A atuação do farmacêutico clínico na unidade de terapia intensiva em pacientes com sepse.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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A atuação do farmacêutico clínico na unidade de terapia intensiva em pacientes com sepse.

The role of the clinical pharmacist in the intensive care unit in patients with sepsis.

Marilene Balbino da Silva1

Drª. Diala Alves de Sousa2

RESUMO

O choque séptico constitui uma das principais causas de morbimortalidade em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), resultante de uma resposta inflamatória sistêmica desregulada frente a infecções graves. Sua elevada complexidade clínica exige intervenções rápidas, destacando a importância da atuação multiprofissional. Nesse cenário, o farmacêutico clínico assume papel estratégico no manejo da farmacoterapia. O objetivo deste estudo é analisar a relevância da atuação do farmacêutico clínico no manejo do choque séptico em pacientes adultos internados em UTI, visando à otimização do tratamento e à redução da mortalidade. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com buscas nas bases de dados PubMed, SciELO e Google Acadêmico, entre 2021 e 2025. Os estudos analisados evidenciaram que a atuação do farmacêutico clínico na UTI está associada à otimização da antibioticoterapia, ajuste individualizado de doses, identificação e prevenção de problemas relacionados a medicamentos, monitoramento de interações medicamentosas e eventos adversos, além da participação na implementação de protocolos clínicos. A inserção desse profissional na UTI promove maior segurança medicamentosa e eficiência terapêutica, especialmente em pacientes críticos com disfunções orgânicas. Conclui-se que o farmacêutico clínico desempenha papel fundamental no manejo do choque séptico em UTIs, contribuindo de forma decisiva para a otimização da farmacoterapia, segurança do paciente e redução da morbimortalidade. Também é importante investimentos em protocolos assistenciais e pesquisas que ampliem o conhecimento sobre o impacto das intervenções farmacêuticas nos desfechos clínicos de pacientes sépticos.

Palavras-chave: Sepse. Farmacêutico. Cuidados Intensivos. Terapia Medicamentosa.

Unidade de Terapia Intensiva.

____________________________

1 Bacharel em Farmácia, URNe; Especialista em Gerenciamento em Unidade Básica de Saúde, UNIR; Especialista em Metodologia do Ensino Superior, FACINTER; Especialista em Hematologia Clínica, CFF; Especialista em Gestão da Assistência Farmacêutica, UFSC.

² Enfermeira; Especialista em Terapia Intensiva, UVA-CE; Especialista em Docência do Ensino Superior, FAKCE; Especialista em Saúde da Família, UVA-CE; Especialista em Qualidade e Segurança no Cuidado ao Paciente, Instituto Sírio Libanês-SP, Mestre em Terapia Intensiva, IBRATI-SP; Doutora em Terapia Intensiva, SORRATI -SP; Docente da UNIFAMEC, CRATO – CE; Docente do Centro de Ensino em Saúde - SP.

ABSTRACT

Septic shock is one of the leading causes of morbidity and mortality in Intensive Care Units (ICUs), resulting from a dysregulated systemic inflammatory response to severe infections. Its high clinical complexity requires rapid interventions, highlighting the importance of a multidisciplinary approach. In this scenario, the clinical pharmacist plays a strategic role in pharmacotherapy management. The objective of this study is to analyze the relevance of the clinical pharmacist's role in the management of septic shock in adult patients admitted to the ICU, aiming at optimizing treatment and reducing mortality. This is an integrative literature review, with searches in the PubMed, SciELO, and Google Scholar databases, between 2021 and 2025. The analyzed studies showed that the clinical pharmacist's role in the ICU is associated with optimizing antibiotic therapy, individualized dose adjustment, identification and prevention of medication-related problems, monitoring drug interactions and adverse events, as well as participation in the implementation of clinical protocols. The inclusion of this professional in the ICU promotes greater medication safety and therapeutic efficiency, especially in critically ill patients with organ dysfunction. It is concluded that the clinical pharmacist plays a fundamental role in the management of septic shock in ICUs, contributing decisively to the optimization of pharmacotherapy, patient safety, and reduction of morbidity and mortality. Investments in care protocols and research that expand knowledge about the impact of pharmaceutical interventions on the clinical outcomes of septic patients are also important.

Keywords: Sepsis. Pharmacist. Intensive Care. Drug Therapy. Intensive Care Unit.

INTRODUÇÃO

O choque séptico é uma condição clínica grave resultante de uma resposta inflamatória desregulada do organismo frente a uma infecção. Reconhecido mundialmente como uma das principais causas de internação e mortalidade em Unidades de Terapia Intensiva, o choque séptico acarreta grande sofrimento para pacientes e familiares. Essa condição está associada a distúrbios cardiovasculares, metabólicos e celulares severos, nos quais agentes infecciosos invadem a corrente sanguínea, gerando desequilíbrio no suprimento e na utilização de oxigênio pelas células, o que agrava o quadro clínico e aumenta o risco de morte (BELOTA et al., 2022 apud QUEMEL et al., 2021).

A sepse pode ser causada por infecções bacterianas ou fúngicas, frequentemente adquiridas no ambiente hospitalar. Infecções persistentes nos pulmões, rins e trato urinário estão entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento da infecção generalizada, que pode gerar complicações graves e comprometer múltiplos órgãos. Outros fatores associados incluem a realização de procedimentos invasivos, a idade avançada, o tempo prolongado de internação, comorbidades e cirurgias (BELOTA et al., 2022).

A incidência de sepse varia conforme a região e as condições de saúde da população. Estima-se que, anualmente, mais de quatro milhões de pessoas no mundo desenvolvam sepse, resultando em cerca de 37 mil óbitos. As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) são significativamente mais frequentes em países subdesenvolvidos, com taxa de 15,5%, enquanto em países desenvolvidos o índice é de aproximadamente 7,6%. As infecções mais prevalentes estão associadas ao trato urinário, ao sistema respiratório e ao sítio cirúrgico (SILVA et al., 2023).

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um setor hospitalar destinado ao cuidado de pacientes em estado grave ou com condições que exigem vigilância constante e intervenções médicas complexas. Nesse ambiente, uma equipe multiprofissional atua de forma integrada, oferecendo suporte vital, estabilização clínica e favorecendo a recuperação do paciente. Para isso, conta com tecnologia avançada, como ventiladores mecânicos, monitores cardíacos e equipamentos de suporte à vida, que asseguram um atendimento contínuo, preciso e de alta complexidade em um ambiente rigorosamente controlado (OLIVEIRA et al., 2024).

A falta de conhecimento sobre a sepse, tanto entre os profissionais de saúde

quanto entre a população em geral, contribui para o agravamento da doença, favorecendo sua evolução para formas mais graves, como a sepse severa e o choque séptico, o que está diretamente relacionado ao aumento das taxas de mortalidade no Brasil. Esse quadro torna-se ainda mais preocupante diante do alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a redução nas pesquisas e no desenvolvimento de novos antibióticos eficazes contra bactérias multirresistentes. Somado a isso, a eficácia limitada dos antimicrobianos disponíveis transforma a resistência bacteriana em um dos maiores desafios de saúde pública em escala global (SILVA et al., 2023).

De acordo com Quemel et al., (2021), a realização de uma avaliação diagnóstica precoce, aliada ao início imediato do tratamento, exerce impacto positivo sobre o desfecho clínico dos pacientes. Reforçam que quanto mais rápido e adequado for o tratamento instituído após o surgimento do quadro séptico, maiores são as chances de recuperação. Assim, a implementação de protocolos clínicos específicos mostra-se essencial para a detecção precisa e o tratamento oportuno da sepse, constituindo uma estratégia eficaz para aprimorar a qualidade da assistência à saúde.

O farmacêutico desempenha um papel essencial na UTI, garantindo a segurança e a eficácia das terapias medicamentosas. Sua atuação envolve avaliar prescrições, identificar interações e ajustar doses conforme a condição clínica do paciente. Além disso, colabora com a equipe multiprofissional, orientando sobre o uso racional de medicamentos e participando de protocolos de segurança, como reconciliação medicamentosa e prevenção de erros de prescrição. Dessa forma, sua presença contribui para a otimização dos tratamentos, a redução de eventos adversos e a melhoria dos resultados clínicos dos pacientes críticos (OLIVEIRA et al., 2024 apud QUEMEL et al., 2021).

O choque séptico é uma das principais causas de mortalidade em UTIs, resultante de uma resposta inflamatória desregulada frente a infecções graves. Diante desse cenário, destaca-se a importância do farmacêutico clínico, cuja atuação contribui para o uso racional de medicamentos, prevenção de interações, ajustes terapêuticos e implementação de protocolos que favorecem o diagnóstico e o tratamento precoce.

Assim, este estudo tem como objetivo analisar a relevância da atuação do farmacêutico clínico no manejo do choque séptico, visando à otimização do tratamento e à redução da mortalidade em pacientes críticos.

METODOLOGIA

O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, método que analisa resultados de pesquisas já publicadas sobre o assunto. Essa metodologia foi adotada por possibilitar uma avaliação das evidências referentes ao choque séptico em pacientes de UTIs, destacando a importância do farmacêutico clínico. A coleta de dados ocorreu entre outubro de 2025 a fevereiro de 2026.

A elaboração da pergunta de pesquisa foi orientada pela estratégia PICo

(População, Interesse e Contexto), segundo Santos et al. (2007), sendo definidos: P – Pacientes adultos internados em UTI; I – Atuação do farmacêutico clínico no manejo do choque séptico; Co – Unidades de Terapia Intensiva. Assim, estabeleceu-se a seguinte questão norteadora: Qual é o impacto da atuação do farmacêutico clínico no manejo terapêutico e nos desfechos de pacientes com choque séptico internados em UTIs?

A busca pelos estudos foi realizada de forma sistemática nas bases de dados PubMed, Google Acadêmico, Scientific Electronic Library Online (SciELO) e, utilizando os descritores controlados em português, conforme o DeCS: Sepse, Unidade de Terapia Intensiva, Farmacêutico, Terapia Medicamentosa, Cuidados Intensivos, e seus correspondentes em inglês segundo o MeSH: Sepsis, Septic Shock, Intensive Care Unit, Pharmacist, Drug Therapy, Critical Care.

Inicialmente, realizou-se a triagem de títulos e resumos para identificar publicações que abordassem a fisiopatologia, diagnóstico e tratamento do choque séptico, bem como o papel do farmacêutico no manejo de pacientes críticos. Foram incluídos artigos originais, revisões integrativas, exploratórias e descritivas, com abordagens qualitativas, disponíveis gratuitamente e publicados entre 2021 e 2025, que tratassem do tema em questão de forma direta e fundamentada. Foram excluídos os estudos que abordavam a sepse em contextos distintos da UTI, bem como aqueles que não contemplavam a atuação do farmacêutico clínico, além de publicações duplicadas, sem rigor científico ou que não apresentassem resultados passíveis de aplicação à prática clínica farmacêutica.

Os dados extraídos dos estudos selecionados incluíram: autores, ano de publicação, título do artigo, objetivos, tipo de estudo, principais resultados e conclusões. A síntese das informações foram realizadas de forma descritiva, buscando identificar as contribuições do farmacêutico no choque séptico na UTI.

RESULTADOS

A Tabela 1 apresenta a síntese dos artigos científicos selecionados para compor esta revisão, destacando os principais aspectos de cada estudo incluído na análise. Foram considerados os seguintes elementos: autor e ano de publicação, título do estudo, objetivo, metodologia utilizada, principais resultados encontrados e conclusões apresentadas pelos autores.

Tabela 1: Artigos selecionados sobre o tema,destacando os aspectos de cada estudo - autor e ano, título, objetivo, metodologia, resultados e conclusões.

Autores

Título

Objetivo

Metodologia

Resultados

Conclusão

SEITZ et al., (2025)

Perfil

epidemiológico da sepse em

um hospital de

referência do

Paraná

Descrever as características clínicas e

epidemiológicas

dos pacientes que

desenvolveram sepse e/ou

choque séptico

internados em duas UTIs

adultas de um hospital de

referência do Paraná.

Pesquisa de campo,

descritivo-

exploratória, documental, de caráter

transversal e

retrospectivo, com

abordagem quantitativa

A atuação do farmacêutico clínico na

UTI é estratégica. Sua participação na

escolha e no ajuste adequado da

antibioticoterapia, no monitoramento de

interações e eventos adversos, na

individualização de

doses, conforme

disfunções orgânicas e na prevenção da

resistência microbiana,

impacta diretamente

na segurança e na efetividade do

tratamento.

Juntamente com a equipe multiprofissional, o

farmacêutico colabora para a otimização

terapêutica, redução de complicações.

Nesse cenário, a atuação do

farmacêutico clínico

destaca-se como componente

essencial da equipe multiprofissional,

contribuindo para a otimização da

antibioticoterapia, segurança

medicamentosa e

individualização do

tratamento. Sua participação

sistemática no cuidado ao

paciente crítico representa

estratégia relevante para melhorar

desfechos clínicos e reduzir a

morbimortalidade associada à sepse.

LIMA;

FALCÃO;

LEITE, (2022)

A importância da atuação do

farmacêutico clínico nas

unidades de tratamento intensivo

Avaliar, por meio de uma revisão

bibliográfica, a

importância do

farmacêutico clínico nas

unidades de tratamento

intensivo em situações de sepse

Revisão integrativa da literatura

O farmacêutico clínico na UTI, é altamente relevante para a otimização do

tratamento e a redução da

mortalidade em

pacientes críticos.

As intervenções mais frequentes envolveram ajuste de dose,

manejo e diluição de medicamentos,

identificação de interações medicamentosas,

Assim, a pesquisa evidencia a

relevância do

farmacêutico clínico no manejo do

choque séptico,

especialmente na análise criteriosa

das prescrições médicas e na

identificação de problemas

relacionados a medicamentos

(PRM). Atuando em conjunto com a

prevenção e

monitoramento de eventos adversos, correção de

inconsistências na

prescrição, conciliação medicamentosa e adequação de posologia.

equipe

multiprofissional, esse profissional

contribui para maior segurança do

paciente e maior efetividade terapêutica.

ALMEIDA et al., (2023)

Importância do farmacêutico

clínico na UTI e sua

participação na equipe

multidisciplinar

Avaliar a importância do farmacêutico

clínico frente às intervenções

farmacêuticas

realizadas na

UTI em pacientes com sepse e sua

participação na equipe

multidisciplinar

Revisão integrativa da

literatura, de caráter

descritivo e abordagem qualitativa

O farmacêutico é fundamental na UTI,

no manejo do choque

séptico. Integrado à equipe

multiprofissional, esse profissional realiza

análise criteriosa das

prescrições, identifica

e previne problemas relacionados a medicamentos

(PRMs), ajusta doses, orienta sobre diluição e velocidade de

infusão, além de otimizar a

antibioticoterapia.

Evidencia-se que o farmacêutico clínico é peça fundamental na UTI,

contribuindo

diretamente para a qualidade do

tratamento e o uso seguro e racional

de medicamentos.

Por meio de intervenções

farmacêuticas, auxilia, na

otimização da

terapia e na

redução do tempo de internação.

ÁVILA; ALVIM, (2021)

Sepse em unidade de tratamento

intensivo

(UTI): atuação do

farmacêutico clinico

Abordar a sepse em pacientes na unidade de

terapia intensiva

(UTI), investigando as principais

causas de

mortalidade e atuação do

farmacêutico clínico

Estudo transversal com

abordagem

bibliográfica

Segundo os dados do

Instituto Latino-

Americano da Sepse

(ILAS), elevadas taxas de letalidade nos

primeiros trimestres de

2018 e 2019, evidenciaram falhas como: o atraso no

reconhecimento da sepse e na

administração adequada de

antimicrobianos.

Nesse contexto, o farmacêutico é

primordial ao identificar

precocemente sinais clínicos da sepse,

avaliar prescrições,

garantir o uso racional e oportuno dos

medicamentos,

monitorar interações, doses e ajustes

farmacocinéticos, além de atuar na farmacovigilância.

Portanto, o farmacêutico mostra-se

essencial para a otimização do

tratamento e a redução da

mortalidade em

pacientes críticos.

Inserido na equipe multiprofissional da

UTI, o farmacêutico contribui de forma direta para a

identificação da

sepse. Sua atuação técnica, aliada a uma assistência humanizada,

favorece melhores

desfechos clínicos, promove a eficiência

terapêutica e

reforça a qualidade do cuidado intensivo.

BARBOSA et al., (2023)

A atuação do farmacêutico clínico no cuidado

O objetivo do estudo foi

analisar o papel

e o

Revisão integrativa da

literatura, de natureza

Na UTI, o farmacêutico, faz análise das

prescrições, ajuste de

Dessa forma, o farmacêutico

contribui para a otimização do

ao paciente

hospitalizado

desempenho do farmacêutico

clínico na UTI, a partir da

percepção desses

profissionais,

destacando a

importância de

suas práticas na

assistência ao paciente

hospitalizado com sepse.

qualitativa

doses, prevenção de interações e eventos

adversos e garantia da

administração segura e oportuna das

terapias. Integrado à equipe

multiprofissional, proporciona a segurança do

paciente, a eficácia da farmacoterapia e a melhoria dos

desfechos clínicos, na conciliação

medicamentosa e no

acompanhamento da terapêutica. Sua

participação também

impacta na gestão dos

recursos, reduzindo custos e tempo de internação.

tratamento ao garantir a

prescrição,

dispensação e administração seguras dos

medicamentos,

reduzindo o risco de eventos

adversos e falhas

terapêuticas. A

avaliação e o

monitoramento das prescrições permitem

intervenções

farmacêuticas precoces,

fundamentais para a adequação da

farmacoterapia em pacientes críticos.

BRAGA;

PINTO, (2024)

O papel do farmacêutico clínico na

unidade de terapia

intensiva: uma revisão

integrativa da literatura

Compreender o papel do

farmacêutico

clínico na UTI, identificando

suas atribuições, desafios e

impactos na

segurança e eficácia do

tratamento dos pacientes com sepse.

Revisão integrativa da literatura

O farmacêutico introduzido na equipe

multiprofissional, atua na prevenção e

identificação de erros de medicação, na

análise crítica das

prescrições, no ajuste de doses, no

monitoramento de interações

medicamentosas e na avaliação contínua da eficácia e segurança da farmacoterapia.

Evidências científicas demonstram que o farmacêutico está

associado à redução de problemas

relacionados a

medicamentos,

diminuição de eventos adversos,

racionalização de

custos e melhoria dos desfechos clínicos.

Os resultados desta pesquisa

evidenciam que o farmacêutico na

UTI é fundamental, contribuindo

diretamente para a otimização do

tratamento e a redução da

mortalidade em

pacientes críticos.

Além do mais, atua na prevenção de

eventos adversos e

na implementação

de protocolos e diretrizes

terapêuticas,

promovendo a

personalização dos regimes

terapêuticos,

conforme o perfil

clínico do paciente séptico.

Fonte: (AUTORAS, 2026).

DISCUSSÃO

A sepse permanece como uma das principais causas de morbimortalidade em UTI, configurando-se como um importante problema de saúde pública, especialmente em hospitais de alta complexidade. Nesse contexto, o estudo de Seitz et al., (2025), contribuiu de forma significativa ao traçar o perfil epidemiológico e clínico de pacientes com sepse em duas UTIs adultas de um hospital de referência do Paraná. Os achados reforçaram a elevada complexidade desses pacientes, frequentemente associados a disfunções orgânicas, necessidade de antibioticoterapia de amplo espectro e risco aumentado de eventos adversos, o que exige uma abordagem multiprofissional qualificada e integrada.

A análise do perfil epidemiológico apresentada por Seitz et al., (2025), dialogaram diretamente com a literatura ao evidenciar que a sepse está relacionada não apenas à gravidade clínica, mas também à adequação e à oportunidade das intervenções terapêuticas. Nesse cenário, destacaram-se a atuação estratégica do farmacêutico clínico na UTI, sobretudo na escolha racional da antibioticoterapia, no ajuste posológico conforme alterações farmacocinéticas e farmacodinâmicas decorrentes das disfunções orgânicas e na prevenção da resistência microbiana. Tais atribuições são fundamentais para a segurança do paciente e para a efetividade do tratamento.

Corroborando esses achados, Lima; Falcão; Leite (2022), evidenciaram que a presença do farmacêutico clínico na UTI está associada à otimização da terapêutica medicamentosa e à redução da mortalidade em pacientes com sepse. As principais intervenções descritas, como manejo de diluição e administração de medicamentos, identificação de interações medicamentosas e prevenção de eventos adversos, demonstraram o impacto direto desse profissional na mitigação de problemas relacionados a medicamentos (PRMs), frequentes em pacientes críticos.

De forma semelhante, Almeida et al., (2023), reforçaram que o farmacêutico clínico exerce papel central no manejo do choque séptico. A análise criteriosa das prescrições médicas, aliada à orientação quanto à velocidade de infusão, e monitoramento contínuo da terapia antimicrobiana, contribuíram não apenas para a segurança medicamentosa, mas também para a redução do tempo de internação e melhoria dos desfechos clínicos. Esses resultados sustentaram a ideia de que a atuação farmacêutica vai além do caráter operacional, assumindo dimensão clínica e estratégica no cuidado intensivo.

Os dados apresentados por Ávila; Alvim (2021), fundamentados em informações do ILAS, evidenciaram falhas recorrentes no reconhecimento precoce da sepse e no início oportuno da antibioticoterapia, fatores diretamente associados às altas taxas de letalidade. Nessa circunstância, o farmacêutico clínico emerge como profissional primordial, ao contribuir para a identificação precoce de sinais clínicos e avaliação crítica das prescrições. Sua atuação em farmacovigilância e no monitoramento contínuo da resposta terapêutica torna-se essencial para a redução da mortalidade em pacientes sépticos.

Adicionalmente, o estudo de Barbosa et al., (2023), ampliaram essa discussão ao destacar o impacto das práticas farmacêuticas na segurança do paciente hospitalizado com sepse. A integração do farmacêutico à equipe multiprofissional mostrou-se determinante para a eficácia da farmacoterapia, racionalização de recursos, redução de custos hospitalares e diminuição do tempo de internação.

Por fim, Braga; Pinto (2024), sintetizaram evidências robustas ao demonstrar que a atuação do farmacêutico clínico na UTI está associada à redução de erros de medicação, eventos adversos e PRMs, além da melhoria dos desfechos clínicos e da personalização dos regimes terapêuticos em pacientes sépticos. A implementação de protocolos e diretrizes terapêuticas, com participação ativa desse profissional, reforçaram a importância de sua inserção sistemática nas UTIs.

Dessa forma, a análise integrada dos estudos evidenciou que, frente ao perfil epidemiológico complexo da sepse descrito por Seitz et al., (2025), a atuação do farmacêutico clínico configurou-se como componente essencial da assistência ao paciente crítico. Sua participação contínua e qualificada na equipe multiprofissional contribui de maneira decisiva para a otimização da antibioticoterapia, segurança medicamentosa, individualização do tratamento e, consequentemente, para a redução da morbimortalidade associada à sepse.

CONCLUSÃO

A partir da análise dos estudos incluídos nesta revisão integrativa, evidencia-se que o choque séptico permanece como uma condição clínica de elevada gravidade e complexidade, associada a altas taxas de morbimortalidade nas Unidades de Terapia Intensiva. Os achados reforçam que a sepse não depende apenas da gravidade da infecção, mas também da precocidade do diagnóstico, da adequação das intervenções terapêuticas e da atuação integrada da equipe multiprofissional no cuidado ao paciente crítico.

Nessa situação, a atuação do farmacêutico clínico mostrou-se fundamental no manejo do choque séptico, contribuindo de forma significativa para a segurança e a efetividade da farmacoterapia.

Além disso, a inserção sistemática do farmacêutico clínico na equipe multiprofissional da UTI favorece a implementação de protocolos clínicos, a promoção do uso racional de medicamentos e a racionalização de recursos hospitalares, aspectos essenciais diante do cenário crescente de resistência microbiana e das limitações terapêuticas atuais.

Portanto, os resultados desta revisão reforçam que o farmacêutico clínico é um profissional essencial na UTI, cuja atuação qualificada contribui para a melhoria da qualidade da assistência e para a redução da morbimortalidade associada à sepse.

REFERÊNCIAS

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