Produção de forragem e estrutura da massa produzida no início do outono em Uberlândia – Minas Gerais
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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Produção de forragem e estrutura da massa produzida no início do outono em Uberlândia – Minas Gerais

Forage production and structure of the mass produced in early autumn in Uberlândia – Minas Gerais

Gustavo Segatto Borges[1]
Daniela Segatto Borges[2]

Resumo

O objetivo deste trabalho foi avaliar a produção de forragem e a estrutura morfológica da massa produzida por seis cultivares do gênero Urochloa syn. Brachiaria no início do outono, na região de Uberlândia, Minas Gerais. O experimento foi conduzido na Fazenda Experimental do Glória (UFU), de fevereiro a abril de 2025, em delineamento inteiramente casualizado com três repetições. Avaliaram-se as cultivares Braquiarinha, Xaraés, Marandu, Humidicola, MG-13 Braúna e Sabiá, previamente manejadas sob cortes mecânicos mimetizando lotação contínua com altura média de 30 cm. Em março de 2025 (início do outono), foram coletadas amostras de forragem rente ao solo para determinação da matéria seca total e separação manual dos componentes morfológicos: lâmina foliar viva, colmo vivo, folha morta e colmo morto. Os dados foram submetidos à análise de variância e ao teste de Tukey (p<0,05). O capim-humidicola apresentou a maior massa de forragem (9436 kg/ha/ms) (p<0,05), porém associado ao maior percentual de colmo vivo (61%) e menor proporção de folha viva (17%), indicando baixa relação folha/colmo. Os capins Xaraés e Sabiá destacaram-se pelos maiores percentuais de folha viva (30% e 31%, respectivamente), associados a valores intermediários e elevados de massa de forragem, assim como o capim Marandu. O capim Braquiarinha obteve o menor rendimento de biomassa (5780 kg/ha/ms) e o maior acúmulo de colmo morto (31%), comportamento atribuído ao acamamento e ao tombamento natural de seus colmos delgados. Os maiores percentuais de folha morta foram observados nas cultivares MG-13 Braúna (17%) e Marandu (16%). Os capins Sabiá, Xaraés e Marandu são os mais recomendados para o uso no início do outono na região de Uberlândia-MG, pois conciliam elevada produção de biomassa com uma estrutura de dossel qualitativamente superior, caracterizada por maior participação de folhas vivas e menor de colmos.

Palavras-chave: Urochloa syn. Brachiaria; Composição morfológica; Período de transição; Estrutura do pasto.


Abstract

The objective of this study was to evaluate the forage yield and the morphological structure of the mass produced by six cultivars of the genus Urochloa syn. Brachiaria in early autumn, in the region of Uberlândia, Minas Gerais. The experiment was conducted at the Glória Experimental Farm (UFU), from February to April 2025, in a completely randomized design with three replications. The cultivars Braquiarinha, Xaraés, Marandu, Humidicola, MG-13 Braúna and Sabiá were evaluated, previously managed under mechanical cuts mimicking continuous stocking with an average height of 30 cm. In March 2025 (early autumn), forage samples were collected close to the ground to determine the total dry matter and manual separation of the morphological components: live leaf blade, live stem, dead leaf and dead stem. The data were submitted to analysis of variance and Tukey's test (p<0.05). Humidicola grass had the highest forage mass (9436 kg/ha/ms) (p<0.05), but associated with the highest percentage of live stem (61%) and lowest proportion of live leaf (17%), indicating a low leaf/stem ratio. Xaraés and Sabiá grasses stood out for the highest percentages of live leaves (30% and 31%, respectively), associated with intermediate and high values of forage mass, as well as Marandu grass. Braquiarinha grass had the lowest biomass yield (5780 kg/ha/ms) and the highest accumulation of dead stem (31%), a behavior attributed to lodging and the natural lodging of its slender stalks. The highest percentages of dead leaves were observed in the cultivars MG-13 Braúna (17%) and Marandu (16%). The Sabiá, Xaraés and Marandu grasses are the most recommended for use in early autumn in the region of Uberlândia-MG, as they reconcile high biomass production with a qualitatively superior canopy structure, characterized by a greater participation of live leaves and less of stalks.

Keywords: Urochloa syn. Brachiaria; Morphological composition; Transition period; Pasture structure.

Introdução

As plantas forrageiras podem ser definidas como todas aquelas consumidas por herbívoros e, por isso, abrangem variada gama de gêneros e espécies, desde herbáceas até arbustivas (Pereira et al., 2016). Alguns destes gêneros e espécies ganham um destaque maior no comércio, isto ocorre porque possuem alta adaptabilidade, aos diferentes fatores edafoclimáticos, contribuindo para a produtividade animal a baixo custo (Abiec, 2025).

Assim como, também, a produtividade agrícola pode ser afetada por uma série de estresses bióticos (fungos, bactérias, insetos, entre outros) e abióticos (seca, o excesso de chuvas, extremos de temperaturas, baixa luminosidade, entre outros) que alteram o crescimento e o desenvolvimento vegetal (Taiz et al., 2017).

O objetivo deste trabalho procura avaliar a produção de forragem e estrutura da massa produzida durante o outono. Busca-se uma discussão sobre a importância da diversificação das gramíneas forrageiras para a produção animal no Brasil. A compreensão de que existem diversas espécies de gramíneas forrageiras utilizadas e das diferentes estações do ano, inclusive o outono, popularmente denominado período de transição águas-seca, tendo em vista as gramíneas forrageiras com maiores ou menores aptidões às mudanças nas condições climáticas.

Dessa forma, a problemática levantada como hipótese envolve a decisão de qual gramínea forrageira deve ser implantada. Embora difícil, a escolha da gramínea forrageira correta para o sucesso da atividade agropecuária é de extrema importância, uma vez que no Brasil, as pastagens cultivadas ocupam 80% da área total de pastagens (Dias-Filho, 2014). No Brasil, Rocha et al. (2019), ao avaliarem 24 artigos com experimentos de longa duração em vários locais e diferentes sistemas de pastejo, combinações de gramíneas e de leguminosas, observaram que o ganho de peso vivo de bovinos foi, em média, de 329 kg/ha/ano (96 a 580 kg/ha) nos pastos consorciados e de 456 kg/ha/ano (350 a 592 kg/ha) em pastos adubados com nitrogênio (44 a 200 kg/ha N).

Ressalta-se que, a perda da capacidade produtiva das pastagens e seus impactos sobre o ambiente e o comprometimento da sustentabilidade da atividade, ocorrem por fatores bióticos ou abióticos. Para Dias-Filho (2011), o manejo inadequado das pastagens naturais ou plantadas pode levar a sua degradação, resultando em queda na produção de forragem e, consequentemente, na cobertura vegetal do solo pelas plantas forrageiras, erosão e perda de nutrientes do solo, e aumento na emissão de gases do efeito estufa.

Consequentemente, é promovida uma dinâmica das alterações na plantação de gramíneas, até mesmo exigindo mudanças de comportamento dos produtores para assegurar maior produtividade e competitividade a seus sistemas produtivos, visto que, o valor nutricional da forragem tem reflexos diretos sobre a produtividade animal (Dias-Filho., 2011).

Portanto, conhecendo as características do solo e clima, principalmente, a capacidade de retenção de folhas na seca e a distribuição da produção ao longo do ano, poderão existir grandes diferenças entre cultivares de capim, interferindo na produção de forragem em quantidade e qualidade de massa disponível ao pastejo. Neste sentido, visando o melhor suprimento de forragem para os animais em pastejo ao longo do ano, principalmente na transição águas-seca faz-se necessário a avaliação das diferentes cultivares de capim nessa época do ano (Santos et al., 2019).

A intensificação dos sistemas de produção pastoris é apontada como uma das alternativas de exploração sustentável, minimizando a pressão sobre a abertura de novas áreas para produção agropecuária. Esse modelo, entretanto, deverá ser pautado pelo uso eficiente dos recursos físicos, incluindo a recuperação de áreas antropizadas e degradadas, pautada no aporte de conhecimento e de tecnologias poupadoras de insumos (Barcellos, 2008).

Na criação animal em pasto, é importante o conhecimento do desenvolvimento das plantas forrageiras no decorrer do ano, para traçar estratégias que amenizem as oscilações de produção de forragem, como o diferimento da pastagem, a fim de garantir alimento aos animais na época de seca (Santos et al., 2010). A utilização de gramíneas forrageiras reforça, as premissas que levam a sustentabilidade, e ainda a manutenção de um valor nutritivo mais elevado na forragem e na dieta, assegurando maior produtividade no processo de intensificação da produção animal (Santos et al., 2019).

Metodologia

O experimento foi conduzido no campo agrostológico da Fazenda Experimental do Glória, situada na Universidade Federal de Uberlândia, MG, de fevereiro de 2025 a abril de 2025. As coordenadas geográficas da área são 18° 56' S e 48° 12' W, e a altitude é de 863 metros. O clima da região era do tipo AW (Savana), apresentando estação seca no inverno (Alvares et al., 2013). Durante o período experimental, as condições climáticas foram monitoradas em uma estação meteorológica localizada a cerca de 200 metros da área experimental (Figura 1).

Figura 1. Dados médios diários agregados por mês, obtidos da estação meteorológica localizada a 200 metros da área experimental. Médias mensais de temperaturas mínima, máxima e média diárias e precipitação pluvial de fevereiro de 2025 a abril de 2025. Fonte: Elaborado pelos Autores (2026).

O relevo da área experimental é plano e o solo é classificado como Latossolo Vermelho Argiloso Distrófico (Embrapa, 2018). Em fevereiro de 2025, foram retiradas amostras de solo na camada de 0 a 20 cm, para análise do nível de fertilidade e os resultados foram: pH em (H2O): 5,8; P: 14,5 mg dm-3 (Mehlich-1); K: 47,3 mg dm-3; Ca2+: 2,4 cmolc dm-3; Mg2+: 1,3 cmolc dm-3; Al3+: 0 cmolc dm-3; H + Al: 2,9 cmolc dm-3 e V: 56,0%. Não foram realizadas calagem ou gessagem na área.

Todas as parcelas experimentais foram estabelecidas em 2023 e estavam previamente manejadas sob cortes mecânicos mimetizando uma situação de pastejo em lotação continua com altura média de manejo em 30 cm durante todo o ano. A frequência de corte era regulada semanalmente de acordo com a taxa de crescimento do capim, ao longo das estações do ano.

O experimento foi realizado em delineamento inteiramente casualizado, com três repetições. Um total de 18 parcelas experimentais, cada uma com área de 12,25 m². Foram avaliadas seis cultivares de Urochloa syn. Brachiaria: Braquiarinha, Xaraés, Marandu, Humidicola, MG13 Braúna e o Sabiá. As avaliações ocorreram em uma área útil de 9 m², após descontar uma bordadura de 0,5 m nas extremidades da parcela.

Foram selecionados dois pontos em cada parcela com estruturas semelhantes, e colhidas amostras de massa de forragem rente ao solo, utilizando retângulo de 25 x 50 cm (0,125 m² de área). As amostras de massa de forragem coletadas dentro desses retângulos, incluindo todos os perfilhos, usando uma tesoura de poda. Em seguida, as amostras são identificadas e pesadas individualmente.

As amostras de massa de forragem foram divididas em duas partes. Uma delas foi pesada e colocada em uma estufa com ventilação forçada a 65°C por 72 horas, para determinação da matéria seca (MS). A outra subamostra foi separada em lâmina foliar viva, colmo mais bainha vivos, folha morta e colmo morto. A região da lâmina foliar com amarelecimento e/ou necrosamento foi incluída na fração de lâmina foliar morta. Esses componentes morfológicos também foram secos em estufa e pesados. Com esses dados, calculou-se as massas e as composições morfológicas da forragem.

Os dados obtidos foram submetidos a análises estatísticas, de modo que as variáveis respostas que atenderam aos pressupostos da análise de variância foram analisadas pelo teste Tukey. Todas as análises foram realizadas com um nível de significância de até 5% de probabilidade de ocorrência de erro tipo I.

Resultados e Discussão

A tabela 1 apresenta os principais resultados obtidos durante a avaliação, das seis cultivares de Urochloa no início do outono (20/03), em sistema de pastagens em monocultivo. Através destes dados é possível identificar e discutir a importância da escolha de diferentes cultivares, visto que, todos estes capins são do gênero Urochloa, as braquiárias, e cada uma responde de forma diferente aos fatores edafoclimáticos (Neves Neto et al., 2014; Taiz et al., 2017).

Tabela 1- Massa de forragem (kg/ha/ms), percentual de folha viva, percentual de colmo vivo, percentual de folha morta, percentual de colmo morto e percentual de matéria seca na massa de forragem, dos capins Braquiarinha, Xaraés, Marandu, Humidicola, MG-13 Braúna e Sabiá.

*Médias nas colunas seguidas de letras distintas, diferem entre si pelo teste T (Tukey) (p<0,05). MF: massa de forragem (kg/ha/ms); PerFV: porcentagem de folha viva na massa de forragem; PerCV: porcentagem de colmo vivo na massa de forragem; PerFM: porcentagem de folha morta na massa de forragem; PerCM: porcentagem de colmo morto na massa de forragem; CV %: coeficiente de variação.

O capim humidicola apresentou a maior massa de forragem (9436 kg/ha/ms) no período de avaliação (p<0,05), sob a condição de altura média de 30 cm durante todo o período das águas e início do outono (Tabela 1). Os capins xaraés e sabiá, apresentaram valores de massa de forragem intermediários sob o mesmo manejo (Tabela 1). Os capins braquiarinha, marandu e braúna, apresentaram os menores valores de massa de forragem (p<0,05) (Tabela 1).

Segundo Martins et al. (2013), o capim humidicola possui um hábito de crescimento estolonífero e prostrado muito agressivo, no entanto, quando manejada em alturas mais elevadas (30 cm) adotados neste trabalho, a espécie tende a acumular uma quantidade elevada de estolões e colmos na base do dossel para se sustentar e expandir horizontalmente (Euclides et al., 1992).

Neste contexto, o elevado teor de colmo justifica a menor participação de folha morta, como a maior parte da estrutura do pasto é composta por colmos vivos e resistentes, há proporcionalmente menos lâminas foliares na massa total sujeitas à senescência rápida no início do outono (Euclides et al., 1992).

O percentual de folha viva da massa de forragem (PerFV), obteve-se destaque para os capins xaraés, sabiá e marandu (Tabela 1). A folha viva é o órgão da planta de melhor valor nutritivo e digestibilidade, contribuindo para o melhor desempenho animal em pastagens (Euclides et al., 2000). A maior participação de folhas vivas na massa de forragem impacta diretamente na relação folha/colmo do capim, neste contexto, maiores quantidades de folhas vivas e menores de colmo na massa de forragem (Tabela1).

O percentual de colmo vivo (PerCV) do capim humidicola é o maior observado neste trabalho (p<0,05), e condiz com seu menor PerFV quando comparado aos demais capins na mesma avaliação. Neste contexto, o capim humidicola apresentou elevada massa de forragem no início do outono, no entanto, com baixa relação folha/colmo (Tabela 1). Segundo Neves Neto et al. (2014), as cultivares de Urochloa são fortemente influenciadas pelos fatores edafoclimáticos de transição entre as estações do ano e pelo manejo de controle de altura da estrutura do dossel forrageiro.

Os capins MG-13 braúna, marandu e sabiá apresentaram os maiores valores percentuais de folha morta na massa forragem no início do outono durante a avaliação da estrutura da forragem produzida (Tabela1). Neste mesmo momento, o capim humidicola se destaca devido seu menor valor entre todas as cultivares (p<0,05) para o componente folha morta, na massa de forragem. Este dado possivelmente está associado ao seu elevado teor de colmo na massa de forragem e baixa participação de folhas vivas.

Os maiores percentuais de folha morta foram observados nas cultivares MG-13 Braúna (17%) e Marandu (16%) (Tabela 1). Este resultado condiz com as diferentes adaptações fisiológicas das gramíneas aos fatores climáticos como, a competição por água, nutrientes, luz e estímulos ao florescimento dos perfilhos quando manejados em sistemas de altura fixa, em diferentes estações do ano (Euclides et al., 1992; Euclides et al., 2000; Neves Neto et al., 2014)

O capim braquiarinha apresentou o maior percentual de colmo morto (PerCM), em comparação aos demais capins avaliados no início do outono. Associado ao elevador valor de colmo morto na massa de forragem, apresentou uma das menores produções de massa de forragem por hectare avaliado (5780 kg/ha/ms) (Tabela 1). Este resultado condiz com o trabalho de Teixeira et al. (2011), com a Urochloa decumbens, a qual, possui colmos naturalmente delgados e flexíveis facilmente acamáveis ou com elevado índice de tombamento, quando a pastagem é mantida sob condições de alturas fixas ou períodos longos sem o ajuste fino da carga animal. Neste contexto, a base do dossel perde o acesso ideal à luz, acelerando a mortalidade dos tecidos e resultando no expressivo acúmulo de colmo morto observado na avaliação.


Conclusão

Os capins sabiá, xaraés e marandu apresentaram elevada produção de massa de forragem no início do outono e com boa relação folha/colmo, garantindo uma massa de forragem com maiores percentuais de folha viva e menores de colmo vivo. Em comparação aos demais capins avaliados no início do outono em Uberlândia – MG, garantindo assim, forragem de maior qualidade para os animais em pastejo.

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  1. Universidade Federal de Uberlândia – Uberlândia – MG – Brasil.
    ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8756-1809

  2. Universidade Federal de Uberlândia – Uberlândia – MG – Brasil.
    ORCID: https://orcid.org/0009-0008-2360-2940

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Copyright (c) 2026 Gustavo Segatto Borges, Daniela Segatto Borges (Autor)

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