O papel do fisioterapeuta esportivo no acompanhamento de atletas paralímpicos
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.

Palavras-chave

Fisioterapeuta esportivo
Paraolimpíadas
Esporte
Fisioterapia
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O papel do fisioterapeuta esportivo no acompanhamento de atletas paralímpicos
The role of sports physical therapists in monitoring Paralympic athletes

Ana Larissa da Silva
Gessiane Alves da Silva
Kamilla Oliveira de Carvalho
Luis Fernando Santos Rodrigues
Marcos Antonio Fernandes dos Santos
Maria Clara Nascimento Cardoso de França
Tassiane Maria Alves Pereira (Orientadora)

RESUMO

O preparo físico de atletas paralímpicos é primordial e dentro desse processo está inserido o fisioterapeuta esportivo. Tendo isso em vista, o presente trabalho visa falar sobre o papel do fisioterapeuta esportivo no acompanhamento de atletas paralímpicos. Desse modo, o principal problema abordado é: Como a fisioterapia pode atuar para garantir uma melhor adaptação e funcionalidade na prática do esporte em atletas paralímpicos? Para isso, a pesquisa conta com uma metodologia bibliográfica. Para o desenvolvimento foi abordado uma pesquisa qualiquantitativa usando termos específicos para qualificar e mensurar a quantidade de estudos a serem utilizados. Seu principal objetivo é analisar e compreender o papel do fisioterapeuta esportivo na adaptação de modalidades esportivas para atletas paralímpicos no contexto brasileiro. Para chegar ao objetivo contou-se com artigos atualizados relacionados ao tema para enfatizar a importância do fisioterapeuta esportivo. Identificou-se que com a tecnologia e ferramentas adequadas os pacientes conseguem um melhor desempenho e retorno mais rápido ao esporte após o acompanhamento de um fisioterapeuta esportivo.

Palavras-chave: Fisioterapeuta esportivo. Paraolimpíadas. Esporte. Fisioterapia.

ABSTRACT

The physical preparation of Paralympic athletes is paramount, and the sports physical therapist is deeply embedded within this process. With this in mind, this study aims to discuss the role of the sports physical therapist in monitoring Paralympic athletes. Thus, the main problem addressed is: How can physical therapy work to ensure better adaptation and functionality in sports practice among Paralympic athletes? To this end, the research relies on a literature review methodology. For its development, a mixed-methods (qualitative-quantitative) research approach was adopted, using specific terms to qualify and measure the volume of studies to be included. The primary objective is to analyze and understand the role of the sports physical therapist in adapting sports modalities for Paralympic athletes within the Brazilian context. To achieve this objective, updated articles related to the topic were utilized to emphasize the importance of the sports physical therapist. It was identified that, with appropriate technology and tools, patients achieve better performance and a faster return to sport following monitoring by a sports physical therapist.

Keywords: Sports Physical Therapist; Paralympics; Sport; Physical Therapy.

  1. INTRODUÇÃO

Os Jogos Paralímpicos de Paris 2024 provaram que o esporte adaptado se tornou um movimento mundial forte, unindo inclusão e performance de ponta. Cerca de 4.400 atletas com diferentes deficiências – físicas, visuais e intelectuais tiveram um aumento de 20% em relação a Tóquio 2020 e destacando a demanda por suporte especializado para maximizar desempenho e minimizar riscos 1. Dentro desse cenário, o profissional de fisioterapia esportiva se mostra essencial no grupo de especialistas, trabalhando desde a análise inicial das capacidades físicas, seguindo os critérios de avaliação do Comitê Paralímpico Internacional (IPC), até os métodos mais modernos de cuidados e recuperação, especialmente em machucados por esforço repetitivo, como problemas no manguito rotador (que afetam de 35% a 50% dos nadadores paralímpicos), dificuldades com próteses e diferenças, no movimento em esportes como atletismo adaptado, bocha e rugby em cadeira de rodas 2.

Estratégias como exercícios de fortalecimento com ênfase na fase excêntrica, o uso de eletroestimulação neuromuscular (TENS), aplicação de gelo e exercícios para melhorar a propriocepção conseguem diminuir o período de inatividade por lesão em cerca de 40 a 50%. Isso auxilia no retorno mais seguro tanto aos treinos quanto as competições, de acordo com dados de ocorrências no rugby em cadeira de rodas, onde 67% dos jogadores apresentaram lesões nos músculos, ossos, articulações ou na pele, as quais foram tratadas com sucesso usando ultrassom e crioterapia 3. Indo além da simples reabilitação após lesões, o especialista atua de forma preventiva, ajustando os períodos de treino, utilizando sensores vestíveis para analisar os movimentos, colaborando com técnicos 3. O objetivo é aprimorar o uso de próteses e órteses avançadas, resultando em avanços notáveis em escalas como Functional Independence Measure (FIM) e Berg Balance Scale, além de promover o bem-estar mental, diminuindo a dor persistente e fortalecendo a segurança pessoal 4.

Pesquisas atuais indicam que iniciativas de fisioterapia abrangentes reduzem ferimentos pela metade, promovem a integração na sociedade, atenuando preconceitos em 60% das situações e aprimoram o bem-estar, em conformidade com a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) 5. No Brasil, a prática se manifesta em locais especializados, a exemplo do Comitê Paralímpico Brasileiro e das Paraolimpíadas. Contudo depara-se com obstáculos, tais como a diversidades de limitações, carência de capacitação em neuro-ortopedia voltada ao paradesporto e disparidade no acesso a recursos tecnológicos de apoio 6.

Nesse contexto fica a seguinte pergunta: Como a fisioterapia pode atuar para garantir uma melhor adaptação e funcionalidade na prática do esporte em atletas paralímpicos? Este Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) objetiva elucidar sobre a importância crucial do fisioterapeuta esportivo no acompanhamento de atletas paralímpicos, reunindo dados que possam orientar práticas clínicas mais eficazes e justas, além de fortalecer as políticas públicas do SUS/CPB, visando o alto rendimento e um envelhecimento saudável para esses atletas.

O tema se faz importante pela relevância social e científica. Do ponto de vista social, compreender e valorizar o papel do fisioterapeuta esportivo reconhece o esporte como uma ferramenta de inclusão, capaz de promover igualdade de oportunidades e participação ativa de pessoas com deficiência. Já no campo científico, o estudo amplia o conhecimento sobre estratégias de intervenção, apoia a formação de novos profissionais e estimula pesquisas que contribuam para práticas clínicas mais eficazes. A prática esportiva inclusiva vai além de adaptações estruturais ou de equipamentos específicos, ela requer acompanhamento profissional qualificado, capaz de atender às necessidades individuais de cada atleta. Nesse contexto, a fisioterapia esportiva desempenha papel essencial, atuando na prevenção e recuperação de lesões, no preparo físico e na manutenção da saúde, assegurando condições seguras e eficientes para a participação plena de todos.

O trabalho será estruturado da seguinte maneira: no capítulo 1 consta a introdução explicando de forma breve o tema proposto e importância, no capítulo 2 se encontra a metodologia abordada, seguida de uma exposição dos resultados no capítulo 3, seguindo, no capítulo 4 será mostrado a discussão, seguido do capítulo 6 que terá a conclusão de todo o trabalho.

  1. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Esporte

A fisioterapia esportiva atua na prevenção, tratamento e reabilitação de lesões causadas pela prática esportiva, além de contribuir para o desempenho físico. O fisioterapeuta avalia, orienta e aplica técnicas como exercícios terapêuticos, terapias manuais e treinamento funcional, atendendo tanto atletas profissionais quanto amadores. Seu trabalho é essencial para garantir a prática esportiva segura, promover a recuperação adequada e prevenir novas lesões.

Definir o conceito de esporte implica em delimitar as práticas que são consideradas esportivas. O que aparentemente parece fácil torna-se mais complexo quando os consensos em torno dos critérios não são tão concordantes. Encontrar uma definição de esporte que não seja reducionista e abarque toda sua complexidade sociocultural não é tarefa fácil, pois implica em inseri-lo e identificá-lo em todas as culturas e em todas as épocas. Como solução para isso, algumas pessoas optam, por praticidade, à adoção de conceitos mais precisos, enquanto que outras procuram uma aproximação mais flexível e definem esporte de modo a adequá-lo aos diferentes costumes e tradições de sociedades e períodos de tempo em particular” 7.

Definir o que é esporte não é uma tarefa simples, pois envolve identificar quais práticas realmente podem ser consideradas esportivas. Embora pareça algo fácil, existem diferentes opiniões sobre os critérios que devem ser usados. Isso acontece porque o esporte é uma prática com grande diversidade cultural e histórica, o que dificulta uma definição única e que não seja limitada. Por isso, alguns autores preferem adotar definições mais objetivas e específicas, enquanto outros propõem conceitos mais amplos e flexíveis, levando em conta os costumes e contextos de cada sociedade e época.

2.2 Deficiência

A deficiência é compreendida atualmente sob uma perspectiva biopsicossocial, que considera tanto os aspectos médicos quanto os contextos sociais e ambientais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF), a deficiência resulta da interação entre uma condição de saúde e barreiras contextuais que limitam a participação plena na sociedade. Os tipos de deficiência mais comuns são: física, visual, auditiva, intelectual e múltipla. Além do aspecto clínico, a deficiência envolve fatores sociais e culturais, como o preconceito, a exclusão e a luta por direitos. Historicamente, o olhar sobre a pessoa com deficiência evoluiu de uma visão assistencialista para uma abordagem baseada nos direitos humanos, na inclusão e na valorização da diversidade.

Há duas maneiras diferentes de compreender a deficiência. A primeira afirma que a deficiência é uma manifestação da diversidade humana que demanda adequação social para ampliar a sensibilidade dos ambientes às diversidades corporais. A segunda perspectiva sustenta que a deficiência é uma restrição corporal que necessita de avanços na área da Medicina, da reabilitação e da Genética para oferecer tratamento adequado para a melhoria do bem-estar das pessoas. Quando vista como uma desvantagem natural, a deficiência tem na Biomedicina a autoridade sobre o assunto, permitindo a melhoria das condições de vida das pessoas, fazendo uso da intervenção médica. Já para a compreensão da deficiência como uma desvantagem social e um processo de opressão pelo corpo, os instrumentos analíticos e políticos estão nas ciências sociais e, partindo desse pressuposto, a melhoria das condições de vida da pessoa com deficiência seria possível com as adequações nos ambientes sociais, tornando-os inclusivos” 8.

Segundo o autor, a deficiência pode ser compreendida a partir de duas perspectivas distintas. A primeira a vê como parte da diversidade humana, destacando a importância de adaptar os ambientes sociais para acolher diferentes formas de corporalidade. Já a segunda entende a deficiência como uma limitação física que precisa ser tratada por meio de avanços médicos e científicos, como os da Medicina e da Genética. Enquanto a abordagem biomédica foca na intervenção clínica para melhorar a qualidade de vida, a perspectiva social entende a deficiência como resultado de barreiras impostas pela sociedade, sendo necessário tornar os espaços mais inclusivos para garantir a participação plena das pessoas com deficiência.

    1. Papel do fisioterapeuta esportivo

A atuação do fisioterapeuta é de fundamental importância, pois seu conhecimento técnico possibilita a adaptação de atividades, prevenção de lesões e desenvolvimento funcional adequado para cada indivíduo.

Destacaram a partir das Paraolimpíadas de Barcelona que o fisioterapeuta é um profissional imprescindível no suporte de atletas com deficiência que praticam as modalidades paralímpicas, atuando com os demais membros da equipe médica na manutenção e recuperação da saúde, consequentemente na melhora do rendimento esportivo” 9.

A intervenção fisioterapêutica contribui para a melhora da mobilidade, força, resistência e equilíbrio, fatores essenciais para o desempenho esportivo. Ao mesmo tempo, promove maior autonomia, confiança e autoestima dos participantes, facilitando a participação social e a integração em grupos esportivos. Estudos indicam que programas de inclusão com suporte fisioterapêutico aumentam a qualidade de vida e reduzem riscos de complicações físicas decorrentes de limitações funcionais.

Além de atuar na reabilitação, o fisioterapeuta contribui para a adaptação física e arquitetônica das condições esportivas, promovendo o aproveitamento máximo das capacidades do atleta com deficiência, fortalecendo sua autonomia e inclusão social no esporte 10. Modificações nas regras, materiais e espaços esportivos, somadas ao conhecimento fisioterapêutico, formam a base para uma prática esportiva inclusiva, segura e eficaz que promove saúde e qualidade de vida 11.

    1. Principais intervenções e técnicas esportivas

O fisioterapeuta esportivo desempenha um papel essencial na avaliação e prevenção de lesões em pessoas com deficiência que praticam esporte adequado. Segundo o Comitê Paralímpico Brasileiro (2020), a atuação envolve três pilares principais: reabilitação eficaz, prevenção de lesões e manutenção das capacidades físicas, contribuindo para que o atleta retorne ao treinamento com nível físico adequado e seguro. Essa abordagem é personalizada, considerando as especificidades de cada deficiência e modalidade esportiva.

Segundo Ferreira 12 destaca que o fisioterapeuta realiza avaliações completas das condições musculoesqueléticas dos atletas, focando especialmente em sinais precoces de lesões para intervenções eficazes. Técnicas como cinesioterapia, fortalecimento muscular específico, alongamentos funcionais, crioterapia e bandagens funcionais são empregadas para acelerar a recuperação e minimizar o risco de recidivas. Além disso, adaptações em próteses, órteses e equipamentos esportivos são fundamentais para melhorar o desempenho e prevenir complicações. O acompanhamento contínuo permite monitorar a qualidade do movimento, ajustar padrões biomecânicos inadequados e ajustar estratégias de treinamento conforme progressos individuais 13. A atuação preventiva do fisioterapeuta não só melhora o desempenho esportivo, mas também maximiza a autonomia e a qualidade de vida dos atletas com deficiência, destacando-se como peça-chave no esporte adaptado 13.

    1. Contribuição do fisioterapeuta esportivo para promoção de saúde integral, autonomia funcional e participação social

O fisioterapeuta esportivo exerce papel crucial na promoção da saúde integral, autonomia funcional e participação social de pessoas com deficiência que praticam esporte adaptado. Silva e outros 14 ressaltam que “a fisioterapia esportiva contribui para a otimização das funções motoras e prevenção de lesões, possibilitando ao indivíduo alcançar seu máximo potencial físico e funcional”. Além disso, o trabalho do fisioterapeuta abrange intervenções específicas que fortalecem a musculatura, melhoram o equilíbrio e a coordenação, favorecendo a independência nas atividades diárias 15.

A atuação desse profissional também é decisiva para a inclusão social desses atletas, visto que o esporte oferecido promove o reconhecimento da pessoa com deficiência como agente ativo na sociedade 16. Por meio da colaboração interdisciplinar, o fisioterapeuta contribui para a criação de ambientes acessíveis e estratégias de treinamento adequadas, ampliando a participação e o protagonismo dos atletas com deficiência.

Portanto, a fisioterapia esportiva não é apenas um suporte técnico, mas também um instrumento de transformação social e de promoção da saúde integral, alinhando capacidades físicas, psicológicas e sociais dos praticantes 14.

    1. Avanços tecnológicos, recursos assistivos e estratégias de adaptação de modalidades empregados pela fisioterapia esportiva

A atuação do fisioterapeuta esportivo na inclusão de pessoas com deficiência tem sido amplamente potencializada pelos avanços tecnológicos, recursos assistivos e estratégias específicas de adaptação das modalidades esportivas. A Tecnologia Assistiva (TA), que engloba dispositivos, recursos, metodologias e serviços, tem papel crucial no apoio a atletas com deficiência, conforto e melhorias confortáveis ​​na funcionalidade, independência e desempenho esportivo 17.

No esporte paralímpico, por exemplo, cadeiras de rodas esportivas com materiais leves e resistentes, próteses altamente customizadas, órteses inteligentes e softwares de análise biomecânica são tecnologias que facilitam a superação das limitações físicas e elevam o desempenho dos atletas 18. Essas tecnologias possibilitam adaptações personalizadas que respeitam as demandas específicas de cada modalidade e deficiência, além de fornecerem para a segurança e prevenção de lesões.

Além dos recursos técnicos, o fisioterapeuta utiliza estratégias que envolvem a avaliação funcional detalhada, o planejamento de treinos e programas de condicionamento físico adaptado, e o uso de equipamentos assistivos para melhorar o desempenho e promover a autonomia funcional 19. Estudos apontam que a incorporação dessas tecnologias e estratégias resultam em maior inclusão social e expansão das oportunidades para os praticantes de esporte adaptado 20.

Portanto, a fisioterapia esportiva moderna combina conhecimentos clínicos e tecnologia para promover a saúde integral e potencializar as capacidades dos atletas com deficiência, transformando o esporte em uma ferramenta poderosa de inclusão e empoderamento social 21.

  1. METODOLOGIA

Conforme o objetivo delineado, foi conduzida uma revisão bibliográfica da literatura, abrangendo a análise de estudos relevantes ao tema. Segundo Ocaña Fernandez (2021) a revisão bibliográfica é uma metodologia de pesquisa observacional, retrospectiva e sistemática, orientada para a seleção, análise, interpretação e discussão de posturas teóricas e resultados consolidados em artigos científicos e outras fontes, com o objetivo de obter informações relevantes para a solução de problemas. Além disso, a busca por fontes segue um conjunto pré-determinado e específico, frequentemente tornando-se menos ampla conforme avança o processo de pesquisa.

Para iniciar o desenvolvimento da revisão bibliográfica, uma pesquisa abrangente foi conduzida nas bases de dados, Scholar Google, e Pubmed, utilizando os descritores exato “Sports rehabilitation for Paralympic athletes” e variações Mesh como "Sports Physical Therapy” AND "Paralympic Games" com os conectores “AND” e OR”. A busca dos artigos foi realizada nas bases, baseando-se na estratégia PICO (P-population: pacientes paralímpicos; I-Intervencion: fisioterapia esportiva; C-Comparation: não se aplica a este estudo; O-Outcomes: Melhora da funcionalidade), utilizada para a formulação da pergunta norteadora da pesquisa, na qual questiona se “Como a fisioterapia esportiva atua com pacientes paralímpicos que praticam esporte, e se melhora a funcionalidade”? é utilizada ainda, para elaboração da string de busca determinada por “Sports rehabilitation for Paralympic athletes”.

O acesso a base de dados à pesquisa, foram estabelecidos critérios de inclusão e exclusão. Foram selecionados apenas estudos publicados nos últimos 6 anos (2020 – 2026) visando abordar práticas atuais da fisioterapia, pesquisa na língua inglesa e portuguesa. Decidiu-se a exclusão de estudos sem relação direta com fisioterapia esportiva ou participação do fisioterapeuta em atletas paralímpicos, que praticam esporte. Também foram excluídas teses, dissertações, ou monografias não publicadas em periódicos, artigos duplicados nas bases de dados, e aqueles cujo PDF não estavam acessíveis para leitura. Essas exclusões foram implementadas para garantir que os dados analisados fossem pertinentes e para manter consistência com os objetivos do projeto de pesquisa. A busca e seleção foram realizadas por dois revisores independentes, inicialmente através da leitura do título e posteriormente a leitura dos resumos para identificação do tipo de estudo e critérios de inclusão utilizados. As discordâncias entre os revisores durante a análise foram decididas por consenso.

  1. RESULTADOS

Os dados extraídos dos estudos selecionados serão sintetizados na tabela 01. A tabela 01, reuniu informações metodológicas dos estudos. A pesquisa nas bases de dados resultou em 533 publicações. Depois de aplicados os critérios de inclusão e exclusão, foram excluídos os artigos duplicados, que não se encaixavam no período definido na fisioterapia ou com o tema específico, e que não tinham o texto completo (n: 515). No fim, 18 estudos formaram a amostra servindo de base para analisar a eficácia e o uso das práticas da fisioterapia na melhora da funcionalidade e desempenho de atletas paralímpicos, como mostrado no fluxograma.

4.1 FLUXOGRAMA

4.2 TABELA DE AUTORES

AUTOR / ANO

TÍTULO DE ESTUDO

OBJETIVO

METODOLOGIA

RESULTADOS PRINCIPAIS

SILVA et al
(2026)

A Importância e a Integração do Fisioterapeuta nos Cuidados com Atletas Paraolímpicos

Investigar a importância e a integração do fisioterapeuta nos cuidados, tratamentos e prevenções de lesões em atletas paralímpicos, considerando suas particularidades funcionais e esportivas.

Revisão integrativa da literatura, de caráter qualitativo e exploratório, realizada a partir de busca nas bases Scielo, Pubmed, BVS e Academic Google, considerando estudos publicados entre 2020 e 2025, com análise comparativa dos dados selecionados

O fisioterapeuta é essencial na prevenção de lesões, reabilitação e melhora do desempenho esportivo

SILVA A. etl al
(2026)

O papel da fisioterapia no esporte paralímpico: uma revisão integrada da prevenção ao tratamento de lesões musculoesqueléticas

Investigar a atuação da fisioterapia na prevenção e tratamento de lesões

Revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, com análise e síntese de estudos científicos previamente publicados sobre a temática.

A fisioterapia reduz lesões e melhora a performance por meio de estratégias preventivas

OLIVEIRA et al
(2024)

A importância da fisioterapia na natação paralímpica

Avaliar a contribuição da fisioterapia na natação

Revisão bibliográfica com abordagem qualitativa, de caráter descritivo, desenvolvido com análise de produções científicas previamente publicados sobre a temática.

Melhora da capacidade funcional e prevenção de lesões por sobrecarga

Revista FT
(2022)

A atuação da fisioterapia desportiva no esporte paralímpico

Analisar as intervenções fisioterapêuticas

Revisão sistemática da literatura, de abordagem qualitativa, realizada por meio da análise de estudos publicados nas bases como Scielo e revistas científicas, abrangendo o período de 2011 a 2019

Atuação desde prevenção até reabilitação, promovendo desempenho e qualidade de vida

Repositório UFMG
(2025)

Atuação da fisioterapia no esporte paralímpico

Discutir o papel da fisioterapia no esporte adaptado

Estudo de revisão da literatura, desenvolvido por meio do levantamento bibliográfico de estudos sobre lesões musculoesqueléticas e a atuação do fisioterapeuta no esporte paralímpico, com análise e síntese das evidências disponíveis

Ênfase na avaliação funcional e continuidade esportiva

SILVA et al
(2023)

Incidência de lesões esportivas em atletas de rugby em cadeira de rodas

Verificar incidência de lesões

Revisão da literatura, de abordagem qualitativa, realizado por meio de levantamento e análise de produções científicas sobre a temática

Alta incidência de lesões, destacando a importância da fisioterapia preventiva

MAURO/CPB
(2020)

Mais performance e menos lesões: A importância da fisioterapia nos esportes paralímpicos

Destacar a importância da fisioterapia

Artigo institucional, de caráter descritivo, baseado na experiência prática de profissionais atuantes no esporte paralímpico, sem delineamento metodológico científico definido

Fisioterapia melhora desempenho, reduz lesões e prolonga carreira

FAGHER et al
(2021)

Sports physiotherapy – Actions to optimize the health of Para athletes

Descrever ações fisioterapêuticas

Estudo de caráter descritivo e reflexivo, baseado em revisão narrativa da literatura e em consensos científicos, sem delineamento experimental ou coleta de dados primários

Otimização da saúde e prevenção de lesões

SZABO et al
(2022)

Practitioner perspectives of athlete recovery in paralympic sport

Analisar recuperação esportiva

Estudo qualitativo descritivo, realizado por meio de entrevistas semiestruturadas com profissionais do esporte paralímpico, com análise temática dos dados para identificação dos principais fatores relacionados à recuperação de atletas

Necessidade de abordagem individualizada na recuperação

FAGHER et al
(2023)

Sports-related health problems in para-sports

Identificar problemas de saúde

Revisão sistemática da literatura, com avaliação da qualidade metodológica dos estudos incluídos, realizada por meio de busca estruturada em base de dados científicas e análise crítica das evidências

Alta prevalência de lesões e doenças

WEED et al
(2024)

Concussion in Parasport

Analisar concussões

Revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa, baseada na análise e síntese de estudos previamente publicados sobre lesões e saúde no esporte paralímpico

Necessidade de protocolos específicos

WEBBORN et al
(2020)

Injury surveillance in Paralympic athletes

Investigar lesões

Revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa, baseada na análise e síntese de estudos previamente publicados sobre saúde e lesões no esporte paralímpico

Alta incidência de lesões em membros superiores

LATORRE et al (2026)

Paralympic training methods

Analisar métodos de treino

Revisão narrativa da literatura, de abordagem qualitativa, baseada na síntese de estudos sobre treinamento, desempenho e adaptação em atletas paralímpicos

Treinamento adaptado + fisioterapia melhora performance

FLETCHER et al 2021

Biomechanics and performance in Paralympic athletes

Avaliar impacto da biomecânica

Revisão de escopo, de abordagem qualitativa, realizada por meio de busca sistematizada na literatura e síntese descritiva das evidências disponíveis

Biomecânica melhora desempenho e previne lesões

  1. DISCUSSÃO

A presente discussão retoma o objetivo central deste estudo, que consiste em analisar e compreender o papel do fisioterapeuta esportivo na adaptação de modalidades esportivas para atletas paralímpicos no contexto brasileiro. Com base nos resultados obtidos, fica claro que o papel desse especialista não se limita à recuperação comum, ele se torna essencial para garantir a inclusão, otimizar o rendimento e evitar lesões em atletas com alguma deficiência. É notório que diversos elementos podem impactar as lesões em atletas paralímpicos, sendo intrínseco e extrínseco semelhante aos atletas olímpicos. Tais fatores podem se diversificar conforme o tipo de deficiência, a forma de treinamento, o esporte praticado e o preparo físico. (Fletcher et al 2021).

Corroborando os achados deste estudo, a literatura evidência, a importância crucial da fisioterapia esportiva no contexto paralímpico, notadamente na personalização da assistência e na customização dos esportes. Segundo o Comitê Paralímpico Brasileiro – CPB (2020), a expansão do esporte paralímpico em território nacional exige uma prática cada vez mais focada dos profissionais de saúde, com o fisioterapeuta ganhando destaque como membro chave nas equipes multidisciplinares.

Estudos evidenciados, como mostram os autores Gabriele Wulf e Nick Webborn destacam que, ao modificar esportes, é crucial levar em conta tanto as dificuldades físicas quanto as qualidades esportivas, impulsionando o rendimento e a independência (WULF, 2013; WEBBORN et al 2016). Essa perspectiva está em consonância com os resultados encontrados neste estudo, os quais evidenciam que o fisioterapeuta esportivo atua como mediador entre a capacidade funcional do atleta e as exigências específicas da modalidade praticada. Nesse cenário, estudo como o de Salerno et al (2022) evidenciou que muitos atletas ainda apresentam lesões que impactam negativamente o desempenho esportivo. Mesmo com acompanhamento profissional e treinamentos supervisionados, a baixa adesão a programas específicos de prevenção indica uma fragilidade importante na atuação, que ainda se mostra, em muitos casos, mais voltada ao tratamento pós-lesão do que à prevenção.

Observa-se consenso entre diferentes autores, de que, nos esportes paralímpicos, a reabilitação vai além da abordagem comum, sendo uma parte constante do suporte ao atleta (SOUZA et al 2023; SILVA et al 2022). O Comitê Paralímpico Brasileiro - CPB destaca que o fisioterapeuta esportivo atua de forma integrada desde a prevenção até a reabilitação promovendo não apenas a recuperação funcional, mas também a manutenção do desempenho esportivo. (Oliveira et al 2022; PEREIRA et al 2021). Essa visão é reforçada por pesquisas que apontam a reabilitação como um processo dinâmico e adaptado às demandas específicas de cada modalidade e tipo de deficiência (DEHGHAN et al 2021; HOOGLAND et al 2020).

No que se refere ao retorno ao esporte, os estudos convergem ao enfatizar que esse processo deve ser cuidadosamente planejado e individualizado (SILVA et al., 2022; SANTOS et al., 2023). O fisioterapeuta exerce um papel decisivo na avaliação funcional e na progressão segura do atleta, reduzindo o risco de lesões (OLIVEIRA et al 2021; COSTA et al., 2022). De forma semelhante, o retorno ao esporte em atletas paralímpicos deve considerar fatores biomecânicos, neuromusculares, e psicossociais, evidenciando a complexidade dessa etapa (SMITH et al 2021; BROWN et al., 2023).

Diante disso, o fisioterapeuta esportivo assume um papel essencial, não apenas na reabilitação, mas também na prevenção de lesões e no acompanhamento contínuo dos atletas. Sua atuação envolve avaliação física, análise biomecânica, intervenções individualizadas e participação na classificação funcional, contribuindo tanto para a segurança quanto para a equidade nas competições (AGUIAR et al., 2024).

No campo da funcionalidade e desempenho, observam-se perspectivas que se complementam através de diferentes focos: Fletcher et al. (2021) sustentam que o uso de análises biomecânicas avançadas permite intervenções de precisão. Para estes autores, o fisioterapeuta atua no ajuste de padrões de movimento, o que resulta em ganho direto de performance e evita lesões por esforço repetitivo. Por outro lado, o estudo de SILVA & OLIVEIRA (2025) sobre método de treinamento traz um alerta importante: o método de treinamento funcional adaptado deve integrar o plano de exercícios à reabilitação clínica. Sem essa coesão e o olhar clínico constante, o atleta pode enfrentar períodos de inatividade por fadiga acumulada ou lesões recidivantes.

A tecnologia surge como um ponto de concordância absoluta entre os autores. A literatura destaca que o uso de sensores, movimentos e próteses inteligentes, permite o monitoramento em tempo real da carga de trabalho Fletcher et al. (2021) elevam essa discussão, ao afirmar que a tecnologia assistiva deve ser uma ferramenta de "otimização biomecânica". Isso significa que o uso de dispositivos tecnológicos, como biofeedback eletromiográfico e sistemas de análise de vídeo, sob supervisão do fisioterapeuta, garantem uma transição segura e eficiente no retorno ao esporte. Por fim, quanto aos desfechos de reabilitação e prevenção, as técnicas citadas, como a cinesioterapia e a crioterapia, encontram respaldo científico sólido nos protocolos de Webborn et al. (2020), que reforçam a necessidade de evidências clínicas para validar cada etapa da recuperação do atleta paralímpico.

Por fim, evidencia-se na literatura uma forte convergência quanto à necessidade de um atendimento individualizado. Sobretudo apontam que a singularidade de cada atleta paralímpico exige intervenções personalizadas, considerando não apenas a deficiência, mas também o contexto esportivo e social (SILVA et al 2022). Essa perspectiva é amplamente corroborada por estudos internacionais, que defendem abordagens centradas no atleta como fundamentais para garantir eficiência terapêutica e inclusão esportiva (LATORRE et al 2026).

Dessa forma, é importante destacar que este estudo apresentou algumas limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. Observou-se que grande parte dos artigos incluídos consiste em revisões de literatura, com escassez de estudos originais, especialmente no contexto brasileiro. Essa predominância de revisões pode limitar a robustez das evidências, uma vez que reduz a disponibilidade de dados empíricos diretamente aplicáveis à prática clínica e esportiva. Além disso, a baixa quantidade de estudos experimentais ou observacionais voltados especificamente para atletas paralímpicos evidencia uma lacuna científica relevante na área da Fisioterapia Esportiva.

Portanto, reforça-se a necessidade de futuras pesquisas com delineamentos metodológicos mais robustos, que investiguem de forma prática e aprofundada a atuação do fisioterapeuta esportivo, contribuindo para o avanço do conhecimento e para a qualificação da assistência prestada a esses atletas.

  1. CONCLUSÃO

Com base na síntese dos estudos analisados, conclui-se que a fisioterapia esportiva no esporte paralímpico é descrita na literatura como uma prática essencial, preventiva e individualizada, sustentada por evidências científicas e pelo uso crescente de tecnologias. Os achados indicam que a atuação fisioterapêutica deve ultrapassar o modelo tradicional de reabilitação, assumindo papel estratégico na promoção da saúde, na otimização do desempenho e na garantia de um retorno seguro ao esporte. No entanto, a literatura também aponta a necessidade de maior investimento em pesquisa científica, capacitação profissional e integração tecnológica, a fim de fortalecer ainda mais a atuação da fisioterapia esportiva e assegurar a saúde, a segurança e a qualidade de vida dos atletas paralímpicos.

REFERÊNCIAS

  1. CREFITO1. Atuação da Fisioterapia e da Terapia Ocupacional nos Jogos Paralímpicos. 2024. https://crefito7.gov.br/a-atuacao-dos-fisioterapeutas-e-terapeutas-ocupacionais-nas-paralimpiadas-vai-alem-da-preparacao-fisica/
  2. Anima Educação. O papel da fisioterapia no esporte paralímpico: uma revisão integrada da prevenção ao tratamento de lesões musculoesqueléticas 2024. https://repositorio.animaeducacao.com.br/items/b5a420d5-0cfe-44db-8650-87f6152de571
  3. REVISTA Marília UNESP. Incidência de lesões esportivas e serviços de fisioterapia em atletas de rugby em cadeira de rodas. 2023 https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/sobama/article/view/14982
  4. Even3. A Fisioterapia na Otimização do Desempenho de Atletas Paralímpicos: Abordagens Funcionais 2025. https://www.even3.com.br/anais/secap/1046940-a-fisioterapia-na-otimizacao-do-desempenho-de-atletas-paralimpicos--abordagens-funcionais/#:~:text=Resultados%20e%20Discuss%C3%B5es%3A%20A%20an%C3%A1lise,%2C%20ultrassom%2C%20TENS%20e%20massagens
  5. Editora Unisv. Atuação da fisioterapia na prevenção e tratamento das principais lesões desportivas 2024 https://www.editoraunisv.com.br/post/atuacao-da-fisioterapia-na-prevencao-e-tratamento-das-principais-lesoes-desportivas?srsltid=AfmBOorupoiQGMnPQWHxdBZJNOCsSOuCE70Xf-EZEIHNlo_eEICEQtfv
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  8. O papel da fisioterapia no esporte paralímpico: uma revisão integrada da prevenção ao tratamento de lesões musculoesqueléticas 2024 https://repositorio.animaeducacao.com.br/items/b5a420d5-0cfe-44db-8650-87f6152de571
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Copyright (c) 2026 Ana Larissa da Silva, Gessiane Alves da Silva, Kamilla Oliveira de Carvalho, Luis Fernando Santos Rodrigues, Marcos Antonio Fernandes dos Santos, Maria Clara Nascimento Cardoso de França, Tassiane Maria Alves Pereira (Autor)

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