O papel da enfermagem frente o manejo de pacientes dialíticos
The role of nursing in the management of dialysis patients
Natália Evelyn da Silva Brito[1]; Jeferson Pena Carneiro[2]; Rudilene Ramos Cavalcante Albernaz[3]; Roberta Daniele dos Santos Valente de Souza[4]; Shelly Leão Ramos[5]; Naldilene Nascimento do Couto[6]; Fernanda Ramos da Silva[7]; Maria de nazaré Ramos de Oliveira[8]; Severino Florencio da Penha Neto[9]; Italo Azevedo Oliveira[10]; Messias Soares Tavares[11]; Vanessa Vaz Dos Santos[12]
Resumo
A Doença Renal Crônica (DRC) é uma condição caracterizada pela perda progressiva, irreversível e permanente da função renal, comprometendo a capacidade dos rins de manter a homeostase do organismo. Quando não tratada adequadamente, pode evoluir para estágios avançados, ocasionando complicações graves e até mesmo o óbito. Entre as principais formas de tratamento estão a hemodiálise, a diálise peritoneal e o transplante renal, sendo a hemodiálise a modalidade mais utilizada. Esse procedimento substitui parcialmente as funções dos rins, promovendo a remoção de toxinas, líquidos e substâncias acumuladas no organismo.O presente estudo teve como objetivo discutir a importância da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) para pacientes com DRC em tratamento hemodialítico. Para isso, foi realizada uma revisão integrativa da literatura, utilizando artigos disponíveis nas bases SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), selecionados por meio dos descritores assistência de enfermagem, diálise renal e humanização.Os resultados evidenciam que a DRC representa um importante problema de saúde pública, gerando elevados custos ao sistema de saúde e crescente demanda por serviços especializados. A doença é classificada em diferentes estágios, definidos principalmente pela Taxa de Filtração Glomerular (TFG), sendo a proteinúria um dos principais marcadores de lesão renal. Nesse contexto, o enfermeiro desempenha papel fundamental na assistência ao paciente renal crônico, atuando não apenas na execução de procedimentos técnicos, mas também na educação em saúde, monitoramento clínico, identificação precoce de complicações e apoio emocional. A SAE contribui para a organização e individualização do cuidado, favorecendo a adesão ao tratamento e o autocuidado.Conclui-se que a assistência de enfermagem deve ocorrer de forma contínua e integral, contemplando aspectos físicos, emocionais e sociais do paciente. A atuação qualificada do enfermeiro é essencial para a prevenção de complicações, promoção da qualidade de vida e melhoria dos resultados clínicos dos pacientes submetidos à hemodiálise.
Palavras-Chave
Assistência de enfermagem, diálise renal, humanização.
Abstract
Chronic Kidney Disease (CKD) is a condition characterized by the progressive, irreversible, and permanent loss of kidney function, compromising the kidneys' ability to maintain the body's homeostasis. When not treated adequately, it can progress to advanced stages, causing serious complications and even death. Among the main forms of treatment are hemodialysis, peritoneal dialysis, and kidney transplantation, with hemodialysis being the most widely used modality. This procedure partially replaces kidney function, promoting the removal of toxins, fluids, and substances accumulated in the body. This study aimed to discuss the importance of the Nursing Care Systematization (NCS) for patients with CKD undergoing hemodialysis treatment. To this end, an integrative literature review was conducted, using articles available in the SciELO and Virtual Health Library (VHL) databases, selected using the descriptors nursing care, renal dialysis, and humanization. The results show that CKD represents a significant public health problem, generating high costs for the health system and a growing demand for specialized services. The disease is classified into different stages, defined mainly by the Glomerular Filtration Rate (GFR), with proteinuria being one of the main markers of kidney damage. In this context, the nurse plays a fundamental role in the care of chronic kidney disease patients, acting not only in the execution of technical procedures, but also in health education, clinical monitoring, early identification of complications, and emotional support. The Nursing Care System contributes to the organization and individualization of care, favoring adherence to treatment and self-care. It is concluded that nursing care should occur continuously and comprehensively, encompassing the physical, emotional, and social aspects of the patient. The qualified performance of the nurse is essential for the prevention of complications, promotion of quality of life, and improvement of clinical outcomes for patients undergoing hemodialysis.
Keywords
Nursing care, kidney dialysis, humanization.
1. Introdução
A Insuficiência Renal Crônica (IRC) consiste em uma síndrome caracterizada pela perda progressiva, irreversível e permanente da função renal, comprometendo a capacidade dos rins de manter a homeostase do organismo. Na ausência de tratamento adequado, a doença pode evoluir para estágios avançados, culminando em graves complicações sistêmicas e, consequentemente, no óbito do paciente. Entre as modalidades terapêuticas disponíveis para o manejo da IRC, destaca-se a hemodiálise, método de substituição da função renal indicado para pacientes criteriosamente selecionados. Dentre os requisitos para a realização segura desse procedimento, ressalta-se a necessidade de estabilidade hemodinâmica e adequada função cardiovascular. (Pereira et.al 2025)
A busca por intervenções terapêuticas capazes de aumentar a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes com Insuficiência Renal Crônica (IRC) tem se intensificado nas últimas décadas. As principais modalidades terapêuticas disponíveis para o tratamento da doença renal em estágios avançados incluem a hemodiálise, a diálise peritoneal e o transplante renal, cada uma apresentando características, benefícios e limitações específicas. A escolha da terapia mais adequada deve considerar aspectos clínicos, sociais e psicológicos, envolvendo não apenas o paciente, mas também seus familiares, uma vez que tais tratamentos podem acarretar impactos emocionais significativos. (Pereira et.al 2025)
Dentre as opções terapêuticas, a hemodiálise destaca-se como a modalidade mais amplamente utilizada. Além de contribuir para a redução das complicações associadas à insuficiência renal e diminuir os índices de mortalidade, esse tratamento favorece a manutenção das atividades cotidianas e a reinserção social dos pacientes. O procedimento é realizado por meio de um equipamento especializado que atua na substituição parcial da função renal, promovendo a filtração e a purificação do sangue. Sua finalidade consiste na remoção de substâncias tóxicas, produtos do metabolismo urêmico, sais minerais e líquidos acumulados no organismo, desempenhando, assim, funções que os rins comprometidos não conseguem executar adequadamente. (Peixoto et.al 2026)
Nesse contexto, a enfermagem exerce papel essencial na assistência às pessoas com Doença Renal Crônica (DRC), destacando-se por meio do desenvolvimento de ações de educação em saúde voltadas à ampliação do conhecimento dos pacientes acerca da doença e à promoção da adesão ao tratamento. A atuação da equipe de enfermagem envolve o esclarecimento de dúvidas, o fornecimento de orientações individualizadas e o incentivo à adoção de hábitos e estilos de vida saudáveis, contribuindo para o autocuidado, a prevenção de complicações e a melhoria da qualidade de vida. Dessa forma, a implementação de estratégias educativas e o estabelecimento de uma relação terapêutica pautada na escuta e no acolhimento constituem elementos fundamentais para a obtenção de resultados positivos no processo de cuidado. (Peixoto et.al 2026)
Assim, o objetivo desta pesquisa consiste em apresentar e discutir, com base na literatura científica, a importância da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) para pacientes com Doença Renal Crônica (DRC) em tratamento hemodialítico, bem como correlacionar esse aspecto com a relevância da oferta de uma assistência integral e qualificada a essa população.
2. Metodologia
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, caracterizada pela investigação teórica e identificação de estudos nas áreas de pesquisa sobre o tema a ser discutido, norteada pelas seguintes etapas, construção da questão de pesquisa, definição das bases de dados e critérios de inclusão e exclusão, definição das informações a serem extraídas, avaliação dos estudos incluídos, interpretação dos resultados e síntese dos dados
O levantamento de estudos foi realizado em março e maio de 2026 nas plataformas Scielo e Biblioteca virtual de Saúde (BVS) com os descritores assistência de enfermagem, dialise renal, humanização tais descritores foram extraídos dos Descritores de Ciência e saúde (DeCS), combinados com os operadores booleanos AND e OR.
3. Resultados e Discussão
A Doença Renal Crônica (DRC) representa um importante desafio no âmbito da saúde pública e da prática médica, acarretando expressivo impacto econômico para o país, com custos estimados em aproximadamente R$ 1,4 bilhão ao ano, relacionados principalmente às despesas com programas de diálise e transplante renal. Além disso, milhões de indivíduos são acometidos por condições renais não fatais, que incluem infecções do trato urinário superior e inferior, nefrolitíase e obstruções urinárias. (Coelho et.al 2023)
A complexidade dessas patologias está relacionada à estrutura anatômica e funcional dos rins, que são compostos por quatro compartimentos principais: glomérulos, túbulos, interstício e sistema vascular. Em razão da estreita inter-relação entre essas estruturas, alterações patológicas em um desses componentes podem comprometer os demais, resultando em disfunção progressiva e, em casos mais graves, evoluindo para insuficiência e falência renal. (Coelho et.al 2023).
Em nível mundial, estima-se que centenas de milhões de indivíduos sejam acometidos anualmente por doenças relacionadas aos rins e ao trato urinário, com incidência significativa de insuficiência renal aguda. No Brasil, observa-se um aumento expressivo do número de pacientes em tratamento dialítico crônico ao longo das últimas duas décadas, evidenciando a crescente demanda por serviços especializados em nefrologia. (Coelho et.al 2023).
A Doença Renal Crônica (DRC) é classificada em seis estágios funcionais, conforme apresentado na Tabela 1, os quais são definidos a partir do nível de função renal do paciente. Esses estágios compreendem: fase de função renal normal sem evidência de lesão; fase de lesão renal com função preservada; fase de insuficiência renal funcional ou leve; fase de insuficiência renal laboratorial ou moderada; fase de insuficiência renal clínica ou severa; e fase terminal da insuficiência renal crônica. (Mendonça e Oliveira, 2023)
A proteinúria, também denominada albuminúria, é considerada o principal marcador de lesão renal e é amplamente utilizada para esse fim. Entretanto, outros indicadores de dano renal também podem ser empregados, como alterações na composição urinária, a exemplo da hematúria de origem glomerular, achados anormais em exames de imagem, como a presença de cistos na doença renal policística do adulto, e alterações histopatológicas identificadas em biópsias renais, incluindo comprometimento glomerular com ou sem envolvimento tubulointersticial. (Mendonça e Oliveira, 2023)
A ausência de sintomas em pacientes nos estágios iniciais da DCR destaca a importância de os enfermeiros manterem um nível adequado de suspeita, especialmente em indivíduos com fatores de risco de saúde ou sociodemográficos para DRC. A TFG é a medida mais precisa da função renal em pessoas saudáveis ou pacientes com doença renal e varia de acordo com a idade, o gênero e a massa muscular, diminuindo com o avanço da idade. Um valor de TFG abaixo de 60 mL/min/1,73 m² indica uma redução de cerca de 50% da função renal normal e, abaixo desse limiar, a prevalência das complicações da DRC aumenta. (Mendonça e Oliveira, 2023)
Destaca-se que a atuação do enfermeiro transcende a execução de procedimentos técnicos e a administração de medicamentos, desempenhando papel fundamental na assistência integral ao paciente. Esse profissional atua como elo entre o indivíduo e a equipe multiprofissional de saúde, oferecendo suporte emocional, orientações acerca da condição clínica e incentivo à adesão ao tratamento proposto.
Além disso, o enfermeiro é responsável pelo monitoramento contínuo dos sinais vitais e dos parâmetros laboratoriais, contribuindo para a avaliação da resposta terapêutica e para a adequação das condutas assistenciais quando necessário. Sua capacidade de realizar avaliações clínicas sistemáticas e criteriosas possibilita a identificação precoce de alterações e complicações, favorecendo intervenções oportunas e reduzindo o risco de agravamento da doença.
Por meio de uma abordagem holística, o enfermeiro considera não apenas os aspectos físicos relacionados ao quadro clínico, mas também os fatores emocionais, sociais e psicológicos que influenciam o processo de saúde e doença. Dessa forma, contribui significativamente para a promoção da qualidade de vida, do bem-estar e da recuperação dos pacientes que enfrentam condições de saúde complexas.( Silva e Silva, 2025)
No contexto da equipe multiprofissional, o enfermeiro desempenha papel fundamental na assistência ao paciente com Doença Renal Crônica (DRC), desenvolvendo um cuidado individualizado e centrado nas necessidades específicas de cada indivíduo. Sua atuação envolve a sistematização da assistência de enfermagem, com foco na promoção de experiências positivas durante o tratamento, no incentivo ao autocuidado e no fortalecimento da autonomia do paciente.
Adicionalmente, a educação em saúde constitui uma importante atribuição do enfermeiro, sendo essencial fornecer orientações claras e abrangentes ao paciente e aos seus familiares acerca da Doença Renal Crônica, suas formas de tratamento e possíveis complicações. Essa abordagem contribui para a ampliação do conhecimento sobre a condição, favorece a adesão terapêutica e possibilita uma participação mais ativa do paciente no gerenciamento de sua própria saúde.( Silva e Silva, 2025)
Compete ao enfermeiro desempenhar um papel essencial no processo de educação em saúde, compartilhando conhecimentos sobre a doença com o paciente e seus familiares. Essa prática tem como objetivo promover maior compreensão acerca da condição clínica, proporcionando segurança, acolhimento e subsídios para uma melhor adaptação à convivência com uma enfermidade crônica.
No contexto da hemodiálise, é fundamental que o paciente seja orientado, desde o início do tratamento, sobre a importância da adesão às recomendações terapêuticas e os possíveis impactos decorrentes de sua não observância. Nesse sentido, o enfermeiro atua como agente facilitador da comunicação e do aprendizado, fornecendo informações claras e fundamentadas que favorecem a tomada de decisões conscientes e o desenvolvimento da corresponsabilidade do paciente no cuidado com a própria saúde. (Sandes e Ferreira, 2025)
O enfermeiro desempenha papel fundamental na promoção da saúde, desenvolvendo ações alinhadas às necessidades específicas da população assistida. Sua atuação envolve a identificação de fatores de risco e de grupos mais vulneráveis, bem como a implementação de estratégias educativas e assistenciais que favoreçam a adaptação a novas condições de saúde e à adoção de hábitos de vida mais saudáveis.
As práticas de educação em saúde podem ser desenvolvidas de forma participativa e interdisciplinar, abrangendo todos os níveis de atenção à saúde, desde a atenção primária até os serviços de maior complexidade. Nesse contexto, o enfermeiro exerce funções essenciais como cuidador, educador e agente de transformação social, promovendo o empoderamento dos indivíduos e incentivando a prática do autocuidado.
Dessa forma, a realização de ações educativas voltadas à promoção da saúde e à prevenção de agravos torna-se indispensável para a redução da incidência da Doença Renal Crônica (DRC), contribuindo para a melhoria das condições de saúde e da qualidade de vida da população. (Sandes e Ferreira, 2025)
Dessa forma, reconhece-se a relevância da atuação dos profissionais de saúde, especialmente do enfermeiro, no acompanhamento e na assistência aos pacientes em terapia hemodialítica. Por manter contato contínuo e direto com esses indivíduos, o enfermeiro desempenha papel estratégico na identificação precoce de alterações clínicas, no monitoramento do tratamento e na implementação de ações educativas que favoreçam a prevenção e o manejo de possíveis complicações.
Nesse contexto, torna-se essencial o desenvolvimento de estratégias de orientação e acompanhamento que promovam a adesão ao tratamento e contribuam para a segurança e o bem-estar dos pacientes. Assim, a atuação do enfermeiro revela-se indispensável para a qualificação da assistência prestada, refletindo positivamente nos resultados clínicos e na melhoria da qualidade de vida das pessoas submetidas à hemodiálise. (Sandes e Ferreira, 2025)
4. Conclusão
Os estudos analisados demonstram que a assistência de enfermagem deve ser desenvolvida de forma contínua ao longo de todo o processo terapêutico do paciente, abrangendo os períodos pré, trans e pós-procedimento. As intervenções de enfermagem devem estar direcionadas à promoção da saúde, prevenção de agravos e recuperação do indivíduo, considerando-o de maneira integral. Nesse contexto, é fundamental que o enfermeiro realize avaliação e monitoramento constantes, observando aspectos clínicos, físicos e emocionais, além de promover ações educativas voltadas tanto ao paciente quanto aos seus familiares.
A atuação do enfermeiro proporciona diversos benefícios, entre os quais se destacam a melhoria da qualidade de vida do paciente, a preservação do acesso vascular, o suporte emocional e a redução de intercorrências relacionadas ao tratamento. Dessa forma, a assistência deve ser prestada de maneira integral e sistematizada, permitindo o acompanhamento do indivíduo em todas as etapas do cuidado, desde as ações preventivas até o tratamento propriamente dito, possibilitando intervenções oportunas sempre que necessário.
Além disso, é indispensável que o enfermeiro mantenha constante atualização sobre a doença, os procedimentos terapêuticos e as condutas assistenciais mais adequadas, assegurando uma prática fundamentada em evidências científicas e na qualidade do cuidado. O aprimoramento contínuo dos conhecimentos contribui para a tomada de decisões seguras e eficazes no atendimento ao paciente.
Espera-se, ainda, que o profissional seja capaz de aplicar seus conhecimentos técnicos e científicos na assistência, bem como compartilhá-los com a equipe multiprofissional, pacientes e familiares. Diante disso, conclui-se que o enfermeiro desempenha papel essencial na identificação, análise e compreensão das necessidades dos pacientes com insuficiência renal, sendo fundamental para a promoção da saúde, prevenção de complicações e desenvolvimento de estratégias terapêuticas que favoreçam a qualidade de vida e o bem-estar desses indivíduos.
Referências
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