RESUMO
Objetivos Analisar fatores de risco para hospitalização e necessidade de cuidados intensivos em idosos institucionalizados. Metodologia. Realizou-se uma revisão integrativa da literatura, com a análise de artigos coletados na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e nos bancos de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO); Ciências da Saúde da América Latina e Caribe (LILACS); Base de Dados de Enfermagem (BDENF);Literatura Internacional em Ciências da Saúde (MEDLINE/PUBMED),no período de março a maio de 2026.Inicialmente foram identificados 12 artigos, desses 06 foram selecionados com base nos critérios de inclusão estabelecidos. Foram incluídos artigos com texto completo que tenham sido publicados nos últimos 5 anos (2020 a 2025), os artigos resultantes foram avaliados na íntegra, de modo a selecionar quais se enquadravam na temática proposta. Resultados. A revisão revelou que muitos dos artigos disponíveis eram antigos ou abordavam o tema de forma inespecífica. Os 06 artigos selecionados forneceram uma base para a análise, atendendo aos critérios de relevância, atualidade e temática. Conclusão: Permitiu identificar padrões relevantes relacionados ao processo de adoecimento em idosos institucionalizados, bem como compreender a progressão clínica que frequentemente culmina em hospitalizações e, em casos mais graves, na necessidade de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).
Palavras chaves: ILPI. Idoso. UTI. Enfermagem.
ABSTRACT
Objectives: To analyze risk factors for hospitalization and the need for intensive care in institutionalized elderly individuals. Methodology: An integrative literature review was conducted, analyzing articles collected from the Virtual Health Library (VHL) and the databases Scientific Electronic Library Online (SciELO); Health Sciences of Latin America and the Caribbean (LILACS); Nursing Database (BDENF); International Literature in Health Sciences (MEDLINE/PUBMED), from March to May 2026. Initially, 12 articles were found, of which 6 were selected based on the established inclusion criteria. Articles with full text published in the last 5 years (2020 to 2025) were included. The resulting articles were evaluated in full to select those that fit the proposed theme. Results: The review revealed that many of the available articles were old or addressed the topic in a nonspecific way. The Six selected articles provided a basis for analyzes, meeting the criteria of relevance, timeliness, and thematic content. Conclusion: This allowed for the identification of relevant patterns related to the illness process in institutionalized elderly individuals, as well as an understanding of the clinical progression that frequently culminates in hospitalizations and, in more severe cases, the need for admission to Intensive Care Units (ICU).
Keywords: Long-Term Care Facilities, Elderly, ICU, Nursing.
1 INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional tem se intensificado nas últimas décadas, configurando-se como um fenômeno de grande relevância no contexto brasileiro. Considera-se pessoa idosa aquela com idade igual ou superior a 60 anos, conforme definição adotada no país. De acordo com dados do Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Brasil possui aproximadamente 32,1 milhões de pessoas nessa faixa etária, o que corresponde a cerca de 15,8% da população total. Esse cenário evidencia o avanço acelerado do processo de envelhecimento populacional.(IBGE,2023).
Souza, Medeiros e Silva (2025) apontam que no Brasil, o crescimento da população idosa tem aumentado a demanda por cuidados de longa duração, especialmente entre indivíduos com limitações funcionais e múltiplas comorbidades. As Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) desempenham papel relevante nesse cenário, oferecendo assistência contínua a uma população caracterizada por elevada vulnerabilidade clínica.
Muitos residentes apresentam doenças crônicas, dependência funcional e maior risco de eventos agudos, fatores que contribuem para hospitalizações frequentes e, em casos mais graves, para a necessidade de internação em unidades de terapia intensiva. Além disso, desafios estruturais e de financiamento ainda persistem nas ILPIs brasileiras, podendo impactar a qualidade do cuidado e os desfechos em saúde dessa população. (SOUZA, MEDEIROS E SILVA, 2025).
Esses dados refletem a configuração da rede de cuidados institucionais no país e apontam para desafios relacionados à organização e à qualidade da assistência prestada nas ILPIs.
Nesse cenário, a maior vulnerabilidade dos idosos institucionalizados está diretamente relacionada ao aumento do risco de hospitalização, uma vez que a combinação de fragilidade, multimorbidades e declínio funcional favorece o surgimento de agravos à saúde. Condições como infecções, descompensação de doenças crônicas e eventos adversos, a exemplo de quedas, são frequentemente responsáveis pela necessidade de encaminhamento para serviços de saúde. (ANDRADE et al., 2020).
Adicionalmente, esses indivíduos apresentam maior probabilidade de evolução para quadros clínicos graves, o que pode demandar cuidados intensivos e internação em unidades de terapia intensiva (UTI). A progressão para esse nível de complexidade assistencial evidência não apenas a gravidade das condições clínicas, mas também possíveis lacunas na prevenção, monitoramento e manejo precoce de agravos no contexto das ILPIs. (ANDRADE et al., 2020).
Diante desse contexto, o presente estudo tem como objetivo identificar, na literatura científica, os principais fatores associados às internações em unidades de terapia intensiva (UTI) em idosos institucionalizados. Para tanto, foi realizada uma busca sistematizada em bases de dados científicas, visando à seleção e análise de estudos que abordassem as principais causas de hospitalização e que possam evoluir para cuidados intensivos nessa população. Os achados foram organizados e sintetizados em um quadro analítico, com o intuito de facilitar a visualização e compreensão das evidências disponíveis.
2 METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa, cujo objetivo foi analisar as evidências científicas acerca dos fatores de risco para hospitalização e necessidade de cuidados intensivos em idosos institucionalizados. A revisão integrativa constitui um método que possibilita a síntese do conhecimento produzido, por meio da reunião e análise sistemática de estudos primários, contribuindo para a prática baseada em evidências e para a compreensão ampliada do fenômeno investigado.
A busca dos estudos foi realizada nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS-BIREME), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), (MEDLINE/PubMed), no período de 2020 a 2025. Para a estratégia de busca, foram utilizados Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), incluindo os termos: “idosos”, “instituições de longa permanência ”“hospitalização”, “unidade de terapia intensiva” e “enfermagem”.
Foram estabelecidos como critérios de inclusão: artigos originais, disponíveis na íntegra, publicados nos idiomas português, inglês ou espanhol, no período de 2020 a 2025, que abordassem diretamente e relacionado a temática proposta. Como critérios de exclusão, adotaram-se: estudos duplicados, publicações fora do recorte temporal definido, artigos incompletos, de origem não confiável ou que não apresentassem aderência ao objetivo do estudo.
A questão norteadora do estudo foi definida como: “Quais são as evidências disponíveis na literatura sobre os fatores de risco para hospitalização e necessidade de cuidados intensivos em idosos institucionalizados?”. Para a estruturação da pergunta de pesquisa e condução da busca bibliográfica, utilizou-se a estratégia PICO, para a elaboração da questão norteadora, utilizou-se a estratégia PICO (Quadro 1), contemplando população, intervenção, comparação e desfecho relacionados ao tema do estudo.
Quadro 1- Elementos da estratégia de PICO
Fonte: (Autoras,2026).
O processo de seleção dos estudos ocorreu em etapas, inicialmente por meio da leitura dos títulos e resumos e, posteriormente, pela leitura na íntegra das publicações elegíveis. Os estudos selecionados foram analisados de forma criteriosa, sendo os dados extraídos, organizados e sintetizados descritivamente, possibilitando a identificação dos principais fatores de risco associados à hospitalização e à necessidade de cuidados intensivos em idosos institucionalizados.
Tabela 1- Caracterização dos estudos incluídos na revisão integrativa.
Fonte: (Autoras,2026).
3 DISCUSSÃO
A análise dos estudos incluídos nesta revisão permitiu identificar os principais fatores associados à hospitalização e à possível necessidade de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) entre idosos institucionalizados.
Residentes em instituições de longa permanência para idosos apresentam, com elevada frequência, multimorbidades, uso concomitante de múltiplos medicamentos (polifarmácia) e comprometimentos funcionais e cognitivos e maior exposição ao uso de Medicamentos Potencialmente Inapropriados (MPI). Em decorrência dessas condições, observa-se uma maior taxa de internações hospitalares quando comparados aos idosos residentes na comunidade, principalmente em decorrência de reações adversas a medicamentos e complicações associadas às doenças crônicas.(WELTER et al., 2025).
Os resultados de Welter et al. (2025) corroboram os achados de Andrade et al. (2020), evidenciando a elevada vulnerabilidade clínica dos idosos institucionalizados e sua maior predisposição à hospitalização. Andrade et al. (2020) observaram que 20,6% dos residentes em ILPIs foram hospitalizados em um período de 12 meses, sendo as doenças respiratórias a principal causa de internação. Além disso, a desnutrição e o uso de medicamentos cardiovasculares foram associados ao aumento desse risco.
Além das condições clínicas já mencionadas, Bernardes et al. (2021) destacam as quedas como um importante evento adverso entre idosos institucionalizados, podendo estar associadas a múltiplos fatores, entre eles o déficit visual ou auditivo, comprometimento do equilíbrio, doenças osteoarticulares, diminuição da mobilidade física, redução da forca muscular e óssea .Somam-se a esses fatores aspectos ambientais, como o uso de calçados inadequados e condições estruturais desfavoráveis.
Adicionalmente, o possível isolamento social e a redução de estímulos físicos e cognitivos nas ILPIs podem contribuir para a piora do estado geral de saúde, favorecendo quadros mais graves. Assim, embora a institucionalização não seja, por si só, a causa direta de internação em UTI, o perfil clínico dos idosos institucionalizados descrito no estudo indica uma maior probabilidade de evolução para situações críticas que exigem esse tipo de cuidado especializado.(BERNARDES et al., 2021).
Desse modo, a institucionalização pode expor os idosos a diversos riscos relacionados a inadequações físicas, estruturais e organizacionais. Entre os principais riscos destacam-se o isolamento social, as quedas, as deficiências sensoriais e a piora das capacidades funcionais e cognitivas. (BERNARDES et al.,2021).
Uma vez hospitalizados, os idosos apresentam maior tempo de permanência e maior risco de complicações, como declínio funcional, imobilidade e desenvolvimento de novas comorbidades e óbito. Esse processo pode favorecer a progressão para quadros mais graves, demandando cuidados intensivos. (ANDRADE et al., 2020).
Corroborando esses achados, estudos de base populacional confirmam que as principais causas de internação hospitalar em idosos no Brasil são as doenças dos sistemas circulatório e respiratório, seguidas por neoplasias, o que coincide com o perfil observado em idosos institucionalizados. (COSTA et al., 2022).
Embora os estudos analisados tenham abordado principalmente a hospitalização de idosos institucionalizados, os achados indicam que a progressão do quadro clínico durante a internação pode aumentar a necessidade de cuidados intensivos, especialmente em situações de maior gravidade. (ANDRADE et al., 2020; BERNARDES et al., 2021).
Em conjunto, os estudos analisados evidenciam que os idosos institucionalizados apresentam elevada vulnerabilidade clínica, associada ao aumento das hospitalizações e à maior probabilidade de agravamento do estado de saúde. Esses achados reforçam a importância de estratégias preventivas e do monitoramento contínuo dessa população (WELTER et al., 2025; ANDRADE et al., 2020; BERNARDES et al., 2021).
Diante desse cenário, a enfermagem desempenha papel fundamental na prevenção de agravos e na promoção da saúde dos residentes. A realização de avaliações periódicas, o monitoramento contínuo das condições clínicas, a prevenção de quedas, o incentivo à mobilidade, o acompanhamento do estado nutricional e a implementação da
Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) constituem estratégias essenciais para a identificação precoce de alterações de saúde e para a redução de complicações potencialmente evitáveis.(LIDIANE; JOÃO; MAÍSA, 2024).
Dessa forma, a atuação qualificada da equipe de enfermagem nas ILPIs pode contribuir significativamente para a manutenção da capacidade funcional, para a melhoria da qualidade de vida dos residentes e para a redução de hospitalizações e admissões em unidades de terapia intensiva, favorecendo desfechos clínicos mais positivos e um cuidado integral à pessoa idosa (LIDIANE; JOÃO; MAÍSA, 2024).
4 CONCLUSÃO
Os achados desta revisão demonstram que os idosos residentes em Instituições de Longa Permanência para Idosos apresentam elevada vulnerabilidade clínica, associada principalmente à presença de multimorbidades, polifarmácia, comprometimentos funcionais e doenças respiratórias, fatores que contribuem para o aumento das hospitalizações e para o agravamento do estado de saúde.
Nesse contexto, a atuação da enfermagem mostra-se fundamental na prevenção de agravos, por meio do monitoramento contínuo, da identificação precoce de alterações clínicas e da implementação de estratégias voltadas à promoção da saúde e à manutenção da capacidade funcional dos residentes.
Além disso, observou-se escassez de publicações científicas que abordem especificamente os fatores relacionados à hospitalização e à necessidade de cuidados intensivos em idosos institucionalizados, bem como a atuação da enfermagem nesse contexto. Tal lacuna evidencia a necessidade de novas pesquisas que ampliem o conhecimento científico e subsidiem práticas assistenciais mais eficazes e direcionadas a essa população.
Os resultados encontrados reforçam a importância do fortalecimento da assistência de enfermagem nas ILPIs como estratégia para prevenção de agravos, redução de hospitalizações e melhoria da qualidade de vida da população idosa institucionalizada
REFERENCIAS
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BERNARDES, T. A. A. et al. Caracterização clínica e epidemiológica de idosos de uma instituição de longa permanência. Enfermagem em Foco, v. 12, n. 3, 6 dez. 2021. https://doi.org/10.21675/2357-707x.2021.v12.n3.4397. Acesso em: 5 abr. 2026.
COSTA, R. C. et al. Perfil das internações hospitalares de idosos no Brasil em 2019. Health of Humans, v. 4, n. 1, p. 25-31, 14 out. 2022. https://doi.org/10.6008/cbpc2674-6506.2022.001.0003. Acesso em: 5 abr. 2026.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo 2022: número de pessoas com 65 anos ou mais de idade cresceu 57,4% em 12 anos. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://www.ibge.gov.br. Acesso em: 1 jun. 2026.
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SOUZA, C. B. S. et al. Contextualização das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs): qualidade do cuidado e integração com as Redes de Atenção à Saúde. Caderno Pedagógico, v. 22, n. 7, e16484, 2025. https://doi.org/10.54033/cadpedv22n7217. Acesso em: 4 jun. 2026.
WELTER, G. T. et al. Prevalência e fatores associados à polifarmácia entre idosos longevos institucionalizados. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 25, e18136, 3 abr. 2025. https://doi.org/10.25248/reas.e18136.2025. Acesso em: 1 jun. 2026.
Enfermeira atuante em Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) de Porto velho/ RO. Pós-graduada em Unidade de Terapia Intensiva, Urgência e Emergência pela Faculdade de Minas(FACUMINAS) pós-graduada em Saúde Pública com ênfase em estratégia saúde da família pela Faculdade Venda Nova do Imigrante. (FAVENI). ↑
Enfermeira, Especialista em Terapia Intensiva, UVA-CE; Docência do Ensino Superior, FAK-CE; Saúde da Família, UVA-CE; Qualidade e Segurança no Cuidado ao Paciente, I. SírioLibanês-SP, Mestre em Terapia Intensiva- IBRATI-SP, Doutora em Terapia Intensiva SOBRATISP. Docente da UNIFAMEC. CRATO – CE; Docente do Centro de Ensino em Saúde, SP. ↑

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