A efetividade no emprego de cães no policiamento ostensivo da Polícia Militar do Estado do Pará: resultados operacionais do Batalhão de Cães para a segurança pública
The effectiveness of using dogs in the ostensive policing of the Military Police of the State of Pará: operational results of the Canine Battalion for public security
Elenilson Almeida de Macedo [1]
Phablo José Nogueira Gonçalves[2]
Jarlisson Ferreira da Silva [3]
Edson Oliveira Mota[4]
RESUMO
Ao longo das últimas décadas, a segurança pública no Brasil tem enfrentados desafios oriundos da crescente complexidade do crime, especialmente em virtude do aumento das organizações criminosas, do tráfico de drogas, do mercado ilegal de armamentos e de diversos outros crimes. Nesse cenário, as forças policiais passaram a adotar novas táticas operacionais que visam aumentar a eficácia das ações de prevenção e repressão, com destaque para o emprego de cães de polícia como ferramenta especializada no apoio ao patrulhamento ostensivo. Nesse contexto, surge a seguinte questão de pesquisa: como a utilização de cães policiais auxilia no reforço do policiamento ostensivo realizado pela Polícia Militar do Estado do Pará? Dessa forma, o objetivo principal deste estudo é analisar a relevância da utilização de cães nas ações de policiamento ostensivo da Polícia Militar do Estado do Pará, destacando suas contribuições para a eficácia operacional da Corporação. Como metodologia, trata-se de uma investigação de natureza qualitativa, fundamentada na pesquisa bibliográfica. Os resultados mostraram que o uso de cães aumenta a capacidade operacional da Polícia Militar do Estado do Pará, melhorando a eficácia das ações de policiamento ostensivo. A atividade cinotécnica é um recurso estratégico para prevenir e combater a criminalidade, melhorando a segurança pública, especialmente na Amazônia.
Palavras-Chave: Batalhão de Ações com Cães-BAC; Cinotecnia Policial; Polícia Militar do Pará; Segurança Pública.
ABSTRACT
Over the last few decades, public security in Brazil has faced challenges stemming from the growing complexity of crime, particularly due to the rise of criminal organizations, drug trafficking, the illegal arms trade, and various other offenses. Against this backdrop, police forces have adopted new operational tactics aimed at enhancing the effectiveness of prevention and enforcement efforts, notably the use of police dogs as a specialized tool to support visible policing. This gives rise to the following research question: how does the use of police dogs assist in reinforcing the visible policing carried out by the Military Police of the State of Pará? Thus, the primary objective of this study is to analyze the relevance of using dogs in the visible policing operations of the Military Police of the State of Pará, highlighting their contributions to the force's operational effectiveness. Methodologically, this is a qualitative study based on a literature review. The results indicate that the use of dogs enhances the operational capacity of the Military Police of the State of Pará, improving the effectiveness of visible policing operations. K-9 operations constitute a strategic resource for preventing and combating crime and improving public security, particularly in the Amazon region.
Keywords: Canine Action Battalion (BAC); Police Cytotechnics; Pará Military Police; Public Security.
1 INTRODUÇÃO
Ao longo das últimas décadas, a segurança pública no Brasil tem enfrentado desafios oriundos da crescente complexidade do crime, especialmente em virtude do aumento das organizações criminosas, do tráfico de drogas, do mercado ilegal de armamentos e de diversos outros crimes. Nesse cenário, as forças policiais passaram a adotar novas táticas operacionais que visam aumentar a eficácia das ações de prevenção e repressão, com destaque para o emprego de cães de polícia como ferramenta especializada no apoio ao patrulhamento ostensivo.
Os cães de polícia têm aspectos físicos e comportamentais que garantem elevado desempenho em suas funções. Seu sentido de olfato é muito mais aguçado do que dos humanos, possibilitando-os identificar rapidamente substâncias ilegais, explosivos, armamentos, munições e até pessoas desaparecidas com grande precisão. Além disso, esses animais atuam em tarefas de busca e resgate, captura de suspeitos, patrulhamento visível, controle de tumultos, segurança em grandes eventos e suporte a operações especiais, o que aumenta a eficácia das ações realizadas pelas forças de segurança pública.
A utilização de cães em ações policiais transcende a mera função de auxílio na detecção. A parceria entre o policial e o cão se revela uma estratégia que potencializa a eficácia das operações, minimiza os riscos para os policiais, agiliza as intervenções e exerce um efeito preventivo significativo sobre possíveis infratores, contribuindo para uma maior sensação de segurança na comunidade (Luz, 2024; José Maria, 2026).
Na Polícia Militar do Estado do Pará (PMPA), a atividade cinotécnica policial é ciência e técnica por meio da qual se realizam estudos de criação, escolha, capacitação e cuidado de cães para atuação em atividades policiais, militares e de segurança pública e é apoiada pela Resolução n.º 275, de 7 de junho de 2021, que define os princípios, as normas de organização e o
funcionamento dos canis da corporação. A norma mencionada confere ao Batalhão de Ações com Cães (BAC) a responsabilidade pela gestão administrativa, operacional e doutrinária do uso dos cães policiais. Ela estabelece que esses animais podem ser utilizados no policiamento ostensivo, em operações de busca, captura, resgate e salvamento, no controle de distúrbios civis, no policiamento em praças esportivas, na detecção de entorpecentes, armas, munições e explosivos, na busca de pessoas desaparecidas, em operações em áreas colapsadas e no apoio às demais unidades operacionais da Corporação (Pará, 2021).
As características geográficas da Amazônia Paraense tornam o uso de cães policiais ainda mais importante. A vasta rede hidrográfica, as áreas florestais, as regiões de difícil acesso e as grandes distâncias entre os municípios impõem desafios operacionais que demandam recursos especializados para aumentar a capacidade de localização, rastreamento e identificação durante as operações policiais. Nesse contexto, a atividade realizada pelo Batalhão de Ações com Cães constitui ferramenta significativa para o reforço do policiamento ostensivo, particularmente no enfrentamento do tráfico de drogas, do porte ilegal de armas, dos crimes ambientais, da busca por pessoas desaparecidas e do suporte às operações integradas de segurança pública.
Nesse cenário, surge a seguinte questão de pesquisa: como a utilização de cães policiais auxilia no reforço do policiamento ostensivo realizado pela Polícia Militar do Estado do Pará? Parte-se da suposição de que o uso de cães aumenta a eficácia operacional das equipes policiais, expande a capacidade de prevenção e repressão das ações ostensivas, diminui os riscos para os policiais militares e reforça a manutenção da ordem pública, contribuindo diretamente para a realização da missão institucional da Polícia Militar do Estado do Pará.
Dessa forma, o objetivo principal deste estudo é analisar a relevância da utilização de cães nas ações de policiamento ostensivo da Polícia Militar do Estado do Pará, destacando suas contribuições para a eficácia operacional da Corporação. Como objetivos específicos, apresentam-se: evidenciar o desenvolvimento da cinotecnia policial; descrever as principais atividades operacionais realizadas pelo Batalhão de Ações com Cães da PMPA; e discutir os impactos da utilização de cães para a efetividade da segurança pública no Estado do Pará.
A importância deste estudo é justificada por sua relevância científica, institucional e social. Sob a ótica científica, procura expandir a produção de conhecimento acerca da cinotecnia policial na Amazônia Paraense. No contexto institucional, poderá contribuir para o aprimoramento da doutrina, do planejamento estratégico e das iniciativas implementadas pelo Batalhão de Ações com Cães da PMPA. A partir da percepção social, busca mostrar que a utilização de cães é uma ferramenta significativa para o fortalecimento do policiamento ostensivo, contribuindo tanto para a melhoria da eficiência operacional quanto para a promoção da segurança da população do Pará.
2 AS IMPLICAÇÕES DO USO DE CÃES PARA O FORTALECIMENTO A SEGURANÇA PÚBLICA PARAENSE
2.1 Fortalecimento da cinotecnia policial
A especialidade de cinotecnia policial corresponde a um grupo de competências técnicas, procedimentais e operacionais direcionadas à escolha, desenvolvimento, preparação, manejo técnico e utilização de cães nas operações relacionadas à segurança pública. Apesar da utilização desses animais não ser recente, foi a partir da institucionalização das forças policiais modernas que a atividade passou a ser organizada de forma sistemática, fundamentada em critérios técnicos e doutrinários. Ao longo das últimas décadas, o desenvolvimento da cinotecnia tem acompanhado a evolução das estratégias de policiamento, consolidando-se como importante instrumento de apoio às ações preventivas e repressivas desenvolvidas pelas corporações policiais (Luz, 2024).
A interação entre os seres humanos e os cães é resultado de extenso processo de domesticação que começou há milênios. Desde os primórdios das comunidades humanas, esses animais já tinham papéis relacionados à defesa, à caça e ao auxílio nas tarefas diárias. Com o tempo, suas características físicas, mentais e comportamentais facilitaram sua adaptação a diversas funções laborais, como nas forças armadas e na polícia, nas quais passaram a exercer funções essenciais de segurança, monitoramento, busca e identificação (Notomi et al., 2020).
No âmbito da segurança pública, a progressão da cinotecnia foi estimulada pelas importantes habilidades sensoriais dos cães. O olfato dos cães é muito mais sensível do que o dos humanos, o que lhes permite detectar odores em concentrações extremamente baixas. O que tornou esses animais fundamentais para a identificação de drogas, explosivos, armas, munições e outras substâncias relevantes para a atividade policial. Além de olfato aguçado, também apresentam audição refinada, grande capacidade de aprendizado, bom condicionamento físico e habilidade para se adaptar a diversos ambientes operacionais, o que aumenta sua eficácia em operações policiais.
A cinotecnia policial no Brasil foi se consolidando aos poucos com a instalação de canis especializados nas Polícias Militares, Polícias Civis e Polícia Federal. Os cães foram usados para guarda e patrulhamento, no início. No entanto, o aprimoramento das técnicas de adestramento e o desenvolvimento de métodos científicos de condicionamento expandiram consideravelmente as funções desses animais. Eles começaram a participar também da busca e captura de criminosos, da localização de pessoas desaparecidas, da detecção de drogas, armas, munições, explosivos e cadáveres, além de realizar operações especiais (Santos, 2021; José Maria, 2026).
Na Polícia Militar do Estado do Pará, a progressão da cinotecnia obteve maior apoio institucional com a instituição da Resolução n.º 275, de 7 de junho de 2021, que determina princípios, regras de organização e funcionamento dos canis da Corporação. A norma estabelece o uso de cães como uma atividade especializada de policiamento ostensivo, preventivo e
repressivo, especificando as responsabilidades do BAC como entidade encarregada da gestão administrativa, operacional e doutrinária da atividade cinotécnica na PMPA. Além disso, a resolução estabelece critérios para a escolha dos animais, capacitação dos condutores, organização dos canis e tipos de emprego operacional, reforçando a profissionalização da atividade no contexto institucional.
2.2 Atividades operacionais mais relevantes do Batalhão de Ações com Cães da
PMPA
O BAC da Polícia Militar do Pará é a unidade especializada responsável pela gestão, coordenação e uso operacional dos cães policiais na instituição. Sua atuação é fundamentada na Resolução n.º 275, de 7 de junho de 2021, que estabelece os princípios, as diretrizes de organização e o funcionamento dos canis da PMPA, designando o BAC como o Canil Central da instituição. Além de administrar o efetivo canino, cabe ao batalhão divulgar a doutrina de treinamento, uniformizar as técnicas de atuação operacional e oferecer suporte técnico aos Canis Setoriais designados para as unidades operacionais da Corporação (Pará, 2021).
De acordo com a Resolução citada, os cães policiais são empregados em ações de policiamento ostensivo, preventivo e repressivo, atuando tanto em operações específicas quanto dando suporte às demais unidades operacionais da Polícia Militar. Essa estrutura organizacional demonstra que a atividade cinotécnica não é secundária, mas essencial ao planejamento estratégico das ações policiais, aumentando a capacidade operacional da Corporação em relação às várias ocorrências atendidas diariamente (Pará, 2021).
Uma das principais ações do BAC é o policiamento ostensivo com cães, uma estratégia que amplia a presença policial em locais com grande circulação de pessoas, regiões comerciais, bairros com elevada criminalidade e eventos abertos ao público. A presença do binômio policial-cão exerce impacto preventivo considerável, uma vez que aumenta a sensação de segurança e desestimula práticas criminosas. Além disso, a atuação conjunta proporciona maior segurança ao policial militar em abordagens, patrulhamentos e intervenções operacionais, reduzindo riscos e aumentando a capacidade de lidar com situações de conflito (Luz, 2024; José Maria, 2026).
A identificação de entorpecentes, armas, munições e explosivos é outra atividade de grande relevância. O elevado sentido olfativo dos cães permite que eles identifiquem substâncias ilícitas ocultas em veículos, embarcações, edificações, bagagens e áreas de difícil acesso, contribuindo significativamente para o combate ao tráfico de drogas, ao comércio ilegal de armas e às organizações criminosas. Por causa dessa capacidade, os cães são frequentemente empregados em operações conjuntas realizadas em rodovias, aeroportos, portos, instituições prisionais e áreas de fronteira, onde a precisão e a rapidez na detecção de ilícitos são fundamentais para o sucesso das ações policiais (Notomi et al., 2020; Luz, 2024).
A Resolução n.º 275/2021 também permite o uso de cães em operações de busca, captura, resgate e salvamento, autorizando sua utilização para encontrar pessoas desaparecidas, vítimas de desastres naturais, pessoas perdidas em áreas florestais e suspeitos em fuga. Considerando as características geográficas do Estado do Pará, marcado por extensas áreas florestais, rios, comunidades distantes e regiões de difícil acesso, essa modalidade operacional tem papel estratégico, pois eleva significativamente a efetividade das buscas em comparação com a intervenção apenas humana (Pará, 2021).
Além das atividades operacionais focadas no combate à criminalidade, o BAC também realiza ações de demonstração institucional, educação preventiva e interação com a comunidade. Essas iniciativas fortalecem a relação entre a Polícia Militar e a comunidade, destacam a importância do trabalho policial e possibilitam a demonstração das competências técnicas da cinotecnia, consolidando a imagem institucional da corporação perante a sociedade (Santos, 2021).
No âmbito organizacional, a Resolução n.º 275/2021 estabelece que o Batalhão de Ações com Cães é responsável pela administração e operação da atividade cinotécnica. Isso abrange a criação e divulgação da doutrina institucional, supervisão dos Canis Setoriais, execução de visitas técnicas, orientação dos processos de treinamento, acompanhamento da seleção dos animais e garantia do cumprimento dos padrões operacionais em toda a Corporação. Ademais, a norma determina quantidades mínimas de cães especializados em patrulhamento ostensivo, faro de entorpecentes, detecção de explosivos e busca, assegurando que o efetivo esteja preparado para atender às diversas demandas operacionais da PMPA (Pará, 2021).
Portanto, fica evidente que as atividades do BAC transcendem o uso dos animais como simples ferramentas de apoio. A atuação do BAC integra um sistema especializado de policiamento, fundamentado em sua própria doutrina, treinamento contínuo e planejamento operacional, o que possibilita maior eficiência na prevenção e no combate ao crime. A combinação das habilidades inatas dos cães com o treinamento técnico dos condutores fortalece as ações de policiamento ostensivo e amplia a capacidade de resposta da PMPA aos desafios impostos pela atual dinâmica criminal (Luz, 2024; José Maria, 2026).
2.3 Efeitos do uso de cães na eficácia da Segurança Pública no Estado do Pará
A crescente complexidade da criminalidade na contemporaneidade tem demandado das forças policiais a implementação de táticas operacionais que aumentem a eficácia das medidas preventivas e repressivas. Nesse cenário, a utilização de cães policiais se estabeleceu como recurso indispensável para apoiar as ações de segurança pública, devido às suas habilidades fisiológicas, comportamentais e operacionais, que complementam a atuação humana e aumentam a eficácia das operações policiais. A literatura especializada indica que o uso de cães não é apenas recurso auxiliar, mas elemento estratégico para fortalecer a atividade policial e aumentar a eficácia das ações realizadas pelas instituições de segurança pública (Luz, 2024; José Maria, 2026).
A eficácia da segurança pública está ligada à habilidade das instituições em prevenir crimes, responder de maneira eficaz às ocorrências e gerar resultados que ajudem a manter a ordem pública e a paz social. Nesse contexto, os cães policiais aumentam consideravelmente a eficácia das equipes ao localizar pessoas rapidamente, identificar substâncias ilegais, buscar armas e explosivos e atuar em áreas de alto risco. Essas qualidades tornam as operações mais rápidas, precisas e seguras, diminuindo o tempo de resposta das equipes policiais e ampliando as chances de sucesso das intervenções (Notomi et al., 2020).
Uma das principais funções dos cães é a detecção de drogas, armas, munições e
explosivos, dado que o sistema olfativo dos cães é capaz de detectar odores em concentrações muito baixas, superando em muito as capacidades das tecnologias disponíveis em várias situações operacionais. Essa competência possibilita a identificação de materiais ilícitos em veículos, embarcações, residências, áreas florestais e instituições prisionais, contribuindo de forma significativa para o combate ao tráfico de drogas, ao comércio ilegal de armas e às organizações criminosas que operam no estado do Pará (Notomi et al., 2020; Luz, 2024).
Outro ponto importante diz respeito ao aumento da segurança dos próprios policiais militares durante as operações, pois a presença do binômio policial-cão diminui a exposição direta dos agentes em situações de alto risco, principalmente durante operações de busca em prédios, florestas, áreas desabitadas e locais propensos a emboscadas. Ademais, a presença do cão tem impacto psicológico significativo sobre pessoas suspeitas, mobilizando a rendição voluntária e diminuindo a necessidade de usar a força de forma progressiva. Assim, o uso de cães ajuda a preservar a integridade física tanto dos policiais quanto das pessoas envolvidas em incidentes (Silva, 2026).
No Pará, essas contribuições ganham ainda mais importância devido às características geográficas da Amazônia: a vasta cobertura florestal, a extensa rede hidrográfica, as longas distâncias entre os municípios e a presença de áreas de difícil acesso constituem desafios permanentes para as operações policiais. Nesses contextos, os cães demonstram alta habilidade de rastreamento e localização, sendo utilizados na busca por pessoas desaparecidas, captura de fugitivos, identificação de drogas e suporte às operações realizadas em áreas rurais, comunidades ribeirinhas e regiões florestais. Desse modo, a atividade cinotécnica aumenta consideravelmente a habilidade de resposta da Polícia Militar às demandas operacionais particulares da realidade amazônica (Pará, 2021).
Os cães policiais exercem papel importante na prevenção, além de participar de ações repressivas. A presença visível dos binômios em patrulhamentos, operações conjuntas, grandes eventos e atividades comunitárias reforça a sensação de segurança da população e atua como fator dissuasório para possíveis infratores. A presença de um cão policial altera o comportamento de pessoas inclinadas a cometer delitos, diminuindo casos de confronto e promovendo um ambiente mais seguro. Essa habilidade preventiva é um dos principais benefícios do uso de cães em atividades de policiamento ostensivo (Santos, 2021; Rodrigues, 2025).
Outro efeito significativo diz respeito à colaboração entre as forças de segurança pública. Essa abordagem integrada reforça o compartilhamento de recursos especializados, expande a capacidade operacional das equipes e oferece maior eficácia no combate às organizações criminosas, particularmente nas operações contra o tráfico de drogas e armas (Luz, 2024).
Na Polícia Militar do Estado do Pará, a eficácia da atividade cinotécnica é apoiada institucionalmente pela Resolução n.º 275/2021, que define critérios para a seleção dos animais, capacitação dos condutores, padronização do treinamento, organização dos canis e tipos de uso operacional. Essa regulamentação reforça a profissionalização da atividade, garante maior uniformidade nas ações realizadas pelo Batalhão de Ações com Cães e assegura que o uso dos cães seja técnico, seguro e em conformidade com as demandas operacionais da Corporação (Pará, 2021).
3 METODOLOGIA
Esta pesquisa é de natureza qualitativa e aplicada, com objetivos exploratórios. Assim, o objetivo consiste em analisar a relevância da utilização de cães nas ações de policiamento ostensivo da Polícia Militar do Estado do Pará, destacando suas contribuições para a eficácia operacional da Corporação. O estudo investigou por meio da literatura existente as atividades realizadas pelo Batalhão de Ações com Cães (BAC) da Polícia Militar do Pará. A pesquisa foi balizada pela hipótese de que a atividade cinotécnica reforça o policiamento tanto ostensivo quanto especializado, aumentando a capacidade operacional da Corporação e aumentando a eficácia das ações de prevenção e combate à criminalidade.
Em relação aos procedimentos técnicos, é uma pesquisa baseada em fontes bibliográficas e documentais. A pesquisa bibliográfica baseou-se em artigos científicos, trabalhos acadêmicos e publicações relacionadas à cinotecnia policial e segurança pública, com ênfase nos estudos de Notomi et al. (2020), Luz (2024), Santos (2021), Rodrigues (2025), José Maria (2026) e Silva (2026). A análise da Resolução n.º 275/2021 da Polícia Militar do Estado do Pará, bem como de documentos institucionais e reportagens da Agência Pará e do g1 relacionadas às atividades do BAC, à preparação da COP 30 e às operações de combate ao tráfico de drogas, foi realizada por meio de pesquisa documental.
A produção dos dados foi realizada por meio da análise de documentos e da pesquisa bibliográfica, com as informações organizadas em três categorias de análise, alinhadas aos objetivos do estudo: evolução da cinotecnia policial, atividades operacionais primordiais do Batalhão de Ações com Cães e efeitos do uso de cães na eficácia da segurança pública no Pará. A análise de conteúdo, de acordo com Bardin (2016), foi utilizada para interpretar os dados, conectando as evidências documentais ao referencial teórico empregado, o que permitiu avaliação crítica dos resultados.
Uma limitação que foi possível observar é a falta de coleta de dados primários, como entrevistas ou observação direta das atividades do BAC, o que restringe o estudo às informações acessíveis em documentos oficiais e na literatura científica. No entanto, o uso de fontes acadêmicas e institucionais possibilitou alcançar os objetivos estabelecidos e entender a importância da atividade cinotécnica para o fortalecimento da segurança pública no Pará.
4 DISCUSSÃO E RESULTADOS
A análise de documentos institucionais e literatura científica mostra que o uso de cães policiais pela Polícia Militar do Pará vai além da ideia convencional de instrumento auxiliar, estabelecendo-se como estratégia especializada que aumenta consideravelmente a eficácia das medidas de segurança pública. Os resultados obtidos indicam que o avanço da atividade cinotécnica no contexto da PMPA está alinhado com as necessidades operacionais exigidas pelo atual cenário criminal, especialmente em um estado com características geográficas complexas como o Pará, assinalado por grandes áreas florestais, extensa rede hidrográfica e municípios de difícil acesso (Pará, 2021).
A profissionalização dessa tarefa é evidente na própria estruturação do Batalhão de Ações com Cães da PMPA. A Resolução n.º 275/2021 define critérios para a escolha dos animais, capacitação dos condutores, uniformização dos treinamentos e definição das modalidades operacionais, evidenciando o compromisso da Corporação em promover continuamente a doutrina cinotécnica. Essa estrutura promove a padronização das ações e garante que a utilização dos cães seja feita de maneira técnica, segura e alinhada às demandas operacionais da Polícia Militar (Pará, 2021).
Um dos resultados notáveis é o aprimoramento das habilidades destinadas à detecção de explosivos. Um exemplo disso foi a introdução, em 2024, de um novo programa de capacitação criado pelo Batalhão de Ações com Cães, em preparação para a 30ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que ocorreu em Belém. De acordo com informações do g1 Pará, a inclusão de kits específicos de materiais explosivos, disponibilizados por meio de colaboração entre a Polícia Militar, a Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL), a Força Aérea Brasileira e a Base Aérea de Belém, aumentou consideravelmente a habilidade técnica dos cães treinados para operações antibombas; isso fortaleceu a capacitação das forças de segurança para grandes eventos internacionais.
Os resultados também mostram que a preparação para a COP 30 vai além da compra de novos equipamentos, posto que também envolve um progresso institucional na especialização do policiamento ostensivo. O objetivo do treinamento foi assegurar alta confiabilidade operacional dos cães em missões de varredura preventiva, além da inspeção de veículos oficiais, edificações e locais destinados a autoridades nacionais e internacionais. Essas ações já foram realizadas durante os Diálogos da Amazônia, em 2023, quando equipes do BAC trabalharam em conjunto com o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e a Polícia Federal em operações de busca por explosivos; esta questão demonstra a crescente colaboração entre os órgãos de segurança pública.
A literatura científica apoia essa integração operacional. Luz (2024) ressalta que a utilização de cães policiais fortalece as operações interinstitucionais, pois possibilita a troca de habilidades especializadas entre diversos órgãos de segurança, o que eleva a eficácia das ações e diminui os riscos operacionais. Esse ponto é especialmente importante considerando a crescente evolução das organizações criminosas que operam na Amazônia Legal, o que demanda respostas cada vez mais especializadas e coordenadas.
Essas evidências práticas corroboram os resultados expostos por José Maria (2026), que afirma que o uso de cães treinados aumenta significativamente a eficácia das operações policiais, especialmente na detecção de substâncias ilícitas trazidas em compartimentos de difícil acesso. De maneira semelhante, Notomi et al. (2020) destacam que a precisão olfativa dos cães é um dos principais diferenciais da atividade cinotécnica, o que justifica seu uso extensivo por instituições policiais em vários países.
Essa afirmação é comprovada pelas informações fornecidas pelo 35º Batalhão da Polícia Militar em Santarém. Os responsáveis pelo treinamento ressaltam que os cães utilizados em funções de guarda e proteção são treinados para lidar com situações críticas, como o gerenciamento de crises que envolvem indivíduos armados. Em tais circunstâncias, o animal pode ser utilizado para neutralizar ou desarmar o suspeito, diminuindo a necessidade de armas de fogo e oferecendo mais segurança para as vítimas, policiais e até mesmo para o infrator. Essas evidências mostram que a atividade cinotécnica também ajuda na adoção de intervenções mais proporcionais e alinhadas aos princípios de legalidade, necessidade e proporcionalidade que orientam a atuação policial.
Notomi et al. (2020) afirmam que a eficácia de um cão policial está diretamente relacionada à continuidade do treinamento, à preservação do condicionamento físico e ao fortalecimento da relação entre o animal e seu condutor. A prática constante dos exercícios assegura estabilidade no comportamento, exatidão na identificação de odores e maior confiabilidade durante as operações reais. Essa observação destaca que o desempenho operacional não se baseia apenas nas características naturais do animal, mas, sobretudo, no investimento institucional em treinamento contínuo.
Outro ponto destacado pelos documentos diz respeito ao reforço das ações conjuntas entre diversos órgãos de segurança pública. A preparação para a COP 30 ilustra essa situação ao unir esforços da Polícia Militar do Pará, Base Aérea de Belém, Força Aérea Brasileira, Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL), Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e Polícia Federal.
A literatura comprova que esse modelo de atuação integrada aumenta consideravelmente a eficácia das operações policiais. Luz (2024) ressalta que a troca de habilidades cinotécnicas entre diversas instituições fortalece a prevenção de crimes, otimiza recursos humanos e materiais e melhora a eficácia de operações complexas, principalmente no combate ao tráfico de drogas, armas e explosivos. Nesse sentido, a cooperação se torna ainda mais importante em função das particularidades territoriais da Amazônia, que trazem desafios logísticos para as ações de segurança pública.
Outro resultado relevante diz respeito aos recursos investidos pelo Governo do Estado do Pará para o fortalecimento das unidades especializadas. Dados institucionais da Agência Pará indicam que o Estado tem aumentado os investimentos voltados à atividade policial especializada. Isso abrange a compra de equipamentos e a ampliação do uso de cães em operações de localização de drogas, busca de pessoas e grandes eventos. Essas ações mostram que a utilização de cães faz parte de uma política pública destinada a melhorar as habilidades operacionais da Polícia Militar e a reforçar as estratégias de segurança do estado.
Nesse sentido, os resultados alcançados estão alinhados com as conclusões propostas por Rodrigues (2025), José Maria (2026), Santos (2021) e Luz (2024), que afirmam que o uso de cães policiais constitui diferencial estratégico para as instituições de segurança pública. Os autores ressaltam que a alta capacidade olfativa, a agilidade na realização das tarefas, a versatilidade operacional e o alto nível de especialização dos binômios favorecem operações mais eficazes, seguras e tecnicamente competentes.
Em conclusão, a análise combinada de documentos institucionais, da legislação interna da Polícia Militar do Estado do Pará, de reportagens sobre operações realizadas pelo Batalhão de Ações com Cães e da produção científica consultada indica que os objetivos deste estudo foram atingidos. Constatou-se que o progresso da cinotecnia policial tem contribuído para aprimoramento considerável das operações da PMPA, particularmente nos campos de detecção de explosivos, combate ao tráfico de drogas, busca de pessoas, captura de criminosos e segurança de grandes eventos internacionais, como a COP 30. Além disso, os resultados mostram que a consolidação da doutrina cinotécnica, combinada com investimentos em treinamento, inovação e colaboração entre as agências de segurança, aumenta a eficácia das operações policiais e destaca que os cães são um recurso importante no sentido de garantir a segurança pública.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo alcançou seu objetivo ao analisar a relevância da utilização de cães nas ações de policiamento ostensivo da Polícia Militar do Estado do Pará, destacando suas contribuições para a eficácia operacional da Corporação. A pesquisa mostrou que a atividade cinotécnica é um recurso estratégico para aumentar a eficácia operacional da corporação. A análise dos estudos e dos documentos institucionais revelou que a utilização de cães fortalece as iniciativas de prevenção, repressão e suporte às operações policiais, especialmente em um cenário marcado pelo aumento da criminalidade organizada e pelos desafios territoriais típicos da Amazônia Paraense. Assim, a hipótese inicialmente apresentada foi confirmada, mostrando que a utilização dos binômios policial-cão aumenta a capacidade operacional e gera melhores resultados para a segurança pública.
Os resultados mostraram que o avanço da cinotecnia policial, combinado com a atuação especializada do BAC, constitui diferencial significativo para a PMPA. A regulamentação institucional da atividade, juntamente com o treinamento constante de condutores e cães, contribui para a realização de operações mais eficazes, seguras e tecnicamente competentes. Ademais, constatou-se que o uso de cães aumenta a eficácia das ações de detecção de drogas, armas e explosivos, busca e resgate de pessoas, patrulhamento ostensivo e suporte a operações integradas, fortalecendo a habilidade da Corporação em responder a diversas modalidades criminosas.
Outro ponto importante observado diz respeito ao fortalecimento das políticas de segurança pública no Estado do Pará por meio da atividade cinotécnica. A integração de várias instituições, os investimentos em formação, infraestrutura e inovação tecnológica, além da consolidação da doutrina operacional do BAC, evidenciam que o uso de cães vai além de ser apenas uma ferramenta auxiliar, tornando-se elemento estratégico para a manutenção da ordem pública. Nesse cenário, a atuação dos binômios contribui para diminuir os riscos aos policiais militares, aumentar a sensação de segurança da população e reforçar a reputação da Polícia Militar na sociedade.
Em conclusão, é importante ressaltar que esta pesquisa possui limitações devido ao uso exclusivo de fontes bibliográficas e documentais, sem a execução de uma investigação de campo no Batalhão de Ações com Cães. Portanto, sugere-se que pesquisas futuras incluam entrevistas com policiais militares e especialistas do setor, além da avaliação de indicadores operacionais que possibilitem medir quantitativamente os resultados da atividade cinotécnica. Logo, este trabalho tem como objetivo aumentar a produção científica sobre o tema, apoiar a melhoria das ações da Polícia Militar do Estado do Pará e mobilizar pesquisas adicionais focadas no fortalecimento da segurança pública na Amazônia.
REFERÊNCIAS
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Policial Militar do Estado do Pará– Licenciado Plano em Pedagogia ( Ufopa)- Santarém – Pará–
Brasil ORCID: https://orcid.org/0009-0003-1434-2589 ↑
Policial Militar do Estado do Pará- Santarém – Pará– Brasil ORCID: https://orcid.org/0009-00086207-6517 ↑
Policial Militar do Estado do Pará- Santarém – Pará– Brasil. ORCID: https://orcid.org/0009-00027948-6623

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Copyright (c) 2026 Elenilson Almeida de Macedo, Phablo José Nogueira Gonçalves, Jarlisson Ferreira da Silva, Edson Oliveira Mota (Autor)