A prática docente dos anos iniciais: desafios e possibilidades
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

O presente estudo tem como objetivo geral analisar os desafios e as possibilidades da prática docente nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Trata-se de uma revisão de literatura de abordagem qualitativa, realizada a partir de artigos publicados entre 2020 e 2025, disponíveis nas bases SciELO, Periódicos CAPES e repositórios institucionais. A análise dos estudos evidenciou que os principais desafios enfrentados pelos professores incluem a heterogeneidade das turmas, as dificuldades de aprendizagem, a ausência de acompanhamento familiar, a escassez de recursos didáticos e a sobrecarga de trabalho. Por outro lado, identificaram-se estratégias pedagógicas como o uso de metodologias ativas, tecnologias educacionais, práticas inclusivas e o trabalho colaborativo como possibilidades para qualificar o processo de ensino-aprendizagem. Além disso, a formação continuada mostrou-se essencial para o desenvolvimento profissional docente, contribuindo para a atualização de conhecimentos, a reflexão sobre a prática e o fortalecimento da atuação pedagógica. Conclui-se que, apesar dos desafios, a prática docente nos anos iniciais pode ser potencializada por meio de estratégias inovadoras, formação permanente e valorização do trabalho docente.

Palavras-chave: Anos iniciais. Ensino Fundamental. Estratégias pedagógicas. Formação continuada. Prática docente.

ABSTRACT

The present study aims to analyze the challenges and possibilities of teaching practice in the early years of elementary education. This is a qualitative literature review based on articles published between 2020 and 2025, available in the SciELO database, the CAPES Journals Portal, and institutional repositories. The analysis of the selected studies revealed that the main challenges faced by teachers include classroom heterogeneity, learning difficulties, lack of family involvement, scarcity of teaching resources, and excessive workload. On the other hand, pedagogical strategies such as the use of active learning methodologies, educational technologies, inclusive practices, and collaborative work were identified as possibilities for enhancing the teaching–learning process. Furthermore, continuing professional development proved to be essential for teachers' professional growth, contributing to the updating of knowledge, reflection on teaching practice, and the strengthening of pedagogical performance. It is concluded that, despite the challenges, teaching practice in the early years of elementary education can be strengthened through innovative strategies, ongoing professional development, and greater recognition of the teaching profession.

Keywords: Early years of elementary education. Elementary education. Pedagogical strategies. Continuing professional development. Teaching practice.

1 INTRODUÇÃO

A prática docente nos anos iniciais do Ensino Fundamental é fundamental para o desenvolvimento integral das crianças, uma vez que é nessa etapa que se consolidam as bases cognitivas, sociais e afetivas da aprendizagem (Nunes, 2021). Nesse contexto, o professor assume o papel de mediador do conhecimento, responsável por promover experiências educativas que estimulem a autonomia, a criticidade e o interesse pelo saber, logo, o trabalho pedagógico exige planejamento, domínio de metodologias, sensibilidade às diferenças individuais e compromisso com a formação cidadã dos estudantes (Rodrigues; Massoni, 2022). Além disso, Moura et al. (2022) ressaltam que a docência envolve processos formativos contínuos, construídos a partir das experiências vividas no cotidiano escolar, os quais contribuem para a constituição da identidade profissional do professor.

Entretanto, o exercício da docência nos anos iniciais apresenta desafios complexos, relacionados tanto às condições estruturais das instituições escolares quanto às demandas pedagógicas contemporâneas. Entre esses desafios, destacam-se a heterogeneidade das turmas, as dificuldades de aprendizagem, a escassez de recursos didáticos, a sobrecarga de trabalho docente e a necessidade constante de atualização profissional (Tapajós, 2023). Ao mesmo tempo, surgem possibilidades pedagógicas, como o uso de metodologias ativas, tecnologias educacionais e práticas inclusivas, que podem contribuir para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem (Oliveira; Oliveira; Santos, 2021; Mendes et al., 2023; Tapajós, 2023).

Diante desse cenário, emerge a seguinte problemática: quais são os principais desafios enfrentados pelos docentes dos anos iniciais do Ensino Fundamental e de que forma as possibilidades pedagógicas disponíveis podem contribuir para a qualificação da prática docente?

Parte-se da hipótese de que, embora os professores dos anos iniciais enfrentem limitações estruturais, pedagógicas e institucionais, a adoção de práticas inovadoras, aliadas à formação continuada e ao uso de recursos pedagógicos adequados, pode potencializar o processo educativo e favorecer a aprendizagem dos estudantes. Assim, acredita-se que a valorização profissional e o investimento em estratégias pedagógicas diversificadas contribuem para o fortalecimento da prática docente.

A realização desta pesquisa justifica-se pela relevância social e acadêmica do tema, uma vez que a qualidade da educação nos anos iniciais influencia diretamente o desenvolvimento escolar e humano das crianças. Socialmente, compreender os desafios da docência permite propor ações que valorizem o professor e melhorem as condições de ensino. Academicamente, o estudo contribui para o aprofundamento teórico sobre a prática docente, oferecendo subsídios para futuras pesquisas e para a formação de profissionais da educação.

O objetivo geral desta pesquisa é analisar os desafios e as possibilidades da prática docente nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Como objetivos específicos, busca-se: identificar os principais desafios enfrentados pelos professores no cotidiano escolar; compreender as estratégias pedagógicas utilizadas para lidar com essas dificuldades; e refletir sobre a importância da formação continuada para a qualificação da prática docente.

2 METODOLOGIA

A presente pesquisa caracteriza-se como uma revisão de literatura, de abordagem qualitativa, cujo objetivo é analisar os desafios e as possibilidades da prática docente nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a partir de produções científicas recentes. O recorte temporal adotado compreendeu publicações realizadas no período de publicações entre 2020 a 2025, considerando a atualidade das discussões sobre a prática docente, especialmente diante das transformações educacionais ocorridas nos últimos anos.

As buscas foram realizadas em bases de dados reconhecidas no meio acadêmico, tais como SciELO (Scientific Electronic Library Online), Periódicos CAPES e repositórios institucionais de universidades brasileiras, por serem fontes confiáveis e por disponibilizarem artigos científicos, dissertações e teses relevantes para a área da educação.

Para a seleção dos estudos, foram utilizados descritores como: prática docente, anos iniciais, Ensino Fundamental, desafios da docência, formação de professores e possibilidades pedagógicas. Os critérios de inclusão consideraram textos que abordassem diretamente a atuação do professor nos anos iniciais, enquanto os critérios de exclusão envolveram publicações fora do recorte temporal ou que não tratassem especificamente do contexto educacional brasileiro.

A abordagem qualitativa foi adotada por possibilitar uma análise aprofundada dos conteúdos, discursos e reflexões presentes nas produções selecionadas, no qual, permite compreender os significados (Rodrigues; Sachinski; Martins, 2022). Nesse sentido, são atribuídos à prática docente, bem como os fatores que influenciam o trabalho pedagógico, considerando aspectos sociais, institucionais e formativos.

Por fim, os dados foram organizados e analisados por meio da análise de conteúdo, buscando identificar categorias temáticas relacionadas aos desafios enfrentados pelos professores, às estratégias pedagógicas utilizadas e às possibilidades de inovação no ensino, o que contribuiu para a construção de uma visão crítica e fundamentada sobre a prática docente nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Principais desafios enfrentados pelos professores no cotidiano escolar

Os professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental enfrentam desafios que extrapolam a dimensão pedagógica e envolvem fatores sociais, institucionais e formativos. De acordo com Baccin, Pinto e Coutinho (2021), as principais dificuldades relatadas pelos docentes estão relacionadas ao baixo interesse dos alunos, às dificuldades de aprendizagem, aos problemas sociais vivenciados pelas famílias e à ausência do acompanhamento familiar no processo educativo. Uma vez que, esses problemas interferem diretamente na dinâmica da sala de aula e comprometem a efetividade do ensino-aprendizagem, exigindo do professor estratégias constantes de adaptação e mediação pedagógica.

Ainda, nesse contexto, é preciso notar que há uma fragilidade do processo de ensino diante das exigências curriculares e das transformações nas políticas educacionais. Voigt, Alexandre e Pillotto (2022) apontam que a antecipação do processo de alfabetização, aliada à redução das práticas lúdicas, impõe novas demandas aos professores, que precisam lidar com crianças cada vez mais jovens em processos formais de escolarização, na qual, se exige maior preparo pedagógico, autonomia curricular e reflexão coletiva sobre o Projeto Político-Pedagógico, a fim de respeitar as diversidades culturais e sociais dos estudantes.

A presença da tecnologia e da chamada “humanidade digital” também representa um desafio para a prática docente contemporânea, pois segundo Mometti (2021), o professor precisa mobilizar novos saberes para atuar em um contexto marcado por mídias digitais, recursos tecnológicos e novas formas de mediação do conhecimento. Logo, a falta de formação adequada para o uso pedagógico dessas tecnologias pode gerar insegurança, dificultar a inovação didática e limitar o potencial educativo das ferramentas digitais no processo de ensino-aprendizagem (Mometti, 2021).

Além disso, a fragilidade na atuação do coordenador pedagógico constitui outro obstáculo para o fortalecimento da prática docente. Silva, Barros e Silva (2025) destacam que muitos coordenadores acabam assumindo funções predominantemente administrativas, o que reduz sua contribuição na orientação das práticas avaliativas dos professores e essa ausência de acompanhamento pedagógico compromete o desenvolvimento de estratégias avaliativas mais adequadas às especificidades dos alunos, refletindo negativamente nos índices de aprendizagem e no desempenho escolar.

No contexto da alfabetização, os desafios tornam-se ainda mais evidentes. Lacerda e Silva (2025) apontam que os professores enfrentam turmas heterogêneas, com alunos em diferentes níveis de aprendizagem, ausência de acompanhamento familiar, carência de recursos didáticos e descontinuidade das políticas públicas educacionais. Além disso, a sobrecarga de demandas pedagógicas e administrativas compromete o tempo destinado ao planejamento de estratégias individualizadas, limitando o atendimento às necessidades específicas dos estudantes.

Messerschmitt e Forell (2022) acrescentam que, quando essas dificuldades se intensificam em contextos de inclusão de alunos com deficiência, os docentes precisam mobilizar diferentes saberes para garantir a participação e a aprendizagem de todos. Segundo os autores, muitos professores não receberam formação inicial suficiente para atuar com a diversidade presente nas salas de aula, especialmente no que se refere à educação inclusiva, o que gera insegurança e limitações na prática pedagógica.

Além disso, Messerschmitt e Forell (2022) evidenciam que os docentes recorrem, principalmente, aos saberes experienciais e à troca de experiências com outros professores como estratégia para enfrentar os desafios cotidianos. O diálogo com colegas que atuam na mesma escola, o apoio do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e a busca por recursos pedagógicos alternativos tornam-se fundamentais para orientar a prática docente. Dessa forma, observa-se que, diante da complexidade da alfabetização e da inclusão, os professores constroem seus saberes no próprio exercício da profissão, adaptando metodologias e estratégias às necessidades reais dos alunos.

Ademais, vale mencionar que, a formação inicial e a articulação entre teoria e prática também se configuram como desafios no cotidiano docente, dado que, Moro e Weiduschat (2025) ressaltam que, embora programas como a Residência Pedagógica contribuam para a aproximação entre universidade e escola, muitos professores ainda enfrentam dificuldades na aplicação dos conhecimentos teóricos em contextos reais de sala de aula. A complexidade do ambiente escolar, a diversidade dos estudantes e as demandas institucionais exigem do docente constante reflexão, adaptação e construção de sua identidade profissional.

3.2 Estratégias pedagógicas utilizadas para lidar com as dificuldades da prática docente nos anos iniciais

Diante dos múltiplos desafios enfrentados pelos professores nos anos iniciais, as estratégias pedagógicas têm sido mobilizadas com o objetivo de garantir a aprendizagem e o desenvolvimento integral dos estudantes. Baccin, Pinto e Coutinho (2021) destacam que a formação continuada no espaço escolar constitui uma das principais estratégias para o enfrentamento das dificuldades cotidianas, pois possibilita a troca de experiências entre os docentes, o compartilhamento de práticas exitosas e a reflexão coletiva sobre os problemas enfrentados em sala de aula. Sendo, que, esses momentos formativos permitem que os professores repensem suas metodologias e busquem alternativas para lidar com a falta de interesse dos alunos, as dificuldades de aprendizagem e os problemas sociais que interferem no processo educativo.

No contexto da alfabetização, Lacerda e Silva (2025) apontam que o uso de atividades lúdicas favorecem o desenvolvimento da leitura e da escrita, tal como os jogos, músicas, contação de histórias e atividades interativas contribuem para tornar o processo de aprendizagem, especialmente em turmas heterogêneas. Cuja as práticas permitem respeitar os diferentes ritmos de aprendizagem, ao mesmo tempo em que estimulam a participação ativa dos alunos, fortalecendo o vínculo com o conhecimento.

Tapajós (2023) aponta que, embora muitas escolas ainda apresentem limitações estruturais, o uso consciente das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) pode ampliar as possibilidades pedagógicas, dinamizar as aulas e favorecer a construção do conhecimento. Recursos como vídeos, músicas, plataformas digitais, jogos educativos e mídias interativas auxiliam o professor a diversificar suas estratégias de ensino, tornando o processo de aprendizagem mais atrativo para as crianças, que já estão inseridas em um contexto tecnológico desde cedo.

No entanto, Tapajós (2023) ressalta que o uso das tecnologias deve ocorrer de forma crítica e pedagógica, não apenas como recurso técnico, mas como instrumento de mediação do conhecimento. O professor assume, nesse cenário, o papel de facilitador da aprendizagem, orientando os alunos para o uso responsável das mídias digitais e promovendo atividades que estimulem a investigação, a criatividade e a construção coletiva do saber. Dessa forma, as tecnologias deixam de ser vistas como obstáculos e passam a ser aliadas no processo educativo.

Sob a perspectiva da humanidade digital, Mometti (2021) enfatiza a necessidade de desenvolver uma didática digital, que considere os novos formatos de ensino, os recursos tecnológicos disponíveis e os diferentes modos de interação com o conhecimento. O autor destaca que o professor precisa mobilizar saberes didáticos, psicológicos e operacionais para adaptar suas práticas às demandas do século XXI, utilizando plataformas digitais, vídeos educativos, jogos interativos e outras ferramentas que favoreçam a aprendizagem.

Ainda, Moura et al. (2022) afirmam que, a atuação do coordenador pedagógico é apontada como elemento para a qualificação da prática docente, pois ele atua na articulação da formação continuada, na mediação dos processos pedagógicos e na orientação das práticas docentes. Ao promover espaços de reflexão, planejamento coletivo e acompanhamento pedagógico, o coordenador contribui para que os professores desenvolvam estratégias que fortalecem o trabalho em equipe e melhorando os resultados da aprendizagem nos anos iniciais.

Ainda como estratégia, o uso de metodologias ativas favorecem a participação efetiva dos estudantes no processo de aprendizagem, rompendo com práticas tradicionais centradas apenas na transmissão de conteúdos. A aprendizagem baseada em projetos, a sala de aula invertida, os jogos pedagógicos e o trabalho em equipe são exemplos de abordagens que estimulam a autonomia, a colaboração e o pensamento crítico. Nos anos iniciais, essas metodologias contribuem para tornar o ensino mais dinâmico ao aproximar os conteúdos da realidade dos alunos e promover maior engajamento em sala de aula (Oliveira; Oliveira; Santos, 2021).

No campo das práticas inclusivas, Mendes et al. (2023) enfatizam a importância de estratégias pedagógicas que considerem a diversidade dos estudantes e garantam o direito à aprendizagem de todos. O uso de materiais adaptados, atividades diferenciadas, apoio do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e o trabalho colaborativo entre professores são ações fundamentais para atender às necessidades dos alunos com deficiência ou dificuldades de aprendizagem. Essas práticas contribuem para a construção de um ambiente escolar mais acolhedor, equitativo e democrático.

Mendes et al. (2023) também destacam que a inclusão não se limita à adaptação de recursos, mas envolve mudanças na postura pedagógica, no planejamento e na organização das aulas. O professor precisa reconhecer as singularidades dos alunos, respeitar seus ritmos de aprendizagem e promover estratégias que valorizem suas potencialidades. A educação inclusiva, portanto, exige formação continuada, sensibilidade pedagógica e compromisso ético com a equidade educacional.

3.3 A importância da formação continuada para a qualificação da prática docente

Diante das constantes transformações educacionais, o professor precisa atualizar seus conhecimentos, refletir sobre sua atuação e desenvolver novas competências para atender às necessidades dos estudantes. Nesse sentido, a formação ao longo da carreira contribui para o aprimoramento das práticas pedagógicas, fortalecendo a autonomia, a criticidade e a capacidade de intervenção no cotidiano escolar (Rodrigues; Massoni, 2022).

De acordo com Oliveira (2023), a formação docente deve ser compreendida como um processo contínuo, que ultrapassa a simples transmissão de conteúdos e envolve a construção de saberes a partir da articulação entre teoria e prática. Para o autor, o desenvolvimento profissional do professor ocorre na interação entre os conhecimentos científicos, as experiências vivenciadas no cotidiano escolar e a reflexão crítica sobre a própria prática, elementos essenciais para a consolidação de uma atuação pedagógica consciente, ética e socialmente comprometida.

De acordo com Rodrigues e Massoni (2022), a formação continuada possibilita ao professor compreender e problematizar documentos normativos, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), favorecendo uma postura reflexivo-crítica diante das exigências curriculares. Ao participar de processos formativos, o docente amplia sua compreensão sobre os conteúdos, metodologias e objetivos educacionais, o que contribui para a construção de práticas mais contextualizadas, significativas e alinhadas às realidades dos alunos dos anos iniciais.

Moura et al. (2022) destacam o papel do coordenador pedagógico como mediador dos processos formativos dentro da escola, promovendo espaços de diálogo, troca de experiências e reflexão coletiva. A formação continuada, nesse contexto, ocorre no próprio ambiente escolar, a partir das vivências, desafios e necessidades reais dos professores, o que tende a favorecer o desenvolvimento profissional, a construção da identidade docente e a melhoria das práticas pedagógicas, fortalecendo o trabalho colaborativo entre os educadores.

Messerschmitt e Forell (2022) evidenciam que os saberes docentes são construídos ao longo da trajetória profissional, especialmente por meio da experiência, do diálogo entre colegas e da formação continuada. Os professores que atuam com alunos com deficiência necessitam de suporte teórico e prático para adaptar metodologias, elaborar estratégias inclusivas e promover a aprendizagem de todos. A formação permanente contribui para expandir esses saberes, fortalecendo a atuação pedagógica frente à diversidade presente nas salas de aula.

Baccin, Pinto e Coutinho (2021) apontam que as dificuldades enfrentadas pelos professores nos anos iniciais, como problemas de aprendizagem, falta de interesse dos alunos e ausência da família, reforçam a necessidade de formações continuadas no espaço escolar. Pois, são nesses momentos formativos que os docentes compartilhem experiências, discutam desafios e construam coletivamente estratégias para lidar com as demandas do cotidiano, promovendo maior segurança e qualidade no processo de ensino.

Além disso, Voigt, Alexandre e Pillotto (2022) ressaltam que a formação continuada contribui para a profissionalização docente e para o fortalecimento da autonomia curricular, já que ao refletir sobre suas práticas e sobre o currículo, os professores podem construir propostas pedagógicas mais alinhadas às realidades culturais e sociais dos estudantes, respeitando a diversidade e promovendo uma educação mais democrática e inclusiva.

No contexto da sociedade digital, Mometti (2021) destaca que o professor precisa desenvolver novos saberes relacionados ao uso das tecnologias e às metodologias digitais. A formação continuada torna-se necessário para que o docente compreenda as transformações da educação contemporânea, incorporando recursos tecnológicos de forma pedagógica, crítica e reflexiva, sem perder de vista os objetivos formativos e humanos da educação.

Lacerda e Silva (2025) e Moro e Weiduschat (2025) afirmam que, a formação inicial, embora importante, não é suficiente para dar conta da complexidade da prática docente nos anos iniciais. A formação continuada permite articular teoria e prática, fortalecer a identidade profissional e ampliar o repertório pedagógico, contribuindo para uma atuação mais segura, criativa e comprometida com a aprendizagem dos estudantes.

4 CONCLUSÃO

A presente pesquisa teve como objetivo geral analisar os desafios e as possibilidades da prática docente nos anos iniciais do Ensino Fundamental, buscando compreender as condições que permeiam o cotidiano escolar e as estratégias utilizadas pelos professores para garantir a aprendizagem dos estudantes. A partir da revisão de literatura, foi possível identificar que a atuação docente nessa etapa da educação básica é marcada por múltiplas demandas pedagógicas, sociais e institucionais, exigindo do professor constante adaptação, reflexão e compromisso com a formação integral das crianças.

No que se refere ao primeiro objetivo específico, constatou-se que os principais desafios enfrentados pelos professores incluem a heterogeneidade das turmas, as dificuldades de aprendizagem, a ausência de acompanhamento familiar, a escassez de recursos didáticos, a sobrecarga de trabalho e a descontinuidade das políticas públicas educacionais. No qual, os fatores impactam diretamente o processo de ensino-aprendizagem, tornando o trabalho docente mais complexo e exigindo a adoção de práticas pedagógicas diversificadas para atender às necessidades dos alunos.

Quanto às estratégias pedagógicas utilizadas para lidar com essas dificuldades, observou-se que os docentes recorrem a metodologias ativas, ao uso de tecnologias educacionais, a práticas inclusivas e à troca de experiências entre colegas como formas de qualificar o ensino. O uso de atividades lúdicas, projetos interdisciplinares, recursos digitais e materiais adaptados contribui para tornar as aulas mais dinâmicas, participativas e acessíveis, favorecendo a aprendizagem e a participação dos estudantes nos anos iniciais.

Ainda, a pesquisa evidenciou a importância da formação continuada como fator para a qualificação da prática docente, posto que, a formação permanente permite ao professor atualizar seus conhecimentos, refletir sobre sua atuação, compreender as mudanças curriculares e desenvolver competências pedagógicas, tecnológicas e inclusivas. A atuação do coordenador pedagógico, nesse contexto, destaca-se como fundamental para promover espaços de diálogo, planejamento coletivo e acompanhamento das práticas docentes.

Dessa forma, conclui-se que, embora os professores dos anos iniciais enfrentem inúmeros desafios no cotidiano escolar, também dispõem de possibilidades pedagógicas que contribuem para a melhoria do processo educativo. A valorização da formação continuada, o fortalecimento do trabalho colaborativo e a adoção de estratégias inovadoras são caminhos essenciais para a construção de uma prática docente mais crítica, reflexiva e comprometida com a aprendizagem e o desenvolvimento integral dos estudantes.

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