Estratégias de ensino estruturadas para alunos com transtorno do espectro autista na educação básica
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.

Palavras-chave

Autismo
Educação inclusiva
Estratégias pedagógicas
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Estratégias de ensino estruturadas para alunos com transtorno do espectro autista na educação básica

Structured teaching strategies for students with autism spectrum disorder in basic education

Edicleia dos Santos Farias[1]

RESUMO

Autismo é um distúrbio do desenvolvimento neurológico que afeta a comunicação social, o comportamento e a interação social. O autismo caracteriza-se por dificuldades em diferentes graus de intensidade em várias áreas, como: habilidade de comunicação, relacionamento social, funcionamento cognitivo, processo sensorial e comportamento. O atendimento escolar de alunos autistas tem sido alvo de reflexões e propostas diferenciadas. É cada vez mais da responsabilidade da escola, garantir uma educação de sucesso, dando resposta a todas as crianças, principalmente no que se refere à inclusão. O presente artigo foi realizado a partir de uma pesquisa bibliográfica a respeito do autismo, das dificuldades e possibilidades da educação inclusiva para crianças com autismo como também das estratégias para o ensino aprendizagem. O ensino aprendizagem de crianças autistas pode apresentar desafios únicos, mas com a abordagem correta, é possível ajudá-las a alcançar seu potencial máximo. Ressalta-se a importância de se conhecer as peculiaridades do transtorno, para que sejam tomadas as medidas educacionais necessárias tendo em vista as características específicas de cada aluno.

Palavras-chave: Autismo. Educação inclusiva. Estratégias pedagógicas.

ABSTRACT

Autism is a neurodevelopmental disorder that affects social communication, behavior, and social interaction. It is characterized by difficulties of varying degrees of intensity in several areas, such as communication skills, social relationships, cognitive functioning, sensory processing, and behavior. The educational support provided to students with autism has been the subject of reflections and differentiated proposals. Schools are increasingly responsible for ensuring successful education for all children, particularly with regard to inclusion. This article was developed based on a bibliographic review concerning autism, the challenges and possibilities of inclusive education for children with autism, as well as teaching and learning strategies. The teaching and learning process of children with autism may present unique challenges; however, with the appropriate approach, it is possible to help them achieve their full potential. The importance of understanding the specific characteristics of the disorder is emphasized so that the necessary educational measures can be adopted, taking into account the individual needs and characteristics of each student.

Keywords: Autism; Inclusive Education; Pedagogical Strategies.

INTRODUÇÃO

Nas definições de Correia e Muniz (2010) o autismo pode ser descrito como um distúrbio do desenvolvimento neurológico que afeta a comunicação social, o comportamento e a interação social. É uma condição do espectro autista, o que significa que as pessoas com autismo podem apresentar uma ampla variedade de sintomas e níveis de gravidade.

As características do autismo geralmente se manifestam antes dos 3 anos de idade e podem incluir dificuldades de comunicação, como falta de habilidades de linguagem ou dificuldade em manter uma conversa. Além disso, as pessoas com autismo podem ter dificuldades na interação social, como dificuldade em fazer amigos e em entender as emoções e expressões faciais dos outros. Outro comportamento comum é a repetição de ações ou frases, como bater as mãos, balançar o corpo ou repetir frases ou palavras (TEIXEIRA, 2016).

Os interesses das pessoas com autismo podem ser intensos e restritos, como fixação em um objeto ou assunto específico. Por exemplo, uma pessoa com autismo pode ter um interesse obsessivo em trens ou em contar objetos (GAIATO, 2018).

É importante enfatizar que as alterações geradas pelo autismo infantil refletem no ambiente familiar e escolar. O ensino aprendizagem de crianças autistas pode apresentar desafios únicos, mas com a abordagem correta, é possível ajudá-las a alcançar seu potencial máximo. Para Daguano e Fantacini (2011) a educação de crianças autistas deve ser individualizada e adaptada para atender às suas necessidades específicas.

O objetivo desta pesquisa é discutir sobre os conceitos de autismo e suas características bem como as leis que regulamentam a educação especial e a educação inclusiva. De maneira mais específica, será abordada a educação da criança com autismo, apontando possíveis estratégias que possam facilitar o ensino aprendizagem.

A pesquisa justifica-se pelo fato de que ao adotar essas estratégias, os educadores podem ajudar a criar um ambiente de aprendizagem acolhedor e inclusivo para crianças autistas. Com a abordagem correta, é possível ajudar essas crianças a alcançar seu potencial máximo e a se tornarem membros bem-sucedidos da sociedade..

METODOLOGIA

A pesquisa caracteriza-se como bibliográfica, de abordagem qualitativa e natureza descritiva, desenvolvida a partir da análise de livros, artigos científicos, legislações e produções acadêmicas relacionadas ao Transtorno do Espectro Autista e à educação inclusiva. O estudo buscou compreender as principais características do autismo, os desafios enfrentados no processo de inclusão escolar e as estratégias pedagógicas voltadas ao ensino-aprendizagem de estudantes com TEA na educação básica. Para a construção do referencial teórico, foram utilizados autores que discutem tanto os aspectos clínicos e comportamentais do autismo quanto às práticas educacionais inclusivas e os dispositivos legais que asseguram o direito à educação.

Quanto aos procedimentos metodológicos, realizou-se levantamento e análise de materiais publicados em livros, periódicos científicos, documentos oficiais e legislações brasileiras, com foco em identificar contribuições teóricas e práticas para o desenvolvimento de estratégias estruturadas de ensino voltadas aos alunos autistas. A análise dos dados ocorreu de forma interpretativa, considerando as diferentes abordagens apresentadas pelos autores consultados e sua relação com a realidade da inclusão escolar.

REFERENCIAL TEÓRICO

O autismo é um transtorno do desenvolvimento neurológico que afeta a comunicação, o comportamento e a interação social de uma pessoa. Embora os sintomas possam variar de pessoa para pessoa, o autismo geralmente é caracterizado por dificuldades na comunicação verbal e não verbal, padrões restritivos e repetitivos de comportamento e interesses, dificuldades em interpretar e responder às emoções dos outros e dificuldades em manter relacionamentos interpessoais significativos.

De acordo com Kirk e Gallagher (1996, p. 421) a National Society for Autistic Children define o autismo da seguinte forma:

O autismo é um distúrbio de desenvolvimento que incapacita severamente uma pessoa por toda a vida e que geralmente aparece nos três primeiros anos de vida. Ocorre em aproximadamente cinco entre 10.000 nascimentos e é quatro vezes mais comum em meninos do que em meninas. Tem sido encontrado por todo o mundo em famílias de todos antecedentes raciais, étnicos e sociais.

Segundo Leboyer (1995) o autismo apresenta algumas características marcantes: o isolamento, pela falta de capacidade de desenvolver relações interpessoais, a criança acaba demonstrando indiferença a tudo que vem do exterior; distúrbios na linguagem verbal e não verbal como o atraso na aquisição da fala e o uso não comunicativo da mesma. Há as crianças que não falam e outras que apresentam ecolalia (repetição de palavras ou frases).

Há também a inversão pronominal ao falar de si mesma na terceira pessoa e muita entonação desprovida de qualquer emoção. Há ausência da capacidade simbólica ou de certa forma limitada e expressões gestuais que não apresentam valor simbólico; vários comportamentos fixados e repetidos e muito apego a certos objetos particulares; a idade que os sintomas aparecem geralmente até o trigésimo mês, podendo a criança desenvolver normalmente nos dois primeiros anos. Não há exatidão quanto ao surgimento do autismo.

Nesse sentido, no aspecto da linguagem, a criança autista pode também apresentar a repetição da fala de outros sem levar em consideração o contexto social e o uso das palavras usadas. Além disso, a fala pode ser representada por um tom de voz muito baixo, gargalhadas, riso sem motivos e mudança de entonação e timbre da voz.

Gauderer (1993) salienta que o autismo é uma síndrome das mais difíceis de compreender, considerando-se seu aspecto variável, mudanças periódicas de sintomas e muitas vezes a falta de sinais físicos mais específicos.

É importante esclarecer que esses aspectos encontrados na linguagem da criança autista influenciam o seu relacionamento social. É o que Leboyer (1995) fala sobre o aspecto do isolamento. A criança autista, de acordo com Kaplan (1997), tem uma relação interpessoal precária. No contato visual, a criança desvia o seu olhar dos olhos dos outros, não apresenta um sorriso e muitas vezes apresenta desinteresse em participar de jogos e brincadeiras.

Caracteriza-se por uma falta (mas nem sempre uma ausência total) de comportamento de apego e por um fracasso relativamente precoce em vincular-se a uma pessoa específica. Observa-se um fracasso em brincar com seus pares e fazer amigos, falta de habilidades sociais e inadequação e, particularmente, fracasso no desenvolvimento da empatia (KAPLAN, 1997, p. 981).

Além das dificuldades nas relações interpessoais, Gauderer (1993) pontua que autistas podem ainda apresentar distúrbios em relação aos objetos, distúrbios de modulação sensoriais, mostrando-se hipersensíveis a estimulação de cores e sons, desorganizando-se em ambientes com vários estímulos. Marques (2000, p. 18) conceitua autismo “[...] o autismo é uma perturbação do desenvolvimento psicológico que afeta diretamente a forma como as pessoas percebem emoções, expressões e ações”.

Morais (2012) acrescenta que nos autistas existem aspetos curiosos e até surpreendentes, ao mesmo tempo que outros se revelam preocupantes. No primeiro caso, trata-se de competências evidenciadas ao nível de desempenhos relacionados com memórias visuais e auditivas e, por vezes, com a forma de aplicação das sequências de regras, acontecimentos ou operações mentais. No que diz respeito a aspetos preocupantes, releve-se um relacionado com comportamentos de automutilação (morder braços, ou bater com a cabeça na parede). Segundo (Marques, 2000, p. 29) o autismo:

[...] pode manifestar-se por atraso ou desvio no desenvolvimento de cada uma das três áreas seguintes, antes dos 3 anos de idade: a interação social, a linguagem usada como forma de comunicação social e o jogo simbólico ou imaginativo. Aparentemente não existe nenhum período de desenvolvimento sem problemas.

As crianças com autismo possuem repertório mais limitado que as outras crianças. Isso também é um dos motivos que leva as crianças a terem dificuldade de aprendizagem. Além disso, Oliveira (2010) acrescenta:

Dificuldades de atenção: há crianças que são incapazes de se concentrar, mesmo que por poucos segundos;

Dificuldades de raciocínio: muitas vezes as crianças autistas aprendem mecanicamente sem compreender exatamente o significado do que queremos que aprendam;

Dificuldade de aceitação dos erros: com muita frequência as crianças autistas respondem às chamadas de atenção e ordens, baixando o nível de atenção (OLIVERIA, 2010).

Morais (2012, p. 13) acrescenta que as crianças autistas apresentam diversas características que as distinguem de outras crianças. Elas tendem a resistir aos métodos normais de ensino e muitas vezes têm dificuldade em interagir com seus colegas. Além disso, elas podem rir, chorar e gritar sem motivo aparente e parecer insensíveis à dor e aos perigos reais.

Outras características comuns incluem ecolalia, reações ao som como um surdo, gritos e birras sem razão aparente, rotação de objetos, dificuldades em se misturar com outras crianças e resistência à mudança. Elas podem ter desfasamento nas capacidades motoras grossa/fina e apresentar atividade física intensa ou extrema passividade. Muitas vezes, elas precisam da ajuda do adulto para participar de atividades e interagir com outras crianças.

O autismo é geralmente diagnosticado na infância, embora alguns casos possam não ser diagnosticados até a adolescência ou mesmo a idade adulta. Não há cura para o autismo, mas existem tratamentos que podem ajudar as pessoas com autismo a gerenciar seus sintomas e a melhorar sua qualidade de vida.

A questão educativa dos alunos autistas têm grande relevância no sentido de desenvolver estratégias de ensino com a finalidade de alcançar os níveis mais altos de competências como também a defesa de um ensino com um espaço de acolhimento das diferenças. É dever do Estado garantir atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino.

Segundo a Constituição Federal de 1988, o artigo 205 diz, “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração de sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (BRASIL, 1988, p. 10). Conforme o artigo 54 do Estatuto da Criança e do Adolescente (1990):

É obrigação do Estado garantir atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência preferencialmente na rede regular de ensino, já que toda criança e adolescente tem direito à educação para garantir seu pleno desenvolvimento como pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho (BRASIL, 1990, p. 5).

Na realidade, constata-se que as escolas recebem os alunos com necessidades especiais na tentativa de inclusão, mas não realizam as adaptações necessárias para que ocorra de forma efetiva. No caso das crianças com autismo, isso é mais complicado devido ao quadro de características descritas anteriormente.

Já a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) (BRASIL, 2001) traz uma inovação ao introduzir o Capítulo V, que trata especificamente dos direitos dos educandos portadores de necessidades especiais. O Capítulo V da LDB tem como finalidade orientar os sistemas educacionais acerca da educação de alunos com necessidades educacionais especiais na sala comum das escolas da rede regular, oferecendo, também, subsídios para a constituição de modalidades de atendimento (especializado, hospitalar e domiciliar) (BRASIL, 2001).

A LDB (BRASIL, 2001) define que os educandos com necessidades educacionais especiais são os que apresentam dificuldades acentuadas de aprendizagem ou certas limitações no processo de desenvolvimento cognitivo que trazem dificuldades no acompanhamento das atividades curriculares.

Em seu artigo 2°, as Diretrizes estabelecem que os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais, assegurando condições necessárias para uma educação de qualidade para todos.

Além disso, o Relatório Mundial sobre Deficiência (OMS, 2011) sugere o processo de inclusão como a melhor alternativa de prestação de serviços na escolarização de pessoas com necessidades especiais, como também destaca a necessidade de treinamento adequado para os professores e todo pessoal escolar.

De modo semelhante, a LDB em seu artigo 58, indica que:

Art. 58 Entende-se por educação especial, para efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais.

§ 1° Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender as peculiaridades da clientela de educação especial.

§ 2° O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns do ensino regular (BRASIL, 1996, p. 19).

No entanto, para garantir a existência de espaços distintos para o atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais como salas comuns nas escolas regulares ou classes especiais, também tem-se a previsão em documentos como a Resolução CNE/CEB n° 2 de 2001, que em seus artigos 9 e 10 destaca;

Art. 9° As escolas podem criar, extraordinariamente, classes especiais, cuja organização fundamente-se no Capítulo II da LDBEN, nas diretrizes curriculares nacionais para a Educação Básica, bem como nos referenciais e parâmetros curriculares nacionais, para atendimento, em caráter transitório, a alunos que apresentem dificuldades acentuadas de aprendizagem ou condições de comunicação e sinalização diferenciadas dos demais alunos e demandem ajudas e apoios intensos e contínuos.

É preciso destacar que certos avanços na legislação deveriam proporcionar um avanço também na inclusão de pessoas com deficiência nos sistemas educacionais. O acesso, a permanência e o sucesso escolar deveriam ter maior representatividade no panorama atual. Porém, a realidade se apresenta, para a grande maioria da população, como as leis e os procedimentos legais não são totalmente conhecidos e consequentemente os direitos das pessoas com deficiências continuam sendo violados de inúmeras formas (SOTO, 2024).

Todavia, considerando-se essas perspectivas, a escola inclusiva deverá partir de um trabalho pedagógico dinâmico com uma postura mais colaborativa que permita a evolução do educando com necessidades educacionais especiais. Com relação ao aluno autista, requer a recriação de uma prática pedagógica e a participação mais ativa da criança envolvida com um processo e estratégias de ensino aprendizagem.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Antes de pensar em apenas resolver o problema de ensino aprendizagem das crianças autistas, é preciso compreender esse processo e valorizar todo potencial humano de cada pessoa, pois também faz parte da tarefa do professor não apenas ensinar conteúdos, mas também ensinar a pensar certo.

De acordo com Oliveira (2010) algumas estratégias podem ser utilizados para solucionar alguns problemas de aprendizagem, tais como: criar situações de faz-de-conta que despertem o interesse da criança; usar bonecos para representar a família; criar soluções simbólicas para ajudar a resolver os problemas; encorajar a investigar pistas e sinais; e modelar/mediar uma sequência do que se deve fazer; introduzir palavras que a criança se interesse para que, posteriormente, ela possa construir frases com elas.

Os educadores devem desenvolver um programa de educação individualizado para focalizar nos problemas específicos da criança. Isto inclui terapia de fala e do idioma, e também habilidades sociais e treinamento de habilidades cotidianas. Eles devem elaborar estratégias para que essas crianças consigam desenvolver capacidades de poderem se integrar com as outras crianças ditas “normais” (OLIVEIRA, 2010).

Neste sentido, um dos principais problemas vividos por uma criança autista é a sua incapacidade de completar uma tarefa, devido a várias razões. Assim, estratégias que podem ajudar estas crianças a concluir suas tarefas de aprendizagem na escola ou mesmo em casa deve fazer a aprendizagem muito mais agradável e eficaz para essas crianças.

A criança portadora do espectro autista é antes de mais, e acima de tudo, uma criança. No entanto é uma criança com características e comportamentos que devem ser tidos em conta, para que todo o processo terapêutico/educativo se torne o mais eficaz possível (MORAIS, 2012, p. 61).

Constata-se que no autismo há uma incapacidade que acompanha a criança durante toda a vida. Porém, com uma educação adequada, os sintomas podem não ser tão complexos e pode haver uma melhoria na qualidade de vida da criança autista. Por isso, com a finalidade de melhorar a qualidade de vida destas crianças, educadores podem desenvolver “[...] as suas capacidades, as suas competências, corrigir os seus comportamentos inadequados, aumentar a sua autonomia, ajudá-los a compreender e integrarem-se melhor no mundo em que vivem” (MORAIS, 2012, p. 61).

Leboyer (1995) aponta que nem todas as crianças autistas são iguais, uma vez que cada uma tem a sua personalidade e até sintomas autistas típicos que podem se manifestar de forma particular em cada indivíduo. Neste sentido, não há uma fórmula exata para abordar na sala de aula para ser desenvolvida com todas as crianças com estas características.

Williams (1998, apud MORAIS, 2012), em estudo realizado para professores sobre como entender o autismo aponta algumas estratégias para lidar com alunos autistas, sempre lembrando que estas estratégias devem ser adequadas às necessidades de cada aluno autista.

Com relação às dificuldades nas interações sociais de crianças autistas, a autora sugere algumas estratégias. Em primeiro lugar, é importante proteger a criança de ser importunada ou agitada por outras crianças. Também é importante educar os colegas da criança autista sobre suas necessidades e particularidades, elogiando-os quando tratam o colega autista corretamente.

Além disso, é fundamental reforçar as habilidades da criança autista, criando situações cooperativas que estejam dentro de suas áreas de habilidades, como pintura, leitura e vocabulário, para aumentar sua aceitação pelos outros. Ensinar a criança autista a reagir em situações sociais e a desenvolver um repertório de comportamentos para diversas situações sociais também é importante.

Por fim, é crucial desenvolver a capacidade da criança autista para entender as emoções dos outros e se comunicar de forma mais eficaz. Através da implementação dessas estratégias, é possível ajudar as crianças autistas a superar as barreiras sociais e a interagir de forma mais satisfatória com seus colegas e outros indivíduos da sociedade. (WILLIAMS, 1998, apud MORAIS, 2012).

Morais (2012) apresenta algumas sugestões com relação ao interesse restrito em crianças autistas. É importante evitar que a criança discuta com veemência ou faça perguntas excessivas sobre seus interesses isolados. Para limitar esse comportamento, é recomendado designar um tempo específico do dia em que a criança possa se dedicar aos seus interesses, tornando isso parte de sua rotina diária. Dessa forma, a criança aprenderá rapidamente a interromper esse tipo de comportamento fora do horário determinado.

Além disso, é importante utilizar reforço positivo seletivo, direcionado a formar o comportamento desejado, e premiar comportamentos simples e previsíveis que a criança possa absorver de outras crianças. Para crianças com autismo que não querem receber ensinamentos fora de sua área de interesse, é recomendado exigir com firmeza a execução do trabalho igual ao dos outros alunos e deixar claro que é necessário seguir regras específicas. Ao mesmo tempo, deve-se encontrar um meio-termo que permita que a criança continue a explorar seus próprios interesses.

Para crianças particularmente teimosas, pode ser necessário individualizar todos os conteúdos em torno de sua área de interesse, para gradualmente introduzir outros tópicos. Os alunos também podem receber tarefas que relacionem seus interesses com o tema em estudo. Por fim, é possível usar as fixações da criança como um caminho para abrir seu repertório de interesses, ajudando-a a se envolver em atividades que antes não lhe interessavam.

Essas estratégias podem ajudar as crianças autistas a superar as barreiras impostas por seus interesses restritos, permitindo que elas ampliem seus horizontes e se desenvolvam de forma mais abrangente. Com o apoio adequado, as crianças autistas podem explorar novos interesses e se tornarem indivíduos mais completos e integrados à sociedade (MORAIS, 2012, p. 62).

Para lidar com a fraca concentração das crianças com autismo, Morais (2012) apresenta algumas sugestões. Em primeiro lugar, os conteúdos devem ser divididos em unidades menos extensas e o professor deve oferecer feedbacks e redirecionar os estudos, de forma a facilitar o acompanhamento da criança. Além disso, é importante que o professor organize sessões de trabalho com tempo pré-determinado, pois isso ajuda as crianças com complexos problemas de concentração.

Outra sugestão é sentar o aluno com autismo na frente da turma e fazer-lhe perguntas diretas frequentemente, para ajudá-lo a prestar atenção à aula. Para auxiliar ainda mais, pode-se trabalhar uma sinalização não verbal com a criança, como um toque no ombro, quando ela não estiver atenta. O uso do sistema de ajuda do amigo também é recomendado, sentando um amigo junto da criança autista de modo que ele possa lembrá-la e voltar à tarefa ou prestar atenção à aula.

Desta forma, o professor precisa encorajar ativamente a criança com autismo a deixar suas ideias e fantasias para trás, o que pode ser uma batalha constante, uma vez que o conforto desse mundo interior é tido como muito mais atraente do que qualquer outra coisa na vida real. Com essas sugestões, é possível auxiliar a criança com autismo a ter uma melhor concentração e aproveitar mais as atividades escolares. (MORAIS, 2012).

Com relação à fraca coordenação motora, sugere-se providenciar à criança autista um programa de educação física adaptado caso a coordenação motora seja complicada. É importante envolvê-la num currículo de saúde e forma física, em vez de praticar desportos competitivos. Algumas crianças autistas podem precisar de programas mais individualizados. Nestes casos, o professor deve guiar a mão da criança repetidamente, formando letras e conexões das letras e também usar a descrição verbal. Uma vez que a criança guarda a descrição na memória, ela pode falar para si própria enquanto forma letras, independentemente. Alunos com autismo podem necessitar de mais tempo que os seus colegas para realizar tarefas e completar provas (MORAIS, 2012).

Em relação aos problemas emocionais, sabe-se que as crianças com autismo podem apresentar inteligência para frequentar uma escola regular, mas normalmente não tem estrutura emocional para enfrentar algumas exigências da sala de aula. Às vezes, são crianças que se estressam facilmente, com autoestima pequena e muito autocríticas com pouca tolerância a erros.

Para lidar com os problemas emocionais enfrentados pelas crianças autistas na escola, é importante que o professor tome algumas medidas. Uma delas é prevenir explosões oferecendo alto nível de consistência na rotina da sala de aula. Além disso, é importante ensinar a criança a lidar com o estresse e a sobrecarga para prevenir essas explosões. O professor também deve reduzir os efeitos refletidos de sua voz, sendo calmo e previsível.

É crucial que os professores estejam alerta para mudanças no comportamento que possam indicar depressão, como níveis excepcionais de desorganização, apatia ou isolamento, fadiga crónica, choro, anotações suicidas, entre outros sintomas. Em caso de identificação desses sintomas, é recomendado que se informe o terapeuta da criança para que ela possa ser avaliada quanto à depressão e receber o tratamento necessário. Por fim, é importante que as crianças autistas recebam assistência do professor assim que surgirem dificuldades em uma área particular, já que elas podem reagir mais agressivamente a falhas do que as outras crianças. (MORAIS, 2012).

Além do currículo é necessário que o professor entenda que o aluno com autismo é capaz de aprender e que precisa de meios para que isso aconteça, a metodologia aplicada e os recursos adotados são essenciais.

Destacamos a importância de atividades dinâmicas, onde as propostas trazidas pelo docente da sala devem proporcionar experiências em grandes e pequenos grupos como também, atividades individuais e motoras, relacionadas com o dia a dia da criança tendo como foco as necessidades específicas do discente com TEA. Ressaltamos que o docente deve ter uma postura flexível com relação ao planejamento e duração dessas propostas.

Um método que se alinha ao tipo de proposta pedagógica discutido em nosso trabalho é o método Teacch, o qual em português significa Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Déficits relacionados com a Comunicação. Tal método, busca a produção da comunicação através de estímulos visuais e audiovisuais, estimulando a autonomia e organização.

Para ajudar os alunos autistas a se desenvolverem plenamente, os professores podem adotar uma variedade de estratégias educacionais que levam em conta as necessidades e características específicas desses alunos. Alguns exemplos incluem:

Reduzir a sobrecarga sensorial: devido à hipersensibilidade sensorial comum em crianças com TEA, é importante que os professores adaptem o ambiente da sala de aula para diminuir a quantidade de estímulos visuais e auditivos. Isso pode ser feito através do uso de iluminação mais suave, redução de ruídos desnecessários, evitando excesso de cores e objetos decorativos na sala de aula.

Estimular a linguagem e a imaginação: jogos de faz-de-conta, fantoches e figuras podem ajudar os alunos a desenvolver habilidades linguísticas e de comunicação. Além disso, brincadeiras de imitação e jogos que envolvem ação e movimento podem ajudar a melhorar as funções do sistema nervoso e das estruturas neuronais espelho, tão importantes para o desenvolvimento social e emocional.

Atividades artísticas e sensoriais: atividades que envolvem diferentes materiais, texturas, cores e formas podem ajudar a estimular a curiosidade e a criatividade dos alunos, além de ajudá-los a desenvolver habilidades motoras finas e grossas.

Atividades que trabalhem atenção e concentração: jogos da memória, quebra-cabeças e blocos de encaixe e montar são ótimas opções para desenvolver a concentração e a memória, além de ajudar a estimular a resolução de problemas e o raciocínio lógico.

Desenvolver a consciência corporal: atividades que envolvam nomear partes do corpo, como o uso de bonecos ou de músicas e danças que fazem referência ao corpo humano, podem ajudar os alunos a desenvolver a consciência corporal e a compreensão do próprio corpo e dos outros.

Uso de recursos tecnológicos: jogos e programas pedagógicos desenvolvidos especialmente para crianças com autismo podem ser uma ótima opção para ajudar os alunos a aprender de forma mais lúdica e interativa.

Ensinar habilidades sociais: muitas crianças autistas têm dificuldade em entender e se comunicar com os outros. Os professores podem ensinar habilidades sociais, como turn-taking (ou "passar a vez"), a habilidade de iniciar e manter uma conversa, e como interpretar expressões faciais e linguagem corporal.

Exposição a diferentes texturas e materiais: proporcionar experiências sensoriais para as crianças com autismo pode ser muito benéfico para ajudá-las a compreender e lidar com diferentes texturas, materiais e objetos. Exemplos de atividades incluem brincar com massinha de modelar, areia cinética, argila, espuma e outros materiais com texturas diferentes.

Atividades físicas: atividades físicas como corrida, pular corda, pular amarelinha e outras podem ajudar as crianças a liberar energia e se sentir mais calmas e focadas. Além disso, atividades como ioga e Tai Chi podem ser benéficas para ajudar as crianças a desenvolver habilidades de autorregulação e reduzir o estresse e a ansiedade.

Jogos educativos personalizados: muitas crianças autistas têm interesses muito específicos e podem ser muito hábeis em áreas como matemática, ciência, história ou música. Os professores podem desenvolver jogos educativos personalizados para ajudar as crianças a desenvolver suas habilidades em áreas de interesse.

Aulas ao ar livre: aulas ao ar livre podem ser benéficas para ajudar as crianças a se conectar com a natureza, se movimentar e se sentir mais relaxadas e felizes. Além disso, atividades ao ar livre como observação de pássaros, caminhadas e jardinagem podem ser uma oportunidade para as crianças explorarem o mundo natural e aprenderem sobre diferentes plantas e animais.

Incentivar a criatividade: muitas crianças autistas são altamente criativas e podem ser muito talentosas em áreas como artes visuais, música ou escrita. Os professores podem incentivar a criatividade fornecendo materiais de arte variados, tocando música ou incentivando os alunos a escreverem histórias ou poemas.

Ao aplicar essas estratégias em conjunto, os professores podem criar um ambiente educacional mais inclusivo e acolhedor, que leva em conta as necessidades e potencialidades dos alunos autistas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O intuito deste trabalho fixou-se no estudo sobre o autismo e estratégias pedagógicas para o ensino aprendizagem da criança autista. Conclui-se que o interesse, a sensibilidade e a envolvência no processo ensino/aprendizagem dos docentes, quer sejam de formação especializada quer sejam do ensino regular, é primordial para dar resposta a crianças com necessidades educativas especiais.

É numa perspectiva de trabalho em cooperação e num ambiente democrático, que se contribuirá para o sucesso das crianças portadoras do Autismo, e fazer com que elas se sintam integradas e iguais às outras, para que na vida adulta se tornem pessoas com um futuro mais promissor e os menos dependentes possível de outros.

Através da pesquisa bibliográfica, levantamos informações pertinentes e necessárias para a educação da criança com autismo, apontando a importância de se conhecer as peculiaridades do transtorno, para que sejam tomadas as medidas educacionais necessárias tendo em vista as características específicas de cada aluno.

Enfim, a educação inclusiva é desafiadora, principalmente quando se trata de crianças com autismo, uma vez que suas características exigem maior empenho e atenção por parte dos profissionais bem como adaptação das escolas à realidade dessas crianças.

Importante lembrar que esse estudo não se esgota nesta pesquisa, há a necessidade de mais estudos voltados para educação inclusiva de crianças com autismo para dar embasamento aos profissionais da educação e para melhorar o ensino aprendizagem..

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  1. Mestrando em Educação pela Ivy Enber Christian University. E-mail: edisfarias04@gmail.com.

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