Development Disorders. Unified Health System.
RESUMEN
Este estudio se centra en el rol de las enfermeras en la atención a niños autistas en atención primaria de salud, con el objetivo de analizar la importancia de la enfermería en relación con los niños con TEA (Trastorno del Espectro Autista). El objetivo fue analizar la atención de enfermería en atención primaria para niños autistas. Se trata de una revisión integradora realizada en las siguientes bases de datos: SciELO, LILACS, BDENF y MEDLINE, utilizando los descriptores respectivos: Atención primaria de salud Y Enfermería Y Trastorno del Espectro Autista, entre los años 2013 y 2023. La selección de artículos siguió estos criterios de inclusión: estudios disponibles en texto completo de forma gratuita en portugués, publicados en los últimos cinco años, cuyos resultados cumplan los objetivos de este estudio. Se excluyeron los artículos duplicados y aquellos que, tras su lectura completa, no cumplieran los objetivos de la investigación. Se ha observado que este tipo de trastorno puede clasificarse como alteraciones del neurodesarrollo, que pueden manifestarse a través de déficits de comunicación, desarrollo atípico, interacción intra y extrafamiliar deficiente, patrones repetitivos y manifestaciones conductuales. Por lo tanto, la enfermería desempeña un papel crucial con los padres y los niños, brindando el apoyo necesario y adecuado a la familia, asistiendo en el cuidado del niño y reforzando su autocuidado, proporcionando así información importante para una mejor comprensión del trastorno y alentando a los padres en su cuidado.
Palabras clave: Trastorno del espectro autista. Trastornos del desarrollo infantil a nivel mundial. Sistema Único de Salud.
1 INTRODUÇÃO
A crescente prevalência do Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem gerado um aumento significativo na demanda por serviços de saúde especializados para crianças autistas. Nesse contexto, a atenção primária à saúde desempenha um papel fundamental na detecção precoce, diagnóstico e intervenção adequada para essas crianças. Diante disso, o enfermeiro, como membro da equipe multidisciplinar de saúde, possui um papel crucial na assistência integral às crianças autistas, contribuindo para a promoção de sua saúde, bem-estar e qualidade de vida (Braga et al., 2021; Franzoi et al., 2016).
O transtorno do espectro autista é uma condição neuropsiquiátrica complexa que afeta a comunicação, interação social e comportamento da criança. A atenção primária à saúde é o primeiro ponto de contato para a maioria das famílias, sendo fundamental para identificar sinais precoces do (TEA) e encaminhar para avaliação especializada. O enfermeiro, nesse contexto, tem a responsabilidade de desenvolver habilidades de observação sensíveis e compreender os indicadores iniciais do transtorno, a fim de possibilitar uma intervenção precoce e eficaz (Bonfim et al., 2020).
Segundo a estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU), a população global de indivíduos autistas ultrapassa a marca de 70 milhões. No contexto brasileiro, acredita-se que cerca de um milhão de pessoas sejam autistas, sendo alarmante o fato de que 90% desses casos permanecem sem diagnóstico (BRASIL, 2014). O Transtorno do Espectro Autista (TEA) caracteriza-se como um distúrbio do neurodesenvolvimento humano que afeta profundamente as esferas de interação social, comunicação e comportamento. Em geral, esse transtorno é identificado durante os primeiros anos de vida, frequentemente na fase pré-escolar da criança (Pinto et al., 2016).
No contexto brasileiro, diversos atores desempenham papéis fundamentais na busca e garantia dos direitos essenciais das pessoas com (TEA), através de uma política direcionada. Através da Lei nº 12.764, datada de 27 de dezembro de 2012, foi instituída a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. À vista disso, essa política assegura aqueles que têm o (TEA) a prerrogativa de uma vida digna, preservando tanto a sua integridade física quanto moral, e permitindo o pleno desenvolvimento da sua personalidade. Além disso, a política visa proporcionar a essas pessoas segurança, oportunidades de lazer e salvaguardas contra qualquer forma de abuso ou exploração (Jorge et al., 2019). Nesse cenário, profissionais da área da saúde, educação, pais e familiares se unem para impulsionar a realização desses direitos, sustentando um ambiente que promova o bem-estar e a inclusão das pessoas com (TEA).
A abordagem centrada na criança é um princípio norteador na assistência de enfermagem à criança autista. O enfermeiro deve considerar as necessidades individuais da criança e sua família, respeitando suas características e peculiaridades. Desse modo, uma comunicação eficaz é essencial, sendo necessário utilizar estratégias adaptadas às habilidades de comunicação da criança, como linguagem visual, comunicação alternativa e aumentativa, para estabelecer uma conexão terapêutica (Melo et al., 2017).
A promoção do autocuidado é um aspecto relevante na assistência à criança autista. Dessa maneira, o enfermeiro tem um papel educativo crucial ao orientar os cuidadores sobre estratégias de manejo comportamental, adaptação do ambiente domiciliar e rotinas que favoreçam o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança. A capacitação dos pais e cuidadores contribui para a criação de um ambiente seguro e estimulante, onde a criança autista possa se desenvolver de forma mais plena (Pinto et al., 2016).
Na atenção primária, a colaboração interprofissional é indispensável para uma abordagem holística e integrada. Sendo assim, o enfermeiro deve atuar em conjunto com médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e outros profissionais, compartilhando informações e planejando intervenções que atendam às necessidades físicas, emocionais e cognitivas da criança autista (Ferreira, 2021).
Diante disso, a assistência do enfermeiro à criança autista na atenção primária à saúde desempenha um papel fundamental na detecção precoce, intervenção adequada e promoção do bem-estar da criança e de sua família. Através de uma abordagem sensível, centrada na criança e colaborativa, o enfermeiro contribui significativamente para o desenvolvimento e qualidade de vida das crianças autistas, fortalecendo a base para uma sociedade mais inclusiva e acolhedora. Desta forma, o presente estudo é fundamental para analisar a assistência de Enfermagem na atenção primária à criança autista.
2 METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, onde consiste na combinação de informações da literatura que colaboram para discussões sobre os resultados de pesquisas e a análise metodológica de determinado tema (Botucatu, 2015).
Diante disso, para definir a pergunta norteadora, foi utilizada a estratégia PICO, o qual retrata o acrônimo População, Intervenção, Comparação e Desfecho. Com isso, a pergunta consiste em: Como o enfermeiro pode desempenhar um papel fundamental na assistência de crianças autistas na atenção primária?
Quadro 1- Caracterização da estratégia PICO.
Acrônimo | Definição | Descrição |
|---|---|---|
P | População | Crianças |
I | Intervenção | Crianças autistas |
C | Controle ou comparação | Não se aplica |
O | Desfecho (‘‘outcomes’’) | Assistência de enfermagem a crianças autistas atendidas na atenção primária |
Fonte: Adaptado de Santos, Pimenta e Nobre, 2007.
Realizou-se uma busca pelas seguintes bases de dados: Scientific Eletronic Library Online (Scielo), Base de Dados Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) e PubMed. Utilizou-se como descritores: “Transtorno do Espectro Autista” AND “Transtornos Globais do Desenvolvimento Infantil” AND “Sistema Único de Saúde”.
Primeiramente, foi realizada a filtração utilizando os critérios de elegibilidade, sendo incluídos estudos observacionais, fatores de riscos, relato de casos e estudos transversais, considerando os artigos publicados nos últimos 10 anos, em inglês e português, no período de 2013 a 2023, os quais responderam os objetivos do presente estudo. Além disso, foram excluídos os artigos duplicados, incompletos, de revisão e que não se encaixaram no recorte temporal dos últimos 10 anos.
Diante do exposto, transcreveu-se os resultados encontrados nas bases de dados para um fluxograma (figura 1). A partir disso, houve uma leitura minuciosa dos artigos para elaboração do trabalho e os dados extraídos foram representados em um quadro, o qual conteve as informações para serem analisadas.
Por fim, os dados coletados foram repassados para um instrumento de coleta, e esse possui os seguintes itens: título do artigo, ano, país, método/nível de evidência, objetivos e resultados (Quadro 2). Sendo assim, foi utilizado a proposta de Melnyk e Fineout-Overholt (2005) para análise da pesquisa e identificar os resultados dos artigos.
3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foi realizado um estudo de revisão integrativa da literatura nas bases de dados descritas anteriormente, analisaram-se uma amostra de 10 artigos selecionados de acordo com os critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos.
Inicialmente, a busca ocorreu através da combinação dos seguintes descritores: “Transtornos Globais do Desenvolvimento Infantil” AND “Sistema Único de Saúde” com o operador booleano AND, resultando em 320 artigos encontrados, dos quais, 123 estudos foram descartados por suas temáticas não cumprirem com os objetivos deste estudo, textos repetidos e artigos de revisão integrativa. Resultou em 21 publicações. Assim, 11 artigos foram analisados e após leitura exaustiva de seus resultados e resumos disponíveis na íntegra, 10 estudos foram selecionados para compor a amostra final. Conforme fluxograma abaixo:
Figura 1. Fluxograma de seleção dos artigos.
Fonte: Autores: 2026.
Quadro 2 - Apresentação de amostra conforme título, autor, método/nível de evidência, objetivos e resultados.
N° | Título do Estudo | Autor/Ano | Método/ Nível de evidência | Objetivos | Resultados |
|---|---|---|---|---|---|
01 | Associações entre Sinais Precoces de Autismo, Atenção Compartilhada e Atrasos no Desenvolvimento Infantil | Zaqueu et al., 2015 | Quantitativo; Nível: IV | Buscar associações entre: sinais precoces dos TEA, falhas na atenção compartilhada-AC e atrasos de desenvolvimento. | Observou-se que cinco crianças apresentaram sinais precoces dos TEA; todas falharam nas provas de AC (PICS). Nas crianças que apresentaram sinais indicativos de TEA, os déficits mais comuns foram relacionados à atenção compartilhada, área que deve ser privilegiada em avaliações precoces. |
02 | Efetividade de um programa de capacitação em identificação precoce do transtorno do espectro autista na atenção básica em saúde | Lampert et al., 2016 | Quantitativo; Nível: IV | Avaliar os resultados do programa de capacitação dirigido à Atenção Básica em Saúde, com vistas à identificação precoce dos sinais de alerta para o TEA, | Foi possível constatar que mais de 70% dos ACS referiram sentir-se satisfeitos com a capacitação, tanto ao final do programa de capacitação quanto no follow up, que mediu a aplicabilidade dos conhecimentos na prática. Por fim, são apresentados os perfis de 4 crianças identificadas pelos ACS como crianças em risco para o TEA, após 4 meses de finalização da capacitação. |
03 | Mapeamento dos serviços que prestam atendimento a pessoas com transtornos do espectro autista no Brasil | Portolese et al., 2017 | Quantitativo;Nível: IV | Mapear as instituições brasileiras que prestam atendimento a indivíduos com TEA. | O atendimento multiprofissional foi mais frequente e dentre as abordagens teóricas destacam-se os métodos TEACCH, Psicoeducação e ABA. |
04 | Avaliação de comportamentos em puericultura para identificação precoce do transtorno do espectro autista | Murari et al., 2018 | Quantitativo e qualitativo; Nível: VI | Avaliar atendimentos de puericultura realizados nas Unidades Básicas de Saúde | Observou-se que, para a identificação precoce dos sinais do TEA, os atendimentos são contextos possíveis se houver reformulação do material utilizado e capacitação profissional. |
05 | Rastreamento precoce dos sinais de autismo infantil: Um estudo na atenção primária à saúde | Oliveira et al., 2019 | Relato de experiência; Nível: VI | Rastrear os sinais de autismo infantil na Atenção Primária à Saúde. | Os resultados apontam que 20,45%(9) das crianças foram identificadas como casos suspeitos de TEA, e as mesmas foram encaminhadas a um especialista com a finalidade de se obter um diagnóstico adequado. |
06 | Vivências familiares na descoberta do transtorno do espectro autista: implicações para a enfermagem familiar | Bonfim et al., 2020 | Qualitativo e descritivo; Nível: VI | Descrever a vivência da família no processo de descoberta do diagnóstico e início do tratamento de crianças com transtorno do espectro autista | Observou-se que no início, houve dificuldade da família na percepção dos primeiros sinais atípicos apresentados pelas crianças. As famílias vivenciam situações de vulnerabilidade, visto que redes de apoio são insuficientes. A escola teve papel significativo no reconhecimento de comportamentos inesperados. |
07 | Conhecimento sobre Transtorno do Espectro Autista entre profissionais da atenção básica de saúde | Oliveira et al., 2020 | Quantitativo; Nível: IV | Investigar o conhecimento dos profissionais de saúde (médicos e enfermeiros) que atuam na Atenção Básica | Observou-se uma diferença significativa na média de acertos total entre médicos (média=14,3; desvio padrão=2,4) e enfermeiros (média=12,8; desvio padrão=2,1) e não foi encontrada diferença entre o tempo de experiência e o número total de acertos. |
08 | Indicadores para triagem do transtorno do espectro autista e sua aplicabilidade na consulta de puericultura:conhecimento das enfermeiras | Pitz et al., 2021 | Descritivo e qualitativo; Nível: VI | Descrever o conhecimento da enfermeira da Estratégia da Saúde da Família (ESF) | Utilizou-se a análise temática para categorização e análise dos dados. Os resultados foram construídos em três categorias, sendo uma delas “Conceituando o TEA, descrevendo a importância da triagem precoce e vivenciando a assistência às crianças com TEA”. |
09 | Perspectivas dos médicos de clínica geral em relação à vigilância precoce do desenvolvimento do autismo no ambiente de cuidados de saúde primários australiano: um estudo qualitativo | Barbaro et al., 2023 | Qualitativo; Nível: VI | Avaliar os desafios significativos na identificação precoce de autismo em crianças | No entanto, foram identificadas várias barreiras práticas e socioeconômicas, além do conhecimento e da utilização limitados de ferramentas de rastreio do desenvolvimento infantil, bem como dos impactos do confinamento da COVID-19. |
10 | Diagnóstico precoce do autismo e outros transtornos do desenvolvimento, Brasil, 2013–2019. | Girianelli et al., 2023 | Transversal e exploratório; Nível: VI | Investigar os fatores associados ao diagnóstico precoce do autismo e de outros tipos de transtorno global do desenvolvimento (TGD) de crianças atendidas no Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil. | Das 22.483 crianças incluídas no estudo, a maioria era do sexo masculino (81,9%), residia no mesmo município em que foi diagnosticada (96,8%) e na região Sudeste (57,7%). |
Fonte: Autores, 2026.
Segundo estudos de Zaqueu et al., (2015), o processo de desenvolvimento infantil inicia-se na vida intrauterina, onde sofre a influência de diversos fatores biológicos e ambientais. Logo após o nascimento, é de suma importância o monitoramento de diferentes indicadores do desenvolvimento nos aspectos de psicomotricidade, funções sensoriais, linguagem, comunicação, cognição e funcionamento sócio adaptativo (Zeppone et al., 2012). Validando os estudos do referido autor, Botelho (2011) salienta acerca da identificação de atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor e de sinais precoces de TEA, uma vez que, abre possibilidades para a compreensão de determinadas variáveis envolvidas nessas condições, vindo a contribuir com a adoção de ações e medidas de prevenção e intervenção.
De acordo com os estudos de Lampert et al., (2016), quando se tem o conhecimento acerca das manifestações precoces do Transtorno do Espectro Autista (TEA), ou seja, se verifica premente a presença de sinais comportamentais no desenvolvimento da criança, cria-se possibilidades de intervenções, as quais contribuem na redução do risco da manifestação mais severa dos sintomas e melhorando o prognóstico (Franzoi, 2016).
Segundo análises corroborativas de Brasil (2006), um dos contextos para identificação precoce do (TEA) decorrem dos serviços de atenção primária, por constituírem o primeiro nível de acesso à assistência à saúde, e, no Brasil, a estratégia de organização da Atenção Básica (ou atenção primária) no Sistema Único de Saúde é denominada Estratégia de Saúde da Família (ESF) (Botelho, 2011).
Para Portolese et al., (2017), no tocante a importância da atenção primária, os agentes comunitários de saúde representam o elo entre a comunidade e o serviço de saúde público, pois, entre as suas atribuições está o desenvolvimento de ações que busquem a integração entre a equipe de saúde e a população vinculada na Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência (Brasil, 2012).
A assistência de enfermagem à criança denota especificidades uma vez que o profissional de enfermagem necessita estabelecer uma parceria com os pais da criança, para que juntos possam realizar o cuidado pleiteado. Em contraposição, cabe salientar que os pais, mediante o acompanhamento dos filhos denotam compartilhar a responsabilidade da assistência (Oliveira et al., 2017).
Diante disso, corroborando com os estudos de Portolese et al., (2017) Teixeira et al., (2016) destaca a importância de um diagnóstico completo de crianças com a predisposição para o TEA, levando em consideração o histórico comportamental e as observações clínicas conduzidas por uma equipe multidisciplinar experiente (BRAGA, 2021). Outrossim, a Atenção Básica tem o papel de realizar identificação e manejo de casos, sendo composta por Unidades Básicas de Saúde e de Equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF), desenhadas para identificação precoce, acompanhamento e cuidado integral dos indivíduos (Franzoi, 2016).
Para Murari et al., (2018), desde os primeiros dias de vida, a criança e a mãe tem oportunidade de interagir com profissionais da saúde na UBS, de forma gratuita e periódica, o que ajuda no acompanhamento do desenvolvimento da criança, e consequentemente, no tratamento bem-sucedido em casos de diagnósticos precoces do TEA (Braga, 2021).
Em relação à importância dos profissionais da área da saúde, Bonfim et al., (2020) alude sobre os enfermeiros como responsáveis por identificar problemas médicos, biológicos, desempenhando um papel importante no trabalho de mudança dessas condições. Contudo, é importante que os profissionais investiguem as impressões dos pais sobre o desenvolvimento global dos filhos e sobre as interações sociais, como contato visual, compartilhamento de interesses e habilidades imaginativas (Melo, 2017).
Assim, Jorge et al., (2019) vai salientar acerca de um diagnóstico de TEA, em relação à assistência especializada e terapias de estimulação precoce, bem como a família, em razão do impacto do adoecimento e as mudanças por ela causada, necessitam de apoio e assistência, principalmente para aprender a lidar com essa nova realidade e a se reorganizar frente às novas demandas e mudanças (Magalhães et al., 2020).
De acordo com o Mohammadi et al. (2019) a assistência de enfermagem voltada a crianças autistas demonstra relevante importância, uma vez que, se observa que os pais de crianças portadoras do referido distúrbio possuem maiores dificuldades no cuidado, devido às situações que envolvem os aspectos mentais, sociais e físicas, se apresentando, dessa forma, estressados.
Assim Zeppone et al., (2012) concorda com os demais autores ao enfatizar que, com o aumento da incidência de autismo, os profissionais de saúde devem estar aptos a diagnosticar e cuidar de crianças com autismo e alertas para a identificação dos sinais de risco, pois ainda existe uma debilidade em termos de conhecimento e capacitação profissional em relação às práticas diagnósticas e à implementação de intervenções (Fernandes et al., 2020)
Para Murari et al., (2018) diagnóstico tardio, entretanto, ainda é uma realidade internacional. Dentre as razões podem estar a falta de adesão de pediatras aos protocolos de avaliação, a variação de experiência e o uso de instrumentos não validados (Nogueira et al., 2018).
Corroborando com os estudos de Oliveira et al., (2020) Girianelli et al., (2023) enfatiza que a probabilidade de diagnóstico precoce diferiu entre as regiões, sendo maior para o Nordeste e o Sudeste quando comparados ao Norte, mesmo quando ajustada pelas demais variáveis incluídas no modelo, ficando demonstrado que das 22.483 crianças incluídas em seu estudo, a maioria era do sexo masculino (81,9%), residia no mesmo município em que foi diagnosticada (96,8%) e na região Sudeste (57,7%).
CONCLUSÃO
É designado como características do Transtorno do Espectro Autista (TEA), alterações no neurodesenvolvimento, podendo ser manifestadas através de déficit na comunicação, desenvolvimento atípico, convívio intra e extrafamiliar deficiente, padrões repetitivos e manifestações comportamentais. Considerando esse cenário, o Brasil teria uma estimativa populacional de aproximadamente 4,84 milhões de crianças autistas. No entanto, ainda não é possível mensurar precisamente os números de prevalência, devido à deficiência e a falta de investimentos em estudos que possam permitir alcançar um percentual fidedigno dos números de casos no território brasileiro.
Dessa forma, a inserção da saúde mental na Atenção Primária à Saúde (APS), torna o atendimento mais acessível e contribui para uma melhora nos resultados clínicos. Facilitando a identificação dos problemas mentais, precocemente, com a possibilidade de tratá-los, lidar com eles, remeter para outros níveis de atendimento, promover a saúde e prevenir complicações. Apesar de o TEA não ter cura, a intervenção precoce ajuda na diminuição dos sintomas causados, como altera o prognóstico.
Nessa perspectiva, é essencial que o diagnóstico seja realizado por uma equipe interdisciplinar de profissionais da saúde, constituída por, no mínimo, um neuropediatra e um psicólogo especialista em distúrbios do neurodesenvolvimento.
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Enfermeiro. Universidade Ceuma - São Luís – MA, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0009-0007-4866-3910. E-mail: joseelivalmc@gmail.com ↑
Discente de Medicina. Universidade Ceuma - São Luís – MA, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0009000022808754. E-mail: andressagabriellymb@gmail.com ↑
Discente de Medicina - Universidade Ceuma - São Luís – MA, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0009-0000-0458-7003. E-mail: agesilaucarvalho@yahoo.com.br ↑
Discente de Medicina. Universidade Ceuma - São Luís – MA, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0009-0002-0013-719X. E-mail: jfbbfilho@gmail.com ↑
Discente de Medicina. Universidade Ceuma - São Luís – MA, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0009-0000-4311-0179. E-mail: fcjunior1@gmail.com ↑
Discente de Medicina. Universidade Ceuma - São Luís – MA, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0009-0009-1100-6313. E-mail: fernandajmelo@gmail.com ↑
Enfermeiro. Universidade Ceuma - São Luís – MA, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-5531-829X. E-mail: nielson_valerio@hotmail.com ↑
Médica Psiquiatra. Universidade Estadual do Maranhão - São Luís – MA, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0009-0003-9742-3527. E-mail: diessikahelena@gmail.com ↑
Doutora em Ciências. Universidade de São Paulo - Ribeirão Preto, SP, Brasil. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-1191-0988. E-mail:aragao_bruna@hotmail.com ↑

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