RESUMO
Este estudo teve como objetivo analisar os determinantes clínicos e biopsicossociais envolvidos no manejo de feridas e discutir a importância do raciocínio clínico do enfermeiro na avaliação integral do paciente e no planejamento da assistência. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada por meio da análise de publicações científicas nacionais e internacionais relacionadas ao cuidado de enfermagem em feridas, ao raciocínio clínico e à avaliação multidimensional do paciente. A análise dos estudos demonstrou que fatores como idade, estado nutricional, comorbidades, perfusão tecidual, uso de medicamentos, condições socioeconômicas, suporte familiar, aspectos emocionais e adesão ao tratamento influenciam diretamente a evolução das feridas e a resposta às intervenções terapêuticas. Os achados também evidenciaram que o raciocínio clínico do enfermeiro constitui um elemento essencial para a identificação desses determinantes, favorece a tomada de decisão fundamentada em evidências e direciona a seleção de intervenções individualizadas. Conclui-se que a avaliação integral do paciente representa um componente indispensável para o manejo de feridas, pois possibilita uma assistência mais segura, qualificada e centrada nas necessidades individuais, além de fortalecer a prática baseada em evidências e melhorar os desfechos clínicos.
DESCRITORES: Cuidados de Enfermagem; Ferimentos e Lesões; Avaliação em Enfermagem; Cicatrização.
ABSTRACT
This study aimed to analyze the clinical and biopsychosocial determinants involved in wound management and to discuss the importance of nurses' clinical reasoning in the comprehensive assessment of patients and in care planning. This is an integrative literature review conducted through the analysis of national and international scientific publications related to nursing care in wound management, clinical reasoning, and multidimensional patient assessment. The analysis of the studies demonstrated that factors such as age, nutritional status, comorbidities, tissue perfusion, medication use, socioeconomic conditions, family support, emotional aspects, and adherence to treatment directly influence wound progression and the response to therapeutic interventions. The findings also showed that nurses' clinical reasoning constitutes an essential element for identifying these determinants, promotes evidence-based decision-making, and guides the selection of individualized interventions. It is concluded that the comprehensive assessment of patients represents an indispensable component of wound management, as it enables safer, more qualified, and patient-centered care, while strengthening evidence-based practice and improving clinical outcomes.
DESCRIPTORS: Nursing Care; Wounds and Injuries; Nursing Assessment; Wound Healing.
1 INTRODUÇÃO
As feridas constituem um importante problema de saúde pública devido à elevada incidência, à complexidade do tratamento e às repercussões clínicas, funcionais, emocionais e socioeconômicas que ocasionam aos indivíduos e aos sistemas de saúde. Além de comprometerem a integridade da pele, essas lesões favorecem o surgimento de infecções, prolongam o tempo de recuperação, aumentam os custos assistenciais e reduzem significativamente a qualidade de vida dos pacientes. Nesse contexto, a enfermagem desempenha papel essencial no acompanhamento clínico, na avaliação sistemática e na implementação de intervenções voltadas à promoção da cicatrização (SILVA et al., 2021).
O cuidado de enfermagem em feridas evoluiu paralelamente ao desenvolvimento científico da profissão. Os primeiros registros brasileiros demonstram que os curativos eram executados sob uma perspectiva predominantemente técnica. Com a consolidação da enfermagem como ciência, a assistência passou a incorporar conhecimentos relacionados à fisiologia da cicatrização, à avaliação clínica e ao planejamento sistematizado do cuidado, fortalecendo a atuação do enfermeiro no tratamento das lesões cutâneas (VIEIRA et al., 2017).
Essa evolução ampliou a autonomia do enfermeiro na condução do cuidado em feridas, especialmente quanto à avaliação clínica, seleção das coberturas, monitoramento da evolução da lesão e tomada de decisão terapêutica. Tal responsabilidade exige domínio técnico-científico, atualização permanente e capacidade de interpretar as múltiplas variáveis que interferem no processo de cicatrização (FERREIRA; BOGAMIL; TORMENA, 2008).
A avaliação clínica da pessoa com ferida deve contemplar não apenas as características da lesão, mas também os fatores que influenciam sua evolução. Aspectos como etiologia, profundidade, presença de exsudato, sinais de infecção, perfusão tecidual, dor, doenças associadas e condições gerais de saúde constituem elementos fundamentais para o planejamento de uma assistência individualizada e segura (MORAIS; OLIVEIRA; SOARES, 2008).
Entretanto, a cicatrização resulta da interação entre determinantes clínicos e biopsicossociais. Idade, estado nutricional, doenças crônicas, alterações vasculares, uso de medicamentos e condições metabólicas influenciam diretamente a resposta tecidual. Da mesma forma, fatores como condições socioeconômicas, apoio familiar, aspectos emocionais, acesso aos serviços de saúde e adesão ao tratamento interferem significativamente na evolução das feridas, reforçando a necessidade de uma abordagem integral do paciente (DE SOUSA et al., 2020).
Nesse cenário, o raciocínio clínico constitui uma competência indispensável para a prática do enfermeiro. A integração entre conhecimentos científicos, experiência profissional e informações obtidas durante a avaliação possibilita a elaboração de julgamentos clínicos consistentes, favorecendo decisões fundamentadas em evidências e a implementação de intervenções compatíveis com as necessidades individuais de cada paciente (FERREIRA et al., 2014).
A incorporação da prática baseada em evidências fortalece a qualidade da assistência em feridas ao subsidiar decisões clínicas mais seguras, reduzir a variabilidade das condutas e favorecer melhores desfechos relacionados ao processo cicatricial. Além disso, essa abordagem estimula a utilização crítica do conhecimento científico na escolha das tecnologias e estratégias terapêuticas mais adequadas (MATOS; CRUZ, 2020).
Embora os avanços científicos tenham ampliado o conhecimento acerca do tratamento de feridas, ainda são escassos os estudos que discutem de forma integrada a influência dos determinantes clínicos e biopsicossociais sobre o manejo dessas lesões e sua relação com o raciocínio clínico do enfermeiro durante a avaliação integral do paciente. Compreender essas interfaces pode contribuir para o fortalecimento da prática baseada em evidências, da individualização do cuidado e da qualidade da assistência prestada (RESENDE et al., 2021).
Diante desse contexto, emerge a seguinte questão norteadora: quais são os determinantes clínicos e biopsicossociais que influenciam o manejo de feridas e de que maneira o raciocínio clínico do enfermeiro contribui para a avaliação integral do paciente e para o planejamento da assistência de enfermagem?
Objetivo: analisar os determinantes clínicos e biopsicossociais envolvidos no manejo de feridas e discutir as contribuições do raciocínio clínico do enfermeiro para a avaliação integral do paciente.
2 METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, método que possibilita reunir, analisar e sintetizar resultados de pesquisas sobre um determinado tema de forma sistemática, favorecendo a produção do conhecimento científico e o fortalecimento da prática baseada em evidências. Esse método caracteriza-se pela adoção de etapas metodológicas rigorosas que asseguram maior confiabilidade, transparência e reprodutibilidade ao processo investigativo (CROSSETTI, 2012).
A coleta dos dados foi realizada no mês de Fevereiro de 2026, por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando as bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Base de Dados de Enfermagem (BDENF) e ColecionaSUS, por concentrarem expressiva produção científica relacionada ao cuidado de enfermagem em feridas.
A estratégia de busca foi construída com base nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), combinados pelo operador booleano AND, conforme a seguinte expressão: (Cuidados de Enfermagem) AND (Ferimentos e Lesões) AND (Feridas e Curativos) AND (Avaliação em Enfermagem).
Posteriormente, aplicaram-se os seguintes filtros: bases de dados LILACS, BDENF e ColecionaSUS; idioma português; período de publicação entre janeiro de 2021 e junho de 2026; assuntos principais Cuidados de Enfermagem, Ferimentos e Lesões e Cicatrização; e tipos de estudo pesquisa qualitativa, revisão de literatura, fatores de risco e estudo diagnóstico, por apresentarem maior proximidade com o objetivo da investigação.
Como estratégia complementar, realizou-se busca na biblioteca eletrônica Scientific Electronic Library Online (SciELO) utilizando os descritores (Cuidados de Enfermagem) OR (Ferimentos e Lesões) OR (Feridas e Curativos) OR (Avaliação em Enfermagem). Essa estratégia identificou reduzido número de publicações compatíveis com o objeto deste estudo, razão pela qual a Biblioteca Virtual em Saúde constituiu a principal fonte para composição da amostra.
Foram incluídos artigos científicos disponíveis na íntegra, publicados em língua portuguesa entre janeiro de 2021 e junho de 2026, que abordassem os determinantes clínicos e biopsicossociais relacionados ao manejo de feridas, à avaliação de enfermagem, ao raciocínio clínico e à assistência de enfermagem. Excluíram-se estudos duplicados, editoriais, cartas ao editor, resumos, dissertações, teses, capítulos de livros, trabalhos de conclusão de curso e publicações que não respondiam à questão norteadora ou apresentavam incompatibilidade com o objetivo da pesquisa.
A seleção dos estudos ocorreu por meio da leitura dos títulos, resumos e textos completos, conforme os critérios de elegibilidade previamente estabelecidos.
Após a definição da amostra final, procedeu-se à extração das informações referentes aos autores, ano de publicação, objetivo, delineamento metodológico e principais resultados. Os dados foram organizados em quadro sinóptico e submetidos à análise descritiva e interpretativa, permitindo identificar evidências relacionadas aos determinantes clínicos e biopsicossociais envolvidos no manejo de feridas e às contribuições do raciocínio clínico do enfermeiro para a avaliação integral do paciente.
3 RESULTADOS
Os estudos incluídos nesta revisão integrativa foram selecionados após a aplicação dos critérios de elegibilidade previamente estabelecidos. A amostra final foi composta por artigos científicos provenientes da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e da Scientific Electronic Library Online (SciELO), abrangendo as bases LILACS, BDENF – Enfermagem e ColecionaSUS. Para facilitar a apresentação e a análise dos achados, os estudos selecionados foram organizados em uma tabela, contendo informações referentes aos autores, ano de publicação, objetivos, delineamento metodológico e principais resultados, possibilitando uma visão sintética das evidências identificadas.
Fonte: Elaborado pelos autores, 2026.
4 DISCUSSÃO
A revisão integrativa contemplou dez estudos publicados entre 2023 e 2025, evidenciando a crescente produção científica relacionada ao cuidado de enfermagem em feridas nos diferentes níveis de atenção à saúde. Os estudos incluídos apresentaram predominância de delineamentos descritivos, transversais e qualitativos, refletindo o interesse recente em compreender não apenas os aspectos clínicos das lesões, mas também os fatores organizacionais, educacionais e assistenciais envolvidos no cuidado.
A análise dos achados permitiu identificar importantes lacunas na formação e na prática clínica do enfermeiro no manejo de feridas. Embora o avanço tecnológico tenha ampliado as opções terapêuticas disponíveis, a literatura demonstra persistência de dificuldades relacionadas à avaliação da lesão, escolha das coberturas, padronização das condutas e utilização de instrumentos clínicos validados.
O estudo de Cauduro e Justino (2025) revelou fragilidades significativas na execução de procedimentos básicos relacionados aos curativos. Nenhum dos vídeos analisados apresentou conformidade integral com as recomendações técnicas vigentes, sendo observadas falhas relacionadas à identificação do paciente, higienização das mãos, manutenção da técnica asséptica, avaliação sistemática da ferida e registro das intervenções realizadas. Os resultados sugerem que a ampla disponibilidade de conteúdos digitais não garante qualidade científica ou segurança assistencial, especialmente em procedimentos dependentes de rigor técnico e adesão aos protocolos institucionais.
Esses achados possuem relevância direta para a formação do acadêmico de enfermagem, uma vez que a utilização de plataformas digitais como ferramenta complementar de aprendizagem tornou-se prática frequente durante a graduação. A ausência de critérios de validação do conteúdo disponibilizado pode favorecer a reprodução de condutas inadequadas e comprometer a segurança do paciente, reforçando a necessidade de supervisão docente e do fortalecimento das competências relacionadas à prática baseada em evidências.
A importância da qualificação profissional também foi identificada por Souza et al. (2025), que avaliaram o perfil assistencial dos estomaterapeutas envolvidos no tratamento das úlceras do pé diabético. Apesar da experiência profissional observada entre os participantes, verificou-se baixa adesão à elaboração de planos terapêuticos individualizados e à utilização de instrumentos específicos para avaliação funcional do idoso. O estudo demonstrou ainda associação entre maior tempo de treinamento e maior utilização de diretrizes clínicas e ferramentas padronizadas para avaliação dos pés.
Os resultados reforçam a compreensão de que a experiência profissional isoladamente não assegura a adoção das melhores práticas assistenciais. A incorporação de protocolos, escalas e instrumentos validados depende de processos permanentes de educação em saúde, atualização científica e incentivo institucional à prática baseada em evidências.
No âmbito hospitalar, Carvalho et al. (2025) identificaram elevada prevalência de lesões por pressão entre pacientes internados, especialmente em região sacral e em estágios intermediários de evolução. Embora parte dos pacientes não apresentasse risco elevado segundo os instrumentos de triagem, a ocorrência significativa de lesões demonstra limitações na capacidade preditiva isolada das escalas e reforça a necessidade de avaliação clínica contínua e individualizada.
A prevenção das lesões por pressão constitui indicador reconhecido da qualidade assistencial e está diretamente relacionada à atuação da enfermagem. Mudanças de decúbito, inspeção diária da pele, controle da umidade, suporte nutricional e educação da equipe multiprofissional representam medidas de baixo custo e elevada efetividade clínica. A persistência de elevada prevalência dessas lesões sugere falhas organizacionais e assistenciais que ultrapassam a responsabilidade individual dos profissionais.
A formação acadêmica para o cuidado de feridas foi abordada por Oliveira et al. (2025), que identificaram conhecimento insuficiente dos estudantes de enfermagem quanto à prescrição de terapias tópicas para feridas crônicas. Os resultados evidenciaram insegurança na tomada de decisão clínica e dificuldades na construção do raciocínio diagnóstico relacionado às características do leito da lesão.
A deficiência observada na formação inicial possui repercussões diretas sobre a qualidade da assistência após a inserção profissional. O manejo contemporâneo das feridas exige conhecimentos relacionados à fisiologia da cicatrização, microbiologia, tecnologias em coberturas, avaliação vascular e fatores sistêmicos que interferem na reparação tecidual. A limitação da carga horária prática e a fragmentação dos conteúdos curriculares podem contribuir para a manutenção dessas lacunas formativas.
Além dos aspectos técnicos, os estudos incluídos evidenciaram a influência dos fatores organizacionais sobre a qualidade do cuidado. Siqueira (2024) demonstrou que o empoderamento estrutural e psicológico dos profissionais está diretamente relacionado ao comportamento da liderança e às condições institucionais oferecidas aos enfermeiros. Ambientes organizacionais que favorecem autonomia, participação e acesso à informação apresentam maior potencial para desenvolvimento de práticas seguras e inovadoras.
A liderança do enfermeiro possui impacto direto sobre a adesão aos protocolos assistenciais, organização dos fluxos de atendimento e fortalecimento da cultura de segurança do paciente. Instituições que investem em desenvolvimento profissional e valorização da equipe tendem a apresentar melhores indicadores assistenciais e maior satisfação dos trabalhadores.
Essa perspectiva é complementada pelos achados de Mohr et al. (2024), que identificaram desafios relacionados ao processo de trabalho, às características dos pacientes e à disponibilidade de recursos materiais e tecnológicos na Atenção Primária à Saúde. A limitação de insumos, a dificuldade de acesso a especialistas e a elevada demanda assistencial surgem como fatores que dificultam a continuidade do cuidado e a implementação de terapias mais complexas.
O cenário da Atenção Primária apresenta particular relevância no cuidado às feridas crônicas, especialmente diante do envelhecimento populacional e do aumento das doenças crônicas não transmissíveis. A unidade básica de saúde frequentemente constitui o principal ponto de acompanhamento longitudinal desses pacientes, tornando indispensável a qualificação das equipes e a organização das linhas de cuidado.
A influência das condições clínicas sobre a evolução das lesões foi analisada por Almeida et al. (2024), que identificaram associação entre pior cicatrização, faixa etária adulta e presença de dor intensa. O achado relacionado à dor merece destaque, uma vez que esse sintoma frequentemente permanece subvalorizado durante o acompanhamento das feridas crônicas.
A dor interfere na mobilidade, no sono, na adesão ao tratamento e na qualidade de vida, além de desencadear respostas fisiológicas capazes de comprometer a perfusão tecidual e retardar o processo reparativo. A avaliação sistemática da intensidade dolorosa deve integrar obrigatoriamente os protocolos de acompanhamento das feridas, permitindo intervenções precoces e individualizadas.
Outro aspecto relevante identificado na revisão refere-se à necessidade de utilização de instrumentos padronizados para avaliação das lesões. O estudo metodológico conduzido por Da Cruz et al. (2023) demonstrou evidências satisfatórias de validade e confiabilidade da versão brasileira do instrumento RESVECH 2.0, embora alguns domínios ainda apresentem necessidade de aperfeiçoamento.
A utilização de instrumentos validados favorece a comunicação entre profissionais, reduz subjetividades e permite monitoramento objetivo da evolução clínica. Além disso, contribui para produção de indicadores assistenciais e desenvolvimento de pesquisas multicêntricas voltadas à melhoria da qualidade do cuidado.
A importância da sistematização da assistência também foi evidenciada por Bezerra et al. (2023), que identificaram predominância de diagnósticos relacionados à cicatrização prejudicada, ansiedade, risco de infecção e comprometimento da integridade cutânea. As intervenções priorizaram cuidados locais com a lesão, prevenção de complicações e orientações para o autocuidado.
Os resultados demonstram que o cuidado em feridas ultrapassa a dimensão biológica da lesão, envolvendo aspectos emocionais, funcionais e sociais que exigem abordagem integral e interdisciplinar. O impacto psicológico das feridas crônicas frequentemente resulta em isolamento social, alterações da autoestima e sofrimento emocional, exigindo intervenções voltadas à integralidade da assistência.
No contexto específico do diabetes mellitus, Gonçalves (2023) destacou a necessidade de fortalecimento da educação permanente para os enfermeiros da Estratégia Saúde da Família envolvidos na prevenção de úlceras em membros inferiores. O estudo evidenciou que a atualização profissional e a discussão permanente dos processos de trabalho favorecem a implementação de práticas preventivas mais efetivas.
As complicações relacionadas ao pé diabético representam importante causa de hospitalização, amputação e incapacidade funcional no Brasil. Estratégias preventivas como inspeção periódica dos pés, orientação sobre autocuidado, avaliação vascular e identificação precoce de fatores de risco apresentam elevada relação custo-benefício e podem reduzir significativamente os desfechos adversos.
De forma geral, os estudos analisados convergem para a compreensão de que o cuidado de enfermagem em feridas permanece marcado por importantes desafios relacionados à formação profissional, disponibilidade de recursos, padronização das condutas e fortalecimento da prática baseada em evidências. Observa-se, entretanto, avanço progressivo na produção científica nacional e crescente valorização do raciocínio clínico e da sistematização da assistência.
A análise crítica dos achados demonstra que a melhoria da qualidade do cuidado em feridas depende da articulação entre formação acadêmica, educação permanente, liderança institucional e incorporação de tecnologias validadas. O fortalecimento dessas dimensões possui potencial para ampliar a segurança do paciente, reduzir complicações e promover maior efetividade das intervenções de enfermagem.
Os resultados reforçam o papel estratégico do enfermeiro na prevenção, avaliação e tratamento das feridas, destacando a necessidade de consolidação de práticas fundamentadas em evidências científicas e de investimentos contínuos na qualificação profissional. A assistência às pessoas com feridas exige competências técnicas, capacidade crítica e tomada de decisão clínica fundamentada, elementos indispensáveis para a promoção de um cuidado seguro, integral e de qualidade.
5 CONCLUSÃO
A presente revisão integrativa evidenciou que o cuidado de enfermagem às pessoas com feridas constitui uma prática complexa, que exige conhecimento técnico-científico, raciocínio clínico e tomada de decisão fundamentada em evidências. Os estudos analisados demonstraram a existência de desafios relacionados à formação profissional, à padronização das condutas assistenciais, ao uso de instrumentos de avaliação e à disponibilidade de recursos materiais e tecnológicos nos diferentes níveis de atenção à saúde. Além disso, fatores clínicos, organizacionais e educacionais influenciam diretamente a qualidade da assistência e os resultados do processo cicatricial.
Observou-se ainda que a educação permanente, a utilização de protocolos clínicos, o fortalecimento da liderança do enfermeiro e a sistematização da assistência representam estratégias fundamentais para qualificar o cuidado e promover maior segurança ao paciente. Dessa forma, torna-se indispensável o investimento contínuo na capacitação dos profissionais e no desenvolvimento de pesquisas que ampliem as evidências científicas na área, contribuindo para a consolidação de práticas assistenciais mais efetivas, humanizadas e centradas nas necessidades da pessoa com feridas.
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