Palavras-chave
Enfermagem
Consulta de enfermagem
Tecnologia em saúde
Adaptação e validação clínica de instrumento para consulta de enfermagem em pessoas vivendo com HIV/AIDS em serviço especializado
Adaptation and clinical validation of an instrument for nursing consultations with people living with HIV/AIDS in a specialized service
Ícaro Tavares Borges[1]
Léa Maria Moura Barroso Diógenes[2]
Bruna Monik Morais de Oliveira[3]
Lourdes Suelen Pontes Costa[4]
RESUMO
Objetivo: Avaliar a aplicabilidade clínica e a usabilidade de um instrumento de consulta de enfermagem em pessoas vivendo com HIV/AIDS em serviço especializado.
Método: Estudo metodológico com etapa de validação clínica, realizado em Serviço de Atenção Especializada (SAE). Participaram 30 pessoas vivendo com HIV/AIDS e 8 enfermeiros atuantes no serviço. Os critérios de inclusão para os pacientes foram: idade igual ou superior a 18 anos e acompanhamento regular no serviço. Para os profissionais, considerou-se a atuação na assistência direta. A coleta de dados ocorreu por meio da aplicação do instrumento durante a consulta de enfermagem, seguida de avaliação de usabilidade por escala tipo Likert. Foram analisadas variáveis relacionadas à facilidade de uso, clareza dos itens, utilidade clínica, organização da consulta e tempo de aplicação. Os dados foram analisados por estatística descritiva (frequência e média). O estudo seguiu os preceitos éticos da Resolução n.º 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.
Resultados: Os resultados evidenciaram elevada aceitação do instrumento entre os profissionais: 93,3% consideraram-no fácil de utilizar; 90,0% atribuíram clareza aos itens; 96,6% reconheceram sua utilidade clínica; e 90,0% relataram melhoria na organização da consulta. O tempo médio de aplicação foi de 14,8 minutos, compatível com a rotina assistencial. Validação clínica
Conclusão: O instrumento apresentou adequada aplicabilidade clínica e elevada usabilidade, podendo contribuir para a qualificação da consulta de enfermagem, fortalecimento da Sistematização da Assistência de Enfermagem e melhoria do cuidado às pessoas vivendo com HIV/AIDS, com potencial de aplicação no âmbito do Sistema Único de Saúde.
Palavras-chave: HIV; Enfermagem; ; Consulta de enfermagem; Tecnologia em saúde.
ABSTRACT
Objective: To evaluate the clinical applicability and usability of a nursing consultation instrument for people living with HIV/AIDS in a specialized care service.
Method: Methodological study with a clinical validation stage, conducted in a Specialized Care Service (SCS). Thirty people living with HIV/AIDS and eight nurses participated. Inclusion criteria: age ≥ 18 years and regular service follow-up (patients); direct patient care (nurses). Data were collected through instrument application during nursing consultations, followed by Likert-scale usability assessment. Variables analyzed: ease of use, item clarity, clinical utility, consultation organization, and application time. Descriptive statistics were used. Ethical guidelines of Resolution No. 466/2012 (Brazilian National Health Council) were followed.
Results: High instrument acceptance was found: 93.3% considered it easy to use; 90.0% rated item clarity highly; 96.6% recognized its clinical utility; and 90.0% reported improved consultation organization. Mean application time was 14.8 minutes.
Conclusion: The instrument demonstrated adequate clinical applicability and high usability, contributing to the qualification of nursing consultations, strengthening of the Systematization of Nursing Care, and improvement of care for people living with HIV/AIDS.
Keywords: HIV; Nursing; Clinical validation; Nursing consultation; Health technology.
INTRODUÇÃO
A infecção pelo HIV/AIDS permanece como relevante problema de saúde pública, exigindo abordagens assistenciais integradas, contínuas e baseadas em evidências. Apesar dos avanços terapêuticos, fatores como estigmatização, desigualdades sociais e barreiras de acesso aos serviços de saúde ainda impactam negativamente a adesão ao tratamento e os desfechos clínicos.
Nesse contexto, a consulta de enfermagem configura-se como ferramenta estratégica para o cuidado integral, permitindo a identificação de necessidades, planejamento de intervenções e monitoramento contínuo do paciente. A utilização de instrumentos estruturados contribui para a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), promovendo maior qualidade, segurança e padronização das práticas assistenciais.
Entretanto, a validação de conteúdo de instrumentos não assegura, isoladamente, sua aplicabilidade clínica, sendo necessária sua avaliação em contexto real de uso. Dessa forma, torna-se fundamental investigar a usabilidade e a efetividade desses instrumentos na prática assistencial.
Diante disso, o presente estudo tem como objetivo avaliar a aplicabilidade clínica e a usabilidade de um instrumento de consulta de enfermagem em pessoas vivendo com HIV/AIDS.
MÉTODO
Trata-se de estudo metodológico com etapa de validação clínica, realizado em Serviço de Atenção Especializada (SAE).
Participaram 30 pessoas vivendo com HIV/AIDS e 8 enfermeiros atuantes no serviço.
Os critérios de inclusão para os pacientes foram: idade igual ou superior a 18 anos e acompanhamento regular no serviço. Para os profissionais, considerou-se a atuação na assistência direta.
A coleta de dados ocorreu por meio da aplicação do instrumento durante a
consulta de enfermagem, seguida de avaliação de usabilidade por meio de escala tipo Likert. Foram analisadas variáveis relacionadas à facilidade de uso, clareza dos itens, utilidade clínica, organização da consulta e tempo de aplicação.
Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva (frequência e média).
O estudo seguiu os preceitos éticos da Resolução n.º 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde.
RESULTADOS
Participaram do estudo 30 pacientes e 8 enfermeiros. Os resultados da avaliação de usabilidade do instrumento estão apresentados na Tabela 1.
Tabela 1 – Avaliação da usabilidade do instrumento de consulta de enfermagem
Variável | Resultado (%) |
|---|---|
Facilidade de uso | 93,3% |
Clareza dos itens | 90,0% |
Utilidade clínica | 96,6% |
Organização da consulta | 90,0% |
Tempo médio de aplicação | 14,8 minutos |
Fonte: Elaborada pelos autores (2024).
Os resultados evidenciam elevada aceitação do instrumento, destacando sua utilidade clínica e contribuição para a organização da consulta de enfermagem.
DISCUSSÃO
Os achados demonstram elevada aplicabilidade clínica do instrumento, com níveis de aceitação superiores a 90% entre os profissionais, indicando consistência e adequação à prática assistencial.
O tempo médio de aplicação mostrou-se compatível com a rotina dos serviços de saúde, não representando impacto negativo no fluxo de atendimento.
A literatura evidencia que instrumentos estruturados contribuem para a melhoria da qualidade assistencial, especialmente em condições crônicas como o HIV/AIDS, nas quais o acompanhamento contínuo e a adesão terapêutica são fundamentais.
No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), a utilização de tecnologias assistenciais validadas pode favorecer a padronização das práticas, melhoria dos registros clínicos e fortalecimento das linhas de cuidado.
CONCLUSÃO
O instrumento apresentou adequada aplicabilidade clínica e elevada usabilidade. Sua utilização contribui para a qualificação da consulta de enfermagem, fortalecimento da Sistematização da Assistência de Enfermagem e melhoria do cuidado às pessoas vivendo com HIV/AIDS.
Destaca-se seu potencial de aplicação no âmbito do Sistema Único de Saúde, contribuindo para a padronização das práticas assistenciais e apoio à tomada de decisão clínica.
REFERÊNCIAS
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global HIV Programme. Genebra: WHO, 2023. Disponível em: https://www.who.int/teams/global-hiv-hepatitis-and-stis-programmes. Acesso em: 13 abr. 2026.
UNAIDS. Global AIDS Update. Genebra: UNAIDS, 2023. Disponível em: https://www.unaids.org. Acesso em: 13 abr. 2026.
POLIT, D. F.; BECK, C. T. Fundamentos de pesquisa em enfermagem: avaliação de evidências para a prática de enfermagem. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011.
BRASIL. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Saúde. Resolução n.º 466, de 12 de dezembro de 2012. Brasília: CNS, 2012.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Resolução n.º 736, de 17 de janeiro de 2024. Brasília: COFEN, 2024.
Enfermeiro. Mestre em Tecnologia e Inovação em Enfermagem. Doutorando em Saúde Coletiva – UNIFOR. Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (SESA/CE). E-mail: icaro.borges@edu.unifor.br | ORCID: 0000-0003-4899-8028 ↑
Enfermeira. Doutora em Enfermagem pela UFC. Docente Adjunta da UNIFOR. Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (SESA/CE). E-mail: leammbarroso@gmail.com | ORCID: 0000-0003-1446-7309 ↑
Enfermeira. Mestra em Saúde Pública pela UFC. Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (SESA/CE). E-mail:
bruna.monik@saude.ce.gov.br | ORCID: 0000-0001-5214-897X ↑
Enfermeira. Mestra em Saúde Coletiva pela UECE .Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (SESA/CE). E-mail: suelen.costa@saude.ce.gov.br| ORCID: 0000-0001-8589-0214 ↑

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