RESUMO
Introdução: A Síndrome da Dor Miofascial (SDM) é uma condição crônica prevalente, e o presente trabalho buscou comparar a eficácia da Terapia Manual (TM) e do Dry Needling (DN) na supressão dos sintomas em regiões como parte superior das costas, pescoço e Articulação Temporomandibular (ATM). Metodologia: Foi realizada uma revisão integrativa de ensaios clínicos randomizados (ECRs), utilizando a escala Downs and Black para avaliar a qualidade metodológica e o risco de viés dos estudos incluídos. Resultados: A análise dos estudos mostrou que o DN e a TM são amplamente equivalentes na redução da dor e incapacidade em curto prazo. Contudo, o DN demonstrou maior potencial de sustentação dos efeitos em sessão única, sendo que a combinação DN + TM se mostrou superior à TM isolada em diversos desfechos. Adicionalmente, a maioria dos ECRs selecionados apresentou alta qualidade metodológica.
1 Fisioterapeuta e Doutora em Cardiologia e Ciências Cardiovasculares na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
2 Fisioterapeuta graduada no Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter
3 Fisioterapeuta e Mestre em Ciências Pneumológicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Professor titular no Centro Universitário Ritter dos Reis - UniRitter - e-mail: hermann.husch@ulife.com.br - autor correspondente
Discussão: A equivalência imediata observada contrasta com o efeito mais sustentado do DN e o valor da combinação de técnicas. A abordagem mais eficaz e duradoura inclui o DN associado à educação em neurociência da dor, sendo esta essencial para modular fatores psicológicos (cinesiofobia e ansiedade). Conclusão: A eficácia no tratamento da SDM não reside na superioridade de uma técnica, mas sim na integração do DN como potencializador da TM, devendo-se priorizar o uso de planos de tratamento multimodais e biopsicossociais com dosagem de sessões adequada para garantir benefícios clínicos de longo prazo.
Descritores: Síndrome da Dor Miofascial; Agulhamento Seco; Terapia Manual; Incapacidade, Pontos-Gatilho.
ABSTRACT
Introduction: Myofascial Pain Syndrome (MPS) is a prevalent chronic condition, and the present study aimed to compare the effectiveness of Manual Therapy (MT) and Dry Needling (DN) in suppressing MPS symptoms in the upper back, neck, and Temporomandibular Joint (TMJ). Methodology: An integrative review of randomized clinical trials (RCTs) was conducted, with methodological quality and risk of bias assessed using the Downs and Black scale. Results: The analysis of the studies showed that DN and MT are broadly equivalent in reducing pain and disability in the short term. However, DN demonstrated greater potential for sustained effects in a single session, and the combination DN + MT was consistently superior to MT alone in various outcomes. Additionally, the majority of the selected RCTs showed high methodological quality. Discussion: The observed immediate equivalence contrasts with the more sustained effect of DN and the value of combining techniques. The most effective and long-lasting approach includes DN associated with Pain Neuroscience Education (PNE), which is essential for modulating psychological factors (kinesiophobia and anxiety). Conclusion: Effectiveness in treating MPS does not lie in the superiority of one technique but in integrating DN as a potentiator of MT, and prioritizing the use of multimodal and biopsychosocial treatment plans with adequate session dosage to ensure long-term clinical benefits. Keywords: Myofascial Pain Syndrome; Dry Needling; Manual Therapy; Disability, Trigger Point
INTRODUÇÃO
A Síndrome da Dor Miofascial (SDM) é definida como uma condição de dor regional aguda ou crônica, de alta prevalência no contexto músculo esquelético que envolve a combinação de sintomas sensoriais, motores e autonômicos.1 O quadro clínico é caracterizado pela presença de Pontos-Gatilho Miofasciais (PGMs), que são pontos hipersensíveis, palpáveis em uma faixa tensa dentro do músculo, classificados como "ativos" quando causam dor espontânea/referida e reconhecida pelo paciente ou "latentes", quando não causam dor espontânea, mas seguem os mesmos critérios ao serem estimulados.2 O tratamento desses pontos é uma intervenção central no manejo da SDM.3
A etiologia da SDM é multifatorial e ainda não é totalmente compreendida, embora se acredite que a sobrecarga muscular seja uma causa como consequência do uso excessivo ou desuso. Os fatores de risco comuns incluem: fatores traumáticos, como lesão muscular, fatores ergonômicos, como atividades de uso excessivo e má
postura, fatores estruturais, como espondilose, escoliose e osteoartrite e fatores sistêmicos, como hipotireoidismo, deficiência de vitamina D e deficiência de ferro.4 Acredita-se que estresse emocional, influências psicológicas ou comportamentais também podem ser causas importantes 5.
O diagnóstico diferencial da dor miofascial é amplo e inclui causas sobrepostas de dor musculoesquelética regional. O profissional clínico deve se perguntar se a dor miofascial é o gerador de dor primário ou se existem outros diagnósticos estruturais, nutricionais, metabólicos, psicológicos ou inflamatórios coexistentes ou subjacentes. O diagnóstico incorreto ou o manejo inadequado deste distúrbio após o início podem levar ao desenvolvimento de uma síndrome de dor crônica complexa.5
Globalmente, é uma das queixas musculoesqueléticas mais comuns. Aproximadamente 30,0% - 93,0% dos pacientes com dor musculoesquelética apresentam SDM, e cerca de 46,1% PGM ativo no exame físico. A prevalência da SDM tem crescido consideravelmente nos últimos anos.6
No contexto brasileiro, a dor crônica inespecífica musculoesquelética é uma das principais causas de absenteísmo e redução da produtividade no trabalho 7,8, sendo um componente frequente da dor musculoesquelética e uma das queixas mais comuns na Atenção Primária em Saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).9 Em desordens específicas, como as Disfunções Temporomandibulares (DTM) é o tipo de dor orofacial mais comum de origem não dentária, correspondendo a aproximadamente 30% a 50% dos diagnósticos.10 A relevância da SDM é particularmente observada em estudos que associam a síndrome a fatores ergonômicos e ocupacionais. Estudo realizado sobre essa síndrome confirmou a existência de SDM em 64% da amostra em um ambulatório de Lesão de Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbios Osteomusculoarticulares (DORT) 11. Tais achados no país, destacam a importância de intervenções eficazes, como as que visam minimizar a dor em PGMs, melhorar não somente a saúde laboral, mas a qualidade de vida (QdV) da população. O tratamento convencional da SDM frequentemente envolve intervenções farmacológicas, como injeções de anestésicos locais, bloqueadores como onabotulinumtoxina (Botox) 12, e diversas modalidades físicas.
Contudo, o foco em abordagens de desativação direta dos PGs tem sido amplamente descritas recomendando terapias de caráter multimodal que envolvem, também, além da educação do paciente13, exercícios, modificação de comportamento, farmacoterapia e intervenções procedimentais. Os medicamentos comumente usados incluem analgésicos tópicos, anti-inflamatórios não esteroidais e relaxantes musculares. 14, 15,16
As intervenções fisioterapêuticas buscam não apenas o alívio sintomático, mas também a correção dos fatores etiológicos contribuintes, como desequilíbrios posturais e sobrecarga funcional. Para alcançar esses objetivos, a fisioterapia utiliza um vasto arsenal que inclui exercícios terapêuticos e, de forma proeminente, as técnicas de TM como massagem de tecidos profundos, técnica de spray, alongamento, liberação miofascial, DN, injeções em pontos-gatilho, acupuntura, bandagem cinesiológica, estimulação elétrica nervosa transcutânea, terapia por ondas de choque extracorpóreas e terapia a laser de baixa intensidade 17,18,19.
Diante da complexidade da SDM, de sua alta prevalência e da diversidade de intervenções, e pela consolidação da evidência sobre as técnicas mais eficazes, é fundamental esclarecer a dúvida sobre qual intervenção proporciona os melhores resultados. Em abordagens multimodais, a eficácia de intervenções manuais com métodos conservadores ou invasivos, a TM e o DN são evidências científicas de interesse crescente nos últimos anos. Assim, o objetivo do estudo é compreender as diferenças entre as TM e o DN na supressão dos sintomas de SDM na parte superior das costas, pescoço e articulação temporomandibular.
METODOLOGIA
O presente estudo se caracteriza como uma revisão integrativa, método que possibilitou reunir, organizar e avaliar os desfechos clínicos de estudos publicados sobre SDR na parte superior das costas, pescoço e músculos orofaciais e tratamentos envolvendo TM e DN comparados de forma sistemática e ordenada, possibilitando compreender o estado atual do conhecimento destas práticas clínicas na supressão de sintomas.
Na elaboração da estratégia norteadora foi utilizado o PICOT 20, de modo a estruturar a pergunta de pesquisa. A população (P) incluiu adultos diagnosticados com síndrome de dor miofascial. As intervenções (I) foram consideradas tanto as TMs (liberação miofascial, massagem terapêutica e manipulação) e o DN. A comparação (C) consistiu em identificar, a partir dos ensaios clínicos randomizados
selecionados, qual das abordagens terapêuticas se mostrou mais eficaz clinicamente no alívio dos sintomas e melhora funcional. Os desfechos (O) analisados foram a redução da dor, a melhora da amplitude de movimento, a diminuição da incapacidade funcional associada e fatores adjuvantes à qualidade de vida. O tempo (T) de acompanhamento variou conforme o delineamento de cada estudo incluído, podendo abranger avaliações em curto, médio e longo prazo.
A busca por artigos científicos em plataformas eletrônicas foi realizada entre os dias 08 de setembro de 2025 a 12 de outubro de 2025, nas seguintes bases de dados: PubMed, PEDro, Cochrane Library e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Para a estratégia de busca, foram utilizados os descritores em saúde (DeCS) ”Myofascial Pain Syndrome” e ”Manual Therapy” e “Dry Needling”, e, conforme o sistema de metadados, combinados por operadores booleanos (AND/OR), em busca abrangente com base nas referências de estudos incluídos, pesquisas manuais também foram realizadas.
Foram aplicados os seguintes critérios de inclusão: artigos publicados entre 2020 e 2025 estudos disponíveis em inglês, português e espanhol; ensaios clínicos randomizados pertinentes aos temas revisados; disponibilidade do texto completo.
Como critérios de exclusão, foram desconsiderados: relatos de caso, estudos observacionais; revisões sistemáticas e metanálises, resumos sem texto completo; publicações que não atendiam à condição temática investigada; artigos duplicados entre as bases.
Avaliação de evidências e Poder dos estudos selecionados: Os estudos da presente revisão foram avaliados quanto a qualidade metodológica das evidências apresentadas e Poder da informação clínica das práticas fisioterapêuticas e desfecho sobre a SDM. Com essa finalidade, foi utilizada a escala “Downs and Black” que possui 27 critérios, com pontuação variando de zero a um, exceto um
critério (5), que pontua de zero a dois pontos.21
Assim, estudos com melhor qualidade metodológica, atingem maior pontuação. Na intenção de apresentar efeitos das terapias, os escores baixos, moderados e altos foram incluídos nesta revisão a fim de identificar vieses, qualificações e sugestões de reprodutibilidade dos resultados apresentados nos ensaios clínicos selecionados.
RESULTADOS
A descrição dos achados de busca inicial foram sumarizadas - conforme etapas citadas na metodologia do estudo, e distribuídas em: Identificação de Bases de dados (PubMed, PEDro, Cochrane e BVS); busca manual (por citação); Registros de exclusão (removidos antes e depois da triagem); artigos que apresentaram elegibilidade, finalizando com os que foram incluídos para análise qualitativa (08 ECRs), conforme critérios pré-estabelecidos nesta Revisão. (Figura 1)
(Fonte: Autores)
Figura 1 - Fluxograma de Pesquisa - Prisma 22
O processo de busca resultou em 56 artigos: 47 na PubMed, 02 na PEDro, 01 na Cochrane Library, 05 na BVS e 01 artigo em busca manual. Após a remoção de duplicatas (02 artigos), artigos completos não disponíveis (05 artigos), exclusão por partes do corpo não elegíveis (11 artigos), exercício ativo associado (02 artigos), eletroterapia (7 artigos), método ou técnicas não aplicáveis (17 artigos), patologias associadas ou indivíduos saudáveis (04 artigos), restaram 08 artigos para leitura dos títulos e resumos.
Desses, os 08 ECRs foram selecionados para leitura na íntegra e todos foram incluídos e compuseram a amostra final desta revisão integrativa. Os resultados desta busca, e posterior inclusão dos achados, nortearam as análises consideradas pertinentes à pergunta de pesquisa que pontuou: métodos manuais (TM) de intervenção à SDM e ao DN- considerada uma técnica de ‘extensão’ manual - e comparar essas terapias na redução dos sintomas, na melhora de Amplitude de movimentos (ADM), na diminuição das incapacidades atribuídas à síndrome e aos impactos de fatores adjuvantes na qualidade de vida dos pacientes. Essas características, e o tempo das intervenções realizadas nos estudos incluídos, são descritas na Tabela 1.
Tabela 1 - Características dos estudos, Métodos de avaliação, Tempo de intervenção e Critérios de pesquisa
(Fonte: Autores)
Legenda: ECRs (Ensaios Clínicos Randomizados); ADM (Amplitude de Movimento); ROM (Range of Motion: Índice de Movimento); QdV (Qualidade de Vida); DN (Dry Needling: Agulhamento Seco); PNE (Pain Neuroscience Education: Educação em Neurociência da dor); TM (Terapia manual: Manual Therapy); NPRS (Numeric Pain Rating scale: Escala Numérica de Dor); NDI (Neck disability index : índice de incapacidade do pescoço); MMOM (Maximum Mouth Opening Mobility : Abertura máxima da boca); CUC (Control Usual Care: Cuidado Padrão).
Além das análises de comparação e efeitos das técnicas sobre os sintomas e funcionalidade dos pacientes, a presente revisão integra a análise de riscos de viés e qualidade dos estudos através da escala Downs and Black 21 na intenção de pontuar confiabilidade e reprodutibilidade dos resultados na aplicabilidade clínica.
(Fonte: Autores)
Figura 2 - Avaliação do risco de viés: Downs and Black
Legenda: �� verde- 80% (≥ 23 pontos): baixo risco / alta qualidade; �� amarelo- 60-79% (14 - 22 pontos): moderado risco / moderada qualidade; ≤ 13 pontos (alto risco / baixa qualidade): nenhum estudo na amostra (0%).
A escala demonstrou que os estudos selecionados nesta revisão evidenciam achados de boa qualidade, com 05 estudos de baixo risco de viés/ alta qualidade (62,5%) e 03 estudos de moderado risco de viés/ moderada qualidade (37,5%). Nenhum dos ECRs apresentou alto risco de viés ou baixa qualidade (0%). (Figura 2).
Na tabela 2, os principais resultados dos estudos foram associados às partes do corpo onde as técnicas foram aplicadas (ATM, pescoço e parte superior das costas), ao tempo de follow-up do efeito relatado e à qualidade da evidência clínica segundo a pontuação da escala Downs and Black.21
Tabela 2 - Comparação dos resultados associados às técnicas, aos grupos musculares, duração dos efeitos e qualidade de evidências.
(Fonte: Autores)
Legenda: ‡ superioridade na comparação entre técnicas; ☨ superioridade da técnica na comparação com placebo; ++ equivalência de efeitos entre as técnicas; DN (Dry Needling); TM (Terapia Manual); PGM (Ponto Gatilho Miofascial); PRT (Técnica de liberação por pressão); ATM (Articulação Temporomandibular)
DISCUSSÃO
O conjunto de estudos analisados fornece evidências robustas sobre a eficácia do DN e da TM no manejo da dor miofascial crônica e aguda na parte superior das costas, pescoço e ATM, destacando tanto a equivalência terapêutica quanto o valor de abordagens adjuvantes.
Os artigos de García-de la-Banda-García et al.23 e Stieven et al.24 estabelecem o princípio da equivalência. García-de la-Banda-García 23 concluiu que o DN e a TM são igualmente eficazes na redução da dor, na diminuição da incapacidade e na melhora da amplitude máxima de abertura da boca na disfunção temporomandibular miofascial, com benefícios mantidos em um mês. De forma semelhante, Stieven et al.24, ao comparar o DN, liberação miofascial e placebo em uma única sessão, observou que todos os grupos melhoraram o limiar de dor por pressão e a dor imediatamente, sugerindo que o efeito analgésico inicial foi amplamente impulsionado por fatores contextuais ou pelo tempo, sem superioridade imediata do DN sobre a liberação miofascial ou o placebo.
Dib-Zakkour et al.25 consideram o agulhamento profundo como um desprogramador neuromuscular de efeito imediato na redução significativa da dor orofacial e no aumento da simetria e abertura máxima da boca a curto prazo.
Em contraste com a equivalência imediata, outros estudos apontaram a superioridade ou o papel adjuvante do DN. Saornil et al.26, ao comparar o DN e a Compressão Isquêmica (TM) em sessão única, observou que, após 48 horas e em uma semana, o DN superou a TM na redução da dor, na melhora da ADM e no aumento do limiar de dor à pressão, e QdV sugerindo um efeito mais sustentado. Essa potencialização é confirmada por Gallego Sendarrubias et al.27(2 sessões), que demonstrou a superioridade da combinação DN + TM sobre a TM isolada na redução da dor, incapacidade e nos ganhos de ADM, com benefícios mantidos por um mês, validando o DN como um adjuvante eficaz.
Os artigos que focaram exclusivamente na TM ativa versus controle/placebo, como Serrano-Hernanz et al.28(5 sessões) e Cabrera-Martos et al.29(12 sessões), reforçam
a eficácia da TM. Serrano-Hernanz 28 demonstrou que a liberação por pressão é superior ao placebo na redução da dor e incapacidade na DTM, com efeitos mantidos por três meses.
Cabrera-Martos 29 atestou que a combinação de LM e neurodinâmica foi superior ao controle na redução da dor, diminuição do número de pontos gatilhos ativos e, notavelmente, na melhora da QdV dos pacientes em quatro semanas. Valiente Castrillo et al.30 relataram que em SDM cervicais, tratamento de DN associado à Educação em Neurociência da Dor obtiveram os melhores resultados, reduzindo cinesiofobia e ansiedade relacionada à síndrome.
CONCLUSÃO
A síntese dos ensaios clínicos randomizados demonstra que, no manejo da Síndrome da Dor Miofascial (SDM) na parte superior das costas, pescoço e articulação temporomandibular, a eficácia reside na equivalência terapêutica e na abordagem combinada, e não na superioridade universal de uma técnica sobre a outra. O Dry Needling (DN) e a Terapia Manual (TM) são ferramentas validadas para
o alívio sintomático em curto prazo, promovendo a supressão da dor, a redução da incapacidade funcional e o aumento do Limiar de Dor à Pressão (LDP).
A evidência aponta que o maior potencial do DN reside em um efeito analgésico mais sustentado em sessões únicas, porém, segundo as evidências desta revisão, sua capacidade potencializa os efeitos da TM, atuando de forma sinérgica para ganhos terapêuticos mais expressivos. Contudo, para a manutenção dos benefícios em médio e longo prazo, é fundamental que o tratamento transcenda a intervenção física isolada, sendo necessária uma dosagem de sessões adequada e a integração de um componente biopsicossocial.
A combinação das técnicas de desativação dos PGM com a Educação em Neurociência da Dor, por exemplo, demonstrou ser crucial para modular fatores psicológicos associados, como a ansiedade e a cinesiofobia.
As conclusões apresentadas são solidificadas por uma literatura de alta qualidade metodológica, que atesta o baixo risco de viés dos estudos avaliados, fornecendo uma base segura para a prática clínica. A decisão terapêutica ideal deve, portanto, privilegiar a integração do DN à TM, dentro de um plano de tratamento multimodal.
Finalmente, os estudos definem as limitações da sessão única e o valor da abordagem biopsicossocial. Dib-Zakkour et al. (2022) observou que, embora o DN fosse superior ao placebo na redução imediata da dor e no aumento da abertura máxima da boca na DTM, o efeito não foi mantido em 15 dias, evidenciando a insuficiência de uma dose única. A necessidade de uma abordagem mais completa é sublinhada por Valiente-Castrillo et al. (2020) (6 sessões de DN + 3 de PNE), que identificou a combinação de DN + educação em neurociência da dor como a mais eficaz na redução da dor e incapacidade em três meses, e a única capaz de reduzir significativamente fatores psicológicos como a cinesiofobia e a ansiedade, essenciais para uma melhoria duradoura da qualidade de vida.
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