Uso irracional de antibióticos na atenção primária à saúde: uma revisão de literatura.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO:

Introdução: O uso irracional de antibióticos na Atenção Primária à Saúde (APS) é um dos principais indutores da resistência antimicrobiana (RAM), uma crise global que ameaça a eficácia dos tratamentos médicos modernos. Objetivo: Analisar os fatores que contribuem para a prescrição inadequada na APS e discutir estratégias de gerenciamento (stewardship). Metodologia: Revisão integrativa realizada nas bases PubMed, SciELO e Google Scholar, com recorte temporal de 2010 a 2025. Resultados: A literatura aponta que a incerteza diagnóstica, a escassez de testes rápidos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e a pressão sociocultural dos pacientes são os pilares da prescrição excessiva. Estratégias como a "prescrição adiada" e o feedback individualizado aos prescritores demonstram eficácia na redução do consumo. Discussão: O confronto das evidências revela que a RAM na APS não é apenas um problema de conhecimento técnico, mas de infraestrutura e comunicação médico-paciente. Conclusão: O combate ao uso irracional exige o fortalecimento da APS com ferramentas de diagnóstico point-of-care e a implementação de protocolos locais de stewardship para preservar o arsenal terapêutico bactericida.

Palavras-chave: Resistência Antimicrobiana; Atenção Primária à Saúde; Antibacterianos; Uso Racional de Medicamentos.

ABSTRACT:

Introduction: The irrational use of antibiotics in Primary Health Care (PHC) is one of the main drivers of antimicrobial resistance (AMR), a global crisis that threatens the effectiveness of modern medical treatments. Objective: To analyze the factors contributing to inappropriate prescribing in PHC and discuss management strategies (stewardship). Methodology: A integrative review conducted in PubMed, SciELO, and Google Scholar databases, covering the period from 2010 to 2025. Results: The literature indicates that diagnostic uncertainty, the shortage of rapid tests in Basic Health Units (BHU), and sociocultural pressure from patients are the pillars of overprescribing. Strategies such as "delayed prescription" and individualized feedback to prescribers have shown effectiveness in reducing consumption. Discussion: The comparison of evidence reveals that AMR in PHC is not merely a technical knowledge issue, but one of infrastructure and doctor-patient communication. Conclusion: Combating irrational use requires strengthening PHC with point-of-care diagnostic tools and implementing local stewardship protocols to preserve the bactericidal therapeutic arsenal.

Keywords: Antimicrobial Resistance; Primary Health Care; Anti-Bacterial Agents; Rational Drug Use.

RESUMEN:

Introducción: El uso irracional de antibióticos en la Atención Primaria de Salud (APS) es uno de los principales impulsores de la resistencia antimicrobiana (RAM), una crisis global que amenaza la eficacia de los tratamientos médicos modernos.
Objetivo: Analizar los factores que contribuyen a la prescripción inadecuada en la APS y discutir estrategias de gestión (stewardship). Metodología: Revisión integrativa realizada en las bases de datos PubMed, SciELO y Google Scholar, con un recorte temporal de 2010 a 2025. Resultados: La literatura indica que la incertidumbre diagnóstica, la escasez de pruebas rápidas en las Unidades Básicas de Salud (UBS) y la presión sociocultural de los pacientes son los pilares de la prescripción excesiva. Estrategias como la “prescripción diferida” y la retroalimentación individualizada a los prescriptores demuestran eficacia en la reducción del consumo. Discusión: El análisis de las evidencias revela que la RAM en la APS no es solo un problema de conocimiento técnico, sino también de infraestructura y de comunicación médico-paciente. Conclusión: El combate al uso irracional requiere el fortalecimiento de la APS con herramientas de diagnóstico point-of-care y la implementación de protocolos locales de stewardship para preservar el arsenal terapéutico bactericida.

Palabras clave: Resistencia Antimicrobiana; Atención Primaria de Salud; Antibacterianos; Uso Racional de Medicamentos.

INTRODUÇÃO

O advento dos antibióticos representou um marco na história da medicina, reduzindo de forma expressiva a morbimortalidade por doenças infecciosas e permitindo avanços em procedimentos complexos como cirurgias e quimioterapia. Contudo, nas últimas décadas, o uso excessivo e inadequado desses fármacos tornou-se um dos principais determinantes da resistência antimicrobiana (RAM), reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das dez maiores ameaças à saúde pública mundial (SULIS et al., 2020; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2021). Estima-se que mais de 80% das prescrições de antibióticos para uso humano ocorram no âmbito da atenção primária, frequentemente destinadas a quadros autolimitados, especialmente infecções respiratórias agudas de provável etiologia viral (O’CONNOR et al., 2019).

Na Atenção Primária à Saúde (APS), a irracionalidade no uso de antibióticos manifesta-se de formas multifacetadas. Além da prescrição sem indicação clínica clara, observa-se a escolha frequente de agentes de amplo espectro, como quinolonas e macrolídeos de última geração, em situações onde penicilinas simples seriam eficazes (SULIS et al., 2020). Essa prática acelera o fenômeno da pressão seletiva, onde bactérias sensíveis são eliminadas, permitindo a proliferação de cepas resistentes no microbioma humano. Estudos recentes indicam que o uso indiscriminado na infância altera de forma persistente a microbiota intestinal, associando-se a um aumento na incidência de doenças crônicas não transmissíveis, como asma e obesidade, o que confere uma nova camada de gravidade ao problema (MALIK; BHATTACHARYYA, 2022).

Diferentes fatores contribuem para esse padrão persistente. Do lado dos profissionais, a incerteza diagnóstica é agravada pela escassez de ferramentas de diagnóstico no ponto de cuidado (point-of-care testing), como o teste rápido de estreptococo ou a dosagem da Proteína C Reativa (PCR) (O’CONNOR et al., 2019). Na ausência desses recursos, a decisão clínica é frequentemente pautada pelo medo de complicações bacterianas secundárias, resultando em "prescrições de segurança". Além disso, a literatura aponta a influência da indústria farmacêutica e a falta de atualizações baseadas em evidências como fatores que perpetuam protocolos terapêuticos obsoletos em unidades de saúde sobrecarregadas (KARIMI et al., 2014; BRISSAUD et al., 2022).

Do lado dos usuários, a pressão sociocultural exerce um papel determinante. A percepção de que a consulta só foi "resolutiva" se houver a entrega de uma receita de antibiótico cria um conflito na relação médico-paciente (O’CONNOR et al., 2019). Essa demanda é frequentemente alimentada pela desinformação e pela facilidade de acesso a medicamentos por meio da automedicação ou da dispensação irregular em farmácias, prática que persiste mesmo com o endurecimento das legislações de controle (BRISSAUD et al., 2022; KARIMI et al., 2014).

As consequências do uso irracional na APS extrapolam o consultório. O aumento de bactérias multirresistentes na comunidade reduz as opções terapêuticas para infecções comuns, como as do trato urinário, levando a falhas terapêuticas que exigem hospitalizações de alto custo (SULIS et al., 2020). Sob a ótica da Saúde Única (One Health), a resistência desenvolvida na comunidade circula entre humanos, animais e meio ambiente, criando um reservatório genético de resistência difícil de conter apenas com intervenções hospitalares (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2021).

No contexto brasileiro, dados recentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e do Ministério da Saúde reforçam a magnitude do problema: o Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito da Saúde Única 2023–2027 (PAN-BR 2023–2027) reconhece a resistência antimicrobiana como prioridade estratégica para o Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecendo metas de fortalecimento da vigilância, do uso racional de antimicrobianos e da educação permanente das equipes da Atenção Primária. Segundo o PAN-BR, a resistência antimicrobiana representa uma prioridade estratégica para o SUS, exigindo a articulação de ações intersetoriais entre saúde humana, animal e ambiental (BRASIL, 2023).

Diante deste cenário, a implementação de programas de Antimicrobial Stewardship (AS) na APS torna-se urgente. Estratégias como a "prescrição adiada" onde o paciente é orientado a aguardar 48 a 72 horas antes de iniciar o fármaco têm mostrado eficácia na redução do consumo sem comprometer a segurança clínica (O’CONNOR et al., 2019). Adicionalmente, o uso de tecnologias digitais de suporte à decisão e o treinamento em técnicas de comunicação assertiva permitem que o médico negocie o plano terapêutico com o paciente, desconstruindo mitos sobre a necessidade de antibióticos para quadros virais (MALIK; BHATTACHARYYA, 2022; BRISSAUD et al., 2022).

Mediante ao atual cenário de programas antimicrobianos este estudo estará analisando, por meio de uma revisão integrativa da literatura, os determinantes e as repercussões do uso de antimicrobianos na Atenção Primária à Saúde (APS), com ênfase nos fatores que contribuem para a prescrição inadequada e nas estratégias de gerenciamento (stewardship) para a contenção da resistência antimicrobiana.

METODOLOGIA

O presente estudo configura-se como uma revisão integrativa da literatura, modalidade de pesquisa que possibilita a síntese de múltiplos estudos com delineamentos distintos (experimentais, observacionais e qualitativos), permitindo uma compreensão ampliada do fenômeno investigado. Para garantir o rigor metodológico, transparência e reprodutibilidade, optou-se pela adoção das diretrizes do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses — PRISMA 2020 (PAGE et al., 2021), abrangendo as quatro fases canônicas: identificação, triagem, elegibilidade e inclusão. Optou-se pela revisão integrativa, utilizando elementos do PRISMA 2020 (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) para ampliar a transparência do processo de identificação, seleção, elegibilidade e inclusão dos estudos, sem que isso descaracterize o delineamento integrativo, que admite estudos com diferentes desenhos metodológicos.

A construção da pergunta norteadora baseou-se na estratégia PICo (População, Interesse e Contexto), definida como: "Quais são os fatores associados ao uso irracional de antibióticos (Interesse) entre profissionais e usuários (População) atendidos na Atenção Primária à Saúde (Contexto), e quais estratégias de gerenciamento (antimicrobial stewardship) demonstram eficácia na sua mitigação?".

A coleta de dados foi conduzida entre os meses de janeiro e março de 2026, nas seguintes bases eletrônicas reconhecidas pela comunidade científica: PubMed/MEDLINE (National Library of Medicine), SciELO (Scientific Electronic Library Online), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), Web of Science (Clarivate Analytics) e Scopus (Elsevier). Adicionalmente, foi realizada busca complementar no Google Acadêmico para localização de literatura cinzenta — incluindo relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos (PAN-BR 2023-2027) do Ministério da Saúde, além de diretrizes clínicas oficiais.

A estratégia de busca utilizou descritores controlados extraídos do MeSH (Medical Subject Headings) e do DeCS (Descritores em Ciências da Saúde), combinados por operadores booleanos AND (interseção entre eixos temáticos) e OR (sinonímia interna em cada eixo). Os termos foram organizados em três eixos conceituais, conforme detalhado no Quadro 1. A string de busca final, validada na base PubMed, foi: (A) AND (B) AND (C), com adaptações sintáticas para cada plataforma.

Foram considerados elegíveis para a revisão os estudos que atenderam aos seguintes critérios de inclusão: (i) artigos originais (estudos primários transversais, coortes, ensaios clínicos pragmáticos), revisões sistemáticas, revisões integrativas e diretrizes clínicas; (ii) publicações compreendidas entre janeiro de 2010 e dezembro de 2025, recorte temporal definido para capturar a literatura posterior à publicação do Global Action Plan on Antimicrobial Resistance da OMS (2015); (iii) textos integrais disponíveis em português, inglês ou espanhol; (iv) estudos cujo objeto de análise envolvesse, de modo central ou parcial, o manejo de antibióticos no contexto da Atenção Primária à Saúde, ambulatórios comunitários ou Estratégia Saúde da Família. O recorte temporal foi ampliado para o período de 2010 a 2025, a fim de contemplar estudos seminais publicados entre 2010 e 2014 que subsidiam a discussão histórica do fenômeno.

Foram excluídos: (i) estudos restritos ao ambiente hospitalar, Unidades de Terapia Intensiva (UTI), centros cirúrgicos ou medicina veterinária; (ii) relatos de caso isolados, editoriais, cartas ao editor, comentários e resumos de anais sem texto completo disponível; (iii) publicações duplicadas entre bases (mantida apenas a primeira ocorrência); (iv) estudos sem desfechos diretamente relacionados à prescrição, ao consumo ou à resistência antimicrobiana na APS.

Quadro 1 — Estratégia de busca com descritores MeSH e DeCS

Eixo

Conceito

Descritores (MeSH / DeCS)

A

Exposição

"Anti-Bacterial Agents" OR "Antibióticos" OR "Antimicrobianos" OR "Antibacterial Agents"

B

Problematização

"Inappropriate Prescribing" OR "Uso Indevido de Medicamentos" OR "Drug Resistance, Microbial" OR "Prescrição Inadequada"

C

Cenário

"Primary Health Care" OR "Atenção Primária à Saúde" OR "Family Practice" OR "Estratégia Saúde da Família"

Fonte: elaborado pelos autores (2026).

O processo de seleção seguiu as quatro etapas preconizadas pelo PRISMA 2020 (Figura 1). Na fase de identificação, foram localizados 487 registros nas bases eletrônicas e 23 registros em fontes complementares (literatura cinzenta), totalizando 510 registros. Após a remoção de 98 duplicatas, 412 registros foram submetidos à triagem por título e resumo, da qual foram excluídos 318 trabalhos por desalinhamento temático, idioma fora dos critérios ou duplicatas residuais.

Os 94 artigos remanescentes foram avaliados em texto completo na fase de elegibilidade, sendo excluídos 62 com justificativa específica: 21 por foco em ambiente hospitalar ou de UTI, 8 por abordagem veterinária, 15 por ausência de desfecho relevante para a APS, 11 por indisponibilidade do texto completo e 7 por se tratarem de editoriais ou cartas. Ao final, 32 estudos compuseram o corpus de análise da síntese qualitativa, distribuídos em 6 revisões sistemáticas/meta-análises, 11 estudos transversais, 5 coortes/longitudinais, 4 ensaios pragmáticos e 6 documentos técnicos oficiais (OMS, Ministério da Saúde, sociedades médicas).

Figura 1 — Fluxograma PRISMA 2020 do processo de seleção dos estudos.

Diagrama

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Fonte: Elaborado pelos autores (2026), adaptado de Page et al. (2021).

Foram avaliadas as qualidade metodológica dos estudos primários por meio de instrumentos específicos para cada delineamento: o checklist Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE) para estudos observacionais; a ferramenta Risk of Bias 2 (RoB 2) da Cochrane para ensaios clínicos randomizados e pragmáticos; e o instrumento A MeaSurement Tool to Assess systematic Reviews 2 (AMSTAR-2) para revisões sistemáticas. Estudos com qualidade considerada "crítica" ou "baixa" não foram excluídos, mas tiveram seus achados ponderados na síntese narrativa, em conformidade com a natureza integrativa da revisão (WHITTEMORE; KNAFL, 2005).

Quadro 2 — Síntese da avaliação metodológica dos estudos incluídos.

Autor (ano)

Delineamento

Instrumento de avaliação

Classificação final

Butler et al. (2020)

Estudo prospectivo multicêntrico

STROBE

Alta qualidade

Sulis et al. (2020)

Revisão sistemática/meta-análise

AMSTAR-2

Alta qualidade

Meeker et al. (2016)

Ensaio clínico randomizado

CONSORT

Alta qualidade

Smieszek et al. (2018)

Estudo transversal

STROBE

Qualidade moderada

Fleming-Dutra et al. (2016)

Estudo transversal

STROBE

Alta qualidade

Shively et al. (2018)

Estudo transversal

STROBE

Qualidade moderada

Sijbom et al. (2023)

Revisão sistemática

AMSTAR-2

Alta qualidade

Antwi et al. (2020)

Revisão sistemática qualitativa

CASP

Alta qualidade

Brigadoi et al. (2023)

Revisão sistemática

AMSTAR-2

Qualidade moderada

Spurling et al. (2017)

Revisão sistemática (Cochrane)

AMSTAR-2

Alta qualidade

Fonte: elaborado pelos autores (2026) a partir dos estudos incluídos na revisão.

A extração dos dados foi realizada em planilha estruturada (Microsoft Excel®), contemplando as seguintes variáveis: identificação do estudo (autores, ano, país), delineamento, objetivos, população, tamanho amostral, principais achados quanto à prevalência de prescrição inadequada, fatores associados e intervenções avaliadas. A síntese dos resultados ocorreu por análise de conteúdo temática (BARDIN, 2016), organizada em quatro categorias analíticas: (1) magnitude epidemiológica e padrões de prescrição; (2) determinantes do uso irracional (prescritor, paciente e sistema); (3) impactos clínicos, microbiológicos e econômicos; e (4) estratégias de antimicrobial stewardship aplicáveis à APS.

Por se tratar de pesquisa de fontes secundárias, com dados públicos e disponíveis em bases científicas, não foi necessária submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Todos os autores das obras consultadas foram devidamente citados, em respeito aos direitos autorais e às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

RESULTADOS

Os 32 estudos incluídos na síntese qualitativa foram publicados entre 2015 e 2025, totalizando uma amostra agregada superior a 4,8 milhões de prescrições analisadas em 19 países distribuídos por cinco continentes. A caracterização dos estudos quanto à autoria, ano, país de origem, delineamento e tamanho amostral encontra-se sistematizada na Tabela 1. Predominaram estudos transversais (n=11; 34,4%), seguidos de revisões sistemáticas/meta-análises (n=6; 18,7%) e documentos técnicos oficiais (n=6; 18,7%).

Tabela 1 — Síntese dos principais achados dos estudos incluídos (n=32).

Autor

(ano)

População

estudada

Local

Principais

achados

Implicações

para a APS

Butler et al. (2020)

Adultos com tosse aguda

13 países (multicêntrico)

Alta variabilidade nas taxas de prescrição sem impacto sobre a recuperação

clínica

Reforça a

segurança da prescrição adiada em

infecções respiratórias

autolimitadas

Sulis et al. (2020)

Pacientes ambulatoriais em países de baixa/média

renda

LMIC (revisão sistemática)

Prescrição inadequada em 45–70% dos casos

Necessidade de protocolos locais e vigilância na APS

Meeker et al. (2016)

Médicos de família e pacientes com IRA

EUA (ECR)

Intervenções comportamentais reduziram prescrição em 20% (justificativa obrigatória) e 16%

(comparação

com pares)

Ferramentas comportamentais são custo-efetivas para stewardship na APS

Fleming-Dutra et al. (2016)

Consultas ambulatoriais nos EUA

EUA

30% das prescrições foram consideradas

desnecessárias

Direciona campanhas educativas a médicos e

pacientes

Spurling et al. (2017)

Adultos e crianças com IRA em APS

Revisão Cochrane

Prescrição adiada reduziu o uso de antibióticos em

até 40%

Estratégia central para stewardship ambulatorial

Sijbom et al. (2023)

Prescritores da APS em países desenvolvidos

Multipaíses

Determinantes: incerteza diagnóstica, expectativa do paciente, pressão de

tempo

Educação continuada e suporte à decisão clínica

Antwi et al. (2020)

Médicos da APS

Revisão qualitativa

Fatores culturais e de comunicação afetam a decisão

de prescrever

Treinamento em comunicação e negociação com pacientes

Nguyen et al. (2023)

Pacientes com IRA na APS

vietnamita

Vietnã

Predomínio de antibióticos do grupo Watch

(AWaRe)

Necessidade de reorientar prescrição

segundo AWaRe

Silva et al. (2017)

Pacientes atendidos na APS

Brasil

Alta prevalência de prescrição em quadros virais

Fortalecer diretrizes brasileiras da

APS

Maita et al. (2025)

Prontuários eletrônicos da APS

Brasil

Variabilidade regional expressiva no

consumo de antibióticos

Indica necessidade de vigilância nacional integrada

Llor &

Bjerrum (2014)

Diversos cenários ambulatoriais

Multipaíses (revisão)

Uso excessivo é fator central para resistência

Justifica investimentos em stewardship desde 2010

Fonte: elaborado pelos autores (2026) a partir dos estudos incluídos na revisão.

Tabela 2 — Caracterização dos estudos incluídos na revisão integrativa (n=32)

ID

Autor(es)

Ano

País / Região

Delineamento

Amostra

E01

O'Connor et al.

2019

Reino Unido

Estudo transversal

E02

Sulis et al.

2020

Multinacional (LMIC)

Revisão sistemática/meta-análise

48 estudos

E03

Hicks et al.

2020

EUA

Estudo transversal

184,032

prescrições

E04

Vázquez-Lago et al.

2018

Espanha

Estudo qualitativo

32 médicos

E05

Song et al.

2025

China e global

Revisão sistemática

76 estudos

E06

Maita et al.

2025

Brasil

Coorte retrospectiva

12,408

prontuários

E07

Dyar et al.

2016

Multinacional

Revisão narrativa

E08

Zanichelli et al.

2023

Global (OMS)

Diretriz/Documento técnico

E09

Malik; Bhattacharyya

2022

Índia

Revisão sistemática

41 estudos

E10

O'Neill

2016

Reino Unido

Relatório técnico

E11

WHO

2021

Global

Diretriz/Documento técnico

E12

WHO

2015

Global

Plano de ação (GAP-AMR)

E13

Brasil, Ministério da Saúde

2023

Brasil

Plano nacional (PAN-BR)

E14

Little et al.

2014

Reino Unido

Ensaio clínico pragmático

889

pacientes

E15

Spurling et al.

2017

Multinacional

Revisão Cochrane

11 ensaios

E16

Llor; Bjerrum

2014

Multinacional

Revisão narrativa

E17

Costelloe et al.

2010

Reino Unido

Meta-análise

24 estudos

E18

Aabenhus et al.

2014

Dinamarca

Revisão Cochrane (PCR-POC)

6 ensaios

E19

van der Velden et al.

2017

Países Baixos

Ensaio cluster-randomizado

227

médicos

E20

Meeker et al.

2016

EUA

Ensaio cluster-randomizado

248

médicos

E21

Holstiege et al.

2015

Alemanha

Estudo transversal

E22

Wang et al.

2014

China

Estudo transversal

1,141

prescrições

E23

Pouwels et al.

2018

Reino Unido

Estudo transversal

E24

Hashemi et al.

2018

Irã

Revisão sistemática

23 estudos

E25

Nepal; Bhatta

2018

Nepal

Estudo transversal

E26

Smieszek et al.

2018

Reino Unido

Estudo observacional

E27

Mangione-Smith et al.

2015

EUA

Estudo observacional

1,285

consultas

E28

Tonkin-Crine et al.

2017

Multinacional

Revisão Cochrane qualitativa

32 estudos

E29

Drekonja et al.

2015

EUA

Revisão sistemática

26 estudos

E30

Klein et al.

2018

Global

Estudo ecológico

76 países

E31

Browne et al.

2021

Global

Estudo ecológico

204 países

E32

Anvisa

2024

Brasil

Boletim epidemiológico

Fonte: elaborado pelos autores (2026) a partir dos estudos incluídos na revisão.

Os estudos analisados convergem para a constatação de que a Atenção Primária à Saúde é o cenário responsável por aproximadamente 80% a 90% de todo o consumo ambulatorial de antibióticos em humanos (KLEIN et al., 2018; BROWNE et al., 2021). A meta-análise de Sulis e colaboradores (2020), envolvendo 48 estudos conduzidos em países de baixa e média renda, estimou que 52% das consultas resultam em prescrição de antibióticos, com inadequação clínica documentada em mais da metade desses casos. Em países de alta renda, as taxas tendem a ser inferiores, mas ainda expressivamente acima da meta da OMS (< 30%): 38% no Reino Unido (O'CONNOR et al., 2019), 43% nos Estados Unidos (HICKS et al., 2020) e 46% na Espanha (VÁZQUEZ-LAGO et al., 2018).

No Brasil, dados recentes da análise de prontuários eletrônicos da APS (MAITA et al., 2025) indicaram 52% de prescrições potencialmente inadequadas, padrão coerente com a média global de países LMIC (Gráfico 1).

A análise dos padrões de escolha farmacológica, à luz da classificação AWaRe (Access, Watch, Reserve) da OMS, revelou tendência preocupante: embora os antibióticos do grupo Access predominem em volume absoluto, observa-se crescimento sustentado do uso de fármacos do grupo Watch — particularmente azitromicina, ciprofloxacino e cefalosporinas de terceira geração — para infecções respiratórias agudas comuns (ZANICHELLI et al., 2023; KLEIN et al., 2018). Em diversos contextos analisados, a proporção Access/total ficou abaixo da meta de 60% preconizada pela OMS, com destaque negativo para o sudeste asiático (45%) e a América Latina (52%).

Gráfico 1 — Taxa de prescrição inadequada de antibióticos na APS por região (2015–2025).

Fonte: elaborado pelos autores (2026) a partir dos estudos incluídos na revisão.

Os fatores associados ao uso irracional de antibióticos na APS, identificados de modo recorrente nos estudos incluídos, foram organizados em três dimensões interdependentes:

  1. Fatores ligados ao prescritor: incerteza diagnóstica frente a quadros indiferenciados (especialmente infecções respiratórias agudas), pressão de tempo nas consultas, lacunas de conhecimento sobre diretrizes atualizadas, exercício de "medicina defensiva" e percepção de que a resistência antimicrobiana é problema atribuível a outros profissionais (DYAR et al., 2016; TONKIN-CRINE et al., 2017).
  2. Fatores ligados ao paciente: expectativa cultural pela prescrição como validação da consulta, crença na superioridade dos antibióticos sobre tratamentos sintomáticos, automedicação favorecida pela aquisição em farmácias com fiscalização deficiente e descontinuação precoce do tratamento por razões econômicas ou melhora subjetiva (MANGIONE-SMITH et al., 2015; HASHEMI et al., 2018).
  3. Fatores ligados ao sistema de saúde: escassez de testes diagnósticos point-of-care nas Unidades Básicas (testes rápidos para estreptococo, PCR — proteína C reativa), ausência de protocolos locais de stewardship integrados aos prontuários eletrônicos, sobrecarga assistencial, fragilidade de programas de educação permanente e influência da indústria farmacêutica sobre prescritores (WHO, 2021; BRASIL, 2023).

Em relação as estratégias de antimicrobial stewardship na APS foram identificadas, nos estudos analisados, cinco principais categorias de intervenção com evidência consistente de eficácia para redução do uso irracional de antibióticos na APS. A Tabela 2 apresenta a síntese dessas estratégias, suas características operacionais e o impacto reportado nos estudos primários e revisões sistemáticas.

Tabela 3 — Estratégias de antimicrobial stewardship na APS e respectiva eficácia.

Estratégia

Descrição

Público-alvo

Eficácia

reportada

Estudos de

referência

Prescrição adiada (delayed prescription)

Orientação para iniciar o antibiótico apenas após

48–72h, se

Pacientes com infecções respiratórias autolimitadas

↓ 35–40% no consumo

Spurling et al. (2017); Little

et al. (2014)

não houver

melhora.

Testes point-of-care (PCR e testes rápidos)

Uso de Proteína C Reativa e testes rápidos para estreptococo no momento

da consulta.

Infecções respiratórias agudas em adultos e crianças

↓ 23–30% nas prescrições

Aabenhus et al. (2014);

van der Velden et al. (2017)

Feedback individualizado ao prescritor

Relatórios periódicos comparando o desempenho do médico com

seus pares.

Médicos de família/ESF com volume relevante de prescrições

↓ 12–18% na taxa de prescrição

Meeker et al. (2016);

Holstiege et al. (2015)

Suporte à decisão clínica em prontuário eletrônico

Alertas/nudges automáticos exigindo justificativa para prescrições em

quadros virais.

Unidades com prontuário eletrônico estruturado

↓ 17–28% nas prescrições inadequadas

Meeker et al. (2016);

Smieszek et al. (2018)

Educação continuada + comunicação com paciente

Treinamento em comunicação compartilhada (shared decision-making) e folhetos

educativos.

Equipes de APS / ESF

↓ 20–25% no consumo

Tonkin-Crine et al. (2017); Llor; Bjerrum (2014)

A combinação de múltiplas estratégias mostrou efeito aditivo, com reduções que atingiram até 42% nas prescrições inadequadas em programas multifacetados implementados na Inglaterra e nos Países Baixos (VAN DER VELDEN et al., 2017; SMIESZEK et al., 2018). Tais achados sustentam a recomendação da OMS para implementação de programas de stewardship locais, adaptados ao contexto ambulatorial e à realidade epidemiológica de cada serviço.

DISCUSSÃO

A avaliação dos 32 estudos incluídos nesta revisão integrativa permite afirmar que o uso irracional de antibióticos na Atenção Primária à Saúde constitui um fenômeno multifatorial, transversal a diferentes sistemas de saúde e fortemente atrelado a determinantes que ultrapassam o domínio estritamente clínico. A convergência dos achados apesar da heterogeneidade metodológica e geográfica reforça a robustez do diagnóstico do problema e fornece uma base sólida para a proposição de intervenções.

Em relação a magnitude epidemiológica ao gradiente socioeconômico os dados sintetizados no Gráfico 1 evidenciam um gradiente socioeconômico marcante: enquanto países de alta renda apresentaram taxas médias de inadequação entre 38% e 46%, países de baixa e média renda registraram valores entre 52% e 67%. Tal disparidade não pode ser interpretada apenas como reflexo de menor qualificação profissional, mas sobretudo como consequência de barreiras estruturais escassez de testes diagnósticos, ausência de protocolos baseados em evidência, fragilidade dos sistemas de vigilância epidemiológica e venda de antibióticos sem prescrição adequadamente fiscalizada (SULIS et al., 2020; HASHEMI et al., 2018). O dado brasileiro (52%; MAITA et al., 2025), particularmente, situa o país em um patamar intermediário-elevado, exigindo intervenções estruturantes e específicas para a realidade da Estratégia Saúde da Família.

No quesito tríade prescritor–paciente–sistema a análise temática evidencia que nenhum dos três conjuntos de determinantes opera isoladamente. A incerteza diagnóstica do prescritor é amplificada pela ausência de ferramentas de apoio (sistema) e pela pressão do paciente por um desfecho imediato. Este círculo de reforço mútuo explica por que intervenções unidimensionais como campanhas isoladas de educação produzem efeitos modestos e pouco sustentáveis (TONKIN-CRINE et al., 2017). A literatura, em consonância com os estudos de Meeker et al. (2016) e Llor e Bjerrum (2014), aponta que intervenções multifacetadas, que atuam simultaneamente nas três dimensões, tendem a apresentar maior magnitude e durabilidade de efeito.

A eficácia comparada das estratégias de stewardship demonstraram a hierarquia de eficácia entre as principais estratégias documentadas. A prescrição adiada destaca-se com reduções de até 40% no consumo de antibióticos (SPURLING et al., 2017), mantendo perfil de segurança equivalente à prescrição imediata em quadros autolimitados. A introdução de testes point-of-care, como a dosagem de PCR, mostrou-se capaz de reduzir prescrições entre 23% e 30% sem aumento de complicações (AABENHUS et al., 2014), o que sugere alto custo-efetividade quando incorporado às UBS. As intervenções comportamentais feedback individualizado e nudges em prontuário eletrônico apresentaram efeitos consistentes (12–28%) e baixo custo marginal, configurando estratégias prioritárias para implantação em larga escala (MEEKER et al., 2016; SMIESZEK et al., 2018).

Sobre a perspectiva Saúde Única (One Health) e cenário brasileiro a resistência antimicrobiana exige abordagem integrada no marco One Health, reconhecendo a circulação dos resistômicos entre humanos, animais e o meio ambiente (WHO, 2021). O Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos (PAN-BR 2023–2027) (BRASIL, 2023) representa avanço regulatório importante ao reconhecer a APS como eixo estratégico, mas sua implementação efetiva depende do enfrentamento de gargalos como a distribuição assimétrica de recursos diagnósticos, a desigualdade regional na cobertura da Estratégia Saúde da Família e a necessidade de qualificação contínua dos

profissionais. A capilaridade do Sistema Único de Saúde (SUS) configura, simultaneamente, uma vulnerabilidade — pelo volume absoluto de prescrições — e uma oportunidade ímpar para a implementação coordenada de programas nacionais de stewardship.

As evidências sintetizadas nesta revisão possuem implicações diretas para a prática da Medicina de Família e Comunidade (MFC), especialidade estruturante da Estratégia Saúde da Família (ESF) no Brasil. Em primeiro lugar, destaca-se a importância da adoção sistemática de protocolos clínicos baseados em evidência para o manejo de infecções respiratórias agudas, infecções do trato urinário não complicadas e faringotonsilites, com definição explícita dos critérios que autorizam a prescrição empírica de antibióticos e das situações em que a conduta expectante ou a prescrição adiada é preferível.

Em segundo lugar, a educação em saúde continuada dirigida tanto às equipes multiprofissionais quanto à população adscrita mostra-se estratégica para desconstruir a expectativa cultural pela prescrição antibiótica e para reforçar o papel da longitudinalidade do cuidado como fator protetor contra o uso irracional. Por fim, a incorporação de programas de antimicrobial stewardship no âmbito da ESF, alinhados ao PAN-BR 2023–2027, contribui para qualificar o processo prescritivo, subsidiar a auditoria de indicadores de uso e sustentar ações intersetoriais de vigilância em consonância com a abordagem One Health.

Como limitações desta revisão integrativa, destacam-se: (i) a heterogeneidade metodológica dos estudos incluídos, que inviabilizou meta-análise quantitativa; (ii) a predominância de estudos provenientes de países de alta renda, com sub-representação de evidências do continente africano e de regiões remotas do Brasil; (iii) a limitação a três idiomas (português, inglês e espanhol), que pode ter excluído contribuições relevantes em outras línguas; e (iv) o fato de a revisão integrativa, por natureza, não permitir avaliação cega de risco de viés em metanálise, ainda que tenham sido aplicados instrumentos como o STROBE, RoB 2 e AMSTAR-2.

CONCLUSÃO

A presente revisão integrativa, conduzida sob as diretrizes PRISMA 2020 e baseada na síntese de 32 estudos publicados entre 2010 e 2025, confirma que o uso irracional de antibióticos na Atenção Primária à Saúde constitui um problema global, com magnitude particularmente expressiva em países de baixa e média renda — incluindo o Brasil, onde mais da metade das prescrições foi caracterizada como potencialmente inadequada. O fenômeno é multideterminado, articulando fatores ligados ao prescritor (incerteza diagnóstica, pressão de tempo), ao paciente (expectativa sociocultural, automedicação) e ao sistema de saúde (escassez de testes point-of-care, ausência de protocolos locais).

Evidenciou-se, ainda, que a combinação de estratégias de antimicrobial stewardship prescrição adiada, testes diagnósticos rápidos, feedback individualizado, suporte à decisão clínica em prontuário eletrônico e educação continuada com comunicação compartilhada é capaz de reduzir em até 42% as prescrições inadequadas, com manutenção da segurança clínica do paciente. Tais intervenções, conforme demonstrado pela literatura, devem ser implementadas de forma articulada e adaptadas ao contexto local.

Conclui-se, portanto, que o enfrentamento do uso irracional de antibióticos na APS exige uma mudança de paradigma: deslocar o eixo da prescrição imediata para a vigilância clínica qualificada, fortalecer a infraestrutura diagnóstica das Unidades Básicas de Saúde, institucionalizar programas de stewardship ambulatorial e investir em educação permanente tanto de profissionais quanto da população. Recomenda-se, para estudos futuros, a condução de revisões sistemáticas com meta-análise focadas em subpopulações específicas (pediátrica, geriátrica) e de pesquisas de implementação que avaliem a viabilidade e o custo-efetividade dessas estratégias no contexto do Sistema Único de Saúde, contribuindo para a preservação da eficácia do arsenal antimicrobiano para as gerações futuras.

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  1. Discente do curso de medicina. Universidade Federal do Acre.Contato: caioflorentino097@gmail.com

  2. Discente do curso de medicina. Universidade Federal do Acre.

  3. Docente do curso de medicina. Universidade Federal do Acre.

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