Gestão estratégica das condições de trabalho dos profissionais da saúde: ferramentas organizacionais para promoção da qualidade de vida e valorização profissional no SUS
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Resumo

As condições de trabalho dos profissionais da saúde representam um importante desafio para a gestão dos serviços no Sistema Único de Saúde (SUS), considerando os impactos da sobrecarga laboral, das jornadas prolongadas, do trabalho em turnos, da violência ocupacional e da organização do trabalho sobre a saúde dos trabalhadores e a qualidade da assistência. Este estudo teve como propósito examinar as ferramentas organizacionais adotadas na gestão estratégica das condições de trabalho dos profissionais de saúde no contexto do SUS, destacando sua contribuição para a promoção da qualidade de vida e da valorização profissional. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, desenvolvida a partir da análise de estudos científicos publicados em periódicos indexados. As evidências demonstraram que fatores como intensificação do trabalho, múltiplos vínculos empregatícios, alterações do sono, burnout e violência ocupacional comprometem a saúde física e mental dos profissionais. Em contrapartida, ferramentas como dimensionamento adequado das equipes, planejamento das escalas, gestão participativa, educação permanente, apoio psicossocial, vigilância em saúde do trabalhador, prevenção da violência ocupacional e monitoramento de indicadores fortalecem a gestão dos serviços. Conclui-se que essas estratégias favorecem ambientes laborais mais seguros, fortalecem a saúde do trabalhador e contribuem para a qualificação da assistência no SUS.

Palavras-chave: gestão em saúde; profissionais da saúde; condições de trabalho; saúde do trabalhador; qualidade de vida.

Abstract

The working conditions of healthcare professionals represent a major challenge for service management within the Brazilian Unified Health System (SUS), considering the impacts of work overload, extended working hours, shift work, occupational violence, and work organization on workers' health and the quality of healthcare delivery. In this context, this study aimed to analyze the organizational tools used in the strategic management of healthcare professionals' working conditions within the SUS, highlighting their contribution to promoting quality of life and professional recognition. This study is a narrative literature review based on the analysis of scientific studies published in indexed journals. The evidence showed that factors such as work intensification, multiple employment relationships, sleep disturbances, burnout, and occupational violence negatively affect the physical and mental health of healthcare professionals. Conversely, organizational tools such as adequate workforce sizing, work schedule planning, participatory management, continuing education, psychosocial support, occupational health surveillance, occupational violence prevention, and performance indicator monitoring strengthen health service management. It is concluded that these strategies promote safer work environments, strengthen workers' health, and contribute to improving the quality of healthcare provided within the SUS

Keywords: health management; healthcare professionals; working conditions; occupational health; quality of life.

1 Introdução

As condições de trabalho dos profissionais da saúde têm se consolidado como um importante objeto de investigação no campo da gestão em saúde, especialmente diante das constantes transformações na organização dos serviços e das crescentes demandas assistenciais observadas no Sistema Único de Saúde. A intensificação do trabalho, a precarização das relações laborais e as mudanças na organização dos serviços de saúde têm ampliado os desafios enfrentados pelos trabalhadores, exigindo o fortalecimento de estratégias gerenciais voltadas à promoção de ambientes laborais mais seguros e saudáveis (BERNARDES; CAMPOS; BERTOLOZZI, 2025).

Os profissionais da saúde desempenham funções essenciais para o funcionamento do SUS, atuando em diferentes níveis de atenção e assumindo responsabilidades que exigem elevada competência técnica, capacidade de tomada de decisão e atuação interdisciplinar. Entretanto, a sobrecarga de trabalho, as jornadas prolongadas, o trabalho em turnos, a insuficiência de recursos humanos, a exposição contínua à violência ocupacional e aos riscos psicossociais têm sido associados ao adoecimento físico e mental, comprometendo tanto a saúde dos trabalhadores quanto a qualidade da assistência prestada à população (MARTINS; DINIZ; SILVA, 2025; REIS; SANTOS, 2023; MACIEL et al., 2025).

Além dos fatores relacionados à organização do trabalho, estudos demonstram que o trabalho em turnos, especialmente o noturno, está associado à redução da duração do sono, alterações do ritmo circadiano, fadiga, estresse ocupacional e maior suscetibilidade ao desenvolvimento de agravos físicos e psicológicos. Essas condições repercutem diretamente no desempenho profissional, na segurança do paciente e na capacidade funcional dos trabalhadores (LEÃO et al., 2026; AMARAL ET AL., 2024; THOMÉ, 2025; QUEIROZ STELLER et al., 2026).

Outro aspecto amplamente discutido na literatura refere-se à violência ocupacional nos serviços de saúde, considerada um importante problema de saúde pública e de gestão. A ocorrência de agressões físicas, psicológicas, verbais e institucionais compromete a saúde dos trabalhadores, favorece o sofrimento psíquico, aumenta o absenteísmo e a rotatividade profissional, além de repercutir negativamente na organização dos serviços de saúde (PIMENTA et al., 2023; CAMPOS; SOUZA; ALVES, 2023; Bernardi et al., 2025).

A gestão estratégica das condições de trabalho assume papel fundamental ao incorporar ferramentas organizacionais capazes de fortalecer a gestão de pessoas, o planejamento da força de trabalho, a educação permanente, a vigilância em saúde do trabalhador, a prevenção da violência ocupacional e a promoção da qualidade de vida no ambiente laboral. Essas estratégias favorecem ambientes de trabalho mais seguros, fortalecem a valorização profissional e contribuem para maior eficiência dos serviços de saúde (PASSOS; FREITAS, 2025; RANGEL et al., 2025).

A presente investigação parte da seguinte questão norteadora: quais ferramentas organizacionais têm sido descritas na literatura científica como estratégias de gestão voltadas à promoção da qualidade de vida e à valorização dos profissionais de saúde no SUS?

Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar as ferramentas organizacionais utilizadas na gestão estratégica das condições de trabalho dos profissionais da saúde no Sistema Único de Saúde, destacando sua contribuição para a promoção da qualidade de vida e da valorização profissional.

2. Referencial Teórico

2.1 Condições de trabalho e desafios organizacionais dos profissionais da saúde no SUS

As condições de trabalho dos profissionais da saúde constituem um dos principais desafios para a gestão dos serviços no Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que influenciam diretamente o desempenho das equipes, a organização dos processos assistenciais e a qualidade da atenção prestada à população. A expansão da demanda por serviços de saúde, associada à limitação de recursos humanos e materiais, tem intensificado a sobrecarga de trabalho, favorecendo a precarização das relações laborais e comprometendo a capacidade institucional de responder às necessidades da população (BERNARDES; CAMPOS; BERTOLOZZI, 2025).

A literatura evidencia que a organização do trabalho em saúde é marcada por jornadas prolongadas, múltiplos vínculos empregatícios, dimensionamento insuficiente de profissionais, intensificação das atividades laborais e necessidade permanente de adaptação às demandas assistenciais. Esses fatores favorecem o desgaste físico e emocional dos trabalhadores, aumentando a probabilidade de adoecimento ocupacional, afastamentos do trabalho e redução da satisfação profissional (PASSOS; FREITAS, 2025).

Outro aspecto relevante refere-se à organização das escalas de trabalho, especialmente nos serviços que funcionam de forma ininterrupta. A realização de jornadas em turnos, particularmente no período noturno, impõe alterações no ritmo biológico, reduz o tempo de descanso e dificulta a recuperação física e mental dos trabalhadores. Essas condições repercutem na capacidade funcional, na atenção durante a execução das atividades e no desempenho profissional, exigindo dos gestores estratégias capazes de minimizar os impactos decorrentes da organização do trabalho (LEÃO et al., 2026; THOMÉ, 2025).

Segundo a gestão estratégica assume papel essencial na implementação de ferramentas organizacionais voltadas ao planejamento da força de trabalho, ao dimensionamento adequado das equipes, à organização das escalas, à promoção da saúde do trabalhador e ao monitoramento das condições laborais. A adoção dessas estratégias contribui para fortalecer a capacidade organizacional dos serviços, favorecer condições de trabalho mais adequadas e valorizar os profissionais da saúde, refletindo positivamente na continuidade e na qualidade da assistência prestada no SUS (PASSOS; FREITAS, 2025; BERNARDES; CAMPOS; BERTOLOZZI, 2025).

A insuficiência de recursos humanos repercute diretamente sobre a saúde física e emocional dos profissionais, uma vez que amplia os níveis de estresse ocupacional e reduz as possibilidades de recuperação diante das exigências do trabalho. Além disso, equipes reduzidas podem comprometer a qualidade da assistência, aumentando riscos relacionados à segurança do paciente e à ocorrência de falhas nos processos de cuidado da população (MARTINS; DINIZ; SILVA, 2025).

Há relevante refere-se às condições estruturais e organizacionais presentes nos ambientes hospitalares. Elementos como disponibilidade de materiais, condições físicas adequadas, suporte institucional, comunicação eficiente e apoio das lideranças exercem influência direta sobre o desempenho profissional e sobre a percepção dos trabalhadores em relação ao ambiente de trabalho (MACIEL et al., 2025).

De acordo com RANGEL et al. (2025), organizações que investem em práticas de saúde organizacional tendem a desenvolver ambientes mais colaborativos, seguros e favoráveis ao equilíbrio biopsicossocial. Essas iniciativas favorecem maior engajamento das equipes, fortalecimento dos vínculos profissionais e melhores condições para a execução das atividades assistenciais.

Os processos relacionados à flexibilização das relações trabalhistas, às limitações orçamentárias e à crescente pressão por produtividade têm contribuído para o surgimento de condições laborais cada vez mais desafiadoras nos serviços de saúde (BERNARDES, CAMPOS E BERTOLOZZI, 2025).

Essas mudanças repercutem diretamente sobre o cotidiano dos profissionais de saúde, favorecendo jornadas extensas, intensificação do ritmo de trabalho e aumento das exigências físicas e emocionais. Como consequência, muitos trabalhadores passam a vivenciar situações de desgaste que afetam não apenas sua saúde, mas também sua satisfação profissional e sua permanência nos serviços de saúde, configurando um fenômeno multifatorial relacionado às condições organizacionais e à sobrecarga laboral (SALGADO et al., 2026).

Diante desse cenário, compreender as condições de trabalho dos profissionais da saúde é essencial para subsidiar estratégias de gestão capazes de promover ambientes mais seguros, fortalecer a valorização profissional e qualificar a assistência. Investir na organização do trabalho e na melhoria das condições laborais contribui para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde e para a oferta de um cuidado de maior qualidade à população.

2.2 Impactos das condições de trabalho na saúde física, mental e na qualidade de vida dos profissionais da saúde

As condições de trabalho às quais os profissionais da saúde estão expostos exercem influência direta sobre sua saúde física, mental e qualidade de vida, configurando-se como um importante desafio para a gestão dos serviços de saúde. A elevada carga de trabalho, as jornadas prolongadas, a pressão assistencial e a organização inadequada dos processos laborais favorecem o desenvolvimento de estresse ocupacional, fadiga, sofrimento psíquico e outros agravos que comprometem o desempenho profissional e a continuidade da assistência (MARTINS; DINIZ; SILVA, 2025; REIS; SANTOS, 2023).

Entre os principais agravos descritos na literatura destacam-se o burnout, a ansiedade, a depressão e a exaustão emocional, frequentemente associados à sobrecarga de trabalho e às elevadas demandas dos serviços de saúde. Esses fatores comprometem o desempenho profissional, a tomada de decisão, as relações interpessoais e favorecem o absenteísmo e a rotatividade dos trabalhadores (BACCIN et al., 2025; MACHADO; REIS, 2025).

Além disso, o trabalho em turnos, especialmente o noturno, altera o ritmo circadiano, reduz a qualidade do sono e aumenta a fadiga, comprometendo o desempenho cognitivo e favorecendo o adoecimento físico e mental (AMARAL et al., 2024; CUNHA; FERREIRA; LOPES, 2023; QUEIROZ STELLER et al., 2026).

Além dos impactos imediatos, a exposição prolongada ao trabalho em turnos e às alterações do ciclo sono-vigília tem sido associada ao desenvolvimento de doenças crônicas e outros agravos à saúde, reforçando a necessidade de acompanhamento sistemático da saúde ocupacional. Evidências científicas também apontam que a desregulação do ritmo circadiano pode favorecer alterações metabólicas, cardiovasculares e hormonais, repercutindo negativamente na qualidade de vida dos trabalhadores (Schonmeier et al., 2025).

Diante desse cenário, torna-se indispensável que a gestão dos serviços de saúde desenvolva estratégias voltadas ao monitoramento dos riscos ocupacionais, à organização adequada das jornadas de trabalho, ao fortalecimento das ações de promoção da saúde do trabalhador e à implementação de medidas que favoreçam ambientes laborais mais seguros e saudáveis. Essas iniciativas contribuem para a preservação da saúde física e mental dos profissionais, fortalecem sua qualidade de vida e favorecem maior eficiência na prestação dos serviços de saúde.

2.3 Violência ocupacional e valorização dos profissionais da saúde

A violência ocupacional constitui um dos principais desafios enfrentados pelos profissionais da saúde e representa um importante problema para a gestão dos serviços, em razão de seus impactos sobre a saúde dos trabalhadores, a organização do trabalho e a qualidade da assistência. Esse fenômeno compreende diferentes manifestações, incluindo violência física, psicológica, verbal, assédio moral e violência institucional, que podem ocorrer nas relações entre usuários, acompanhantes, colegas de trabalho e gestores (PIMENTA et al., 2023; MACIEL et al., 2025).

Estudos evidenciam que a violência ocupacional favorece o desenvolvimento de sofrimento psíquico, estresse, ansiedade, burnout e redução da satisfação no trabalho, além de aumentar o absenteísmo, a rotatividade e os afastamentos por adoecimento, comprometendo também a integração das equipes e a qualidade da assistência (CAMPOS; SOUZA; ALVES, 2023; Dal Pai et al., 2018; Bernardi et al., 2025).

O assédio moral e a violência institucional também comprometem a saúde dos trabalhadores, uma vez que práticas abusivas, desrespeito, discriminação e fragilidades na organização do trabalho prejudicam o clima organizacional, reduzem a motivação das equipes e dificultam a permanência dos profissionais nos serviços de saúde (ANDRADE; Assis, 2018; Vieira, 2023; CÁRCAMO; PARAVIC, 2025).

Outro aspecto relevante refere-se à necessidade de fortalecer a vigilância em saúde do trabalhador por meio da identificação, notificação e monitoramento das situações de violência ocupacional. A subnotificação desses eventos limita o conhecimento da magnitude do problema e dificulta o planejamento de ações preventivas, comprometendo a elaboração de políticas institucionais direcionadas à proteção dos trabalhadores (Almeida; Bezerra Filho; Marques, 2016; PINTOR; GARBIN, 2019).

Diante desse cenário, a gestão estratégica desempenha papel essencial na implementação de ferramentas organizacionais voltadas à prevenção da violência ocupacional, ao fortalecimento da cultura de segurança, ao acolhimento dos trabalhadores vítimas de agressões, à qualificação das lideranças e ao desenvolvimento de protocolos institucionais para prevenção, notificação e acompanhamento desses eventos. Além de contribuir para ambientes laborais mais seguros, essas estratégias favorecem a valorização dos profissionais da saúde, fortalecem a saúde ocupacional e qualificam a organização dos serviços no Sistema Único de Saúde.

2.4 Ferramentas organizacionais para a gestão estratégica das condições de trabalho

A gestão estratégica das condições de trabalho dos profissionais da saúde requer a implementação de ferramentas organizacionais capazes de integrar o planejamento dos serviços, a gestão de pessoas e as ações de saúde do trabalhador. Essas estratégias favorecem a organização dos processos laborais, contribuem para a redução dos riscos ocupacionais e fortalecem a capacidade institucional dos serviços de saúde em responder às demandas assistenciais com maior eficiência e segurança (BERNARDES; CAMPOS; BERTOLOZZI, 2025; PASSOS; FREITAS, 2025).

Entre as principais ferramentas gerenciais destaca-se o dimensionamento adequado das equipes, associado ao planejamento das escalas de trabalho e à organização das jornadas laborais. A distribuição equilibrada da força de trabalho contribui para reduzir a sobrecarga, prevenir o desgaste ocupacional e favorecer melhores condições para o desenvolvimento das atividades assistenciais, especialmente em serviços que funcionam de forma ininterrupta (LEÃO et al., 2026; THOMÉ, 2025).

A gestão participativa também representa um importante instrumento para o fortalecimento das relações de trabalho, ao estimular a participação dos profissionais nos processos decisórios e na construção de estratégias voltadas ao aperfeiçoamento do ambiente laboral. A valorização do diálogo entre gestores e trabalhadores favorece a identificação precoce de problemas organizacionais, amplia o comprometimento das equipes e fortalece a cultura institucional voltada à saúde e à segurança no trabalho (RANGEL et al., 2025; BERNARDES; CAMPOS; BERTOLOZZI, 2025).

Outro componente essencial refere-se à implementação de programas de saúde do trabalhador fundamentados em ações de vigilância, promoção da saúde, prevenção de agravos e monitoramento contínuo dos riscos ocupacionais. A utilização de indicadores relacionados ao absenteísmo, afastamentos por adoecimento, acidentes de trabalho, violência ocupacional e rotatividade profissional fornece subsídios para o planejamento de intervenções mais efetivas e para o acompanhamento dos resultados das ações desenvolvidas (PINTOR; GARBIN, 2019; MACIEL et al., 2025; PIMENTA et al., 2023).

A educação permanente, a capacitação contínua e o apoio psicossocial constituem estratégias complementares para o fortalecimento das competências profissionais e para a promoção de ambientes laborais mais seguros. Essas iniciativas favorecem o desenvolvimento técnico das equipes, estimulam práticas assistenciais baseadas em evidências e oferecem suporte aos trabalhadores diante das exigências físicas e emocionais inerentes aos serviços de saúde (PASSOS; FREITAS, 2025; BACCIN et al., 2025).

No âmbito da prevenção da violência ocupacional, recomenda-se a adoção de protocolos institucionais para identificação, notificação e acompanhamento dos casos, bem como o desenvolvimento de ações educativas, fortalecimento das lideranças e mecanismos de acolhimento aos trabalhadores expostos a situações de violência. Essas medidas contribuem para ampliar a segurança no ambiente laboral, fortalecer a proteção dos profissionais e subsidiar a implementação de políticas institucionais direcionadas à saúde do trabalhador (Campos; Souza; Alves, 2023;CÁRCAMO; PARAVIC, 2025).

Dessa forma, a integração dessas ferramentas organizacionais possibilita uma gestão mais eficiente das condições de trabalho, favorecendo ambientes laborais mais seguros, fortalecendo a valorização dos profissionais da saúde e contribuindo para a qualificação dos serviços prestados no Sistema Único de Saúde.

3 Metodologia

O presente estudo caracteriza-se como uma revisão narrativa da literatura, desenvolvida com o objetivo de reunir e analisar evidências científicas acerca da gestão estratégica das condições de trabalho dos profissionais da saúde, com ênfase nas ferramentas organizacionais voltadas à promoção da qualidade de vida e da valorização profissional no Sistema Único de Saúde.

O levantamento bibliográfico foi realizado no recorte temporal de 2018 a 2026, por meio de consultas às bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e PubMed/MEDLINE, reconhecidas pela relevância e abrangência na área da saúde. Também foram incluídos artigos publicados em periódicos científicos nacionais e internacionais relacionados à gestão em saúde, saúde do trabalhador, saúde ocupacional e organização dos serviços de saúde.

Foram utilizados descritores provenientes dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e do Medical Subject Headings (MeSH), incluindo: gestão em saúde, condições de trabalho, profissionais da saúde, saúde do trabalhador, trabalho em turnos, trabalho noturno, violência ocupacional, qualidade de vida e Sistema Único de Saúde (SUS).

Para a realização das buscas, foram utilizados descritores provenientes dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e do Medical Subject Headings (MeSH), incluindo: gestão em saúde, condições de trabalho, profissionais da saúde, saúde do trabalhador, trabalho em turnos, trabalho noturno, violência ocupacional, qualidade de vida e Sistema Único de Saúde (SUS).

Foram incluídos estudos disponíveis na íntegra nos idiomas português e inglês, que apresentassem relação direta com os objetivos da pesquisa. Foram excluídos artigos duplicados, estudos indisponíveis na íntegra e produções que não abordassem as condições de trabalho, a saúde ocupacional ou a organização dos serviços de saúde no contexto dos profissionais da saúde.

Após a seleção dos estudos, procedeu-se à leitura exploratória, analítica e interpretativa das publicações, buscando identificar os principais aspectos relacionados às condições de trabalho, aos impactos na saúde física e mental dos profissionais, à violência ocupacional e às ferramentas organizacionais descritas para o enfrentamento desses desafios.

4. Resultados e Discussão

As evidências analisadas demonstram que as condições de trabalho dos profissionais da saúde constituem um importante desafio para a gestão dos serviços no Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que fatores como sobrecarga laboral, jornadas prolongadas, trabalho em turnos, violência ocupacional e inadequações na organização do trabalho repercutem diretamente na saúde dos trabalhadores e na qualidade da assistência.

Em resposta ao objetivo proposto, constatou-se que ferramentas organizacionais, como o dimensionamento adequado das equipes, o planejamento das escalas, a gestão participativa, a educação permanente, a vigilância em saúde do trabalhador, o apoio psicossocial, a prevenção da violência ocupacional e o monitoramento de indicadores, contribuem para fortalecer a gestão das condições de trabalho e a valorização dos profissionais.

Quanto à questão norteadora, verificou-se que a adoção integrada dessas estratégias favorece ambientes laborais mais seguros, preserva a saúde dos trabalhadores e qualifica os processos assistenciais, fortalecendo a gestão dos serviços de saúde no SUS.

Por fim, espera-se que este estudo contribua para ampliar as discussões sobre a gestão das condições de trabalho dos profissionais da saúde, subsidiando gestores e pesquisadores na implementação de estratégias organizacionais fundamentadas em evidências científicas para o fortalecimento dos serviços de saúde.

Referências

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THOMÉ, R. da S. O impacto das condições de trabalho em turnos noturnos na saúde dos trabalhadores: intervenções preventivas. Aurum Editora, p. 23-35, 2025.

  1. ORCID: https://orcid.org/0009-0009-8252-7095 - laudenizia.medeiros@ufes.br

  2. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-0011-5599 - anelisa.silva@ufes.br

  3. ORCID: https://orcid.org/0009-0002-9066-2659 - ana.fabres@ufes.br

  4. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-7046-3308 - ana.bandeira@ufes.br

  5. ORCID: https://orcid.org/0009-0005-7588-2970 - claudinhaleoni@gmail.com

  6. ORCID: https://orcid.org/0009-0006-9002-7806 - karila.carminati@ufes.br

  7. ORCID: https://orcid.org/0009-0000-6807-0281 - maria.meneghini@ufes.br

  8. ORCID: https://orcid.org/0009-0006-2129-0387 - rosangelajrds@gmail.com

  9. ORCID: https://orcid.org/0009-0004-5094-3565 - sandra.marchi@ufes.br

  10. ORCID: https://orcid.org /0009-0002-8848-6916 - selma.neo@hotmail.com

  11. ORCID: https://orcid.org/0009-0003-5044-1752 - soneide.nascimento@ufes.br

  12. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-2921-616X - Vanete.rocha@ufes.br

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