RESUMO
Introdução: A integração entre saúde mental e saúde bucal tem sido reconhecida como estratégia essencial para o cuidado integral, considerando que transtornos psicológicos podem influenciar diretamente o autocuidado e o desenvolvimento de agravos bucais. Embora haja progressos nas políticas públicas de saúde, ainda há deficiências na formação acadêmica e na prática profissional no que diz respeito à integração entre saúde mental e saúde bucal Objetivo: relatar a experiência de uma ação educativa voltada à relação entre saúde mental e saúde bucal, desenvolvida no âmbito da residência multiprofissional em saúde. Metodologia: trata-se de um relato de experiência realizado durante o I Congresso Cores Viva da Saúde Mental, com participação de acadêmicos, profissionais da saúde e usuários dos serviços de atenção psicossocial. Resultados: observou-se ampla participação dos presentes, favorecendo a troca de saberes, esclarecimento de dúvidas e fortalecimento do conhecimento acerca da relação entre saúde mental e saúde bucal. Conclusão: Ações educativas interprofissionais contribuem para a promoção da saúde, fortalecimento do autocuidado e ampliação do acesso à informação, destacando a importância da atuação multiprofissional nas redes de atenção à saúde.
Palavras-chave: Saúde Bucal, Saúde Mental, Educação em Saúde, Residência Multiprofissional, Atenção Psicossocial.
ABSTRACT
Introduction: The integration between mental health and oral health has been recognized as an essential strategy for comprehensive care, considering that psychological disorders can directly influence self-care and the development of oral health problems. Although there has been progress in public health policies, there are still deficiencies in academic training and professional practice regarding the integration between mental health and oral health. Objective: To report the experience of an educational action focused on the relationship between mental health and oral health, developed within the scope of the multiprofessional health residency program. Methodology: This is an experience report carried out during the 1st Cores Viva Mental Health Congress, with the participation of academics, health professionals, and users of psychosocial care services. Results: Broad participation was observed among those present, favoring the exchange of knowledge, clarification of doubts, and strengthening of knowledge about the relationship between mental health and oral health. Conclusion: Interprofessional educational actions contribute to health promotion, strengthening self-care, and expanding access to information, highlighting the importance of multiprofessional action in health care networks.
Keywords: Oral Health, Mental Health, Health Education, Multiprofessional Residency, Psychosocial Care.
RESUMEN
Introducción: La integración entre la salud mental y la salud bucal se ha reconocido como una estrategia esencial para la atención integral, considerando que los trastornos psicológicos pueden influir directamente en el autocuidado y el desarrollo de problemas de salud bucal. Si bien se han registrado avances en las políticas de salud pública, aún existen deficiencias en la formación académica y la práctica profesional con respecto a la integración entre la salud mental y la salud bucal. Objetivo: Reportar la experiencia de una acción educativa centrada en la relación entre la salud mental y la salud bucal, desarrollada en el ámbito de un programa de residencia multiprofesional en salud. Metodología: Se trata de un relato de experiencia realizado durante el 1.er Congreso Cores Viva de Salud Mental, con la participación de académicos, profesionales de la salud y usuarios de servicios de atención psicosocial. Resultados: Se observó una amplia participación, lo que favoreció el intercambio de conocimientos, la aclaración de dudas y el fortalecimiento del conocimiento sobre la relación entre la salud mental y la salud bucal. Conclusión: Las acciones educativas interprofesionales contribuyen a la promoción de la salud, el fortalecimiento del autocuidado y la ampliación del acceso a la información, destacando la importancia de la acción multiprofesional en las redes de atención de la salud.
Palabras clave: Salud bucal, Salud mental, Educación en salud, Residencia Multiprofesional, Atención psicosocial.
1 INTRODUÇÃO
A saúde bucal e a saúde mental constituem dimensões interdependentes do cuidado em saúde, sendo fundamentais para a qualidade de vida e o bem-estar biopsicossocial dos indivíduos. Nas últimas décadas, estudos têm demonstrado a relação bidirecional entre agravos bucais e transtornos mentais, evidenciando que alterações psíquicas podem comprometer hábitos de higiene oral, adesão ao tratamento e acesso aos serviços de saúde, enquanto doenças bucais podem gerar impactos negativos na autoestima, comunicação, inserção social e saúde emocional (PERES ET AL., 2020; WHO, 2022).
Pessoas em sofrimento psíquico frequentemente apresentam maior vulnerabilidade a doenças bucais, como cárie dentária, doença periodontal, perda dentária e xerostomia, muitas vezes associadas ao uso prolongado de psicofármacos e à dificuldade de manutenção do autocuidado. Além disso, esse público pode apresentar limitações cognitivas, emocionais e comportamentais que interferem na compreensão das orientações em saúde, no reconhecimento das necessidades terapêuticas e na continuidade do cuidado odontológico, demandando abordagens educativas adaptadas e assistência multiprofissional humanizada (KISELY, 2021; BRASIL, 2023).
No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), o cuidado integral constitui princípio fundamental, exigindo articulação entre os diferentes níveis assistenciais e serviços que compõem as Redes de Atenção à Saúde (RAS). A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), juntamente com a Atenção Primária à Saúde (APS), desempenha papel estratégico na promoção do cuidado longitudinal, interdisciplinar e centrado nas necessidades dos usuários, incluindo a integração da saúde bucal às ações voltadas à saúde mental (BRASIL, 2021; BRASIL, 2022).
A participação do residente em atividades educativas e ações coletivas favorece o desenvolvimento de competências relacionadas ao trabalho em equipe, comunicação em saúde e construção compartilhada do cuidado, aspectos essenciais para a consolidação das redes de atenção. Ao atuar junto a diferentes públicos, incluindo usuários em situação de vulnerabilidade, o residente contribui para a ampliação do acesso às informações em saúde, fortalecimento do autocuidado e redução de agravos relacionados à saúde bucal e mental. Dessa forma, a formação em serviço possibilita o desenvolvimento de profissionais mais críticos, reflexivos e comprometidos com os princípios da integralidade e da equidade no cuidado em saúde (SILVA; SCAPIN; BATISTA, 2021; ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2020).
Embora haja progressos nas políticas públicas de saúde, ainda há deficiências na formação acadêmica e na prática profissional no que diz respeito à integração entre saúde mental e saúde bucal. Nesse contexto, a educação em saúde surge como uma ferramenta crucial para conscientizar profissionais, acadêmicos e usuários, incentivando a reflexão crítica e o fortalecimento das práticas interdisciplinares.
Assim, o presente estudo tem como objetivo relatar a experiência da palestra conduzida pela residente em saúde da família, Dra. Ana Cecília Moreira, intitulada “Sorrisos que doem por dentro: a saúde mental por trás da saúde bucal”, realizada durante o I Congresso Cores Vivas da Saúde Mental, promovido pela Universidade do Estado do Pará, no município de Tucuruí, direcionada a acadêmicos de Odontologia, profissionais da saúde, integrantes de diferentes categorias multiprofissionais e, especialmente, usuários do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), público que apresenta maior vulnerabilidade a agravos bucais e demanda estratégias educativas adaptadas e cuidado integral.
2 METODOLOGIA
O presente trabalho trata-se de um relato de experiência com abordagem qualitativa, referente à realização da atividade educativa intitulada “Sorrisos que doem por dentro: a saúde mental por trás da saúde bucal”, desenvolvida durante o I Congresso Cores Vivas da Saúde Mental, promovido pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), no município de Tucuruí, Pará.
A atividade caracterizou-se como ação extensionista e educativa, com abordagem participativa e interprofissional. A participação ocorreu de forma voluntária, mediante adesão espontânea dos presentes no evento. A avaliação da atividade ocorreu de maneira qualitativa, por meio da observação da participação do público, interação nas dinâmicas propostas e relatos espontâneos compartilhados ao final da ação.
A ação foi conduzida por uma cirurgiã-dentista residente em Saúde da Família com ênfase em Redes de Atenção à Saúde, sendo direcionada a acadêmicos de Odontologia da Faculdade Gamaliel, cirurgiões-dentistas, profissionais da área da saúde, assistentes sociais, agentes comunitários de saúde e usuários do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). A atividade teve duração aproximada de 30 minutos e foi estruturada com estratégias participativas, dialogadas e lúdicas, visando favorecer a construção coletiva do conhecimento e estimular a reflexão acerca da interface entre saúde mental e saúde bucal.
Inicialmente, realizou-se a apresentação da facilitadora e a contextualização da temática, destacando a importância do cuidado integral em saúde e a necessidade de articulação entre os aspectos físicos, emocionais e sociais no processo saúde-doença. Observou-se, nesse momento, interesse e identificação dos participantes com a temática proposta, especialmente diante da crescente demanda por abordagens multiprofissionais no cuidado em saúde mental. (imagem 1).
Na sequência, ocorreu uma exposição dialogada abordando a relação entre saúde mental e saúde bucal, enfatizando como alterações emocionais e psicológicas podem interferir diretamente nos hábitos de higiene oral e na busca por tratamento odontológico. Durante a atividade, foram discutidas condições como o bruxismo associado ao estresse e à ansiedade, doenças periodontais relacionadas à negligência do autocuidado em indivíduos em sofrimento psíquico e a erosão dentária vinculada a transtornos alimentares e refluxo gastroesofágico.
A utilização de questionamentos reflexivos, como “Como você cuida da sua saúde bucal e mental?”, possibilitou maior interação com o público, favorecendo o compartilhamento de experiências pessoais e profissionais (imagem 2). Esse momento evidenciou a percepção dos participantes sobre a influência do estado emocional nos comportamentos de autocuidado, reforçando a importância de abordagens educativas que integrem saúde mental e saúde bucal.
Posteriormente, foi realizada uma dinâmica educativa em formato de quiz, na qual os participantes foram à frente da sala para compartilhar experiencias relacionadas a saúde bucal (imagem 3). A atividade permitiu avaliar o conhecimento prévio, estimular o aprendizado de forma lúdica e promover discussão coletiva. Observou-se elevada participação e envolvimento do público, contribuindo para o fortalecimento do aprendizado e da troca de saberes.
Outra estratégia utilizada foi a dinâmica denominada “Balões do Bem-Estar, Ação & Cuidado”, que consistiu na distribuição de balões contendo mensagens relacionadas ao acolhimento, autoestima e autocuidado (imagem 3). Após a leitura das mensagens, os participantes realizavam ações coletivas, como exercícios de respiração, manifestações de apoio emocional e compartilhamento de estratégias para enfrentamento da ansiedade. Essa atividade favoreceu momentos de integração, fortalecimento de vínculos e sensibilização quanto à importância do cuidado emocional no cotidiano.
Em seguida, foi realizada a dinâmica “Bingo: Sorriso e Mente em Equilíbrio”, utilizando cartelas contendo termos relacionados à saúde mental e saúde bucal. A cada palavra sorteada, eram promovidas reflexões sobre a inter-relação entre fatores emocionais e condições bucais. A atividade possibilitou consolidar os conhecimentos discutidos e reforçar a importância do autocuidado como elemento fundamental para a promoção da saúde integral. (imagem 4).
Ao final, realizou-se um momento de acolhimento coletivo, permitindo que os participantes compartilhassem percepções e experiências vivenciadas durante a atividade. Também foram esclarecidas dúvidas e entregues lembranças simbólicas, fortalecendo o vínculo entre os participantes e a proposta educativa. (imagem 5 e 6).
A experiência destacou a importância de iniciativas educativas interdisciplinares que promovem a integração entre saúde mental e saúde bucal, ressaltando o potencial dessas abordagens para conscientizar profissionais, estudantes e usuários dos serviços de saúde sobre a relevância do cuidado integral. Ademais, a atividade ajudou a reforçar a importância da Odontologia nas Redes de Atenção à Saúde, principalmente no cuidado com pessoas que sofrem de problemas mentais.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A experiência da palestra evidenciou a importância da abordagem integrada entre saúde mental e saúde bucal como componente essencial do cuidado integral em saúde. Estudos recentes demonstram que transtornos mentais estão diretamente associados ao aumento da prevalência de doenças bucais, uma vez que alterações emocionais podem comprometer hábitos de autocuidado, adesão ao tratamento e busca por assistência odontológica (PERES ET AL., 2020; KISELY, 2021).
De acordo com o Ministério da Saúde, as estratégias de educação em saúde são essenciais para ampliar o acesso à informação e estimular a participação ativa dos usuários no cuidado com sua saúde. Da mesma forma, a Organização Mundial da Saúde destaca que ações educativas e interativas favorecem o desenvolvimento de competências individuais para o autocuidado, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e redução das desigualdades em saúde (BRASIL, 2021; WHO, 2020; PERES et al., 2020).
Durante a atividade, observou-se que muitos participantes desconheciam a relação entre sofrimento psíquico e agravos bucais, o que reforça a necessidade de ampliar discussões sobre essa temática. A literatura aponta que indivíduos com transtornos mentais apresentam maior risco para desenvolvimento de doenças periodontais, cárie dentária, perda dentária e alterações salivares, frequentemente relacionadas ao uso prolongado de psicofármacos, à negligência do autocuidado e às dificuldades de acesso aos serviços de saúde (WATT ET AL., 2021).
Além disso, destaca-se que usuários dos serviços de saúde mental frequentemente apresentam limitações cognitivas e emocionais que podem interferir na compreensão das orientações em saúde e na manutenção de práticas preventivas. Essas condições aumentam a vulnerabilidade desse público, exigindo estratégias educativas adaptadas, comunicação acessível e abordagem humanizada por parte dos profissionais de saúde (BRASIL, 2023).
Outro aspecto relevante observado na experiência foi a importância da atuação multiprofissional no cuidado à saúde mental e bucal. A integração entre diferentes categorias profissionais favorece o cuidado longitudinal e integral, conforme preconizado pelo Sistema Único de Saúde. A articulação entre Atenção Primária à Saúde e Rede de Atenção Psicossocial contribui para ampliar o acesso aos serviços, fortalecer o vínculo com os usuários e promover ações preventivas e educativas (BRASIL, 2021).
A utilização de metodologias ativas durante a atividade, como dinâmicas interativas e quiz educativo, demonstrou potencial para facilitar o processo de ensino-aprendizagem e estimular a participação dos envolvidos. A literatura evidencia que estratégias educativas participativas favorecem a construção coletiva do conhecimento, promovem reflexão crítica e contribuem para o empoderamento dos usuários quanto ao autocuidado em saúde (FALKENBERG ET AL., 2020).
Observou-se ainda que a inclusão de acadêmicos, profissionais da saúde e usuários do CAPS possibilitou troca de experiências e fortalecimento da formação interprofissional. A educação interprofissional tem sido apontada como ferramenta essencial para qualificação das práticas assistenciais, pois favorece o desenvolvimento de competências colaborativas e amplia a compreensão do cuidado centrado no usuário (WHO, 2021).
A participação do residente multiprofissional em Odontologia em atividades de educação e promoção da saúde é essencial para melhorar o cuidado integral. A inclusão desse profissional em formação nos serviços de saúde facilita a conexão entre teoria e prática, possibilitando a criação de estratégias educativas que atendam às necessidades reais da população. Ademais, o residente colabora na criação de práticas interprofissionais, expandindo a perspectiva sobre o processo saúde-doença e reforçando a conexão entre a saúde bucal e a saúde geral. Nesse cenário, a residência multiprofissional é considerada uma estratégia relevante para a formação de recursos humanos no Sistema Único de Saúde, fomentando um atendimento humanizado, integral e focado no usuário (BRASIL, 2022; PEDUZZI et al., 2020).
Dessa forma, a experiência relatada reforça que ações educativas que abordam a interface entre saúde mental e saúde bucal contribuem para redução de vulnerabilidades em saúde, promoção do autocuidado e fortalecimento das Redes de Atenção à Saúde. Além disso, destaca-se a necessidade de ampliação de iniciativas que integrem essas áreas na formação acadêmica e nas práticas assistenciais, visando qualificar o cuidado ofertado aos usuários do sistema público de saúde.
4 CONCLUSÃO
Portanto, a palestra “Sorrisos que doem por dentro: a saúde mental por trás da saúde bucal” destacou a importância de unir a saúde mental e a saúde bucal como uma estratégia essencial para promover o cuidado integral em saúde. A atividade permitiu que os participantes ampliassem seu entendimento sobre como os transtornos mentais afetam o desenvolvimento de problemas bucais, além de destacar a relevância do autocuidado e da colaboração multiprofissional nas Redes de Atenção à Saúde. O uso de metodologias interativas favoreceu uma maior participação do público e intensificou a troca de conhecimentos entre acadêmicos, profissionais e usuários do CAPS.
REFERÊNCIAS
- BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes para o cuidado das pessoas com sofrimento ou transtorno mental na Rede de Atenção Psicossocial. Brasília: Ministério da Saúde, 2023.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Educação Permanente em Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Saúde Bucal: princípios e diretrizes atualizadas. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde mental e atenção psicossocial na Atenção Primária à Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.
- FALKENBERG, M. B. et al. Educação em saúde e educação na saúde: conceitos e implicações para a saúde coletiva. Ciência & Saúde Coletiva, 2020.
- KISELY, S. No mental health without oral health. Canadian Journal of Psychiatry, v. 66, n. 6, p. 533–541, 2021.
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Framework for action on interprofessional education and collaborative practice. Geneva: WHO, 2020.
- PEDUZZI, M. et al. Educação interprofissional na formação em saúde: perspectivas e desafios. Interface – Comunicação, Saúde, Educação, v. 24, 2020.
- PERES, M. A. et al. Oral diseases: a global public health challenge. The Lancet Public Health, v. 5, n. 12, p. e687–e698, 2020.
- SILVA, R. H. A.; SCAPIN, L. T.; BATISTA, N. A. Formação interprofissional em saúde: percepções e práticas na residência multiprofissional. Saúde em Debate, v. 45, n. 131, 2021.
- WATT, R. G. et al. Ending the neglect of global oral health: time for radical action. The Lancet, v. 394, n. 10194, p. 261–272, 2021.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Comprehensive mental health action plan 2013–2030 (progress update 2021–2025). Geneva: WHO, 2021.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION. Oral health. Geneva: WHO, 2020.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Global oral health status report: towards universal health coverage for oral health. Geneva: WHO, 2022.

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