RESUMO: O estudo teve como objetivo analisar a atuação do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) no período pandêmico da COVID-19 na promoção da qualidade de vida dos idosos na cidade de Iguatu-Ce. Trata-se de uma pesquisa de campo, descritiva, exploratória, narrativa e com abordagem qualitativa. Em primeiro lugar traçou-se o perfil socioeconômico e educacional dos profissionais do CRAS e, em seguida, foi analisada a atuação desses profissionais no período pandêmico da COVID-19 na promoção da qualidade de vida dos idosos. Os dados foram coletados através de uma entrevista estruturada com perguntas fechadas e abertas. A amostra para o estudo foi composta por cinco dos dez profissionais do CRAS que se dispuseram a contribuir com o estudo em foco e que exercem as suas funções na referida unidade, com idade de vinte e seis a trinta anos e todos com nível superior e especialização. As falas dos entrevistados foram organizadas de acordo com as perguntas direcionadas sobre a atuação de cada um/a no CRAS no período pandêmico da COVID-19 na promoção da qualidade de vida dos idosos. Após a análise das falas de todos os entrevistados, percebeu-se que o trabalho foi realizado em conjunto e, mesmo frente a todas as dificuldades, os usuários do CRAS e com destaque os idosos foram atendidos mediante o grupo de WhatsApp e quando necessário de forma presencial com dia e hora agendados previamente. O CRAS tornou-se um serviço essencial e manteve as portas abertas para realizar todos os atendimentos seguindo todas as orientações do Ministério da saúde e, sempre priorizando pela qualidade de vida dos usuários, especialmente do público idoso.
Palavras-chave: CRAS, Período pandêmico da COVID-19, Promoção da qualidade de vida, Idosos.
SUMMARY: The study aimed to analyze the performance of CRAS (Social Assistance Reference Center) during the COVID-19 pandemic in promoting the quality of life of older adults in the city of Iguatu-Ce. This is a field, descriptive, exploratory, narrative research with a qualitative approach. First, the socioeconomic and educational profile of CRAS professionals was outlined, and then the performance of these professionals during the COVID-19 pandemic in promoting the quality of life of older adults was analyzed. Data were collected through a structured interview with closed and open-ended questions. The study sample consisted of five out of ten CRAS professionals who agreed to contribute to the study and who work at the unit, aged between twenty-six and thirty, all with higher education and specialization. The statements of the interviewees were organized according to the questions directed at each one's role at CRAS during the COVID-19 pandemic in promoting the quality of life of the elderly. After analyzing all the interviewees' statements, it was noticed that the work was carried out collectively and, even faced with all difficulties, CRAS users, especially the elderly, were attended to through the WhatsApp group and, when necessary, in person with a day and time scheduled in advance. CRAS became an essential service and kept its doors open to carry out all appointments, following all the guidelines from the Ministry of Health and always prioritizing the quality of life of the users, especially the elderly.
Keywords: CRAS, COVID-19 pandemic period, Promotion of quality of life, Elderly.
1. INTRODUÇÃO
O envelhecimento é um processo biológico, natural e intransferível que cada vez mais é entendido como um processo influenciado por diferentes fatores, como gênero, classe social, cultura, padrões de saúde individuais e coletivos da sociedade. Problemas de natureza econômica e política, também fazem desse processo. Frente a essa constatação, percebe-se a necessidade de ações efetivas das políticas públicas para o atendimento das demandas da população idosa (Costa, et al. 2023).
No processo do envelhecimento surgem alterações morfofuncionais que podem interferir na qualidade de vida dos indivíduos e que muitas vezes os incapacitam de realizarem atividades do cotidiano (Vieira, Silveira, Garces, 2024).
Envelhecer com qualidade passa a constituir-se um compromisso pessoal, quando se busca bem-estar contemplado com saúde, moradia digna, educação, segurança, lazer, trabalho, esporte, autoestima, entre outros (Santos, 2029).
A Pandemia da COVID-19 exigiu da população o isolamento e distanciamento social, como forma de evitar a propagação da doença e reduzir o número de mortes e dentre essa população encontrava-se os idosos e, essa medida de isolamento tornou-se preocupante uma vez que, transtornos biopsicossociais, distúrbios cardiovasculares, de saúde mental, neurocognitivos e doenças crônicas são as mais prevalentes nessa parcela da população (Soares, Ribeiro, 2022).
Ressalta-se que a COVID-19 causou muitas transformações no dia-a-dia das pessoas, não se restringindo a reorganização temporária ou permanente dos modos de vida e das ocupações, com também na estrutura macro e coletiva e política do cotidiano (Silva & Nascimento, 2020).
O CRAS foi definido como serviço essencial durante o período pandêmico da COVID-19, mantendo-se de portas abertas para atender o aumento das demandas sociais e garantir o acesso a benefícios como o Bolsa Família. Adaptou-se aos protocolos de segurança (máscaras, barreiras físicas, agendamentos). A equipe técnica atuou de forma presencial e remota para assegurar a proteção social básica (Liporoni, Faustino, Costa, 2024).
Diante do contexto foi realizado o presente estudo no sentido de analisar a atuação do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) na promoção da qualidade de vida dos idosos, por ser uma unidade do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), responsável pela Proteção Social Básica (PSB) direcionada aos que apresentam condições vulneráveis e risco social (crianças, adolescentes, jovens e idosos).
2. METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de campo, descritivo, exploratório, narrativo, com abordagem qualitativa que busca analisar a atuação do CRAS no período pandêmico da COVID -19 na promoção da qualidade de vida dos idosos. O estudo descritivo permite expor características de determinado grupo ou fenômeno, possibilitando compreender padrões, práticas e relações existentes (Gil, 2019).
É exploratório porque busca respostas para os questionamentos e dedica-se a identificar e compreender fatos/acontecimentos que precisam ser explorados (Losch, Rambo, Ferreira, 2023). Em se tratando do estudo narrativo, refere-se a coleta e análise de histórias pessoais para compreender experiências humanas, valorizando a complexidade e a subjetividade, a interpretação e a voz dos pesquisados (Minayo, 2010).
Minayo, (2022), diz que a pesquisa qualitativa é adequada quando o objetivo é compreender significados, percepções e experiências valorizando a complexidade e a subjetividade dos que compõem a realidade social. O estudo foi realizado em um CRAS, unidade pública estatal e descentralizada em uma cidade localizada na região Centro Sul, interior do estado do Ceará. Participaram do estudo 5 dos 10 profissionais do CRAS e que por razões desconhecidas 5 não quiseram mais participar.
Os dados foram coletados de fevereiro a março de 2026, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) através de uma entrevista estruturada. As respostas obtidas foram transcritas na íntegra para facilitar a captação dos detalhes como pausas, entonações, para uma maior aproximação com o objeto de estudo e que abordou os seguintes aspectos: desenvolvimento das atividades com os idosos no período pandêmico da COVID – 19, mecanismos usados no processo da escuta, maior impacto no trabalho com os idosos durante esse período, manter o CRAS de portas abertas para promoção da qualidade de vida dos idosos e, avaliar o período pandêmico da COVID -19 no que diz respeito a promoção da qualidade de vida dos idosos.
A análise dos dados obtidos com os participantes do estudo está descrita na forma de tabela e, as respostas foram transcritas e analisadas à luz da técnica Análise de Conteúdo cujos critérios serão a categorização e organização das falas. Essa análise precisa ser objetiva, as regras previamente determinadas, de forma clara no sentido de proporcionar ao investigador a réplica dos procedimentos que foram adotados buscando os mesmos resultados. O conteúdo ordenado encontra-se inserido nas categorias escolhidas em razão dos objetivos e metas antes estabelecidas. Dessa forma, trabalhamos com um movimento que valoriza as partes e a integração no todo; e com visão de resultado provisório que integra a historicidade do processo social da construção teórica (Minayo, 2012).
O estudo respeitou todas as recomendações formais advindas da resolução nº 510/16 do Conselho Nacional de Saúde/Ministério da Saúde, referente a estudos com seres humanos (Brasil, 2016). Essa resolução incorpora sob a ótica do indivíduo e da coletividade, as quatro referências básicas da Bioética: autoestima, justiça, beneficência, não maleficência entre outros, garantindo os direitos e deveres do estado, da comunidade científica e dos sujeitos da pesquisa. O projeto para esse estudo foi submetido à Plataforma Brasil e aprovado pelo parecer nº 7.268.522 de 04 de dezembro de 2024.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
O período pandêmico da COVID-19, me instigou a necessidade de analisar a atuação do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) na promoção da qualidade de vida dos idosos. A pesquisa foi realizada mediante entrevista estruturada com 5 dos 10 profissionais da referida unidade, sendo 2 homens e 3 mulheres. A princípio se caracterizou o perfil socioeconômico e educacional dos participantes.
Tabela 01- Perfil socioeconômico e cultural dos participantes da pesquisa
Estado civil | N | % |
|---|---|---|
Casado | 1 | 0,01 |
Solteiro | 4 | 0,04 |
Nível de Escolaridade | ||
Superior Completo | 5 | 0,05 |
Especialistas | - | - |
Idade | ||
18 a 25 | - | - |
26 a 30 | 5 | 0,05 |
31 a 36 | - | - |
Renda | ||
1 salário mínimo | 4 | 0,04 |
Entre 1 e 2 salários mínimos | - | - |
2 salários mínimos | 1 | 0,01 |
Mais de 2 salários mínimos | - | - |
Legenda: * Valor do salário mínimo atual: R$: 1.621,00. Fonte: Sousa, C.M.S, et al. 2026.
Observa-se na tabela 1 que 0,04% dos participantes do estudo são solteiros (0,04%) e somente (0,01% casados). Todos possuem nível superior completo, e têm especialização (0,05%), com idade entre 26 e 30 anos. Em se tratando da renda, 0,04% ganham 1 salário mínimo e 0,01% 2 salários mínimos.
3.1 ORGANIZAÇÃO DAS FALAS DOS PARTICIPANTES DO ESTUDO
Quando indagados, como foram desenvolvidas as atividades com os idosos no período pandêmico da COVID-19, deram as seguintes respostas.
“A gente já contava com o grupo de WhatsApp, só que não era utilizado pelos idosos, pois, muitos não tinham acesso à tecnologia e, os que tinham não sabiam usar o celular e não sabiam ler. Com a pandemia onde tudo foi através do celular, eles foram muito afetados. Eu criei um grupo de WhatsApp e tentava colocar pelo menos os familiares. Conversei e adicionei e, enviava mensagens falando da necessidade e importância da existência desse grupo para manter o contato com os idosos. Foi através desse grupo, que algumas atividades planejadas e mais acessíveis aos idosos eram enviadas para eles desenvolverem” (Orientador social).
“O único meio que tínhamos era o celular de uso pessoal. Formei um grupo com os idosos e alguns dos familiares e, todas as informações pertinentes, seja relacionada a covid-19 ou a busca de direitos e outras necessidades eram repassadas. Era tudo muito novo e exigiu uma nova trajetória de atendimento aos nossos usuários. Acredito que, o que estava ao nosso alcance foi realizado. Com o isolamento social tivemos que cessar as atividades presenciais, pois, tínhamos receio de que pudesse acontecer com os nossos usuários e com a gente. Ficamos sem saber como continuar com o nosso trabalho e, tivemos que parar, pensar e reinventar tudo. Toda orientação era feita através do WhatsApp como por exemplo as medidas de higiene (máscara, álcool em gel, lavar as mãos sempre e com sabão, evitar locais com muita gente”) (Assistente social).
“A internet foi imprescindível para continuar com o nosso trabalho. Repensamos como fazer o nosso trabalho e formamos grupos de WhatsApp e enviámos as informações e orientações para os idosos quanto a importância do isolamento social e também as medidas de higiene como lavar sempre as mãos e com sabão, o uso do álcool em gel e da máscara como forma de proteção. As atividades eram enviadas para os idosos através dos grupos de WhatsApp” (Psicólogo).
“Através dos grupos de WhatsApp, enviámos as orientações necessárias como o uso do álcool em gel, uso da máscara e evitar aglomerações. Todas as atividades eram planejadas e mediante gravação em vídeo ensinando como resolver eram enviadas para os grupos. As principais atividades eram voltadas para palavras cruzadas, caça palavras, pequenos textos reflexivos, jogos simples, trabalhos manuais usando garrafa pet, crochê, pintura” (Pedagogo).
É perceptível nas falas dos participantes do estudo a preocupação com a continuidade dos serviços até então presenciais e, de repente, passar para o sistema remoto. Frente a essa situação, o CRAS buscou se reordenar e se reorganizar e através de novos mecanismos e estratégias continuar com a oferta dos serviços (Sousa, et al. 2025).
Em se tratando dos mecanismos usados no processo da escuta, mencionaram as seguintes respostas.
“A mídia social. A internet passou a ser uma parceira muito importante. O uso do celular possibilitou a comunicação com os idosos, mediante o grupo de WhatsApp. A escuta, e as informações sobre qualquer demanda era feita através do grupo. Os idosos que tinham dificuldade em manusear o celular e, para que recebessem as orientações e as atividades, um familiar de comum acordo foi adicionado no grupo para repassar tudo o que era necessário e enviado” (Psicólogo).
“A tecnologia. Acredito que, sem o celular era muito difícil continuar com o nosso trabalho. Através do grupo de WhatsApp com os idosos, foi possível repassar as orientações necessárias para o momento. Nós, de certa forma, fomos obrigados a repensar todo o nosso trabalho, buscar meios e estratégias que proporcionassem um bom atendimento, não aos idosos, mas, a todos os usuários dos serviços” (Assistente social).
“A internet foi sem dúvida de fundamental importância para que os atendimentos não cessarem de vez. Os grupos de WhatsApp foram de grande valia nesse processo. Os idosos que eram familiarizados com o uso do celular, um familiar foi colocado no grupo que se dispôs a repassar todas as orientações e informações importantes. Todo processo da escuta, o envio das atividades para serem desenvolvidas, era feito através do grupo. No final do mês era elaborado um relatório informando tudo o que desenvolvido” (Pedagogo).
Percebeu-se nas falas dos entrevistados que o uso da tecnologia foi de suma importância para a continuidade dos atendimentos (Vargas, Alves, Mrejen, 2021. Faleiro, et al. (2024), assinalam que a tecnologia favoreceu a comunicação com os usuários (idosos), oferecendo um suporte contínuo às famílias atendidas. Corroborando com Santos (2020) e Faleiro, et al. (2024), Kurz, Scortegagna (2022), sinalizam que o uso da tecnologia permitiu ligações, envio de áudios para realização das atividades, vídeos educativos, atendimentos grupais e individuais, garantindo o acompanhamento.
Ao serem indagados sobre o que mais impactou no trabalho com os idosos durante esse período, as respostas foram unânimes.
“Foi a questão do isolamento. Ninguém estava preparado. E os idosos que participavam do grupo de convivência, acredito que foram os mais afetados. O encontro que acontece duas vezes na semana através do grupo de convivência, proporciona aos idosos momentos de descontração, alegria, desabafos e de certo modo alivia a solidão. Muitos moram sozinhos e sem apoio. Para eles o encontro no CRAS passa a ser a continuação das suas casas. Dessa forma, solicitam que seja a semana toda” (Orientador social).
“Ao meu ver foi o isolamento social, pois trabalhávamos presencial nos encontrando com os usuários e aqui destaco os idosos e, de repente nos separamos e realizamos todo o trabalho de forma remota. Esse distanciamento de certa forma alterou a nossa rotina e a dos usuários, principalmente a dos idosos, muitos são sozinhos e buscam no grupo de convivência uma forma nem que seja por um instante se distanciarem da solidão” (Assistente social).
“Entendo que o impacto maior foi o distanciamento social. Não podíamos nos aglomerar, nos encontrar, dar um abraço e, essa situação nos trazia muita tristeza. Os idosos e, principalmente os que moravam sozinhos, acredito eu, que o impacto foi maior, uma vez que nos encontros semanais no grupo de convivência conversámos, trocávamos ideias, fazíamos atividades lúdicas e, de repente tudo passou a ser conduzido mediante uso da tecnologia” (Pedagogo)
“Posso dizer que, o isolamento social de certa forma trouxe prejuízos para todos nós. O nosso trabalho no CRAS limitou as atividades, as relações sociais também foram limitadas e, em se tratando do grupo etário idoso, afetou a autonomia, a independência, a sobrecarga e passou a ser de certa forma uma forte influência para o surgimento de pensamentos negativos” (Psicólogo).
As falas dos entrevistados refletem o quanto foi impactante o isolamento social para realização dos atendimentos. De acordo com Milani, et al. (2023) o isolamento social durante a pandemia reconfigurou o trabalho no CRAS, forçando a mudança do atendimento presencial para o remoto, o que dificultou os vínculos e aumentou a demanda por benefícios emergenciais.
O trabalho no CRAS exigiu adaptação para garantir a proteção social, movendo-se entre a necessidade de atendimento presencial quando frente a casos críticos e o uso de mecanismos para garantir a segurança dos usuários e dos profissionais (Nunez, Gamarra, 2024).
Ao serem perguntados como o CRAS manteve as portas abertas para garantir a promoção da qualidade de vida dos idosos, responderam da seguinte forma.
“Penso que foi desafiador. Durante esse período todos estavam com medo. No entanto o CRAS manteve as suas portas abertas em regime de escala durante a semana, para que fosse oferecido o suporte necessário a todos os usuários e dentre eles os idosos. Agendávamos o dia e horário para que o usuário pudesse vir a unidade e com as devidas precauções e, assim, vivenciamos e vencemos o período pandêmico e sem nenhuma morte dos nossos idosos” (Orientador social).
“Quero dizer que foi um contexto desafiador. O medo e a angústia faziam parte do nosso dia-a-dia. O trabalho aqui no CRAS, precisou ser reinventado para que pudéssemos auxiliar os nossos serviços e, principalmente os idosos. Fizemos o regime de escala e agendávamos dia e hora para virem à unidade caso fosse necessário. E assim, o CRAS manteve as portas abertas” (Assistente social).
“O período da COVID-19 foi muito cruel. Com o distanciamento tivemos que repensar a maneira de atendimento aos nossos usuários e de modo especial aos idosos e manter o CRAS de portas abertas. Com o isolamento social fizemos o regime de escala e com as devidas precauções para nos proteger e proteger todos os nossos usuários e, principalmente os idosos por serem grupo de risco em contrair a doença” (Psicólogo).
“Foi algo assustador. No entanto, paramos e repensamos o nosso fazer profissional para que pudéssemos atender a todos os usuários dos serviços e dentre estes os idosos da melhor forma possível. O regime de escala foi providencial, uma vez que, mediante dia e hora previamente agendados, os usuários e de modo particular os idosos podiam vir até a unidade, caso precisassem reivindicar algum direito e ainda seguindo o protocolo do Ministério da saúde” (Pedagogo).
De acordo com Liporoni, Faustino Costa (2024), o CRAS foi definido como serviço essencial durante a pandemia da COVID-19, mantendo as suas portas abertas para atender o aumento das demandas sociais e garantir o acesso a benefícios como o Bolsa Família. Adaptou-se também, com os protocolos de segurança (máscaras, barreiras físicas, agendamentos). A equipe técnica atuou de forma presencial e remota, para assegurar a proteção social básica.
Entende-se que a COVID-19 causou muitas transformações no dia-a-dia dos indivíduos, não se restringindo à reorganização temporária ou permanente dos novos modos de vida e ocupações, como também na estrutura macro e coletiva e política do cotidiano (Silva & Nascimento, 2020).
Ao serem perguntados no que concerne definir o período pandêmico da COVID-19 com relação a promover e garantir à assistência aos idosos na promoção da qualidade de vida, as respostas foram as seguintes.
“Muito triste e desafiador. Tivemos que ficar longe de quem a gente amava. Com relação aos idosos, me preocupava e procurava saber sobre cada um. A gente trabalhou a questão da conscientização para tomarem a vacina e continuarem com o uso da máscara, do álcool em gel, sempre lavar as mãos, por serem do grupo de risco. Viver isolado e sem contato físico foi muito difícil. Vale ressaltar que perdemos muita gente amiga e até familiar. Era desesperador ligar a televisão e assistir a tantas perdas por esse Brasil e ver o sofrimento dos familiares. Não foi fácil” (Orientador social).
“Se eu pudesse usar uma palavra, seria desafiador. Ressaltando que ninguém nunca tinha ouvido falar dessa doença. Era tudo muito novo e amedrontador. Teve dias com muitas mortes e, só aumentava, tornando cada vez mais assustador. Posso dizer que foi um período de perdas e de preocupação extrema principalmente os usuários idosos. Procurávamos orientar sobre a importância de tomar a vacina e continuar com o uso de máscara, álcool em gel, entre outras medidas de proteção. Entretanto, esse período proporcionou um grande aprendizado no sentido de uma preparação maior, caso surja uma outra situação como foi a da COVID-19” (Orientador social).
“Período de perdas e tristezas, de inquietude e incertezas. Procurávamos passar segurança para os usuários dos serviços e de modo especial os idosos e, também para as nossas famílias (usuários e CRAS). Foi um contexto tão sério e difícil, pois tínhamos medo de ligar a televisão e assistir ao número exorbitante de vidas ceifadas pela doença. Mesmo diante de uma situação de calamidade, foi possível lograr conhecimento e preparação no enfrentamento de situações difíceis e conflitantes” (Assistente social)
“Entendo que foi um contexto de muita alteração da vida de todas as pessoas. Vivemos um momento de perdas e incertezas e desesperança. Não sabíamos quando tudo ia acabar e voltar ao normal, se é que é possível. Aqui nos CRAS era constante a preocupação com os nossos usuários dos serviços e em especial os idosos. Orientávamos quanto tomar a vacina, continuar com as medidas de proteção. Frente a tudo isso que passamos e vivemos, ao meu ver deixou um novo aprendizado no que diz respeito a nos prepararmos para eventual necessidade” (Psicólogo).
É notório nas falas dos participantes do estudo, o sentimento de tristeza e até mesmo de desespero diante da situação que o país estava vivendo. De acordo com Brito, et al (2024), a pandemia de COVID-19 no Brasil, representou um dos maiores desafios a nível sanitário, social e econômico. O cenário era desolador com a perda de muitas e muitas vidas. A nível mundial as taxas de morbidade e mortalidade aumentavam de forma acelerada.
Fontes, et al. (2024) complementa dizendo que o vírus detinha uma taxa de transmissão provocando muitas perdas em razão do potencial da gravidade. Além de impactar na saúde, trouxe consequências desastrosas a nível socioeconômico aumentando o desemprego, a fome e mudanças no cotidiano das famílias, no trabalho e no estudo.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo apresenta a atuação do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS II) na cidade de Iguatu-Ceará, no período pandêmico da COVID-19 na promoção da qualidade de vida dos idosos. Percebeu-se através das falas dos profissionais da citada instituição que não foi um período fácil, uma vez que alterou a rotina da sociedade como um todo, provocando diversas demandas que impactaram no trabalho de maneira geral. Manter a instituição de portas abertas nesse período foi um grande desafio em virtude da preocupação com a propagação da doença e, tanto os profissionais quanto os usuários e de modo especial os idosos precisavam se proteger. No entanto as demandas oriundas da população idosa e que estava em isolamento social aumentavam. É importante mencionar que para continuar com o atendimento, foi criado um sistema de rodízio entre os profissionais do CRAS, e de forma remota utilizavam os grupos de WhatsApp. O CRAS reconheceu as prioridades e elaborou estratégias que pudessem atender de forma humanizada, com orientações, encaminhamentos, atividades diversas para serem realizadas e manter o idoso ativo. O CRAS passou a ser um serviço essencial. Espero que esse estudo possa contribuir para que outras pesquisas sejam realizadas sobre o tema.
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Doutoranda em Saúde Pública pela Christian Business School. E-mail: carmelitasilva11@hotmail.com ↑
Discente do Curso de Psicologia da Faculdade Centro Sul- FASC- Iguatu- Ceará. E-mail: andresilva3400@gmail.com ↑
Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade Regional do Cariri- Urca. Especialista em Biologia e Química pela Universidade Regional do Cariri - Urca. Professor concursado e atuante na rede estadual de ensino na cidade de Campo Sales- Ceará. E-mail: c3cicerobio6328@hotmail.com ↑
Doutora em Ciências da Educação, Mestre em Ciências da Educação pela Universidade Federal de Alagoas- UFAL. E-mail: Rozineidepereira1975@gmail.com ↑

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