RESUMO
A pandemia de COVID-19 impôs desafios sem precedentes à educação, forçando escolas e instituições a reavaliar suas abordagens pedagógicas. Nesse contexto, as metodologias ativas emergiram como uma estratégia eficaz para manter o engajamento dos alunos e garantir a continuidade do aprendizado. Essas abordagens colocam os estudantes como protagonistas do processo educacional, promovendo a participação ativa e a colaboração. A literatura destaca a importância da aprendizagem experiencial e da educação dialógica, conceitos que enfatizam a construção do conhecimento por meio da interação e do debate, fundamentais em tempos de isolamento social. Além disso, a formação continuada de educadores é crucial para a implementação bem-sucedida das metodologias ativas. A capacitação em ferramentas digitais e estratégias inovadoras permite que os professores adaptem suas práticas de ensino, aproveitando ao máximo as oportunidades oferecidas pelo ambiente virtual. Neste sentido esta investigação traz para o debate a correlação entre as metodologias ativas e os mecanismos educacionais que foram utilizados para superar o período pandêmico.
Palavras chave: Metodologias Ativas. Período Pandêmico. Estratégia de Ensino.
ABSTRACT
The COVID-19 pandemic imposed unprecedented challenges on education, forcing schools and institutions to reassess their pedagogical approaches. In this context, active methodologies emerged as an effective strategy to maintain student engagement and ensure the continuity of learning. These approaches place students as protagonists in the educational process, promoting active participation and collaboration. The literature highlights the importance of experiential learning and dialogic education, concepts that emphasize the construction of knowledge through interaction and debate, fundamental in times of social isolation. Furthermore, the continuing education of educators is crucial for the successful implementation of active methodologies. Training in digital tools and innovative strategies allows teachers to adapt their teaching practices, making the most of the opportunities offered by the virtual environment. In this sense, this research brings to the debate the correlation between active methodologies and the educational mechanisms that were used to overcome the pandemic period.
Keywords: Active Methodologies. Pandemic Period. Teaching Strategy..
1 Artigo extraído, da dissertação de Mestrado apresentado a Facultad de Posgrado em Maestría en Ciencias de la Educación en la Universidad de la Integración de las Américas – UNIDA, Localizada na Cidad del Este - Paraguai, para obtenção do título de Mestre em Ciência da Educação no ano de 2021. 2 Professora Graduada em Letras pela Universidade Federal do Amazonas no ano de 2004, Mestra em Ciência da Educação pela Universidad de la Integración de las Américas – UNIDA/PY.
INTRODUÇÃO
A pandemia de COVID-19 precipitou uma transformação radical no cenário educacional global, forçando instituições de ensino a reavaliar métodos e práticas que antes eram considerados convencionais. Nesse contexto, a adoção de metodologias ativas emergiu como uma resposta inovadora e eficaz para enfrentar os desafios impostos por esse novo normal. Essas metodologias, que enfatizam a participação ativa dos alunos no processo de aprendizagem, não apenas se mostraram essenciais para a continuidade dos estudos durante o isolamento social, mas também revelaram se como uma oportunidade para repensar a educação de forma mais ampla e inclusiva.
A literatura sobre metodologias ativas é vasta e diversa, abordando desde suas definições e características até suas aplicações práticas em diferentes contextos educacionais. Autores como David Kolb e Paulo Freire têm contribuído significativamente para a compreensão da importância da aprendizagem experiencial e da educação dialógica, respectivamente. Essas abordagens enfatizam a necessidade de um aprendizado que não seja apenas receptivo, mas que envolva os alunos em um processo dinâmico de construção de conhecimento. Assim, a análise das metodologias ativas à luz da literatura existente oferece um panorama abrangente de como essas práticas podem ser implementadas para superar os desafios educacionais impostos pela pandemia.
Além disso, é importante destacar que a literatura também aponta para a importância da formação continuada de educadores, que desempenham um papel crucial na implementação eficaz dessas metodologias. A capacitação docente em ferramentas digitais e em estratégias pedagógicas inovadoras é fundamental para garantir que os alunos possam se beneficiar plenamente das novas abordagens de ensino. Dessa forma, a análise da literatura não só ilumina as práticas de ensino que têm se mostrado eficazes durante a pandemia, mas também evidencia a necessidade de um apoio institucional robusto para que educadores e alunos possam prosperar em um ambiente de aprendizado que está em constante evolução.
Portanto, esta investigação propõe uma reflexão crítica sobre as metodologias ativas e os mecanismos educacionais que se mostraram eficazes no enfrentamento dos desafios impostos pela pandemia. Ao explorar a literatura existente, buscaremos entender como essas abordagens não apenas permitiram a continuidade da educação, mas também contribuíram para uma reconfiguração das práticas
pedagógicas, preparando o terreno para uma educação mais resiliente e adaptável no futuro.
A PANDEMIA E O ENSINO REMOTO
Frente ao fechamento das escolas devido à pandemia de Covid-19, as secretarias estaduais e municipais de educação utilizaram várias estratégias para garantir a continuidade da aprendizagem. Algumas dessas estratégias envolveram o uso de tecnologias digitais, enquanto outras focaram a distribuição de material impresso e a veiculação de programas de televisão e rádio. A maior parte das secretarias utilizou estratégias mistas e complementares a fim de atender diferentes contextos das escolas e de seus/suas estudantes. Surgiu assim um renovado interesse pelo ensino híbrido, um conceito já conhecido por especialistas da área da educação, cujas premissas são ainda pouco compreendidas pela comunidade escolar e ainda precisam ser muito debatidas.
As informações a seguir, foram retiradas do artigo dos pesquisadores Yamaguchi (2020), intitulado “Desafios e avanços educacionais do ensino remoto aulas não presenciais: Um panorama dos desafios da Educação Tecnológica em tempo de pandemia do COVID-19 no interior do Amazonas”. O artigo apresenta que, o ano letivo de 2020 seria marcado na história pela indefinição gerada pela pandemia que assolou o mundo inteiro, a doença infecciosa causada pelo coronavírus.
Segundo o Coronavirus Study Group – CSG, pesquisadores que vêm
estudando o comportamento e a evolução desse microrganismo ao longo da
pandemia, afirmam que o vírus é caracterizado de acordo com a sua
taxonomia, filogenia e prática estabelecida, e que na prática ele é: [...] uma
irmã dos coronavírus da síndrome respiratória aguda grave (SRAG-CoVs) da
espécie coronavírus relacionado à síndrome respiratória aguda grave e o
designa como coronavírus da síndrome respiratória aguda grave (SRAG
CoV-2). (GORBALENYA, et al. 2020, p. 2). Após a publicitação da
propagação do vírus pelo mundo, por meio da declaração de 11 de março de
2020, emitida pela a Organização Mundial da Saúde – OMS, foi instituído no
mundo, o estado de pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2), a partir
desta declaração, foram elaborados diversos protocolos de controle sanitário
e de Revista de Estudos e Pesquisas sobre Ensino Tecnológico, v.6, Edição
Especial Desafios e avanços educacionais em tempos da COVID-19,
e146120, 2020.3 ações de prevenção à contaminação (OPAS, 2020). Entre
os setores que sofreram significativas modificações, tem-se a educação. A
partir deste momento, o mundo inteiro trilhou novas formas de conscientizar
a população sobre as proporções que a pandemia poderia levar, adotando
formas de nível individual e coletivo para o combate ao vírus. (SOUSA JÚNIOR, et al.2020, p. 332). Esta doença alterou a programação escolar do
mundo inteiro, pois os sistemas escolares, a partir dos efeitos da pandemia,
viram-se em meio ao dilema de encerrar “as atividades escolares para reduzir
o contato e salvar vidas ou manter o funcionamento permitindo que os
trabalhadores pudessem manter a economia pessoal e social.” (BURGESS;
SIEVERTSEN, 2020, p. 1). A educação, em um contexto global, foi
comprometida. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO, as escolas foram
fechadas em mais de 190 países, deixando mais de 1,57 bilhão de crianças,
adolescentes e jovens sem aulas presenciais. Esses dados refletem em mais
de 90% da população estudantil de todo o mundo (UNESCO, 2020).No Brasil
não foi diferente, o Ministério da Educação – MEC emitiu diversos atos
normativos, levando em consideração as observações da Organização
Mundial da Saúde - OMS e do Ministério da Saúde, adotando medidas de
enfrentamento à pandemia provocada pelo novo coronavírus - Covid-19, das
quais a Portaria MEC nº 617/2020, de 3 de agosto de 2020 (BRASIL, 2020c),
que regulamenta as atividades das instituições de ensino mantidas pela
União, das instituições de educação superior mantidas pela iniciativa privada
e órgãos federais de educação (BRASIL, 1996), além dos serviços nacionais
de aprendizagem mantidos pelo sistema federal de ensino (BRASIL, 2011).
Este ato normativo, Portaria MEC nº 617/2020, autorizou as instituições
supracitadas a suspenderem as aulas presenciais ou substituí-las por atividades não presenciais nos cursos de educação profissional técnica de
nível médio em andamento até 31 de dezembro de 2020.
A SEDUC-AM optou pelas atividades não presenciais, Portaria MEC nº 617/2020, a partir do dia 24/03/2020, os alunos da escola estadual, passaram até aulas remotas, os professores interagiam no horário escolar dos alunos, a equipe escolar, organizou um cronograma adotando os tempos para cada professor/disciplina. Muitas vezes, a interação não ocorria como esperada, a adesão foi pouquíssima devido alguns problemas que logo será relatado, no parágrafo abaixo.
Segundo Xavier (2016), toda tecnologia é um conhecimento criado, desenvolvido e aplicado para resolver os problemas de limitações físicas e intelectivas do homem. Ela se realiza por meio de produtos, equipamentos e instrumentos complexos que promovem aumento da velocidade de ação dos sujeitos que a utilizam e oferece ganhos de produtividade e qualidade na realização de certas atividades e confecção de produtos. Dizendo de outra maneira, a tecnologia potencializa ações e abstrações dos sujeitos garantindo mais rapidez, eficiência e abrangência no espaço e no tempo em que seus beneficiários se encontram real e/ou virtualmente.
Na prática, o ensino remoto é feito por um professor que ministra aulas, sejam elas ao vivo ou gravadas, por meio de videoconferência ou recurso similar. A carga horária é a mesma das aulas presenciais, mantendo a frequência. Os educadores e estudantes têm enfrentado grandes desafios com as aulas remotas, afinal, as mudanças foram abruptas. Adaptar toda a dinâmica da sala de aula presencial para os ambientes virtuais demanda investimento de tempo e em tecnologia. Mesmo com os desafios, aulas expositivas e até avaliações têm ocorrido com o suporte de recursos tecnológicos, em diferentes formatos de conteúdo e ambientes virtuais de
aprendizagem (AVA). Tudo para diversificar e personalizar a experiência dos alunos. Tanto as aulas remotas quanto a modalidade de ensino a distância (EAD) são realizadas para proporcionar uma rotina de estudo e estabilidade diante de tantas incertezas.
Enquanto a aula remota surge como resposta imediata ao momento atual, a modalidade de ensino a distância já é conhecida por muitos brasileiros há várias décadas. A diferença entre aulas remotas e a modalidade de ensino a distância (EAD), aula remota as aulas são ao vivo e remotas simulando o encontro presencial, o professor da disciplina disponível diariamente, conteúdo e material didático mais personalizados e ajustados pelo professor segundo a necessidade, cronograma mais flexível e ajustado segundo o contexto atual, avaliações mais centradas nas aulas, mais atividades síncronas, carga horária concentrada nas aulas e mais centrado no professor.
No ensino a distância as aulas são gravadas, tutor/monitor como suporte de maneira atemporal, conteúdo e material didático mais padronizados, normalmente disponibilizados com antecedência, cronograma padronizado, avaliações padronizadas, atividades síncronas e assíncronas, carga horária distribuída entre diversos recursos midiáticos e mais autoinstrucional. As ferramentas e plataformas para isso são abundantes. Apresentamos a seguir algumas sugestões de comunicação remota com os alunos:
• WhatsApp: Utilização para conversas individuais, em grupos ou através de listas de transmissão;
• Google Hangout Meets: Plataforma de webconferência para até 100 pessoas ao mesmo tempo;
• Skype: Plataforma de comunicação para uma quantidade reduzida de pessoas;
• Google Forms: Criação de avaliação, simulados e provas para resolução no formato digital;
• Microsoft Teams: Trabalhe em equipe usando chat, compartilhando arquivos e fazendo chamadas com vídeo.
Tecnologia é um produto da ciência e da engenharia que envolve um conjunto de instrumentos, métodos e técnicas que visam a resolução de problemas. É uma aplicação prática do conhecimento científico em diversas áreas de pesquisa. O termo tecnologia educacional remete ao emprego de recursos tecnológicos como ferramenta
para aprimorar o ensino. É usar a tecnologia a favor da educação, promovendo mais desenvolvimento socioeducativo e melhor acesso à informação. O grande aparato que traz inúmeros benefícios sociais e educacionais é o computador.
O uso da tecnologia favorece a interação entre alunos. Ao fazerem atividades em pares ou grupos, a internet permite que todos expressem seus conhecimentos e deem opiniões, o que traz à tona a experiência prévia dos alunos, o que os motiva ainda mais, pois se sentem parte ativa e importante do processo de aprendizagem.
O ensino remoto foi a alternativa encontrada para que o ano escolar continuasse e que os alunos poderiam seguir seus estudos, porém, existem questões sociais que não tem como deixar de mencionar, que nem metade dos alunos, não acompanhavam as aulas, devido à falta de internet, de boa qualidade, em alguns casos, o aluno só tem uma quantidade baixa de dados de internet que não o supre, deixando de realizar e participar das atividades. Outros casos, o aluno não possuía aparelho celular e quando havia na família, tinha que ser dividido entre os irmãos. No retorno do ensino das aulas presenciais a escola estadual realizou um plano de intervenção que nele continha os conteúdos que iriam ser reforçados, uma tentativa para aqueles alunos que não estavam engajados no ensino remoto de recuperar o currículo ministrado anteriormente, fez-se uso de material tipográfico, apostilas do Aula em Casa.
Na nota técnica nº 18, foram dadas recomendações para implantação do ensino híbrido, vejamos:
A rede ou a escola pode diagnosticar a realidade de sua comunidade escolar, conhecendo as características da infraestrutura disponível nas moradias e no espaço físico escolar, bem como analisar a necessidade e possibilidade de ajustes na carga horária fracionada no retorno às escolas para dar subsídios para os/as docentes planejarem a experiência de aprendizagem em conformidade com o ensino híbrido.
Além disso, é interessante estimular a criação de comunidades de aprendizagem, promovendo momentos de aprendizagem colaborativa entre os/as docentes sobre a abordagem, a troca de experiências, dando suporte para o desenvolvimento de uma nova postura entre professores e professoras e estudantes. Envolver as famílias também se torna fundamental para que, com o apoio da comunidade escolar, as experiências sejam acompanhadas e valorizadas por todos.
Estudantes com acesso à internet e a um ambiente virtual de aprendizagem disponibilizado pela escola em que podem acessar conteúdos, enviar tarefas e
acessar formulário → Os modelos C e D podem ser considerados no retorno às escolas, mantendo o digital como fio condutor em todas as experiências, recebendo dados da interação dos/as estudantes em casa e reservando para a escola os momentos de interação, de discussões, de realização de projetos a partir dos dados coletados.
Estudantes com acesso à internet para receberem conteúdos por diferentes meios (redes sociais, plataforma digital, entre outros) → Os modelos C e D podem ser considerados no retorno às escolas, com foco no online para o envio de materiais que auxiliam os/as estudantes a se prepararem para os momentos presenciais e com a coleta de dados sobre o que foi feito em casa para acompanhar as aprendizagens e planejar as aulas a partir.
Estudantes sem acesso à internet, recebendo conteúdos por TV ou rádio → Os modelos A e B podem ser considerados no retorno às escolas, utilizando a proposta de sala de aula invertida, a partir dos registros feitos pelos/as estudantes em casa sobre os conteúdos recebidos, e a rotação por estações ou o laboratório rotacional, para organizar os/as estudantes em grupos, identificar suas necessidades e agir para atendê-las; a rotação individual também pode ser utilizada.
Estudantes sem acesso à internet, recebendo materiais impressos → Nesse caso, os modelos A e B podem ser considerados no retorno às escolas, utilizando a proposta de sala de aula invertida, a partir dos registros feitos pelos/as estudantes nos materiais impressos, e a rotação por estações ou o laboratório rotacional para organizar os/as estudantes em grupos, oferecer acesso aos recursos digitais, identificar suas necessidades e agir para atendê-las; a rotação individual também pode ser utilizada. Estudantes sem interação com conteúdos escolares → Nesse caso, o modelo A precisa ser considerado, incluindo momentos de acesso aos recursos digitais na escola, sempre que possível, e valorizar a rotação individual, por meio de roteiros específicos para apoiar os/as estudantes.
Para trabalhar com o ensino híbrido é importante que as redes de ensino, escolas e docentes planejem a ação pedagógica com base na perspectiva da personalização do processo de aprendizagem, visando a construção de um percurso educacional significativo, que promova o protagonismo e o desenvolvimento da autonomia do/da estudante.
ENSINO HÍBRIDO
O ensino híbrido como possibilidade de metodologia do ensino, como nos diz Bacich; Tanzi Neto; Trevisani (2015), enfatiza a importância do uso das tecnologias digitais na escola, possibilita a personalização do ensino, e é um desafio para muitos educadores. O ensino híbrido, da maneira que vem sendo utilizado de educação básica, se difere das definições de blended learning voltadas para o ensino superior e entendidas como aquele modelo em que o método tradicional, presencial, se mistura com o ensino a distância e, em alguns casos, determinadas disciplinas são ministradas na forma presencial, enquanto, outras, apenas on-line.
Essa seria o uso original do termo, que evoluiu para abarcar um conjunto muito mais rico de estratégias ou dimensões de aprendizagem. A expressão ensino híbrido está enraizada em uma ideia de educação híbrida em que não existe uma forma única de aprender e na qual a aprendizagem é um processo contínuo, que ocorre de diferentes formas, em diferentes espaços.
Recomendações estratégicas do formato do ensino híbrido, pela Secretaria de Educação e Desporto do Amazonas, acerca do ensino híbrido nas escolas públicas e privadas, AMAZONAS (2020), diante do contexto pandêmico vivenciado nas esferas locais, nacionais e mundiais, no primeiro semestre de 2020, que ocasionaram a suspensão de aulas presenciais aos nossos estudantes, e com a expectativa de retorno das mesmas, faz-se necessário mapear as possibilidades de ensino compatíveis a esse novo contexto educacional. E para atender esse momento de retorno, destacamos o Ensino Híbrido, por ser uma metodologia que busca alinhamento entre as aprendizagens a distância (online) e presencial.
No ensino a distância (online), o estudante é desafiado por atividades propostas por seus professores a construir seu conhecimento de forma autônoma. Com relação à parte presencial, esse mesmo estudante, deverá interligar e compartilhar os 8 conhecimentos adquiridos no ensino online com seus professores e colegas de sala. Ou seja, essa metodologia deve considerar os dois momentos devidamente conectados a um objetivo principal, que é a aprendizagem do estudante.
A Secretaria de Educação e Desporto do Amazonas reafirmou o uso do Ensino Híbrido, baseando-se na entrevista que a especialista em Metodologias Ativas, a Lilian Bacich, deu a revista nova escola em 2015, afirmando que “[...] o ensino híbrido é uma mistura metodológica que impacta a ação do professor em situações de ensino e a ação dos estudantes em situações de aprendizagem”. Para a utilização do Ensino
Híbrido há a necessidade de um planejamento cuidadoso do professor, considerando a gestão de sala de aula, em conformidade com o seu plano pedagógico, observando as individualidades dos estudantes, que passarão a ser protagonistas de suas aprendizagens, no momento em que estiverem em espaços escolares formais e não formais.
É extremamente importante destacar que o Ensino Híbrido, segundo Darcy Furquin (2009), “[...] não se resume a apenas colocar computadores e novas tecnologias na frente das crianças. É preciso aplicar algumas técnicas e manter os alunos sempre sob a supervisão de um profissional”. O Ensino Híbrido possibilita aos professores utilizarem diversas metodologias, como: sala de aula invertida, rotação de laboratórios, rotação por estações e rotação individual. Mas, é fundamental o entendimento de que esse processo envolve uma mudança de postura de todos os atores escolares envolvidos: professores e estudantes.
O recorte a seguir, foram retiradas do artigo: O projeto ‘Aulas em Casa’ e a educação remota durante a pandemia do COVID-19: análise da experiência do estado do Amazonas, das pesquisadoras Silva (2021), para a Revista Educar Mais, baseado nos processos clássicos de ensino e aprendizagem, a escola deve dispor de um universo educacional propício para a aprendizagem, convertendo o ambiente educacional em espaços motivadores e de aprendizagem significativa para os estudantes, buscando contribuir para o desenvolvimento da autonomia dos discentes, fazendo-os participantes do seu processo de conhecimento, pois: Antigamente o material escolar de um aluno se resumia em cadernos, livros, lápis, canetas e borracha, atualmente foram incorporados outros dispositivos/apetrechos que para eles são tão indispensáveis quanto o caderno e o livro pelos professores.
Atualmente, observa-se um novo cenário no qual já é realidade que alguns alunos, adentram nas escolas com um smartphone e o inseparável fone de ouvido. Diante desse contexto, nota-se que um novo paradigma surge na educação, o qual exige novas posturas do profissional da educação evidenciando a necessidade de o professor estar preparado para lidar com as novas tecnologias incorporando-as em sua prática pedagógica (MORAIS; SOUZA, 2020, p. 17).
Uma das grandes críticas ao sistema de ensino tradicional é o fato de muitos estudantes não conseguirem acompanhar o ritmo das aulas. A grande influência do ensino híbrido na aprendizagem é justamente ter a capacidade de se ajustar à velocidade de cada um — recurso que as aulas tradicionais e presenciais muitas
vezes não conseguem. Para que alcance os objetivos a que se propõe, o uso da tecnologia no ambiente escolar deve ser acompanhado pelos educadores e conter um direcionamento pedagógico. Assim, é possível contribuir para o desenvolvimento de diferentes habilidades. Confira alguns benefícios do ensino híbrido:
- Aperfeiçoamento da criatividade
- Estimula a capacidade de manter o foco e atenção
- Aprendizagem para uso do computador e uso da internet
- Conhecimentos sobre o campo da informática, softwares e hardwares - Aprendizado mais atualizado, que acompanha as atuais mudanças da sociedade.
Essa metodologia influencia diretamente a potencialização do aprendizado dos alunos. Por terem maior flexibilidade em relação aos horários e às programações de estudo, eles podem absorver e adquirir ainda mais disciplina com suas tarefas. Nesse contexto, refletiu-se sobre a necessidade da manutenção e continuidade do processo de ensino e aprendizagem, principalmente no cenário de pandemia mundial, onde os “[...] métodos e técnicas utilizados demonstraram sua estreita e necessária, ligação com a existência do próprio homem, o que também de certa forma, conferiu à educação uma característica atemporal” (LAUER, 2020, p. 2).
É comum encontrarmos diferentes concepções sobre o ensino híbrido, algumas delas embasadas no senso comum ou na definição literal do termo híbrido (composto, heterogêneo, misto, misturado, mesclado, complexo). Há também outras apoiadas em uma revisão da literatura e em publicações que enfatizam a abordagem como uma possibilidade de repensar práticas pedagógicas colocando o/a estudante no centro do processo e possibilitando um uso qualificado de tecnologias digitais.
O professor teve que se desdobrar para atender os alunos nessa nova modalidade, dominar as tecnologias e as novas metodologias tiveram que ser aplicadas para atrair atenção dos alunos, principalmente dos jovens que estão na 3ª série do ensino médio que buscam à conclusão para serem inseridos no mercado de trabalho e no curso superior. “Os sistemas escolares adotaram estratégias de ensino híbrido com atividades síncronas e assíncronas, proporcionando um ensino completo aos estudantes com e sem acesso à internet “ (SILVA; ANDRADE; SANTOS, 2020, p. 4). Segundo Peixoto et al, SILVA (2020), para o ensino remoto fomentado pelas aulas não presenciais, é essencial o uso das tecnologias digitais, pois promovem a comunicação segura entre os professores e os alunos.
A adoção de tecnologias foi considerada um fator motivacional para os alunos no processo de aprendizagem, sendo referendada pelas políticas educacionais previstas nos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN (BRASIL, 1997). Para tanto, estas tecnologias educacionais foram associadas a planos de trabalhos adaptados à realidade. O ensino praticado de forma não presencial apresentou-se como uma alternativa viável visando a promoção da aprendizagem, utilizando além dos aparatos tradicionais de ensino, a tecnologia disponibilizada pelo acesso à internet para acesso aos recursos educacionais digitais.
A escola estadual se inseriu no retorno de aulas presenciais e utilizou a Metodologia do Ensino Híbrido em que os alunos foram divididos em dois Blocos 1 e Bloco 2, por recomendação da Fundação da Vigilância Sanitária, a escola poderia receber 50% dos alunos por turma diária. Foi-se necessária, trabalhar com os estudantes em dois momentos, em sala de aula, em que tiravam dúvidas e faziam correções das atividades e no remoto, não importava onde o aluno estivesse, ele assistiria videoaulas ou leria uma apostila dos conteúdos a serem estudados, para na próxima aula presencial, tirar dúvidas.
Mesmo que o método seja eficaz, depende muito do estudante e do responsável que o acompanha, pois, na escola estadual, mesmo o índice de 2020, ter sido de 89%, o retorno as aulas presenciais foram baixas, menos do esperado. Ao fazer a Busca Ativa, os alunos relatavam que estavam desestimulados a estudar; outros tinham medo de se contaminar de covid-19 e infectar os avós, e outros tantos motivos que justificaram. Portanto, o ensino híbrido favorece momentos diferenciados de aprendizagem, contudo, são integrados e planejados conjuntamente para que as experiências ampliem o repertório cultural e social dos/das estudantes e proporcionem maior autonomia para aprendizagem, apoiando o docente na identificação das diferentes necessidades dos jovens e do que pode ser planejado, considerando a equidade.
Na nota técnica nº18, retrata a mudança na cultura escolar com o ensino híbrido implantado nas escolas. Há a necessidade de mudança cultural de todos da comunidade escolar: gestores/as, docentes, estudantes e famílias que podem (talvez pela própria vivência como estudantes) conhecer somente práticas pedagógicas mais expositivas, que divergem das propostas de aprendizagem ativa, em que o/a estudante é o centro do processo de aprendizagem, recomendadas no ensino híbrido. Para isso, é importante a gestão escolar promover momentos de formação para
os/as docentes, possibilitando a adequação do planejamento a novos modelos de aprendizagem, considerando o/a estudante como protagonista de seu percurso educativo. Outro aspecto que pode ser considerado na mudança da cultura escolar é a importância do papel da escola na conscientização da cultura escolar sobre o impacto, nas crianças e jovens, de uma abordagem que valoriza o desenvolvimento da autonomia e do protagonismo. Nesse sentido, envolver a família em encontros, como nas reuniões de familiares e responsáveis, em que sejam promovidas experiências para que eles vivenciem as práticas de metodologias ativas e compreendam que outras formas de aprendizagem podem ser um diferencial.
O ensino híbrido pode proporcionar maior autonomia de aprendizagem, além de estar mais inserido na cultura digital. Ele também muda o papel docente, que terá que elaborar sequências didáticas em modalidades diferentes e criar trajetos de aprendizagem integrados e complementares para cada estudante e turma. Professores e professoras passam a ser designers de aprendizagem, especialistas em planejamento, monitoramento, execução de planos de desenvolvimento de habilidades e competências. Esse será um novo modo de educar a nova geração.
METODOLOGIAS ATIVAS
A educação do futuro deverá ser o ensino primeiro e universal, centrado na condição humana. Quando Edgar Morin, fez essa afirmativa, que um dos saberes da educação será conduzir o ser humano em reconhecimento de sua humanidade comum e reconhecer a diversidade cultural inerente a tudo que é humano. Para falar sobre metodologias ativas, deve-se pensar, na evolução da escrita, porque a prática de produção de texto deve-se criar outras estratégias para produzi-las, além da convencional, (VIEIRA, 2007), faz um breve histórico sobre as práticas de linguagens mostrando que:
[...] para escrever, no passado, bastava debruçar-se sobre uma máquina de
escrever. Hoje, as exigências aumentaram em grande medida os textos
requerem, além de aparato tecnológico, cores variadas e sofisticados
recursos visuais. Ao texto pós-moderno acresce a necessidade de utilizar
mais do que uma articulada composição de frases e de períodos. Necessita
se de imagens, e até mesmo de sons e de movimentos (TV, cinema e
Internet), que se entrelaçam para construir os novos sentidos exigidos pelos
textos contemporâneos. (VIEIRA, 2007, p. 18).
Devido essas mudanças sofridas ao longo do tempo que a educação teve que
acompanhar, pois os alunos da atualidade estão cada vez mais ligados a tecnologia, buscam estar conectados à realidade, tornando-se protagonista de sua história e cada vez mais cedo, preocupando-se com as questões sociais, incluindo aí a busca pelo emprego. Em à escola, não poderia estar alheia. Para isso, as metodologias ativas vieram para tornar mais atrativo ao aluno a aprendizagem.
Segundo Vieira (2007), a informação passa a ser transmitida por diferentes modos semióticos. Em outros tempos, os livros eram a fonte exclusiva de todo o conhecimento. Hoje disputam espaço com outros recursos tecnológicos e visuais, como os livros eletrônicos e a Internet. A Base Nacional Comum Curricular, na matriz curricular de Língua Portuguesa do Ensino Médio, diz que:
[...] os estudantes já têm condições de participar de forma significativa de
diversas práticas sociais que envolvem a linguagem, pois, além de
dominarem certos gêneros textuais/ discursivos que circulam nos diferentes
campos de atuação social [...] Cabe ao Ensino Médio aprofundar a análise
sobre as linguagens e seus funcionamentos, intensificando a perspectiva
analítica e crítica da leitura, escuta e produção de textos verbais e
multissemióticos, e alargar as referências estéticas, éticas e políticas que
cercam a produção e recepção de discursos, ampliando as possibilidades de
fruição, de construção e produção de conhecimentos, de compreensão crítica
e intervenção na realidade e de participação social dos jovens, nos âmbitos
da cidadania, do trabalho e dos estudos.[...], no Ensino Médio, a cultura
digital, as culturas juvenis, os novos letramentos e os multiletramentos, os
processos colaborativos, as interações e atividades que têm lugar nas mídias
e redes sociais, os processos de circulação de informações e a hibridização
dos papéis nesse contexto (de leitor/autor e produtor/ consumidor) [...].
Fenômenos como a pós-verdade e o efeito bolha, em função do impacto que
produzem na fidedignidade do conteúdo disponibilizado nas redes, nas
interações sociais e no trato com a diversidade, também são ressaltados.
(BRASIL, 2018, p. 497).
Visando que essa competência o aluno deva dominar, por isso, se incluiu nesse processo as metodologias ativas, para que possam ter melhor resultado no processo ensino-aprendizagem, desenvolvendo possibilidades metodológicas para que o aluno possa produzir diversos gêneros textuais e dominar em múltiplas linguagens. Gomes (2016), diz sobre estratégias de aprendizado mediado por tecnologia e suas limitações, a literatura sobre educação à distância é farta em modelos e tecnologias, eis, algumas delas:
a) Telepresencial – as aulas são transmitidas ao vivo por satélite ou pela Internet. Elas podem ser gravadas e assistidas posteriormente. Esse modelo é muito comum em instituições de ensino superior, pois atinge públicos que não têm acesso à grande rede (pessoas embarcadas ou em regiões remotas) e o custo é relativamente baixo para instalar um satélite no local do curso.
b) Webcast – ambiente no qual vídeos instrucionais, geralmente de curta
duração, são gravados e disponibilizados em uma página web. A flexibilidade depende da variação dos formatos de apresentação: pessoas (como um programa de TV, entrevista ou uma aula gravada), compartilhamento da tela do computador com áudio, como por exemplo: pessoa guiando o que fazer no computador, mostra determinado lugar na página com o cursor do mouse, abre e fecha programas etc., ou também apresentar um arquivo em powerpoint com áudio do narrador.
c) Redes Sociais – ambiente baseado no pressuposto de que cada usuário possui conhecimento e, através da colaboração e comunicação, pode-se gerar um conhecimento do grupo que não pode ser atribuído a uma única pessoa.
d) Blog – o uso instrucional dessa mídia visa estimular os usuários a comentar e a interagir. No blog podem-se colocar textos, fotos, vídeos, ferramentas como E-fórum, enquetes entre outros recursos. A vantagem é a facilidade de criar interatividade entre os usuários a baixo custo. A desvantagem é motivar os usuários a participarem, embora às vezes haja dificuldades de criar novos posts.
e) Wiki – essa ferramenta permite a edição colaborativa de páginas na Internet. A vantagem é a facilidade de edição, grande quantidade de ferramentas open source disponíveis, rastreamento e histórico de modificações que no geral permitem uma evolução rápida do conteúdo. Qualquer pessoa pode alterar o conteúdo, ou seja, pode excluir informações ou escrever o que quiser.
f) Podcast – consiste em disponibilizar áudio instrucionais em sites da web. Pode ser uma palestra, um recado do presidente, áudio-book ou até cursos em áudio. A vantagem é a portabilidade do arquivo em áudio cujo usuário pode ouvi-lo em casa no computador, no ônibus por um tocador de MP3 ou correndo na praia com o celular. A desvantagem é a falta de interatividade e as limitações do áudio em não lidar com demais recursos multimídia. É fácil e barato de criar com softwares livres.
g) Videoconferência – nesse ambiente, organizam-se salas virtuais de vídeo conferência (Meet, Zoom). A vantagem é que todos podem interagir em tempo real e podem estar alocados em qualquer lugar do mundo. Por vezes, pode ficar um pouco confuso ter todos conversando ao mesmo tempo porque a comunicação é síncrona, ou seja, em tempo real exigindo a presença do usuário impreterivelmente naquele horário e não depois.
h) Mundo Virtual – um “mundo virtual” no qual os usuários são representados por avatares que se reúnem em uma sala virtual em 3D como no Second Life. A vantagem desse ambiente é uma educação interativa e sem níveis
hierárquicos (o chefe é um avatar como todo mundo) e há muitas possibilidades de interação entre os alunos. A principal desvantagem é a mesma das redes sociais de uso geral (Facebook, Twitter, Instagram) utilizadas no ensino: a facilidade de os alunos dispersarem-se.
A aprendizagem exige participação ativa do educando, por isso, as metodologias de ensino-aprendizagem precisam romper com a prática tradicional na sala de aula, centrada no professor como transmissor de informação e detentor do conhecimento, enquanto, o aluno é o receptor passivo da informação transmitida e reprodutor desse conhecimento. Contudo, segundo Moran (2018). “As metodologias ativas dão ênfase ao papel protagonista do aluno, ao seu envolvimento direto, participativo e reflexivo em todas as etapas do processo, experimentando, desenhando, criando, com orientação do professor.”
A sala de aula e todas as dependências da escola precisam ser atrativas para os não só chegarem na escola e sentarem em suas cadeiras, necessita que o processo de produção textual envolva os alunos, no contexto escolar. As metodologias ativas trazem esta proposta, como diz, Camargo (2018): de criar condições de ter uma participação mais ativa dos alunos implica, absolutamente, a mudança da prática e o desenvolvimento de estratégias que garantem a organização de um aprendizado mais interativo e intimamente ligado com as situações reais. Por isso, a inovação na educação é essencialmente necessária. A inovação é uma das formas de transformar a educação.
Segundo Berbel (2011), as metodologias ativas baseiam-se no desenvolvimento do processo de aprendizagem, onde se tem experiências reais ou simuladas em que o discente se vê desafiado a solucionar uma determinada situação seja qual for o assunto. Essas possibilidades de vivenciar a prática proporciona aos mesmos uma maior assimilação do conteúdo trabalhado em sala de aula. (SOUZA, 2010). É fundamental o acompanhamento do docente na prática das metodologias ativas de ensino aprendizado, no método de simulação, o discente passa a ser um agente ativo, podendo influenciar os demais colegas a respeito da dramatização em questão, portanto tal atuação deve estar em conformidade com o conteúdo ministrado podendo ter interferência do docente caso haja falha na explanação do conteúdo em questão.
As Metodologias Ativas no Processo de Ensino Aprendizagem Método de problematização na sala de aula. Também conhecida como Aprendizagem Baseada
em Problema (ABP) ou Problem Based Learning (PBL), termo originado do inglês é a aprendizagem é compartilhada entre docente e discente, que visa aprimorar os conhecimentos resolvendo problemas pré-elaborados pelo docente, objetivando trabalhar o raciocínio. É fundamental que o docente oriente os mesmos nessa metodologia ativa de ensino aprendizagem (PIMENTA, 2009).
O principal papel da Orientação será ajudar o aluno na formação de uma cidadania crítica, e a escola, na organização e realização de seu projeto pedagógico. Isso significa ajudar nosso aluno “por inteiro”: com utopias, desejos e paixões. A escola, com toda sua teia de relações, constitui o eixo dessa área de orientação, isto é, a Orientação trabalha na escola em favor da cidadania, 43 na educação sumário Metodologias Ativas não criando um serviço de orientação para atender ao excluídos (do conhecimento, do comportamento, dos procedimentos, etc.), mas para entendê los através das relações que ocorrem (poder/saber, fazer/saber) na instituição Escola (GRINSPUN, 2011, p. 37).
TIPOS DE METODOLOGIAS ATIVAS DE APRENDIZAGEM PARA USAR EM SALA DE AULA
Devido a diversas variáveis, o processo de ensino-aprendizagem é complexo e, por isso, requer atenção e acompanhamento constante. Isso se acentua ainda mais se considerarmos as diversas mudanças vivenciadas no cenário educacional. De modo que, tais transformações ocorreram devido, principalmente, ao acesso às informações facilitado pela globalização da internet. Dessa forma, o educador tem exercido um papel ímpar na aprendizagem dos alunos, tornando-se muito mais do que um transmissor de conteúdo. Seu papel tem extrapolado os limites da sala de aula, ampliando-se a diversas esferas da formação profissional e humana dos estudantes.
Em suma, modelos de educação tradicional têm no professor sua figura central. É ele quem detém todo o conhecimento. Trata-se da chamada “educação de bancada”, em que o docente determina sozinho o conteúdo de suas disciplinas, deixando aos alunos apenas a tarefa de absorver passivamente as informações. Por isso, os professores necessitam encontrar metodologias de ensino diferenciadas e modernas, capazes de despertar a motivação dos alunos, com aulas mais dinâmicas e interativas.Nesse sentido, as metodologias ativas propõem um eficiente modelo de ensino-aprendizagem, fazendo o uso de menos aulas expositivas e estimulando a
autonomia do estudante, que passa a ser o protagonista na construção do seu conhecimento.
Com as evoluções social, tecnológica e pedagógica do fim do século 20, o método tradicional ganhou novos contornos. Abriu-se espaço, então, à construção de novos modelos, mais centrados nas experiências e saberes prévios dos estudantes. É nesse cenário que surgem as metodologias ativas de ensino. Abaixo, alguns exemplos de metodologias ativas:
Aprendizagem baseada em projetos (ABP), a metodologia, também chamada de project-based learning (PBL), faz com que os alunos construam seus saberes de forma colaborativa, por meio da solução de desafios. Assim, o estudante precisa se esforçar para criar, explorar e testar as hipóteses a partir de sua própria vivência. Na prática, é comum o uso de recursos que vão além do livro didático. O educador pode incluir tecnologias como vídeos ou fóruns digitais, além de propor atividades que envolvam elementos concretos – como cartazes e maquetes. A fim de desenvolver nos alunos um perfil investigativo e crítico diante das situações propostas. O ponto principal é permitir que o estudante busque o saber por si mesmo. E não significa que o professor não deva estar presente: cabe a ele atuar como orientador de caminhos, dando feedbacks e mostrando erros e acertos ao longo do processo.
Aprendizagem baseada em problemas, enquanto a ABP exige que os alunos coloquem a mão na massa, a aprendizagem baseada em problemas (ABP) é focada na parte teórica da resolução de casos. O método promove a interdisciplinaridade, um dos focos centrais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Aqui se propõe a construção de conhecimento através de debates e júris, discutindo em grupo um problema. Na prática, o aluno estuda um determinado assunto antes da aula. Depois, traz suas dúvidas e dificuldades para o encontro com o professor e os colegas, debatendo sobre sua interpretação. Além disso, há a preocupação com o ato de lecionar a teoria e fazer com que a classe aplique os conteúdos vistos imediatamente, fixando o aprendizado e explorando os conceitos mais profundamente.
A metodologia quebra o paradigma de aula tradicional, com disciplinas curriculares distanciadas umas das outras. Assim, a participação de cada um se torna essencial, incentivando o trabalho em grupo e a comunicação entre saberes de diferentes áreas do currículo escolar. Esse tipo de metodologia é, inclusive, muito democrático. Como existem vários tipos de inteligência em uma sala de aula, é muito mais fácil atingir todos os estudantes simultaneamente.
Gamificação,pode-se entender como gamificação a utilização de elementos como jogos e desafios em situações de sala de aula. A metodologia é principalmente utilizada para gerar maior engajamento, motivar a ação, promover a aprendizagem ou resolver problemas de modo criativo. Dessa forma, o professor gamifica aspectos normais de sala de aula, como aprender sobre ligações químicas. De quebra, conquista-se um maior engajamento dos alunos.
Por mais simples que pareça, a gamificação é uma excelente maneira de ajudar estudantes a perderem a resistência diante de temas complexos. Por meio de desafios individuais ou em grupo, é possível promover um maior engajamento em sala de aula. Cabe ao professor desenvolver dinâmicas atrativas e inteligentes. Que sejam capazes de gerar o aprofundamento didático – e não só um momento de interação coletiva.
Sala de aula invertida, também chamada de flipped classroom, é uma metodologia ativa amplamente conhecida, derivada do ensino híbrido. Seu diferencial reside no uso da tecnologia – especialmente a internet, pois mistura a experiência digital e de sala de aula, potencializando o aprendizado. Logo, a sala de aula invertida funciona em dois momentos:
Online: antecede a aula em grupo. É onde o aluno estuda sozinho, aproveitando materiais da internet.
Presencial: é onde o aluno compartilha com o grupo sua compreensão do tema, trocando saberes com o professor e os colegas.
Para que a sala de aula invertida funcione, é preciso que os alunos apoiem a proposta, comprometendo-se com o desafio. Em sala de aula o conteúdo introdutório é aprofundado e discutido entre os colegas, e mais adiante, com o conhecimento pleno do tema, o professor traz assuntos complementares, desenvolve projetos específicos, atividades em grupo e claro, age como um aliado, um curador e um guia fundamental no processo de aprendizagem. No novo cenário, o discente é amplamente responsável pela qualidade do ensino que irá receber. Já do educador espera-se um bom planejamento de aula, capaz de conectar de forma dinâmica e didática os conteúdos trazidos para a classe.
O modelo de sala de aula invertida é capaz de propor abordagens inovadoras, que tornam a aprendizagem muito mais envolvente, prática e significativa. Além disso, as características deste método alternativo também possibilitam maior tempo e espaço para desenvolver habilidades diversas: a autonomia, a capacidade na resolução de problemas, o senso crítico, a colaboração e a criatividade.
Aprendizagem entre pares, conhecida também como instrução pelos colegas, a metodologia foi desenvolvida na década de 1990 na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Com o propósito de apoiar a aprendizagem durante as aulas de Física, utilizando um aplicativo no qual os alunos, divididos em duplas, respondiam questões.
Promover o trabalho em duplas mostrou-se extremamente benéfico, tornando mais simples a forma como os conceitos eram explicados. Além disso, contribui tanto na formação do pensamento crítico, quanto na capacidade dos alunos de respeitarem opiniões divergentes. Na aprendizagem em pares são utilizados os seguintes balizadores para mensurar a compreensão da turma sobre o tema:
Apresentação das questões em sala de aula pelo professor, para que os alunos respondam em duplas;
Possibilidade de o professor fazer esclarecimentos pontuais a partir dos questionamentos das duplas;
Mapeamento das respostas dos alunos à referida questão utilizando o aplicativo;
Decisão do professor, com base no resultado, entre:
• em primeiro lugar, explicar a questão, reiniciar o processo de exposição dialogada e apresentar uma nova questão sobre um novo tópico (se mais de 70% da turma acertar a resposta);
• reagrupar os alunos em pequenos grupos para que tentem explicar o tema uns aos outros (se o percentual de acertos estiver entre 30% e 70%);
• por fim, optar por explicar oralmente novamente conceito (quando menos de 30% das respostas estiverem corretas).
REFLEXÕES CONCLUSIVAS
A pandemia de COVID-19 trouxe desafios sem precedentes para a educação, exigindo uma rápida adaptação de professores e alunos a novos formatos de ensino. Nesse contexto, as metodologias ativas emergiram como ferramentas essenciais para não apenas manter a continuidade do aprendizado, mas também para potencializar a experiência educacional de maneira mais significativa. Ao colocar o aluno no centro do processo de ensino-aprendizagem, essas metodologias promovem um ambiente interativo e colaborativo, crucial em tempos de isolamento social.
O uso de metodologias ativas, como a aprendizagem baseada em projetos, o ensino híbrido e a sala de aula invertida, permitiu que os educadores criassem experiências de aprendizagem mais dinâmicas e envolventes. Essas abordagens não apenas facilitam a aquisição de conhecimento, mas também estimulam habilidades essenciais, como pensamento crítico, resolução de problemas e trabalho em equipe. Durante a pandemia, as plataformas digitais se tornaram aliados poderosos, permitindo que atividades práticas e discussões em grupo fossem realizadas virtualmente, mantendo a conexão entre alunos e professores.
Além disso, o foco nas metodologias ativas ajudou a desenvolver a autonomia dos estudantes. Em um momento em que a educação tradicional foi desafiada, os alunos se tornaram mais responsáveis por seu próprio aprendizado, explorando conteúdos de forma mais profunda e significativa. Essa mudança de paradigma é um passo importante para preparar os estudantes para os desafios do século XXI, onde a adaptabilidade e a inovação são fundamentais.
Por fim, ao olhar para o futuro da educação pós-pandêmica, é evidente que as metodologias ativas não devem ser apenas uma solução temporária, mas sim uma abordagem integrada e permanente. Elas oferecem um caminho para uma educação mais inclusiva e equitativa, onde todos os alunos têm a oportunidade de participar ativamente de seu aprendizado. Assim, ao investir em práticas pedagógicas que priorizam a interação e a colaboração, estaremos não apenas superando os desafios impostos pela pandemia, mas também construindo uma base sólida para uma educação de qualidade, capaz de formar cidadãos críticos, criativos e preparados para o futuro.
REFERÊNCIAS
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