Resumo
A educação financeira constitui uma ferramenta essencial para a formação integral dos jovens, especialmente daqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade social e ingressam no primeiro emprego. Este estudo tem como objetivo refletir sobre estratégias pedagógicas voltadas à educação financeira no contexto da escola pública, destacando sua contribuição para a promoção da equidade social. A pesquisa propõe uma intervenção pedagógica na Escola Estadual Professora Jane Marcelino Leite da Silva, direcionada aos estudantes do 3º ano do Ensino Médio, por meio de metodologias ativas que abordam temas como orçamento pessoal, poupança, investimentos e gestão de dívidas. A proposta contempla a formação de professores, a utilização de recursos didáticos diversificados e a aplicação de instrumentos de avaliação antes e após as intervenções. Espera-se que a iniciativa contribua para o desenvolvimento de competências financeiras, a adoção de práticas de consumo consciente e o fortalecimento da autonomia dos jovens diante dos desafios econômicos da vida adulta. Conclui-se que a educação financeira, quando integrada ao ambiente escolar, representa um importante instrumento de inclusão social e de redução das desigualdades, favorecendo a construção de uma sociedade mais justa e economicamente consciente.
Palavras-chave: Educação financeira; Equidade social; Escola pública; Vulnerabilidade social; Metodologias ativas; Planejamento financeiro.
Abstract
Financial education is an essential tool for the comprehensive development of young people, especially those in situations of social vulnerability who are entering the workforce for the first time. This study aims to reflect on pedagogical strategies for financial education in the context of public schools, highlighting their contribution to promoting social equity. The research proposes a pedagogical intervention at Escola Estadual Professora Jane Marcelino Leite da Silva, targeting third-year high school students through active learning methodologies that address topics such as personal budgeting, saving, investing, and debt management. The proposal includes teacher training, the use of diverse instructional resources, and the application of assessment instruments before and after the interventions. It is expected that this initiative will contribute to the development of financial competencies, the adoption of responsible consumption practices, and the strengthening of young people's autonomy in facing the economic challenges of adult life. The study concludes that financial education, when integrated into the school environment, represents an important instrument for social inclusion and the reduction of inequalities, contributing to the construction of a fairer and more financially aware society.
Keywords: Financial education; Social equity; Public schools; Social vulnerability; Active learning methodologies; Financial planning.
- INTRODUÇÃO
No contexto educacional em que estou inserido a gestão de recursos financeiros voltada para jovens que estão começando suas jornadas profissionais, especificamente no primeiro emprego, os desafios se manifestam de diferentes maneiras, refletindo, em grande parte, a carência de conhecimento sobre finanças pessoais e a dificuldade que esses jovens enfrentam para administrar de forma adequada os salários que recebem.
Essa falta de preparo pode levar a um ciclo vicioso de endividamento e instabilidade financeira, visto que parte desses jovens, ao receberem seu primeiro pagamento, frequentemente se sentem despreparados para tomar decisões financeiras conscientes, o que, por sua vez, compromete não apenas sua segurança financeira imediata, mas também seu desenvolvimento pessoal e profissional ao longo do tempo.
Esse desafio merece uma atenção especial, pois sua relevância no ambiente educacional é inegável, especialmente nas escolas públicas, onde a promoção da equidade social deve ser um dos pilares fundamentais que orientam as ações pedagógicas. A educação financeira se revela como uma competência essencial, capaz de empoderar os jovens, permitindo que tomem decisões mais informadas e responsáveis em relação ao uso de seus recursos econômicos.
Desconsiderar essa questão pode perpetuar desigualdades sociais, uma vez que aqueles que não têm acesso a informações e orientações adequadas tendem a enfrentar dificuldades muito mais pronunciadas em comparação com seus colegas que, por sua vez, possuem esse conhecimento, visto que é notório o endividamento entre os jovens que não passaram por essa formação enfrentando problemas financeiros nos primeiros anos de sua vida profissional.
Ao conectar essa problemática às políticas públicas e diretrizes pedagógicas vigentes, é pertinente ressaltar que o Ministério da Educação tem promovido diversas iniciativas voltadas para a inclusão da educação financeira nas escolas, reconhecendo sua importância na formação integral dos estudantes. Diretrizes curriculares nacionais também enfatizam a necessidade de desenvolver habilidades que preparem os alunos para a vida em sociedade, incluindo, é claro, a gestão financeira.
Assim, a implementação de estratégias pedagógicas que tratem da educação financeira não apenas contribui para a formação de cidadãos mais conscientes e preparados, mas também para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa, na qual todos tenham a oportunidade de prosperar e garantir um futuro econômico mais estável e promissor. Portanto, é essencial que as escolas se tornem espaços de aprendizado não apenas acadêmico, mas também financeiro, capacitando os jovens a enfrentarem os desafios do mundo real com confiança e competência.
- OBJETIVOS
Objetivo geral
Promover a educação financeira entre jovens em situação de vulnerabilidade social que estão ingressando no primeiro emprego, contribuindo assim para a construção de uma base sólida para sua segurança financeira e desenvolvimento pessoal.
Objetivos Específicos
Desenvolver estratégias adaptadas às necessidades dos jovens, que inclua temas fundamentais como orçamento pessoal, poupança, investimentos e gestão de dívidas, visando proporcionar conhecimento prático e aplicável ao dia a dia.
Capacitar os jovens com ferramentas e conhecimentos necessários para que possam ter educação financeira de forma eficaz, utilizando metodologias ativas e envolventes.
Analisar ferramentas de avaliação para medir o impacto do projeto na vida financeira dos jovens, incluindo mudanças no comportamento em relação ao consumo, poupança e o uso responsável do crédito, garantindo que as intervenções sejam ajustadas conforme necessário.
- REFERENCIAL TEÓRICO
A educação financeira é um tema de crescente importância na sociedade contemporânea, especialmente em um contexto em que a equidade social se torna cada vez mais relevante. A compreensão das finanças pessoais não se limita apenas ao gerenciamento do dinheiro, mas abrange uma série de habilidades e conhecimentos que podem impactar diretamente a qualidade de vida dos indivíduos e, consequentemente, das comunidades. Quando se fala em educação financeira, é fundamental reconhecer que o acesso a esse conhecimento pode variar significativamente entre diferentes grupos sociais, refletindo desigualdades estruturais que existem na sociedade (Souza; Nicoli; Castro, 2023).
Segundo Soares e Dolzane (2024) promovê-la é essencial para capacitar indivíduos a tomarem decisões informadas sobre suas finanças. Isso inclui aprender a elaborar orçamentos, compreender os conceitos de poupança e investimento, e lidar com dívidas de maneira eficaz. Segundo Sousa (2023) , quando as pessoas têm acesso a esse tipo de informação, elas estão mais preparadas para enfrentar os desafios financeiros do dia a dia, como a administração de contas mensais, a preparação para emergências e a construção de um futuro financeiro mais seguro.
Nesse sentido, a educação financeira pode atuar como uma ferramenta poderosa para a promoção da equidade social, pois ajuda a nivelar o campo de jogo para aqueles que, historicamente, têm sido excluídos do acesso a informações e recursos financeiros (Azevedo et al. 2025).
A desigualdade socioeconômica muitas vezes se manifesta em disparidades no acesso à educação de qualidade, o que inclui a educação financeira. Em comunidades menos favorecidas, a falta de recursos financeiros pode limitar as oportunidades de aprendizado e desenvolvimento pessoal. Portanto, segundo Souza (2023) integrar a educação financeira nos currículos escolares, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade, pode oferecer aos alunos as ferramentas necessárias para melhorar sua situação econômica.
Essa abordagem não apenas beneficia os indivíduos, mas também tem um impacto positivo nas comunidades como um todo, uma vez que cidadãos mais informados e financeiramente responsáveis tendem a contribuir para o desenvolvimento socioeconômico de suas localidades (Souza; Nicoli; Castro, 2023).
A inclusão de temas financeiros no ambiente escolar deve ser feita de forma a tornar o aprendizado relevante e acessível. Utilizar exemplos práticos e situações do cotidiano pode facilitar a compreensão dos alunos e ajudá-los a relacionar o conteúdo com suas próprias vidas. Além disso, a educação financeira não deve ser vista apenas como uma responsabilidade individual, mas sim como um esforço coletivo que envolve famílias, escolas e comunidades. A colaboração entre esses grupos pode fortalecer a mensagem e criar um ambiente de aprendizado mais eficaz (Azevedo et al. 2025).
Adicionalmente, é importante que a educação financeira não ignore as questões de gênero e raça, que muitas vezes influenciam a forma como diferentes grupos interagem com o sistema financeiro. Mulheres e minorias raciais frequentemente enfrentam barreiras adicionais que dificultam o acesso a informações financeiras e oportunidades de desenvolvimento. Portanto, programas de educação financeira devem ser sensíveis a essas dinâmicas, buscando atender às necessidades específicas de cada grupo e promovendo uma abordagem inclusiva (Sousa, 2023).
Governos e organizações podem desempenhar um papel vital ao implementar iniciativas que garantam o acesso a recursos financeiros, treinamentos e workshops para a população. Essas políticas devem ser direcionadas especialmente a grupos marginalizados, visando reduzir as disparidades existentes e promover um ambiente onde todos tenham a oportunidade de aprender e prosperar (Azevedo et al. 2025).
Ao proporcionar a todos os indivíduos as habilidades e conhecimentos necessários para gerir suas finanças de maneira eficaz, é possível promover não apenas a inclusão social, mas também a justiça econômica. Quando as pessoas se tornam mais conscientes de suas finanças e têm acesso a recursos que as ajudem a prosperar, a sociedade como um todo se beneficia (Sousa, 2023).
Souza, Nicoli e Castro, (2023) mencionam que desenvolver estratégias de educação financeira adaptadas às necessidades dos jovens é essencial para prepará-los para a vida adulta e para a gestão de suas finanças pessoais. Em um mundo onde as decisões financeiras desempenham um papel significativo no bem-estar individual e coletivo, é fundamental que os jovens compreendam conceitos como orçamento pessoal, poupança, investimentos e gestão de dívidas.
O orçamento pessoal é um dos pilares da educação financeira. Ensinar os jovens a elaborarem um orçamento permite que eles compreendam a importância de planejar seus gastos e a necessidade de equilibrar receitas e despesas. Ao aprender a categorizar suas despesas, como alimentação, transporte e lazer, os jovens tornam-se capazes de identificar áreas onde podem economizar e, assim, desenvolver hábitos financeiros saudáveis. A prática de revisar e ajustar o orçamento mensalmente pode se transformar em um exercício de autoconhecimento, ajudando-os a entender melhor suas prioridades e desejos (Sousa, 2023).
Um aspecto fundamental é a poupança, uma vez que incentivar os jovens a reservarem uma parte de sua renda ou mesada para emergências ou metas específicas é uma prática que pode ter um impacto positivo em suas vidas. Ao estabelecer objetivos de poupança, como comprar um novo celular ou viajar, os jovens aprendem a importância de ter uma reserva financeira para imprevistos. Essa habilidade não só os prepara para lidar com situações inesperadas, mas também os ensina a disciplina e a paciência necessárias para alcançar objetivos a longo prazo (Nascimento Junior, 2025).
Investimentos também devem ser parte do aprendizado financeiro dos jovens. Compreender como o dinheiro pode crescer ao longo do tempo por meio de investimentos é uma lição valiosa que pode moldar suas atitudes em relação ao dinheiro. Introduzir conceitos básicos sobre diferentes tipos de investimentos, como ações, títulos e fundos, pode despertar o interesse deles em fazer o dinheiro trabalhar a seu favor. É importante apresentar esses conceitos de forma acessível e prática, utilizando exemplos do cotidiano que eles possam relacionar. Isso ajuda a desmistificar o mundo dos investimentos, tornando-o mais compreensível e menos intimidador (Souza; Nicoli; Castro, 2023).
A gestão de dívidas é outro tema que merece atenção. Muitos jovens enfrentam a tentação de gastar mais do que podem, especialmente com o fácil acesso ao crédito. Ensinar sobre o uso responsável do crédito, as consequências de endividar-se e as estratégias para pagar dívidas é essencial para que eles possam evitar armadilhas financeiras. O conhecimento sobre juros, prazos e formas de negociação pode ser decisivo para que os jovens aprendam a evitar dívidas desnecessárias e a manter uma saúde financeira equilibrada (Nascimento Junior, 2025).
Para que essas estratégias sejam realmente eficazes, é necessário que sejam apresentadas de maneira prática e interativa. A utilização de jogos, simulações e atividades lúdicas pode tornar o aprendizado mais envolvente e dinâmico. Por meio de situações simuladas, os jovens têm a oportunidade de aplicar o que aprenderam em um ambiente seguro, onde podem experimentar diferentes cenários financeiros e observar as consequências de suas escolhas sem riscos reais (Azevedo et al. 2025).
Trocas de ideias sobre desafios financeiros e soluções criativas podem enriquecer ainda mais o aprendizado. Essa interação não apenas fortalece o conhecimento, mas também cria um senso de comunidade, onde todos se sentem apoiados em sua jornada de aprendizado financeiro. A educação financeira adaptada às necessidades dos jovens deve ser uma prioridade nas escolas e nas famílias. Ao oferecer aos jovens o conhecimento prático e aplicável ao seu dia a dia, é possível prepará-los para enfrentar os desafios financeiros da vida adulta com confiança e responsabilidade (Azevedo et al. 2025).
Avaliar o impacto de um projeto de educação financeira na vida dos jovens requer a utilização de ferramentas eficazes que possam mensurar não apenas os conhecimentos adquiridos, mas também as mudanças comportamentais em relação ao consumo e à gestão financeira. Para isso, é fundamental implementar um conjunto diversificado de métodos de avaliação que ofereçam uma visão abrangente dos resultados alcançados (Nascimento Junior, 2025).
Uma das ferramentas mais comuns é a aplicação de questionários antes e depois das intervenções. Esses questionários podem incluir perguntas sobre hábitos de consumo, compreensão de conceitos financeiros e autoestima em relação à gestão de finanças pessoais. Ao comparar as respostas iniciais é possível identificar mudanças significativas no conhecimento e nas atitudes dos jovens em relação ao dinheiro. Lembrando que, as perguntas podem ser estruturadas para capturar a frequência de comportamentos financeiros, como a realização de orçamentos, a poupança regular e o uso responsável do crédito (Souza; Nicoli; Castro, 2023).
Entrevistas e grupos focais também são métodos valiosos para a avaliação qualitativa do impacto do projeto. Por meio de conversas abertas, os jovens podem compartilhar suas experiências, desafios e percepções sobre as mudanças que ocorreram em suas vidas financeiras. Essas interações proporcionam insights profundos sobre como as habilidades adquiridas foram aplicadas na prática e como elas influenciaram o comportamento em relação ao consumo. As discussões em grupo podem revelar também as dinâmicas sociais que afetam as decisões financeiras dos jovens, permitindo um entendimento mais completo do contexto em que estão inseridos (Nascimento Junior, 2025).
A observação direta é outra ferramenta que pode ser utilizada para avaliar o impacto do projeto. Educadores e facilitadores podem acompanhar os jovens em situações de compra ou em atividades financeiras para observar como eles aplicam os conhecimentos adquiridos. Essa abordagem prática permite uma análise mais detalhada das práticas de consumo e da tomada de decisões financeiras em tempo real, fornecendo dados valiosos sobre o comportamento dos jovens (Soares; Dolzane, 2024).
A combinação dessas ferramentas de avaliação oferece uma abordagem abrangente para medir o impacto de um projeto de educação financeira na vida dos jovens. Ao integrar métodos quantitativos e qualitativos, é possível obter uma compreensão mais profunda das mudanças no comportamento em relação ao consumo e na gestão das finanças pessoais. Essas avaliações não apenas ajudam a demonstrar a eficácia do projeto, mas também fornecem informações valiosas para ajustes e melhorias, garantindo que os programas futuros sejam ainda mais eficazes em capacitar os jovens a gerirem suas finanças de maneira responsável e consciente (Nascimento Junior, 2025).
A educação financeira, sendo um campo multidisciplinar, pode ser enriquecida com teorias e conceitos de diversas áreas, incluindo a neurociência, que oferece insights valiosos sobre como as decisões financeiras são tomadas. Pesquisas nessa área mostram que o comportamento financeiro é fortemente influenciado por fatores emocionais e cognitivos, que, por sua vez, são moldados por experiências passadas e contextos sociais (Arcuri, 2020).
A neurociência da tomada de decisão investiga os processos cerebrais que ocorrem quando indivíduos enfrentam escolhas financeiras. Segundo a teoria do "nudge" de Thaler e Sunstein, como cita Housel (2021), pequenas alterações no ambiente de escolha podem ter um impacto significativo nas decisões que os indivíduos tomam. Por exemplo, ao estruturar informações financeiras de maneira mais acessível, é possível facilitar a compreensão e a aplicação de conceitos de educação financeira, especialmente para jovens em situação de vulnerabilidade social. Essa abordagem pode ajudar a reduzir a ansiedade e a sobrecarga emocional associadas à gestão financeira, promovendo decisões mais informadas e racionais.
A pesquisa de Eker (2018) destaca que a intuição muitas vezes guiam as decisões financeiras, e que a compreensão dos vieses cognitivos pode ser essencial para ajudar os jovens a evitarem armadilhas financeiras. Por exemplo, a tendência de subestimar ou ignorar riscos pode levar a decisões de consumo impulsivas, enquanto a falta de experiência pode resultar em dificuldades na avaliação de propostas de crédito. A educação financeira deve, portanto, não apenas transmitir conhecimento técnico, mas também desenvolver a capacidade de reflexão crítica sobre decisões financeiras.
O conceito de "vulnerabilidade financeira", conforme descrito por Kiyosaki (2012), refere-se à incapacidade de indivíduos para gerenciar adequadamente suas finanças em face de desafios imprevistos. A neurociência sugere que a vulnerabilidade financeira pode influenciar negativamente a capacidade de tomada de decisão, gerando um ciclo vicioso de estresse e escolhas financeiras ruins. Quando os jovens enfrentam dificuldades financeiras, seu cérebro pode priorizar soluções de curto prazo, como o consumo imediato, em detrimento de planejamentos a longo prazo, como poupança e investimentos
Portanto, ao integrar a neurociência à educação financeira, é possível desenvolver metodologias que não apenas ensinem habilidades financeiras práticas, mas que também ajudem os jovens a entenderem suas emoções e comportamentos em relação ao dinheiro. Metodologias ativas de aprendizado, como simulações e jogos financeiros, podem ser particularmente eficazes, pois permitem que os jovens experimentem decisões financeiras em ambientes controlados, promovendo maior autoconhecimento e confiança em suas escolhas (Cerbasi, 2017).
Essas abordagens, ao serem incorporadas nos currículos escolares, podem não apenas capacitar os jovens a gerirem suas finanças de forma mais eficaz, mas também atuar como um fator mitigador das desigualdades sociais, promovendo maior equidade e inclusão no acesso a informações e recursos financeiros.
- METODOLOGIA
A metodologia deste estudo está direcionada à implementação de uma intervenção pedagógica voltada para a educação financeira na escola pública E.E. Professora Jane Marcelino Leite da Silva, sendo cuidadosamente planejada, considerando as especificidades do contexto educacional e as necessidades dos alunos.
O local escolhido para essa intervenção é o 3º ano do ensino médio, com turmas compostas por jovens em situação de vulnerabilidade social, que estão ingressando no primeiro emprego. Esse ambiente escolar é ideal, pois os alunos enfrentam dilemas financeiros e, muitas vezes, carecem de orientação adequada para lidar com as questões que envolvem a gestão de seus recursos financeiros.
O público-alvo da intervenção inclui não apenas os estudantes, mas também os professores e a equipe gestora, uma vez que a colaboração entre todos é essencial para o sucesso do projeto. Os professores serão formados para facilitar o aprendizado e a aplicação prática dos conceitos de educação financeira, enquanto a equipe gestora atuará como suporte nas atividades e na promoção da cultura financeira dentro da escola.
O plano de intervenção será estruturado em várias etapas, iniciando com um diagnóstico das necessidades financeiras dos alunos, realizado por meio de questionários e entrevistas, visando entender o nível de conhecimento prévio dos jovens sobre finanças pessoais. Com base nesse levantamento, serão elaboradas atividades educativas que abordem temas como orçamento pessoal, poupança, gestão de dívidas e investimentos.
As atividades incluirão aulas expositivas, dinâmicas em grupo e simulações práticas, onde os alunos poderão aplicar os conceitos aprendidos em situações reais, criando um ambiente de aprendizado envolvente que estimule a participação ativa dos estudantes.
O cronograma do projeto será definido para um período de seis meses, com encontros semanais de duas horas cada. Nos primeiros meses, o foco será na conscientização sobre a importância da educação financeira, abordando os conceitos básicos e a relevância do planejamento financeiro. As semanas seguintes dedicar-se-ão ao desenvolvimento de habilidades práticas, onde os alunos aprenderão a elaborar orçamentos e a analisar diferentes opções de investimento.
Ao final do projeto, os jovens terão a oportunidade de criar um plano financeiro pessoal, considerando suas realidades e objetivos a curto e longo prazo. Os recursos envolvidos na intervenção incluirão materiais didáticos, como apostilas que abordarão conceitos fundamentais de educação financeira, incluindo orçamento pessoal, poupança, investimentos e gestão de dívidas, além de jogos de tabuleiro como "Banco Imobiliário" e "Cashflow", que simulam situações financeiras do dia a dia.
Também serão utilizadas simulações digitais, como "Simulador de Orçamento" e aplicativos financeiros que permitirão aos alunos criar e gerenciar um orçamento virtual, além de simular cenários de investimento e poupança. Vídeos educativos que abordem conceitos de educação financeira de forma lúdica e envolvente também farão parte dos recursos.
A formação dos professores será um aspecto central, garantindo que estejam preparados para integrar a educação financeira em suas aulas e apoiar os alunos no processo de aprendizagem. Para isso, os professores receberão módulos de capacitação sobre os fundamentos da educação financeira e sua importância no contexto escolar, metodologias ativas para ensino de finanças, como aprendizagem baseada em projetos e simulações, e técnicas de facilitação de discussões sobre finanças e como abordar questões emocionais relacionadas ao dinheiro.
Workshops práticos também serão realizados, permitindo que os professores experimentem as atividades propostas e se sintam confortáveis em aplicá-las com os alunos. As estratégias de avaliação e monitoramento serão implementadas para medir os efeitos da intervenção na vida financeira dos jovens. Questionários pré e pós-intervenção serão elaborados para avaliar o conhecimento prévio sobre conceitos financeiros, comportamentos em relação ao consumo e gestão de finanças pessoais, além do nível de confiança em tomar decisões financeiras.
As perguntas incluirão escalas de Likert e questões abertas para capturar percepções qualitativas. Observações diretas durante as atividades permitirão avaliar a participação dos alunos, o engajamento nas dinâmicas em grupo e a aplicação dos conceitos aprendidos. Um diário de campo será mantido para registrar as interações dos alunos e as dificuldades encontradas, permitindo ajustes contínuos nas atividades.
Ao final do projeto, serão gerados relatórios que sintetizarão as mudanças no conhecimento e no comportamento financeiro dos alunos, com gráficos e tabelas que apresentem os dados tabulados dos questionários. Esses detalhes adicionais sobre os recursos, formação dos professores e ferramentas de avaliação demonstram a viabilidade e a coerência do projeto de intervenção, assegurando que os alunos recebam uma educação financeira robusta e significativa, além de possibilitar o acompanhamento contínuo do impacto da intervenção em suas vidas financeiras.
Ao final do projeto, espera-se que os jovens não apenas adquiram conhecimentos sobre educação financeira, mas também desenvolvam atitudes mais responsáveis em relação ao dinheiro, contribuindo para sua segurança financeira e para um futuro mais promissor. Essa abordagem não apenas fortalece a educação financeira, mas também promove a equidade social, capacitando os alunos a enfrentarem os desafios do mundo real com confiança e competência, tornando a escola um espaço fundamental para a construção de uma sociedade mais justa, onde todos os cidadãos têm acesso às ferramentas necessárias para prosperar.
- RESULTADOS ESPERADOS
Os resultados esperados com a implementação da intervenção pedagógica voltada para a educação financeira na escola pública E.E. Professora Jane Marcelino Leite da Silva são significativos e abrangem diversos públicos beneficiados, incluindo os alunos, professores e a equipe gestora. Para os alunos, espera-se que a intervenção promova uma maior compreensão dos conceitos financeiros, levando a um aumento na capacidade de planejamento financeiro e na adoção de práticas de consumo responsável.
Isso resultará em jovens mais preparados para lidar com os desafios financeiros do dia a dia, especialmente ao ingressarem no mercado de trabalho. Além disso, ao desenvolverem um plano financeiro pessoal, os alunos poderão identificar e perseguir objetivos financeiros de curto e longo prazo, criando uma base sólida para sua segurança financeira futura.
Para os professores, a formação oferecida durante o projeto não apenas os capacitará a ensinar esses conceitos, mas também fomentará uma mudança na cultura escolar em relação à educação financeira. Espera-se que, ao se tornarem facilitadores de um aprendizado ativo e colaborativo, os professores se sintam mais confiantes e engajados em suas práticas pedagógicas, o que, por sua vez, pode levar a uma experiência de ensino mais enriquecedora e integrada.
A equipe gestora, por sua vez, poderá observar a implementação de uma cultura financeira na escola, contribuindo para um ambiente educacional mais coeso e voltado para o desenvolvimento integral dos alunos. Esses resultados também contribuirão para a melhoria do ambiente educacional, pois a promoção da educação financeira pode criar uma atmosfera de aprendizado mais dinâmica e interativa. Com um foco em metodologias ativas, o projeto incentivará a participação e o envolvimento dos alunos em suas próprias aprendizagens, resultando em um ambiente escolar mais colaborativo e motivador.
A inclusão de temas financeiros no currículo pode fortalecer a conexão dos alunos com o conteúdo escolar, tornando a aprendizagem mais relevante e aplicada às suas realidades. Para a coleta de dados e avaliação do impacto da intervenção, serão utilizados questionários pré e pós-intervenção, os quais avaliarão o conhecimento prévio dos alunos sobre finanças pessoais e as mudanças ocorridas ao longo do projeto.
Esses questionários incluirão perguntas que abordam aspectos como a confiança na gestão financeira, comportamentos em relação ao consumo e a capacidade de planejamento. Além disso, será realizado um diário de campo para registrar observações das interações dos alunos durante as atividades e as dificuldades que possam surgir. A análise dos dados coletados será realizada por meio de comparações entre os resultados dos questionários aplicados antes e depois da intervenção, possibilitando a identificação de mudanças significativas no conhecimento financeiro e nas atitudes dos alunos.
Os dados serão tabulados e apresentados em gráficos e tabelas, facilitando a visualização das tendências e dos impactos da intervenção. Relatórios finais serão elaborados para sintetizar as descobertas e fornecer recomendações para futuras ações, assegurando que os aprendizados do projeto possam ser utilizados para aprimorar continuamente a educação financeira na escola. Anexos com os questionários e avaliações utilizados durante o projeto serão incluídos para ilustrar as ferramentas de coleta de dados, bem como para fornecer uma base sólida para a análise dos resultados. Dessa forma, espera-se que a intervenção não apenas melhore a competência financeira dos alunos, mas também contribua para a formação de um ambiente educacional mais justo e equitativo, onde todos os cidadãos tenham acesso às ferramentas necessárias para prosperar.
- CONCLUSÃO
A intervenção proposta visa abordar a falta de conhecimento financeiro entre jovens em situação de vulnerabilidade social que estão ingressando no primeiro emprego. O problema identificado é a falta de preparo desses alunos para gerenciar suas finanças, o que pode levar a dificuldades financeiras. A proposta consiste em implementar um programa de educação financeira na E.E. Professora Jane Marcelino Leite da Silva, com atividades educativas, formação de professores e acompanhamento contínuo dos alunos.
Os resultados esperados incluem o aumento do conhecimento financeiro, a capacidade de planejamento e a adoção de práticas de consumo responsável, beneficiando alunos, educadores e a equipe gestora. A intervenção tem o potencial de transformar práticas pedagógicas, promovendo um ambiente colaborativo em relação à educação financeira. Embora possam surgir dificuldades na implantação imediata do projeto, como a necessidade de recursos, acreditamos que a intervenção ocorrerá em um momento mais propício, garantindo que os objetivos sejam contemplados.
A educação financeira se torna uma ferramenta poderosa para capacitar os jovens, contribuindo para um futuro mais justo. A pergunta de pesquisa sobre o impacto da educação financeira na vida dos jovens pode ser respondida afirmativamente, pois o projeto busca oferecer as habilidades necessárias para enfrentar desafios financeiros.
REFERÊNCIAS
ARCURI, N. Me Poupe! 10 passos para nunca mais faltar dinheiro no seu bolso. São Paulo: Editora Planeta, 2020.
AZEVEDO, A. P. et al. A importância da educação financeira nas escolas públicas. Research, Society and Development, v. 14, n. 9, e9614949554, 2025. Disponível em: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v14i9.49554. Acesso em: 15 out. 2025.
CERBASI, G. Casais Inteligentes Enriquecem Juntos: o guia de finanças para casais. São Paulo: Editora Gente, 2017.
EKER, H. T. Os Segredos da Mente Milionária: como passar da luta financeira para a liberdade. São Paulo: Editora Gente, 2018.
HOUSEL, M. A Psicologia Financeira: como as emoções e os vieses influenciam nossas decisões financeiras. São Paulo: Editora Planeta, 2021.
KIYOSAKI, R. Pai Rico, Pai Pobre: o que os ricos ensinam a seus filhos sobre dinheiro. São Paulo: Editora BestSeller, 2012.
NASCIMENTO JUNIOR, I. S. A implementação da educação financeira nas escolas públicas brasileiras: desafios e oportunidades. ARACÊ , [S. l.], v. 7, n. 5, p. 29017–29025, 2025. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/6817. Acesso em: 15 out. 2025.
SOARES, G. A.; DOLZANE, M. I. F. Uma sequência didática de educação financeira sobre consumo na perspectiva da educação matemática crítica. REMATEC, v. 19, n. 47, e2024004, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.37084/REMATEC.1980-3141.2024.n47.e2024004.id535. Acesso em: 15 out. 2025.
SOUSA, R. A. Educação financeira à luz da BNCC: concepções e práticas em uma investigação local. Educação & Pesquisa, 2023. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ep/a/StmPNgBPypMGZ7rKQ3WJGdj/?lang=pt. Acesso em:15 out. 2025.
SOUZA, C. S. de; NICOLI, A. A. T. de S.; CASTRO, L. C. Um estudo sobre a educação financeira nas escolas. Revista Multidisciplinar do Nordeste Mineiro, v. 2, n. 1, 2023. Disponível em: https://www.revista.unipacto.com.br/index.php/multidisciplinar/article/view/1201. Acesso em: 15 out. 2025.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Glaucinete Moreira Ramos (Autor)