A interconectividade transgeracional na saúde humana: uma leitura na abordagem da análise do comportamento
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
PDF

RESUMO

Este estudo analisa a ligação entre gerações na formação da saúde humana, considerando dimensões simbólicas, familiares e biológicas. Parte-se do pressuposto de que a subjetividade ultrapassa a vivência individual e se relaciona com experiências, vínculos, padrões de interação, formas de cuidado e legados transmitidos ao longo das gerações. Trata-se de pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa e caráter exploratório, desenvolvida pela análise de literatura nas áreas da psicologia, neurociência e biologia molecular. A discussão reúne transgeracionalidade, Psicologia Analítica, epigenética, Psiconeuroendocrinoimunologia, genética mitocondrial, estresse, alostase, espiritualidade e autorregulação. A literatura indica que o sofrimento e os padrões adaptativos podem repercutir entre gerações por vias biológicas, relacionais, históricas e sociais, sem autorizar conclusões deterministas. Na abordagem da Análise do Comportamento, a interconectividade transgeracional é examinada nas relações entre organismo, trajetória de vida e ambiente, nas condições concretas de vida, nos repertórios e nas práticas atualizadas no cotidiano. Assim, a saúde humana é compreendida como sistema integrado, no qual dimensões simbólicas, genéticas, epigenéticas e metabólicas se relacionam na constituição do indivíduo.

Palavras-chave: transgeracionalidade; análise do comportamento; epigenética; alostase; Psiconeuroendocrinoimunologia.

ABSTRACT

This study analyzes the connection between generations in the development of human health, considering symbolic, familial, and biological dimensions. It is based on the assumption that subjectivity extends beyond individual experience and is related to experiences, interpersonal bonds, interaction patterns, forms of care, and legacies transmitted across generations. This is a bibliographic study with a qualitative and exploratory approach, developed through a literature review in the fields of psychology, neuroscience, and molecular biology. The discussion integrates transgenerationality, Analytical Psychology, epigenetics, Psychoneuroendocrinoimmunology, mitochondrial genetics, stress, allostasis, spirituality, and self-regulation. The literature indicates that suffering and adaptive patterns may reverberate across generations through biological, relational, historical, and social pathways, without supporting deterministic conclusions. From the perspective of Behavior Analysis, transgenerational interconnectivity is examined through the relationships among the organism, life history, and environment, as well as through concrete living conditions, behavioral repertoires, and everyday practices. Thus, human health is understood as an integrated system in which symbolic, genetic, epigenetic, and metabolic dimensions interact in the constitution of the individual.

Keywords: transgenerationality; behavior analysis; epigenetics; allostasis; Psychoneuroendocrinoimmunology.

1 INTRODUÇÃO

A saúde humana organiza-se em redes de influência que cruzam fatores biológicos, psicológicos, sociais, familiares, culturais e espirituais. Esses fatores produzem efeitos que se renovam no cotidiano e dificilmente podem ser atribuídos a uma causa isolada. O modelo biomédico trouxe avanços concretos no diagnóstico e na terapêutica, mas sua ênfase em causas orgânicas não alcança, de forma suficiente, dimensões do sofrimento e do cuidado ligadas às histórias pessoais e aos vínculos duradouros (Kendler, 2005).

A literatura descreve a saúde como resultado das relações entre organismo, trajetória de vida e ambiente, articuladas aos laços afetivos e aos modos de elaboração subjetiva que moldam experiências e respostas ao adoecimento. Essas relações variam no tempo e entre contextos, o que exige uma análise situada das experiências vividas e das condições concretas de cuidado. Desse modo, o viver saudável constitui um processo histórico e relacional, com efeitos sobre as práticas de cuidado, as políticas públicas e a formação profissional (McEwen; Magarinos, 1997; Wilkinson, 2010).

Nos processos intergeracionais, a transgeracionalidade permite investigar como experiências, padrões emocionais, formas de sofrimento e modos de relação se repetem ou se reorganizam ao longo das gerações. Essa transmissão ocorre em uma trama de vínculos, narrativas, silêncios, perdas, traumas, identificações e práticas de cuidado que participam da constituição subjetiva em diferentes momentos da vida. Por isso, deve ser compreendida como processo histórico, situado e contingente, e não como herança interna e imutável (Schützenberger, 2016).

A epigenética, a Psiconeuroendocrinoimunologia (PNEI) e a psicobiologia do estresse apresentam dados que aproximam experiências de vida e funcionamento orgânico. No campo epigenético, investigam-se formas pelas quais o ambiente modula a expressão de genes sem alterar a sequência do ácido desoxirribonucleico, o DNA. Em estudos sobre trauma, estresse e desenvolvimento, são observadas associações entre adversidades e mudanças em sistemas de regulação biológica ligados à resposta ao estresse (Radtke et al., 2011; Yehuda, 2015).

Embora esses estudos tenham avançado, ainda existem limites importantes para afirmar a transmissão biológica do trauma entre gerações humanas. As pesquisas utilizam amostras, métodos e controles diferentes, o que exige prudência na comparação dos resultados. Alterações biológicas observadas em descendentes precisam ser examinadas junto às histórias de vida, às exposições ambientais, ao estresse crônico, às condições materiais e aos padrões de cuidado presentes no cotidiano familiar.

Diante disso, o estudo busca compreender de que maneira dimensões simbólicas, familiares e biológicas esclarecem a dinâmica da saúde humana ao longo das gerações, considerando os limites e os alcances do diálogo entre Psicologia Analítica, clínica transgeracional, epigenética, PNEI, genética mitocondrial e espiritualidade. O objetivo é examinar como essas dimensões se relacionam, mantendo as distinções entre herança simbólica, transmissão familiar, regulação biológica e linhagem genética.

2 METODOLOGIA

O estudo foi delineado como pesquisa bibliográfica, com abordagem qualitativa e caráter exploratório. A investigação concentrou-se no levantamento, na seleção e na análise de materiais acadêmicos relacionados à transgeracionalidade, Psicologia Analítica, epigenética, PNEI, estresse, genética mitocondrial, espiritualidade e práticas simbólicas de autorregulação.

A escolha pela pesquisa bibliográfica decorreu da decisão de trabalhar sem coleta direta com participantes humanos. A análise foi realizada com base em livros, artigos científicos, capítulos de livros, dissertações, teses e outras publicações acadêmicas que apresentam relação direta com o problema de pesquisa e contribuições para o debate conceitual e metodológico.

Foram priorizados materiais com consistência teórica, clareza metodológica e pertinência para a discussão sobre saúde, ancestralidade, trauma, corpo, subjetividade e espiritualidade. A abordagem qualitativa foi utilizada para interpretar conceitos, argumentos e relações teóricas, com atenção às aproximações, diferenças e limites presentes nos referenciais examinados.

O material foi organizado nos seguintes eixos: transgeracionalidade e subjetividade; inconsciente coletivo e arquétipos; epigenética e trauma; estresse, alostase e PNEI; genética mitocondrial e ancestralidade biológica; espiritualidade, oração e autorregulação subjetiva. A leitura crítica e a comparação entre os argumentos permitiram registrar convergências, divergências e lacunas relevantes à discussão.

3 TRANSGERACIONALIDADE, HISTÓRIA DE VIDA E PADRÕES DE INTERAÇÃO

A transgeracionalidade situa a constituição subjetiva nas histórias familiares, nos vínculos afetivos, nas narrativas, nos silêncios, nas perdas e nas experiências transmitidas entre gerações. Do ponto de vista psicológico, essa transmissão inclui repetições de comportamentos e a permanência de padrões de interação, afetos e símbolos que orientam a experiência cotidiana e o modo de lidar com acontecimentos de maior impacto (Maspoli, 2021; Schützenberger, 2016).

Na clínica transgeracional, Schützenberger (2016) descreve a síndrome dos antepassados e discute como conflitos, lutos não elaborados, segredos familiares e lealdades inconscientes podem atravessar gerações. Esses elementos aparecem em repetições, sintomas e dificuldades persistentes de convivência, mas não retiram do sujeito a possibilidade de escolha, elaboração e reorganização de seus vínculos.

O sofrimento psíquico relaciona-se à história individual e à inserção do sujeito em uma trama familiar mais ampla. Nessa trama, vínculos, expectativas, interditos e formas de responder a perdas e conflitos são aprendidos e atualizados. A análise desses padrões exige atenção ao contexto, à singularidade das escolhas e às condições nas quais os repertórios foram construídos.

Narrativas familiares, modos de cuidado, práticas educativas, silêncios, violência, pobreza, perdas, crenças e modelos afetivos formam um conjunto heterogêneo que liga passado, presente e expectativas dirigidas às gerações mais jovens. Por essa razão, transmissão psíquica, cultural, social e biológica não devem ser reunidas sob uma explicação única, principalmente quando a história familiar envolve violência, doença grave ou condições materiais adversas (Kandel, 1998; Schützenberger, 2016; Yehuda, 2015).

Quando os padrões são identificados com clareza e situados no contexto, tornam-se possíveis a elaboração, a ressignificação e a reorganização subjetiva. A transgeracionalidade, portanto, constitui uma via para examinar a história familiar sem reduzir o sujeito ao passado de seus antepassados nem excluir outras dimensões do sofrimento psíquico.

4 PSICOLOGIA ANALÍTICA E ANCESTRALIDADE SIMBÓLICA

A Psicologia Analítica, desenvolvida por Carl Gustav Jung, considera que a psique não se limita à esfera individual. Para Jung (1993), além do inconsciente pessoal, formado por conteúdos relacionados à história singular, existe o inconsciente coletivo, compreendido como dimensão mais profunda e estruturada por arquétipos.

Os arquétipos são disposições simbólicas que organizam vivências humanas recorrentes. Eles não correspondem a lembranças herdadas biologicamente, mas aparecem em imagens, narrativas, mitos, rituais, contos, criações artísticas e gestos cotidianos. Maternidade, nascimento, morte, sombra, herói, velho sábio e transformação são exemplos de temas que assumem diferentes formas em cada cultura (Jung, 1991, 1993, 2012, 2014).

A ancestralidade, nessa perspectiva, é examinada em chave simbólica. Imagens e narrativas orientam o sentir, o perceber e a produção de significados na vida psíquica individual e coletiva. A herança psíquica não se sobrepõe à herança genética: a genética trata da transmissão biológica, enquanto a Psicologia Analítica trabalha com estruturas simbólicas e imagens arquetípicas que participam da produção de sentido.

O diálogo entre Psicologia Analítica e ciências biológicas exige fronteiras claras, pontos de encontro definidos e respeito aos objetos próprios de cada área. Em situações de trauma, perda ou adoecimento, imagens simbólicas podem auxiliar a pessoa a organizar afetos intensos e a dar forma ao que não encontra expressão no discurso racional. Essa função deve permanecer no campo psicológico e interpretativo, sem transformar símbolos em proposições biológicas (Jung, 2012, 2014; Wilkinson, 2010).

5 EPIGENÉTICA E TRANSMISSÃO DO TRAUMA

A epigenética investiga alterações na expressão gênica que não modificam a sequência do DNA, mas influenciam a ativação ou o silenciamento de genes. Estresse, alimentação, violência, exposição a ambientes adversos e experiências traumáticas podem estar associados a mudanças epigenéticas, sobretudo em sistemas relacionados à regulação do estresse.

Yehuda (2015) analisa efeitos intergeracionais da exposição traumática e descreve pesquisas realizadas com descendentes de pessoas submetidas a traumas severos. Esses estudos identificaram possíveis alterações epigenéticas ligadas à resposta ao estresse, mas seus resultados não permitem afirmar que todo trauma seja transmitido biologicamente de forma automática.

Radtke et al. (2011) examinaram a relação entre violência por parceiro íntimo durante a gestação e alterações epigenéticas em descendentes, com atenção aos genes associados ao receptor de glicocorticoide. Os resultados sugerem que experiências adversas no período gestacional podem se relacionar com mudanças na regulação biológica dos filhos. Ainda assim, o caráter multifatorial dessas trajetórias impede generalizações e causalidades simplificadas.

A transmissão intergeracional do sofrimento ocorre por múltiplas vias. Em algumas pesquisas, são discutidos mecanismos epigenéticos; em outras, a atenção recai sobre vínculos familiares, práticas de cuidado, padrões de apego, ambiente social, violência estrutural, narrativas e silêncios compartilhados. A epigenética amplia a compreensão do tema, mas não substitui as análises psicológicas, sociais e culturais das trajetórias familiares (Maspoli, 2021; Radtke et al., 2011; Yehuda, 2015).

6 PSICONEUROENDOCRINOIMUNOLOGIA, ESTRESSE E ALOSTASE

A PNEI estuda as relações entre processos psicológicos e os sistemas nervoso, endócrino e imunológico. Essa perspectiva considera o organismo de forma integrada e mostra que experiências emocionais e sociais podem produzir efeitos fisiológicos mensuráveis em curto e longo prazo. O sofrimento psíquico, portanto, pode se associar a alterações hormonais, inflamatórias, metabólicas e imunológicas (Kandel, 1998; McEwen; Magarinos, 1997).

Experiências de estresse crônico, insegurança, perdas, violência e sofrimento persistente afetam a saúde principalmente quando existe pouca recuperação entre episódios estressores. O organismo procura adaptar-se, mas a ativação prolongada dos sistemas de resposta ao estresse produz desgaste fisiológico acumulado, com possíveis repercussões sobre sono, humor, imunidade, metabolismo e resposta inflamatória (McEwen; Magarinos, 1997; Yehuda, 2015).

O conceito de alostase descreve a regulação ativa que mantém a estabilidade diante das demandas. A carga alostática corresponde ao custo acumulado dessa adaptação quando a pressão permanece. Assim, respostas inicialmente protetoras podem produzir desgaste quando são repetidas por longos períodos, especialmente em contextos de ameaça, isolamento, rejeição e adversidade.

As interpretações em PNEI exigem cuidado com reducionismos e generalizações. Não é adequado afirmar que todo sofrimento psicológico produza automaticamente uma doença específica. Os estudos descrevem relações dinâmicas, bidirecionais e contextuais, com variações associadas à história de vida, ao ambiente e aos recursos disponíveis em cada percurso (Kandel, 1998; Kendler, 2005; McEwen; Magarinos, 1997).

7 GENÉTICA MITOCONDRIAL E ANCESTRALIDADE BIOLÓGICA

O DNA mitocondrial constitui uma ferramenta para examinar a ancestralidade biológica, pois sua transmissão materna permite acompanhar linhagens humanas ao longo do tempo. A chamada Eva mitocondrial designa uma ancestral comum inferida por análises de variação genética e funciona como referência para compreender a continuidade da espécie humana no tempo profundo (Stoneking, 2004).

Esse conceito pertence à genética de populações e não coincide com formulações psicológicas ou simbólicas. A aproximação entre Eva mitocondrial e imagens arquetípicas de maternidade, como a Grande Mãe, deve permanecer no registro metafórico e interpretativo. A linhagem genética não comprova a transmissão de conteúdos psíquicos nem transforma imagens simbólicas em evidências biológicas (Maspoli, 2021; Schützenberger, 2016).

8 ESPIRITUALIDADE, ORAÇÃO E AUTORREGULAÇÃO SUBJETIVA

A espiritualidade e a oração aparecem em diferentes culturas como recursos de enfrentamento diante de sofrimento, adoecimento, luto, medo e incerteza. Essas práticas podem oferecer amparo simbólico, suporte emocional, esperança e construção de sentido, principalmente quando estão inseridas nas crenças, nas relações e nas rotinas do sujeito (Jung, 2012, 2014; Wilkinson, 2010).

A oração pode ser compreendida como prática simbólica de autorregulação psíquica. Em períodos críticos, favorece recolhimento, expressão emocional, sensação de amparo e reorganização interna. Sua função, entretanto, varia entre pessoas e contextos, porque depende da história subjetiva, da crença pessoal, da forma de prática e da rede de apoio na qual a pessoa está inserida (Jung, 1991, 2012, 2015; Wilkinson, 2010).

A relação entre oração, estresse e saúde deve ser discutida com prudência metodológica. Práticas espirituais significativas podem contribuir para reduzir a tensão psíquica e organizar emoções, mas não se deve afirmar que a oração produza, por si mesma, efeitos diretos e comprovados sobre a inflamação, os circuitos cerebrais ou o metabolismo mitocondrial em todas as pessoas (McEwen; Magarinos, 1997; Wilkinson, 2010).

Neste estudo, a oração é tratada como recurso simbólico e subjetivo de enfrentamento, e não como evidência biológica direta ou mecanismo universal de cura. Essa delimitação permite incluir a dimensão espiritual sem perder o rigor acadêmico da análise.

9 INTERCONECTIVIDADE TRANSGERACIONAL NA ANÁLISE DO COMPORTAMENTO

Na abordagem da Análise do Comportamento, a transgeracionalidade pode ser examinada pelas relações entre organismo, trajetória de vida e ambiente. O foco recai sobre as condições históricas e familiares, os padrões de interação, as práticas de cuidado e os repertórios construídos e atualizados no cotidiano.

Experiências de sofrimento, cuidado, perda, violência, vínculo e pertencimento participam da vida dos sujeitos por vias relacionais e orgânicas. No ambiente familiar, narrativas, silêncios, práticas educativas, lutos não elaborados e padrões afetivos aprendidos estabelecem condições nas quais respostas e formas de enfrentamento são desenvolvidas, mantidas ou modificadas.

Essa leitura não reduz a interconectividade transgeracional a uma herança interna. História de vida, ambiente social, condições materiais, redes de suporte, respostas ao estresse e recursos de enfrentamento formam um conjunto de relações que precisa ser analisado de maneira contextual. A dimensão simbólica permanece nas imagens, narrativas, crenças e práticas; a dimensão biológica permanece nos sistemas de regulação orgânica, na expressão gênica, na resposta ao estresse, na imunidade e na inflamação.

A avaliação conjunta de fatores psicológicos, sociais e biológicos preserva a contribuição de cada dimensão e evita que metáforas sejam tratadas como proposições biológicas ou que associações biológicas sejam apresentadas como causalidades lineares. Com isso, a análise pode orientar práticas de cuidado menos culpabilizadoras e mais atentas à história singular de cada sujeito (Kandel, 1998; Kendler, 2005; McEwen; Magarinos, 1997).

10 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A saúde humana configura-se na relação entre dimensões simbólicas, familiares e biológicas que operam ao longo das gerações. Essas dimensões não admitem explicações únicas ou lineares, pois seus efeitos dependem de temporalidades, contextos, vínculos e formas de mediação.

A transgeracionalidade contribui para examinar repetições familiares, vínculos e marcas emocionais sem reduzir o sujeito ao passado de seus antepassados. A epigenética amplia a análise das relações entre ambiente e expressão gênica, mas não substitui as explicações psicológicas, sociais e culturais. Da mesma forma, a genética mitocondrial descreve ancestralidade biológica e não corresponde à ancestralidade simbólica da Psicologia Analítica.

A PNEI e os conceitos de estresse, alostase e carga alostática ajudam a compreender como experiências persistentes podem repercutir no funcionamento orgânico. Na Análise do Comportamento, esses processos são examinados junto às relações entre organismo e ambiente, às condições concretas de vida e aos repertórios construídos na história do sujeito.

A oração pode integrar os recursos simbólicos e subjetivos de enfrentamento, desde que não seja apresentada como causa biológica direta ou mecanismo universal de cura. Assim, a interconectividade transgeracional oferece um quadro integrado para analisar saúde, sofrimento e cuidado, mantendo os limites conceituais e o caráter exploratório das hipóteses apresentadas.

REFERÊNCIAS

JUNG, Carl Gustav. Psicologia e alquimia. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1991.

JUNG, Carl Gustav. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 1993.

JUNG, Carl Gustav. A vida simbólica. v. 1. 6. ed. Petrópolis: Vozes, 2012.

JUNG, Carl Gustav. Os arquétipos e o inconsciente coletivo. 11. ed. Petrópolis: Vozes, 2014.

JUNG, Carl Gustav. O eu e o inconsciente. 27. ed. Petrópolis: Vozes, 2015.

KANDEL, Eric R. A new intellectual framework for psychiatry. American Journal of Psychiatry, v. 155, n. 4, 1998.

KENDLER, Kenneth S. Toward a philosophical structure for psychiatry. American Journal of Psychiatry, v. 162, p. 433-440, 2005.

MASPOLI, Alexandre. O trauma transgeracional na cultura, na neurociência e na epigenética. Revista UniAberta, v. 1, n. 3, p. 21-35, 2021.

McEWEN, Bruce S.; MAGARINOS, Ana Maria. Efeitos do estresse na morfologia e função do hipocampo. Annals of the New York Academy of Sciences, v. 821, p. 271-284, 1997. DOI: https://doi.org/10.1111/j.1749-6632.1997.tb48286.x.

RADTKE, K. M. et al. Transgenerational impact of intimate partner violence on methylation in the promoter of the glucocorticoid receptor gene. Translational Psychiatry, v. 1, e21, 2011.

SCHÜTZENBERGER, Anne Ancelin. A síndrome dos antepassados. 7. ed. Campinas: Psy, 2016.

STONEKING, Mark. Mitocôndrias e a evolução humana. Scientific American Brasil, n. 30, 2004.

WILKINSON, Margaret. Changing minds in therapy: emotion, attachment, trauma and neurobiology. New York: Norton, 2010.

YEHUDA, Rachel. Intergenerational effects of trauma exposure: recent advances in epigenetics. Current Psychiatry Reports, v. 17, n. 7, p. 49, 2015.

  1. Curso de Psicologia, Faculdade Católica de Rondônia (FCR), Porto Velho, RO, Brasil.

Creative Commons License
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.

Copyright (c) 2026 Jorge Luiz da Silva Alves (Autor)

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.