Alfabetização e letramento: desafios contemporâneos.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Resumo

O presente artigo aborda os desafios contemporâneos da alfabetização e do letramento, destacando sua importância para a formação integral dos estudantes e para a consolidação de uma educação de qualidade. O estudo tem como objetivo analisar os principais fatores que influenciam os processos de alfabetização e letramento na atualidade, identificando estratégias pedagógicas capazes de favorecer o desenvolvimento das competências de leitura e escrita. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de natureza descritiva e exploratória, realizada por meio de revisão bibliográfica em livros, artigos científicos, documentos oficiais e produções acadêmicas relacionadas à temática. A análise da literatura evidencia que alfabetização e letramento constituem processos complementares, cuja efetividade depende da articulação entre práticas pedagógicas contextualizadas, formação continuada de professores, participação da família, políticas públicas e acesso às tecnologias digitais. Os resultados indicam que as desigualdades sociais, as limitações estruturais das escolas e os desafios impostos pelas transformações tecnológicas continuam interferindo na aprendizagem dos estudantes. Conclui-se que o fortalecimento das práticas de alfabetização e letramento exige ações integradas entre escola, sociedade e poder público, contribuindo para a formação de sujeitos críticos, autônomos e capazes de participar ativamente das diferentes práticas sociais mediadas pela leitura e pela escrita.

Palavras-chave: Alfabetização. Letramento. Educação Básica. Práticas pedagógicas. Formação docente.

Abstract

This article addresses the contemporary challenges of literacy acquisition and literacy practices, highlighting their importance for the comprehensive development of students and for the consolidation of quality education. The study aims to analyze the main factors that currently influence literacy acquisition and literacy processes, identifying pedagogical strategies capable of fostering the development of reading and writing skills. This is a qualitative, descriptive, and exploratory study conducted through a literature review of books, scientific articles, official documents, and academic works related to the theme. The literature analysis shows that literacy acquisition and literacy practices are complementary processes, the effectiveness of which depends on the integration of contextualized pedagogical practices, continuous teacher training, family involvement, public policies, and access to digital technologies. The results indicate that social inequalities, school infrastructure limitations, and the challenges posed by technological transformations continue to affect student learning. We conclude that strengthening literacy acquisition and literacy practices requires integrated actions among schools, society, and public authorities, contributing to the development of critical, autonomous individuals who can actively participate in the diverse social practices mediated by reading and writing.

Keywords: Literacy acquisition. Literacy practices. Basic Education. Pedagogical practices. Teacher training.

INTRODUÇÃO

A alfabetização e o letramento constituem processos fundamentais para a formação integral do indivíduo, pois representam a base para o desenvolvimento da leitura, da escrita, da comunicação e da participação social. Embora estejam diretamente relacionados, esses conceitos possuem características distintas e complementares. Enquanto a alfabetização refere-se à apropriação do sistema de escrita alfabética, envolvendo a aprendizagem das habilidades de leitura e escrita, o letramento diz respeito à utilização dessas habilidades nas diferentes práticas sociais, culturais e comunicativas presentes na vida cotidiana. Dessa forma, compreender a articulação entre alfabetização e letramento torna-se essencial para a construção de uma educação que promova aprendizagens significativas e favoreça a formação de cidadãos críticos e participativos.

Nas últimas décadas, as discussões sobre alfabetização passaram por importantes transformações em razão das mudanças sociais, culturais e tecnológicas. O acesso crescente às tecnologias digitais, a diversidade de contextos socioculturais dos estudantes, os impactos provocados pela pandemia da COVID-19 e as desigualdades educacionais evidenciaram novos desafios para o processo de ensino e aprendizagem da leitura e da escrita. Nesse cenário, torna-se necessário repensar as práticas pedagógicas adotadas nas escolas, buscando estratégias capazes de atender às diferentes necessidades dos estudantes e promover uma aprendizagem mais inclusiva e contextualizada.

Segundo Soares (2004), alfabetizar não significa apenas ensinar o código escrito, mas possibilitar que o estudante faça uso da leitura e da escrita em situações reais de comunicação. Nessa mesma perspectiva, Kleiman (1995) afirma que o letramento envolve práticas sociais mediadas pela linguagem escrita, permitindo que os sujeitos utilizem a leitura e a escrita de forma crítica e significativa em diferentes espaços da sociedade. Esses estudos contribuíram para ampliar a compreensão sobre o ensino da língua escrita, demonstrando que alfabetização e letramento devem ocorrer de maneira integrada, sem que um processo exclua o outro.

Apesar dos avanços teóricos e das políticas públicas voltadas para a alfabetização, ainda persistem desafios relacionados à aprendizagem dos estudantes. Dificuldades de formação docente, limitações de infraestrutura escolar, desigualdades socioeconômicas, acesso restrito aos recursos tecnológicos e diferenças entre os contextos urbanos e rurais influenciam diretamente o desenvolvimento das competências leitoras e escritoras. Além disso, a presença das tecnologias digitais exige que professores e estudantes desenvolvam novas formas de interação com a leitura e a escrita, ampliando o conceito tradicional de letramento para incluir práticas digitais e multimodais.

Nesse contexto, emerge o seguinte problema de pesquisa: quais são os principais desafios contemporâneos que influenciam os processos de alfabetização e letramento nas escolas e de que maneira as práticas pedagógicas podem contribuir para a superação dessas dificuldades? Esse questionamento surge da necessidade de compreender como as transformações sociais e educacionais afetam o trabalho docente e o desenvolvimento das aprendizagens, especialmente diante das demandas impostas pela sociedade contemporânea.

A realização desta pesquisa justifica-se pela relevância social e educacional do tema. A alfabetização constitui um dos pilares da Educação Básica e exerce influência direta sobre o desempenho escolar, a permanência dos estudantes na escola e o exercício da cidadania. Compreender os desafios enfrentados nesse processo pode subsidiar a elaboração de práticas pedagógicas mais eficazes, contribuir para a formação continuada de professores e fortalecer políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade da educação. Além disso, a pesquisa oferece suporte teórico para reflexões sobre a integração entre alfabetização, letramento e tecnologias educacionais, considerando as diferentes realidades vivenciadas pelas instituições de ensino.

O objetivo geral deste estudo é analisar os desafios contemporâneos da alfabetização e do letramento, discutindo seus impactos no processo de ensino-aprendizagem e identificando estratégias pedagógicas que favoreçam o desenvolvimento das competências de leitura e escrita. Como objetivos específicos, busca-se compreender os fundamentos teóricos que sustentam os conceitos de alfabetização e letramento, identificar os principais desafios enfrentados pelas escolas na atualidade e discutir práticas pedagógicas capazes de promover uma aprendizagem significativa e socialmente contextualizada.

Dessa forma, este artigo propõe uma reflexão sobre a importância da integração entre alfabetização e letramento diante das exigências educacionais contemporâneas, destacando que o desenvolvimento dessas competências ultrapassa o domínio técnico da leitura e da escrita e envolve a formação de sujeitos capazes de interpretar, comunicar-se e participar criticamente da sociedade. Espera-se, assim, contribuir para o fortalecimento das discussões acadêmicas sobre o tema e para o aperfeiçoamento das práticas educativas voltadas à garantia do direito de aprender.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Alfabetização e letramento: conceitos e perspectivas

A alfabetização e o letramento ocupam posição central nas discussões sobre educação, especialmente nos anos iniciais da escolarização. Embora durante muito tempo esses conceitos tenham sido utilizados como sinônimos, as pesquisas educacionais demonstram que representam processos distintos e complementares. A alfabetização está relacionada à aprendizagem do sistema de escrita alfabética, envolvendo o domínio das relações entre sons e letras, a leitura e a produção da escrita. Já o letramento refere-se ao uso social dessas habilidades em diferentes contextos da vida cotidiana, permitindo que os indivíduos participem de práticas sociais mediadas pela linguagem escrita.

Magda Soares (2004) destaca que alfabetizar e letrar não são processos excludentes, mas indissociáveis. Para a autora, ensinar apenas a codificar e decodificar palavras não garante que o estudante seja capaz de utilizar a leitura e a escrita de maneira crítica e significativa.

Assim, a aprendizagem da língua escrita precisa estar vinculada às práticas sociais, culturais e comunicativas presentes na realidade dos estudantes.

Na mesma perspectiva, Kleiman (1995) afirma que o letramento corresponde ao conjunto de práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita em diferentes espaços da sociedade. Dessa forma, a escola deixa de ser apenas um local de transmissão de conteúdos para tornar-se um ambiente em que os estudantes aprendem a utilizar a linguagem escrita como instrumento de participação social, construção do conhecimento e exercício da cidadania.

As contribuições de Ferreiro & Teberosky (1999) também revolucionaram a compreensão da alfabetização ao demonstrarem que a criança constrói hipóteses sobre a escrita antes mesmo do ensino formal. Essa concepção modificou significativamente as práticas pedagógicas, deslocando o foco da simples memorização para a valorização do processo de construção do conhecimento pelo estudante.

2.2 Os desafios contemporâneos da alfabetização

As transformações sociais ocorridas nas últimas décadas modificaram profundamente a forma como crianças, jovens e adultos se relacionam com a leitura e a escrita. O avanço das tecnologias digitais, a ampliação do acesso à informação e as mudanças nas formas de comunicação exigem novas competências dos estudantes e dos professores.

Além dessas mudanças, persistem problemas históricos relacionados às desigualdades educacionais. Muitos estudantes chegam à escola em condições sociais distintas, com diferentes níveis de acesso à cultura escrita, aos recursos tecnológicos e ao acompanhamento familiar. Esses fatores influenciam diretamente o processo de alfabetização e podem comprometer o desenvolvimento das competências leitoras e escritoras.

Outro desafio refere-se aos impactos provocados pela pandemia da COVID-19. A interrupção das aulas presenciais evidenciou dificuldades relacionadas ao acesso à internet, à falta de equipamentos tecnológicos e às limitações enfrentadas por muitas famílias para acompanhar o processo educativo. Como consequência, diversas pesquisas apontam atrasos na aprendizagem da leitura e da escrita, exigindo das escolas novas estratégias para recompor as aprendizagens.

Nesse contexto, torna-se indispensável que as práticas pedagógicas sejam planejadas considerando a diversidade dos estudantes, respeitando seus diferentes ritmos de aprendizagem e promovendo experiências significativas que aproximem a leitura e a escrita da realidade social em que vivem.

2.3 O papel do professor no processo de alfabetização e letramento

O professor desempenha papel fundamental na construção das competências relacionadas à leitura e à escrita. Sua atuação vai além da transmissão de conteúdos, envolvendo a criação de situações de aprendizagem que favoreçam a participação ativa dos estudantes e a construção do conhecimento.

Segundo Freire (1996), ensinar significa criar possibilidades para que o estudante produza seu próprio conhecimento. Essa compreensão reforça a necessidade de práticas pedagógicas que valorizem o diálogo, a problematização e a participação dos alunos no processo educativo.

A formação inicial e continuada dos professores também exerce influência direta sobre a qualidade da alfabetização. Professores atualizados conseguem integrar diferentes metodologias, recursos didáticos e tecnologias educacionais, tornando o ensino mais dinâmico e contextualizado. Além disso, o planejamento pedagógico deve considerar as necessidades específicas de cada turma, promovendo intervenções adequadas às dificuldades apresentadas pelos estudantes.

Outro aspecto importante é a utilização de diferentes gêneros textuais no cotidiano escolar. Trabalhar com histórias, notícias, cartas, poemas, receitas, bilhetes, textos digitais e outros materiais amplia as oportunidades de letramento e aproxima a aprendizagem das práticas sociais reais.

2.4 Tecnologias digitais e novas práticas de letramento

A presença das tecnologias digitais transformou significativamente as formas de leitura, escrita e comunicação. Atualmente, crianças e jovens convivem diariamente com redes sociais, aplicativos, plataformas digitais e diferentes recursos tecnológicos que influenciam suas práticas de linguagem.

Rojo (2012) afirma que a escola precisa reconhecer os multiletramentos como parte da formação dos estudantes. Isso significa compreender que a leitura e a escrita não acontecem apenas em livros impressos, mas também em ambientes digitais, nos quais diferentes linguagens texto, imagem, vídeo, áudio e hiperlinks se articulam na produção de sentidos.

Entretanto, a incorporação das tecnologias à prática pedagógica ainda enfrenta desafios relacionados à infraestrutura das escolas, à formação dos professores e às desigualdades de acesso entre os estudantes. Em muitas instituições, especialmente nas escolas públicas e do campo, a ausência de conexão adequada com a internet e de equipamentos tecnológicos limita o desenvolvimento de práticas inovadoras de ensino.

Dessa forma, a tecnologia deve ser compreendida como um recurso complementar ao trabalho docente, capaz de ampliar as possibilidades de aprendizagem quando utilizada de maneira planejada, crítica e pedagógica.

2.5 Estado da arte

As pesquisas publicadas nos últimos anos evidenciam um crescente interesse pela relação entre alfabetização, letramento e inovação pedagógica. Estudos nacionais e internacionais apontam que o sucesso da alfabetização depende da articulação entre metodologias de ensino, formação docente, participação da família, acesso à cultura escrita e condições adequadas de aprendizagem.

Grande parte das investigações recentes também destacam a necessidade de integrar as tecnologias digitais ao processo de alfabetização sem substituir o papel mediador do professor. Observa-se, ainda, uma ampliação das pesquisas voltadas aos multiletramentos, à educação inclusiva e às estratégias para reduzir as desigualdades educacionais, especialmente após os impactos provocados pela pandemia.

Apesar dos avanços alcançados, a literatura demonstra que permanecem desafios relacionados à formação de professores, às diferenças regionais, às condições de infraestrutura escolar e ao desenvolvimento de práticas pedagógicas capazes de responder às demandas da sociedade contemporânea. Esses aspectos justificam a continuidade de estudos sobre alfabetização e letramento, contribuindo para o aprimoramento das políticas públicas e das práticas educativas.

METODOLOGIA

A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza qualitativa, de caráter descritivo e exploratório, desenvolvido por meio de revisão bibliográfica. A escolha dessa abordagem fundamenta-se na necessidade de compreender, analisar e discutir os principais desafios contemporâneos relacionados aos processos de alfabetização e letramento, considerando as contribuições teóricas produzidas por pesquisadores da área da Educação.

De acordo com Gil (2008), a pesquisa bibliográfica é elaborada a partir de materiais já publicados, como livros, artigos científicos, dissertações, teses e documentos oficiais, permitindo ao pesquisador ampliar a compreensão sobre determinado fenômeno e construir um referencial teórico consistente. Nessa perspectiva, o presente estudo buscou reunir produções científicas relevantes que abordam os conceitos de alfabetização e letramento, bem como as transformações ocorridas no contexto educacional contemporâneo.

O levantamento bibliográfico foi realizado por meio de consultas em bases de dados científicas reconhecidas, entre elas SciELO, Google Acadêmico, Portal de Periódicos da CAPES e ERIC (Education Resources Information Center), além da análise de documentos oficiais publicados pelo Ministério da Educação. Foram priorizadas publicações em língua portuguesa e inglesa, especialmente artigos científicos, livros e documentos publicados nas últimas décadas, sem desconsiderar obras clássicas que constituem referência para os estudos sobre alfabetização e letramento.

Como critérios de inclusão, foram selecionadas produções que apresentassem fundamentação científica e abordassem temas relacionados à alfabetização, letramento, formação de professores, práticas pedagógicas, tecnologias digitais, políticas públicas e aprendizagem da leitura e da escrita. Foram excluídos materiais sem respaldo acadêmico, publicações de caráter opinativo e documentos que não apresentassem relação direta com o objeto de investigação.

Os dados foram organizados por meio da leitura exploratória, seletiva e analítica das obras selecionadas. Em seguida, realizou-se a categorização das informações em eixos temáticos, permitindo identificar aproximações, divergências e contribuições presentes na literatura. A análise ocorreu de forma interpretativa, estabelecendo relações entre os diferentes autores e discutindo como suas contribuições auxiliam na compreensão dos desafios enfrentados pelos processos de alfabetização e letramento na atualidade.

Por tratar-se de uma pesquisa exclusivamente bibliográfica, não houve participação direta de seres humanos nem aplicação de instrumentos de coleta de dados em campo, razão pela qual não foi necessária a submissão do estudo a um Comitê de Ética em Pesquisa. Todos os procedimentos foram conduzidos com base nos princípios da ética científica, assegurando o respeito aos direitos autorais e a correta citação das fontes utilizadas.

A adoção dessa metodologia possibilitou construir uma análise ampla e fundamentada sobre o tema investigado, favorecendo a identificação dos principais desafios contemporâneos da alfabetização e do letramento, bem como das estratégias pedagógicas apontadas pela literatura para o fortalecimento do processo de ensino e aprendizagem.

RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

Os resultados obtidos por meio da revisão da literatura evidenciam que a alfabetização e o letramento permanecem entre os principais desafios da Educação Básica brasileira. A análise das produções científicas selecionadas permitiu identificar que, embora tenham ocorrido avanços nas políticas públicas e nas metodologias de ensino, ainda existem fatores que dificultam a consolidação de uma aprendizagem significativa da leitura e da escrita. Entre esses fatores destacam-se as desigualdades sociais, as diferenças no acesso aos recursos educacionais, as limitações na formação continuada dos professores e as transformações provocadas pelo uso das tecnologias digitais.

As pesquisas analisadas demonstram consenso quanto à necessidade de compreender alfabetização e letramento como processos complementares. Soares (2004) defende que o estudante deve aprender o sistema de escrita ao mesmo tempo em que desenvolve competências para utilizar a leitura e a escrita em diferentes práticas sociais. Da mesma forma, Kleiman (1995) ressalta que o letramento amplia a função da alfabetização ao inserir o indivíduo em situações reais de comunicação, fortalecendo sua participação social e cidadã.

4.1 Os principais desafios da alfabetização na atualidade

A análise da literatura evidencia que um dos maiores desafios enfrentados pelas escolas está relacionado às desigualdades educacionais. Muitos estudantes iniciam sua trajetória escolar em contextos marcados por limitações econômicas, acesso reduzido aos materiais de leitura e poucas oportunidades de interação com práticas sociais de escrita. Essas condições acabam refletindo diretamente no desempenho escolar e no desenvolvimento das competências leitoras.

Outro aspecto recorrente nas pesquisas refere-se à necessidade de fortalecer a formação inicial e continuada dos professores. Os estudos indicam que profissionais com formação consistente conseguem planejar práticas pedagógicas mais diversificadas, utilizar diferentes metodologias e adaptar o ensino às necessidades específicas dos estudantes. Nesse sentido, Freire (1996) destaca que ensinar exige constante reflexão sobre a prática, compreensão da realidade dos alunos e compromisso permanente com a construção do conhecimento.

Além disso, os impactos da pandemia da COVID-19 continuam sendo apontados como um dos fatores que ampliaram as dificuldades de alfabetização. A suspensão das aulas presenciais provocou atrasos na aprendizagem de muitas crianças, principalmente daquelas em situação de maior vulnerabilidade social. A literatura demonstra que a recomposição das aprendizagens tornou-se um dos principais desafios das redes de ensino, exigindo ações pedagógicas planejadas e acompanhamento contínuo dos estudantes.

4.2 Tecnologias digitais e novas possibilidades de aprendizagem

Outro resultado identificado refere-se ao crescimento das pesquisas que discutem a utilização das tecnologias digitais como recurso para o processo de alfabetização. A expansão do uso de computadores, tablets, celulares e plataformas digitais modificou significativamente as formas de ler, escrever e produzir conhecimento.

Segundo Rojo (2012), a escola precisa reconhecer que os estudantes estão inseridos em uma sociedade caracterizada pelos multiletramentos, na qual diferentes linguagens convivem simultaneamente. Dessa forma, o trabalho pedagógico deve integrar textos impressos, recursos audiovisuais, mídias digitais e ambientes virtuais de aprendizagem, ampliando as possibilidades de construção do conhecimento.

Entretanto, os estudos também apontam que a simples presença da tecnologia não garante melhorias na aprendizagem. Para que os recursos digitais contribuam efetivamente com a alfabetização, é indispensável que sejam utilizados de forma planejada, articulados aos objetivos pedagógicos e mediados pelo professor. A ausência de infraestrutura adequada e as dificuldades de acesso à internet, especialmente em escolas públicas e em comunidades rurais, ainda representam obstáculos importantes para a implementação dessas práticas.

4.3 A importância das práticas pedagógicas contextualizadas

Os resultados da revisão indicam que as práticas pedagógicas contextualizadas favorecem significativamente o desenvolvimento da alfabetização e do letramento. Os autores analisados defendem que o ensino da leitura e da escrita deve partir da realidade dos estudantes, considerando seus conhecimentos prévios, sua cultura e suas experiências cotidianas.

Nesse contexto, a utilização de diferentes gêneros textuais, projetos de leitura, atividades interdisciplinares e metodologias participativas amplia as oportunidades de aprendizagem e fortalece o interesse dos estudantes pelas práticas de leitura e escrita. Ferreiro e Teberosky (1999) demonstram que a aprendizagem ocorre de forma mais significativa quando o estudante participa ativamente da construção do conhecimento, formulando hipóteses, experimentando e refletindo sobre a escrita.

Outro aspecto observado refere-se ao papel da família no processo educativo. Diversos estudos apontam que a participação familiar contribui positivamente para o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita, favorecendo a criação de ambientes mais estimulantes para a aprendizagem. No entanto, a literatura também reconhece que essa participação depende das condições sociais, econômicas e culturais das famílias, exigindo da escola ações que fortaleçam essa parceria.

De modo geral, os estudos analisados revelam que a melhoria da alfabetização depende da integração entre políticas públicas, formação docente, gestão escolar, participação da família e práticas pedagógicas inovadoras. Não existe uma única estratégia capaz de solucionar os desafios encontrados, mas um conjunto de ações articuladas que respeitem as características dos estudantes e os diferentes contextos educacionais.

Os resultados obtidos nesta revisão reforçam que alfabetização e letramento constituem processos dinâmicos, influenciados pelas transformações sociais, culturais e tecnológicas da contemporaneidade. Assim, investir na qualificação dos professores, na valorização das práticas sociais de leitura e escrita e na ampliação das condições de acesso à educação de qualidade representa um caminho essencial para promover aprendizagens mais significativas e contribuir para a formação de cidadãos críticos, autônomos e participativos.

CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente pesquisa alcança o objetivo de analisar os principais desafios contemporâneos relacionados à alfabetização e ao letramento, evidenciando que esses processos permanecem essenciais para a formação integral dos estudantes e para a construção de uma educação comprometida com a cidadania e a inclusão social. A investigação demonstra que alfabetizar não consiste apenas em ensinar o domínio do sistema de escrita, mas em promover condições para que os sujeitos utilizem a leitura e a escrita de forma crítica, autônoma e significativa em diferentes contextos da vida social.

A análise desenvolvida confirma que os desafios da alfabetização e do letramento resultam da interação entre fatores pedagógicos, sociais, econômicos e tecnológicos. Aspectos como as desigualdades educacionais, a formação docente, as condições de infraestrutura das escolas e o acesso às tecnologias digitais influenciam diretamente a qualidade das aprendizagens. Dessa forma, a superação dessas dificuldades depende de ações articuladas entre políticas públicas, gestão escolar, professores, famílias e comunidade.

Os objetivos propostos na introdução são atingidos ao identificar os principais fatores que interferem nos processos de alfabetização e letramento e ao discutir estratégias pedagógicas capazes de fortalecer a aprendizagem da leitura e da escrita. A pesquisa também evidencia que práticas educativas contextualizadas, metodologias participativas e investimentos permanentes na formação de professores contribuem para uma educação mais inclusiva, democrática e alinhada às demandas da sociedade contemporânea.

Entre as contribuições deste estudo destaca-se a sistematização de conhecimentos produzidos pela literatura científica, possibilitando uma compreensão mais ampla sobre os desafios atuais da alfabetização e do letramento. Além da contribuição teórica, o trabalho oferece subsídios que podem orientar práticas pedagógicas, programas de formação docente e reflexões voltadas ao aprimoramento das políticas educacionais.

Como limitação, esta pesquisa restringe-se à análise de produções bibliográficas, não contemplando a realização de investigação de campo que permita observar diretamente a realidade das escolas, dos professores e dos estudantes. Essa característica não compromete os objetivos do estudo, mas evidencia a necessidade de novas pesquisas que aprofundem a temática em diferentes contextos educacionais.

Por fim, recomenda-se que estudos futuros desenvolvam pesquisas empíricas envolvendo escolas urbanas e rurais, investiguem os impactos das tecnologias digitais na alfabetização e analisem estratégias pedagógicas que contribuam para reduzir as desigualdades de aprendizagem. A continuidade dessas investigações tende a fortalecer a produção científica na área e a oferecer novos caminhos para a melhoria da qualidade da educação básica, garantindo que a alfabetização e o letramento permaneçam como direitos fundamentais de todos os estudantes.

REFERÊNCIAS

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STREET, Brian V. Letramentos sociais: abordagens críticas do letramento no desenvolvimento, na etnografia e na educação. São Paulo: Parábola Editorial, 2014.

TFOUNI, Leda Verdiani. Letramento e alfabetização. 9. ed. São Paulo: Cortez, 2010.

  1. Discente do Curso Superior de mestrado em Ciências da Educação da Ivy Enber Cristian University, e-mail: darlenee21@hotmail.com

  2. Discente do Curso Superior de mestrado em Ciências da Educação da Ivy Enber Cristian University, e-mail: eliomardejesus75@gmail.com

  3. Discente do Curso Superior de mestrado em Ciências da Educação da Ivy Enber Cristian University, e-mail: costasanttos112@gmail.com

  4. Discente do Curso Superior de mestrado em Ciências da Educação da Ivy Enber Cristian University, e-mail: monalizaangelim@gmail.com

  5. Discente do Curso Superior de mestrado em Ciências da Educação da Ivy Enber Cristian University, e-mail: Simone@outlook.com

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