RESUMO
O paciente crítico é aquele que apresenta instabilidade hemodinâmica e risco iminente de morte, exigindo vigilância contínua e cuidados intensivos. Nesse contexto, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é o ambiente destinado ao atendimento de pacientes em estado grave, onde a assistência especializada é fundamental para a manutenção da vida e recuperação do indivíduo. O enfermeiro intensivista desempenha papel essencial nesse cenário, sendo responsável pela supervisão da equipe de enfermagem, pela implementação do processo de enfermagem, pela monitorização constante do paciente e pela tomada de decisões rápidas diante de alterações clínicas. Sua atuação requer conhecimento técnico-científico, capacidade de liderança, raciocínio clínico e sensibilidade para oferecer um cuidado humanizado. Além das exigências técnicas da assistência, o trabalho na UTI também envolve desafios relacionados à sobrecarga de trabalho e ao impacto emocional sobre os profissionais de enfermagem. O ambiente intensivo, marcado por situações críticas e de alta complexidade, pode afetar o bemestar psicológico dos profissionais e influenciar diretamente sua produtividade e qualidade do cuidado prestado. Dessa forma, compreender o papel do enfermeiro na assistência ao paciente crítico é fundamental para valorizar sua atuação e promover uma assistência integral, humanizada e segura.
Palavras-chave: Enfermagem; Terapia Intensiva; Paciente Critico
ABSTRACT
A critically ill patient is one who presents with hemodynamic instability and an imminent risk of death, requiring continuous monitoring and intensive care. In this context, the Intensive Care Unit (ICU) is the environment designed to care for critically ill patients, where specialized assistance is fundamental for maintaining life and the individual's recovery. The intensive care nurse plays an essential role in this scenario, being responsible for supervising the nursing team, implementing the nursing process, constantly monitoring the patient, and making rapid decisions in the face of clinical changes. Their work requires technical-scientific knowledge, leadership skills, clinical reasoning, and sensitivity to provide humanized care. In addition to the technical demands of care, work in the ICU also involves challenges related to workload overload and the emotional impact on nursing professionals. The intensive care environment, marked by critical and highly complex situations, can affect the psychological well-being of professionals and directly influence their productivity and the quality of care provided. Therefore, understanding the role of the nurse in the care of the critically ill patient is fundamental to valuing their work and promoting comprehensive, humanized, and safe care.
Keywords: Nursing; Intensive Care; Critically Ill Patient
1 INTRODUÇÃO
O paciente crítico é aquele que apresenta instabilidade hemodinâmica e risco iminente de morte, necessitando de vigilância constante e cuidados intensivos. Nesse contexto, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) se configura como o ambiente destinado ao atendimento de pessoas em estado grave, onde o enfermeiro desempenha papel fundamental no planejamento, execução e avaliação da assistência de enfermagem.
O enfermeiro intensivista é responsável pela supervisão da equipe, pela implementação do processo de enfermagem, pela monitorização contínua do paciente e pela tomada de decisões rápidas e seguras diante de alterações clínicas. Sua atuação exige conhecimento técnico-científico, habilidades de liderança, raciocínio clínico e empatia no cuidado humanizado.
Dessa forma, estudar o papel do enfermeiro na assistência ao paciente crítico torna-se relevante para compreender a importância da atuação deste profissional na promoção da qualidade e segurança do cuidado na UTI.
Com isto também veremos como a sobrecarga de trabalho pode afetar o psicológico dos profissionais de enfermagem e como pode interferir diretamente na sua produtividade. Sendo a UTI um ambiente crítico e tenso, o profissional de enfermagem deve estar preparado para lidar com várias situações, e também ter uma prática holistica e humanizada sobre o indivíduo.
2 DESENVOLVIMENTO
A Unidade de Terapia Intensiva é um setor hospitalar destinado a pacientes em estado crítico que necessitam de suporte avançado de vida e monitorização contínua (SMELTZER; BARE, 2015). O enfermeiro que atua nesse contexto precisa ter competências específicas que envolvem desde o conhecimento técnico até a habilidade de liderança e tomada de decisão (POTTER; PERRY, 2020).
Segundo Chiavenato (2017), o enfermeiro gestor tem papel essencial na organização do trabalho em equipe, garantindo a execução adequada das atividades assistenciais. Na UTI, essa função é ainda mais importante devido à gravidade dos pacientes e à complexidade dos procedimentos realizados.
De acordo com Souza e Oliveira (2021), o processo de enfermagem é uma ferramenta indispensável para garantir uma assistência sistematizada e segura, composta pelas etapas de coleta de dados, diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação.
Além do cuidado técnico, o enfermeiro deve proporcionar assistência humanizada, considerando o sofrimento físico e emocional do paciente e de sua família. Conforme Pessini e Barchifontaine (2018), o cuidado ético e compassivo é indispensável para a dignidade do ser humano, especialmente no contexto crítico.
A educação continuada também é fundamental para o desempenho do enfermeiro intensivista, pois o avanço tecnológico e científico na área da saúde é constante. Para Benner (2012), a competência clínica é desenvolvida por meio da experiência e da formação permanente, o que reforça a importância da atualização profissional.
Assim, o papel do enfermeiro na UTI é abrangente, envolvendo a assistência direta ao paciente, a gestão da equipe, a comunicação interdisciplinar e o cuidado humanizado, contribuindo para a qualidade e segurança no atendimento ao paciente crítico.
A unidade de terapia intensiva é percebida pela equipe que nela atua, assim como por pacientes e familiares, como um dos ambientes mais agressivos, tensos e traumatizantes do hospital (VARGAS et. al2011);. Dentre os fatores presentes no ambiente de terapia intensiva que geram estresse na equipe, encontram-se: pouco preparo para lidar com a constante presença de mortes, frequentes situações de emergência, falta de pessoal e material, ruído constante das aparelhagens, despreparo para lidar com as frequentes mudanças do arsenal tecnológico, sofrimento dos familiares, grau de responsabilidade em tomadas de decisão, conflito no relacionamento entre os profissionais, dentre outros. (CORONETTI. et al. 2006).
2.1 Segurança Biológica
A ocorrência de acidente ocupacional no ambiente hospitalar é fato. Estes envolvem o profissional da área de saúde como também pacientes visitantes, instalações e equipamentos. Muitos acidentes acarretam vários tipos de prejuízos (BRASIL, 2009), pois eles podem gerar danos permanentes ou transitório. o cenário do acidente de trabalho no ambiente hospitalar sofreu, nas últimas décadas mudanças significativas com o surgimento da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), uma vez que a possibilidade de transmissão dessa doença por via ocupacional ganhou visibilidade com o avanço da epidemia (CORONETTI et, al. 2006)).
2.2 Ambiente traumatizante e agressivo
A UTI é o ambiente mais tenso, traumatizante e agressivo, de uma unidade hospitalar em decorrência da rotina de trabalho intensa. A equipe de enfermagem tem riscos constantes por contágio (pacientes em isolamento), exposição a Raios X, acidentes com perfuro cortantes (VARGAS et. al 2011); situações de crises frequentes; ruídos intermitentes de monitores, bombas de aspiração, respiradores, gemidos, gritos de dor, choro. É um lugar isolado, onde o tempo se torna incerto. O ambiente é insalubre, a falta de precaução e treinamento da equipe pode resultar em acidentes e transmissão de doenças infectocontagiosas. (CORONETTI et, al. 2006)).
2.3 Fadiga Física e emocional
Um nível aceitável de sobrecarga pode ser definido como aquele em que um indivíduo é capaz de realizar uma atividade, em um estado fisiologicamente estável, sem cansaço, fadiga ou desconforto (BRASIL, 2009) Assim, a análise da fadiga no trabalho representa uma importante medida em saúde. Considerando o contexto do trabalhador de enfermagem, o estudo da associação da fadiga junto a outros parâmetros funcionais e demográficos pode ser útil para a identificação precoce de sobrecargas e para a compreensão dos fatores envolvidos nas atividades ocupacionais. Desse modo, o presente trabalho teve por objetivos avaliar a necessidade de descanso (fadiga) e determinar a prevalência de desconfortos musculoesqueléticos, o índice de capacidade de trabalho e o esforço físico percebido durante a realização do trabalho de enfermeiros que exercem funções em UTI (NERY et. al, 2010) é fundamental para que o trabalho se torno prazeroso.
2.4 Ruído Tecnológico
O avanço da tecnologia, trouxe equipamentos que, inevitavelmente, produzem ruído que podem repercutir na saúde e qualidade de vida do paciente, família e profissionais de saúde. Um som ou a mistura de sons, com dois ou mais tons, capaz de prejudicar a saúde, segurança ou sossego público é considerado ruído (BRASIL, 2009). Os efeitos deletérios dos elevados níveis de pressão sonora para os profissionais podem ser caracterizados, como aumento da pressão arterial, alteração no ritmo cardíaco e no tônus muscular, cefaleia, perda auditiva, confusão, baixo poder de concentração, irritabilidade, burnout e insatisfação com o trabalho(VARGAS et. al, 2011). O profissional de saúde, também, pode ser prejudicado no desempenho de suas atividades quando é exposto a elevados níveis de pressão sonora. A situação poderá induzi-lo ao erro e, consequentemente, comprometer a segurança do paciente (PINHEIRO et.al 2012)
2.5 Grau de responsabilidade
Elevado, tomada de decisão e risco eminente de morte: A equipe de enfermagem sente prazer em cuidar de pacientes graves, porém vivencia angústias intensas pelo fato de terem que realizar grande número de procedimentos complexos. Além disso, têm que manipular inúmeros equipamentos e realizar todas as atividades com iniciativa, rapidez e livre de qualquer erro, pois isso poderia implicar na morte do paciente.(PINHEIRO et.al 2012) Outro fator que possivelmente contribui para o desgaste dos profissionais é o próprio “clima” dessas unidades, pois o ritmo de trabalho é bastante intenso e a todo momento está presente a possibilidade de agravos e de morte. Enfermeiros, pela função que desempenham, assumem as atividades mais complexas e que envolvem maior risco para os pacientes, além de serem responsáveis pelas atividades desenvolvidas por toda a equipe de enfermagem. Dessa forma, incorporam alto nível de responsabilidade, na tentativa de ter o controle absoluto sobre o trabalho, o que muitas vezes os levam a exigir de si mesmos atitudes sobre-humanas (FERRAREZE et.al, 2006)
3 METODOLOGIA
A pesquisa realizada trata-se de natureza qualitativa, com caráter descritivo e revisão bibliográfica. Foram analisados livros, artigos científicos e documentos disponíveis em bases de dados como SciELO, LILACS e Google Acadêmico, publicados entre 2000 e 2025.
A análise dos dados foi realizada por meio da leitura crítica e síntese dos principais pontos relacionados à atuação do enfermeiro na UTI, buscando identificar desafios, competências e práticas essenciais à assistência ao paciente crítico.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A enfermagem dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), é parte fundamental do processo de cuidar, pois ela quem fica a maior parte do tempo perto do paciente. E este cuidar requer além de prática, preparo especializado e psicológico para todas as etapas do cuidado. A UTI além de oferecer cuidado integral ao paciente oferece os recursos modernos e especializado para cada individuo. A enfermagem como um dos atores principais do elenco de uma UTI, necessita está atualizada bem como, estabelecida como equipe para que o cuidado seja eficaz.
A globalização cada vez mais eminente em nosso meio traz consigo muitas informações e transformações que beneficiam o trabalho, influenciando nas mudanças do conteúdo, da natureza, e do significado do trabalho(CAMPOS et.al 2011).
Diante da incidência crescente de agravos por exposição a vários riscos em que estes trabalhadores estão expostos (BRAND et.al, 2014), a Norma Regulamentadora número 32, nos mostra que a segurança biológica oferecida ao trabalhador é fundamental dentro da UTI, pois o trabalhador, ao qual deve ser dado o espaço que lhe é devido, enquanto ator na produção do cuidado, e não apenas de corresponsabilização pelo dano a si e ao usuário, mas sobretudo, de contribuição para a criação de ambientes saudáveis(BRASIL, 2005).
Frente aos aparatos tecnológicos existentes nas UTI’s e a grande quantidade de procedimentos que são submetidos os pacientes que ali se encontram(CAMPOS et.al. 2011), o ambiente é reconhecido como um dos mais traumatizantes e agressivos tanto pela ótica dos usuários como pelos prestadores de serviços (MARTINS et.al. 2009). Muitas vezes, essas demandas desencadeiam fadiga física e emocional, tensão e ansiedade no trabalho (AZAMBUJA et.al 2010).
O trabalho realizado em UTI é complexo, pois os pacientes são considerados críticos e apresentam risco iminente de vida (FOGAÇA et. al.2008). Por isso, vale a pena ressaltar que os profissionais que atuam nesta área de cuidado devem estar preparados para enfrentarem tal situação. Com UTI’s cada vez mais sofisticadas, burocratizadas e mecanistas, o ambiente é bastante instável (NISHIDE et.al 2004), agitado com vários atividades que geram grande ansiedade, o que expõem a equipe de enfermagem a grande tensão (VARGAS et. al 2011). E Mendes (2007) valida que a Psicodinâmica do Trabalho, deve está pautada em situações da realidade dos trabalhadores.
Além disso, o ambiente de risco de vida, sobrecarga de trabalho, má utilização de habilidades médicas, dificuldade de aceitação da morte, dor, a escassez de recursos materiais e humanos, ambiente seco e refrigerado, fechado e com iluminação artificial (MARTINS et.al, 2009), interralacionamento constante das mesmas pessoas da equipe, durante o turno de trabalho, tomada de decisões conflitantes, relacionadas à seleção de pacientes que serão atendidos, são fatores apontados como desencadeadores de ansiedade e distúrbios psíquicos nos trabalhadores de enfermagem dessas unidades (VARGAS, et.al. 2011).
Tendo em vista a melhora da saúde do trabalhador da equipe multidisciplinar dentro da terapia intensiva, este presente trabalho visa pautar fatores estressores e demais riscos a que estes trabalhadores estão expostos.
Nisto, foi observado nos textos analisados um quantitativo de profissionais com menos de cinco anos de experiência em Terapia Intensiva, o que pode afetar a qualidade do serviço caso não ocorra treinamentos constantes com a equipe, e equilibrio na gestão de escala. Na tabela a seguir fica ilustrado o perfil de profissionais de enfermagem dentro da Terapia Intensiva.
Fonte: O autor (2026)
5 CONCLUSÃO
Perante o estudo realizado ficou evidente que o ambiente de Terapia Intensiva é altamente complexo, o que exige do profissional enfermeiro pensamento crítico e decisivo. Foi demonstrado também que a inexperiência é um fator considerável para avaliar o nível da equipe, o que reflete na assistência de enfermagem.
Nisto os enfermeiros poderão reconhecer os fatores que influenciam diretamente na qualidade da assistência de enfermagem. Fazendo com que os mesmo se sintam valorizados ao desempenhar as suas funções.
Com isto, faz-se necessário a criação de politicas internas, para educação continuada permanente com temas inerentes ao setor, e também o trabalho em equipe, o que faz com o que serviço seja mais ameno e menos desgastante ao profissional. Visto isso, elaboramos um plano de ação visando a melhoria da assistência prestada e qualidade de vida do trabalhador.
Conclui-se que a avaliação da equipe, e do papel de liderança e referência é a primeira etapa no planejamento de ações voltadas para a saúde dos trabalhadores de enfermagem de uma UTI. Assim os resultados refletem as peculiaridades do setor, o motivo pelo qual a UTI é considerada um dos ambientes mais tensos e traumatizantes de uma unidade hospitalar.
REFERÊNCIAS
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FERRAREZE, M. V. G.; FERREIRA, V.; CARVALHO, A. M. P. Percepção do estresse entre enfermeiros que atuam em terapia intensiva. Acta Paulista de Enfermagem, v. 19, n. 3, p. 310-315, 2006.
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PESSINI, L.; BARCHIFONTAINE, C. P. Bioética e humanização. 5. ed. São Paulo: Paulus, 2018.
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POTTER, P. A.; PERRY, A. G. Fundamentos de enfermagem. 9. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2020.
SMELTZER, S. C.; BARE, B. G. Brunner & Suddarth: tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.
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VARGAS, D.; DIAS, A. P. V. Prevalência de depressão em trabalhadores de unidade de terapia intensiva: estudo realizado em hospitais de uma cidade do noroeste do estado de São Paulo. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 19, n. 5, set./out. 2011.

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