Exame da cavidade oral em pacientes portadores do vírus HIV: avaliação fonoaudiológica e sua interferência no processo de deglutição.
ISSN 1678-0817 Qualis/DOI Revista Científica de Alto Impacto.
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RESUMO

Objetivo: Averiguar as manifestações intra e extra orais em pacientes portadores do vírus HIV através da avaliação fonoaudiológica, e na existência de desordens orais, examinar se existe interferência delas no processo de deglutição. Métodos: Foram avaliados 60 pacientes do sexo feminino e masculino, entre 21 a 70 anos de idade, diagnosticados com HIV em atendimento na Policlínica Dr. Rafael Vaz e Silva de Porto Velho (RO), no qual consentiram em participar da pesquisa. Aplicou-se o protocolo adaptado embasados no MBGR (Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial) proposto por Marchesan I.Q, Berretin - Felix G, Genaro K.F, Rehder M.I, 2012 e o PARD (Protocolo de Risco para Disfagia) proposto por Mangilli; Moraes e Medeiros (2007). Resultados: Diante do estudo realizado a população soropositiva encontra-se com falha dentária seguido de ruim estado de conservação, foi possível encontrar manifestações típicas do vírus tais como; aftas em lábios, língua e bochecha e marcas dentárias na mucosa jugal, a maioria dos pacientes apresentaram hipotonia de lábio, língua, bochechas e mento e apenas um paciente apresentou risco para disfagia. Conclusão: Conclui-se este trabalho que os pacientes soropositivos necessitam de intervenção Fonoaudiológica, devido às diversas alterações na motricidade orofacial e sintomas para disfagia, porém, nenhum destes tinha acompanhamento com o Fonoaudiólogo.

Descritores: Disfagia; HIV, Cavidade Oral, Avaliação Fonoaudiológica.

ABSTRACT

Objective: To investigate the intra- and extra-oral manifestations in HIV positive patients by clinical assessment, and the existence of oral disorders, to examine whether there is interference of them in the swallowing process. Methods: We evaluated 60 patients, female and male, between 21-70 years of age, diagnosed with HIV in care Polyclinic Dr. Rafael Vaz and Silva Porto Velho (RO), which agreed to participate. Applied the protocol adapted grounded in MBGR (Myofunctional Assessment Protocol Orofacial) proposed by Marchesan I.Q, Berretin-Felix G, Genaro KF, M.I Rehder, 2012 and the PARD (Risk Protocol for Dysphagia) proposed by Mangilli; Moraes and Medeiros (2007). Results: Before the study the HIV positive population is with dental failure followed by bad condition, it was possible to find typical manifestations of the virus such as; sores on lips, tongue and cheek and tooth marks on the oral mucosa, most patients had hypotonia lip, tongue, cheeks and chin, and only one patient showed risk for dysphagia. Conclusion: We conclude this work that the seropositive patients require speech therapy intervention due to various changes in the orofacial motor function and symptoms for dysphagia, however, none of these had follow up with the audiologist.

Keywords: Dysphagia; HIV, Oral Cavity, Speech Therapy Evaluation.

INTRODUÇÃO

O HIV (Síndrome da imunodeficiência humana) é um vírus que nos anos 80 foi conhecido como uma doença de característica de jovens homossexuais do sexo masculinos previamente saudáveis, cujos principais sintomas eram infecções, neoplasias e imunodeficiência. O vírus evoluiu como uma pandemia, tornando-se um problema de saúde mundial que está presente nos dias atuais1.

O vírus HIV pode ser transmitido através de relação sexual desprotegida (sem uso da camisinha), transfusão sanguínea (receptores de sangue em usuários de drogas injetáveis), forma vertical (da mãe para o filho no período de gestação, parto ou aleitamento), acidentes de trabalho podem ser uma forma de transmissão, em profissionais da área da saúde que manuseiam instrumentos pérfuros-cortantes contaminados com sangue de pacientes portadores do vírus HIV2.

Pacientes portadores do vírus HIV estão clinicamente vulneráveis a desenvolver doenças sistêmicas que podem instalar-se na região bucal, como por exemplo, as infecções oportunistas que aparecem após a infecção pelo vírus HIV3.

Essas infecções orais podem ser de origem fúngicas, bacterianas e virais que associadas à infecção pelo vírus HIV podem proporcionar ao paciente candidíase, tuberculose oral, HPV (Vírus do papiloma humano), leucoplasia pilosa, gengivite úlcero necrosante aguda, ulcerações atípicas, doenças de glândulas salivares, infecções virais, papiloma vírus, herpes, osteomielite, sinusite, carcinoma epidermoíde4.

Tais infecções trazem consigo prejuízos orofaciais relacionados diretamente a deglutição e mastigação, podendo apresentar quadro de algia, desconforto para mastigar, lesões em lábios, úlceras labiais, halitose e prurido fétido5.

Para evitar que doenças oportunistas ocorram com pacientes infectados pela síndrome da imunodeficiência humana, a realização do diagnóstico precoce é muito importante para o início do tratamento, pois, beneficiará o paciente portador do vírus fazer uso da medicação que inibirá a replicação das células contaminadas4.

Pacientes infectados pelo vírus HIV, que optam pelo tratamento são submetidos ao uso do antirretroviral (ARV) que, quando administrado corretamente, proporciona ao paciente redução da replicação do vírus em seu organismo6.

Portanto o objetivo desse trabalho foi averiguar as manifestações intra e extra orais em pacientes portadores do vírus HIV através da avaliação fonoaudiológica e, na existência de desordens orais, examinar se existe interferência no processo de deglutição.

MÉTODOS

A pesquisa foi realizada após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa das Faculdades Integradas Aparício Carvalho – FIMCA, sob o parecer de nº 1.471.103 (ANEXO A). O estudo trata-se de uma pesquisa de caráter transversal, descritiva, e quantitativa.

O presente estudo se deu com as assinaturas dos termos de esclarecimento pela secretária de Saúde responsável pela Policlínica Dr. Rafael Vaz e Silva em Rondônia (RO) na cidade de Porto Velho (ANEXO C), e pelo termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) (ANEXO E) assinado pelos pacientes que aceitaram em participar da pesquisa.

A pesquisa foi realizada na Policlínica Dr. Rafael Vaz e Silva, referência municipal para atendimento ambulatorial de pacientes portadores de HIV/AIDS na cidade de Porto Velho-RO, a coleta de dados da pesquisa iniciou-se no período de 15 de Abril de 2016 e encerrou no dia 27 de Abril de 2016. As pesquisadoras realizaram a coleta no período matutino e vespertino.

A seleção da amostra para a pesquisa foi realizada a partir de uma população de 60 pacientes diagnosticados com o vírus HIV que estavam em tratamento na policlínica Dr. Rafael Vaz e Silva. Foram avaliados 33 pacientes do sexo feminino e 27 do sexo masculino, com idades entre 21 e 70 anos, cujo consentiram em participar da pesquisa assinando o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) (ANEXO E)

.Utilizou-se para a avaliação o protocolo adaptado embasado no PARD (Protocolo de Risco para Disfagia) e o protocolo MBGR (Protocolo de Avaliação Miofuncional Orofacial) (ANEXO G) que avalia os aspectos de deglutição com consistências líquida e pastosa, mobilidade, tonicidade e sensibilidade da boca.

Para a coleta de dados às pesquisadoras fizeram uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual) e materiais da maleta de Motricidade Orofacial, trajaram blusa, sapato fechado, calça, jaleco, de cor branca com identificação das pesquisadoras, com símbolo da faculdade e do curso.

Para avaliar deglutição em consistências líquidas e pastosas a pesquisa seguiu um critério de avaliação; só haveria a necessidade de realizar a prova de caso o paciente apresentasse alteração na prova de deglutição de saliva. Segundo a literatura8 enquadrar-se como alteração quando o paciente apresenta ruídos na deglutição de saliva, ou presença de tosse, engasgos, ou relate presença de odinofagia. Utilizou para consistência líquida 15 ml de água, para pastosa 15 ml de água misturada com espessante.

Para os sinais vitais foram utilizados, oxímetro de pulso da marca (OXIMETER) e um esfigmomanômetro da marca (ANERÓIDE-G-TECH/ PREMIUM), com o objetivo de monitorar os sinais vitais evitando intercorrências como cianose, taquicardia, bradicardia e broncoespasmo durante a aplicação do protocolo ambos foram utilizados antes, durante e depois da avaliação. Por fim os pacientes receberam um folder informativo (APÊNDICE A), no qual seguia de orientações fonoaudiológicas quanto às alterações miofuncionais orofaciais e a importância do Fonoaudiólogo neste processo.

Neste trabalho utilizamos o teste de Igualdade de duas proporções para analisar quais foram às manifestações intra orais e extras orais encontradas nos pacientes portadores do vírus HIV. Os percentuais foram sempre calculados para o total de 60 sujeitos.

RESULTADOS

Obtivemos os resultados através da avaliação fonoaudiológica pelos protocolos adaptados MBGR e PARD, que objetivou investigar se os pacientes portadores do vírus HIV apresentariam manifestações intra e extra oral e se as mesmas que poderiam interferir no processo de deglutição.

Definimos para este trabalho um nível de significância de 0,05 (5%). Lembramos também que todos os intervalos de confiança construídos ao longo deste estudo, foram construídos com 95% de confiança estatística.

Foram avaliados os aspectos referentes a gênero, idade, sinais vitais (frequência cardíaca, frequência respiratória, saturação de oxigênio), dentes e oclusão (dentadura, número de dentes, falhas dentárias, conservação dentária, uso de prótese, uso de aparelho), posição habitual da língua, simetria, largura e altura lingual, mucosa de lábios, língua, bochecha, palato, véu palatino, mobilidade de lábios e língua, tônus (lábios, bochecha, língua), a deglutição habitual e também dirigida (líquido e pastoso).

Quanto ao gênero e idade foram avaliados 60 pacientes portadores do vírus HIV sendo estes 33 pacientes do sexo feminino (55,0%), e 27 do sexo masculino (45,5%) com faixa etária entre 21 e 70 anos.

É importante destacar que 100% dos pacientes apresentaram os sinais vitais (frequência respiratória, frequência cardíaca, saturação de oxigênio) dentro dos padrões de normalidade antes e após a avaliação.

No exame intra oral (dentes e oclusão) observamos que 81,7% dos pacientes apresentam os dentes em sua totalidade e 18,3% apresentaram edentulismo. Em 68,3%foi observado falha dentária com p valor de <0,092. A conservação dentária ruim prevaleceu com 61,7% frente a apenas 10,0% com boa conservação. Verificou-se ainda na avaliação que 32,7% pacientes faziam uso de prótese dentária e apenas 1,7% com uso de aparelho ortodôntico.

Tabela 1. Dentes e Oclusão

DENTES E OCLUSÃO

Variáveis

N

%

P-valor

Pacientes com presença de dentes

49

81,7%

Ref.

Pacientes com falha dentária

41

68,3%

0,092

Conservação dentária ruim

37

61,7%

0,015

Pacientes com uso de prótese

22

36,7%

<0,001

Pacientes com ausência total de dentes

11

18,3%

<0,001

Conservação dentária boa

6

10,0%

<0,001

Conservação dentária regular

6

10,0%

<0,001

Pacientes com uso de aparelho

1

1,7%

<0,001

Teste Estatístico: Teste de Igualdade de Duas Proporções

*Valores significativos (p≤0,005)

_Valores com tendência à significância

Legenda: n- tamanho da amostra; % - porcentagem; Ref. – Referência.

Durante a avaliação da posição habitual da língua, simetria, largura, altura e mucosa lingual constatou-se que: 100,0% dos pacientes apresentaram a posição habitual da língua no assoalho bucal, 91,7% tinham a língua simétrica 8,3% apresentaram assimetria lingual. Quanto à largura, analisou-se que: 88,3% largura adequada; 11,7% largura aumentada. Quanto à mucosa de língua, 58,0% apresentaram-se normais; 6,7% língua geográfica e 8,3% possuíam aftas.

No que se refere à mucosa e sensibilidade de lábios e bochechas, 70,0% dos pacientes apresentaram mucosa interna de lábios normal com p valor de <0,049; sobressaindo os 15,0% com presença de marcas dentárias e 15,0% com presença de aftas nos lábio superior e inferior.

Quanto à mucosa jugal de bochechas notou-se que 56,7% tinham mucosas adequadas; porém 23,3% apresentaram marcas dentárias à direita 21,7% à esquerda. Encontraram-se também aftas na mucosa jugal de bochecha sendo 8,3% à direita e 15,0% à esquerda. Durante a avaliação de sensibilidade de língua, lábios e bochechas, todos os pacientes 100,0% apresentaram sensibilidade ao toque adequado.

Para a análise do palato, véu palatino e úvula foram avaliados largura do palato; simetria do véu palatino; extensão do véu palatino e presença de úvula; onde se constatou que a maior parte dos pacientes (96,7%) apresentaram largura do palato adequado e apenas 3,3% palato aumentado. Observou-se em 100,0% dos pacientes, simetria do véu palatino; sendo 96,7% destes com extensão adequada e 3,3% longa. Em 95,0% dos avaliados observou-se úvula adequada e 5 % com alteração.

Quando ao movimento de véu palatino 93,3% apresentaram-se adequado; 5% reduzidos e 1,7% ausente.

Tabela 2. Exame Intra Oral de mucosa e sensibilidade de lábios língua e bochecha

Alterações de mucosa intraoral de lábio, língua e bochecha.

Variáveis

N

%

Pvalor

Mucosa interna de língua normal

51

85,0%

Ref.

Mucosa interna de lábio normal

42

70,0%

0,049

Mucosa jugal de bochechas adequadas

34

56,7%

<0,001

Mucosa jugal de bochecha direita com marcas dentárias

14

23,3%

<0,001

Mucosa jugal de bochecha esquerda com marcas dentárias

13

21,7%

<0,001

Mucosa interna de lábio com marcas dentárias

9

15,0%

<0,001

Mucosa interna de lábio com presença de aftas

9

15,0%

<0,001

Mucosa jugal de bochecha esquerda com aftas

9

15,0%

<0,001

Mucosa interna de língua com presença de aftas

5

8,3%

<0,001

Mucosa jugal de bochecha direita com aftas

5

8,3%

<0,001

Mucosa da língua geográfica

4

6,7%

<0,001

Posição Habitual da Língua

Não observável

0,0%

<0,001

No assoalho

60

100,0%

Ref.

Simetria da língua

Simetria lingual

55

91,7%

<0,001

Assimetria lingual

5

8,3%

<0,001

Largura da língua

Adequada

53

88,3%

Ref.

Diminuída

0

0,0%

<0,001

Aumentada

7

11,7%

<0,001

Altura da língua

Adequada

60

100,0%

<0,001

Aumentada

0

0,0%

<0,001

Profundidade do palato

Adequada

58

96,7%

<0,001

Reduzida

0

0,0%

<0,001

Aumentada

2

3,3%

<0,001

Adequada

58

96,7%

<0,001

Simetria do véu palatino

Presente

60

100,0%

<0,001

Ausente

0

0,0%

<0,001

Extensão do véu palatino

Ausente

0

0,0%

<0,001

Adequada

58

96,7%

<0,001

Longa

2

3,3%

<0,001

Úvula

Adequada

57

95,0%

<0,001

Alterado

3 5,0% <0,001

Falar "a" repetidamente

Adequado

56 93,3% Ref.

Reduzido

3 5,0% <0,001

Ausente

1 1,7% <0,001

Teste Estatístico: Teste de Igualdade de Duas Proporções

*Valores significativos (p≤0,005)

Valores com tendência à significância Legenda: n- tamanho da amostra; % - porcentagem; Ref. – Referência.

Para mobilidade de lábios observamos para protração de lábios fechados, 73,3% realizaram o movimento de maneira adequada, sobressaindo os 27,7% que se apresentaram alterados. Para o comando de protrair aberto; 63,3% conseguiram realizar o movimento adequadamente, 35,0% realizaram de forma alterada e 1,7% não conseguiram. Já ao movimento de retração de lábios fechado observou-se 61,7% adequados e 38,3% alterados e retrair aberto, 36,7% realizaram de forma alterada e 1,7% não o fizeram.

Quanto associou-se o movimento de protração com direcionamento à direita e esquerda e ao estalar, obtivemos em protrair fechado à direita, adequado em 33,3%, alterados em 26,7% e ausentes em 10,0%. Protrair fechado à esquerda 30,0% estavam adequados, 56,7% alterados e 13,3% ausentes. Estalar protraídos

58,3% adequados, 35,0% alterados e 6,7% ausentes. Estalar retraído 61,7% realizaram adequadamente o movimento, enquanto que 31,7% mostraram alteração e 6,7% não conseguiram realizar.

Quanto avaliado a mobilidade de língua, através dos movimentos de protração, toques específicos, estalo e sucção, ressalta-se maior porcentagem de movimentos adequados, com 88,3% protraindo a língua, 76,6% tocando o ápice na papila incisiva; 61,7% tocando o ápice na bochecha direita adequados e 63,3% o ápice na bochecha esquerda. No comando do estalar o ápice da língua 68,3% dos pacientes com movimento realizando movimento adequadamente, bem como na sucção de língua no palato (61,7%). Divergindo no movimento de vibrar que na sua maioria apresentou-se alterado (43,3%).

TABELA 3. Avaliação de mobilidade de lábios

Mobilidade de lábios

Adequada

Alterada

Ausente

N

%

N

%

N

%

Protrair fechados

44

73,3%

16

26,7%

0

0,0%

Protrair aberto

38

63,3%

21

35,0%

1

1,7%

Retrair fechado

37

61,7%

23

38,3%

0

0,0%

Retrair aberto

37

61,7%

22

36,7%

1

1,7%

Protrair fechado a direita

20

33,3%

34

56,7%

6

10,0%

Protrair fechado a esquerda

18

30,0%

34

56,7%

8

13,3%

Estalar protraído

35

58,3%

21

35,0%

4

6,7%

Estalar retraído

37

61,7%

19

31,7%

4

6,7%

Mobilidade de língua

Protrair

53

88,3%

6

10,0%

1

1,7%

Tocar o ápice na papila incisiva

46

76,7%

13

21,7%

1

1,7%

Tocar o ápice na bochecha direita

37

61,7%

22

36,7%

1

1,7%

Tocar o ápice na bochecha esquerda

38

63,3%

21

35,0%

1

1,7%

Estalar o ápice

41

68,3%

17

28,3%

2

3,3%

Sugar a língua no palato

37

61,7%

20

33,3%

3

5,0%

Vibrar a língua 20 33,3% 26 43,3% 14 23,3%

P. Valor para Mobilidade de Lábios Adequada

Alterada

Alterada

Protair fechados

Ausente

<0,001

<0,001

<0,001

Alterada Protarir aberto

0,002

Ausente <0,001 <0,001

Alterada

Retrair fechado

Ausente

0,011

<0,001

<0,001

Alterada

Retrair aberto

Ausente

0,006

<0,001

<0,001

Alterada

Protrair fechado a direita

Ausente

0,010

0,002

<0,001

Alterada

Protrair fechado a esquerda

Ausente

0,003

0,027

<0,001

Alterada

Estalar protraido

Ausente

0,010

<0,001

<0,001

Alterada Estalar retraido

<0,001

Ausente <0,001 <0,001

P. Valor para Mobilidade de Língua

Adequado

Alterado

Protrair

Alterado

<0,001

Ausente

<0,001

0,051

Tocar o ápice na papila incisiva

Alterado

<0,001

Ausente

<0,001

<0,001

Tocar o ápice na bochecha direita

Alterado

0,006

Ausente

<0,001

<0,001

Tocar o ápice na bochecha esquerda

Alterado

0,002

Ausente

<0,001

<0,001

Estalar o ápice

Alterado

<0,001

Ausente

<0,001

<0,001

Sugar a língua no palato

Alterado

0,002

Ausente

<0,001

<0,001

Vibrar a língua

Alterado

0,260

Ausente 0,224 0,020

Teste Estatístico: Teste de Igualdade de Duas Proporções

*Valores significativos (p≤0,005)

Valores com tendência à significância Legenda: n- tamanho da amostra; % - porcentagem; Ref. – Referência.

Na avaliação de tonicidade de lábio, mento, língua e bochechas verificou-se que a hipotonia de lábio se sobressaiu com valores de 65,0% em lábio inferior 66,7% em lábio superior. Observou-se também que 80,0% dos pacientes apresentaram tônus do mento adequado e 20.0% diminuído. Na avaliação de tônus de língua reafirma o mesmo ocorrido em lábios, uma hipotonia totalizando 66,7% dos pacientes. Em bochechas verificou um dos lados se sobressaindo quanto à hipotonia, (73,3%) lado esquerdo e (66,7%) apresentando normalidade no lado direito.

Na análise de deglutição de saliva podemos observar que 100,0% dos pacientes apresentaram presença de deglutição de saliva, 33,3% mostraram quantidade de saliva dentro dos padrões de normalidade e 66,6% apresentaram xerostomia.

Tabela 4. Avaliação de tônus de lábios

N % N %

Lábio inferior

21

35,0%

39

65,0%

<0,001

Lábio superior

20

33,3%

40

66,7%

<0,001

Mento

48

80,0%

12

20,0%

<0,001

Língua

20

33,3%

40

66,7%

<0,001

Bochecha direita

40

66,7%

20

33,3%

<0,001

Bochecha esquerda 16 26,7% 44 73,3% <0,001

Teste Estatístico: Teste de Igualdade de Duas Proporções

*Valores significativos (p≤0,005)

_Valores com tendência à significância

Legenda: n- tamanho da amostra; % - porcentagem; Ref. – Referência

Para realizar a prova de deglutição nas consistências líquida e pastosa a pesquisa seguiu um critério de avaliação; só haveria a necessidade de realizar a prova de líquido e pastoso caso o paciente apresentasse alteração na prova de deglutição de saliva. Segundo a literatura8 enquadrar-se como alteração quando o paciente apresenta ruídos na deglutição de saliva, ou presença de tosse, engasgos, ou relate presença de odinofagia.

Dos 60 pacientes apenas 10,0% enquadraram-se como critério de inclusão para a avaliação de deglutição nas consistências líquida e pastosa.

Iniciou-se a avaliação na consistência líquidas 15ml, no qual constatou-se que: apenas 16,7% paciente apresentou escape oral anterior; 83,3% mostrou ausência de escape oral anterior; 100,0% apresentou ausência de refluxo nasal; 100,0% elevação laríngea adequada; 33,3% tossiu durante a avaliação; 66,7% não tossiram;100,0% mostrou ausência de engasgos durante esta avaliação.

Para prova de consistência pastosa 15 ml conclui-se que: 33,3% pacientes apresentaram escape oral anterior; 66,7% mostraram ausência de escape oral anterior; 100,0% apresentaram ausência de refluxo nasal; 100,0% elevação laríngea adequada; 66,7% tossiram durante esta avaliação; 33,3% mostraram ausência de tosse; apenas 16,7% engasgou-se durante a avaliação e 83,3% apresentaram ausência de engasgos.

Tabela 5. Avaliação de Deglutição com consistência líquida e pastosa 15ml

N % N %

Escape oral anterior

1

16,7%

5

83,3%

<0,021

Refluxo nasal

0

0,0%

6

100,0%

<0,001

Elevação laríngea

6

100,0%

0

0,0%

<0,001

Tosse

2

33,3%

4

66,7%

<0,248

Engasgos

0

0,0%

6

100,0%

<0,001

Consistência pastosa 15ml

Escape oral anterior

2

33,3%

4

66,7%

<0,248

Refluxo nasal

0

0,0%

6

100,0%

<0,001

Elevação laríngea

6

100,0%

0

0,0%

<0,001

Tosse

4

66,7%

2

33,3%

<0,248

Engasgos 1 16,7% 5 83,3% <0,021

Teste Estatístico: Teste de Igualdade de Duas Proporções

*Valores significativos (p≤0,005)

_Valores com tendência à significância

Legenda: n- tamanho da amostra; % - porcentagem; Ref. – Referência

DISCUSSÃO

A infecção pelo vírus HIV, atualmente, representa um dos maiores problemas de saúde pública causando a morte de milhões de pessoas por todo o mundo. Uma das principais formas de transmissão do vírus continua sendo por meio da relação sexual desprotegida (sem o uso da camisinha), seguido da forma vertical (da mãe para o filho), isso porque vem crescendo cada vez mais o número de mulheres infectadas, um dado preocupante, pois, no início da epidemia o número de casos era maior entre homens (1980 – 2000), porém segundo análise estatística publicada pelo Ministério da Saúde em (2000 – 2001) o número de mulheres na faixa etária de 13 a 30 anos excedeu a infecção em pacientes do sexo masculino (7,8,9).

Segundo o boletim epidemiológico HIV – AIDS, divulgado pelo Ministério da

Saúde em 2015, ainda há maior incidência da infecção pelo vírus HIV no sexo masculino, porém não há grande diferença quando comparada com algumas regiões do país onde pesquisas afirmam que existem mais mulheres infectadas pelo vírus HIV (7,8,9). Durante este estudo pode-se observar que os estes dados corroboram com a literatura visto que o maior número de pacientes avaliados durante a pesquisa foi do sexo feminino com prevalência de 55,0% seguido de 45,0%do sexo masculino, o que indica que o índice de mulheres infectadas vem crescendo cada vez mais no país (7,8,9).

Com os números alarmantes de pessoas infectadas pelo vírus HIV no país, milhões de soropositivos estão vulneráveis ao aparecimento de doenças oportunistas, pois, sabe-se que o vírus HIV atinge o sistema imunológico do indivíduo infectado, tornando-o vulnerável ao desenvolvimento de diversas infecções oportunistas (10).

Frequentemente essas infecções manifestam-se na região bucal onde destacam-se: higiene bucal precária, falhas dentárias, más oclusões, aftas, candidíase, leucoplasia pilosa, gengivite, sarcoma de Kaposi e também marcas dentárias que está ligada a fatores emocionais que acarretam em feridas na cavidade oral (10).

Neste estudo os índices encontrados apontaram que 68,3% dos pacientes avaliados apresentaram falha dentária e 61,7% possuíam uma conservação dentária ruim. Tais manifestações podem trazer transtornos na mastigação e deglutição, visto que para que ocorra uma mastigação satisfatória necessita-se da presença de dentes, quando ocorre a ausência destes, acontece o processo de compensação acarretando em uma disfunção em toda motricidade orofacial podendo interferir no processo normal das funções estomatognáticas corroborando assim com a literatura (9,10).

Para o combate das doenças oportunistas para pacientes devem optar em realizar o tratamento contra o HIV, tomando um conjunto de drogas que são capazes de retardar a progressão do vírus no organismo do paciente infectado, porém, tal medicação pode trazer efeitos colaterais, sendo o mais frequente à xerostomia (sensação de boca seca), levando a proliferação de fungos e bactérias na região bucal (7,8,9,10), o que certifica-se com a literatura visto que, 66,6% dos pacientes apresentaram xerostomia durante a análise da quantidade de saliva, e 33,3% dentro dos padrões de normalidade. A saliva tem um papel importante na formação do bolo alimentar e proteção contra os fungos e bactérias, e sua ausência pode trazer transtornos da qualidade dentária e no processo de deglutição (7,8,9,10).

Quando os pacientes não optam ou não realizam o tratamento de forma adequada, o vírus HIV pode evoluir levando o sistema imunológico a ficar cada vez mais vulnerável, com o passar do tempo os portadores podem ficar debilitados e restritos às atividades diárias, são possíveis neste período encontrar diminuição do tônus e força de lábios, língua, bochechas e mento que prejudica a coordenação motora durante o ato mastigatório interferindo na formação bolo alimentar (9).

Durante este estudo pode-se analisar que 65,0% dos pacientes apresentaram lábio inferior hipotônico, 66,7% com lábio superior com tônus reduzido, 20,0% mostraram mento reduzido, e bochecha esquerda mostrou com 73,3% hipotônica, reafirmando assim dados encontrados em literatura.

Com a evolução do vírus HIV levando evolução da doença AIDS o sistema imunológico tende a ficar incapaz de proteger o indivíduo infectado. Nos estágios mais avançado da doença transtornos na motricidade orofacial tendem a ser frequentes e fáceis de identificar, principalmente no que se refere à mastigação e deglutição, a coordenação motora durante o ato mastigatório pode está prejudicado e consequentemente interfere na formação bolo alimentar, podendo levar a episódios de engasgos, regurgitação nasal, refluxo, perda de peso, baba, tosse, espirros e mudanças na voz após a ingestão de alimentos podendo desenvolver a disfagia (9).

Certificamos dentro dos 10,0% dos pacientes submetidos à avaliação de deglutição nas consistências liquida e pastosa, que apenas 1 % apresentou os principais sintomas da disfagia, relatando odinofagia, apresentando escape oral anterior após a ingestão de consistência líquida, tosse durante a avaliação e engasgos na ingestão de consistência pastosa. É importante ressaltar que os outros 5 % dos pacientes submetidos à avaliação de deglutição apresentaram algum tipo de manifestação, porém, não se enquadrando nos indícios de suspeita de disfagia (9).

CONCLUSÃO

Conclui-se este trabalho primeiramente, ressaltando que o HIV não tem cura, porém quando o paciente realiza o tratamento de forma adequada, segue as recomendações médicas mantendo hábitos saudáveis o mesmo pode apresentar uma vida normal no seu dia a dia.

A partir dos resultados obtidos nesta pesquisa, consuma que foram avaliadas mais mulheres portadoras do vírus HIV, do que homens reafirmando outros estudos já divulgados, um dado preocupante que necessita de estratégias governamentais para o controle da doença nesta população.

Consta-se que o vírus HIV interfere na qualidade de vida da população soropositiva, no qual com ela traz manifestações orais que podem desenvolver dificuldades diárias, como restrições alimentares, efeitos colaterais da medicação no qual através deste traz muitas vezes abalo psicológico e emocional, valendo ressaltar que as dificuldades apresentadas podem ser amenizadas com o tratamento e hábitos adequados contra a progressão vírus.

Por fim, vale salientar que o Fonoaudiólogo tem um papel importante na reabilitação das manifestações apresentadas no decorrer da evolução do vírus HIV. Cabe ao Fonoaudiólogo o conhecimento sobre o surgimento de alterações que estes pacientes podem apresentar, sempre atento na prevenção da disfagia, é importante reconhecer suas limitações e entender que estes pacientes precisam de uma equipe multidisciplinar para sucesso da terapia.

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  1. Curso de Fonoaudiologia das Faculdades Integradas Aparício Carvalho - FIMCA (Graduanda), Porto Velho (RO), Brasil.

  2. Curso de Fonoaudiologia das Faculdades Integradas Aparício Carvalho - FIMCA (Graduanda), Porto Velho (RO), Brasil.

  3. Fonoaudióloga, docente do Curso de Fonoaudiologia das Faculdades Integradas Aparício Carvalho – FIMCA, Porto Velho (RO), Brasil. Graduada pela Faculdade UNIMAR, Marília (SP), Brasil. Especialista em Fonoaudiologia Hospitalar pelo IPOG, Instituto de Pós Graduação de Goiânia, (GO), Brasil. E-mail: daionefonoo@hotmail.com

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