Intervenções de enfermagem em dependência química hospitalar: uso de morfina e quetamina – uma revisão bibliográfica
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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ABSTRACT

This study sought to answer the following guiding question: What is the role of nursing in caring for patients with chemical dependence resulting from the use of legal substances, such as morphine and ketamine, in the hospital setting? The objective was to analyze nurses’ roles and strategies in the care of these patients, with emphasis on intervention, reception, and health promotion. This is a literature review conducted in databases such as Google Scholar and SciELO, using descriptors related to chemical dependence, nursing, and legal drugs, with inclusion criteria focused on publications in Portuguese between 2010 and 2025. The results showed that dependence on morphine and ketamine represents a relevant clinical risk, characterized by tolerance, dependence, and withdrawal syndrome, requiring constant nursing vigilance, early detection, and the implementation of educational actions. It was also found that the Psychosocial Care Centers for Alcohol and Drugs (CAPS AD) play a fundamental role in interdisciplinary care and social reintegration. The discussion indicates that although these substances are indispensable in pain management and anesthetic procedures, their improper use can trigger dependency, making it essential for nurses not only to ensure safe administration but also to provide clinical monitoring, patient and family guidance, and the promotion of humanized care. Furthermore, the study highlights the need for continuing education, institutional support, and stigma reduction to strengthen nursing practice and ensure comprehensive and ethical care.

Keywords: Chemical dependence. Nursing. Morphine. Ketamine.

INTRODUÇÃO

O transtorno por uso de substâncias é determinado como uma condição crônica e recorrente que se desenvolve com o uso excessivo e prolongado de substâncias psicoativas que possuem uma probabilidade grande de abuso. Esse transtorno, pode gerar dependência física, como também gera dependência psicológica. A dependência física está relacionada ao uso contínuo desse medicamento, fazendo que o organismo se adapte a essa substância, levando a uma necessidade de consumo para manter o organismo em equilíbrio. Em relação a dependência psicológica, ela está relacionada ao uso compulsivo de uma substância para gerar um bem-estar para o indivíduo. Essa fase é marcada por alterações cognitivas e comportamentais, que faz com que o indivíduo fique mais propenso ao consumo contínuo da droga (Badshah et al., 2023).

Doravante, a Morfina e a Quetamina são analgésicos de boa eficácia, porém com o uso excessivo pode levar a tolerância, exigindo cada vez uma dose maior que a anterior para se atingir o objetivo esperado. Além de analgésico , a Quetamina também atua , em baixas doses , como antidepressivo ou ansiolítico.Desta forma, o uso correto das medicações tal como, dose e posologia, deve ser garantido para que não venha a ocorrer efeitos adversos e situações de dependência (Quintanilla et al. ,2023).

Esse trabalho é uma revisão bibliográfica que tem como objetivo analisar as intervenções em enfermagem pacientes com dependência química hospitalar, especialmente voltados a pacientes em uso de Morfina e Quetamina, realçando as estratégias de intervenção, acolhimento e promoção da saúde (Listos, Joanna et al, 2019).

METODOLOGIA

A pesquisa foi realizada em bases de dados acadêmicos como Google acadêmico, Scielo, BVS utilizando os descritores “Dependência” “Morfina” “Enfermagem” em português e seu equivalente em inglês “Dependence” “Morphine” “Nursing”. Foram aplicados critérios de inclusão: artigos publicados em português no período de 2010 a 2025 abordando a proposta inicial. Foram aplicados critérios de exclusão: Artigos duplicados entre as bases de dados, textos incompletos ou sem acesso integral, publicações que não abordassem diretamente o tema proposto.

O processo de seleção ocorreu em três etapas: 1. Busca inicial: foram identificados 5 registros na BVS, 6 na Scielo, 7 no Google Acadêmico, com o descritor “Dependência” “Morfina” “Enfermagem”. Para refinar a busca, foram aplicados filtros por ano de publicação (2010 – 2025), idioma (português e inglês) e tipo de estudo (artigos científicos). 2.Triagem dos títulos e resumos: durante a triagem de títulos foram selecionados 10 artigos, a seguir foi realizado a leitura dos resumos dos quais restaram 8 artigos. Avaliou-se a relevância dos estudos em relação à pergunta norteadora: qual é o papel da enfermagem na assistência a pacientes em dependência química decorrente do uso de substâncias lícitas, como morfina e quetamina, em ambiente hospitalar? 3. Leitura crítica dos textos completos: dos estudos selecionados na etapa anterior, foram incluídos os 8 artigos que apresentavam dados diretamente pertinentes ao objetivo deste trabalho. A análise dos artigos foi realizada de forma qualitativa, permitindo identificar convergências, divergências e lacunas na literatura sobre a atuação da enfermagem, estratégias terapêuticas e impactos na qualidade de vida dos pacientes. Este método garantiu a construção de um panorama atualizado e confiável sobre o manejo da dependência química a drogas lícitas.

RESULTADOS

Quadro sinóptico.

A análise dos estudos selecionados evidenciou que o uso prolongado de opioides, especialmente a morfina, está intimamente relacionado a mecanismos complexos de tolerância e dependência que envolvem adaptações neurobiológicas e desafios clínicos significativos. Estudos moleculares demonstraram que a ativação crônica dos receptores opioides leva a alterações nas vias de sinalização dopaminérgicas e glutamatérgicas, além de ativação glial e aumento do estresse oxidativo, contribuindo para o desenvolvimento da tolerância e da síndrome de abstinência. Além disso, observaram modificações estruturais em áreas cerebrais associadas ao sistema de recompensa, reforçando que a dependência está associada a mudanças anatômicas e funcionais.

Nos estudos clínicos, verificaram grandes oscilações entre as concentrações plasmáticas de morfina e os efeitos analgésicos ou adversos, evidenciando que a resposta terapêutica não depende exclusivamente da dose administrada, mas também de fatores metabólicos e genéticos. Essas oscilações reforçam a necessidade de monitorização contínua e avaliação individualizada dos pacientes.

Em relação à prática de enfermagem, foi possível identificar dificuldades significativas na administração de opioides pela equipe de enfermagem, como: insegurança quanto às doses, medo de causar dependência ou depressão respiratória e ausência de protocolos institucionais claros. Esses fatores contribuem para o tratamento ineficiente da dor e revelam a importância da capacitação contínua dos profissionais. Confirmando essa necessidade, destacaram sobre cuidados de enfermagem em infusões de cetamina, a relevância de protocolos específicos de monitorização e manejo de eventos adversos, evidenciando a ampliação das estratégias analgésicas no contexto da dor.

Além disso, TALBERT (2014) alertou para o aumento do uso recreativo e indevido de substâncias psicoativas, incluindo derivados opioides e cetamina, o que amplia o papel do enfermeiro na identificação precoce de sinais de intoxicação e dependência em diferentes contextos assistenciais.

De forma geral, os achados convergem para três eixos principais: complexidade biológica da tolerância e dependência à morfina, com vários mecanismos celulares e inflamatórios envolvidos; variabilidade clínica significativa na resposta aos opioides, exigindo monitorização individualizada; e

necessidade de aprimoramento da prática de enfermagem, com protocolos claros e educação permanente voltados à segurança na administração de analgésicos potentes. Esses resultados apontam para a importância de estratégias multiprofissionais e da analgesia como alternativas para reduzir a exposição prolongada a opioides e prevenir complicações associadas ao uso.

DISCUSSÃO

É indispensável para a assistência de enfermagem ao paciente dependente químico de drogas hospitalares (morfina e ketamina) o conhecimento aprofundado sobre a farmacologia e farmacodinâmica dessas substâncias. O manejo dos efeitos físicos e psicológicos decorrentes da dependência sobre tais drogas e requer uma abordagem especializada principalmente pela equipe de enfermagem, que deve estar atenta ao fenômeno da “opiofobia”- medo infundado de causar dependência, presente em 76% dos profissionais de saúde. A respeito da Morfina, é importante esclarecer que a dependência psicológica é extremamente rara, sendo elas menos de um caso para cada 10.000, enquanto da dependência física, mesmo sendo mais comum, é reversível fazendo a redução da dose de maneira gradativa conforme a necessidade clínica. Quanto ao receio de depressão respiratória associado ao uso de opióides,a própria dor faz um efeito antagonista, minimizando o fenômeno, o que reforça a importância do uso correto da morfina para o controle da dor moderada a intensa. (NASCIMENTO et al., 2011).

A enfermagem deve estar atenta ao monitoramento da neurotoxicidade do paciente dependente químico de morfina, dando ênfase aos sinais e sintomas: sonolência, confusão e alucinações, que estão relacionados ao acúmulo de metabólitos como M3G e M6G. A proporção elevada desses metabólitos em relação a morfina no plasma indica potencial risco neurotóxico e deve ser ajustada a dose dosagem para evitar complicações. (GRETTON et al., 2013)

A ketamina é um anestésico dissociativo que causa percepção alterada da realidade, desconexão psicológica e prejuízo na atenção e na memória, exigindo constante vigilância da equipe e manejo dos sintomas, garantindo a segurança do paciente. Por isso, é necessário a documentação rigorosa e monitoramento contínuo, preparo e administração cuidadosa do medicamento, principalmente em infusões prolongadas, para minimizar riscos de iatrogenias como alucinações, sedação excessiva e elevação da pressão arterial. A respeito dos pacientes dependentes, a enfermagem deve se atentar para alterações hemodinâmicas e potencial de toxicidade, e aos efeitos psicotomiméticos associados ao uso dessa droga. (LEAL et al., 2025).

Além disso, a equipe deve estar capacitada para identificar sinais de dependência e abuso da ketamina em contextos de uso recreativo, onde a droga pode ser consumida por múltiplas vias e causar prejuízos cognitivos e sintomas como delírio, amnésia e disfunção motora que são sinais graves de overdose. A educação em saúde do paciente e dos familiares sobre a importância da adesão segura do tratamento e dos riscos é responsabilidade da equipe de saúde, sendo crucial no cuidado dessa população. (TALBET, 2014).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O papel do enfermeiro é fundamental nos casos de assistência a dependência química de drogas ilícitas usadas em hospitais, a morfina e quetamina são os principais medicamentos usados em pacientes em situações críticas, podendo trazer muitos benefícios se usados corretamente mas também apresentam uma grande chance de dependência química. o papel do enfermeiro é a vigilância contínua e orientar familiares e o próprio paciente dos riscos de uma dependência e além do enfermeiro tem uma função fundamental na assistência psicológica desse paciente.

REFERÊNCIAS

LISTOS, Joanna et al. The mechanisms involved in morphine addiction:

na overview. International Journal of Molecular Sciences, [S.l.], v. 20, n. 17, p. 4302, 3 set. 2019. DOI: 10.3390/ijms20174302. Disponível em: https://www.mdpi.com/1422-0067/20/17/4302. Acesso em: 2 set. 2025.

NASCIMENTO, L. C. C.; FONTES, L. M.; FERREIRA, M. C. L. Manejo da dor e dificuldades relatadas pela equipe de enfermagem na administração de

analgésicos opioides. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 13, n. 4, p. 717-723,

2011. Disponível em:

https://www.revenf.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S151819442011000400016. Acesso em: 10 out. 2025.

GRETTON, M. et al. Association between plasma morphine concentrations and clinical effects in adult cancer patients. PLoS ONE, v. 8, n. 4,

e56440, 2013. Disponível em:https://pmc-ncbi-nlm-nih-

gov.translate.goog/articles/PMC3172328/?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt &_x_tr_pto=tc. Acesso em: 10 out. 2025.

TALBET, J. Club drugs—Coming to a patient near you. The Nurse Practitioner, v. 39, n. 3, p. 44-52, 2014. Disponível

em:https://journals.lww.com/tnpj/fulltext/2014/03000/club_drugs__coming_to_a _patient_near_you.5.aspx. Acesso em: 10 out. 2025.

LEAL, P. et al. Nursing care in ketamine infusions for pain: A scoping review. Journal of the Brazilian Society of Intensive Care Nursing, v. 12, n.9,2025.Disponível em:https://journals.lww.com/jbisrir/fulltext/2025/09000/nursing_care_in_ketamin e_infusions_for_pain.7.aspx. Acesso em: 10 out. 2025.

Badshah I, Anwar M, Murtaza B, Khan MI. Molecular mechanisms of morphine tolerance And dependence; novel insights and future perspectives. Mol Cell Biochem 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37470850/. Acesso em 06 de Novembro de 2025.

Quintanilla ME, Morales P, Santapau D, Ávila A, Ponce C, BerriosCárcamo P, Olivares B, Gallardo J, Ezquer M, Herrera-Marschitz M, Israel Y, Ezquer F. Chronic Voluntary Morphine Intake Is Associated with Changes in Brain Structures Involved in Drug Dependence in a Rat Model of Polydrug Use. Int J Mol Sci 2023. Disponivel em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38069404/. Acesso em 06 de Novembro de 2025.

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