Metodologias e suas contribuições para a prática pedagógica exitosa diante das novas estratégias de ensinar e aprender
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

Na atualidade, a educação tem enfrentado desafios significativos que demandam esforços mental, físico ou emocional a serem superados. Aos poucos, os educadores procuram se adaptar na “era digital” que está constantemente em evolução e transformação, buscando por caminhos novos que permitem a exploração de possibilidades didáticas que garantam aos educandos uma base sólida de preparação para os desafios do mundo futuro. O objetivo principal deste estudo consiste em buscar na literatura científica as metodologias possíveis e suas contribuições para a prática pedagógica exitosa diante das novas estratégias de ensinar e aprender, contribuindo com a análise do processo de ação-reflexão-ação da formação docente, adequando-se às exigências das habilidades e competências no interior de contextos escolares. Para tanto, foi realizado uma revisão bibliográfica, de natureza descritiva e qualitativa por meio de análises de artigos científicos (nacionais e internacionais), livros, trabalhos de conclusão de curso com pesquisas bases de dados eletrônicos, Biblioteca Virtual em Educação, além de consultas em revistas eletrônicas especializadas que abordam a respectiva temática. Os resultados atestaram que as práticas pedagógicas empreendidas viabilizam a identificação de fatores que impulsionam a aprendizagem dos alunos, por meio de ações pedagógicas que geram novos interesses e desenvolvem funções psicológicas superiores que refletem no desempenho do aprendiz quanto à escrita, leitura e linguagem oral. Conclui-se que, antes de obter uma prática exitosa, o docente necessita conhecer a realidade dos estudantes; para fazer uso de ferramentas metodológicas diversificadas que contribuirão para a obtenção do sucesso almejado no processo de desenvolvimento do ensino-aprendizagem de seus aprendizes.

Palavras-chave: Prática Exitosa. Alfabetização e letramento. Ensino e aprendizagem.

ABSTRACT

Today, education faces significant challenges that demand mental, physical, and emotional effort. Educators are gradually adapting to the constantly evolving and transforming "digital age," seeking new paths that allow for the exploration of teaching possibilities that provide students with a solid foundation for preparing them for the challenges of the future. The main objective of this study is to search the scientific literature for possible methodologies and their contributions to successful pedagogical practice in light of new teaching and learning strategies, contributing to the analysis of the

action-reflection-action process of teacher training, adapting to the demands of skills and competencies within school contexts. To this end, a descriptive and qualitative literature review was conducted through analysis of scientific articles (national and international), books, and final coursework, including research in electronic databases, the Virtual Library of Education, and specialized online journals addressing the respective topic. The results demonstrated that the pedagogical practices implemented enable the identification of factors that drive student learning through pedagogical actions that generate new interests and develop higher psychological functions, which are reflected in the learner's performance in writing, reading, and oral language. The conclusion is that, before achieving successful practice, teachers need to understand the students' realities and utilize diverse methodological tools that will contribute to achieving the desired success in the teaching-learning process of their students.

Keywords: Successful Practice. Literacy and literacy. Teaching and learning.

1 INTRODUÇÃO

O estudo contempla uma busca minuciosa na literatura científica sobre a análise do processo de ação-reflexão-ação da formação docente, possibilitando o

aprimoramento das práticas pedagógicas, o aprofundamento de teorias e conhecimentos da diversidade em situações no interior de contextos escolares e, impulsionando assim, o desenvolvimento de novas metodologias de ensino exitosas.

De acordo com Freire (2015), a denominação de práticas pedagógicas exitosas corroboram para a emancipação dos educandos a partir da concretização das ações dos docentes ao realizarem atividades intencionalmente planejadas; trazendo à baila dois sentidos: o primeiro, consolidado com uma perspectiva crítica e participativa, desempenhando uma educação emancipadora; o segundo sentido seria o caminho inverso, possibilitando a permanência de uma educação passiva, tradicional e mecanicista.

Prosseguindo com o pensamento do autor, compreende-se a relevância do papel decisivo do educador na vida de seus aprendizes, atuando como mediadores dos processos educativos na busca por uma educação que empodera os educandos, tornando-os agentes de mudança com capacidade de transformação, promovendo o desenvolvimento do senso crítico e criativo e contribuindo com o desenvolvimento de habilidades e competências. Dessa forma, evita-se a visão da escola como um depósito de conhecimento, devendo realizar o seu principal papel em “enfatizar a importância do ensino-aprendizagem de seu estudante”.

Diante desta perspectiva, a investigação em estudo decorrerá sobre o seguinte problema: Quais são as estratégias que deverão ser utilizadas pelo docente para a promoção de uma prática pedagógica exitosa mediante ao processo de alfabetização dos estudantes que apresentam dificuldades de aprendizagem nos anos iniciais do Ensino Fundamental?

Para responder por este estudo, algumas hipóteses foram levantadas como possíveis sustentações ao problema: acredita-se que os métodos de alfabetização e letramento utilizados pelos educadores possibilitam uma prática pedagógica exitosa no processo de ensino e aprendizagem para os estudantes com dificuldade de aprendizagem; pressupõe-se que as metodologias utilizadas pelos docentes contribuem para um resultado satisfatório na aprendizagem dos educandos com dificuldade de aprendizagem; julga-se a relevância de conhecer a realidade dos estudantes; consideram-se as ferramentas metodológicas diversificadas utilizadas em sala de aula pelos docentes para a obtenção de uma prática pedagógica exitosa.

A pesquisa evidencia como objetivo principal: buscar dentro da literatura científica, todas as situações possíveis que possam contribuir com a atuação pedagógica bem-sucedida do educador, avaliando as estratégias utilizadas para a promoção do aprendizado da alfabetização de estudantes com dificuldades de aprendizagem nos anos iniciais do Ensino Fundamental. E quanto aos objetivos específicos apresentados distingue-se: discorrer sobre as práticas pedagógicas exitosas, apontando a ação metodológica intencional trilhada por diferentes caminhos; discutir sobre a metodologia e práticas de leitura com foco na interpretação de texto e por fim, debater a formação para ensinar práticas pedagógicas bem-sucedidas como novas estratégias de ensinar.

O propósito e a motivação da autora da pesquisa se justificam em buscar na literatura científica, o que os autores discutem sobre a utilização de metodologias inovadoras e transformadoras, as quais corroboram com uma prática pedagógica exitosa diante das novas estratégias de ensinar e aprender no interior de contextos escolares.

Neste sentido, a relevância desta pesquisa para a população acadêmica e para a sociedade servirá para despertar cada vez mais o interesse pelo tema abordado e, assim, aprimorar o conhecimento para que, futuramente, os docentes possam compreender a necessidade de inserir em seus planejamentos ferramentas estratégicas para seus discentes e contribuir, automaticamente, com uma prática pedagógica exitosa, com a certeza de um ensinar e aprender significativos.

A metodologia adotada neste estudo compõem-se de uma revisão bibliográfica, abordando pesquisas de alguns autores no referencial teórico, os quais enfatizam a utilização de estratégias como ferramentas para a obtenção de práticas pedagógicas exitosas como recurso pedagógico das atividades práticas realizada pelos docentes que ministram aulas nos anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano). A realização foi feita por meio de fontes materiais e virtuais, como: livros, revistas, artigos e materiais já publicados sobre a problemática em estudo. A pesquisa possui cunho qualitativo e descritivo, realizada com leituras e análises de artigos científicos nacionais e internacionais que foram divulgados entre 2019 a 2025, bem como trabalhos de conclusão de curso via consultas em bases de dados eletrônicos, Biblioteca Virtual em Educação, incluindo revistas eletrônicas especializadas que levantam discussões sobre a temática.

A pesquisa se desenvolveu nos seguintes capítulos:

Capítulo 1: Introdução: Foram abordados os objetivos da pesquisa, o problema levantado, hipóteses, justificativa, assim como sua relevância;

Capítulo 2: Referencial teórico: Primeiramente, discutiu-se sobre os métodos de alfabetização e letramento utilizados pelos educadores, os quais possibilitam uma prática pedagógica exitosa no processo de ensino e aprendizagem para os estudantes com dificuldade de aprendizagem. Embasado no capítulo anterior, abordou-se sobre as metodologias utilizadas pelos docentes e a sua contribuição para um resultado satisfatório na aprendizagem dos educandos com dificuldade de aprendizagem. Por fim, fundamentou-se sobre o docente conhecer a realidade dos estudantes; verificando as ferramentas metodológicas diversificadas utilizadas em sala de aula para a obtenção de uma prática pedagógica exitosa.

Capítulo 3: Conclusão: Apresentaram-se as conclusões finais embasadas nos resultados auferidos por intermédio da referida busca na literatura, demonstrando as conclusões obtidas, sugerindo ideias e abordagens novas a serem consideradas em estudos futuros na área.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Considerações Iniciais

As práticas pedagógicas são elementos centrais do trabalho docente nos diferentes níveis e modalidades de ensino, desde a Educação Infantil até a Educação Superior, consistindo em métodos, estratégias e abordagens utilizadas pelos docentes no processo de ensino-aprendizagem. Focar as ações no desenvolvimento real desse sujeito requer mediação em funções ainda não amadurecidas, mas em processo; o tipo de ajuda ou apoio que o discente com dificuldade de aprendizagem precisa para realizar uma tarefa vai indicar o planejamento de ações voltadas para o seu desenvolvimento e autonomia (Arana, Klebis, 2015).

Atualmente, em todo o mundo, a sociedade cada vez mais tem se organizado focada na leitura e escrita. Deste modo saber ler e escrever, ou seja, estar alfabetizado e letrado, tem se tornado imprescindível para que o cidadão se inclua e responda às exigências e necessidades da sociedade atual.

2.1 Práticas pedagógicas exitosas aplicadas à aprendizagem: Métodos, estratégias, diferentes caminhos e possibilidades didáticas

O método de alfabetização que atravessou o século, ainda persiste recebendo ao longo do tempo sucessivas e almejadas soluções, tentando compreender as frequentes discussões complexas. Neste processo de ensino e aprendizagem é importante e necessário que as instituições de ensino ofertem ao aprendiz um ensino de qualidade envolvidas em todas as etapas e modalidades apresentadas. Cita-se de passagem, conforme Franco (2016), que todos os avanços conquistados pelo ser humano no plano de construção de sua subjetividade e das realizações culturais tiveram como fundamento a educação e o conhecimento para a construção de uma sociedade justa.

As práticas pedagógicas configuram na culminância da ação docente de ensinar, pois elas se concretizam por meio da “[...] mediação com o outro, com os outros e é esse outro que oferece às práticas seu espaço de possibilidade” e podem, por isso, “[...] funcionar como espaço de resistência ou de reverberação de múltiplas dominações [...]” (Franco, 2016).

Nesse direcionamento, a relevância da leitura reafirma o papel democrático da educação e, nesse contexto, exige a prática pedagógica do educador, refletindo no processo de alfabetização um compromisso com um ensino crítico, emancipatório, que respeite e valorize o saber, a criticidade e a curiosidade dos discentes. Como elementos básicos do processo pedagógico, o docente exerce um papel fundamental na formação dos aprendizes. Dessa forma, conforme constatou-se no PNAIC, a prática pedagógica deve estar de acordo com algumas características como:

Respeito às diferenças e atendimento à diversidade, consideração a heterogeneidade de aprendizagens e percursos diferenciados das crianças; necessidade de diversificação de atividade [...] desenvolvimento de postura avaliativa em uma perspectiva formativa e acompanhamento de forma qualitativa (Brasil, 2012, p. 19).

Com base nessas suposições, observa-se por meio da busca realizada na literatura científica que os educandos têm diferentes períodos de aprendizagem, independentemente, do ano escolar e idade; ideias, crenças e etnias que os tornam heterogêneos. Conforme Santos; Brito (2014), é por meio de uma prática pedagógica de alfabetização, a qual possui como finalidade a função social na formação de cidadãos esclarecidos, é quando o docente planeja e desenvolve as suas aulas promovendo um ensino crítico

Seguindo o pensamento dos autores, percebe-se que os educadores priorizam a importância de organizar a prática pedagógica por caminhos que priorizem o pensar, favorecendo o desenvolvimento da capacidade de estabelecer relações, possibilitando a execução das atividades e consideram a leitura e a escrita como uma função social.

Nas palavras de Araújo; Frigotto (2015), às ações e metodologias utilizadas pelos educadores para facilitar o aprendizado do educando são fundamentais no processo de ensino-aprendizagem na educação, se constituindo como estratégia primordial do trabalho dos docentes, já que é por meio delas, que se concretizam o fazer docente e a aprendizagem dos educandos.

Infere-se nesse sentido, que o modo de conceber a escola e as práticas de ensino são pontos de grande relevância, pois determinam a resposta aos desafios da educação contemporânea, especialmente, quando se almeja uma formação escolar que gere transformações.

Ainda os autores Araújo; Frigotto (2015), chamam a atenção para a formação continuada do professor, apontando a realidade de continuar estudando e melhorando sua formação. Tal pensamento, deverão estar enraizados nas mentes dos educadores, onde mais tarde, colocarão em prática; pois o ensino exige aperfeiçoamento contínuo e gradativo da prática pedagógica. O principal é que os docentes procuram buscar qualificação, sendo que a formação profissional ocorre por meio de formação, muitas vezes, oferecida pela escola, a qual o professor trabalha, ou uma busca pessoal de conhecimento para que ele possa trabalhar de forma diferente no ambiente escolar.

Relacionado à temática da formação continuada Ribeiro e Araújo (2013) sustentam que:

A formação do profissional docente não ocorre somente no curso de formação inicial, mas, sobretudo, é no contínuo de sua formação que o mesmo tem a possibilidade de amadurecer os seus saberes e rever os seus fazeres. Sendo assim, sua formação é permanente, ao mesmo tempo, em que deve ser associado às necessidades do seu trabalho pedagógico na escola (Ribeiro e Araújo 2013. p. 28).

Segundo os autores, a educação continuada é um processo no qual professores estão sempre buscando aprimorar sua prática, essa preocupação surge a necessidade de reflexão crítica e constante que os educadores precisam praticar sobre suas práticas pedagógicas. Para Freire (2015), “a reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação teoria/prática sem a qual a teoria pode ir virando blá-blá-blá e a prática, ativismo”.

Isso significa que o ato de aprender de uma criança ou de um adulto carece de significado, um processo de aprendizagem significativa. Para isso, é importante que os professores pensem criticamente sobre sua prática docente. “É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática” (Freire, 2015).

Segundo Lou Salomé (1992), considerando sua prática pedagógica como professora que atua no campo da inclusão, destaca o saber da inteligência emocional e da inteligência social. Esclarecendo que dentro de uma escola o professor precisa conseguir se articular e dialogar com seus pares e, no caso da educadora que trabalha com a educação inclusiva, deve saber dialogar com a comunidade escolar a fim de que a inclusão realmente se efetive no espaço da escola. A professora ressalta que é impossível fazer a inclusão sozinha e acredita que o saber dessa inteligência social, que envolve a empatia no sentido de se colocar no lugar do outro, especialmente, no caso dos estudantes com deficiência, é primordial.

A referida educadora ressalta o papel de os docentes atuarem como mediadores da construção da identidade das crianças menores, fortalecendo suas marcas identitárias, ao planejar práticas pedagógicas antirracistas e, para isso, é necessário conhecer um pouco mais sobre o processo de constituição da subjetividade dos sujeitos que adentram o ambiente escolar, pois são mulheres, mães, meninas, meninos e professoras que trazem marcas identitárias importantes para uma prática escolar, a qual se deve respeitar a alteridade afro-brasileira que nos compõe. A educadora ressalta que não é possível construir uma prática pedagógica antirracista se os docentes não buscarem a pesquisa.

2.2 Abordagens metodológicas para otimizar a compreensão e retenção de práticas de leitura com foco na interpretação de texto

É papel primordial da escola ensinar a ler, ampliar o domínio dos níveis de leitura e escrita dos estudantes em todas as suas interfaces e, além disso, orientar a escolha dos materiais de leitura. Os docentes que trabalham com os anos iniciais do Ensino Fundamental deverão apresentar aos discentes textos de diversas natureza; contendo o cruzamento de linguagens variadas e, evidentemente, com os textos da literatura que criam a possibilidade de o educando explorar dimensões não usuais do imaginário coletivo e pessoal. A autora Solé (1998), em sua obra “Estratégias de Leitura”, descreve a leitura numa perspectiva interativa:

A leitura é o processo mediante o qual se compreende a

linguagem escrita. Nesta compreensão intervêm tanto o texto, sua forma e conteúdo, como o leitor, suas expectativas e conhecimentos prévios. Para ler necessitamos, simultaneamente, manejar com destreza as habilidades de decodificação e aportar ao texto nossos objetivos, idéias e experiências prévias (Solé, 1998, p.23).

Prosseguindo com a ideia da autora, é importante ressaltar que a leitura é a base do processo de alfabetização e da formação da cidadania. Nesta perspectiva, cada professor deve ter clareza de que educa e ensina para o desenvolvimento das potencialidades do ser, tanto individual como social. Para isso, é necessário que o professor apresente uma nova postura, buscando o aperfeiçoamento e atualização dos conhecimentos aplicados à leitura e, principalmente, fazendo reflexões sobre o significado do ato de ler.

A necessidade que se coloca para a escola, família e demais espaços envolvidos no ensino da leitura e formação de leitores é a de possibilitar ao indivíduo sua constituição como leitor, pois ela lhe permite entender criticamente a sociedade e nela interferir. Essa leitura deve ir além da simples decifração de símbolos. Entre as inúmeras práticas de leitura reunidas deverão ser selecionados diferentes materiais de leitura, gêneros de texto, etc (Solé, 1998).

A leitura e o domínio da linguagem, atualmente, são considerados instrumentos de apropriação de conhecimentos que contribuem para melhor desenvolvimento e realização pessoal, maior grau de autonomia para o indivíduo atuar na sociedade, condições para o exercício pleno da cidadania. O desenvolvimento tecnológico exige também um leitor competente. Esse leitor é conceituado por Lajolo (1999), como:

“O leitor que, diante de um texto escrito, tenha a autonomia suficiente para atuar desde a decodificação da mensagem no seu aspecto literal até o estabelecimento de um conjunto mínimo de relações estruturais, contextuais que ampliem a significação do texto a tal ponto que se possa considerar ter havido, efetivamente, apropriação da mensagem, do significado na multiplicidade de relações estabelecidas entre texto e leitor, entre textos, com o mundo” (Lajolo, 1999, p. 105).

Seguindo o pensamento do autor, a leitura é muito mais do que um instrumento escolar de decodificação de sons. É um passaporte para a entrada na cultura escrita. Não se concebe uma cidadania plena sem a utilização da leitura. E ler na escola é ler para inserir-se na sociedade letrada. A leitura não é somente a apropriação do ato de ler e escrever; ela envolve o domínio de um conjunto de práticas culturais que exigem uma compreensão de mundo diferente daquela dos que não têm acesso à mesma. Infere-se, portanto, que a leitura tem um papel tão significativo na sociedade que se pode afirmar que ela cria novas identidades, novas formas de inserção social.

O gosto pela leitura é despertado pelo próprio entusiasmo do professor que incentiva o educando ao aproximar-se dos livros. Ou seja, para formar leitores, é preciso que o mediador desse processo se interesse por livros de tipos variados e que compartilhe suas descobertas e aprendizagens aos seus aprendizes.

Para facilitar a formação de leitores, é necessário que o professor se apresente como leitor, atualizado e participante. É fundamental que o discente veja seu professor envolvido com a leitura e com o que se conquista através dela.

Observar um professor seduzido pela leitura pode despertar o desejo de fazer o mesmo. Mostrar a importância da leitura no desenvolvimento intelectual, crítico e criativo do educando, torna-se relevante.

Assim, como é colocado por Freire:

[...] porque há também uma espécie assim de sabedoria de fazer a leitura, que você obtém fazendo a leitura). Isto é: você não ensina propriamente a ler, a não ser que o outro leia, mas o que você pode é testemunhar ao aluno como você lê e o seu testemunho é eminentemente pedagógico (Freire, 2015, p.8).

Aprender a ler não é uma atividade natural, para a qual o aprendiz se capacite sozinho, pois entre livros e leitores há importantes mediadores. Sendo que o mediador mais importante é o professor, presença fundamental na história de cada um dos discentes.

O primeiro passo para a formação do hábito da leitura na escola diz respeito à seleção de material, que deve servir para informação e recreação, e não ser imposto como obrigação, uma vez que a passagem pela escola, muitas vezes, é a única oportunidade que o aprendiz tem de entrar em contato com a leitura. Nesse espaço, o professor é um dos maiores responsáveis por desenvolver a prática da leitura em seus aprendizes, fornecendo-lhes livros e outros materiais de leitura, indicações bibliográficas, enfim, o universo da leitura.

Para isso, Lerner (2016), diz que o professor deve escolher textos que sejam mais adequados aos educandos para que o entendimento da leitura seja produtivo, mas também outros de leitura complexa, que orientados pelo professor permitam tornar o diálogo possível. Deve-se garantir que o leitor compreenda o texto, mesmo que vá sendo orientado para construir uma ideia sobre seu conteúdo, extraindo dele o que lhe interessa, de acordo com seus objetivos. Isto pode ser feito através de uma leitura individual, que permita avançar e retroceder de forma que o estudante pense, recapitule, relacione a informação com o conhecimento prévio, formule perguntas, decida o que é importante e o que é secundário. Este é um processo interno do aprendiz, mas que deve ser ensinado, ou seja, o professor orientará sua leitura e interpretação, ensinando-lhe assim, estratégias para a compreensão dos textos. Estas estratégias encaminharão a construção de uma interpretação para o texto, tornando o leitor consciente do que entende e do que não entende, para procurar resolver o problema que lhe surge.

Importante destacar também que práticas pedagógicas de leitura requerem períodos longos para serem desenvolvidas porque não dependem apenas do conhecimento de regras. Segundo Lerner (2016):

Aprende-se a ler por meio de muitas leituras, do conhecimento de diversos autores, de vários setores da cultura escrita, etc. Tudo isso depende de jornadas longas. É um processo em espiral, no qual se volta a certos conteúdos sob uma nova perspectiva. Há aspectos que ocorrem simultaneamente e necessitam de diferentes situações para que sejam apropriados (Lerner, 2016, p.16).

Deve-se lembrar também que para que o texto dialogue com o universo do leitor é preciso que esse leitor mobilize conhecimentos prévios, possibilitando tornar o texto mais significativo. Para isso, o professor deve lançar mão de atividades motivadoras de antecipação de leitura, ou seja, que criem expectativas em relação ao que vai ser lido, que façam com que o leitor relacione com leituras e vivências anteriores, tendo, portanto, significado para o mesmo.

Diversas pesquisas sobre a realidade da leitura no Brasil mostram o perfil de grande parte dos profissionais da educação como não-leitores. Na maioria das vezes, a imprensa divulga o baixo grau de letramento dos professores. No entanto, não há como contestar que todo professor deve ser leitor, pois sua formação e práxis exigem tal condição. Portanto, é necessário aprimorar as ações de leitura que já vêm sendo desenvolvidas na escola, com subsídios teóricos aos docentes, buscando melhorar suas ações a partir da leitura. Isso porque a experiência do docente como leitor é um dos elementos imprescindíveis no trabalho que desenvolverá em sala de aula com o objetivo de formar novos leitores.

2.3 Fatores que interferem na prática pedagógica diante das novas estratégias de ensinar e aprender dos estudantes com dificuldade de aprendizagem

A educação nem sempre é cercada somente por sucessos e aprovações. Muitas vezes, no decorrer do ensino, se depara com problemas que deixam os estudantes paralisados diante do processo de ensino-aprendizagem, assim são rotulados pela própria família, professores e colegas. Entre esses problemas, encontram-se as dificuldades na aprendizagem e a socialização. É importante que todos os envolvidos no processo educativo estejam atentos a essas dificuldades, observando se são momentâneas ou se persistem por algum tempo (Glat, 2015). Segundo o autor, na maioria dos casos, é o professor o primeiro a identificar que a criança está com alguma dificuldade. Podem apresentar desde cedo um atraso no desenvolvimento da fala e dos movimentos, geralmente apresentam desmotivação e incômodo com as tarefas escolares gerados por um sentimento de incapacidade, que leva à frustração. A desordem no aprendizado afeta a capacidade do cérebro em receber e processar informações, o que pode comprometer o ato de aprender. Importante ressaltar que não se deve confundir dificuldade de aprendizagem com falta de vontade de realizar as tarefas, algo bem comum no ambiente escolar.

Essas dificuldades refletem-se no processo de aprendizagem, a qual se caracteriza como resultado de construção e experiências passadas que influenciam as aprendizagens futuras. Dessa forma, a aprendizagem é como uma construção pessoal resultante de um processo experimental, inerente à pessoa e que se manifesta por uma modificação de comportamento. Sabe-se que a aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo, envolvendo aspectos cognitivos, emocionais, orgânicos, psicossociais e culturais.

Para Carneiro (2017), os estudantes com deficiência intelectual:

São os que impelem a escola a reconhecer a inadequação de suas práticas para atender às diferenças dos educandos. De fato, as práticas escolares convencionais não dão conta de atender às pessoas com deficiência intelectual, em todas as suas manifestações, assim como não são adequadas aos diferentes costumes dos alunos, sem qualquer deficiência, abordarem e entenderem um conhecimento de acordo com suas capacidades.

Conforme afirma o autor, existem diversos fatores que podem interferir negativamente ou positivamente no processo de aprendizagem do educando. Entre eles, destacam-se aspectos ambientais, econômicos, sociais, afetivos, psicológicos, emocionais e familiares. A falta de conhecimento de alguns docentes prejudica o processo de aprendizagem dos discentes com dificuldade de aprendizagem, pois as atividades ofertadas nas escolas são atividades da realidade que promovem a reflexão e o pensamento da criança. O professor não deve de forma alguma ignorar conceitos teóricos, pois a teoria tem dado um enorme conhecimento do que se pretende futuramente colocar em prática fazendo-se conhecedores de ideias que corroboraram de forma favorável para o trabalho acadêmico. É nesse sentido que se deve implantar ações que gerem alternativas de um saber exercitado; principalmente pela experiência no fazer pedagógico.

Nas palavras de Maués (2018), torna-se relevante a formação continuada dos docentes, as quais constituem como um processo de formação, aperfeiçoamento profissional e reflexão da sua ação, priorizando, constantemente, a busca por uma educação de qualidade.

Desse modo, comprova-se que é dentro desse contexto que se deve buscar mudanças propondo uma reflexão não só de teorias, mas com práticas que possibilitem a atuação e a formação do profissional de ensino, a fim de que atenda às diferenças e as singularidades do aprendiz com dificuldade de aprendizagem.

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2.4 Práticas pedagógicas bem-sucedidas: novas estratégias de ensinar

A prática pedagógica se torna material a partir de ações coletivas que envolvem a escola como um todo em nível global, permeando assim os processos formativos. A sociedade contemporânea exige que os professores representem novas habilidades e conhecimentos para acompanhar as constantes mudanças pelas quais a educação está passando.

Para Soares (2012), o ensino se constitui como uma prática pedagógica porque consiste em um conjunto de saberes e experiências que são resultados de atividades que eles são construídos durante seu processo de formação. Nessa perspectiva, o professor deve reavaliar sua prática pedagógica e se apresentar como um professor reflexivo sobre sua prática. Diante desse entendimento, o professor prático reflexivo avalia sua metodologia com base em suas experiências tanto em sala de aula quanto em experiências fora dos muros da escola. Repetir sua prática docente, mostrar o que está acontecendo com sucesso e o que não está, não é uma tarefa fácil, requer sabedoria para lidar com os próprios erros, bem como com os sucessos.

Encontrar um equilíbrio entre a reflexão e sua rotina permite que ele reavalie o conceito como educador e formador de opiniões. Nesse sentido, afirma Soares

(2012): “Uma maneira de pensar sobre a prática reflexiva é vê-la como algo que vem à tona teorias práticas do professor, para análise crítica e discussão”.

Antes dessa perspectiva, o autor enfatiza a importância da análise crítica da própria prática de docentes e equilibrar o conhecimento teórico com sua realidade cotidiana. Dessa forma, é possível refletir sobre sua atuação em sala de aula. Então, quando se tem um diálogo sobre as práticas bem-sucedidas dos professores, é gratificante encontrar professores que, mesmo em meio a tantos desafios e dificuldades, buscam novas formas de ensinar/desenvolver suas aulas, trabalhando os obstáculos vivenciados por cada estudante motivando a aprender, com o objetivo de desenvolver seu potencial. Portanto, a prática pedagógica é necessária para resultados exitosos.

Nos últimos anos, o debate sobre a formação para a docência se intensificou no Brasil, novos dispositivos normativos e políticas governamentais foram consolidados com o objetivo final de melhor qualificar o aprendizado das crianças, adolescentes e jovens do país. Essas disposições representam um desafio para o desenvolvimento de ações que auxiliem na sua concretização na prática socioeducativa nas diversas redes de ensino e na formação de professores na direção de uma melhor qualidade da educação escolar brasileira. Busca-se, atualmente, provocar mudanças na educação oferecida nas escolas mediante dos complexos cenários socioculturais que se apresentam na atualidade (Gatti et al.,

2019).

O conteúdo desses documentos sinaliza, direta ou indiretamente, a importância de se considerar a formação dos professores que atuam ou irão atuar na educação básica, e para a necessidade de uma reconceitualização das práticas pedagógicas, que também se fundamentam em perspectivas filosóficas e históricas (Silva Júnior et al., 2015: Gatti et al., 2019; Vasconcelos e Andrade, 2019).

É importante reiterar que o currículo de formação inicial para a docência em educação exige formação básica e contínua resultantes de fluxos de políticas gerados por diferentes governos, com perspectivas traduzidas em documentos e programas. No Brasil, os gestores educacionais e as instituições vivenciam desde a inserção da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei 9.394/1996, processos de reformulação curricular decorrentes das normatizações supervenientes e, também, de demandas institucionais e do próprio corpo docente. Nesse processo, as instituições de ensino superior (IES) vêm sendo desafiadas a reestruturar suas práticas de formação inicial e continuada tendo em vista, dentre outros aspectos como: promover a articulação entre a prática profissional e a formação teórica, entre a experiência concreta nas salas de aula e a pesquisa, entre os professores e os formadores universitários.

Os cursos de licenciatura, responsáveis pela formação de professores para as diferentes áreas curriculares da Educação Básica exercem um papel fundamental na construção da identidade dos professores e na sua socialização deste profissional, porém também, na aproximação das relações entre o conhecimento universitário e a atividade profissional, considerada como um espaço prático de produção, de transformação e de mobilização de saberes e, consequentemente, de teorias, de conhecimentos e de saber-fazer (execução) do ofício de professor (Tardif, 2012).

Durante a preparação inicial, o futuro professor é capacitado a desenvolver formas de atuação para apoiar a escolarização de crianças, adolescentes e jovens, o que pressupõe lidar com concepções pré-existentes relacionadas às práticas pedagógicas. É o momento em que conceitos e práticas podem ser refletidos, questionados, aprimorados, reformulados, compreendidos e/ou refutados, seja por meio do conhecimento que é transmitido nos cursos de formação, seja por meio de vivências diversas, interações às quais as situações de aprendizagem, estudantes universitários são expostos. A preparação inicial na graduação tem, assim, um peso considerável na construção da profissão e profissionalização docente, ou seja, na transformação do conhecimento do senso comum em conhecimento incorporado, na criação de oportunidades para o desenvolvimento de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores que representam a especificidade do ofício de ser professor. É preciso lembrar que a abordagem e a didática dos formadores de professores também desempenham um papel importante nessa formação.

3 CONCLUSÃO

Este trabalho, com base em seu objetivo geral, consistiu em buscar dentro da literatura científica todas as situações possíveis que possam contribuir com a atuação pedagógica bem-sucedida do educador, avaliando estratégias utilizadas para a promoção do aprendizado da alfabetização de estudantes com dificuldades de aprendizagem nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

A pergunta de pesquisa foi formulada como sendo: Quais são as estratégias que deverão ser utilizadas pelo docente para a promoção de uma prática pedagógica exitosa, mediante o processo de alfabetização dos estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental que apresentam dificuldade de aprendizagem?

Na busca por descobertas que respondessem à pergunta proposta e ao objetivo de pesquisa, evidenciou-se que, para se alcançar práticas pedagógicas exitosas é fundamental que o docente e a escola realizem um trabalho em conjunto, pois, dessa forma, estarão possibilitando a criação de um espaço ainda mais interativo com o universo da leitura, formando assim, leitores autônomos e críticos. O profissional da educação deve apresentar práticas que instiguem no aprendizado o domínio pela escrita e o prazer pela leitura, considerando o grau de aprendizagem de cada sujeito pertencente ao ambiente educacional. Ao refletir sobre suas práticas, muitas vezes, pode-se reduzir os índices de analfabetismo ou analfabetismo funcional entre os estudantes, fazendo com o que eles alcancem a alfabetização no período e idade certa.

Nos anos iniciais, quando os estudantes se apropriam da leitura e da escrita, poderão desenvolvê-las com êxito em seus anos de escolaridade e se tornarão habilitados para utilizá-las como prática discursiva com ainda mais facilidade em sua trajetória escolar. Para isso, é essencial compreender a prática pedagógica como sendo um instrumento produtivo do conhecimento, e para que se torne exitosa, diante dos novos tempos e novas estratégias educativas, ela exige responsabilidade dos professores que atuam nos anos iniciais do Ensino Fundamental, através do uso de ferramentas como: o planejamento, as metodologias, as estratégias e as avaliações são significativas no processo de ensino da leitura e da escrita.

Para tanto, o educador, como protagonista do processo ensino-aprendizagem, tem que adequar essas ferramentas ao contexto social no qual os estudantes estão inseridos, potencializando o conhecimento e as oportunidades de crescimento crítico dos educandos.

Sugere-se, a inserção do lúdico na sala de aula devendo ser uma prioridade para que o ensino possa ser mais significativo, motivador e que desperte o interesse em aprender, evitando o tédio e a desmotivação do estudante. Para o educando com dificuldade de aprendizagem, esse tipo de atividade lúdica permite que ele participe e seja bem recebido com os colegas da turma, fazendo assim uma conexão entre o estudar e o coexistir.

Ressalta-se a necessidade de uma formação específica continuada aos docentes e aos demais colaboradores que lidam com estudantes que possuem dificuldades. A formação inicial e continuada dos docentes é importante para que possam exercer ações educativas mais direcionadas às diversidades vividas em sala de aula.

Enfim, espera-se com essa pesquisa que, as práticas pedagógicas aplicadas como estratégias de ensino para a alfabetização e letramento em sala possibilite uma aprendizagem significativa frente às dificuldades no contexto do espaço escolar, conduzindo o docente a refletir sobre a importância da prática pedagógica no processo de ensino-aprendizagem da aquisição da leitura e escrita.

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  2. Professor Doutor Dorival Lima Ribeiro

    E mail: dorivallimaribeiro@gmail.com

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